247 – A Polícia Federal levantou, em relatórios de inteligência, a hipótese de que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia buscar uma mudança na correlação de forças dentro da Corte para favorecer uma anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e na tentativa de golpe de Estado.
A hipótese consta nos documentos tornados públicos pelo ministro Alexandre de Moraes na quinta-feira (3). Moraes encaminhou o material ao presidente do STF, Edson Fachin, ao apontar indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça.
PF fala em possível recomposição de forças no Supremo
Em um dos relatórios, analistas da PF mencionam uma possível “estratégia de recomposição de forças no Tribunal”. A hipótese descrita no documento é a de que movimentos atribuídos a Mendonça pudessem ampliar sua influência no STF e alterar o equilíbrio entre diferentes grupos de ministros.
O relatório associa essa leitura, entre outros pontos, ao apoio de Mendonça à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo, além de movimentos envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Segundo a reportagem, a PF afirma que uma mudança na composição ou no equilíbrio interno da Corte poderia ampliar as chances de uma anistia relacionada aos crimes do 8 de Janeiro. Em uma tabela com hipóteses analisadas, a corporação registra a proposição de que “a recomposição visa viabilizar anistia dos crimes de 8 de janeiro”.
Documento aponta baixo grau de confiança
Apesar da gravidade da hipótese, a própria Polícia Federal atribui baixo grau de confiança à conclusão. De acordo com a corporação, os relatórios citados por Moraes são “documentos de trabalho” e “sem valor probatório”.
Ainda segundo a PF, esse tipo de material reúne análises de cenário, com diferentes graus de confiança, e não apresenta conclusões criminais definitivas. A ressalva é central para delimitar o alcance dos documentos: trata-se de uma avaliação de inteligência, não de uma acusação formal comprovada.
Moraes vê “fortes indícios” contra Mendonça
Moraes, por sua vez, utilizou o conjunto dos relatórios para sustentar que há “fortes indícios” de irregularidades praticadas por Mendonça na condução de duas frentes de investigação: a Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS, e a Operação Compliance Zero, relacionada ao Banco Master.
Entre as acusações apresentadas por Moraes estão interferência na condução de investigações, participação irregular em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos por motivos pessoais e políticos, inclusive contra o próprio Moraes.
Crise se aprofunda no STF
O episódio amplia a crise instalada no Supremo após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens e registros de contatos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A tensão ocorre em meio a uma disputa institucional que envolve investigações sensíveis, questionamentos sobre a atuação de ministros e o tratamento dado a relatórios internos da Polícia Federal.
Até 12 de agosto de 2025, o STF havia responsabilizado 1.190 pessoas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que indicou André Mendonça ao Supremo.
fonte: BRASIL 247 -04/09/2026
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