quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Mundo: Netanyahu teria sido avisado antes de ataque de 7 de outubro, diz jornal

                                             Benjamin Netanyahu visita local de ataque de míssil em Arad  • Reuters



O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enfrentou uma forte reação política nesta terça-feira (8) devido a uma reportagem segundo a qual o presidente dos Emirados Árabes Unidos o havia alertado de uma grande operação do Hamas dias antes do ataque de 7 de outubro de 2023.

O Gabinete do Primeiro-Ministro classificou a reportagem como uma "mentira absoluta". No entanto, com as eleições israelenses de outubro a menos de dois meses de distância, os rivais de Netanyahu aproveitaram a notícia como mais uma evidência do que descrevem como uma lista crescente de alertas ignorados por ele.

Os líderes dos quatro partidos de oposição — Gadi Eisenkot, Naftali Bennett, Avigdor Lieberman e Yair Golan — divulgaram uma rara declaração conjunta exigindo "uma investigação imediata e minuciosa" sobre as "falhas e o mau funcionamento" de Netanyahu.

"O público israelense tem o direito de saber: o que Netanyahu sabia, quando soube, por que não informou o aparato de segurança e por que não agiu para proteger os civis israelenses?", dizia a declaração.

escrevendo na rede social X que o suposto descaso do primeiro-ministro com os alertas equivale a "negligência criminosa".

O aliado político de Bennett, o ex-primeiro-ministro Yair Lapid, disse que também havia alertado publicamente sobre um ataque antes de ele ocorrer, assim como fizeram altos funcionários de segurança de Israel e autoridades egípcias. "Se Netanyahu tivesse cumprido seu papel, o massacre teria sido evitado", disse Lapid em um comunicado.

A reportagem, publicada no jornal Haaretz, baseou-se em informações de um livro a ser lançado pelos jornalistas israelenses Shlomi Eldar e Ruti Yuval.

O texto relatava que o presidente dos Emirados Árabes Unidos, xeique Mohammed bin Zayed, ligou para Netanyahu cerca de 10 dias antes de 7 de outubro e, durante uma conversa de 45 minutos, alertou-o de que o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, estava planejando uma grande ação contra Israel que poderia causar derramamento de sangue e desestabilizar a região.

A reportagem citou uma mensagem que Sinwar transmitiu aos Emirados Árabes Unidos e a Israel por meio de um mediador palestino, em meados de setembro de 2023, alertando sobre um iminente "terremoto".

O Haaretz informou que Netanyahu reagiu "relativamente com calma" às informações e garantiu a Bin Zayed que Israel estava preparado para qualquer cenário.

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos emitiu um comunicado na noite desta terça-feira afirmando que "não comenta notícias da mídia ou especulações sobre conversas entre líderes governamentais", mas não negou a realização da ligação. "Quando necessário, todas as informações de inteligência relevantes foram e continuam sendo comunicadas entre as entidades competentes", dizia a nota.

Uma fonte israelense a par do assunto afirmou que o gabinete de Netanyahu tentou fazer com que os Emirados Árabes Unidos negassem a reportagem do jornal Haaretz, mas o país concordou apenas em divulgar um comunicado sobre o compartilhamento de informações de inteligência.

O Gabinete do Primeiro-Ministro negou veementemente a reportagem, afirmando que Netanyahu "não falou com o presidente dos Emirados Árabes Unidos durante o período em questão e não recebeu nenhum aviso dele".


fonte:CNN BRASIL - 09/09/2026

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