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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Economia: Guedes quer redução salarial e fim de estabilidade automática de servidores


O ministro Paulo Guedes, durante apresentação sobre as reformas econômicas enviadas pelo governo ao Congresso - Adriano Machado/Reuters
foto:reprodução

O projeto de reforma econômica do governo Bolsonaro enviado ao Congresso pelo ministro Paulo Guedes da economia prevê no pacote possibilidade de redução salarial e o fim da estabilidade automática para os servidores. Confira a noticia completa no link abaixo do site do UOL.



https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/11/06/guedes-quer-reducao-salarial-e-fim-de-estabilidade-automatica-de-servidores.htm

Em SP:Lançamento do Festival Virada Salvador reunirá 600 convidados


Cleo será uma das presenças da festa
(Foto: Reprodução /Redes sociais)
A programação do Festival Virada Salvador, que será lançada nesta quarta-feira (6), a partir das 20h, em uma festa para 600 convidados, na Casa das Caldeiras, em São Paulo, contará com as presenças de Cleo, Débora Nascimento, Isabelli Fontana, Vivi Orth, Bárbara Evans e Gloria Groove, entre outros artistas e influencers que já confirmam presença. 
O evento será animado pela Banda Eva e pelo cantor Saulo – que, em alguns momentos, estará acompanhado pelo filho João Lucas. A dupla cantará grandes sucessos da música baiana. Além disso, haverá participações especiais de Daniela Mercury, Márcio Victor, Parangolé, Duas Medidas e Danniel Vieira. 
O Festival Virada Salvador irá acontecer entre os dias 28 de dezembro e 1º de janeiro, na Orla da Boca do Rio, com realização da Prefeitura de Salvador.
Mais sobre o evento

O lançamento do Festival Virada Salvador, que acontece nesta quarta-feira (6), a partir das 20h, na Casa das Caldeiras, na Barra Funda, em São Paulo, terá shows de Saulo (Fernandes) e Banda Eva, como antecipado pelo Alô Alô Bahia, e participações de Daniela Mercury, Márcio Victor, Parangolé, Duas Medidas e Danniel Vieira. A mestre de cerimônia será a cantora e atriz Larissa Luz.

"Eu vou fazer uma participação rápida no lançamento do Verão de Salvador e do Festival da Virada, que acontecerá mais uma vez na Arena Daniela Mercury. Esse é o 21º ano que eu faço o Por do Som no dia 1º de janeiro na capital baiana. Quando comecei não tinha festa de réveillon na cidade e, para retribuir toda a expectativa do público, comecei a fazer esse show de graça no dia primeiro. Não havia financiamento. Então, eu fazia o réveillon em outra cidade que pagasse cachê e usava parte do dinheiro para promover o show para minha gente no primeiro dia do ano. Fico feliz de ver como cresceu e como o Festival da Virada se tornou um evento gigantesco de arte e cultura, principalmente para os artistas baianos. Minha carreira sempre foi muito forte em São Paulo! Foi lá que estourei pro mundo. Acho que é muito inteligente convidar os paulistas para Salvador no verão. Quero ver todo mundo em todas as festas, inclusive no Camarote da Rainha dia 26 de janeiro. Com shows do Cortejo e do Bailinho também, teremos uma boa representação da nossa alegria e do nosso carnaval", nos disse Daniela Mercury.
O evento está sendo organizado pela Empresa Salvador Turismo (Saltur), em parceria com a Quem Acontece, e contará com shows exclusivos do cantor Saulo (Fernandes) e da Banda Eva, além de convidados especiais. Toda a direção musical ficará por conta do dramaturgo e diretor teatral baiano Elísio Lopes Júnior.
Felipe Pezzoni, vocalista da Banda Eva
(Foto: Reprodução / Redes sociais / @bsfotografias)

fonte:Correio da Bahia - 06/11/2019 - 12h

Nos EUA: Itamaraty diz que sabia dos 51 brasileiros detidos na fronteira e nega maus-tratos

                                 Crianças são separadas dos pais e vestem roupas de presidiários nos EUA -foto:reprodução
O Ministério de Relações Exteriores brasileiro estava ciente da detenção de um grupo de 51 brasileiros em abrigos para imigrantes ilegais na fronteira dos Estados Unidos. Em nota divulgada nesta quarta-feira, 6, o Itamaraty afirmou que o Consulado-Geral do Brasil em Houston realizou visitas ao grupo em El Paso e negou que as famílias tenham sofrido maus-tratos ou abusos de qualquer natureza.
A prisão dos migrantes brasileiros em uma instalação do escritório de Proteção a Alfândegas e Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês) foi noticiada na terça-feira 5 pelo jornal americano The Washington Post. Segundo a reportagem, o grupo ficou detido entre 15 e 25 dias em abrigos semelhantes a tendas na cidade de El Paso, Texas.
O período em que o grupo ficou preso é muito superior ao prazo máximo de 72 horas determinado pelas autoridades dos Estados Unidos para a detenção de migrantes nos abrigos da fronteira.
Em nota, o Itamaraty afirmou que o grupo era formado por 51 brasileiros, integrantes de 19 núcleos familiares. Os migrantes tentaram entrar ilegalmente no território americano e solicitar refúgio, mas seu pedido foi negado.
“Não foram verificados maus-tratos ou abusos de qualquer natureza. As famílias não foram separadas”, afirmou o Ministério em nota, ressaltando que o Consulado em Houston prestou apoio aos brasileiros detidos, com realização de visita ao grupo em El Paso, além de contatos com as autoridades americanas competentes.
“Ressalte-se que as autoridades consulares brasileiras acompanham, de forma permanente e atenta, os casos de brasileiros detidos por irregularidades em sua situação migratória, atuando para apoiar esses nacionais, nos limites impostos pela legislação e soberania dos EUA”, diz ainda o comunicado.

O caso

Segundo o Post, os migrantes ficaram em El Paso até serem deportadas para Belo Horizonte em 25 de outubro. Grupos que advogam pelos direitos de imigrantes na região afirmaram que ao menos 30 dos presos eram menores, incluindo bebês.
As autoridades americanas não esclareceram por quanto tempo os brasileiros ficaram detidos nas instalações do CBP, ou porque eles não foram liberados dentro do prazo de 72 horas estabelecido pela lei.
O escritório alfandegário afirmou ainda que as famílias dormiam em um grande quarto nas instalações, em colchões de 10 centímetros de espessura. Os detidos tinham acesso a chuveiros, banheiros, lavanderia e refeições quentes, incluindo comida para bebês.
No local, não há áreas para as crianças brincarem ou escolas. O Post descreve as instalações como “fortes e compactas” com “paredes de borracha pressurizada”.
Heloísa Galvão, diretora de uma organização de mulheres em Massachusetts, afirmou ao Post que as famílias detidas relataram não ter acesso a advogados ou telefones, e que não tinham direito a banhos diários. Algumas das crianças, incluindo duas meninas de 1 ano de idade e uma de 2 anos, ficaram doentes durante o período em que ficaram presas.
De acordo com o governo dos Estados Unidos, cerca de 17.000 migrantes brasileiros chegaram em El Paso, no Texas, no último ano fiscal, que terminou em setembro.

fonte:Veja - 06/11/2019 -11h:48min.

Ex-aliada: Joice diz que vai denunciar filhos de Bolsonaro por ameaças à sua família

Ex-aliada e hoje odiada -foto:Lula Marques/reprodução
Em um discurso emocionado da tribuna da Câmara, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo no Congresso, anunciou, na tarde desta terça-feira (5/10), que vai denunciar os três filhos políticos do presidente Jair Bolsonaro, "em todas as instâncias", inclusive na Procuradoria-Geral da República (PGR), por ameaças que ela e os dois filhos têm recebido através de uma "gangue virtual".
"Eu tenho dois filhos, uma jovem e um adolescente, de onze anos. Nenhum de vocês sabe como é o rosto dos meus filhos. Por que? Porque eles também foram ameaçados de morte. O meu mais novo, na semana passada, me disse: 'mãe, porque estão chamando a senhora de porca na internet. Por que estão chamando a senhora de pig (porca em inglês) na internet? Não foi a senhora que ajudou tanto esse governo?'", contou a parlamentar.
A relação entre Joice e o círculo próximo do presidente Jair Bolsonaro se deteriorou em meio à crise interna no PSL. Ela foi retirada da liderança do governo pelo presidente depois assinar uma lista do partido favorável à permanência do deputado Delegado Waldir (GO) na função líder da sigla na Câmara, em uma disputa que acabou sendo vencida por Eduardo Bolsonaro. Desde então, uma avalanche de ataques contra a deputada tomou conta das redes sociais.
"Essas lágrimas não são por mim, porque a minha história é a história de uma guerreira. Mas o meu filho, de onze anos, recebeu uma montagem minha, com o meu rosto e o corpo de uma prostituta, com o meu rosto e um corpo deformado, nu. Isso eu não vou admitir. E não vai ter homem, com mandato, sem mandato, seja o que for, deputado, senador, presidente, não me interessa. Não vai ter homem, nem mulher que vai fazer isso com a minha família. É pela minha família, porque se nós não pararmos essa esquizofrenia essa loucura, essa gangue, a gente não tem como reconstruir esse Brasil", disse a parlamentar.
No discurso no plenário, Joice chamou de "criminosos" Eduardo Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PSLRJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filhos do presidente da República.
"Não vou tolerar nenhum tipo de afronta, nem um tipo de crime, nem um tipo de calúnia, seja ela virtual ou não, de quem quer que seja, nem o filho do presidente da República. Levarei o senhor Eduardo Bolsonaro ao Conselho de Ética e à Procuradoria-Geral da República. Se eu conseguir ajudar a frear esse caos que está acontecendo, eu já fico muito feliz", disse a parlamentar.
"Quando meu filho perguntou 'porque estão fazendo isso com você?', eu disse que é porque há criminosos. São criminosos. Aqueles que usam desse expediente são bandidos, e o Código Civil e o Código Penal não deixam de existir porque o ambiente é virtual. Eu buscarei a retratação, em todas as instâncias, de um por um. Eu fiz parte dessa campanha, eu sei quem é quem, e eu não vou compactuar com isso", disse Joice.
"Os filhos que me atacam vão me enfrentar na Justiça, no Conselho de Ética, na PGR, nós vamos discutir dentro da lei. Eu não misturo as coisas. Gostaria que o chefe máximo desta nação também não misturasse. A presidência da República é muito maior que o puxadinho da cozinha de qualquer pessoa. O presidente da República representa a todos, até aqueles que não votaram nele. É o presidente de todos, o presidente da direita, do centro, da esquerda", continuou a ex-líder do governo, que foi bastante aplaudida e recebeu apoio até de deputados da oposição. 
Ela disse que já recebeu os IPs (endereços dos computadores) relacionados aos ataques  que vem sofrendo nas redes sociais. "Esssa quadrilha virtual, são mais de setecentas páginas que eu já acumulei de provas", informou.
"Todos vocês viram e têm acompanhado o que estou passando. Já adianto que estou acionando muitos na Justiça. Vou conseguir quebrar os IPs. Chegaram os IPs de cada um. Vamos saber quem são os covardes, por trás dos perfis fakes. Vocês não tenham dúvida", afirmou Joice Hasselmann, acrescentando que uma das ameaças ocorreu em 21 de outubro, horas antes de ela 
"As ameaças continuam chegando. No dia da minha participação no Roda Viva eu recebi um e-mail gentil: 'Se você entrar na TV Cultura, você não sai de lá viva'. Fui, dei a entrevista e estou aqui vivinha. Não tenho medo de ameaça, e vou seguir todos os trâmites legais", declarou.
Joice disse que o presidente Bolsonaro "se apequenou" ao interferir na crise interna do PSL, protagonizando uma troca de acusações com o presidente da legenda, o deputado federal Luciano Bivar (PE).
Ela frisou, entretanto, que continuará apoiando os projetos do governo, por entender que são importantes para o desenvolvimento do Brasil.
fonte:MSN/Correio Braziliense - 06/11/2019

terça-feira, 5 de novembro de 2019

óleo no mar: Turista é internado após ficar com corpo manchado em Ilhéus

Ilhéus: Turista é internado após ficar com corpo manchado
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
O turista mineiro que teve o corpo manchado após um banho de mar em Ilhéus, no litoral sul, está internado nesta terça-feira (5). Não há previsão de alta. O homem, identificado como Anderson Gabriel, foi levado ao Hospital Regional Costa do Cacau nesta segunda-feira (4). O caso ocorreu no último sábado (2).  Uma investigação da Vigilância em Saúde apura se o caso tem relação com as manchas de óleo que atingem o litoral nordestino.

Conforme o G1, além do turista, é também investigado o caso da ativista ambiental Claudia Santana. Ela passou mal quando ajudava a recolher material em uma praia. Segundo o coordenador da Vigilância do município, o caso de Anderson Gabriel é considerado isolado. O turista teria sido o único que teve manchas no corpo após banho de mar na região. Os dois pacientes se submeteram a exames. O resultado deles ainda não foi divulgado. Informações do BN.

Paraná: Por causa de Bolsonaro, supermercado suspende propaganda na Globo

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imagem:reprodução
A rede Condor de supermercados, com sede no Paraná, decidiu suspender suas veiculações comerciais na Rede Globo. Em comunicado oficial, a empresa esclarece que a suspensão limita-se aos programas “jornalísticos nacionais como Bom Dia BrasilJornal HojeJornal Nacional e Fantástico bem como em programas que contrariem os princípios e valores familiares, como Malhação e a novela das 21h.”.
“A decisão está fundamentada na parcialidade que o jornalismo nacional da emissora vem demonstrando, onde (sic) apresenta matérias sem o devido cuidado, apenas de cunho sensacionalista, especialmente contra o Presidente da República (Jair Bolsonaro)”, diz o comunicado.
A empresa esclarece, contudo, que permanecerá com os investimentos na RPC, afiliada da Rede Globo no Paraná, com o intuito de reforçar a programação regional e de “entretenimento saudável”. “Não cortamos as propagandas da RPC, apenas não serão veiculadas em certos horários”, reitera a nota.
A Condor – com 49 lojas em dezessete cidades paranaenses e duas de Santa Catarina – termina dizendo que outras empresas compactuam com a mesma preocupação que eles têm com “o futuro do país” e que estão tomando medidas semelhantes. Até a conclusão do texto, porém, nenhuma outra empresa havia apoiado a decisão da Condor.
fonte:Veja.com c/adaptações 05/11/2019

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

VESTIBULAR 2020: UNEB prorroga inscrições até 10/11


foto:reprodução
A Universidade do Estado da Bahia prorrogou, até o dia 10 de novembro, o período de inscrições para o Vestibular UNEB 2020. Os interessados devem se inscrever, exclusivamente, pelo site vestibular.uneb.br
Estão sendo ofertadas 6.321 vagas no processo seletivo, para cursos de graduação na modalidade presencial (4.021) e na modalidade a distância, oferecidos pela instituição (500) e pelo Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), também ministrados pela UNEB (1.800).
As inscrições devem ser feitas no site do Vestibular UNEB 2020. O interessado deve clicar em “INSCRIÇÃO ONLINE”, identificar o seu grupo de pertencimento, escolher a modalidade de ensino desejada, primeira e segunda opções de curso, língua estrangeira, optar ou não pelas cotas e definir local onde realizará as provas. A taxa é de R$ 100 e deve ser paga até a data apresentada pelo boleto bancário.
As provas serão aplicadas nos dias 15 e 16 de dezembro. A relação de cursos, quadro de vagas, informações sobre as provas, documentação solicitada e cronograma da seleção constam no edital do Vestibular UNEB 2020
fonte:Site da instituição c/adaptações

Diretor da Globo diz que advogado de Bolsonaro omitiu informação

O diretor-geral de Jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, enviou nota à sua equipe na emissora exaltando o trabalho do Jornal Nacional
© Renato Velasco/Memória Globo O diretor-geral de Jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, enviou nota à sua equipe na emissora exaltando o trabalho do Jornal Nacional
O diretor-geral de Jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, 57 anos, enviou nesta 2ª feira (4.nov.2019) longo texto à sua equipe na emissora elogiando o trabalho de reportagem a respeito do episódio do porteiro do condomínio no qual têm casa o presidente da República e também suspeitos de participar no assassinato de Marielle Franco (14.mar.2018).
A editoria em Brasília, àquela altura, não sabia das apurações da editoria Rio. Eu estranhei: por que uma fonte tão próxima ao presidente nos contava algo que era prejudicial ao presidente? Dias depois, a mesma fonte perguntava: a matéria não vai sair?”Kamel sugere que algumas das fontes consultadas próximas ao presidente da República poderiam ter preparado uma cilada para a emissora. Entre os indícios, ele destaca o fato de que uma pessoa próxima aos Bolsonaros teria procurado a Globo em Brasília para dizer que em breve estouraria uma grande bomba no caso Marielle e que a investigação poderia ser transferida para Brasília.

Kamel também aborda a atitude do advogado de Bolsonaro:
Hoje sabemos que o advogado do presidente [Frederick Wassef], no momento em que nos concedeu entrevista, sabia da existência do áudio que mostrava que o telefonema fora dado, não à casa do presidente, mas à casa 65, de Ronnie Lessa (acusado de envolvimento com o assassinato)”.
Kamel prossegue: “No último sábado, o próprio presidente Bolsonaro disse à imprensa: “Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano”.
Em seguida, o diretor da Globo faz esta inferência: “Por que os principais interessados em esclarecer os fatos, sabendo com detalhes da existência do áudio, sonegaram essa informação? A resposta pode estar no que aconteceu nos minutos subsequentes à publicação da reportagem do Jornal Nacional. Patifes, canalhas e porcos foram alguns dos insultos, acompanhados de ameaças à cassação da concessão da Globo em 2022, dirigidos pelo presidente Bolsonaro ao nosso jornalismo, que só cumpriu a sua missão, oferecendo todas as chances aos interessados para desacreditar com mais elementos o porteiro do condomínio (já que sabiam do áudio)”.
Kamel exalta o trabalho da equipe da Globo, que reputa correto e verdadeiro:
A reportagem estava pronta para ir ao ar. Tudo nela era verdadeiro: o livro da portaria, a existência dos depoimentos do porteiro, a impossibilidade de Bolsonaro ter atendido o interfone (pois ele estava em Brasília) e, mais importante, a possibilidade de o STF paralisar as investigações de um caso tão rumoroso”.
 Logo no início da carta, pede que todos festejem o episódio. “Há momentos em nossa vida de jornalistas em que devemos parar para celebrar nossos êxitos”.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA

A seguir, a íntegra do texto que Ali Kamel enviou para os jornalistas da TV Globo:
“Há momentos em nossa vida de jornalistas em que devemos parar para celebrar nossos êxitos.
Eu me refiro à semana passada, quando um cuidadoso trabalho da editoria Rio levou ao ar no Jornal Nacional uma reportagem sobre o Caso Marielle que gerou grande repercussão. A origem da reportagem remonta ao dia 1° de outubro, quando a editoria teve acesso a uma página do livro de ocorrências do condomínio em que mora Ronnie Lessa, o acusado de matar Marielle. Ali, estava anotado que, para entrar no condomínio, o comparsa dele, Elcio Queiroz, dissera estar indo para a casa 58, residência do então deputado Jair Bolsonaro, hoje presidente da República. Isso era tudo, o ponto de partida.
Um meticuloso trabalho de investigação teve início: aquela página do livro existiu, constava de algum inquérito? No curso da investigação, a editoria confirmou que o documento existia e mais: comprovou que o porteiro que fez a anotação prestara dois depoimentos em que afirmou que ligara duas vezes para a casa 58, tendo sido atendido, nas palavras dele, pelo “seu Jair”.
A investigação não parou. Onde estava o então deputado Jair Bolsonaro naquele dia? A editoria pesquisou os registros da Câmara e confirmou que o então deputado estava em Brasília e participara de duas votações, em horários que tornavam impossível a sua presença no Rio. Pesquisou mais, e descobriu vídeos que o então deputado gravara na Câmara naquele dia e publicara em suas redes sociais. A realidade não batia com o depoimento do porteiro.
Em meio a essa apuração da Rio (que era feita de maneira sigilosa, com o conhecimento apenas de Bonner, Vinicius, as lideranças da Rio e os autores envolvidos, tudo para que a informação não vazasse para outros órgãos de imprensa), uma fonte absolutamente próxima da família do presidente Jair Bolsonaro (e que em respeito ao sigilo da fonte tem seu nome preservado), procurou nossa emissora em Brasília para dizer que ia estourar uma grande bomba, pois a investigação do Caso Marielle esbarrara num personagem com foro privilegiado e que, por esse motivo, o caso tinha sido levado ao STF para que se decidisse se a investigação poderia ou não prosseguir.
A editoria em Brasília, àquela altura, não sabia das apurações da editoria Rio. Eu estranhei: por que uma fonte tão próxima ao presidente nos contava algo que era prejudicial ao presidente? Dias depois, a mesma fonte perguntava: a matéria não vai sair?
Isso nos fez redobrar os cuidados. Mandei voltar a apuração quase à estaca zero e checar tudo novamente, ao mesmo tempo em que a Editoria Rio foi informada sobre o STF.
Confirmar se o caso realmente tinha ido parar no Supremo tornava tudo mais importante, pois o conturbado Caso Marielle poderia ser paralisado. Tudo foi novamente rechecado, a editoria tratou de se cercar de ainda mais cuidados sobre a existência do documento da portaria e dos depoimentos do porteiro. Na terça-feira, dia 29 de outubro, às 19 horas, a editoria Rio confirmou, sem chance de erro, que de fato o MP estadual consultara o STF.
De posse de todas (sic) esses fatos, informamos às autoridades envolvidas nas investigações que a reportagem seria publicada naquele dia, nos termos em que foi publicada. Elas apenas ouviram e soltaram notas que diziam que a investigação estava sob sigilo.
Informamos, então, ao advogado do presidente Bolsonaro, Frederick Wassef, sobre o conteúdo da reportagem e pedimos uma entrevista, que prontamente aceitou dar em São Paulo. Nela, ele desmentiu o porteiro e, confirmando o que nós já sabíamos, disse que o presidente estava em Brasília no dia do crime. Era madrugada na Arábia Saudita e em nenhum momento o advogado ofereceu entrevista com o presidente.
A reportagem estava pronta para ir ao ar. Tudo nela era verdadeiro: o livro da portaria, a existência dos depoimentos do porteiro, a impossibilidade de Bolsonaro ter atendido o interfone (pois ele estava em Brasília) e, mais importante, a possibilidade de o STF paralisar as investigações de um caso tão rumoroso.
É importante frisar que nenhuma de nossas fontes vislumbrava a hipótese de o telefonema não ter sido dado para a casa 58. A dúvida era somente sobre quem atendeu e só seria solucionada após a decisão do STF e depois de uma perícia longa e demorada em um arquivo com mais de um ano de registros. E isso foi dito na reportagem. Quem, de posse de informações tão relevantes, não publica uma reportagem, com todas as cautelas devidas, não faz jornalismo profissional.
Hoje sabemos que o advogado do presidente, no momento em que nos concedeu entrevista, sabia da existência do áudio que mostrava que o telefonema fora dado, não à casa do presidente, mas à casa 65, de Ronnie Lessa.
No último sábado, o próprio presidente Bolsonaro disse à imprensa: “Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano”.
Por que os principais interessados em esclarecer os fatos, sabendo com detalhes da existência do áudio, sonegaram essa informação? A resposta pode estar no que aconteceu nos minutos subsequentes à publicação da reportagem do Jornal Nacional.
Patifes, canalhas e porcos foram alguns dos insultos, acompanhados de ameaças à cassação da concessão da Globo em 2022, dirigidos pelo presidente Bolsonaro ao nosso jornalismo, que só cumpriu a sua missão, oferecendo todas as chances aos interessados para desacreditar com mais elementos o porteiro do condomínio (já que sabiam do áudio).
Diante de uma estratégia assim, o nosso jornalismo não se vitimiza nem se intimida: segue fazendo jornalismo. É certo que em 37 anos de profissão, nunca imaginei que o jornalismo que pratico fosse usado de forma tão esquisita, mas sou daqueles que se empolgam diante de aprendizados.
No dia seguinte, já não valia o sigilo em torno do assunto, alegado na véspera para não comentar a reportagem do JN antes de ela ir ao ar. Houve uma elucidativa entrevista das promotoras do caso, que divulgamos com o destaque merecido: o telefonema foi feito para a casa 65, quem o atendeu foi Ronnie Lessa, tudo isso levando as promotoras a afirmarem que o depoimento do porteiro e o registro que fez em livro não condizem com a realidade.
O Jornal Nacional de quarta exibiu tudo, inclusive os ataques do presidente Bolsonaro ao nosso jornalismo, respondidos de forma eloquente e firme, mas também serena, pela própria Globo, que honra a sua tradição de prestigiar seus jornalistas. Estranhamente, nenhuma outra indagação da imprensa motivada por atitudes e declarações subsequentes do presidente foi respondida. O alegado sigilo voltou a prevalecer.
Mas continuamos a fazer jornalismo. Revelamos que a perícia no sistema de interfone foi feita apenas um dia depois da exibição da reportagem e num procedimento que durou somente duas horas e meia, o que tem sido alvo de críticas de diversas associações de peritos.
Conto tudo isso para dar os parabéns mais efusivos à editoria Rio. Seguiremos fazendo jornalismo, em busca da verdade. É a nossa missão. Para nós, é motivo de orgulho. Para outros, de irritação e medo”.Ali Kamel
fonte:Poder 360/reprodução - 04/11/2019 - 17:21min.