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segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Política: Carlos Bolsonaro se revolta após Instagram ocultar fake news sobre Lula

 Apontado como chefe do “gabinete do ódio”, o vereador Carlos Bolsonaro teve duas publicações marcadas como “falsas” pelo Instagram neste domingo (7). Em ambas, ele espalhava fake news sobre o ex-presidente Lula.

“Informação falsa – A mesma informação foi analisada por verificadores de fatos independentes em outras publicações”, dizia o recado da rede social, que ocultou as publicações do filho de Jair Bolsonaro.

A primeira postagem tratava-se de um vídeo de 2015 em que o ex-presidente aparece em um evento do Instituto Lula falando sobre a decisão da Bolívia de nacionalizar o gás e o petróleo do país.

Lula afirma no vídeo que, se não fosse seu governo, o ex-presidente “Evo Morales teria tido muito mais dificuldade na Bolívia”. E conta que ao ser informado sobre a intenção da Bolívia de nacionalizar o petróleo e o gás contrariando interesses da Petrobras, respondeu: “Faça o que vocês quiserem”.


Na primeira postagem, Carlos escreveu: “Acho que o ex-presidiário e seus comparsas esqueceram de apagar isso aqui. O gás de cozinha está caro, assim como outras coisas? Nada é um fato isolado e qualquer inocente sabe disso, além do ‘fique em casa a economia a gente vê depois’, as consequências são vistas no mundo todo”.

Depois que foi ocultada, ele publicou novamente o vídeo, com a seguinte legenda: “Vídeo sem edições, do ex-presidiário por suas próprias palavras sem qualquer comentário de ninguém! Será falso também, ‘checadores’? Aguardemos e tirem suas conclusões!”. O segundo vídeo também foi marcado como falso.

Após o Instagram ocultar as duas postagens, Carlos se revoltou: “Chegamos num momento do mundo em que colocar um vídeo de um ex-presidiário falando por si mesmo, sem nenhum comentário do autor da postagem sobre o fato exposto, sem edição alguma, somente com a fala do próprio petista é considerado falso pelos ‘checadores’. Tem método e muito, mas muito, prudente, sofisticado e biografado!”, escreveu.

FONTE: REVISTA FÓRUM - 08/11/2021 08h20

domingo, 7 de novembro de 2021

ELEIÇÃO SUPLEMENTAR: DI CARDOSO É ELEITO NOVO PREFEITO DE JOÃO DOURADO

 

Kel do Riacho eleita Vice -prefeita e Di Cardoso prefeito reprodução/


O Candidato Diamerson Costa Cardoso Dourado, o Di Cardoso(PL) foi eleito o novo prefeito de João Dourado em eleição suplementar realizada neste domingo(7). A  cidade  fica há 25 km de Irecê.

Ele recebeu 7.319 votos, o que representa 56,08% dos votos válidos. Di Cardoso foi eleito em uma coligação que além do PL reuniu PSB e PC do B.

O candidato Juninho (PSD) ficou em segundo na votação, com 5.731 votos, o que representa 43,92% dos votos válidos. Além disso, foram registrados 1186 votos nulos (1,39%) e 106 em branco (0,80%).

O novo prefeito tem 39 anos, é casado e possui Ensino Superior. Na eleição de 2020 que foi anulada, em que também foi vencedor, Di Cardoso declarou ao TSE que possui bens no valor total de mais R$ 2 milhões.





Fonte:Irece repórter c/adaptações 07/11/2021 19h:35

Irecê: Hospital Regional vai ter residência médica no Hospital Regional

                                           foto:reprodução

A cidade de Irecê, que há alguns anos vem se tornando um dos principais centros em serviços de saúde, seja público ou privado do interior baiano, recebeu, nesta quinta-feira, 4, mais uma importante notícia. Irecê vai ter residência médica, contemplando profissionais que buscam nas residências uma especialização relevante, para o exercício da profissão.

A notícia foi dada pelo médico cardiologista Dr. Igor Lessa, coordenador do serviço de cardiologia do Hospital Regional de Irecê/Dr.Mário Dourado Sobrinho. Ele disse ao site Cultura&Realidade, que se trata de mais um avanço importante para a região de Irecê e narrou os passos da conquista.

“Ao idealizarmos a possibilidade de se ter uma residência médica, foi preciso uma equipe técnica multidisciplinar comprometida e aí contamos com as contribuições da Líder Técnica Dra. Lara Azevêdo (destaque para o empenho da LT), Dra. Raquel, Dr. Durval, Dr. Leandro, Dr, Adilson, Dra. Lívia, dentre outros articuladores, tendo estes como os principais, aos quais só temos a agradecer a dedicação empenhada”, reconheceu o médico.

Ele esclareceu ainda que a proposição foi apresentada à Comissão Nacional de Residência Médica, a qual apontou os pré-requisitos obrigatórios. Para atender as exigências do Ministério da Saúde, a equipe contou com total apoio do Hospital Regional de Irecê, por meio da OSID – Fundação Irmã Dulce, da Policlínica e Município de Irecê, no que se refere à logística extra hospitalar e a Sesab – Secretaria de Saúde do Estado, que celebrou a parceria técnica, disponibilizando as bolsas (financeiras) para os residentes que serão contemplados.

Dr. Igor Lessa, coordenador dos serviços de cardiologia do Hospital Regional de Irecê, um dos principais articuladores para a implantação da residência médica em Irecê – Foto: Reprodução

“Atendidos todos os pré-requisitos, as estruturas disponibilizadas foram visitadas por uma comissão técnica do MEC, representada por Dra. Miralba Freire, que averiguou todas as demandas e por fim, após avaliação da plenária da Comissão Nacional de Residência Médica, foi aprovada à unanimidade, a implantação da nossa residência”, comemorou Dr. Igor.

De acordo com o edital, publicado hoje (quinta-feira, 4) anunciando o credenciamento da  residência médica em Irecê, a mesma deverá entrar em atividade em março do próximo ano e os candidatos serão selecionados de acordo com os critérios de seleção pública, em edital próprio que será divulgado em breve, pelo SUS/Bahia, concurso em que os médicos com CRM prestam prova, e, conforme ranqueamento, alocam as unidades que desejam fazer a especialização, com duração variável, a depender da escolha.

“Agora teremos uma extensão universitária para atender aos recém-formados nas áreas de pediatria, cirurgia geral e clínica médica, já de imediato e, como teremos a ampliação do hospital no ano que vem, teremos condições de requerer ampliação da oferta de residência para outras especializações, em nível de residências”, concluiu Dr. Igor Lessa.

RESIDÊNCIA: IMPORTÂNCIA E CARÊNCIA

Na página do Ministério da Saúde, na aba que trata sobre o programa Mais Médico, há publicação falando sobre a importância, para o ramo da medicina, das residências médicas. Diz a publicação que além da graduação, um forte componente de fixação dos médicos nos municípios é a disponibilidade de programas de residência; reconhecida legal e tecnicamente como o padrão ouro de formação de médicos especialistas no Brasil.

Muitos formandos concluem a graduação e não conseguem vagas de residência, sendo obrigados a mudar para capitais e outras regiões, deixando para trás a comunidade que poderiam se beneficiar com o exercício de sua profissão.

A oferta de programas e vagas de residência médica no Brasil mostra-se deficitária ao longo dos anos. Mesmo hoje não há vagas disponíveis para todos os médicos, além disso, há uma nítida concentração de vagas na região sudeste nas grandes cidades.

Para que o Governo Federal tivesse condições de dimensionar a necessidade de planejar a quantidade e a formação de médicos especialistas, a Lei que instituiu o Mais Médicos determinou a criação do Cadastro Nacional de Especialistas (CNE). Esse cadastro auxiliará o Governo Federal na tarefa de identificar a necessidade de médicos especialistas por região de saúde e de acordo com as necessidades da população.

Fonte: CULTURA&RELAIDADE - 07/11/2021

Exclusivo do Metrópoles: FAB empregou chefe de milícia do ES por quase dois anos


Daniel Ferreira/Metrópoles

Comando da Aeronáutica empregou por quase dois anos, entre maio de 2018 e março de 2020, um homem acusado de chefiar uma milícia na cidade de Marataízes, no litoral do Espírito Santo, e que carrega consigo uma série de denúncias de crimes hediondos.

rata-se de Gilbert Wagner Antunes Lopes, de 42 anos, o Waguinho.

Ele já foi preso e alvo de operações da Polícia Civil devido a homicídios no estado. Hoje, é réu em várias ações penais e chegou a ser condenado, em uma delas, a 7 anos de reclusão pela tentativa de assassinato, em 2010, de um “usuário de drogas” que estaria envolvido em inúmeros furtos na cidade capixaba. No entanto, a fase processual desse caso foi anulada, em junho deste ano, por violação ao juiz natural, e ele foi direcionado para novo júri, desta vez na comarca de Marataízes.

Em 19 de maio daquele ano, Gilbert Wagner efetuou vários disparos contra a vítima e, duas semanas depois, deu uma coronhada na cabeça dela.

O homem não morreu, mas, em consequência das lesões, foi submetido a uma cirurgia. Na delegacia, o usuário de drogas disse que Waguinho também é conhecido em Marataízes como justiceiro. À época, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) apontou que Gilbert Wagner faz parte de uma “verdadeira milícia, […] que a pretexto de promover a segurança, passou a realizar um verdadeiro extermínio neste município, sempre agindo através da violência armada”. O Metrópoles teve acesso à denúncia da procuradoria.

Waguinho é acusado de ter levado a Liga da Justiça, feroz e famoso grupo paramilitar do Rio de Janeiro, para o litoral do Espírito Santo. A facção tem como símbolo o escudo do Batman.

Na Força Aérea Brasileira (FAB), ele começou como terceiro-sargento temporário, em 2018, por meio de um processo seletivo. Hoje, um terceiro- sargento ganha R$ 3.825 mensais. Segundo dados do Portal da Transparência, o homem recebeu R$ 18,3 mil de dinheiro público relativos a serviços prestados à Aeronáutica.


Em setembro, o Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para apurar a admissão do miliciano na FAB.

Para entrar na corporação, Gilbert Wagner teria apresentado declaração e documentação falsas; por isso, foi denunciado pela 3ª Procuradoria de Justiça Militar (PJM), no Rio de Janeiro, pelos crimes de falsidade ideológica e uso de documentos falsos. Waguinho foi expulso do Comando da Aeronáutica depois de 1 ano e 10 meses, após as Forças Armadas concluírem um processo administrativo.

Essa não foi a primeira vez que o justiceiro usou documentos adulterados. Waguinho já foi condenado por alterar a certidão de nascimento e, duas vezes, por porte ilegal de armas. Os casos ainda não tiveram trânsito em julgado e, portanto, a defesa aguarda o julgamento de recursos nos tribunais superiores.

Ingresso na FAB

Waguinho ingressou na FAB em maio de 2018 e serviu como terceiro-sargento temporário do Quadro de Sargentos Convocados (QSCon). A admissão dele foi aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), como consta no Diário Oficial da União (DOU). A Corte, no entanto, não avalia o histórico do candidato – medida que deveria ter sido adotada pelas próprias Forças Armadas.

O ingresso no Comando da Aeronáutica ocorreu por meio de processo seletivo, que, segundo o órgão, atendeu “requisitos específicos e condições previstas na legislação vigente”.

O QSCon é constituído somente por terceiros-sargentos, não havendo promoções no quadro, segundo a atual legislação. Há vagas específicas para eletricista, enfermeiro, mecânico e motorista, por exemplo; também é possível entrar como atleta ou músico. A FAB não esclareceu, contudo, em qual vaga e para qual função o miliciano foi admitido.

Dentre os documentos necessários na época de sua admissão, foi apresentada certidão negativa da Justiça Criminal do Rio de Janeiro. O atestado, no entanto, não trazia referências no âmbito de outras unidades federativas e, portanto, não havia informações sobre os processos contra Waguinho que correm no Tribunal de Justiça do Espírito Santo, por exemplo. Ele foi condenado a 7 anos de prisão pela Corte capixaba.

“Imediatamente após a descoberta de envolvimento em ilicitudes no estado do Espírito Santo, foi instaurado um processo administrativo para apurar o caso, resultando em tornar sem efeito a incorporação de Gilbert Wagner Antunes Lopes na FAB”, informou a corporação.

Waguinho foi excluído do serviço ativo em março do ano passado, por meio de processo administrativo interno na Aeronáutica. O Metrópoles questionou a FAB e a defesa do próprio Wagner sobre quais funções e tarefas eram desempenhadas por ele nas Forças Armadas, mas nem um nem outro responderam. O espaço segue aberto.

A advogada Eduarda Zapponi, do escritório Boaventura Turbay Advogados, explica que a condenação definitiva, a princípio, não impede a nomeação para cargos no governo federal, mas regulamentos como o da FAB determinam a exclusão dos servidores.

Falsidade ideológica

Devido à entrada da FAB, Waguinho foi denunciado, em julho do ano passado, pela 3ª Procuradoria de Justiça Militar no Rio de Janeiro pelos crimes de falsidade ideológica (artigo 312 do Código Penal Militar) e uso de documento falso (art. 315).

De acordo com o Ministério Público Militar (MPM), Gilbert Wagner apresentou, para participar do concurso de profissionais de nível médio voluntários à prestação do serviço militar temporário, o requerimento de inscrição com “declaração e documentação falsas, induzindo e mantendo a Administração Militar em erro”.

O juízo da 1ª Vara da Comarca de Paraíba do Sul decretou a interdição de Waguinho para todos os efeitos da vida civil.

Em dezembro de 2020, no entanto, o juiz federal da Justiça Militar determinou a suspensão e a separação desse processo em relação a Gilbert Wagner. Em virtude dessa separação, foi aberta uma nova ação no nome dele.

Ambas as causas estão tramitando, ainda sem data para julgamento, informou o MPM.

“Quintal do Rio de Janeiro”

Ao indiciar Waguinho em 2011 pela tentativa de homicídio de um usuário de drogas, o Ministério Público apontou que o miliciano “é voltado à prática criminosa” e responde por inúmeros outros processos criminais.

A Promotoria de Justiça Cumulativa de Marataízes relatou que Gilbert Wagner pratica reiteradas condutas ilícitas na cidade, “semeando o receio e a insegurança entre as vítimas e demais membros da coletividade”. Ele foi acusado junto de Anderson Rodrigues Mendonça, que morreu no início deste ano e, por isso, teve a pena extinta.

“Os denunciados recebem apoio e cumplicidade de vários indivíduos numa espécie de associação, visando perpetuar a permanência do grupo do município e, assim, legitimar uma série de outras práticas criminosas, além de ganhar força para a instalação de uma espécie de milícia, que age através da violência armada, ‘limpando’ aqueles que vêm incomodando a coletividade e, em troca, recebem pelo trabalho”, relata o Ministério Público estadual.

“Grupo que a cada dia, a cada morte, vem ganhando força dentro do município de Marataízes e adjacências”, acrescenta um relatório de missão elaborado pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção, da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo.

O relatório, ao qual o Metrópoles teve acesso, detalha também que, à época da denúncia, em 2011, o grupo paramilitar já vinha se organizando há algum tempo. Waguinho é apontado como mentor da milícia na cidade do Espírito Santo, pois teria trazido ideias do Rio de Janeiro – onde, segundo o MPES, fazia parte de grupos de extermínio – e tentado implantá-las em Marataízes.

Arte/ MetrópolesArte/ MetrópolesArte/ Metrópoles

Na ocasião, jornais capixabas apontaram que Gilbert Wagner chegou a ser expulso da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), mas a corporação negou ao Metrópoles que o acusado já tenha feito parte do quadro de funcionários. Ele participou ao menos de um processo seletivo para soldado da PMERJ, em 2008, como está registrado nesta planilha.

“A mentalidade da facção [de Gilbert] é a mesma do temido grupo conhecido como Liga da Justiça, que tem como símbolo o escudo do Batman, cujo adesivo já está sendo observado em vários veículos rodando o município [de Marataízes]”, assegura no relatório o núcleo de investigações.

Além de crimes contra a vida, a milícia chefiada por Waguinho é suspeita de comprar e vender carros alienados de origem criminosa, comercializar armas de fogo e arrombar bancos da cidade. “Torna-se assim necessária uma rápida resposta dos órgãos de segurança, visando impedir que o litoral sul capixaba se torne um quintal do Rio de Janeiro”, pontuam os investigadores.

Amizades

Gilbert Wagner foi nomeado superintendente Administrativo e de Controle na Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de Marataízes, em outubro de 2015, segundo o Diário Oficial da cidade. Depois, assumiu a chefia da pasta, na qual permaneceu por três anos.

Waguinho é filho do falecido tenente Golber Lopes Côrrea. Existe uma página no Facebook dedicada exclusivamente ao pai do miliciano. Nela, Golber é descrito como ex-militar da FAB, do Exército e da PMERJ, além de “líder comunitário” e ex-presidente da Associação de Moradores de Bairros de Paraíba do Sul, cidade natal de Gilbert.

Em redes sociais, circulam fotos de Waguinho com políticos famosos, como o senador Marcos do Val (Podemos-ES) e o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB). Ao Metrópoles, ambos negaram ter relação de amizade com o miliciano.

Outro lado

Ao Metrópoles a defesa de Waguinho, feita pelo advogado Leonardo da Silva, alegou que o cliente foi reincorporado à FAB, e não nomeado, por meio de pedido de revisão de situação funcional julgada favorável.

“Gilbert ingressou no Comando da Aeronáutica em 1997, por meio de concurso público para soldado especialista, porém, foi dispensado em 2002, próximo de ser promovido e com problemas de saúde. Quatro anos depois, impetrou o referido pedido, que se arrastou por longos anos e só teve a decisão final em 2017”, alegou.

Procurada, a FAB informou não ter encontrado registros sobre o ingresso de Gilbert Wagner em 1997, como alegado pela defesa.

Leonardo afirmou, categoricamente, que Gilbert Wagner “não responde e nunca respondeu a qualquer tipificação relativa a crime de milícia”. “O mesmo foi suspeito de participar de um grupo que ceifou a vida de um foragido da Justiça por cometer estupros. Inclusive, esses autos foram objeto do habeas corpus impetrado por este subscritor e devidamente anulada a fase processual, por violação ao juiz natural”, assegurou a defesa.

“O que ocorreu na época e pode ter influenciado a formação do respeitoso questionamento é que o nome do Gilbert foi lançado, indevidamente, por um blog anônimo, chamado O Mascarado de Marataízes, e reproduzido em diversos sites e jornais de forma distorcida, numa espécie típica de ‘tribunal do Google’, manipulado por uma política que não aceitava/aceita ideias a favor da democracia, fato que a defesa já prepara ações diversas a fim de combater as falácias que perpetuam na internet”, prosseguiu.

A defesa explicou ainda que Marataízes é uma cidade pequena no sul do estado do Espírito Santo, com uma população que gravita em torno de 39 mil habitantes, “não fazendo sentido algum a sobrevivência de uma milícia, haja vista que não existem comunidades periféricas em situação análoga a uma favela, nem os demais municípios que rodeiam a cidade”.

Em seguida, alegou que “determinadas pessoas, por não conhecerem o mundo militar federal, procuram fazer denúncias ao MPES e ao MPF reproduzindo falácias de que Gilbert prestou recente concurso ou que fora nomeado, porém, tais argumentações não subsistem a uma análise meticulosa levada a efeito pelos respeitosos órgãos citados”.

O ingresso via processo seletivo, no entanto, foi confirmado pela própria FAB, como já mostrou o Metrópoles.

“Gilbert Wagner hoje reside em Vila Velha – ES, com sua esposa, filhas e filho; o mesmo faz tratamentos contra câncer na região do estômago, ficou deficiente mental incurável, está interditado judicialmente e julgado incapaz totalmente por médicos peritos do próprio Comando da Aeronáutica e peritos civis. Suas enfermidades iniciaram após grave acidente, em plena atividade militar. A família reclama que é perseguida porque faz insistentes reclamações e petições ao Comando da Aeronáutica, pois, o mesmo está esquecido e faz jus a diversos direitos”, finalizou o advogado.

FONTE: METRÓPOLES/Colaborou Manoela Alcântara  07/11/2021 18h18

PF ignorou PGR ao ouvir Bolsonaro sem avisar defesa de Moro

                                foto:reprodução

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal ignorou o procurador-geral da República, Augusto Aras, ao não comunicar à defesa do ex-ministro da Justiça Sergio Moro a realização do interrogatório de Jair Bolsonaro no inquérito que apura a suspeita de interferência política do presidente na corporação.

Em manifestações enviadas em setembro ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), portanto mais de um mês antes do depoimento, Aras ponderou a necessidade de intimação da Procuradoria e dos advogados dos investigados quando da realização de oitivas.

Bolsonaro foi ouvido pela PF no Palácio do Planalto na quarta-feira (3), ocasião em que negou a acusação feita contra ele e afirmou que Moro condicionou uma troca no comando da corporação à sua indicação para uma vaga de ministro do Supremo, declaração rebatida pelo ex-juiz da Lava Jato.

A defesa de Moro não participou do interrogatório e, em nota à imprensa, reclamou do fato de não ter sido "intimada e comunicada oficialmente com a devida antecedência, impedindo seu comparecimento a fim de formular questionamentos pertinentes".

Em 2020, ainda na relatoria do caso, o ex-ministro Celso de Mello concedera aos advogados de Moro o direito de acompanhar o interrogatório de Bolsonaro e fazer perguntas. Foi uma medida em caráter excepcional -não é de praxe que isso ocorra na fase policial.

Procurada pela reportage,, a PF afirmou que não se manifestaria.

Em agosto deste ano, em dúvida acerca dos procedimentos a serem observados na condução do inquérito, a polícia perguntou ao atual relator, Alexandre de Moraes, sobre algumas providências definidas ainda nos primórdios da apuração. Por exemplo, a possibilidade de a Procuradoria e advogados de Bolsonaro e Moro formularem perguntas quando da realização dos depoimentos de eventuais testemunhas.

Em resposta a tal questionamento, Moraes dispensou este procedimento por entender que ele foi necessário apenas na fase inicial da apuração.

O ministro escreveu: "Autorizo o delegado de Polícia Federal a proceder às oitivas de eventuais testemunhas sem a necessidade de intimação nos termos antes determinados, inclusive dos advogados dos investigados".

Aras fez ressalva a esse entendimento. "[Este procurador-geral] pondera a Vossa Excelência a necessidade da intimação do Ministério Público Federal, dos advogados e dos interessados", afirmou. O chefe do Ministério Público Federal se posicionou nos dias 2 e 30 de setembro.

Para justificar a ponderação ao magistrado, o procurador-geral não citou a decisão de Celso de Mello do ano passado, mas artigo da Lei nº 8.906 (Estatuto da Advocacia), que trata das prerrogativas dos advogados.

Foi Aras que, em abril de 2020, pediu ao STF a abertura de inquérito para investigar as suspeitas de que Bolsonaro interferiu na cúpula da PF para blindar parentes e aliados de investigações, suspeita levantada por Moro quando ele deixou o governo. A demissão foi revelada pela Folha.

Para interlocutores de Moro, a decisão de Moraes sobre a dispensa de intimação se limita aos interrogatórios de testemunhas, não se aplicando a Bolsonaro, que aparece na condição de investigado, permanecendo inalterado o que definira Celso de Mello ainda em 2020.

Até a conclusão desta reportagem, a defesa de Moro não havia formalizado nenhum recurso ao relator.

No depoimento desta quarta, Bolsonaro negou interferência na PF e afirmou que trocou seu comando por uma questão de diálogo.

"Nunca teve como intenção, com a alteração da direção geral [da PF], obter informações privilegiadas de investigações sigilosas ou de interferir no trabalho de Polícia Judiciária ou obtenção diretamente de relatórios produzidos pela Polícia Federal", afirmou o presidente, segundo transcrição da PF.

O presidente disse que em meados de 2019 solicitou a Moro a troca do então diretor-geral da Polícia Federal "em razão da falta de interlocução" que havia entre ele e o delegado Maurício Valeixo.

"Não havia qualquer insatisfação ou falta de confiança com o trabalho realizado pelo Valeixo, apenas uma falta de interlocução."

Ele afirmou também que Moro teria concordado com a nomeação do delegado Alexandre Ramagem, atualmente na direção da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), para o comando da corporação desde que isso ocorresse após sua indicação para vaga de ministro do STF.

De acordo com o presidente, Ramagem foi indicado "em razão da sua competência e confiança construída ao longo do trabalho de segurança pessoal" durante a campanha eleitoral de 2018.

Moro rebateu as afirmações de Bolsonaro. Disse que "jamais" condicionou troca no comando da PF a uma eventual indicação ao Supremo.

"Não troco princípios por cargos. Se assim fosse, teria ficado no governo como ministro", afirmou, em nota enviada por sua assessoria de imprensa.

"Aliás, nem os próprios ministros do governo ouvidos no inquérito confirmaram essa versão apresentada pelo presidente da República. Quanto aos motivos reais da troca, eles foram expostos pelo próprio presidente na reunião ministerial de 22 de abril de 2020 para que todos ouvissem."

As declarações do presidente ocorreram a uma semana da anunciada filiação do ex-ministro ao Podemos. Ele é apontado como pré-candidato à Presidência em 2022.

Bolsonaro afirmou ainda que cobrou de Moro investigação mais célere e objetiva no caso da facada de 2018 e das suspeitas sobre suposto envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL).

Nos dois casos, segundo o chefe do Executivo, não houve empenho do ex-ministro da Justiça. Ele se queixou de Moro não ser proativo.

No final do depoimento de 13 perguntas, Bolsonaro disse ter dado carta branca para o ex-juiz da Lava Jato montar a equipe do seu ministério, mas percebeu depois que Moro "estava administrando a pasta sem pensar no todo, sem alinhamento com os demais ministérios e o Gabinete da Presidência".

O formato do depoimento que Bolsonaro deveria prestar à PF seria alvo de julgamento do STF no mês passado, mas o chefe do Executivo, após resistir por mais de um ano, manifestou interesse em fazê-lo presencialmente.

Fonte:FOLHAPRESS -  07/11/2021 14h55