sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Governo brasileiro alimenta destruição da Amazônia, diz Greta Thunberg

 

Governo brasileiro alimenta destruição da Amazônia, diz Greta Thunberg
Foto: Reprodução / Twitter

A ativista sueca Greta Thunberg, 18, culpou o governo brasileiro nesta sexta-feira (10) pela devastação da Amazônia. Em audiência pública realizada no Senado, ela atribuiu o aumento do desmatamento e das queimadas na região à política ambiental adotada no país.
 

Sem citar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Greta classificou como vergonhosas as atitudes dos líderes do Brasil em relação à natureza e aos povos indígenas.
 

"O Brasil não tem desculpas para assumir sua responsabilidade. A Amazônia, os pulmões do mundo, agora está no limite e emitindo mais carbono do que consumindo por causa do desmatamento e das queimadas. Isso está acontecendo enquanto nós assistimos, isso está sendo diretamente alimentado pelo governo. O mundo não pode arcar com o custo de perder a Amazônia", disse a jovem.
 

A Amazônia ajuda a regular o clima global, mas a expressão "pulmão do mundo", frequentemente utilizada, não está correta.
 

É fato, porém, que há o desmatamento vem crescendo na região. Em agosto, a Amazônia registrou mais de 28 mil focos de queimadas --o terceiro pior resultado para o período nos últimos 11 anos. Os números, disponibilizados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), só ficaram atrás dos registrados em 2019 e 2020, os dois primeiros anos do governo Bolsonaro.
 

A ativista defendeu ainda as causas dos povos indígenas e lembrou que muitos estão sendo ameaçados e mortos no Brasil e em outros países.
 

"Esses acontecimentos no Brasil têm colocado em risco essa população e a própria Floresta Amazônica", afirmou.
 

Greta falou por aproximadamente cinco minutos durante sessão promovida pela Comissão de Meio Ambiente para debater o último relatório do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU).
 

Pela primeira vez, o estudo quantificou o aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos ligados às mudanças climáticas.
 

A ciência climática já previa nas últimas décadas o aumento de eventos extremos, como tempestades, enchentes, furacões, ciclones, secas prolongadas e ondas de calor.
 

Agora, com modelos computacionais mais modernos, passou a ser possível atribuir o grau de influência das alterações do clima nesses eventos, calculando-se quantas vezes mais frequentes e mais intensos eles se tornam em função do aquecimento global.
 

Para o Brasil, o relatório projeta aumento das chuvas fortes no Centro-Sul, com grandes volumes de água concentrados em até cinco dias de chuva, enquanto o Nordeste e a Amazônia devem sofrer com períodos secos mais prolongados.
 

Num cenário de aquecimento global de 4ºC, o país também deve ver alterações mais marcantes no volume de precipitação anual, que fica mais escasso na região Norte e mais volumoso no Sul e Sudeste.
 

Na região que abrange o Norte, Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste, há estimativas de aumento de secas agrícolas e ecológicas para meados do século, em um cenário de aquecimento global de 2°C. Com a aridez, também se espera o aumento de climas propícios para incêndios, com impactos para os ecossistemas, a saúde humana, a agricultura e a silvicultura.
 

Na Amazônia, o número de dias por ano com temperaturas máximas superiores a 35°C aumentaria em mais de 150 dias até o final do século no cenário de aquecimento global superior a 4°C, enquanto se espera que aumente em menos de 60 dias no cenário de aquecimento limitado a 2°C.

FONTE: FOLHAPRESS - 10/09/2021 14H:15MIN.
 

0 comentários:

Postar um comentário