Sandro tinha 28 anos foto: reprodução/facebook
Uma briga entre um cliente e uma funcionária do supermercado Hiper Bompreço, no Iguatemi,
por volta das 21h, vitimou o jornalista Sandro Ferreira Santos, 28 anos, foi
esfaqueado no estacionamento por um homem, identificado pela polícia
como o guardador de carros conhecido como Coveiro e Pasta Pura, após ter
discutido com a atendente Lucimara Alves dos Santos para reivindicar um
crédito de R$ 11,98 que ficou pendente em uma compra de iogurtes. Ele
chegou a ser atendido pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos e
morreu a caminho do HGE.
Segundo o companheiro do jornalista,
que morava com ele no Engenho Velho de Brotas, o vendedor Jefferson
Souza(29) Sandro comprou duas garrafas de iogurte na quarta-feira e,
depois de pagar, percebeu que o valor cobrado, de R$ 5,99, diferia do
preço que estava no iogurte, de R$ 1,99. “Ele chegou em casa dizendo que
discutiu com a atendente e que ela foi mal educada. Ele se sentiu
injustiçado e queria o valor em dinheiro, mas ela só deu um cupom
vale-troca”.
Segundo o boletim policial do Departamento de
Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o jornalista esteve no
supermercado três vezes para reaver o dinheiro. Na sexta-feira, Sandro
voltou a discutir com Lucimara e com outra atendente Rosemeire Marta
Oliveira. “Ele trocou o cupom por pipoca e biscoito, mas ainda sobrou
dinheiro. Pode ser que ela tenha se negado a dar o troco em dinheiro”,
disse Jefferson — a nota encontrada no bolso de Sandro mostra que, após a
troca, ainda restava R$ 1,19 de troco.
Na
confusão, o Samu foi chamado porque Lucimara torceu o pé e Sandro teve
um mal-estar devido a uma gastrite nervosa. No meio do atendimento,
quando estava sentado em uma cadeira de rodas a caminho da ambulância, o
rapaz foi surpreendido com uma facada no lado direito do pescoço. Um
funcionário do Bompreço contou ao CORREIO que o assassino era amigo de
uma das atendentes e que ficou revoltado com a grosseria do cliente na
discussão. Através da assessoria de imprensa, o DHPP informou que
policiais estão nas ruas à procura de Coveiro.
Familiares ainda
reclamam do sumiço da mochila do jornalista, com um notebook dele. A
polícia diz que vai investigar se foi roubada. A mãe de Sandro, a
servidora pública Maria José Pinheiro, 47, disse que vai entrar com uma
ação contra a rede de supermercados. “Nada vai devolver a vida dele,
mas a supervisão (do mercado) tem culpa nisso. Vou botar o mercado na
Justiça”. Em nota, o Bompreço informou apenas que está colaborando com
as investigações e que vai prestar todos os esclarecimentos à polícia.
Sandro
foi enterrado, ontem à tarde, no Cemitério da Ordem Terceira de São
Francisco. Ele se formou em Jornalismo em 2008 e cursava pós-graduação
em Gestão de Projetos na Unijorge. Segundo familiares, era tranquilo.
“Ele não tinha problema com ninguém. Nada justifica isso. Nada
justifica essa covardia”, lamentou Maria José. “Ele não era de briga”,
contou o tio do jornalista, o motorista Gerson Bispo de Santana, 57.
Apesar disso, amigos contaram que ele lutava por seus direitos. “Já
presenciei ele discutindo e dizendo que a pessoa perderia o emprego.
Essa mulher pode ter dito um desaforo e ele não aceitou”, disse
Jefferson.
Fonte:Correio da Bahia