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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Eleições 2026: Abin aponta risco de interferência externa e de atuação do crime organizado



                         Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da Abin | Foto: Pedro França/Agência Senado




A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) aponta como riscos para o processo eleitoral de 2026 a interferência externa e a atuação do crime organizado, segundo documento sobre os desafios da instituição para o próximo ano.

 

Além disso, o uso de inteligência artificial para desinformação e a crescente radicalização religiosa são fatores que, segundo a agência, ameaçam deslegitimar as instituições democráticas.
 

As conclusões estão no documento "Desafios da Inteligência —Edição 2026", relatório em que a Abin apresenta à sociedade e às autoridades com sua avaliação sobre os riscos diretos e indiretos à segurança do país no próximo ano.
 

De acordo com a Abin, o Brasil enfrenta desafios relacionados à manutenção da democracia e à estabilidade institucional. Desde 2018, observa-se a propagação recorrente, principalmente por meio de plataformas digitais, de desinformação acerca das eleições brasileiras.
 

Tal processo, segundo a agência, resultou em mobilizações que questionavam o processo eleitoral nacional, as quais culminaram nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
 

Na época, um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiu e depredou as sedes dos três Poderes. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela acusação de liderar uma trama golpista.
 

Diante do que aconteceu na última eleição presidencial, a Abin avalia que o pleito do próximo ano ocorrerá em um cenário marcado por múltiplos desafios. "A possibilidade de interferência externa no processo eleitoral brasileiro é fator de risco que não pode ser subestimado", diz a agência.
 

O órgão aponta que essa interferência pode ocorrer por meio de campanhas de desinformação sofisticadas, ataques cibernéticos à infraestrutura eleitoral ou via financiamento oculto de grupos políticos específicos e de movimentos de viés antidemocrático.
 

Segundo a agência, a articulação transnacional de movimentos extremistas, que compartilham táticas de manipulação e de propaganda em fóruns e comunidades próprias, eleva a sofisticação dessas ações e cria ameaças coordenadas e globalizadas contra o processo democrático brasileiro, impactando diretamente a soberania nacional.
 

"Atores estatais ou não estatais podem ter altos incentivos para promover ações de desestabilização do processo eleitoral, minando a confiança nas instituições, influenciando resultados e favorecendo interesses geopolíticos e econômicos próprios", acrescenta.
 

O órgão não cita nenhum país específico como os atores estatais que poderiam mover ações de interferência.
 

Auxiliares do presidente Lula (PT) têm especial preocupação com os Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump já declarou apoio a diferentes políticos no continente americano.
 

Recentemente, Trump saiu em defesa do conservador Nasry Asfura na eleição de Honduras e ameaçou cortar ajuda ao país se seu favorito não vencer.
 

O republicano adotou retórica semelhante em relação à Argentina. Ele disse recentemente que seu apoio ao país dependia de uma vitória do ultraliberal Javier Milei nas eleições legislativas.
 

Além disso, Lula já fez críticas a megaempresários que interferem na política de outros países, no que foi lido como uma referência a Elon Musk, dono da rede social X.
 

Em fevereiro, o petista declarou que a democracia deve ser respeitada, mas "o que não pode é a gente achar que um empresário pode ser dono da comunicação do mundo e pode falar mal do mundo a toda hora, se metendo nas eleições dos países".
 

FACÇÕES


Outra preocupação da agência sobre o processo eleitoral se refere ao crime organizado, com a atuação de milícias e facções. Em áreas periféricas e de baixa presença estatal, grupos criminosos exercem domínio de território, controlando a vida de comunidades e, consequentemente, o voto.
 

Essa influência se manifesta tanto em ações de financiamento de campanhas quanto de coação de eleitores e indicação de candidatos próprios, chegando, em casos extremos, à eliminação de adversários políticos.
 

Outro ponto apontado pela agência seria a deslegitimação sistêmica das instituições democráticas. A desinformação, especialmente em ambientes digitais, é identificada como elemento central desse processo, agravada pela manipulação proporcionada por novas tecnologias.
 

Esse quadro se intensifica com o avanço da inteligência artificial generativa e dos deepfakes, que permitem a criação massiva de conteúdos audiovisuais sintéticos e hiper-realistas a baixo custo.
 

A tecnologia, segundo o documento, pode forjar falas de candidatos, simular discursos inexistentes e descontextualizar declarações com alto grau de semelhança.
 

A polarização ideológica também tem sido um ponto de atenção, isso porque segmenta a sociedade em grupos antagônicos e tem bloqueado o diálogo democrático, ainda de acordo com a agência de inteligência. Nesse contexto, tem sido observada a instrumentalização de crenças religiosas como movimento de mobilização e polarização.
 

Além das questões eleitorais, o relatório aponta outros quatro desafios para o próximo ano. Entre eles está a transição para a criptografia pós-quântica. A agência ressalta que a criptografia, presente em transações financeiras, aplicativos de comunicação e serviços digitais, é essencial para garantir a confidencialidade e a integridade dos dados.
 

No setor público, ela sustenta a soberania digital ao proteger comunicações sigilosas, documentos sensíveis, atos administrativos e a interoperabilidade segura entre órgãos, funcionando como pilar para a continuidade do Estado.
 

Outros riscos são ataques cibernéticos autônomos com uso de agentes de inteligência artificial. O avanço acelerado da IA, segundo o documento, especialmente dos grandes modelos de linguagem, criou um novo patamar de risco para a segurança cibernética ao permitir que agentes planejem e executem ataques de forma autônoma.



Fonte: RAQUEL LOPES/FOLHAPRESS - 02/12/2025  14h:10

A facção 'evangélica' que emerge como terceira força do crime organizado do Brasil



          Complexo de Israel surgiu em 2020, com domínio de cinco comunidades na zona norte do Ri



Três agentes da Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro arremessam uma estrela de Davi enorme do alto de uma caixa d'água em Parada de Lucas, na Zona Norte da cidade.

Até ser destruído em uma operação da PM no último dia 11 de março, o símbolo de neon brilhava forte à noite, avisando a quem o avistasse que aquele era o Complexo de Israel: o conjunto de cinco comunidades na zona norte do Rio dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), facção que nos últimos anos ficou conhecida pela presença de traficantes que se dizem evangélicos.

Na mesma operação policial, os agentes demoliram um imóvel de luxo do chefe do tráfico no local, Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como "Peixão", um "resort" erguido em uma área de proteção ambiental dentro do complexo.

Peixão, contudo, não foi preso. Na verdade, ele nunca passou pelo sistema carcerário. Com 39 anos, sua figura é cercada de mistérios e perguntas em aberto. Não se sabe, por exemplo, qual sua história de conversão. Alguns relatos dizem que ele é pastor, outros que virou evangélico por causa da mãe.

Fato é que a queda da estrela de Davi no topo da caixa d'água em Parada de Lucas foi mais simbólica do que prática.

A facção, na verdade, está em franca expansão, como relatou o coordenador-geral de análise de conjuntura nacional da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Pedro Souza Mesquita, em uma reunião da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência no Congresso no início de novembro.

No último ano, o TCP foi além dos limites do Rio de Janeiro e chegou a Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Ceará, Amapá, Acre, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, conforme o levantamento feito pela Abin.

Um crescimento que, nas palavras de Mesquita, o coloca como "terceiro grupo emergente no contexto nacional", depois do Comando Vermelho (CV), do qual é rival declarado, e do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Uma das últimas fronteiras cruzadas pela facção foi a do Ceará. Há cerca de três meses, a estrela de Davi que virou marca do grupo começou a aparecer em locais como Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, ao lado de pichações com dizeres como "Jesus é dono do lugar".

Em outubro, correu a notícia de que pelo menos quatro terreiros de umbanda na cidade haviam sido fechados a mando da facção, que há anos exercita um amplo repertório de práticas de intolerância religiosa na zona norte do Rio.

O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, disse à BBC News Brasil que os casos ainda estão sendo investigados.

Ele afirmou que a presença do TCP no Estado foi identificada pelas autoridades locais em setembro, mês em que 37 membros do grupo foram presos só na região metropolitana.

Imagem em Parada de Lucas mostra fuzil em primeiro plano com grafite com temas religosos atrás

Crédito,Reprodução/Redes Sociais

Legenda da foto,Avanço do 'narcopentecostalismo' é reflexo do crescimento de religiões neopentecostais no país, apontam pesquisadores

Aliança com facções locais e 'guerra' contra o CV

Ainda segundo Gutiérrez, a entrada do TCP no Ceará se deu por meio da aliança com uma facção local, um expediente também bastante utilizado por CV e PCC em seus respectivos processos de nacionalização.

"Esse é o movimento padrão de expansão das facções criminosas, que é de incorporação dos grupos locais", diz Carolina Grillo, coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF).

"Pequenas facções locais acabam se beneficiando de se aliar a essas grandes facções porque elas entram em redes de solidariedade, de contato para compra de drogas, de armas, de suporte em situações de rivalidade."

No caso cearense, o grupo é o Guardiões do Estado (GDE), facção que ficou conhecida pelos assassinatos violentos de rivais e que, em disputa por territórios com o CV em 2017, transformou a região metropolitana de Fortaleza na área com maior taxa de homicídios do país, de 86,7 para cada 100 mil habitantes.

Em janeiro de 2018, membros do GDE invadiram uma festa e mataram 14 pessoas, a maior chacina do Estado. Depois disso, em meio a intensa repressão de autoridades locais, com a prisão de vários líderes, o grupo entrou em derrocada.

Foi nesse contexto de enfraquecimento que membros da facção passaram a aderir ao TCP. Essa aproximação, segundo as investigações, se deu a partir da migração de lideranças do GDE do Ceará para o Rio de Janeiro, onde tiveram contato com líderes do TCP e passaram a costurar a aliança.

"A gente tem informações de inteligência que precisa manter sob sigilo, mas essas lideranças têm papel fundamental. São as pessoas que orientam e que determinam como aquele grupo criminoso vai atuar, as cooperações e as novas formas de financiamento", afirma Márcio Gutiérrez.

Desde setembro, a Polícia Civil vem monitorando "as consequências e desdobramentos dessa aliança". "Temos feito diversas capturas e compreendido o método [de atuação da facção]", completa o delegado-geral.

Grafite em Parada de Lucas do personagem Peixonauta: segundo trabalho da pesquisadora Christina Vital, uma referência humorada a Peixão

Crédito,Reprodução/Christina Vital da Cunha

Legenda da foto,Grafite em Parada de Lucas do personagem Peixonauta: segundo trabalho da pesquisadora Christina Vital, uma referência humorada a Peixão

Próxima da milícia e aliada do PCC

Nesse sentido, Kristina Hinz, pesquisadora associada ao programa de pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), identifica três características fundamentais do TCP, para além do caráter religioso.

  • A relação menos conflituosa com a polícia, o que tem evitado confrontos nas regiões dominadas pela facção no Rio de Janeiro;
  • A formação de uma aliança com o PCC, que "proporcionou um acesso a uma rede maior de crime organizado, e, principalmente, acesso aos seus mercados internacionais";
  • E a aproximação de grupos milicianos.

O TCP pratica, aliás, um tipo de crime recorrente entre as milícias, o de extorsão, modalidade que tenta reproduzir em outros Estados.

No início de novembro, três suspeitos foram presos em flagrante em Maracanaú após tomarem de vendedores ambulantes máquinas para registros de apostas na loteria estadual e exigirem uma porcentagem do valor arrecadado.

O rival CV também é adepto da modalidade e procura replicá-la em outras regiões. Em março deste ano, a facção realizou uma série de ataques a provedores de internet em cidades cearenses em busca de cobrança de valores das empresas, uma espécie de "pedágio". Segundo Gutiérrez, essa atividade já foi contida pela polícia.

Guerra contra o CV

O TCP surgiu em 2002 como uma dissidência do CV e vive em guerra contra a facção no Rio de Janeiro em busca de domínio territorial. O conflito é alimentado por um arsenal de armas de grosso calibre, como fuzis, artefatos explosivos, como granadas, e até drones.

O antagonismo ao CV e o objetivo de tomada e controle de territórios é algo que preocupa pesquisadores e especialistas em segurança pública dentro do contexto de expansão geográfica das duas facções.

No Ceará, a taxa de homicídios recuou nos últimos anos, mas as cidades do Estado seguem no topo do ranking das mais violentas do país. Três municípios cearenses aparecem entre os dez com maior taxa de homicídios no último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, incluindo o primeiro lugar, Maranguape (79,9 por 100 mil). Maracanaú ocupa o 9º lugar (68,5 por 100 mil).

O temor é que a chegada do TCP seja acompanhada de uma intensificação na disputa por comunidades e que isso se reflita em mais mortes.

"Eu acho que sempre há risco", diz Luiz Fábio Silva Paiva, coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (LEV/UFC).

"Vai depender muito da movimentação entre os grupos e do próprio Estado. Na medida em que esses grupos se acomodam e veem a possibilidade de uma trégua, você vai ter menos conflitos. Já aconteceram momentos assim antes, de dizer que 'tá tudo apaziguado'", avalia o pesquisador.

Grafite em Parada de Lucas com a bandeira de Israel e os dizeres "Bandeira de Israel".

Crédito,Reprodução/Christina Vital da Cunha

Legenda da foto,Na Parada de Lucas, no Rio, é comum encontrar a grafites com a bandeira de Israel

Fechamentos de escolas e 'vilarejo-fantasma'

Não é, contudo, o que se observa no momento no Ceará.

Em agosto, a escalada de violência na disputa entre facções na capital, com episódios de intensas trocas de tiros, chegou a provocar o fechamento temporário de algumas escolas.

No mês seguinte, um vilarejo no município de Morada Nova virou uma "cidade-fantasma" depois que moradores foram forçados a deixar suas casas em meio a um conflito entre grupos rivais.

A violência do crime organizado colocou o Estado no debate nacional sobre segurança pública, tema apontado como principal preocupação pelos eleitores e um dos grandes assuntos que devem mobilizar as eleições de 2026.

Paiva estuda há mais de dez anos a formação e presença de facções no Ceará e elenca uma série de fatores para explicar porque o Estado segue no topo do ranking de municípios com as maiores taxas de homicídio do país.

O Ceará, ele diz, tem uma localização estratégica, um atrativo para grupos criminais. "É fácil sair daqui para praticamente todas as cidades do Nordeste. Você tem uma conexão tanto com o Norte quanto com o Sul."

Ele aponta também uma combinação explosiva entre demanda e oferta, com a expansão do consumo de drogas no Estado, tanto na capital quanto no interior, e a presença de "agentes criminais motivados", com "disposição para fazer trânsito de drogas", que hoje circulam por portos e aeroportos, inclusive clandestinos.

"Não é à toa que os números de homicídios, de conflito armado o tempo todo, são muito significativos", completa Paiva.

Essa presença massiva de mão de obra para o crime, em sua avaliação, é uma decorrência "do próprio desenvolvimento do Estado", que foi muito desigual. O Ceará passou por um processo de expressivo crescimento econômico na última década, mas com manutenção de altos índices de pobreza e desigualdade.

'Todos preferem o silêncio porque têm medo de perder a vida'

Moradores de áreas controladas pelo CV em Fortaleza que conversaram sob condição de anonimato com a reportagem também temem que a chegada de uma facção rival intensifique a escalada de violência.

Na prática, contudo, é uma mudança com muito sabor de "mais do mesmo". Há anos, residentes de áreas conflagradas vivem sob uma série de limitações por conta das disputas entre grupos criminosos. Muitos estão acostumados a ouvir "chuvas de balas" à noite, evitam sair de casa e frequentar bairros dominados por facções rivais.

A dinâmica de conflito permanente chega a separar famílias dentro da mesma cidade. Uma das pessoas ouvidas pela BBC News Brasil comentou, em tom de lamento, que, apesar de viver a poucos quilômetros da irmã, não a encontra mais e, por isso, ainda não teve chance de conhecer a sobrinha que nasceu há poucos anos.

"Hoje os adolescentes se trancam em casa. Têm medo de falar qualquer coisa sobre o assunto", diz Reginaldo Silva, gerente de advocacy (promoção) e participação juvenil da ONG cristã Visão Mundial, que atua em defesa dos direitos da criança e do adolescente.

Foi essa organização que tentou alertar as autoridades cearenses que estudantes que acabaram sendo assassinados em Sobral em setembro vinham sendo ameaçados por frequentarem uma escola em área controlada por uma facção diferente daquela que dominava a região em que viviam.

"Eu já recebi ligação de adolescente dizendo: 'Olha, eu estou aqui embaixo da minha cama porque está acontecendo tiroteio e eu estou com medo'. Hoje não tem mais esse relato que chega abertamente", afirma Silva. "Todos preferem o silêncio porque têm medo de perder a vida."

A organização, que atua na capital e em outras cidades no Ceará, identificou um aumento da violência em algumas das regiões onde houve entrada do TCP, assim como episódios de intolerância religiosa em Maracanaú e na vizinha Pacatuba.

Traficantes evangélicos?

A presença de traficantes que se dizem evangélicos não é exclusividade do TCP, ainda que o grupo tenha particularidades que vêm chamando a atenção de pesquisadores dentro do contexto do que alguns têm denominado de "narcopentecostalismo".

Especialistas apontam que a influência de religiões sobre as dinâmicas de poder do tráfico sempre existiu e não é algo particular ao protestantismo. Esse fenômeno, agora ligado à fé evangélica, é um reflexo do próprio avanço dessa religião entre os brasileiros. A adesão de membros de grupos criminosos a elas está dentro desse processo de expansão.

Em um artigo sobre a criação do Complexo de Israel, a coordenadora do Laboratório de Estudos em Política, Arte e Religião (LePar) da UFF, Christina Vital da Cunha, aponta que, nas décadas de 1980 e 1990, não era raro encontrar traficantes no Rio de Janeiro que se identificavam com religiões de matriz africana, dinâmica que foi se transformando no ritmo do crescimento do neopentecostalismo.

Em seu trabalho de campo, a pesquisadora acompanhou essa mudança nos murais e grafites que coloriam as comunidades cariocas. Com o passar dos anos, símbolos que faziam referência à umbanda e ao candomblé foram sendo substituídos por mensagens e imagens cristãs ligadas às crenças neopentecostais.

Esse fenômeno ganhou complexidade mais recentemente, quando a religião foi além das escolhas individuais de traficantes e passou a influenciar a identidade de grupos criminosos, como é o caso do TCP.

Os discursos, símbolos e ritos religiosos foram incorporados na conduta criminal da facção, observa Kristina Hinz, pesquisadora associada ao programa de pós-graduação em Ciências Sociais da Uerj.

"Notavelmente, as facções narcopentecostais se utilizam do discurso religioso para legitimar a expansão dos seus territórios e nos confrontos com outras facções", destaca.

"O combate de inimigos passa a ser compreendido como guerra espiritual. Isto tem ocorrido principalmente em confrontos com o Comando Vermelho, tradicionalmente relacionado a religiões de matriz africana", completa.

Como conciliar, entretanto, a contradição entre a prática criminal, com assassinatos, torturas e extorsões, e a postura que se espera de fiéis cristãos? Hinz diz que a violência praticada por grupos ligados ao narcopentecostalismo "é legitimada com discursos do combate bélico e violento em nome da purificação religiosa e do combate das forças diabólicas, do mal".

Na comunidade evangélica mais tradicional, a rejeição da ideia de que traficantes possam ser de fato cristãos é muito forte. A lógica é que "ser evangélico" não significa só aderir às crenças da religião, mas ter atos e um estilo de vida de acordo com certos preceitos. Por isso, a ideia de um criminoso evangélico seria, portanto, inaceitável.

Paiva aponta que o TCP não pratica uma "teologia profunda", mas destaca a força que essa retórica tem na criação de uma "unidade ideológica".


"É um grupo que conseguiu, dentro da esfera criminal, de fato tornar a religião como elemento motivador das coisas", avalia o sociólogo.

Uma combinação que, diante do avanço do protestantismo, pode continuar atraindo adeptos. O último censo realizado entre a população carcerária no Ceará mostrou que 43,2% dos quase 20 mil presos eram evangélicos. Outros 33% eram católicos e os demais seguiam outras crenças.


FONTE: ta/ De Fortaleza para a BBC News Brasil/reprodução 02/12/2025 13h:37

Cultura: 'O Agente Secreto' é apontado por revista britânica como um dos melhores filmes do ano

 

                                                      Foto: Divulgação


O longa 'O Agente Secreto' entrou para mais uma lista de especialistas do cinema mundial. A produção de Kleber Mendonça Filho foi apontada pela The Economist como um dos melhores filmes do ano.

 

A lista feita pela revista britânica ainda conta com o filme de Walter Salles, 'Ainda Estou Aqui', vencedor do Oscar de 2025 na categoria de Melhor Filme Internacional.

 

O filme de Kleber Mendonça, que é protagonizado por Wagner Moura, é a aposta do Brasil para o Oscar de 2026. O longa, que bateu recorde de bilheteria neste ano, sendo a maior dos cinemas brasileiros em 2025, já faturou R$ 18,7 milhões.

 

Na última segunda-feira (1), Wagner e Kleber estiveram presente no Gotham Awards 2025, em Nova York, onde a produção concorria em duas categorias, Melhor Roteiro Original e Melhor Atuação.

 

O ator baiano chegou a apresentar uma categoria ao lado de Rose Byrne. O Brasil perdeu nas duas categorias que concorria, em roteiro original o troféu ficou para "Foi Apenas um Acidente", e em melhor performance foi para Sopé Dìrísù, de 'A Sombra do Meu Pai'.



Fonte:BAHIA NOTÍCIAS - 02/12/2025

Eleições 2026: Michelle Bolsonaro rebate enteados e diz que não apoiará Ciro Gomes: 'Raposa política'



                                              foto:reprodução


 A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reforçou que não apoiará Ciro Gomes, em resposta às críticas que sofreu de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, seus enteados. Confira a reportagem no site UOL desta terça-feira (2) no link abaixo:


https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2025/12/02/michelle-reage-apos-criticas-e-diz-que-nao-apoiara-ciro-raposa-politica.htm

Bahia: Empresário do setor de armas é preso em megaoperação por sonegar mais de R$ 14 milhões


                                       foto:reprodução/PC-BA


A manhã desta terça-feira (2) foi marcada por uma ação de grande impacto na Bahia. A “Operação Fogo Cruzado”, deflagrada pela Força-Tarefa de combate à sonegação fiscal, resultou na prisão temporária de um empresário acusado de liderar um esquema que desviou mais de R$ 14 milhões em impostos estaduais.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cinco municípios, Salvador, Feira de Santana, Irecê, Jussara e Coração de Maria, contra um grupo empresarial do comércio varejista de armas e munições. O alvo principal foi detido em Feira de Santana, apontado como o responsável por arquitetar a rede criminosa.

De acordo com as investigações conduzidas pela Inspetoria Fazendária de Investigação e Pesquisa (Infip), Ministério Público e Polícia Civil, o grupo declarava o ICMS devido, mas não o repassava aos cofres públicos. Para sustentar a fraude, utilizava sucessão empresarial fraudulenta e “laranjas” como sócios e administradores, criando empresas fictícias para esconder o verdadeiro dono e adiar indefinidamente o pagamento dos tributos.

Além da sonegação, os investigadores apuram indícios de lavagem de dinheiro por meio do comércio de joias, atividade paralela usada para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos.

A operação contou com a atuação de sete promotores de Justiça, 14 delegados de Polícia, 56 policiais do Necot/Draco, além de seis servidores do Fisco Estadual, oito integrantes do MPBA e sete policiais da Companhia Independente de Polícia Fazendária (Cipfaz).

A ação faz parte de uma força-tarefa que reúne diferentes órgãos envolvidos no combate à sonegação e às fraudes fiscais na Bahia. Integram o grupo o Gaesf, do Ministério Público da Bahia, o Infip, ligado à Secretaria da Fazenda, e o Necot/Draco, da Polícia Civil. Juntos, eles articulam as investigações e dão suporte às operações que buscam desarticular esquemas de manipulação tributária no estado.

Impacto para a sociedade

Segundo a Força-Tarefa, práticas como essa causam graves prejuízos à coletividade, já que o imposto foi efetivamente pago pelos consumidores, mas nunca chegou aos cofres públicos. Isso significa menos recursos para políticas públicas e serviços essenciais.


Fonte: Bocão News - 02/12/2025 08h:48

Aérea anuncia 100 voos extras e mais de 14 mil assentos para o Carnaval de Salvador e Porto Seguro





A Azul anunciou uma malha especial para dois dos destinos mais procurados durante o Carnaval: Salvador e Porto Seguro, na Bahia. Entre 12 e 22 de fevereiro de 2026, a companhia colocará em operação cerca de 100 voos extras, entre chegadas e partidas, com mais de 14 mil assentos adicionais para as duas cidades.

 

Para a capital baiana, serão aproximadamente 68 voos extras no período, com operações envolvendo os aeroportos de Congonhas (SP), Confins (MG) e Recife (PE). Já Porto Seguro, no litoral sul do estado, receberá 30 voos adicionais e cerca de 4,4 mil assentos extras. As operações terão como origem e destino os aeroportos de Congonhas (SP), Viracopos (SP) e Goiânia (GO).

 

“Salvador e Porto Seguro são destinos muito desejados no Brasil, especialmente no período de Carnaval. Sabemos a importância de oferecer mais voos e assentos para atender a essa demanda e queremos anunciar com antecedência para que os nossos clientes possam se planejar. Por isso, reforçamos a nossa malha aérea e esperamos alcançar todos aqueles que querem aproveitar a folia”, afirmou Beatriz Barbi, gerente sênior de planejamento de malha da Azul.

 

A operação especial para a Bahia integra um planejamento mais amplo da companhia para o período carnavalesco em todo o país, que inclui 431 voos extras, oferta de 58,6 mil assentos, operação em cerca de 92 rotas e atendimento a mais de 26 destinos.



Fonte: Bahia Notícias c/adaptações  02/12/2025

DF: Justiça nega excluir vídeo em que ex-dep. Joice chama Michelle Bolsonaro de “amante”

                                                foto:reprodução/Redes Sociais



 A desembargadora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) Maria Leonor Leiko Aguena indeferiu pedido da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) para excluir vídeos da ex-deputada Joice Hasselmann (Podemos).

Michelle processou Joice após publicação de vídeos nos quais a ex-parlamentar a chama de “santinha do pau oco”, “amante” e diz que a ex-primeira-dama tem “passado mais sujo do que pau de galinheiro”.

A 16ª Vara Cível de Brasília já tinha negado liminar para determinar a exclusão dos posts. A defesa da ex-primeira-dama recorreu alegando que a “a liberdade de expressão não é um direito absoluto e encontra limites intransponíveis nos direitos da personalidade, como a honra e a imagem, protegidos constitucionalmente”.

Segundo os advogados de Michelle, as declarações de Joice “extrapolam o direito de crítica e configuram nítida violação à sua honra subjetiva e objetiva”.

Ao analisar indeferir o pedido de antecipação da tutela recursal, a desembargadora do TJDFT afirmou que, embora as expressões utilizadas por Joice “possam ser consideradas ácidas ou deselegantes”, a remoção imediata do conteúdo, sem “devida dilação probatória”, configura “censura prévia, prática vedada pelo ordenamento jurídico”.

“Quanto ao perigo de dano (periculum in mora), embora a rápida disseminação de conteúdo na internet seja uma característica da era digital, o dano à imagem, uma vez consumado pela publicização, pode ser reparado por outras vias, como o direito de resposta ou a indenização por danos morais, a serem analisados em momento processual oportuno. A intervenção judicial para remoção imediata, em cognição sumária, não se justifica sem uma demonstração inequívoca de que o prolongamento da veiculação, até a instrução processual, acarrete prejuízo irreversível que não possa ser compensado posteriormente”, disse a magistrada na decisão do dia 5 de novembro.


Fonte:Coluna Grande Angular/Metrópoles - 02/12/2025