domingo, 13 de setembro de 2026

Rio: TH Joias, aliado de Flávio Bolsonaro e réu por ligação com o CV, guardava 200 kg de drogas, diz MPF



                                                                  foto:reprodução



Uma sala com cerca de 200 kg de drogas é uma das principais evidências reunidas pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, denunciado por tráfico de drogas, organização criminosa, comércio ilegal de armas e corrupção ativa no âmbito da Operação Zargun.

Segundo a denúncia, imagens enviadas pelo próprio ex-parlamentar a integrantes da organização criminosa, além de conversas por WhatsApp e uma planilha de controle de pagamentos chamada “Pó amigo TH”, indicam sua participação no comércio de drogas.

O Tribunal Regional Federal aceitou a denúncia neste sábado (12), tornou TH Joias réu na Justiça Federal e manteve sua prisão preventiva, com determinação de transferência para uma penitenciária federal. Para o MPF, o ex-deputado não atuava apenas como aliado da organização criminosa: fazia parte da estrutura operacional investigada.

MPF aponta três episódios de tráfico envolvendo TH Joias

A denúncia apresentada pelo MPF atribui a TH Joias, aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), três episódios de tráfico de drogas nas modalidades de venda, depósito e oferta, além de acusações de organização criminosa, comércio ilegal de arma de fogo, 11 episódios de contrabando e 13 de corrupção ativa.

As acusações fazem parte da ação penal derivada da Operação Zargun, investigação que apura um esquema de tráfico internacional de armas provenientes do Paraguai para comunidades do Rio de Janeiro.

O episódio relacionado aos 200 kg de drogas ocorreu, segundo o MPF, em 21 de fevereiro de 2024. Na ocasião, TH Joias teria enviado a Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio, imagens de uma sala repleta de sacos com entorpecentes e escrito: “Tem 200kg”.

Índio respondeu: “Isso não é bom de vender, não.”

De acordo com a denúncia, a conversa indica que o ex-deputado mantinha o carregamento sob sua guarda para fins comerciais. A peça do MPF, no entanto, apresenta uma divergência na identificação da substância: em um trecho menciona cocaína e, ao descrever as imagens, faz referência a maconha.

O primeiro episódio descrito pela acusação teria ocorrido em 8 de novembro de 2023. Segundo o MPF, mensagens trocadas entre TH Joias e Índio indicam uma negociação envolvendo a venda de cocaína para uma pessoa não identificada.

A acusação afirma que o controle da dívida era feito por meio de uma planilha enviada por TH Joias a Índio. O arquivo, chamado “Pó amigo TH”, é apontado pelo MPF como indício de que o ex-parlamentar participava da intermediação da venda e do controle dos pagamentos.

O terceiro episódio ocorreu em 27 de junho de 2024, quando TH Joias teria oferecido cocaína a Índio, atuando como intermediário de um fornecedor não identificado. O MPF afirma que não conseguiu comprovar se a entrega da droga ocorreu, mas sustenta que a oferta já configura uma das modalidades previstas no crime de tráfico.

Justiça mantém prisão e determina transferência para presídio federal

Além de TH Joias, outros cinco acusados foram tornados réus na mesma ação penal: Gabriel Dias de Oliveira (Índio), Luciano Martiniano da Silva (Pezão), Luiz Eduardo Cunha Gonçalves (Dudu) e Alessandro Pitombeira Carracena.

Luciano Martiniano da Silva, apontado como Pezão, está foragido.

O delegado federal Gustavo Stteel teve tratamento diferente na decisão judicial: sua prisão preventiva foi convertida em domiciliar, com restrições de atividades, monitoramento eletrônico e afastamento do cargo na Polícia Federal.

MPF aponta elo entre Comando Vermelho e estruturas do Estado

Segundo a denúncia, a organização investigada tinha Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, como liderança principal. Abaixo dele, o MPF identifica um chamado “núcleo de liderança política”, formado por TH Joias e Alessandro Pitombeira Carracena.

A acusação também aponta um núcleo de coordenação logística, composto por Índio e Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, que teria trabalhado como assessor parlamentar de TH Joias na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Para o Ministério Público Federal, TH Joias utilizava sua posição política para aproximar integrantes da facção de agentes públicos e teria participado de negociações envolvendo drogas, armas e equipamentos antidrones.

A denúncia descreve o ex-deputado como um elo entre o Comando Vermelho e estruturas do Estado, com o mandato parlamentar funcionando, segundo a acusação, como instrumento de influência e articulação.

Ex-deputado já havia sido condenado por tráfico

O histórico de TH Joias também aparece na denúncia como elemento de contexto. Em 2017, ele foi condenado a 14 anos, 11 meses e 22 dias de prisão por tráfico de drogas.

Mesmo após a condenação, assumiu uma cadeira como suplente na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em junho de 2024. Ele foi preso em setembro de 2025, durante a Operação Zargun, e perdeu o mandato após o retorno do titular da vaga.

FONTE: REVISTA FÓUM - 13/09/2026

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