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Vivendo nos EUA, para onde fugiu após perder as eleições presidenciais para Lula, Flávio Bolsonaro e a esposa, Fernanda, participaram de um culto na noite deste domingo (1º) na base Flórida da Igreja Celeiro House of Prayer, fundada pelo pastor André Fernandes, que foi alvo de convite para depoimento na CPMI do INSS e pivô de uma briga pública entre a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor Silas Malafaia, apoiadores do clã Bolsonaro.
Flávio e Fernanda foram acompanhados de Eduardo Bolsonaro e da esposa, Heloísa Bolsonaro, se fugiram para os EUA em março de 2025. Imagens do culto, comandado pelo pastor Jose Mauricio Fernandes, o Maurício Paizão, que se dirigiu diretamente ao candidato derrotado.
“Se ganhou ou perdeu, porque com Jesus você não perde. E se perdeu, você está ganhando”, afirmou o pastor a Flávio Bolsonaro em vídeo divulgada pela esposa do religioso, Alice Fernandes.
Flávio, Fernanda, Eduardo e Heloísa participaram do culto na primeira fileira e foram tietados pelo pastor, que publicou foto com os Bolsonaro nas redes sociais da igreja de André Fernandes, que havia declarado apoio ao senador nas eleições no Brasil.
“Hoje tivemos a honra de receber a família Bolsonaro aqui na Celeiro Flórida Casa de Oração”, diz o texto no perfil da igreja no Instagram.
André Fernandes e os Golden Boys
Fundador da igreja Celeiro após comandar a Igreja da Lagoinha em Alphaville e Miami e romper com André Valadão em 2025, André Fernandes foi alvo de um convite feito pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) na CPMI no INSS para explicar uma “doação” de R$ 200 mil de Felipe Macedo Gomes, integrante do grupo que ficou conhecido como Golden Boys. Composto por jovens ricos, os chamados Golden Boys comandavam organizações investigadas nas fraudes a aposentados.
“André Fernandes é próximo a Felipe Macedo Gomes, integrante do grupo Golden Boys. Enquanto pastor da Igreja Lagoinha Alphaville, André Fernandes teria recebido de Felipe Macedo, a título de “doação”, o valor de R$ 200.000,00. Essa movimentação, ocorrida no auge da chamada Farra do INSS, em razão de sua expressividade e volume, carece de melhor esclarecimento. A Controladoria-Geral da União (CGU), no âmbito das investigações relativas à Farra do INSS, identificou a utilização de igrejas evangélicas por suspeitos de desviar recursos de aposentados e pensionistas, como possível mecanismo para a prática de lavagem de dinheiro”, diz Correia no requerimento para o convite ao líder religioso, que foi obstruído pelo presidente da CPMI, o bolsonarista Carlos Viana (PSD-MG).
André Fernandes também foi um dos pivôs de um bate-boca público entre Damares Alves e o pastor Silas Malafaia, ambos aliados do clã Bolsonaro.
Em entrevista ao SBTNews em 12 de janeiro, Damares, que é evangélica, afirmou que “a CPMI do INSS vai colocar muita gente na cadeia” e que igrejas e pastores apareciam entre os investigados.
“Nós estamos identificando igrejas no esquema de fraude com aposentados. Há pastores que pedem para não investigar, não decepcionar os fiéis”, disse a senadora.
A declaração despertou a fúria de Silas Malafaia que atacou Damares em vídeo nas redes sociais chamando-a de “leviana linguaruda” e desafiando a senadora a revelar os nomes dos líderes religiosos envolvidos na fraude aos aposentados.
Damares, no entanto, reagiu aos ataques de Malafaia divulgando nota com os nomes de lideres religiosos citados na CPMI do INSS, entre eles o de André Fernandes, líder da Celeiro, igreja que recebeu Flávio Bolsonaro neste domingo (1º) nos EUA.
Na tréplica, Malafaia soltou novo vídeo dizendo que a senadora “tenta tirar proveito político do que não fez”.
“Não é Damares que denuncia igrejas e pastores. O que ela faz, junto dos outros deputados e senadores, é assinar requerimento de convocação. Ela não denuncia pastores, tampouco igrejas”, afirmou.
No vídeo, Malafaia diz ainda que havia falado com Carlos Viana e que “a Damares mente”.
“Primeiro, diz que tem grandes igrejas, e não tem. E segundo, ela está desafiada a dar o nome de pastores evangélicos que fizeram lobby para ela se calar, como se esse documento fosse secreto. Ela quer tirar vantagem política”, atacou Malafaia, que apagou os dois vídeos de suas redes.
Golden Boys
Felipe Macedo, que doou R$ 200 mil a André Fernandes, faz parte do grupo conhecido como “Golden Boys”, que mantinham quatro entidades envolvidas nas irregularidades investigadas pela CPMI do INSS.
Além da Amar Brasil Clube de Benefícios, que tinha Macedo Gomes como vice-presidente, entraram no radar das investigações a Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (AASAP), a Master Prev e a Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (ANDDAP).
Segundo as investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), a Amar Brasil movimentou R$ 143 milhões entre 2022 e 2024. De acordo com as autoridades, 96,9% dos aposentados afirmaram não ter autorizado os débitos. Juntas, as entidades comandas pelos Golden Boys, faturaram R$ 700 milhões com descontos indevidos de aposentados e pensionistas.
Segundo as investigações, também fazem parte do esquema: Américo Monte, Anderson Cordeiro e Igor Delecrode.
A PF identificou uma frota milionária de carros de luxo registrada em nome dos quatro. Entre os veículos, estão uma Ferrari, cinco BMWs e 16 Porsches.
“Documentos indicam, ainda, que Felipe Macedo Gomes utilizou recursos desviados para aquisição de veículos de luxo, sendo incompatível sua evolução patrimonial com a renda declarada antes da constituição da ABCB”, completou o deputado Rogério Correia no requerimento.
FONTE: PLÍNIO TEODORO/REVISTA METRÓPOLES - 02/11/2026

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