terça-feira, 20 de outubro de 2026

Eleições 2026: Entregadores de app convocam motociatas pró-Lula pelo Brasil e mandam recado ao bolsonarismo


                                                       foto:reprodução/Foto: RICARDO STUCKERT/PR




Entregadores de aplicativos de diferentes regiões do Brasil estão organizando motociatas em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em defesa da democracia. As manifestações estão previstas para esta quarta-feira (21), na reta final do segundo turno das eleições presidenciais, e também vão colocar em destaque as reivindicações trabalhistas de uma categoria que luta por melhores condições de remuneração e proteção social.

Em São Paulo, a concentração está marcada para as 10h, na Praça Charles Miller, na região do Pacaembu. A mobilização reúne os movimentos Trabalhadores Sem Direitos, Vida Além do Trabalho (VAT), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Frente Povo Sem Medo, AMERJ, AMADF e Associação de Entregadores de Recife.

A iniciativa busca ampliar a participação política dos trabalhadores de plataformas digitais em um momento de disputa pelo apoio da categoria entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Para os organizadores, as motociatas também representam uma maneira de disputar o significado político das motocicletas, que se tornaram uma marca das manifestações promovidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entregadores contestam aproximação de Flávio Bolsonaro

A mobilização acontece após Flávio Bolsonaro participar de um encontro com motoboys em um ponto de apoio mantido pela prefeitura de São Paulo, acompanhado do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Durante a atividade, segundo os organizadores das motociatas, o candidato do PL chegou a simular uma entrega com uma mochila nas costas. O episódio provocou críticas entre representantes da categoria, que acusam os três políticos de realizar propaganda eleitoral irregular em um espaço financiado com recursos públicos, com oferecimento de vantagens aos participantes.

JR Freitas, um dos organizadores da mobilização, afirma ter ingressado com uma ação contra Flávio, Nunes e Tarcísio por suposta propaganda eleitoral irregular. A acusação diz respeito à utilização do ponto de apoio para atividades de campanha e não representa, por si só, uma decisão da Justiça Eleitoral.

Os movimentos também questionam o histórico do bolsonarismo em relação aos direitos dos entregadores. Segundo os organizadores, representantes desse campo político se posicionaram contra propostas defendidas pelo governo Lula durante as discussões sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos.

Entre essas medidas estão a remuneração mínima de R$ 10 por entrega, o adicional de R$ 2,50 por quilômetro e o pagamento integral das entregas agrupadas, reivindicações apresentadas para combater a precarização do trabalho nas plataformas digitais.

Motociatas para ressignificar o papel das motos

Para JR Freitas, a mobilização pretende mostrar a diferença entre as motociatas associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a realidade dos trabalhadores que dependem diariamente das motocicletas para garantir sua renda.

“É também uma disputa simbólica. As motociatas pró-Jair Bolsonaro se inspiraram no Mussolini, eram pessoas com motos caras estilo Harley Davidson, andando pelas marginais. A expectativa agora é que tenhamos motos de trabalhadores que carregam a riqueza do país nas costas e que não têm direito nenhum. Nosso objetivo é ressignificar o que são as motos. Elas representam os trabalhadores que entregam todo dia comida e mercadoria ,transportam pessoas no país inteiro, gente que dá o suor para sobreviver e que representam um serviço fundamental hoje no Brasil”, afirma JR Freitas, um dos organizadores do ato.

Além da dimensão eleitoral, os participantes acompanham os compromissos apresentados pelo governo Lula para um eventual novo mandato, especialmente em relação à regulamentação das plataformas digitais.

Entre as principais reivindicações estão a tarifa mínima de R$ 10 por corrida, o adicional de R$ 2,50 por quilômetro rodado, a transparência dos algoritmos utilizados pelas empresas, o acesso a direitos básicos de saúde e previdência e a manutenção de um diálogo permanente com o governo federal para a aprovação de leis de proteção aos trabalhadores de aplicativos.

MTST destaca mobilização na reta final da eleição


A coordenadora nacional do MTST, Ana Paula Perles, avalia que a participação dos entregadores nas manifestações tem importância política por dar visibilidade a trabalhadores submetidos à precarização das relações de trabalho na economia das plataformas digitais.

“Essa iniciativa é fundamental na última semana das eleições, pois demonstra que uma categoria imensa, que tem sido explorada na nova economia dos aplicativos, precarizada e abandonada historicamente, tem um lado nessa história. O lado que está trabalhando pelos trabalhadores e por quem carrega esse país nas costas de verdade. Parabenizo a ideia, e vamos mostrar ao bolsonarismo que a classe trabalhadora vai dar o recado nas urnas”, avalia Ana Paula Perles, coordenadora nacional do MTST.

A convocação das motociatas combina, assim, a manifestação de apoio à reeleição de Lula com a cobrança por direitos trabalhistas. Para os movimentos envolvidos, a presença dos entregadores nas ruas também busca afirmar o protagonismo político de uma categoria que realiza serviços essenciais nas cidades brasileiras, mas ainda enfrenta dificuldades para conquistar garantias e proteção social.


Fonte: REVISTA FÓRUM -20/10/2026

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