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domingo, 11 de novembro de 2018

No Pará: "Hoje, é normal andar pela cidade e ver corpos pelo chão", diz promotor sobre onda de chacinas


Promotor Armando Brasil investiga má conduta de policiais há 17 anos em Belém, Pará
© Agência Pará Segundo promotor Armando Brasil, bairros da periferia de Belém têm presença de milícias armadas e grupos de traficantes
Capital do Pará, a cidade de Belém enfrenta uma guerra entre facções criminosas e milícias comandadas por policiais e ex-agentes de segurança cujo resultado são chacinas e mortes em série. A afirmação é do promotor militar Armando Brasil, responsável do Ministério Público por investigar má conduta de policiais militares a atuação de milícias armadas no Estado.
"Hoje, é normal andar pela cidade e ver corpos pelo chão", diz ele, de 48 anos de idade, 17 dos quais atuando na Promotoria militar.
No final de semana anterior às eleições, 25 pessoas foram mortas na região metropolitana de Belém entre a noite do dia 19 e a manhã do dia 21 - a média diária de mortes em 2017 foi de 2,3 casos.
  • Em entrevista à BBC News Brasil, o promotor afirma que Belém vive uma situação "caótica" em meio à briga pelo controle de bairros pobres e do tráfico de drogas.
Entre 2007 e 2017, a taxa de homicídios no Pará aumentou 96%, subindo de 27,17 para 53,4 mortes violentas para cada 100 mil habitantes. Embora esteja em ligeira baixa neste ano, a taxa cresceu 29% entre 2012 e 2017, durante a gestão do atual governador Simão Jatene (PSDB). São Paulo tem o menor índice do país: 11,10.
Entre as capitais, Belém tem a terceira pior taxa - 67,5 por grupo de 100 mil moradores -, perdendo apenas para Rio Branco e Fortaleza, primeira e segunda colocadas, respectivamente. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Nas ruas de Belém, são costumeiras as notícias de chacinas ou assassinatos de pessoas comuns que apenas passavam pela ruas. "Um bairro sem polícia, com roubos e traficantes, passa a ser ocupado por milicianos que oferecem segurança. A lógica é essa", diz.
No dia 24 de outubro, três dias depois do final de semana violento, oito pessoas morreram e três ficaram feridas quando dois motoqueiros abriram fogo em uma rua do bairro Tapanã, periferia da cidade.
Uma das vítimas era o gari Sávio Miller Silva da Conceição, de 22 anos, que tinha saído de casa para comprar açaí para o filho, segundo relatos de testemunhas.
A chacina ocorreu cinco dias depois do sargento da PM João Batista Menezes Dias ter sido assassinado no mesmo bairro - após o crime, a família do policial precisou fugir da área por sofrer ameaças. A polícia agora investiga se o ataque a pedestres teria sido uma retaliação pela execução do agente.

Essa característica, morte de policial seguida por chacina, é recorrente em grandes cidades do país, como São Paulo e Rio de Janeiro. Agora, também tem se repetido na capital do Pará. Em abril, nove pessoas foram mortas por motoqueiros horas depois do assassinato de um PM.
Nos dias 20 e 21 de janeiro do ano passado, mais uma ocorrência semelhante: 30 pessoas foram executadas horas depois do PM Rafael da Silva Costa ter sido morto com um tiro na cabeça no bairro de Cabanagem, também na periferia.
Em 2015, a Assembleia Legistativa do Pará realizou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as milícias. O relatório apontou que policiais aposentados e também da ativa comandam grupos armados em bairros da periferia.
Segundo o documento, um dos grupos era chefiado pelo policial militar Antônio Marcos da Silva Figueiredo, conhecido como cabo Pet. A quadrilha dele vendia "segurança" particular para comerciantes do bairro do Guamá, um dos maiores de Belém.
Em novembro de 2014, Pet foi assassinado por um grupo de traficantes. Horas depois, mais 10 pessoas foram executadas em suposta retaliação, episódio historicamente conhecido como "Chacina de Novembro".
Por outro lado, a facção Família do Norte hoje comanda o tráfico de drogas na cidade, mas também há relatos da presença do PCC. Segundo o promotor militar Armando Brasil, líderes de facções têm ordenado a morte de PMs de dentro das prisões - matar um policial e roubar sua arma seria uma das portas de entrada do grupo criminoso.
Neste ano, 40 policiais militares do Pará foram assassinados com características de execução ou latrocínio (roubo seguido de morte) - em 2017 foram 49.
Além do consumo interno, o Pará tem se tornado rota de saída de drogas do Brasil. O Estado tem um dos maiores portos do país, em Barcarena, região metropolitana de Belém.
Promotor Armando Brasil investiga má conduta de policiais há 17 anos em Belém, Pará© Arquivo Pessoal Promotor Armando Brasil investiga má conduta de policiais há 17 anos em Belém
Esse caldo de milícias e facções disputando espaços tem causado centenas de mortes em Belém, diz Armando Brasil. Muitas vezes, afirma o promotor, as vítimas são pessoas comuns sem passagem pela polícia.
Em contraponto, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará afirma que os homicídios diminuíram 5% em 2018 em comparação com o ano passado. De janeiro a 6 de novembro no ano de 2017, houve registros de 3.263 casos no Estado. Já em 2018, o número foi de 3.166 ocorrências.
O governo do Estado afirma, ainda, que "tem trabalhado fortemente para coibir a criminalidade no Estado com ações preventivas, repressivas e de investimentos". Diz que, neste ano, 2.849 novos policiais militares e 616 policiais civis entraram em serviço.
Leia abaixo trechos da entrevista com o promotor Armando Brasil.
BBC News Brasil - Cresceu muito a taxa de homicídios em Belém e no Pará como um todo. Qual o papel das milícias nesse contexto?
Armando Brasil - As notícias não são nada animadoras. Nos últimos cinco, seis anos, o governo do Estado [do governador Simão Jatene, do PSDB] ficou marcado pela condução omissa da segurança pública, na minha opinião. Isso foi combustível para que grupos de milicianos e de traficantes tenham se instalado nas regiões e disputado pontos de venda de drogas.
As milícias ganharam poder em razão dessa ausência do Estado nos bairros mais pobres. Se o Estado não ocupa os espaços públicos da forma devida, se não oferece segurança para a população, se não faz policiamento em áreas com muitos roubos, os milicianos passam a oferecer esses serviços.
Um bairro sem polícia, com roubos e traficantes, passa a ser ocupado por milicianos que oferecem segurança. A lógica é essa.
BBC News Brasil - E eles cobram pela segurança...
Brasil - Sim, as mílicias obrigam comerciantes a pagar uma taxa pela suposta segurança que oferecem. Quem não paga pode sofrer retaliações, tornar-se vítima de assaltos ou até ser morto. Os comerciantes pagam para a milícia por uma suposta proteção.
Havia um grupo em Belém comandado pelo cabo Pet, bastante atuante no bairro do Guamá. O comerciante até ganhava uma placa para colar na porta: 'protegido pelo cabo Pet'.
Quem quisesse assaltar um estabelecimento sabia que podia ser morto por ele. As milícias surgem nesse sentido também, para eliminar os supostos bandidos de forma violenta.
BBC News Brasil - O cabo Pet virou uma espécie de símbolo dessa ascensão das milícias. Qual a importância dele?
Brasil - O cabo Pet era da Rotam [grupo de eleite da PM do Pará]. Também trabalhou na Força Nacional de Segurança, era bem conhecido na cidade. Ele tinha uma empresa que vendia câmeras de vigilância, junto com outro policial.
Então ele começou a oferecer segurança armada para os comerciantes. Depois, entrou no tráfico de drogas também. Ele foi uma espécie de precursor das milícias como conhecemos em Belém. Ele acabou assassinado.
Em alguns casos, os milicianos assumem o papel do traficante e passam a comercializar as drogas na área. As milícias também obrigam os moradores a comprar seus serviços, como gás e TV a cabo ilegal.
BBC News Brasil - E elas são formadas por quem?
Brasil - Por agentes das forças de segurança, da ativa e aposentados. Mas há também civis, empresários. No fim do ano passado, fizemos uma operação que desmontou uma milícia no bairro da Pedreira, era uma das mais violentas. Entre os donos da milícia havia um empresário do ramo de autopeças.
BBC News Brasil - Mas qual a amplitude das milícias hoje em Belém?
Brasil - Elas estão em praticamente todos os bairros pobres da região metropolitana. Dividem o controle do território com os traficantes.
Hoje, Belém vive uma guerra entre esses dois lados, milícias e traficantes. Quem vence a batalha, ocupa o território e implanta sua política de venda de drogas e de serviços. A situação é insustentável.
Essa guerra tem feito as pessoas perderem a coragem de sair de casa à noite, elas têm medo de serem assassinadas na rua por algum motoqueiro ou ocupante do chamado "carro prata". Existe essa lenda do "carro prata" em Belém, quando ele aparece, as pessoas são mortas.
Há uma situação de pânico entre a população, principalmente na periferia. A vida social diminuiu muito, os bares e restaurantes ficam vazios à noite. Você anda pela cidade e é normal ver corpos pelo chão, uma coisa horrorosa.
BBC News Brasil - Mas já não era assim nos anos 1990? Há relatos de milícias naquela época.
Brasil - Havia grupos de extermínio, mas não com a força que as milícias atuam hoje em Belém. Nos anos 1990, um grupo se revoltava com um bandido, se reunia e o matava. Mas parava aí, não era estruturado para dominar um território, um bairro inteiro. Não era o que a gente hoje tipifica como milícia armada.
BBC News Brasil - Os jornais e sites locais têm relatado mortes aparentemente sem explicação. Uma pessoa sem vínculo com o crime, uma pessoa comum, está andando na rua e é assassinada a tiros.
Vidro perfurado por bala. Na semana passada, oito pessoas foram mortas em uma chacina em Tapanã, periferia de Belém
© Getty Images Na semana passada, oito pessoas foram mortas em uma chacina em Tapanã, periferia de Belém

Brasil - Sim, isso tem ocorrido, não só na periferia. Moro em um dos bairros mais ricos da cidade e, na semana passada, uma pessoa foi morta exatamente nessas circunstâncias.
Um carro prata chegou com dois homens encapuzados. Eles desceram e fizeram os disparos. A vítima era um vigilante particular. Isso aconteceu às 15h. Qual a explicação para isso? É uma situação caótica.
BBC News Brasil - Por outro lado, o Pará tem registrado um número alto de mortes de policiais militares.
Brasil - Só nesse ano, foram 40 militares mortos, um dos maiores números do Brasil.
As facções criminosas tem ordenado a morte de PMs de dentro das prisões. A informação que temos é que quem mata um policial e leva sua arma, a pistola .40, consegue entrar na facção. Matar policial é uma porta de entrada.
BBC News Brasil - Às vezes, horas depois de mortes de policiais, ocorrem chacinas no mesmo bairro onde o agente foi assassinado. O senhor acredita que as chacinas sejam vinganças?
Brasil - Nós não podemos afirmar com certeza que exista essa relação. Até porque a taxa de resolução de homicídios no Pará é baixíssima, sabemos muito pouco quem são os assassinos. É possível que existam retaliações, sim, há indícios para isso. Mas não podemos provar ainda.
No caso da chacina de Tapanã, na semana passada, um sargento foi assassinado e a família dele foi obrigada a sair do bairro dias depois. Isso causou uma certa ofensa aos policiais. Quatro dias depois, oito pessoas foram mortas na rua.
BBC News Brasil - Há um conflito conhecido entre facções no Brasil, principalmente entre as maiores, PCC e Comando Vermelho. Como isso tem afetado Belém?
Brasil - Em Belém, temos a Família do Norte, que também atua em outros Estados da Região Norte. Essa facção é uma espécie de filial do Comando Vermelho, do Rio.
A situação de miserabilidade e de desemprego em Belém, onde a pobreza é muito grande, faz com que muitos dos nossos jovens entrem para o crime. Eles acabam entrando em facções que vieram do Rio e de São Paulo.
BBC News Brasil - Na área rural do Pará, há fortes indícios da participação de milícias em conflitos por terra. Em 2017, houve a chacina de Pau D'Arco, quando 10 militantes sem-terra foram mortos e 17 policiais foram acusados pelo crime.
Brasil - Essa é uma questão histórica do Pará. Nos anos 1970, já havia policiais que vendiam segurança armada para fazendeiros. Os agentes são contratados para expulsar quem invade terra desses fazendeiros. Então, isso ocorre mesmo.
BBC News Brasil - O que senhor acha que deveria ser feito para diminuir essa guerra?
Brasil - Investir em investigação, ter instituições fortes e comprometidas com o combate ao crime. O governador eleito, Hélder Barbalho [MDB], disse que vai pedir ajuda da Força Nacional de Segurança. Sou a favor, pelo menos para iniciar alguma reação.
Nesse ano, pedi ao governo a proteção de um quilombola que estava sendo ameaçado em Barcarena [região metropolitana de Belém]. Ele não recebeu proteção nenhuma. Meses depois, foi assassinado. [Paulo Sérgio Almeida Nascimento, de 47 anos, denunciava crimes ambientais em Barcarena. Foi morto a tiros em 12 de março].
Nós, no Ministério Público, fazemos o que está ao nosso alcance.
BBC News Brasil - Quantas pessoas investigam as milícias hoje no Ministério Público?
Brasil - No Ministério Público Militar, apenas eu.
fonte: BBC/MSN/REPRODUÇÃO - 11/11/18 - 18:37min.

Câncer de próstata ainda mata 3 baianos por dia, mesmo com a queda do preconceito


foto:reprodução
Quando se busca ajuda, é comum se pedir uma mãozinha. Mas nem precisa de uma mão inteira para conseguir auxílio na detecção do tipo de doença que mais mata os baianos: o câncer de próstata, responsável por três óbitos por dia no estado. Nesse caso, é necessário apenas um dedo e o mínimo instinto de sobrevivência para frear o avanço da neoplasia maligna no órgão reprodutor masculino, que vitimou 14,4% a mais num intervalo de sete anos e registra acréscimo de 8% no número de internações na Bahia, entre 2016 e 2017.
São tantas mortes que não dá pra contar nos dedos, como mostram os dados obtidos junto à Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). Em todo o ano passado, 1.254 baianos perderam a guerra para a doença. Em 2018, até o último dia 5, já tinha sido contabilizados 895 óbitos, muitos dos casos certamente evitáveis, não fosse o tabu que envolve um simples exame que não dói e dura, no máximo, sete segundo: o toque retal.
E se muita gente não gosta de botar o dedo na ferida, no Novembro Azul, mês em que se lembra da importância do exame precoce, precisamos falar sobre essas dedadas que salvam vidas.
“É importante explicar que a campanha não é de prevenção, porque não existe prevenção para câncer de próstata. A campanha é a necessidade de fazer o diagnóstico precoce, porque, com isso, temos mais de 90% de chance de cura”, explica o urologista Wagner Coêlho Porto, ex-vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). 
Ele explica que, na verdade, antes do exame físico, há ainda duas etapas a ser cumpridas por todo homem a partir dos 50 anos - em alguns casos, citados mais abaixo, a partir dos 45 anos: a consulta urológica, que inclui a conversa com o médico, e depois o exame PSA, de análise sanguínea.
O cumprimento de somente duas das três etapas levou o operador de máquinas aposentado Carlos Oliveira, 67 anos, a só descobrir a doença quando ela já estava instalada. O primeiro exame de toque ele só fez há três anos, após mais de dez anos achando que bastava o exame de sangue.
“Só fazia o PSA. Fui fazer o de toque há três anos, porque o médico já sentiu que tinha alguma coisa”, comentou o morador de Simões Filho, que operou a próstata há três meses no Hospital Santo Antônio, das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), em Salvador.
Mas, seu Carlos, por que o senhor não fazia o exame de toque? Enxergava algum problema na situação? “Não. Eu não tenho nenhum tipo de preconceito. Se for pra descobrir algo que faz bem pra gente, eu acho que não tem problema”, destacou o aposentado, que faz fisioterapia em casa, na cidade de Simões Filho. 
(Imagem: CORREIO Gráficos)
Internação

Enquanto seu Carlos, por ser um caso menos grave, se trata na própria residência, a internação é compulsória para muitos pacientes com a doença, que é o segundo tipo de neoplasia maligna que mais leva pacientes aos hospitais da Bahia (9% dos casos este ano).

Na comparação dos últimos dois anos, também houve aumento na ocupação de leitos pelos pacientes com tumor maligno na próstata: em 2016, foram 2.566 internações (8,5% do total de pacientes com alguma neoplasia); já durante todo o ano passado, foram 2.624 internações (8,7% de leitos ocupados). Ao todo, as internações por câncer de todos os tipos, segundo a Sesab, totalizaram 30.246 em 2017.
A taxa de mortalidade da doença também é um destaque preocupante: se em 2010 eram registradas 14,6 mortes decorrentes do câncer na próstata, para cada 100 mil habitantes, esse índice chegou a 16,7 casos no ano passado (14,4% a mais), o que demonstra que a luta pela conscientização deve continuar firme.
Menos resistência

Apesar dos números, o preconceito em relação ao exame de toque tem diminuído ano a ano, de acordo com Coêlho Porto.

“Dez anos atrás, mais de 80% dos homens recusavam fazer o toque retal. Atualmente, mais de 80% pedem pra fazer exame urológico com o toque. Ou seja, há uma mudança do comportamento do homem sobre a necessidade de fazer o exame. O problema do homem era uma mudança de comportamento cultural e educativa”, afirma o urologista, que credita a ‘virada no jogo’ às campanhas de conscientização.
Ainda assim, uma pesquisa encomendada pela SBU ao Datafolha, no ano passado, indica que 21% dos homens continuam a dizer que o exame de toque retal “não é coisa de homem”. Entre os entrevistados com mais de 60 anos, que fazem parte do grupo de risco, 38% disseram não achar o procedimento relevante.
E se o preconceito e o machismo ainda representam entraves para o diagnóstico precoce, que evita nove em cada dez mortes pela doença, tiramos algumas ‘dúvidas frequentes’ sobre o exame de toque com o urologista Bruno Falcão Santos, do Hospital das Clínicas (Hupes/Ufba). Leia no final da reportagem.
Atrasada, Bahia ainda não realiza cirurgias com robô

Existem três tipos principais de tratamento quando ocorre o diagnóstico de um tumor maligno na próstata, sendo o mais avançado, com a ajuda de um robô - tecnologia que chegou ao Brasil em 2009, mas ainda parece longe de aportar na Bahia.

De acordo com o urologista Nilo Jorge Leão, que já participou de mais de 200 cirurgias robóticas em outros estados, o robô, batizado de Da Vinci, “elimina o tremor da mão do cirurgião e os cortes são mais precisos”, fazendo com que o sucesso da intervenção seja maior e a recuperação do paciente idem. A intervenção, explica ele, é controlada através de um console (espécie de simulador), que dá uma visão 3D da área a ser operada, com ampliação da imagem em dez vezes. 
O urologista Nilo Jorge Leão viaja para fazer cirurgias com robô (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)
“Já passou da hora de Salvador ter um robô como esse. Recife, Fortaleza e Belém já têm. Isso faria com que eu pare de viajar para São Paulo, mensalmente, para operar meus pacientes”, comenta o cirurgião, que coordena o Setor de Uro-oncologia da Osid. Atualmente, são 39 plataformas robóticas funcionando no país.
“A recuperação e os resultados funcionais são muito acima da média”, destaca. 
O oncologista clínico Vinicius Carrera, da Clínica AMO, explica as demais formas de tratamento. “Quando descobre-se de forma precoce, o tumor é pouco agressivo. Neste caso, há uma modalidade muito adotada, que é a vigilância ativa. Isso nada mais é que monitorar o câncer, sem que ele necessariamente seja tratado, porque em muitos casos ele não tem a capacidade de se tornar mais agressivo e prejudicar o paciente”, conta.
A terceira alternativa é a radioterapia. “Esse tratamento envolve uma radiação dirigida de forma calculada para o tumor, poupando as áreas que não devem ser tratadas”, completa Carrera.

Quem deve fazer o exame antes da hora

Se você é do sexo masculino e acabar de virar um cinquentão, uma coisa a certa: a partir de agora, uma vez por ano, religiosamente, você terá de comparecer ao urologista para fazer uma consulta, com o bônus, quase certo, do exame de toque retal. No entanto, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), há uma minoria que precisa antecipar essa agenda em cinco anos.

“Pacientes que tenham fatores de risco, como a população da raça negra (saiba mais abaixo), e pacientes que tenham histórias na família, como parentes de primeiro  ou segundo grau que tiveram a doença, devem passar a fazer a partir de 45 anos”, explica o urologista Bruno Falcão Santos.
O colega dele, Wagner Coêlho Porto, concorda, e reforça que um outro grupo também precisa marcar na agenda a visita anual ao urologista a partir dos 45. “Estudos comprovam que além do fator hereditário e de indivíduos de raça negra, é bom incluir aí também os indivíduos obesos”, recomenda ele, explicando que, entre os homens acima do peso, a doença também costuma ser mais agressiva. 
 O urologista Wagner Coêlho Porto afirma que o preconceito com exame diminuiu bastante em 10 anos (Foto: Antonio Queirós/Arquivo CORREIO)
“Para quem tem histórico de câncer de próstata na família, principalmente parentes de primeiro grau, como pai ou irmãos, o risco chega a ser seis vezes maior do que a população em geral”, reforça o urologista Nilo Jorge Leão. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca),  em 2018, são previstos 68 mil novos casos da doença no país.
Incidência é maior em homens negros
Por algum motivo que a ciência ainda não explica, a incidência do câncer de próstata entre homens negros é bem maior em comparação com as demais etnias. Segundo o urologista Nilo Jorge Leão, essa constatação requer maior atenção à doença na cidade. “A gente sabe que Salvador tem a maior população negra fora da África, e o câncer nesse grupo costuma ser mais agressivo. Ou seja, são cânceres que matam mais”, destaca o médico, que coordena o Núcleo de Uro-oncologia das Obras Sociais Irmã Dulce. 

“Lá (na Osid), a gente observa muitos pacientes negros chegando com cânceres em estado mais avançado. Às vezes com metástase. Então, é importante lembrar que essa população deve procurar um urologista a partir dos 45 anos”, afirma.
Quanto à explicação para essa incidência ser mais alta entre os negros, é escassa a literatura médica que trata do tema, mas para o urologista Bruno Falcão Santos, uma pista pode estar na genética. “O que a gente tem hoje em trabalhos é relacionando essa situação a uma questão genética, de alteração de alguns genes relacionados ao câncer”, diz.
Exemplos da diferença de incidência, no entanto, são diversos, como no livro ‘Oncologia, bases clínicas do tratamento’, de C.H. Barrios. A obra conta que a taxa da doença entre os negros nos EUA, na década de 1990, era de 79 casos para cada 100 mil homens, enquanto que, no Japão, a taxa não passava de 4 homens a cada 100 mil diagnosticados com a neoplasia.
De acordo com o IBGE, na Bahia, os homens negros (pretos e pardos) eram 39% da população total em 2017. Entre os homens, 80,5% eram negros, no estado. Em Salvador, os homens negros também eram 39% da população total e 84% da população masculina. No Brasil, os homens negros eram 27,2% do total da população e 56,3% da população masculina.
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Outras doenças atingem e matam homens

Apesar de toda a mobilização pela quebra do preconceito sobre o exame de toque retal, a visita anual ao urologista também pode ajudar a diagnosticar outros tipos de câncer que atingem e matam os homens, como as neoplasias malignas no pênis ou nos testículos. Os principais sintomas, no caso do pênis, são feridas que não cicatrizam, aumento anormal do tecido da glande, surgimento de nódulos e gânglios inguinais na virilha.

“É um tipo de câncer que hoje é raro no mundo, mas incidente no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste”, explica Franz Campos, chefe do serviço de Urologia do Inca.
Em Salvador, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) registrou 144 casos no ano passado e, até 18 de junho deste ano, 49.
Os mais atingidos são homens a partir dos 50 anos, mas os jovens precisam ficar atentos. A principal causa do tumor, segundo especialistas, é a má higiene íntima. Também é mais comum que a doença apareça em quem não fez a cirurgia de fimose para a retirada da pele que reveste a glande.
Para prevenir o câncer, é necessário higienizar bem a região genital, principalmente após relações sexuais ou masturbação. Além disso, é indicado o uso de preservativo durante o sexo. O tratamento varia de acordo com a gravidade do tumor e é feito com cirurgia, quimioterapia, radioterapia e, em caso mais graves, amputação do pênis.
O tumor no testículo também merece atenção. Segundo o Inca, cerca de 5% do total de casos de tumores malignos entre homens são desse tipo, e afeta de forma mais frequente quem já sofreu traumas na região, ou com idades entre 15 e 50 anos.
O autoexame, que é recomendado após o banho quente, deve ser feito a partir da adolescência como forma de prevenção e detecção precoce de qualquer alteração nos testículos. Se diagnosticado em fase inicial, o sucesso no tratamento é de cerca de 90%. Entre os sintomas que podem indicar algo errado estão o aumento de tamanho nos testículos, dor, desconforto e aparecimento de nódulos duros.
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Saiba onde fazer o exame em Salvador

  • Hospital Santa Izabel - Realizou exames gratuitos no dia 8. Agora, atenderá pelo SUS apenas pacientes encaminhados pelos postos de saúde
  • Hospital Aristides Maltez - Não está fazendo campanha do Novembro Azul. Não faz exame de toque, apenas o PSA, de segunda a sexta, com entrega de fichas a partir das 6h30
  • Hospital São Rafael - Faz exame de toque + consulta, porém só particular ou plano, a partir de R$ 300
  • Clínica AMO - Só faz consulta, a partir de R$ 300
  • Postos de saúde - Além do Dia D de conscientização sobre a doença, a rede municipal de saúde oferta 15 mil atendimentos durante o mês, para oportunizar o acesso aos exames de ultrassonografias e consultas. Os interessados devem realizar a marcação dos procedimentos em um dos 128 postos de saúde da rede básica municipal.
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Tira-dúvidas sobre o exame de toque

As respostas são de Bruno Falcão Santos, urologista do Hupes e diretor financeiro da SBU-BA.
- O exame de toque retal dói? Os pacientes reclamam de dor durante o exame?

Não. O exame, quando há dor, tem alguma coisa alterada. A dor está relacionada mais a problema do reto, do início, não é nem da próstata. O exame de rastreamento que a gente faz ele não dói, ele incomoda. Se o paciente sente dor, ele deve informar ao médico. Mas, para desmistificar, é um exame indolor.

- Quanto tempo dura, em média, o exame?

Ele demora entre cinco e sete segundos.

- Usa-se lubrificante, luvas?

Usa-se luvas de procedimento, de látex. E utiliza-se ou lubrificante, que é a vaselina, ou pode-se utilizar lidocaína, uma pomada.

- Existe auto-exame de próstata?

Não, até porque não é um exame fácil de se fazer. Da forma que é feito é complicado para fazer sozinho.

- Todos os homens devem fazer o exame? Se sim, a partir de que idade e com que frequência?

A SBU preconiza que deva ser feito em todos os homens com 50 anos ou mais. Pacientes que tenham fatores de risco, como a população da raça negra, e pacientes que tenham histórias na família - parentes de 1º ou 2º grau -, devem passar a fazer a partir de 45 anos.

- Só o exame PSA já resolve, ou deve-se fazer outros procedimentos para verificar se a doença existe?

Não. Se faz necessário o exame de toque também. Se fizermos só o PSA, vamos deixar de diagnosticar na faixa de 20% dos pacientes. Nós temos hoje, além do PSA e do toque, que são exames de rastreamento, depois deles temos outros: o ultrassom da próstata, a biópsia da próstata e cada vez mais temos usado a ressonância magnética da próstata. Neste último caso, temos usado há cerca de três anos.

- O exame pode deixar o homem impotente ou infértil?

Não. O exame de toque não tem contraindicações ou complicações. Não vai deixar infértil, não vai deixar 'menos homem', ou 'brocha'.

- Há relatos de casos em que um hétero se ‘descobriu’ gay após o exame?

Não. Não tem relatos. Se a pessoa tem o desejo, não vai ser esse exame que, como dizem, tirá-lo do armário. É uma coisa muito rápida e não chega a prazer. Antigamente se exigia a massagem prostática em algumas patologias, que era um exame mais prolongado, mas nesse caso não dá pra sentir nem dor, nem prazer.

- Dizem que quem faz sexo anal tem menor chance de ter a doença, porque a próstata é sempre massageada. É verdade?

Não. Isso é mito. Não tem nenhuma relação com massagem a prevenção do câncer de próstata.

- A doença sempre apresenta sintomas?

Na maioria das vezes, ela é silenciosa. Quando apresenta sintomas, pode ser incurável. Por isso que precisamos investigar sem sintomas. Lógico, se tiver sintoma, pode não estar relacionado com o câncer. A próstata pode ter outras doenças. Uma delas é a hiperplasia prostática benigna, que é o crescimento benigno da próstata. O paciente fica com vontade de urinar várias vezes, com o chato fraco, e isso tem tratamento.´


fonte: Correio da Bahia - 11/01/18 -12:35min./reprodução

Deslizamento mata ao menos 14 pessoas em Niterói; buscas seguem

Um deslizamento de pedras em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, matou ao menos 14 pessoas na madrugada de sábado (10), segundo informações da Defesa Civil do RJ. 
Ainda há pessoas soterradas e o trabalho de buscas continua.
Seis imóveis foram atingidos por uma pedra grande que rolou do alto do Morro da Boa Esperança em consequência das chuvas que atingem a região. Niterói está em estado de atenção.
Segundo representante de uma associação de moradores do local, em entrevista à GloboNews, algumas das casas atingidas já estavam interditadas pela Defesa Civil. Seus donos, contudo, se recusaram a deixá-las. 
Os trabalhos de remoção dos escombros, resgate das vítimas e busca por mortos poderá levar até 48 horas, afirmou o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Roberto Robadey Costa Júnior, ao canal.
Este é o primeiro deslizamento registrado na cidade desde 2010, quando 48 pessoas morreram em uma ocorrência semelhante no Morro do Bumba, tragédia que causou comoção nacional à época. 
Rodrigo Neves, prefeito de Niterói, a região não é classificada como área de alto risco geológico no mapeamento de risco. Ele explica que o ocorrido não foi o deslizamento de uma encosta e sim uma rachadura no maciço de um local muito mais alto do que o ponto onde ocorreu a tragédia.
A Prefeitura de Niterói informou que, desde 2013, “investiu mais de R$ 150 milhões em obras de contenção em 50 encostas da cidade”.