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Uma série de mensagens de Daniel Vorcaro, extraídas pela Polícia Federal de seu celular e publicadas em reportagem do “Estadão” deste sábado, 17/10, provam que o jornalista Guilherme Amado, fundador e publisher do Amado Mundo, nunca foi “controlado” pelo hoje ex-banqueiro, conforme a então superintendente de Comunicação do Master, Ana Lúcia Matos, afirmou num print vazado seletivamente esta semana. As mensagens reveladas pelo “Estadão” mostram Vorcaro mandando que o dono do Platô, o empresário Flávio Carneiro, apagasse textos de Amado que desagradavam o então dono do Banco Master. No entanto, todos os textos que Vorcaro mandou apagar seguem até hoje no ar.
Nas conversas, é o banqueiro quem reclama do comportamento de Amado. Nos 16 meses em que teve contrato com o PlatôBR, Amado e sua equipe na coluna publicaram 19 reportagens críticas a Vorcaro e ao Master — das orgias às fraudes em sistemas de Previdência, da relação questionável do banqueiro com o STF à inconsistência das versões que ele apresentava em sua defesa.
Uma das conversas reveladas pelo “Estadão” também mostra que o dono do PlatôBR escondia de Guilherme Amado a ascendência que Vorcaro exercia sobre o veículo. Em entrevista ao jornal, Amado afirmou que pediu rescisão do contrato com o PlatôBR em março de 2026 assim que tomou conhecimento de que havia uma relação societária antiga entre Carneiro e o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.
A lista dos ‘maldosos’ de 18 de julho de 2025
Mensagem de 18 de julho de 2025 mostra Vorcaro perguntando à então superintendente de comunicação do banco qual era o “repórter maldoso mais confiável que temos”. Ele recebe uma lista com três nomes que ela classifica de jornalistas “maldosos controlados”. Ao contrário dos dois outros jornalistas, Amado nunca recebeu valor algum de Daniel Vorcaro referente a nenhum patrocínio, projeto publicitário ou investimento.
Os rótulos da suposta “maldade” e do suposto “controle” são dados por uma executiva, em conversa entre ela e seu então chefe. Mas os fatos e as mensagens publicadas pelo “Estadão” desmentem ambos rótulos.
O “Estadão” registra que a conversa “não explicita o motivo do interesse específico do banqueiro (…) nem o que ele fez após receber as informações”. O registro público aponta na direção oposta: nos meses seguintes à mensagem, a coluna de Amado seguiu publicando reportagens críticas ao banqueiro. Nenhuma foi suspensa, suavizada ou substituída por conteúdo favorável.
Aqui a pergunta do Estadão e a resposta de Guilherme Amado:
• Em resposta a Daniel Vorcaro sobre “repórter maldoso mais confiável que temos”, a então superintendente de comunicação do Master, Ana Matos, citou Guilherme Amado, Diego Escotesguy e Leo Dias. Você prestava algum serviço para esse grupo por meio de reportagens?
Nunca prestei serviço algum ao Platô que não fosse a produção de reportagens apuradas espontaneamente por mim ou pela minha equipe. Nunca conversei, encontrei, troquei mensagens ou tive qualquer contato com Daniel Vorcaro. A coluna, no período em que foi publicada lá, produziu 19 reportagens críticas a Daniel Vorcaro e ao Master.
Questionamos o presidente do BRB sobre os pontos suspeitos da transação com o Master, fomos os primeiros a falar das orgias, revelamos detalhes inéditos nas fraudes do RioPrevidência e no fundo de previdência de Itaguaí, publicamos uma análise mostrando que era inexorável que o PGR tornasse Alexandre de Moraes investigado num inquérito criminal devido às relações com Vorcaro, e, entre outras, expusemos bastidores do TCU para proteger Vorcaro. Todas essas reportagens seguem no ar e publicadas até hoje.
A cobertura incontrolável que sempre incomodou Vorcaro
Enquanto publicava a coluna no PlatôBR, Guilherme Amado fazia uma cobertura constante e crítica sobre negócios suspeitos do Banco Master, denúncias de corrupção ligadas a amigos e interlocutores do banqueiro e atitudes questionáveis de Vorcaro. Virou alvo do inconformismo do banqueiro com a impossibilidade de impedir as publicações ou interferir no tom delas.
Na lista abaixo, há nove exemplos de reportagens publicadas na coluna de Guilherme Amado no PlatôBR que desagradaram Vorcaro e seus parceiros. São casos que vão das orgias do banqueiro a ameaças a uma empregada que o estaria ameaçando, passando pela articulação do banqueiro para tentar reverter no TCU a negativa da fusão do Master com o BRB.
- Presidente do BRB se diz certo da aprovação pelo Banco Central da compra do Master
- As orgias de Daniel Vorcaro: PF define critérios para enquadrar políticos
- Nota da defesa de Vorcaro sobre atentado a Lauro Jardim não para em pé
- Master: a pressão do mercado em favor do BC e o espírito de corpo no TCU
- O barulhento silêncio de Xandão e de Galípolo
- ‘Tem que moer essa vagabunda’, disse Vorcaro sobre empregada que estaria o ameaçando
- O papel do Banco Master que ninguém no Rioprevidência quer assinar
- Fundo de previdência municipal aplicou no Master 20 vezes mais que o recomendado
- Mensagens com Vorcaro tornam inexorável que PGR peça investigação contra Moraes
Amado pediu a rescisão contratual com o PlatôBR
O último fato resume a relação. Amado sabia que Carneiro e Vorcaro eram amigos, algo público. O que ele não sabia era existir ascendência do banqueiro sobre o PlatôBR, porque o dono do veículo afirmava a ele e a toda a redação que Vorcaro não era o dono do Platô. Quando o jornalista soube, em março de 2026, após o “Estadão” expor a relação societária antiga entre Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e Carneiro, Amado pediu a rescisão do contrato e retirou a coluna do PlatôBR, trazendo toda sua equipe para o Amado Mundo.
É, portanto, um comportamento incompatível com a condição de jornalista “controlado”. E a cobertura crítica não parou: Amado segue publicando sobre Vorcaro e o Master no Amado Mundo, conforme sempre fez.
O publisher do Amado Mundo informa: “Eu e o Amado Mundo nunca recebemos nenhum patrocínio ou verba publicitária de Daniel Vorcaro nem do Master, portanto nunca houve nenhum vínculo financeiro entre mim e o empresário. E, durante os 16 meses em que trabalhei no PlatôBR, meu contato era exclusivamente com Flávio Carneiro”.
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A entrevista do BRB: dono do PlatôBR diz que Amado formulou as próprias perguntas
A versão de que Amado teria pedido a Matos sugestões de perguntas para a entrevista com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, é desmentida pela reportagem do “Estadão”. Quem estava no centro dessa relação e podia esclarecer, Flávio Carneiro, afirmou em entrevista ao jornal que o fluxo foi o inverso: foi ele quem encaminhou a relação de perguntas a Matos, “para demonstrar que não era nada malicioso”, depois de Amado — a pedido dele — lhe ter passado as questões que faria.
“Não pedi sugestões de perguntas. Flávio Carneiro me procurava ocasionalmente para saber qual abordagem eu daria a um tema e me perguntou quais perguntas eu faria ao presidente do BRB na referida entrevista. Eu informei a ele. Ele era o dono do veículo e, portanto, apesar da independência que eu tinha, dono da palavra final de qualquer coisa que fosse publicada ali”, disse Amado em resposta ao “Estadão”.
A mensagem de 30 de março de 2025, na qual Matos afirma a Vorcaro que Amado “teria pedido” sugestões, tem o banqueiro reagindo (“Vc tem que fazer pergunta para jornalista. So o que me faltava”) e depois aprovando a lista (“Otimas”). Registra, portanto, o eco de uma versão que o dono do veículo desmentiu por escrito. A executiva, que não participava da conversa com Amado, inverteu a direção do fluxo; quem repassou as perguntas a ela foi Carneiro.
Há um detalhe adicional: a própria Matos, única fonte da versão falsa, alegou ao “Estadão” que não teve acesso ao material original e não tem como verificar sua autenticidade; responder sobre partes dele “significaria validar um conteúdo cuja procedência desconheço”. A mensagem que sustenta a acusação contra Amado não é atestada portanto nem pela executiva que a criou.
A entrevista com o presidente do BRB foi publicada no dia seguinte, e Vorcaro reclama, para Flávio Carneiro, do destaque dado ao tema dos precatórios no título. Flávio Carneiro garante ao banqueiro que será alterado.


Vorcaro também pediu a Flávio Carneiro que o PlatôBR deveria emitir juízo de valor positivo à fusão do Master e do BRB. A entrevista de Amado vai na direção contrária, questionando Paulo Henrique Costa sobre os aspectos suspeitos da transação.
Aqui a pergunta do Estadão e a resposta de Guilherme Amado:
Ana Matos diz, em conversa com Vorcaro, que você a procurou pedindo perguntas que poderia fazer em entrevista com o então presidente do BRB. Você procurou a superintendente do Master e pediu sugestão de perguntas a ela?
Lembro de ter falado duas ou três vezes com Ana Matos para tirar dúvidas sobre temas relacionados ao Master, e fui procurado por ela poucas vezes. Não pedi sugestões de perguntas. Flávio Carneiro me procurava ocasionalmente para saber qual abordagem eu daria a um tema e me perguntou quais perguntas eu faria ao presidente do BRB na referida entrevista. Eu informei a ele. Ele era o dono do veículo e, portanto, apesar da independência que eu tinha, dono da palavra final de qualquer coisa que fosse publicada ali. Esse sempre foi o padrão de relacionamento com as diferentes chefias que tive em todas as redações em que trabalhei, como “O Globo”, “Época”, “Veja” e “Metrópoles”.
Nunca concordei com nenhuma ingerência em nenhum veículo que trabalhei, mas, claro, a palavra final sempre foi de quem é o dono do veículo. Ao longo da minha carreira, nos momentos em que me senti desconfortável com a perda do grau de independência de que gozava, pedi demissão. Ou, ao expor minha insatisfação e discordância, fui demitido.
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O ataque a Cappelli que nunca aconteceu
O ataque encomendado a quem seria um dos “maldosos controlados” nunca saiu. Em 3 de agosto de 2025, Vorcaro pediu que Carneiro usasse o PlatôBR para “moer” Ricardo Cappelli, então pré-candidato ao governo do Distrito Federal e interventor na Segurança Pública do DF após a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. O banqueiro perguntou ao dono do PlatôBR: “Isso o amado nao faz nao?”. A pergunta indica que o banqueiro não sabia como o colunista reagiria a um pedido desse tipo. Carneiro respondeu que “faz”, que já falava sobre isso “desde ontem” e que iria “alinhar” o ataque no PlatôBR: “Vamo desancar esse desgraçado”. Vorcaro reforçou: “Esse tem que atacar sem do”.
Amado nunca recebeu pedido de Carneiro para atacar Cappelli e nunca publicou nada com teor negativo contra ele. O próprio Cappelli atestou em seu Instagram, nessa quinta-feira, 15 de outubro, já com os vazamentos das mensagens circulando pela internet, que nunca ocorreu nenhum ataque a ele da parte de Amado: “Registro que apesar das mensagens, Guilherme Amado nunca me atacou. É um jornalista sério”.
Vorcaro se queixa de Amado não apagar vídeo
Flávio Carneiro nunca mandou Guilherme Amado apagar nenhum conteúdo da coluna. Em maio de 2025, Amado publicou uma nota no PlatôBR sobre um abraço entre o presidente do PP, Ciro Nogueira, e o empresário Ricardo Magro, da Refit, considerado o maior sonegador do país, durante um evento em Nova York, a Brazil Week. Ao mesmo tempo, postou em sua página pessoal no Instagram o vídeo mostrando o abraço entre Ciro e Magro. Vorcaro, que, conforme mensagens já mostraram, considerava Ciro “um irmão”, escreveu a Carneiro ordenando a remoção: “Ou resolce (sic) isso agora em todos. Ou ta cancelado todo projeto. Isso passou dos linutes (sic)”.

Carneiro informou que o vídeo estava somente no Instagram pessoal de Amado. Vorcaro respondeu: “Nao da pra bancar agenda propria de caras contra o cara que é um irmao. Unica resistencia fiel que tenho”.
A cobrança do banqueiro revela, novamente, resistência do jornalista, não submissão. E a resposta de Carneiro registra o ponto central.
PlatôBR negava a Amado ascendência de Vorcaro sobre o veículo
Diante da insistência de Vorcaro, Carneiro responde que não dava para escancarar pro cara [Amado]” a relação entre o dono do Platô e o banqueiro, caso contrário deixaria Vorcaro “muito exposto”. Ou seja: a relação tinha de permanecer escondida do então colunista.
Carneiro diz a Vorcaro que o “alvo” de Amado seria Ricardo Magro, “pelo passado”, provavelmente se referindo a reportagens que o jornalista publicou durante anos expondo suspeitas em torno dos negócios de Magro.

Amado tinha cláusula contratual de independência editorial
Ao negociar o contrato com o PlatôBR, Amado exigiu que fosse inserida uma cláusula que garantisse sua independência editorial.
“Contratualmente, eu tinha uma cláusula, que fiz questão de colocar para resguardar minha independência, dizendo que, caso eles não se interessassem por qualquer conteúdo apurado para a coluna, o direito autoral desse conteúdo pertenceria a mim”, explicou Amado.
E o vídeo que tanto incomodou Vorcaro continuou no ar, no Instagram do jornalista. Continua até hoje, aliás.
A reclamação de Vorcaro contra notas sobre JBS e Joesley
Em 4 de abril do ano passado, Vorcaro recebe lista de links de notas de Guilherme Amado citando a empresa JBS publicadas na coluna do PlatôBR e no “Estado de Minas”, jornal onde a coluna de Amado é republicada.
As notas, classificadas como “ataques gratuitos” por quem enviou o material ao banqueiro, falam da relação de conflito da JBS e dos irmãos Batista com a Transparência Internacional, principal organização não governamental global de combate à corrupção; e da ida de aposentados da Caixa à Justiça para reclamar reparação sobre perdas causadas por corrupção na Funcef (Fundação dos Economiários Federais), o terceiro maior fundo de pensão do país.
A queixa dos aposentados era sobre o acordo de leniência da J&F (dos irmãos Batista), que, de acordo com a Operação Greenfield, teria causado um prejuízo de R$ 5,5 bilhões aos cofres da Funcef.

O material segue no ar:
Em mensagem de 25 de maio de 2025, Daniel Vorcaro usa postagem de Leo Dias para reclamar de uma nota de Guilherme Amado sobre Joesley Batista estar, naquele momento, comentando com diferentes interlocutores que estaria cogitando ser candidato a presidente em 2026. “Não precisa dessa. Ruim. Tá bem complexo esse negócio todo da mídia.”

A ‘ordem’ para ‘derrubar’ nota sobre Alcolumbre
As mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que, no início de 2025, duas semanas após Amado estrear a coluna no PlatôBR, Vorcaro se queixou a Flávio Carneiro de reportagem crítica ao senador Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, publicada por repórter da equipe da coluna de Guilherme Amado. O banqueiro ordena que o texto seja “derrubado” (tirado do ar).

Independência jornalística inegociável
Guilherme Amado, publisher do Amado Mundo, tem 20 anos de profissão. É um dos jornalistas investigativos brasileiros de mais prestígio no Brasil e no exterior. Ficou 13 anos no Grupo Globo, onde atuou nos jornais “O Globo” e “Extra”, na Globo.com, na revista “Época”, onde se tornou o principal colunista da publicação, e na rádio “CBN”, também como colunista. Atuou ainda na revista “Veja”, no “ICL Notícias”, no “Correio Braziliense” e no portal “Metrópoles”.
Amado foi vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e integra desde 2024 o board do Global Investigative Journalism Network (GIJN), principal entidade mundial de defesa do jornalismo investigativo. É 2018 JSK Fellow da Universidade Stanford, onde passou um ano como visiting scholar da universidade, estudando inovação, empreendedorismo e liderança no jornalismo.
Amado recebeu diversos prêmios, como o “Esso”, “Tim Lopes de Jornalismo Investigativo” e “Comunique-se”. Também foi finalista do Pulitzer, o maior prêmio do jornalismo americano, com uma investigação colaborativa de que ele participou, o “FinCen Files”, coordenada pelo International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), principal grupo de investigação jornalística colaborativa do mundo, do qual Amado é um dos seis membros brasileiros.
Como escritor, publicou pela Companhia das Letras o livro “Sem máscara — o governo Bolsonaro e a aposta pelo caos”, e escreve, para a mesma editora, a biografia da cantora Gal Costa.
Guilherme fundou o Amado Mundo em junho de 2025, com o objetivo de criar um veículo jornalístico multiplataforma e capaz de produzir investigações, reportagens, documentários e programas em diferentes formatos, nas diferentes redes sociais, que ajudem o leitor a entender a complexidade do mundo contemporâneo.
“A minha independência jornalística e a do Amado Mundo são inegociáveis. Não estão, nunca estiveram e nunca estarão à venda. O jornalismo é uma das grandes ferramentas de transformação da sociedade. Os cidadãos precisam do jornalismo independente como um fiscal dos poderosos e um defensor da democracia”, afirmou Amado.
Fonte: AMADO.MUNDO/REPRODUÇÃO - 18/10/2026 13h.

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