quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Saúde: Pesquisa mostra que 4 em cada 10 brasileiros com Covid-19 usaram medicamentos ineficazes contra a doença


                                      A época, o então presidente brasileiro divulgava alguns desses medicamentos-foto:repórter Brasil


O estudo “Padrões de uso de medicamentos em indivíduos com covid-19 no Brasil: Epicovid 2.0”, da Universidade Federal de Pelotas e da University of Illinois Urbana-Champaign (Estados Unidos), revelou que 39% dos brasileiros infectados pela Covid-19 usaram medicamentos sem eficácia comprovada para tratar a doença.

Dos quase 9,6 mil participantes que relataram ter contraído o vírus, 63% tomaram algum tipo de medicamento. Os antitérmicos foram os mais procurados (citados por 53,7% dos entrevistados), mas o uso de substâncias não recomendadas para tratar os sintomas da doença chamou a atenção: a azitromicina foi consumida por 27,2%, a ivermectina por 23,6% e a cloroquina por 12,1%. Quase 5% dos pacientes chegaram a tomar os três medicamentos.

A pesquisa identificou que o consumo dessas substâncias foi mais alto entre mulheres, evangélicos e pessoas de menor renda e escolaridade. Fatores políticos e sociais, como religião e confiança na ciência, também influenciaram o tratamento da Covid-19. Os evangélicos consumiram mais cloroquina (15,1%) e ivermectina (27,7%) em relação aos católicos e às pessoas sem religião — possivelmente devido à influência de líderes religiosos.

Por outro lado, ficou claro que a desconfiança na ciência aumentou significativamente o uso de remédios ineficazes para o tratamento da doença: os desconfiados apresentaram o dobro da taxa de consumo de cloroquina (20,6%) em relação aos que acreditam nos cientistas (10,1%). Esses dados refletem o impacto das campanhas de desinformação e da politização do debate científico.


fonte:Midianinja-10/09/2026

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