• Praça do Feijão, Irecê - BA

domingo, 27 de dezembro de 2020

Em Salvador: Secretário alerta após aumento no atendimento a crianças com suspeita de Covid-19

                                                              Secretário de Saúde de Salvador  Leo Prates -foto:reprodução/facebook

O secretário de Saúde da capital baiana, Leo Prates (PDT) utilizou as redes sociais, na manhã deste domingo (27), para alertar pais e responsáveis pelo cuidado e atenção às crianças em relação ao contágio da Covid-19. No Twitter, o secretário destacou o aumento da procura por atendimento a crianças com suspeita de Covid-19  nos três últimos dias. 

 

Conforme publicado nesta manhã, o domingo começa com  10 crianças na categoria ‘aguardando leito Covid’. Destas, duas aguardam acesso a uma Unidade de terapia Intensiva (UTI). 

 

“Peço aos papais e mamães q ampliem os cuidados com seus filhos. Há 3 dias as UPAS tem recebido um número cada vez maior de crianças c suspeita de Covid, com ápice hoje: 10 crianças ,sendo que 2 necessitando de UTI . Os cuidados todos já sabemos: máscara ,limpeza das mãos e distanciamento”, escreveu Prates.  Informações do Bahia Notícias.

A PF: Advogada, viúva diz que destruiu celular de Gustavo Bebianno

 


Advogada, Renata Bebianno, viúva de Gustavo Bebianno, afirmou em depoimento à Polícia Federal que destruiu o celular do ex-ministo e coordenador da campanha de Jair Bolsonaro, morto em 14 de março deste ano.

Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Renata foi ouvida na investigação sobre o esquema de propagação de fake news na campanha eleitoral de Bolsonaro em 2018.

A advogada disse ainda que não fez pesquisas no celular e que Bebianno estava se sentindo mal nos dias que antecederam a morte, por infarto.

Em julho, o empresário Paulo Marinho disse que Flávio Bolsonaro havia sido avisado da investigação sobre o caso Queiroz antes das eleições de 2018 e sugeriu acesso ao celular de Bebianno, o que não foi permitido por Renata. Informações da Revista Fórum em 27/12/2020.

Fim de ano: Congestionamento de jatinhos no extremo Sul da Bahia causa suspensão temporária de pousos

O motivo desta forte migração de jatos para o Sul da Bahia é, possivelmente, devido à impossibilidade de viagem ao exterior para os proprietários dos jatos, devido à pandemia do coronavírus. imagem:reprodução

Um verdadeiro “congestionamento” aéreo se formou no sul da Bahia no dia seguinte ao feriado do Natal, com um grande número de aviões indo para o litoral. De acordo com o Aeroin, o maior site de aviação do Brasil e da América Latina,  tal movimento é normal nessa época do ano, mas a quantidade de aeronaves em 2020 surpreendeu.

Segundo o site informou ontem (26), o tráfego  foi tão intenso que várias aeronaves tiveram que dar voltas repetidamente (órbitas) aguardando a liberação do pátio. Os destinos dos jatos (e também aviões a hélice) foram os Aeroportos da Costa Sul da Bahia, como Porto Seguro, Trancoso (Terravista), Ilha de Comandatuba e Ilhéus.

"Em determinado momento, do meio para o final da tarde de sábado, 26 de dezembro, foi possível registrar no aplicativo de rastreamento de voos FlightRada24 ao menos 15 aviões executivos com destino ao sul baiano", informou.

O site informa também que a  “revoada” causou, inclusive, a suspensão dos pousos devido à falta de espaço no pátio, e as aeronaves foram instruídas a aguardar em órbita e, quando pousassem, teriam que apenas desembarcar os passageiros, abastecer se necessário e decolar novamente, sem ficarem estacionadas.

Um grande exemplo disso é o HondaJet de matrícula PP-BRU, que teve que pousar em Porto Seguro após fazer várias órbitas esperando pela liberação de pouso no Aeroporto Terravista. Pouco mais de uma hora depois, ele decolou de Porto Seguro para Trancoso, num voo rápido de apenas cinco minutos.

O motivo desta forte migração de jatos para o Sul da Bahia é, possivelmente, devido à impossibilidade de viagem ao exterior para os proprietários dos jatos, devido à pandemia do coronavírus. Destinos nos Estados Unidos, Caribe e Europa estão com restrições para brasileiros e outros estrangeiros, então a opção para o feriado de final de ano foi optar por algo mais próximo, seguindo para algum resort ou hotel no sul da Bahia.

"Realmente, o movimento de aviões privados no final de ano e feriados no sul da Bahia é intenso, mas é a primeira vez que se vê um fluxo tão alto e simultâneo a ponto de saturar vários aeroportos ao mesmo tempo. É esperado que tal situação se repita no dia 1º de janeiro, após o Réveillon", diz o site.

Fonte:Acorda Cidade/Informações do piloto de avião Carlos Martins

Rio: Desembargadora cita "provas abundantes" contra Crivella ao STJ

 

(crédito:  AFP / MAURO PIMENTEL)

Rosa Helena se manifestou sobre o caso após o presidente do STJ, Humberto Martins, cobrar explicações.

(foto crédito: AFP / MAURO PIMENTEL)
Em ofício de 11 páginas encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita alegou que há "provas abundantes" que colocam o prefeito afastado do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), na condição de chefe da organização criminosa montada para desviar recursos públicos. Rosa Helena se manifestou sobre o caso após o presidente do STJ, Humberto Martins, cobrar explicações.
Ao justificar a decisão de prender o prefeito, a desembargadora diz que o argumento de que a soltura de Crivella não colocaria em risco a ordem pública é o mesmo que "querer fechar os olhos à realidade dos chamados crimes do colarinho branco".
Rosa Helena foi responsável por determinar a prisão do prefeito, na última terça-feira, sob acusação de chefiar "QG da Propina" no Executivo carioca. Na noite do mesmo dia, no entanto, o presidente do STJ decidiu colocá-lo em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.
Esquema. Segundo a desembargadora, o doleiro Sérgio Mizrahy, em sua delação premiada, narrou com "riqueza de detalhes" o esquema criminoso, que envolvia, além de operadores, membros da administração municipal, empresários e pessoas físicas e jurídicas que atuavam como "laranjas".
Apesar de não possuírem vínculo efetivo com a estrutura da prefeitura do Rio, esses empresários interferiam nas tomadas de decisão, agilizando pagamentos a empresas específicas e interferindo nos processos de licitação, "de forma a beneficiar aqueles empresários que assentiam em pagar propina ao grupo criminoso liderado pelo prefeito Marcelo Crivella", destacou.
Quanto ao envolvimento de Crivella no esquema, a desembargadora afirmou entender "haver indícios mais do que suficientes (para a prisão)". "As facilidades obtidas junto à prefeitura jamais teriam sido alcançadas se não houvesse a expressa conivência do sr. prefeito, como se tentou demonstrar naquela decisão. As estreitas ligações entre ele e aquele que foi apontado por todos como o operador financeiro do esquema criminoso, Rafael Alves, está mais do que demonstrada nos autos e no decreto de prisão".
Em dois trechos do documento, a desembargadora reforçou serem abundantes as provas contra o prefeito. "E como se não bastasse, há prova nos autos de que o sr. prefeito, pessoalmente, determinou a um secretário que realizasse um pagamento irregular, já que este hesitava a fazê-lo. Nos autos ainda constam diversas trocas de mensagens (...) sobre partilha de propina e exigência, junto ao próprio prefeito, de obtenção de retorno financeiro do investimento que nele havia sido feito, em franca alusão ao dinheiro gasto na sua campanha eleitoral", escreveu.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Covid-19: anticorpos de pacientes graves agem de forma diferente, diz estudo

                                 imagem: Gettyimagens

Apesar de o coronavírus ter colocado o mundo inteiro de cabeça para baixo, ainda há muito o que se descobrir sobre o micro-organismo. Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, publicaram um estudo no qual mostram que o organismo de pacientes graves com Covid-19 não se defende da mesma maneira que o das pessoas com caso leve da infecção. As descobertas foram publicadas na revista científica Science Immunology.

Segundo os cientistas, enquanto o sistema imunológico de pacientes assintomáticos e leves atua neutralizando a proteína spike, usada pelo coronavírus para invadir as células e se multiplicar, o organismo de quem tem quadro grave e precisa ser internado ataca outras estruturas do vírus.

Participaram da pesquisa 254 pessoas com casos assintomáticos, leves ou severos de Covid-19. Entre os pacientes com sintomas, 25 foram acompanhados à distância, 42 foram hospitalizados e 37 precisaram ficar na UTI. No total, 25 participantes morreram. Foram analisados os níveis de três tipos de anticorpo (IgG, IgM e IgA).

Os pesquisadores alertam que a resposta de anticorpos não é a única variante responsável pelo desenvolvimento ruim do quadro. “Entre pessoas com doença grave, alguns morrem e outros se recuperam. Alguns desses pacientes montam uma resposta imunológica vigorosa, outros têm uma ação moderada. É importante notar que nossos resultados identificam correlação, mas não provam a causa”, explica Scott Boyd, um dos responsáveis pelo estudo.

Ele afirma que os resultados são importantes inclusive para ajudar a entender o funcionamento das vacinas contra a Covid-19, que atuam com a proteína spike, e quais devem ser os grupos prioritários para tomar o imunizante.

1

Em Salvador: Dep. Abílio Santana é internado após diagnóstico de Covid-19

 

Deputado Abílio Santana é internado em Salvador após diagnóstico de Covid-19
Foto: Divulgação/Ag. Câmara

O deputado federal Abílio Santana (PL) testou positivo para a Covid-19 e está internado no hospital São Rafael, em Salvador. O parlamentar deu entrada na unidade neste sábado (26). O estado de saúde é estável, porém requer cuidados devido ao comprometimento dos pulmões. 

 

A esposa do deputado, pastora Bia Santana, também testou positivo, mas já recebeu alta hospitalar e se recupera em casa seguindo orientações médicas. Informações do BN.

Ex-feirante na Bahia, pesquisador estuda novas vacinas da Covid-19

 

Ex-feirante na Bahia, pesquisador estuda novas vacinas da Covid


Aos sete, Guga já trabalhava na roça da família, plantando feijão e milho e, depois, vendendo os alimentos na feira em Tucano, interior da Bahia. Na adolescência, teve a própria banca onde vendia carne.

Repetiu três vezes a oitava série e, aos 18, decidiu que teria destino diferente dos irmãos, que abandonaram os estudos no ensino fundamental.

Hoje, o imunologista Gustavo Cabral de Miranda, 38, com pós-doutorado na Universidade de Oxford, integra o time de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, que, em conjunto com o InCor (Instituto do Coração), busca desenvolver uma vacina contra o coronavírus a partir de partículas semelhantes a vírus, as VLPs (virus-like particles).

Vinte anos separam o momento da virada na vida do doutor Miranda. "Sempre fui um menino esperto para negócios. Vendia geladinho, comprava galinhas, vendia, comprava um porco, depois já tinha um bezerro", lembra.

Após sair de casa aos 15, foi trabalhar como ajudante em um açougue e passou a morar em Euclides da Cunha (BA).

Um ano depois já tinha sua banca de carne e, em seguida, comprou a segunda banca, em Monte Santo (BA).

"Ia para a escola à noite, mas não conseguia concluir o ano letivo. Acordava às 3h para ir para o açougue. Trabalhava até as 15h, voltava para casa e tinha que fazer minha comida."

Após repetir três vezes a oitava série, veio a frustração de não ver perspectiva na vida da forma como estava. "Desde criança, eu queria ser 'gente grande'. Olhava para os 'estudados' e via que eles tinham uma vida boa, a vida que eu queria para mim. Decidi que ia estudar também."

Vendeu as bancas de carne e a moto e voltou para a cidade natal, onde, com a ajuda da família, pode se dedicar somente aos estudos.

Aos 21, no fim do ensino médio, matriculou-se numa escola privada para se preparar para o vestibular. Prestou e passou em ciências biológicas na Universidade do Estado da Bahia, no campus do Senhor do Bonfim.

"Tinha residência universitária e foi para lá que eu fui. Comecei a trabalhar com saúde pública e meio ambiente, doenças parasitárias e comunidades quilombolas."

Foi o primeiro da família a se graduar. Em seguida, fez mestrado em imunologia na Universidade Federal da Bahia, com foco em doenças parasitárias e nanotecnologia. O doutorado foi na USP, em São Paulo, em imunologia. Tinha bolsa de pesquisa e morava na residência universitária.

"Eu via o pessoal fazendo o doutorado sanduíche, indo para outros países e decidi que seguiria o mesmo caminho. Mas meu inglês era muito mediano. Fui então para o instituto de engenharia e nanotecnologia do Porto, em Portugal." Nesse período, fez um curso de imersão de inglês na Irlanda. "Foi um mês que pareceu um ano."

Ao terminar o doutorado na USP, foi aceito em um pós doutorado na Universidade de Oxford, Reino Unido. Ficou lá três anos e meio trabalhando com vacinas no Instituto Jenner, referência mundial e onde foi desenvolvida a "vacina de Oxford", licenciada pela farmacêutica AstraZeneca.

Seu foco de pesquisa foram as VLPs. Essas partículas possuem características semelhantes às de um vírus e, por isso, são facilmente reconhecidas pelo sistema imunológico.

Porém, não têm material genético do agente infeccioso, o que impossibilita replicação. Por isso, são seguras para o desenvolvimento de vacinas.

"Com essa tecnologia, trabalhei com vacinas com VLPs aplicadas para malária, para o vírus da zika. Fui para a Suíça e continuei trabalhando com essa tecnologia. Tinha um ótimo salário, uma vida bacana, mas, pessoalmente, estava mal. Então, voltei ao Brasil."

No final do ano passado, Miranda teve seu projeto sobre o uso das VLPs aplicadas em vacinas para o vírus da zika e da chikungunya aprovado pela Fapesp. Em março deste ano, com a pandemia de coronavírus, mudou o alvo para o agente infeccioso que já matou quase 200 mil no Brasil.

"Desde então, não parei nenhum dia. Sinto-me à vontade para criar, para produzir."

Embora a tecnologia das VLPs ainda não esteja sendo aplicada em nenhuma vacina contra o coronavírus em estágio avançado, o pesquisador vê boas possibilidades para o futuro. "É bem promissora, mas não para agora."

Da bancada do laboratório, Miranda se entusiasma com a resposta rápida que a ciência deu para o desenvolvimento de vacinas contra o o coronavírus, mas, ao mesmo tempo, teme a pressão política em torno da imunização.

"Temos que ter muita cautela nesse momento. Se a gente, por pressão política, tirar a autonomia de instituições como a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], será um prejuízo gigantesco."

Segundo ele, embora qualquer vacina aprovada seja segura e eficiente, é preciso cuidado ao levantar bandeiras para o uso em massa de vacinas apenas com resultados preliminares de estudos. "A fase 3 é muito importante, envolve milhares de pacientes."

Miranda diz que seu temor é que, como o uso emergencial poderá imunizar bilhões de pessoas, se ocorrer algum problema de saúde pública envolvendo alguma das vacinas, será uma arma utilizada por movimentos antivacinas.

"Se perdermos a confiabilidade na produção de qualquer vacina, será um prejuízo histórico muito grande."

Em 2021, além da pesquisa, Miranda lecionará no doutorado do departamento de biotecnologia da USP uma disciplina sobre o desenvolvimento de vacinas e de diagnóstico, usando nanotecnologia.

Sua história de vida serviu de inspiração para o irmão mais novo, Willian, 32.

Seguindo os passos do pesquisador, ele fez graduação em geografia, mestrado e doutorado em geografia física na USA, e um "sanduíche" na Universidade Columbia (EUA).

"Ele fez uma baita carreira acadêmica. É o meu segundo maior orgulho. O primeiro é painho [Washington, 68] e mainha [Maria das Graças, 63]. Não vejo a hora de capinar com painho, só nós dois na roça."


fonte: CLAUDIA COLLUCCI/FOLHAPRESS - 27/12/2020

Economia: Por que fabricantes de papel higiênico estão assustados com alta de custos no Brasil

 Fabricantes brasileiros de papéis para fins sanitários — que incluem papel higiênico, papel toalha, guardanapos e lenços — alertam para alta de custos de dois dígitos nos insumos necessários para a produção desses itens.

Fabricantes de papel higiênicos estão em alerta após encarecimento da matéria-prima no Brasil© BBC Fabricantes de papel higiênicos estão em alerta após encarecimento da matéria-prima no Brasil

A indústria também se queixa da resistência das grandes redes de supermercados em aceitarem reajustes de preços dos produtos, de forma a compensar a alta de custos do setor.

A associação que representa os fabricantes descarta desabastecimento para os consumidores finais, mas teme que o desequilíbrio financeiro gerado por esse descasamento entre custos aos produtores e preços aos compradores resulte em falência e aquisições de pequenas empresas, levando a uma maior concentração do setor, o que seria prejudicial ao mercado como um todo.

Celulose subiu e oferta de aparas diminuiu

Segundo a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), os principais insumos utilizados na produção do papel higiênico e outros papéis sanitários tiveram forte alta de preços este ano: celulose, aparas de papel brancas e marrons, embalagens plásticas e de papelão, energia elétrica e GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), utilizado na secagem do papel.

"Muitas matérias-primas, a começar pela celulose, são indexadas ao dólar, e a nossa moeda foi uma das que mais se desvalorizou durante esse ano, acima dos 20%. Só isso já é um impacto enorme", diz João Carlos Basilio, presidente-executivo da Abihpec.

Pedro Vilas Boas, diretor da Anguti Estatística, consultoria especializada no mercado de papel, destaca ainda a alta de preços do papel maculatura, utilizado nos tubetes marrons do papel higiênico e toalha.

"Esse papel é feito com aparas marrons, que nos dois últimos meses subiram 40%", diz Vilas Boas. "Isso aconteceu por falta de material. Essas aparas vêm das caixas de papelão ondulado dos produtos vendidos em lojas e shopping centers. Quando eles ficaram fechados, esse material deixou de ser recolhido, gerando escassez no mercado."

Por motivo semelhante, também houve alta de preços nas aparas brancas, utilizadas na fabricação dos papéis higiênicos mais baratos, que são feitos com material reciclado.

Em embalagens plásticas, o motivo da alta de preços, segundo Vilas Boas, é tanto o custo da resina plástica, que é atrelado ao dólar e à cotação internacional do petróleo, como as paradas da indústria de embalagens no momento de distanciamento social mais duro da pandemia.

"Pelas fábricas ficarem paralisadas muito tempo, ocorreu uma demanda muito maior que o previsto e aí, entre a oferta e a procura, o mercado foi aumentando seus preços e oferecendo para quem paga mais", diz Basilio, da Abihpec.

Supermercados não aceitam reajustes, diz entidade

Conforme o executivo, o problema para a indústria é que ela não tem conseguido repassar ao varejo todas essas altas de custos.

No IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação no país, o papel toalha acumula deflação de 7,32% até novembro, enquanto o papel higiênico tem alta de preço de 3,24% em 11 meses.

A Abihpec estima que as aparas de papel acumulam alta entre 26% e 31% entre janeiro e novembro. Já o GLP teve aumento de 3,5% somente em outubro, enquanto materiais de embalagens, como as caixas de papelão, registrando alta de cerca de 10%; filme plástico liso, alta de 11,5%; filme impresso, alta de 9%; e a maculatura, alta de 7,5%.

Falta de matéria-prima não afetou somente a indústria de papéis, mas também de embalagens de plástico© BBC Falta de matéria-prima não afetou somente a indústria de papéis, mas também de embalagens de plástico

"Os preços que estão sendo praticados hoje, vendendo para os supermercados, para muitas fábricas não chegam nem a repor os estoques pelos custos atuais", afirma Basilio.

O presidente da associação destaca que o comércio já recuperou a atividade, com os supermercados acumulando um crescimento de vendas de mais de 6% até outubro, na comparação com igual período de 2019.

"Mas sabemos que o poder aquisitivo da população brasileira não vem crescendo na mesma proporção. Assim, os supermercados têm receio que a demanda caia e, por isso, pressionam seus fornecedores, tentando resistir à alta de preços."

Não há nenhum risco de desabastecimento

Apesar desse desequilíbrio no mercado, o presidente da Abihpec garante que não há nenhum risco de desabastecimento de papéis para fins sanitários no mercado.

"Não existe absolutamente nenhum risco de desabastecimento. O risco é zero", diz Basilio.

"O que estamos alertando é que, nessas condições, há a possibilidade de que pequenas indústrias que fabricam papel higiênico não tenham fôlego para suportar essa pressão e possam ser compradas por grandes empresas. Pode haver uma maior concentração de marcas", afirma o executivo.

O mercado brasileiro de papel higiênico é hoje bastante pulverizado. Segundo Vilas Boas, da Anguti Estatística, o país conta atualmente com 59 fabricantes.

A maior empresa do mercado é o grupo chileno CMPC, que comprou em 2009 a Melhoramentos Papéis e, no ano passado, adquiriu a paranaense Sepac, passando a unir as marcas Elite, Sublime, Duetto, Paloma, Stylus e Maxim.

Outras grandes são a Kimberly-Clark (dona de marcas como Neve, Scott e Kleenex) e a Santher (que contas em seu portfólio com Personal, Snob e Kiss, entre outras marcas), mas nenhuma das fabricantes tem fatia superior a 20% do mercado, na estimativa do analista.

"Como o papel higiênico é um produto leve, mas de grande volume, temos diversas fábricas regionais em todo o país", explica Basilio. Essa é uma estratégia para que os fornecedores fiquem próximos aos mercados consumidores, do contrário, o custo de frete acaba inviabilizando o lucro.

"Essas são pequenas indústrias, que estão sofrendo, porque não conseguem repassar para o preço de seus produtos os custos que estão recebendo devido à alta de matérias-primas."

Problema deve começar a passar a partir de março

Apesar do desarranjo no mercado, a Abihpec avalia que a pressão sobre custos deve começar a se dissipar em 2021.

"Acreditamos na possiblidade de que, lá para março, haja uma reversão desses preços, quando o mercado se normalizar. Isso é uma expectativa", diz Basilio.

Consultor prevê que preço da celulose em pasta deve diminuir em breve, principalmente por conta da queda do dólar
© PA Media Consultor prevê que preço da celulose em pasta deve diminuir em breve, principalmente por conta da queda do dólar

Essa também é a avaliação de Vilas Boas, da Anguti Estatística.

"No caso da celulose, o dólar já está perdendo força, então o preço da pasta em reais deve se estabilizar", prevê o consultor.

"No caso de aparas, os shoppings voltaram, as lojas de ruas estão muito fortes, e tudo isso produz aparas marrons, que estão voltando para o sistema. Então acreditamos que, no começo do ano, já deve haver uma normalização desse mercado, talvez com alguma queda de preços."

Ainda segundo Vilas Boas, no mercado de plásticos, a expectativa é de que, com o fim do auxílio emergencial e a redução do excesso de demanda, também os preços se estabilizem, diante da diminuição esperada do consumo.

Não há escassez de matéria-prima, dizem fornecedores

Procurada, a Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), associação que representa a cadeia de produtos de base florestal, disse através de nota que a indústria nacional de celulose e papel tem insumos suficientes para atender ao mercado.

"Mesmo nos períodos de maior procura por papel higiênico, papel toalha e lenços de papel, as prateleiras do varejo estavam abastecidas para atender ao consumidor. Essencial, essa indústria permanece trabalhando durante a pandemia, com operações reorganizadas para garantir a segurança dos trabalhadores, empenhada em atender ao mercado."

Também procuradas, a Abras e a Apas, respectivamente a associação brasileira e paulista de supermercados, não se posicionaram até o fechamento desta reportagem.

fonte:BBC NEWS - 27/12/2020