sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Esquema de ex-governador Mauro Mendes leva PF a gestora no coração da Faria Lima

                                                foto:reprodução



 A engenharia financeira montada para esconder os valores obtidos pelo ex-governador Mauro Mendes (União-MT) em um acordo entre o estado de Mato Grosso e a Oi levou agentes da Polícia Federal (PF) ao coração da Avenida Brigadeiro Faria Lima, centro financeiro do país, nesta quinta-feira (6/8).

A PF cumpriu mandado de busca e apreensão na sede da  Planner, em São Paulo. A gestora pertenceu a Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, que depois abriu a Trustee DTVM com uma cisão de ativos da Planner, em 2020.

Na Planner, os agentes foram investigar dois Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC): o Golden Bird e Rhodes. Esses fundos são suspeitos de serem usados para ocultar recursos de Mendes.

Criado em 2018, o Golden Bird foi administrado pela Sefer Investimentos, alvo da PF e liquidada pelo Banco Central (BC) em junho. Depois, segundo a investigação, o fundo foi administrado pela Planner. Segundo a PF, o Golden Bird é controlado pelo pai do deputado Fábio Garcia (União-MT) e por outro fundo.

O Golden Bird também possui 86,3% das cotas do FIDC Lotte Word. A partir do Lotte Word, a PF descreve uma “cascata” de fundos, que tem como objetivo dificultar o rastreio do dono dos recursos. O Rhodes FIDC, aberto em junho de 2024 etambém administrado pela Planner conforme a investigação policial, está inserido nessa estrutura.

Por meio da assessoria de imprensa, a Planner negou as informações da PF e disse que nunca administrou o Gold Bird FIDC. A gestora ainda afirma que renunciou da administração do Rhodes FIDC.

“A Planner prestou às autoridades os esclarecimentos ao seu alcance e indicou instituições responsáveis pela administração dos fundos mencionados”, disse a gestora, em nota.

Os dois fundos administrados pela Planner sofrem sequestros de bens e valores, além do congelamento das contas bancárias. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).


Entenda o esquema

  • Em 2009, o governo de Mato Grosso cobrou mais de R$ 500 milhões de ICMS não pago da Oi.
  • A empresa pagou, mas reabriu o caso depois de uma decisão de repercussão geral do Supremo.
  • A Procuradoria-Geral do Estado nem contestou e decidiu firmar um acordo, que foi sancionado em minutos pelo então governador Mauro Mendes.
  • O escritório Ricardo Almeida Advogados Associados comprou os direitos creditórios (letras financeiras que são garantias de pagamento da dívida) de R$ 389,9 milhões por R$ 80 milhões, com desconto de quase 80%.
  • Depois, o estado de Mato Grosso aceitou pagar R$ 308,1 milhões pelos mesmos direitos creditórios.
  • A sobra, cerca de R$ 200 milhões, foi distribuída para as cadeias de fundos que beneficiaram a família do ex-governador Mauro Mendes e o deputado Fábio Garcia. Ambos, do União de Mato Grosso.

  • Fonte: , /Metropoles -07/08/2026

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