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segunda-feira, 27 de julho de 2020

Santo Amaro: Caetano Veloso e UFRB se posicionam contra instalação de fábrica

Santo Amaro: Caetano Veloso e UFRB se posicionam contra instalação de fábrica
Foto: Reprodução / Instagram
A Universidade Federal do Recôncavo emitiu nota pública em que afirma ser contrária a cessão de uma área da entidade em Santo Amaro, no Recôncavo, para a instalação de uma fábrica de produtos automotivos (Orbi Química). Nesta segunda-feira (27), a Câmara de Vereadores da cidade vota um projeto de lei que autoriza a construção da fábrica Orbi Química. O fato chegou a motivar um vídeo de Caetano Veloso, um dos santamarenses mais conhecidos. O artista se posicionou contra também a instalação da fábrica, lembrando problemas causados a moradores do município em decorrência do chumbo.

Na nota enviada ao presidente da Câmara de Santo Amaro, Herden Cristiano do Amaral Boucas, em que pede a rejeição ao projeto de lei, o diretor da UFRB Danilo Barata também afirmou que a universidade também não foi informada sobre o projeto de doação do espaço físico da antiga sede da Fundação Tarzan para implantação de indústria Orbi Química. A UFRB ainda declarou interesse e o empenho da administração superior em consolidar a implantação do Campus de Santo Amaro, "tendo como imprescindível a construção da sede do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (CECULT) no espaço que nos fora doado, terreno das ruínas remanescentes da antiga Siderúrgica Fundação Tarzan". Informações do Bahia Notícias.

Economia: Brasil depende cada vez mais de exportar para a China

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imagem:reprodução
"A despeito do tom belicoso nas declarações do governo Bolsonaro em relação à China, as exportações brasileiras estão cada vez mais dependentes do apetite do comprador chinês. De 2001 até o ano passado, a participação chinesa nas vendas do Brasil saltou de 1,9% para 28,5%. Com a crise global desencadeada pelo novo coronavírus, essa fatia subiu para 33,8% no primeiro semestre deste ano – um terço dos US$ 101,7 bilhões exportados pelo País de janeiro a junho teve como destino a China", aponta reportagem do Estadão desta segunda-feira 27/VII.
Os números são do Ministério da Economia, compilados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No mesmo período as vendas para os Estados Unidos caíram de 22,6% do total para 9,9%; já os negócios para a União Europeia, que respondiam por 25,4% das exportações brasileiras em 2001, ficaram em 15,4% no primeiro semestre.
Segundo especialistas consultados pelo jornal, o aumento da dependência da China está associado, em primeiro lugar, ao forte crescimento econômico do país asiático nas últimas décadas.
Além disso, deve-se levar em conta a queda recente da demanda por parte de outras nações afetadas pela pandemia, especialmente na América do Sul. Informações do Conversa Afiada.

Governo tem ‘economia que mata’ e se aproxima do totalitarismo, dizem bispos

Bispos dizem que convivemos com a 'incapacidade e a incompetência do Governo Federal para coordenar suas ações, agravadas pelo fato de ele se colocar contra a ciência, contra estados e municípios'
© Sérgio Lima/Poder360 11.05.2020 Bispos dizem que convivemos com a 'incapacidade e a incompetência do Governo Federal para coordenar suas ações, agravadas pelo fato de ele se colocar contra a ciência, contra estados e municípios'
Um grupo de 152 bispos, arcebispos e bispos eméritos brasileiros escreveu uma carta com críticas ao governo de Jair Bolsonaro. Chamado de “Carta ao Povo de Deus”, o texto afirma que o Brasil passa por 1 dos momentos mais difíceis de sua história.
A carta seria publicada em 22 de julho mas, segundo a Folha de S. Paulo, a divulgação foi adiada para que o texto fosse analisado pelo conselho permanente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
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Os signatários destacam que não têm “interesses político-partidários, econômicos, ideológicos ou de qualquer outra natureza“. Para eles o país vive “uma tempestade perfeita“, causada pela “combinação de uma crise de saúde sem precedentes, com 1 avassalador colapso da economia e com a tensão que se abate sobre os fundamentos da República, provocada em grande medida pelo presidente da República e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança“.
Analisando o cenário político, sem paixões, percebemos claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises“, continua o texto. Os bispos analisam que é preciso “muito mais diálogo do que discursos ideológicos fechados“. O grupo considera que as reforças trabalhistas e tributárias são “armadilhas que precarizaram ainda mais a vida do povo“.
Convivemos, assim, com a incapacidade e a incompetência do Governo Federal, para coordenar suas ações, agravadas pelo fato de ele se colocar contra a ciência, contra estados e municípios, contra poderes da República; por se aproximar do totalitarismo e utilizar de expedientes condenáveis“, lê-se na carta.
Para os religiosos, o ministro Paulo Guedes (economia) “desdenha dos pequenos empresários“. Além disso, o governo promove “uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda“. “O sistema do atual governo não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, mas a defesa intransigente dos interesses de uma ‘economia que mata’“, escreve o grupo.
Os signatários condenam o uso da religião para “manipular sentimentos e crenças“. “Ressalte-se o quanto é perniciosa toda associação entre religião e poder no Estado laico, especialmente a associação entre grupos religiosos fundamentalistas e a manutenção do poder autoritário“, continuam os bispos.
O grupo finaliza dizendo que é tempo para “unidade no respeito à pluralidade” e pedem “1 amplo diálogo nacional que envolva humanistas, os comprometidos com a democracia, movimentos sociais, homens e mulheres de boa vontade, para que seja restabelecido o respeito à Constituição Federal e ao Estado Democrático de Direito“.
Entre os signatários estão o arcebispo emérito de São Paulo, dom Claudio Hummes, o bispo emérito de Blumenau, dom Angélico Sandalo Bernardino, o bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), dom Edson Taschetto Damian, o arcebispo de Belém (PA), dom Alberto Taveira Corrêa, o bispo prelado emérito do Xingu (PA), dom Erwin Krautler, o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), dom Joaquim Giovani Mol, e o arcebispo de Manaus (AM) e ex-secretário-geral da CNBB dom Leonardi Ulrich.
Leia a íntegra:
“Carta ao Povo de Deus”:
“Somos bispos da Igreja Católica, de várias regiões do Brasil, em profunda comunhão com o Papa Francisco e seu magistério e em comunhão plena com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que no exercício de sua missão evangelizadora, sempre se coloca na defesa dos pequeninos, da justiça e da paz. Escrevemos esta Carta ao Povo de Deus, interpelados pela gravidade do momento em que vivemos, sensíveis ao Evangelho e à Doutrina Social da Igreja, como um serviço a todos os que desejam ver superada esta fase de tantas incertezas e tanto sofrimento do povo.
Evangelizar é a missão própria da Igreja, herdada de Jesus. Ela tem consciência de que “evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo” (Alegria do Evangelho, 176). Temos clareza de que “a proposta do Evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus. A nossa reposta de amor não deveria ser entendida como uma mera soma de pequenos gestos pessoais a favor de alguns indivíduos necessitados […], uma série de ações destinadas apenas a tranquilizar a própria consciência. A proposta é o Reino de Deus […] (Lc 4,43 e Mt 6,33)” (Alegria do Evangelho, 180). Nasce daí a compreensão de que o Reino de Deus é dom, compromisso e meta.
É neste horizonte que nos posicionamos frente à realidade atual do Brasil. Não temos interesses político-partidários, econômicos, ideológicos ou de qualquer outra natureza. Nosso único interesse é o Reino de Deus, presente em nossa história, na medida em que avançamos na construção de uma sociedade estruturalmente justa, fraterna e solidária, como uma civilização do amor.
O Brasil atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história, comparado a uma “tempestade perfeita” que, dolorosamente, precisa ser atravessada. A causa dessa tempestade é a combinação de uma crise de saúde sem precedentes, com um avassalador colapso da economia e com a tensão que se abate sobre os fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança.
Este cenário de perigosos impasses, que colocam nosso País à prova, exige de suas instituições, líderes e organizações civis muito mais diálogo do que discursos ideológicos fechados. Somos convocados a apresentar propostas e pactos objetivos, com vistas à superação dos grandes desafios, em favor da vida, principalmente dos segmentos mais vulneráveis e excluídos, nesta sociedade estruturalmente desigual, injusta e violenta. Essa realidade não comporta indiferença.
É dever de quem se coloca na defesa da vida posicionar-se, claramente, em relação a esse cenário. As escolhas políticas que nos trouxeram até aqui e a narrativa que propõe a complacência frente aos desmandos do Governo Federal, não justificam a inércia e a omissão no combate às mazelas que se abateram sobre o povo brasileiro. Mazelas que se abatem também sobre a Casa Comum, ameaçada constantemente pela ação inescrupulosa de madeireiros, garimpeiros, mineradores, latifundiários e outros defensores de um desenvolvimento que despreza os direitos humanos e os da mãe terra. “Não podemos pretender ser saudáveis num mundo que está doente. As feridas causadas à nossa mãe terra sangram também a nós” (Papa Francisco, Carta ao Presidente da Colômbia por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, 05/06/2020).
Todos, pessoas e instituições, seremos julgados pelas ações ou omissões neste momento tão grave e desafiador. Assistimos, sistematicamente, a discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela COVID-19, tratando-o como fruto do acaso ou do castigo divino, o caos socioeconômico que se avizinha, com o desemprego e a carestia que são projetados para os próximos meses, e os conchavos políticos que visam à manutenção do poder a qualquer preço. Esse discurso não se baseia nos princípios éticos e morais, tampouco suporta ser confrontado com a Tradição e a Doutrina Social da Igreja, no seguimento Àquele que veio “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
Analisando o cenário político, sem paixões, percebemos claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises. As reformas trabalhista e previdenciária, tidas como para melhorarem a vida dos mais pobres, mostraram-se como armadilhas que precarizaram ainda mais a vida do povo. É verdade que o Brasil necessita de medidas e reformas sérias, mas não como as que foram feitas, cujos resultados pioraram a vida dos pobres, desprotegeram vulneráveis, liberaram o uso de agrotóxicos antes proibidos, afrouxaram o controle de desmatamentos e, por isso, não favoreceram o bem comum e a paz social. É insustentável uma economia que insiste no neoliberalismo, que privilegia o monopólio de pequenos grupos poderosos em detrimento da grande maioria da população.
O sistema do atual governo não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, mas a defesa intransigente dos interesses de uma “economia que mata” (Alegria do Evangelho, 53), centrada no mercado e no lucro a qualquer preço. Convivemos, assim, com a incapacidade e a incompetência do Governo Federal, para coordenar suas ações, agravadas pelo fato de ele se colocar contra a ciência, contra estados e municípios, contra poderes da República; por se aproximar do totalitarismo e utilizar de expedientes condenáveis, como o apoio e o estímulo a atos contra a democracia, a flexibilização das leis de trânsito e do uso de armas de fogo pela população, e das leis do trânsito e o recurso à prática de suspeitas ações de comunicação, como as notícias falsas, que mobilizam uma massa de seguidores radicais.
O desprezo pela educação, cultura, saúde e pela diplomacia também nos estarrece. Esse desprezo é visível nas demonstrações de raiva pela educação pública; no apelo a ideias obscurantistas; na escolha da educação como inimiga; nos sucessivos e grosseiros erros na escolha dos ministros da educação e do meio ambiente e do secretário da cultura; no desconhecimento e depreciação de processos pedagógicos e de importantes pensadores do Brasil; na repugnância pela consciência crítica e pela liberdade de pensamento e de imprensa; na desqualificação das relações diplomáticas com vários países; na indiferença pelo fato de o Brasil ocupar um dos primeiros lugares em número de infectados e mortos pela pandemia sem, sequer, ter um ministro titular no Ministério da Saúde; na desnecessária tensão com os outros entes da República na coordenação do enfrentamento da pandemia; na falta de sensibilidade para com os familiares dos mortos pelo novo coronavírus e pelos profissionais da saúde, que estão adoecendo nos esforços para salvar vidas.
No plano econômico, o ministro da economia desdenha dos pequenos empresários, responsáveis pela maioria dos empregos no País, privilegiando apenas grandes grupos econômicos, concentradores de renda e os grupos financeiros que nada produzem. A recessão que nos assombra pode fazer o número de desempregados ultrapassar 20 milhões de brasileiros. Há uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda.
Fechando os olhos aos apelos de entidades nacionais e internacionais, o Governo Federal demonstra omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres e vulneráveis da sociedade, quais sejam: as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, as populações das periferias urbanas, dos cortiços e o povo que vive nas ruas, aos milhares, em todo o Brasil. Estes são os mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus e, lamentavelmente, não vislumbram medida efetiva que os levem a ter esperança de superar as crises sanitária e econômica que lhes são impostas de forma cruel. O Presidente da República, há poucos dias, no Plano Emergencial para Enfrentamento à COVID-19, aprovado no legislativo federal, sob o argumento de não haver previsão orçamentária, dentre outros pontos, vetou o acesso a água potável, material de higiene, oferta de leitos hospitalares e de terapia intensiva, ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea, nos territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais (Cf. Presidência da CNBB, Carta Aberta ao Congresso Nacional, 13/07/2020).
Até a religião é utilizada para manipular sentimentos e crenças, provocar divisões, difundir o ódio, criar tensões entre igrejas e seus líderes. Ressalte-se o quanto é perniciosa toda associação entre religião e poder no Estado laico, especialmente a associação entre grupos religiosos fundamentalistas e a manutenção do poder autoritário. Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça?
O momento é de unidade no respeito à pluralidade! Por isso, propomos um amplo diálogo nacional que envolva humanistas, os comprometidos com a democracia, movimentos sociais, homens e mulheres de boa vontade, para que seja restabelecido o respeito à Constituição Federal e ao Estado Democrático de Direito, com ética na política, com transparência das informações e dos gastos públicos, com uma economia que vise ao bem comum, com justiça socioambiental, com “terra, teto e trabalho”, com alegria e proteção da família, com educação e saúde integrais e de qualidade para todos. Estamos comprometidos com o recente “Pacto pela vida e pelo Brasil”, da CNBB e entidades da sociedade civil brasileira, e em sintonia com o Papa Francisco, que convoca a humanidade para pensar um novo “Pacto Educativo Global” e a nova “Economia de Francisco e Clara”, bem como, unimo-nos aos movimentos eclesiais e populares que buscam novas e urgentes alternativas para o Brasil.
Neste tempo da pandemia que nos obriga ao distanciamento social e nos ensina um “novo normal”, estamos redescobrindo nossas casas e famílias como nossa Igreja doméstica, um espaço do encontro com Deus e com os irmãos e irmãs. É sobretudo nesse ambiente que deve brilhar a luz do Evangelho que nos faz compreender que este tempo não é para a indiferença, para egoísmos, para divisões nem para o esquecimento (cf. Papa Francisco, Mensagem Urbi et Orbi, 12/4/20).
Despertemo-nos, portanto, do sono que nos imobiliza e nos faz meros espectadores da realidade de milhares de mortes e da violência que nos assolam. Com o apóstolo São Paulo, alertamos que “a noite vai avançada e o dia se aproxima; rejeitemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,12).
O Senhor vos abençoe e vos guarde. Ele vos mostre a sua face e se compadeça de vós.
O Senhor volte para vós o seu olhar e vos dê a sua paz! (Nm 6,24-26).”

fonte:Poder 360 - 27/07/2020

domingo, 26 de julho de 2020

Bahia: Estado se aproxima de 150 mil casos confirmados da Covid-19; 3.182 óbitos

    Pelourinho no  Centro Histórico de Salvador - foto:Michele Rocha
A Bahia registrou nas últimas 24h, 1.780 casos de Covid-19, 42 óbitos e 2.470 curados, segundo boletim divulgado neste domingo (26), pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).
Com a atualização, o número total de casos confirmados da doença no estado sobe para 148.179 e o de mortes para 3.182. De acordo com a Sesab, a taxa de crescimento no número de casos, nas últimas 24 horas, foi de 1,2% e 1,3% no número de mortes.
Desde o início da pandemia, 131.209 já são considerados curados, 13.788 encontram-se ativos e 14.269 profissionais da saúde foram confirmados para a doença.
Ainda segundo a Sesab, 299.913 casos foram descartados e 79.550 estão em investigação.
fonte:Bahia.Ba

Bolsonaro é denunciado em Haia por genocídio e crime contra humanidade

  •  Jair Bolsonaro, presidente da república, segura uma caixa de Cloroquina nesta domingo (19) no Palácio da Alvorada  - MATEUS BONOMI/ ESTADÃO CONTEÚDO
  • Jair Bolsonaro, presidente da república, segura uma caixa de Cloroquina nesta domingo (19) no Palácio da Alvorada - Imagem: MATEUS BONOMI/ ESTADÃO CONTEÚDO
  • Mais de 50 entidades e sindicatos brasileiros e estrangeiros entregam queixa ao Tribunal Penal Internacional.
  • Resposta à pandemia por parte do presidente é o foco da denúncia.
  • Sindicatos do setor de saúde lideram iniciativa, solicitando abertura de investigações por parte da procuradora-geral.

CONFIRA A REPORTAGEM COMPLETA NO LINK DO SITE UOL DE HOJE(26) POR JAMIL CHADE.

Por Kennedy Alencar: Lava Jato é exemplo de 'soft power' a favor dos EUA contra Brasil

24.out.2017 - O então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol durante evento em São Paulo - HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO
foto:Helio Homero/ESTADÃO/reprodução


VALE A PENA LER NA COLUNA DE KENNEDY ALENCAR DO UOL DE HOJE(26)

clique abaixo o link:

https://noticias.uol.com.br/colunas/kennedy-alencar/2020/07/01/lava-jato-e-exemplo-de-soft-power-a-favor-dos-eua-contra-brasil.htm

'A democracia brasileira está em risco com Bolsonaro' diz prof. Adam Przeworski

'A democracia brasileira está em risco com Bolsonaro'
foto: reprodução
O professor de Política e Economia da Universidade de Nova York (NYU), Adam Przeworski, tem uma definição bastante peculiar de democracia. Não menciona a maioria dos eleitores ou sequer a vontade popular. É um conceito simples e direto: “democracia é um regime em que os governantes deixam o poder quando perdem as eleições”. As “Crises da Democracia”, título de seu livro mais recente, publicado pela Zahar, nascem justamente da falta de transparência nesse quesito. O conceito ainda é válido, mas há áreas cada vez mais subjetivas nessa equação. Governantes como Vladimir Putin (Rússia) e Recep Erdogan (Turquia), entre outros, chegam ao poder de forma democrática, mas, uma vez lá, promovem mudanças nas legislações de seus países para adequar a lógica eleitoral às suas agendas pessoais. Com táticas que provocam o enfraquecimento das instituições, buscam calar a imprensa independente e asfixiar a oposição, reduzindo os riscos de derrota em uma eleição – e, consequentemente, a perda do poder. Segundo Przeworski, a democracia brasileira também corre riscos com o presidente Jair Bolsonaro. “Sempre pensei que a democracia brasileira era extraordinariamente forte”, afirma o professor. “Há uma crise no Brasil que terá que ser resolvida, de uma maneira ou de outra.”
A democracia brasileira corre algum perigo nos dias de hoje?

Sim. A democracia brasileira está em risco com Bolsonaro. Sempre pensei que ela era forte. A eleição de Lula foi um evento sem precedentes, uma vez que a distância entre ele e Fernando Henrique Cardoso era muito grande. Uma alternância de poderes tão radical dificilmente seria aceita nos EUA. Mas Lula venceu a eleição, assumiu o cargo, governou. Fiquei surpreso. Mas o ódio contra o PT se tornou tão intenso que a presidente Dilma teve de ser removida. A rejeição do resultado da eleição por Aécio Neves já havia sido uma bomba contra as instituições. Há uma crise no Brasil que terá que ser resolvida, de uma maneira ou de outra.
Após assumir, Lula declarou que havia recebido uma “herança maldita”. Foi o início da polarização?

Sim, Lula criou um antagonismo onde não havia antes ou havia menos. FHC foi responsável por muitos programas sociais. Lula veio com uma posição antagônica, mas manteve os programas, apenas mudou os nomes. Era como se o governo antes não tivesse feito nada e ele estava fazendo tudo do zero. Não concordo com essa posição.
Não tivemos golpe militar, mas as Forças Armadas ocupam parte do governo. Como o senhor vê isso?

Tenho que admitir que é estranho. Acredito que há internamente uma divisão entre militares na ativa e os que estão na reserva. Bolsonaro apostou em um jogo perigoso.
A situação é curiosa porque Bolsonaro é um capitão reformado governando generais…

O cientista político Alfred Stepan dizia que militares não gostam de entrar na política porque prejudica a hierarquia. Se o presidente é capitão e você é general, a hierarquia foi quebrada.

Um juiz do Supremo Tribunal Federal, o decano Celso de Mello, comparou o Brasil com a República de Weimar na fase da ascensão de Hitler. O Brasil corre o risco de caminhar para o fascismo ou a comparação é absurda?

Não gosto de analogias com Weimar. A renda do Brasil hoje é dez vezes maior que a de Weimar em 1933. É um mundo diferente, a ideologia do fascismo era mais elaborada. Já o nazismo agia pelo instinto, com inimigos definidos. O Brasil está mais próximo disso hoje, no sentido de que Bolsonaro faz abertamente declarações autoritárias. Nem Putin chega a esse ponto.
Bolsonaro e Trump se comunicam de maneira direta, mas, no caso de Putin, a anexação da região da Criméia, na Ucrânia, foi um ato autoritário real.

A atitude de Putin foi muito popular na Rússia. Ele conseguiu o que queria: inflamar o nacionalismo russo. Bolsonaro não tem isso. Ele tentou agir contra a Venezuela, mas os militares o impediram. Seus inimigos são China, OMS, um arsenal pequeno. A suposta parceria com Trump é irrelevante, porque o Brasil é um país irrelevante para os EUA. Para os EUA existe apenas a China, a Rússia e a Europa. Ninguém se importa com o Brasil.



Você compara os eleitores de Trump e Bolsonaro com “pacientes terminais desesperados que vão atrás de qualquer remédio, mesmo quando são oferecidos por impostores que vendem curas milagrosas”. Somos pacientes terminais enganados por charlatões?

Nunca imaginei que isso aconteceria no Brasil. Eu tentava entender como alguém como Trump podia vencer uma eleição nos EUA e se manter popular entre 40% da população. A renda dos 50% da população pobre está estagnada desde o final dos anos 1970. As pessoas não acreditam que seus filhos estarão em melhor situação do que eles, o que acontecia desde 1820. Tivemos presidentes democratas e republicanos, e as pessoas percebem que quase nada mudou.
A democracia ainda é “a pior forma de governo, com exceção de todas as outras”?

Sim. As pessoas nem sempre associam seus resultados positivos ao regime democrático, mas ela impede que as pessoas briguem entre si e que enfrentem conflitos sem matar uns aos outros. Isso é pouco, mas, ao mesmo tempo, é muito.
No livro “Crises da Democracia”, o senhor diz que a biblioteca de Harvard tem mais de 23 mil livros sobre política com a palavra “crise”. Essa é a pior ou é só outra crise?

Não sei se é a pior. É diferente. No passado, 87% dos regimes democráticos depostos caíam por golpes militares. Hoje, a democracia sofre uma erosão. Ninguém teme os militares, com exceção do Brasil. O problema é que as instituições não oferecem proteção contra quem as usa para monopolizar o poder.


Há também a definição de Ginsburg e Huq: democracias têm eleições competitivas, liberdade de expressão e garantia de direitos. EUA e Brasil se encaixam nessa definição. Estamos em crise, mesmo assim?
Há duas dimensões para a erosão da democracia. Uma é a relação do chefe do poder executivo com as instituições democráticas. Um sistema de freios e contrapesos, onde o legislador impõe certo controle sobre o Executivo, e o Judiciário impõe sobre o Executivo e o Legislativo, impede que o Executivo tenha poder ilimitado. O outro aspecto é a forma como o chefe do Executivo se protege da vontade do povo e da opinião pública. Se ele pode manipular instituições para permanecer no poder, mesmo contra o desejo da maioria, há uma erosão da democracia. Ela tem proporções diferentes, variam de país para país.
O senhor define democracia como “sistema em que o presidente sai após perder uma eleição”. Há países como Rússia e Venezuela, porém, onde os líderes manipulam a lei para estender os mandatos. A definição ainda vale?


Sim. Nos últimos 30 anos alguns políticos aprenderam que podem manter a “fachada da democracia”. mas podem permanecer no poder indefinidamente. Na Rússia, Putin fez um acordo para Dimitri Medvedev assumir a presidência enquanto ele ficava como primeiro-ministro. Mas ele não gostou desse acerto e promoveu um referendo legal no qual as pessoas podiam expressar a vontade de vê-lo presidente novamente. As aparências estavam lá, mas as instituições democráticas foram corroídas. Foi assim com Chávez e Maduro, na Venezuela, Putin, na Rússia e Recep Erdogan na Turquia, além de Viktor Orbán, na Hungria, e Narendra Modi, na Índia. Antes os ditadores tinham que matar muita gente para permanecer no poder. Agora, não precisam mais. É cada vez mais difícil aplicar minha definição, pois a linha que separa a democracia da “não-democracia” se tornou gradual.


O que são “não-democracias”?


Há outras expressões, como “Autoritarismo Eleitoral” e “Regimes Híbridos”. Não sabemos bem como classificá-los porque não há clareza na linha que os divide. Há democracias e regimes autoritários, mas e a China? Temos muitos países no meio do caminho.


Apesar de manterem o regime, muitas democracias não foram capazes de reduzir suas desigualdades sociais. Por quê?

Uns foram mais bem sucedidos do que outros. Sociais-democracias como Suécia, Noruega e Finlândia foram capazes de transformar a arrecadação de impostos em redução de desigualdades. Algum nível de desigualdade é inevitável, mas nesses países ela é baixa. Já a desigualdade intelectual é fonte de poder político usado para proteger interesses. É um círculo vicioso.
Sistemas econômicos como o neoliberalismo mexeram com os conceitos tradicionais de esquerda e direita?

Os programas eleitorais dos partidos europeus mostram que a direita se moveu para a extrema-direita, e a esquerda se moveu para a direita. Há casos em que a diferença entre eles desaparece. Fiquei chocado nos anos 1980 quando vi partidos socialistas e social-democratas falando sobre o debate entre desigualdade e eficiência, desigualdade e crescimento. Essa linguagem marcou governos como o do presidente Fernando Henrique Cardoso, no Brasil, e Felipe González, na Espanha. Os social-democratas se moveram muito para a direita. Nunca houve disputa entre igualdade e eficiência, pelo contrário. A igualdade produz mais eficiência, e os neoliberais destruíram isso.



As redes sociais hoje têm um impacto enorme na vida das pessoas. Qual o impacto delas sobre as democracias?

As redes sociais permitiram às pessoas participarem da vida pública. No passado, quantas pessoas podiam se dirigir a um público maior do que os convidados de um casamento? Mas elas se tornaram redes de nicho, segmentadas. Temos a tendência de querer ouvir pontos de vista com os quais concordamos, opiniões semelhantes. Pesquisas mostram que escolhemos nossas relações pessoais de acordo com opiniões políticas e morais. A consequência negativa, que me assusta, é que as redes sociais aumentaram a hostilidade. Quando a imprensa controlava o discurso público, a polarização era civilizada. Agora as pessoas que têm opiniões diferentes são inimigas, traidoras. Os políticos passaram a falar esse idioma. Quem discorda não é um cidadão com opinião diferente, é um traidor, um inimigo.


Como o senhor vê as próximas eleições nos EUA?


Pelas pesquisas, Trump perde para Joe Biden por 16%. Se ele perder por uma grande diferença, será forçado a desistir. Mas se margem for pequena, ele tentará todos os truques sujos possíveis para anular os resultados. Se isso acontecer, teremos confrontos nas ruas. Biden precisa vencer por uma margem de 4% para garantir que a vitória no colégio eleitoral seja indiscutível.


FONTE: Felipe Machado - ISTOÉ -REPRODUÇÃO
Edição 24/07/2020 - nº 2637

Aluna de comunidade quilombola usa uniforme em casa para se motivar a estudar

Aldenice Coelho Melo, de 16 anos, veste o uniforme todos os dias, mesmo sem ir à escola, para se motivar a estudar. Moradora de uma comunidade quilombola em Bequimão, no Maranhão, ela está matriculada no ensino médio de uma escola federal, fechada por causa da pandemia do novo coronavírus. A rede de wi-fi chegou à comunidade há pouco tempo e a internet não é das melhores.
Aldenice Coelho Melo, de 16 anos, veste o uniforme todos os dias, mesmo sem ir à escola, para se motivar a estudar
Aldenice Coelho Melo, de 16 anos, veste o uniforme todos os dias, mesmo sem ir à escola, para se motivar a estudar Foto: Leandro Rodrigues
“Às vezes tenho de me deslocar até a casa de amigos, para fazer pesquisas e baixar vídeos. Acordo de madrugada para baixar aulas e vídeos, porque nesse horário a internet fica melhor”, explica a jovem, que já pensou até em desistir dos estudos. “Senti pressão para abandonar. Mas os planos que tenho para meu futuro e da minha comunidade são muito maiores que os desafios.” Aldenice sonha em se formar em alguma área que a ajude a contribuir com a sua comunidade. 

Ouça o relato de Aldenice ao Estadão:    
Em outra ponta da educação básica estão os jovens no ensino médio, última etapa da educação básica, em que já eram altas as taxas de evasão mesmo antes da pandemia. Na quarentena, as dificuldades de acesso às plataformas digitais e a crise econômica empurram ainda mais esses adolescentes para fora da rotina escolar. Para manter os estudos, jovens de periferia têm de encontrar força em meio ao desalento. 
Na casa onde mora Isabela Santos do Vale, de 19 anos, em uma comunidade da Vila Prudente, na zona leste de São Paulo, a internet até chega, mas só a madrasta e o pai têm celular. O da jovem estragou e falta dinheiro para consertar. Isabela já concluiu o ensino médio, mas foi o pai quem a estimulou a não parar. “É muito difícil porque em casa só tem três cômodos e moram cinco pessoas. Não tem espaço para parar, sentar e estudar.”
No início do ano, ela se inscreveu para um cursinho gratuito. Quer fazer o Enem, marcado para janeiro de 2021, e seu sonho é estudar Design. Com a pandemia e isolamento social, no entanto, as aulas do cursinho foram suspensas. Ela, a madrasta e os dois irmãos, de 4 e 13 anos, estão em casa.

“O jovem da favela, além de perder a troca, a interatividade na escola, está em casa vivendo sob isolamento digital. A corrida vai ficar ainda mais desproporcional”, diz Edu Lyra, CEO e fundador da ONG Gerando Falcões. A ONG lançou o projeto Bolsa Digital, que pretende distribuir, por meio de doações, acesso gratuito à internet móvel e aplicativo com conteúdo para o Enem.
FONTE: ESTADÃO 26/07/2020 -15h:40min.