• Praça do Feijão, Irecê - BA

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Irecê: Prefeitura divulga balanço e comemora êxito do São João 2018





A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé e atividades ao ar livre
foto: A estátua de ireceense Dinho feita pelo artista plástico Jailton foi uma das atrações do S.João/reprodução 



Os 40 anos do São João de Irecê foram comemorados em grande estilo em sua edição de 2018. A festa, que homenageou o seu criador, o saudoso professor Jorge Rodrigues, contou com atrações de peso como Adelmário Coelho, Dorgival Dantas, Jonas Esticado, Luan Estilizado, César Menotti e Fabiano, Carlos Pitta, Wallas Arrais, Jorge de Altinho, Fernando Mendes, Os Nonatos e Gilliard; reunindo grandes públicos nos seus três circuitos - Praça Clériston Andrade, Vila Caraíbas e Mercadão do Zé Bigode. 

Entre os dias 21 e 25 Irecê respirou a mais autêntica cultura junina, indo além das apresentações musicais. A abertura contou mais uma vez com uma belíssima Cavalgada pelas ruas da cidade, seguida do tradicional Desfile de Carroças, atração que acontece desde a sua primeira edição. Uma inovação deste ano foi o Corredor do Forró na avenida que liga os dois circuitos principais de shows. Nela, o Trator do Forró arrastou os foliões de um local ao outro, fazendo a festa acontecer praticamente sem intervalo. 
A Vila Caraíbas, cidade cenográfica que recebe réplicas de construções antigas da cidade, também se consolidou como espaço ideal para famílias curtirem atrações culturais como quadrilhas juninas, reisado, bumba meu boi, casamento caipira, dentre muitas outras manifestações.

Assim como em 2017, o São João deste ano se destaca pela paz. Para o coordenador dos festejos, Jazon Júnior, neste período a cidade se envolve pelo clima de alegria, o que contribui para uma maior tranquilidade. "Diante de todas as condições que precisamos nos preocupar para o sucesso do evento, como estrutura, decoração e grade de atrações, a segurança é a mais importante, e graças à nossa parceria com as corporações, o trabalho mais uma vez foi impecável”.

Segundo o delegado da Polícia Civil Ernandes Júnior, houve redução na maioria dos números da segurança da festa esse ano. Foram registradas apenas 12 ocorrências por furto/roubo, três termos circunstanciados por uso de drogas, um por lesão corporal simples e não houve registros de apreensões de armas de fogo e arma branca nos circuitos.
Os dados também apontam que nos três postos de saúde instalados nos circuitos foram registrados 311 atendimentos, sendo que as ocorrências mais frequentes se relacionam a consumo excessivo de álcool e aferição de pressão arterial.

Para o prefeito Elmo Vaz, o São João de Irecê 2018 cumpriu o seu papel cultural, socioeconômico e turístico. “Temos orgulho em fazer uma das maiores e melhores festas do interior do Estado, que se consolida como um dos principais eventos juninos do Nordeste e que também é importante ferramenta de desenvolvimento para a região", afirma. “Para o próximo ano, além de grandes shows, continuaremos enaltecendo a nossa cultura, que, afinal, é o grande esteio disso tudo”.

fonte:ASCOM/reprodução

Feira: OAB pede empenho nas investigações sobre assassinato de advogada


Comissão da OAB pede empenho nas investigações sobre assassinato de advogada
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade | Presidente da OAB(Subseção Feira) Marcus Carvalhal


Sílvia Carvalho -foto:reprodução
Uma comissão instantânea criada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB - Feira de Santana) foi criada para pedir empenho da Polícia Civil na investigação da morte da advogada Sílvia Silva Carvalho. O crime ocorreu na noite de ontem (26), após um sequestro, quando a advogada saiu do escritório em Feira de Santana.
De acordo com o presidente da OAB, Marcus Carvalhal, a comissão foi criada para acompanhar o caso. Ele disse que não tinha muito contato com a vítima e que não tem muitas informações sobre o crime, mas que recebeu a garantia da polícia de empenho nas investigações para chegar a autoria do crime.
“Não sabemos se ela estava sendo ameaçada, particularmente não tinha muito contato com ela, mas ela tinha um trato amistoso com os colegas na sala da OAB. Os advogados, de modo geral, orientam bem seus clientes e informam que a obrigação do advogado é o meio e não o fim. Apresentamos o direito do cidadão para quem vai determinar se ele pode ou não responder em liberdade. Em Feira de Santana não temos relatos de advogados que recebem ameaças”, afirmou.
O delegado Fabrício Linard(foto), titular da Delegacia de Homicídios, destacou que as investigações preliminares já foram iniciadas. Ele afirma que a possibilidade mais certa é de que a real intenção dos bandidos foi matar a advogada Sílvia.
“Eles informavam que se tratava de um sequestro, mas se foi um sequestro, não foi bem sucedido e resultou na morte da vítima. Ninguém sabe se ela tentou fugir e resultou nesses disparos. Apenas a investigação vai poder esclarecer”, afirmou.
Segundo o delegado, quatro homens participaram do crime. Eles estavam em um veículo ainda não identificado e a vítima foi levada junto com a secretária no próprio carro. Dois bandidos ficaram no outro veículo, para onde, posteriormente, a secretária foi transferida.
“No interior do veículo, elas permaneceram juntas por um breve período de tempo, pois, de acordo com a secretária, depois ela foi retirada e lavada para o veículo onde estavam os outros dois indivíduos, então ela não participou de todo o diálogo para nos informar. Ela narra que eles falaram o tempo inteiro que se tratava de um sequestro, mas não ouviu detalhes sobre a motivação do crime. Disse também que em momento algum, enquanto estava no carro, ouviu a voz da advogada”, informou o delegado.
Sobre a comissão, Fabrício Linard disse que como são advogados militantes, a comissão solicitou o empenho máximo da DH na investigação. “Eles tiveram aqui preocupados por acreditarem que a advogada posso ter sido morta decorrente a alguma situação envolvendo a atividade profissional”, afirmou.
Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

MPF nega ter coagido testemunhas em abordagem a sítio atribuído a Lula



MPF nega ter coagido testemunhas em abordagem a sítio atribuído a Lula 
foto:reprodução/MPF

O Ministério Público Federal (MPF) negou ter coagido testemunhas da ação penal do sítio de Atibaia, atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O MPF se posicionou após pedidos de explicações do juiz Sérgio Moro. O eletricista Lietides Vieira, irmão do caseiro do sítio, disse que os procuradores retiraram sua mulher de casa para prestar depoimento na propriedade. O filho do casal, de oito anos, teria acompanhado - o menino faz acompanhamento psicológico por conta da abordagem. 

O pedreiro Edvaldo Vieira afirmou que se sentiu constrangido pelas perguntas sobre o sítio. Quanto à oitiva de Rosilene Ferreira, mulher de Lietides, o MPF disse que a testemunha se dispôs a formalizar voluntariamente o depoimento. "Tendo havido comparecimento voluntário, não há que se falar em condução coercitiva, mesmo porque recusa não houve por parte da testemunha em prestar depoimento, mas sua concordância com a adoção de procedimento que lhe era mais favorável." Informações do BN.

Após saída da Papuda: Zé Dirceu diz que não suportava mais os altos e baixos de Geddel


[Ao sair da Papuda, Dirceu afirma que não suportava mais os altos e baixos de Geddel]
foto:reprodução
Ao chegar em seu apartamento, após sair do Complexo da Papuda na noite da última terça-feira (26), o ex-ministro José Dirceu foi recebido pela mulher, filha e pouquíssimos amigos.
De acordo com o site Nem Amigo Nem Inimigos, ao acordar, na quarta-feira (27), o ex-ministro fez um desabafo afirmando que não suportava mais os altos e baixos de Geddel Vieira Lima e a arrogância de Luís Estêvão, seus companheiros de cela. Se voltar para o presídio, vai pedir para não ficar na mesma cela com eles, afirma o site.
O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/2003 a 2005) foi condenado a 30 anos e 9 meses de prisão pelo TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em ação que investiga o pagamento de propinas da empreiteira Engevix a políticos e diretores da Petrobras.
fonte:Site nem amigos, nem inimigos.

Após morte de PMs, Bahia tem onda de assassinatos, diz site

Caixas para colocar corpos em Feira de Santana, no final de semana de 16 e 17 de junho.
© Fornecido por El Pais Brasil Caixas para colocar corpos em Feira de Santana, no final de semana de 16 e 17 de junho/reprodução
Numa reportagem publicada hoje(28) no site Ponte -direitos humanos,justiça e segurança pública, veicula que "após morte de PMs na capital e na cidade de Feira de Santa(segunda maior do Estado) o Estado vivenciou uma série de assassinatos num curto espaço de tempo.

Confira a baixo a reportagem publicada:

Uma chacina, três duplos homicídios, duas mortes em supostos confrontos com a polícia, um total de 26 pessoas mortas e medo. O cenário é Salvador, capital da Bahia, os dias são 9 e 10 de junho, logo após o policial militar Gustavo Gonzada da Silva ser morto e ter o corpo mutilado. Na região metropolitana, foram mais cinco assassinatos. No final de semana seguinte, o soldado da PM Wagner Silva Araújo, 28 anos, foi morto em Feira de Santana, também na Bahia, e o mesmo roteiro se repetiu: 19 assassinatos em dois dias.
Ouvido pela Ponte, o investigador da Polícia Civil baiana Kleber Rosa, integrante do movimento Policiais Antifascismo, levanta a possibilidade de que várias dessas mortes tenham sido praticadas por policiais como uma retaliação aos moradores das periferias pelas mortes dos colegas. Para ele, a narrativa não deixa dúvida: os homicídios são uma resposta do Estado, a partir da polícia – para ele, “instituição moldada no racismo” – e baseada na vingança e na demonstração de poder.
“É o Estado dizendo assim: ‘tenho que mostrar que sou mais forte’. É uma disputa ilógica. Um comportamento medonho do Estado de tentar medir forças sem usar a Justiça, os meios legais. Não existe legítima defesa aí. O Estado não pode arrogar pra si o direito de matar, sobretudo de uma forma sumária, em nome de uma vingança”, critica.
Todas as execuções seguidas da morte do policial na capital baiana foram praticadas com armas de fogo contra homens jovens e sua maioria em bairros periféricos – apenas 4 na região central da capital baiana, segundo levantamento recebido pela Ponte.
Das mortes na capital baiana, 18 aconteceram ainda em 8 de junho, dia em que a ocorrência da execução do cabo Gonzada foi registrada. O policial estava bebendo com amigos em um bar entre Santa Cruz e Nordeste de Amaralina, onde vivia, quando foi abordado. Após tentar reagir, foi morto. Os assassinos cortaram partes do corpo do PM. A brutalidade gerou revolta em outros policiais.
Kleber Rosa conhecia Gustavo e não soube de qualquer tipo de ameaça que pudesse estar sofrendo. “Eu sou do mesmo bairro, minhas relações estão localizadas lá, ele estudou comigo na mesma escola. Era bem conhecido na região, uma pessoa querida e, antes de ser policial, era morador do bairro, então isso é um elemento problematizador. Tanto é que isso indignou todo mundo, inclusive moradores do bairro que sofrem com a violência policial, porque ele era um morador, foi assassinado próximo da casa dele, num lugar que ele frequentava”, explica.
Soldado Araújo, morto após tentativa de evitar um assalto.
© Fornecido por El Pais Brasil Soldado Araújo, morto após tentativa de evitar um assalto na cidade de Feira. Araújo tinha penas  27 anos.

Um áudio atribuído ao deputado soldado Prisco (PSDB) demonstra a reação da tropa. “A morte do nosso colega Gonzada nos causou muita dor, muita revolta e muita indignação. A resposta tem que ser dada e tem que ser dada à altura. O bandido não pode dominar o nosso Estado”, diz a suposta mensagem do parlamentar. “O colega foi assassinado, humilhado, esbagaçado por esses marginais. E essa resposta tem que ser dada à altura. Estou aqui à disposição para ajudar vocês a caçar esses marginais e dar essa resposta”, segue.
Ponte questionou o soldado Prisco sobre se, de fato, é ele quem gravou o áudio propagado pelo WhatsApp, mas o político não respondeu ao e-mail da reportagem.
O investigador Rosa conta que a polícia fez “literalmente um cerco” no Nordeste de Amaralina depois do assassinado do PM Gonzaga. “O bairro foi sitiado. Eu recebi uma série de ligações de pessoas preocupadas, sem saber como agir, sem saber o que fazer com familiares, que podiam ou não ter antecedentes [criminais]. Pessoas, por exemplo, não tinham nem como sair do bairro, porque se fossem parados por uma blitz poderiam acabar em um fim trágico [por terem passagem]. Foi o final de semana mais violento do ano, com certeza”, afirma Rosa.

Medo coletivo

O resultado é uma sensação coletiva de medo nas regiões pobres da capital baiana. Há duas semanas, a Ponte busca familiares de vítimas dos homicídios nestes dois dias. Nenhuma pessoa aceita falar. Até mesmo movimentos e associações que denunciam violência de Estado têm preferido se preservar. Nos registros das ocorrências, há casos de números de telefone incorretos dados pelos parentes de pessoas mortas, outro indicativo do medo. A reação de uma familiar a um telefonema da reportagem deixa claro o alcance desse temor. “Como você conseguiu o meu contato?”, questiona. “Só falei o que precisava para a polícia e os movimentos, não autorizei mais nada. Não quero falar sobre esta história”, encerra.
Para Kleber Rosa, que tem experiência de quase duas décadas na Polícia Civil, o episódio desnuda uma política de segurança que passa pela dita “guerra às drogas”, mas que, no final das contas, “é um salvo conduto para matar”. “A política de segurança de Estado sempre esteve voltada para controlar, exterminar, combater a população negra, isso tudo com o objetivo de viabilizar a sociedade branca pós-escravista. O modelo que permanece se estendendo até hoje faz com que a estrutura da polícia esteja montada para um determinado tipo de crime, que acontece em determinada região e que coloca, portanto, todo o morador daquela região como inimigo”, avalia.
O problema não é só da Bahia, mas no Brasil como um todo, explica Rosa. “É uma política racista que encarcera em massa, que mata em massa a população e que controla mesmo em condição de liberdade, porque o que acontece nos bairros onde se concentra população negra é o que podemos considerar encarceramento ao ar livre. Ou seja, as pessoas estão vivendo em uma condição de permanente de vigilância e violência mesmo a céu aberto. O que aconteceu há duas semanas? As pessoas ficaram presas, sitiadas, não tiveram coragem de sair de casa, de sair do bairro. O clima ainda é tenso, as pessoas não estão falando”, diz.
A ouvidora da Defensoria Pública da Bahia, Vilma Reis, critica o banho de sangue e a rotina de pavor desde os crimes. “No bairro Nordeste, está todo mundo apavorado. Foram cinco assassinatos lá motivados pela morte desse policial. Não se pode admitir uma sociedade de vingança, é uma barbárie”, conta.
Um pesquisador sobre a violência na Bahia comparou a reação à execução do cabo Gonzada como “a versão baiana dos crimes de maio” de 2006 em São Paulo, quando houve uma resposta do Estado aos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) com uma matança indiscriminada nas periferias. Nos números oficiais, 493 pessoas morreram na reação aos ataques da facção criminosa. “Cobraram geral pela morte do cabo, a periferia está com muito medo. Nessa onda de mortes, muitos não tinham passagem pela polícia. São fortes indícios de que ocorreu a pratica de extermínio”, explica o profissional, sob a condição de anonimato, temendo represálias.

Os mortos em Salvador

A chacina registrada no dia 9 ocorreu no bairro Ceasa. Já os bairros I.A.P.I., Cosme de Farias e Saboeiro tiveram, cada um deles, um duplo homicídio registrado. O cabo Gustavo foi a primeira vítima do fim de semana, seguido por Mario Souza Santos, Lucas Puig Maia Mesquita, Rafael Lucas Franco Matos, Caique Leonardo Santana de Souza, Flavio Reis dos Santos Júnior, Paulo Ricardo Ramos da Silva, Flávio Lucas Souza Penas dos Santos, Josué da Cruz, Samuel da Cruz Batista, Eliomar da Cunha Rosa, Evandro Silva Santos, Uenderson Gabriel de Oliveira, Diego de Jesus, Genilson de Freitas Santana, Jean Carlos dos Santos, Emerson de Santana Santos, Renivan Barbosa dos Santos, Eduardo de Jesus Santos, Yuri Oliveira da Cruz, Icaro Caio Oliveira Mendes, Alípio Pinheiro de Almeida, Rainer Bispo de Araújo e de outras quatro vítimas não reconhecidas – duas delas vítimas de suposto confronto com a polícia. Todas as vítimas, incluindo o PM, são negras.
Essa reportagem foi publicada originalmente no site Ponte.
fonte:  Arthur Stabile e Maria Teresa Cruz (Ponte)MSN/reprodução

' Quem saiu da miséria é Lulista', diz ex-porta-voz de Lula


André Singer: 'Lula tem evitado construir seu substituto', afirma André Singer, cientista político que cunhou o termo lulismo
foto:reprodução
Há quase três meses na prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém suas intenções de voto no patamar de 30% nas pesquisas eleitorais para a sucessão presidencial. A resiliência dos números do petista, segundo o cientista político André Singer, é fruto da lealdade de eleitores que superaram a miséria no período entre 2003 e 2010 graças a políticas públicas, como o Bolsa Família, criadas pela gestão petista.
De acordo com Singer, esse grupo de eleitores - pobres, conservadores e até então avessos a candidatos de esquerda - se converteu à Lula em 2006 depois de ver implementado um programa de governo que, de forma não revolucionária, reduziu a pobreza sem alterar o status quo da sociedade brasileira, o chamado lulismo.
Doze anos mais tarde, esse eleitorado se mantém fiel, embora nesse meio tempo, o lulismo tenha ido do auge - com a reeleição de Lula e a chegada de Dilma Rousseff ao Planalto - à crise, com as jornadas de junho de 2013, o impeachment da petista, em 2016, e a prisão de Lula em 2018.
  • Ex-porta-voz do governo Lula e uma das principais vozes intelectuais dentro do PT, Singer se debruça sobre as razões do declínio do lulismo em seu recém-lançado O Lulismo em Crise (Companhia das Letras). Para ele, os movimentos de Dilma para tentar acelerar as transformações sociais trazidas pelo lulismo - por meio de forte intervenção na economia e política econômica desenvolvimentista -, sua aversão a antigos aliados partidários e seu estilo pessoal de gestão a levaram à queda.
Em entrevista à BBC News Brasil, ele analisa os movimentos que levaram ao impeachment de Dilma e destrincha seus efeitos para o cenário atual de sucessão presidencial.
BBC News Brasil - Se Lula tivesse sido eleito em 2014, no lugar de Dilma, o desfecho do impeachment e crise teria sido o mesmo?
André Singer - Provavelmente não. Provavelmente ele teria de início enfrentado as mesmas dificuldades porque o quadro que estava posto já era um quadro muito difícil já que os dois ensaios que a Dilma realizou, o desenvolvimentista e o republicano, acabaram gerando duas frentes opostas. No entanto, o Lula é um político com uma habilidade e com um acúmulo de experiência que talvez hoje não tenha igual no Brasil tirando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - eles são relativamente paralelos embora haja diferenças entre ambos.
Com essa experiência e essa capacidade, ele teria enfrentado essas mesmas dificuldades de outra maneira. E ele não se furtou a dar sugestões para Dilma, na verdade mais do que sugestões, ele deu uma orientação sobre o que ela deveria fazer logo após a reeleição. Esse é, aliás, um momento muito agudo de todo o processo que levou ao impeachment porque, se houve um afastamento entre Dilma e Lula, o momento de maior afastamento foi exatamente aquele pós-reeleição dela, em que há praticamente uma ruptura.
Entre novembro de 2014 e outubro de 2015, a ex-presidente Dilma resolveu fazer tudo por conta dela, quase como se estivesse imaginando que aquele era o momento de fazer o seu governo, o que se mostrou um erro de cálculo incrível. Não que ela não tivesse direito a fazer o governo dela, mas o problema não está na legitimidade, mas tinha contra ela uma frente antidesenvolvimentista muito poderosa e uma frente antirrepublicana majoritária no Congresso, como já estava evidente com a vitória de Eduardo Cunha em fevereiro de 2015.
Dilma Rousseff durante sessão de impeachment no Senado: Singer admite que, se Lula tivesse sido eleito em 2014 no lugar de Dilma, impeachment poderia não ter ocorrido
© Marcos Oliveira/Agência Senado Singer admite que, se Lula tivesse sido eleito em 2014 no lugar de Dilma, impeachment poderia não ter ocorrido

BBC News Brasil - A atuação de Dilma em relação à Operação Lava Jato gerou mal-estar no PT? O combate à corrupção abalou a sustentação dada pelo partido a ela?
Singer - Esse assunto nunca ficou claro e a pesquisa que eu fiz não permite fazer afirmação categórica a respeito. O que aparece aqui e ali é que houve resistência de setores em relação a determinadas medidas, mas isso nunca ficou explícito e o partido nunca tomou uma posição oficial contrária ao movimento que ela fez no sentido de retirada de círculos clientelistas incrustrados no Estado, ou seja, sobre isso não há elementos claros.
BBC News Brasil - O lulismo errou em sua interpretação sobre a mobilidade das classes? Há fidelidade entre os pobres e o lulismo?
Singer - Você tem um primeiro movimento que é a ascensão dos miseráveis. Esse é o mais forte de todos os movimentos que o lulismo produziu. Segundo o economista Valdir Quadros, tínhamos 24% de miseráveis em 2002 e essa proporção cai para 7% em 2014, na população brasileira. Aqui você tem uma redução importante e que tende a ser estrutural. Quanto a isso, não houve engano, os dirigentes do lulismo entenderam bem o que estava acontecendo e souberam tanto gerenciar esses programas que levaram a esse resultado quanto compreender os seus limites.
O que houve foi um aproveitamento de propaganda, tentando em algum momento fazer com que parecesse que esses brasileiros que saíram da miséria estavam indo direto para uma condição de classe média, como se fosse praticamente um milagre, o que na realidade não aconteceu. O que aconteceu foi um movimento importante de saída da condição miserável de uma parcela expressiva da população, mas que entrou numa condição de pobreza, não de classe média. E é por isso que quando você olha para o número de pobres, segundo os dados do Valdir Quadros, em 2002 nós tínhamos 29% de pobres e esta proporção cai para 23%.
A redução é muito menor, não porque os pobres de 2002 não tenham melhorado de vida, eles certamente melhoraram, mas foram substituídos por novos pobres que eram os antigos miseráveis. Com isso, o estoque de pessoas em condição de pobreza ficou relativamente estável. Eu não estou subestimando a importância dessa ascensão, porque significa a diferença entre comer 3 vezes ao dia e não comer.
Lula ao lado de eleitora em caravana no Nordeste: De acordo com Singer, eleitores muito pobres que melhoraram de vida graças a programas sociais compõem hoje o eleitorado de Lula© Divulgação/Ricardo Stuckert De acordo com Singer, eleitores muito pobres que melhoraram de vida graças a programas sociais compõem hoje o eleitorado de Lula
Esses antigos pobres que melhoraram de condição, e foram em número expressivo, de dezenas de milhões, entraram no que chamo de uma nova classe trabalhadora, e aí sim houve um engano dos dirigentes do lulismo, que não se aplicaram ao trabalho de politização dessa nova classe trabalhadora que precisaria ter sido conscientizada de que não estava mudando de condição apenas por seus próprios méritos, mas sim porque houve um conjunto de políticas públicas orientadas para ajudar esse setor a mudar de condição.
Não existindo esse trabalho de politização, você encontra uma quantidade significativa de pessoas que transitaram de uma condição de pobreza para a nova classe trabalhadora e que entendem que essa ascensão decorreu de seus méritos individuais. Claro que os méritos individuais existem, mas quando você olha para o conjunto, para o movimento de classe, você percebe que o mérito individual não é suficiente. Uma pessoa pode ser muito trabalhadora e talentosa, mas se não tem emprego disponível, ela não consegue.
BBC News Brasil - Para os miseráveis, o lulismo ficou marcado por conta de políticas como o Bolsa Família, é isso? Já o pobre que ascendeu não teve uma marca tão forte a ligá-lo com o lulismo?
Singer - É exatamente isso, e isso tem um resultado político muito importante. Porque os antigos miseráveis que receberam um auxílio, esses se tornaram lulistas de carteirinha, tão fiéis que agora estão declarando voto no ex-presidente Lula mesmo ele estando preso. Os outros não tiveram essa percepção, uma parte significativa dos antigos pobres que se tornaram classe trabalhadora não perceberam esse movimento como um resultado de lulismo e não estabeleceram esse canal de lealdade que os antigos miseráveis estabeleceram.
BBC News Brasil - Por outro lado, há uma fatia do eleitorado que votava no Lula e agora expressa preferência por Bolsonaro. O que explica esse movimento?
Singer - O que está motivando o grosso da intenção de voto no ex-presidente Lula é a memória que ficou de um tempo melhor e a associação do lulismo com uma ascensão social que abria novas perspectivas de vida, as pessoas querem que isso volte. Isso é um elemento forte. A passagem de eventuais eleitores que declaram voto no ex-presidente Lula e na ausência dele podem declarar a intenção de votar no Bolsonaro está ligado ao fato de que, provavelmente, também para estas pessoas, a questão da segurança passou a ser prioritária.
Esse é um fenômeno novo no Brasil: juntamente com a aspiração por emprego, saúde e educação, há o desejo por segurança pública. Houve um aumento significativo da criminalidade no Brasil nos últimos 20 anos e em certas periferias metropolitanas fala-se em uma situação desesperadora. É compreensível que pessoas que tenham uma certa distância da informação política e do debate político não identifiquem a enorme polarização que existe entre Bolsonaro e Lula, porque na realidade, quando você olha mais de perto, percebe que o Bolsonaro e seus eleitores querem eliminar o lulismo, então é claro que há uma certa dessintonia entre poder transitar de um voto no ex-presidente Lula em um voto no Bolsonaro, mas creio que a explicação está na segurança pública.
BBC News Brasil - A segurança vai ser mais importante do que a economia na definição do voto?
Singer - Eu não diria que tenha se tornado mais do que a economia. Essa questão do que é mais determinante no voto tem que ser estudado empiricamente. Minha intuição diz que a economia continua sendo determinante, mas, no hall de peso de variáveis, segurança pública subiu.
André Singer: 'Lula tem evitado construir seu substituto', afirma André Singer, cientista político que cunhou o termo lulismo© Divulgação/Companhia das Letras 'Lula tem evitado construir seu substituto', afirma André Singer, cientista político que cunhou o termo lulismo
BBC News Brasil - Essa nova classe trabalhadora, os pobres que ascenderam e não estabeleceram lealdade com o lulismo, esteve entre os que se insurgiram em junho de 2013, movimento que desestabilizou o governo Dilma?
Singer - Os dados que eu examinei mostram que havia uma metade da população presente nas ruas que podemos chamar de classe média tradicional, que é aquela pessoa que já é a segunda geração de classe média - pelo menos os pais já estavam na classe média. São aquelas pessoas que têm acesso a planos de saúde privados, aquelas que têm acesso às escolas privadas no ensino fundamental e médio e aqueles que fazem viagens para o exterior. Mas a outra metade dos manifestantes não tinha alta renda. Não era de baixíssima renda, o subproletariado não foi às ruas, mas as pessoas que estão na metade inferior de renda estavam lá.
Outro elemento que corrobora a tese de que a nova classe trabalhadora foi às ruas é que eles eram jovens, entre 25 e 39 anos, e tinham uma escolaridade alta - pelo menos o ensino médio completo e havia uma alta proporção de universitários, estudantes ou formados. Nós sabemos que houve uma explosão do ensino universitário graças ao Fies, o ProUni, etc, no período do lulismo. Então dá a impressão de que uma parte significativa desses manifestantes pertencia a essa nova classe trabalhadora.
Eu não diria que em um primeiro momento eles foram para a rua contra o governo Dilma. Havia ali um caráter difuso, porque os movimentos começam como um movimento de esquerda, puxados pelo Movimento Passe Livre, e acabam com uma tonalidade bem de direita, com essa coloração amarela das camisetas da seleção e até a expulsão de setores de esquerda como aconteceu na Avenida Paulista no dia da maior manifestação no caso da cidade de São Paulo. Esse caráter difuso, que era um pouco tudo e nada ao mesmo tempo...havia uma espécie do espírito de "que se vayan todos" (bordão usado na crise Argentina de 2001). Uma espécie de repúdio geral à representação, e aí envolvendo também o governo federal.
O problema é que depois isso foi se derivando para um movimento de repúdio ao lulismo, do qual a esquerda não participou, já em 2015 e 2016. A gente pode observar uma continuidade de parte do que aconteceu em junho e as manifestações de 2015 e 2016 em favor do impeachment, passando pela Lava Jato. Há um fio amarelo que junta junho de 2013 a março de 2016, que é o momento em que aquela grande manifestação a favor do impeachment acabou, na minha opinião, decidindo o jogo contra Dilma.
BBC News Brasil - Há comparação ou continuação entre junho de 2013 e a greve dos caminhoneiros em maio de 2018?
Singer - O que eu vejo como elemento comum é uma presença importante das redes sociais. E as redes sociais parecem transformar a mecânica do processo de manifestação, que acaba incidindo sobre seu próprio conteúdo. Ocorre como uma concentração de debate público em caminhos invisíveis, ele não acontece em um espaço no qual estamos acostumados a olhar, o espaço dos jornais, das televisões abertas, até mesmo das televisões fechadas de maior audiência. Parece que ele ocorre em uma outra faixa e esses debates submersos levaram, no meio da greve dos caminhoneiros, ao aparecimento de inúmeros grupos espalhados pelo país inteiro pedindo intervenção militar, o que é algo que não está muito no radar de quem acompanha o debate mais tradicional.
No entanto, tal como em 2013, não importa, o fato é que essas pessoas estão aí e começam a se manifestar aí sim, dentro do espaço tradicional, quando, por exemplo, aparece uma reivindicação desse tipo, de intervenção militar. Houve um momento assustador durante a greve dos caminhoneiros em que, apesar de o governo já ter feito muitas concessões, os caminhões não saiam das estradas, e à pergunta 'mas qual é a reivindicação de vocês?', a resposta era: 'intervenção militar'.
É claro que isso não é oficial, não é generalizado, algo que você possa atribuir a um movimento estável, mas é algo que começou a pipocar de uma tal maneira que você não sabe onde aquilo poderia terminar, tal como aconteceu em junho de 2013.
bloqueio de caminhoneiros em Cristalina, em 25 de maio: Na greve dos caminhoneiros, eram comuns as faixas pedindo intervenção militar
© EPA Na greve dos caminhoneiros, eram comuns as faixas pedindo intervenção militar

BBC News Brasil - Há um fio de continuidade entre um momento e outro?
Singer - Algum fio tem. Mas nesse momento eu não saberia dizer exatamente qual é. O que a gente consegue perceber é que há manifestações pela volta da ditadura, um saudosismo da ditadura, já em junho de 2013, embora seja um segmento muito minoritário, mas ele reaparece no processo do impeachment. Algum elemento de continuidade existe nesse desejo de um retrocesso autoritário.
BBC News Brasil - E esses movimentos e seus desdobramentos são imprevisíveis para o governo, a sociedade, os pensadores, a imprensa?
Singer - Eu acho que o fenômeno das redes sociais têm um impacto na política novo, forte e difícil de aprender. Pouco a pouco nós estamos localizando o que está acontecendo. E o que está acontecendo é que você tem a emergência de setores da população, do eleitorado, que tem um viés autoritário e isso fica mais claro quando a gente observa as intenções de voto do candidato Bolsonaro, que tem uma posição que é simpática ao endurecimento, para dizer algo suave.
Ele usa muito as redes sociais, está bastante associado às Forças Armadas, porque é um ex-militar, e há uma expressão mais pública desse fenômeno, o que nos permite começar a entender do que se trata. À medida que isso vai ficando mais definido, a preocupação cresce, porque em determinados cenários, esse candidato chega a ser próximo dos 20% de intenções de voto, o que está longe de representar uma maioria, mas é um elemento já suficientemente significativo para ser considerado parte do jogo.
BBC News Brasil - Quão cativos são hoje os eleitores do lulismo e qual o potencial de transferência de votos de Lula para outro candidato que represente esse projeto?
Singer - O que existe hoje é uma surpreendente pressão na direção de tirar o lulismo do jogo. E um dos elementos dessa configuração é a prisão do presidente Lula, que literalmente o subtrai do dia a dia da política. Ele continua participando porque tem justamente por trás de si este passado do realinhamento (eleitoral, de 2006), mas é claro que ele não pode fazer como se estivesse em liberdade. Segundo o Datafolha, 30% dos eleitores declararam que votariam em alguém que ele indicasse e 17% que talvez o fizessem, então você tem 30% bastante inclinados a seguir a orientação dele e mais 17% que poderiam seguir. Fazer qualquer previsão para além do que temos de dados é temerário, porque a situação está muito incerta, mas eu diria que com o quadro que nós temos hoje, devo dizer que apesar dessa enorme pressão contra o lulismo, ele sobrevive.
BBC News Brasil - Faz sentido a estratégia petista de manter Lula como candidato pelo máximo de tempo possível antes de outubro?
Singer - É uma estratégia muito arriscada, na minha opinião, porque eu acho que uma parte desse eleitorado não tomou consciência dos riscos que pesam sobre a candidatura Lula, que tem pouca probabilidade de efetivamente se concretizar por motivos judiciais. Por isso, a estratégia que está posta é arriscada porque ela diminui o tempo de informação para que esses eleitores, que são eleitores distantes da política, possam digerir e absorver uma nova situação com uma indicação.
No entanto, como contrapartida a esse risco, a estratégia mantém as atenções voltadas para o ex-presidente Lula, que é o principal pivô do lulismo, e se ela for bem sucedida, permitiria uma ultrapassagem com êxito desse momento muito complicado para o lulismo.
BBC News Brasil - O lulismo sobrevive ao Lula?
Singer - Em teoria ele sobreviveria plenamente. O lulismo tem a vocação de ser algo que percorra a história brasileira como o peronismo percorre a história argentina.
BBC News Brasil - O lulismo precisa ser personificado em alguma figura? Depois do Lula, quem poderia ser essa figura, o Haddad personifica o que é o lulismo?
Singer - A minha tendência é achar que sim, que ele precisa ter essa figura e que a dificuldade está em que há poucas situações precedentes em que o candidato natural está preso e impedido de concorrer e, portanto, precisa indicar alguém. De fato, o substituto mais falado até esse momento é o ex-prefeito Fernando Haddad, eu acredito que nós vamos ter uma experiência nova de ver, se ele for de fato o indicado, como o eleitorado reagirá a essa indicação e, sobretudo, a incerteza é quando ela será feita. Mas a minha impressão é que sim, precisará haver alguém que personifique o lulismo na impossibilidade do ex-presidente concorrer.
BBC News Brasil - Não há uma figura que esteja posta, um herdeiro evidente?
Singer - Eu acho que o presidente Lula tem evitado que isso aconteça. Eu acredito que ele deve ter entendido que é mais proveitoso para o lulismo nesse momento que ele siga sendo a referência principal e tem evitado de passar ou construir explicitamente um substituto, embora provavelmente ele tenha que fazê-lo mais adiante.
BBC News Brasil - O programa econômico defendido por Dilma é hoje encampado por Ciro Gomes, o candidato do campo da esquerda hoje mais citado pelo eleitor, quando Lula está fora do cenário. Não faria sentido que o PT apoiasse Ciro? Por que essa reunião pode não se dar?
Dilma Rousseff e Ciro Gomes em 2015: 'Acho quase inevitável que Ciro permaneça sempre como uma alternativa de apoio' para o PT, diz Singer
© Roberto Stuckert Filho/PR 'Acho quase inevitável que Ciro permaneça sempre como uma alternativa de apoio' para o PT, diz Singer

Singer - De fato, há muitos pontos de coincidência entre o programa efetivo da ex-presidente Dilma no seu primeiro mandato e certas orientações que emanam do discurso do candidato Ciro Gomes. Como o atual candidato Ciro Gomes tem um certo componente de imprevisibilidade, nós não sabemos exatamente qual programa ele vai apresentar, mas tendo a achar que sim, que ele tende a se orientar por medidas que lembram o que a ex-presidente Dilma tentou fazer. É possível, ou até provável, que ele enfrente as mesmas dificuldades que ela enfrentou.
O Ciro tem um componente de imprevisibilidade, não sabemos nesse momento se ele vai tender a alianças mais à esquerda ou mais à direita, isso faz muita diferença para saber qual postura o PT, o lulismo e o ex-presidente Lula deveriam tomar, porém, eu diria que, com essa ressalva, a tendência é que ele acabe ficando no campo à esquerda do centro. Nesse sentido, acho quase inevitável que ele permaneça sempre como uma alternativa de apoio.
Nesse momento em que o presidente Lula está preso, está definida uma estratégia de levar adiante a sua candidatura apesar das dificuldades e há uma enorme indefinição, apesar de que o tempo está correndo. O mais interessante seria estabelecer um programa comum a todos os atores, e aí eu envolvo candidatos, movimentos e partidos, desse campo à esquerda do centro, que pudesse servir de guarda-chuva tanto para um eventual segundo turno, no qual essas forças terão que estar juntas, não sei ao redor de quem, mas a lógica diria que elas deveriam estar juntas, quanto para eventuais decisões ainda no primeiro turno, que nesse momento são impossíveis de dizer quais seriam, tal é o grau de indeterminação.
BBC News Brasil - Os quadros do PT concordam hoje que quem definirá o destino da legenda é Lula, que está preso. Como vê essa situação?
Singer - O protagonismo do ex-presidente Lula é consequência do lulismo. À medida que o lulismo foi se configurando como o resultado mais importante do realinhamento eleitoral, aquele que é o pivô do lulismo ganha uma força extraordinária e isso aconteceria em qualquer democracia. Quando um líder com vocação presidencial em um regime presidencialista ganha essa marca, que é de estar à frente de um movimento de um bloco majoritário do eleitorado, é quase inevitável que o partido ao qual ele pertence o siga de maneira praticamente automática.
BBC News Brasil - A esquerda está fragmentada hoje. E nas sondagens eleitorais, nos cenários sem o Lula, a esquerda também estaria fora do segundo turno. Como o senhor vê essa possibilidade da esquerda se unir para não estar fora do segundo turno?
Singer - Na realidade, você não teve uma fragmentação tão grande. O que aconteceu foi que no processo de crise do lulismo, um aliado tradicional que é o PC do B optou por uma candidatura autônoma, o que é importante, mas tem um significado limitado, porque não é uma candidatura com uma vocação majoritária. O PSOL optou por uma candidatura de uma liderança popular expressiva, que é o Guilherme Boulos, cuja campanha está apenas começando, de modo que nós não sabemos como ela vai evoluir, e a candidatura Ciro Gomes é uma candidatura que de alguma maneira sempre esteve posta e está entrando no lugar do que seria a candidatura do ex-governador Eduardo Campos, que sofreu aquela fatalidade do acidente de avião e morreu, e estão transitando ambos na mesma faixa ideológica.
Eu arriscaria dizer, é um palpite, que a tendência será esses grupos estarem juntos no segundo turno, em torno de qualquer candidato da esquerda que esteja na disputa. A instituição do segundo turno é muito importante para entender as eleições no Brasil, determinados segmentos podem testar suas possibilidades no primeiro turno para se juntar no segundo. Mas para que isso aconteça, é importante que alguém desse campo vá para o segundo turno. Isso vai talvez criar uma tensão quando chegarmos mais perto do primeiro turno, mas da maneira como as coisas estão desenhadas hoje, é possível que a gente só enxergue uma definição depois que começar a propaganda na televisão.
fonte:BBCBrasil/MSN/reprodução 28/06/18 às 08:50min.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

STF teme que Trio da Segunda Turma desconstrua a Lava Jato


foto:reprodução
O temor de ministros do Supremo Tribunal Federal, manifestado em conversas reservadas, é que a sua Segunda Turma esteja determinada a “desconstruir” a Lava Jato, por meio da suspensão de sentenças, como no caso do ex-ministro José Dirceu, ou através de medidas que enfraquecem a acusação do Ministério Público Federal (MPF). No STF, os ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, cujos votos sempre coincidem, são chamados jocosamente de “trio ternura”. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
Em contraposição à Primeira Turma, mais rigorosa nos julgamentos, a Segunda Turma tem exarado sentenças predominantemente amenas.Bernardo foi preso na Operação Custo Brasil, que investiga o roubo a tomadores de empréstimo consignado. Ele seria solto por Dias Toffoli.

Violência: Advogada é sequestrada e morta em Feira

A advogada Sílvia da Silva Carvalho, 56 anos, que morava na Rua Caldense, bairro Baraúnas, em Feira de Santana, foi sequestrada e morta a tiros na noite de ontem (26). Segundo a polícia, o crime ocorreu por volta das 20h30, na Estrada do Alecrim Miúdo, na Fazenda Jenipapo II, distrito da Matinha.
Ainda de acordo com a polícia, quatro homens, que estavam em um veículo de dados ignorados, seguiram a advogada quando ela saiu do escritório, que fica em frente ao Complexo de Delegacias do Sobradinho, por volta das 19h20. Ela foi morta com cerca de cinco disparos de arma de fogo. O delegado Gustavo Coutinho informou que a secretária da advogada também foi levada na ação.
“Ela saiu do escritório e estava em seu veículo. Após contornar um posto de combustível, os homens em outro carro sinalizaram para que ela parasse, mostraram a arma e pediram que ela sentasse no banco do carona e a secretária no banco do fundo. Próximo ao conjunto Cordeirópolis, a secretária passou para outro carro. Chegando na zona rural, os bandidos pediram que a advogada descesse do veículo e a mataram com cerca de cinco tiros”, relatou o delegado.
A secretária foi liberada e, de acordo com Gustavo Coutinho, estava muito abalada. Ela contou que não conseguiu ver características físicas dos bandidos, pois eles cobriram o rosto dela com um pano.
“Ela contou que o tempo todo os bandidos disseram que o alvo era a advogada e proferiram vários xingamentos, dando a entender que era um acerto de contas, como se ela tivesse recebido algum pagamento e não tivesse feito o serviço. Ela não visualizou o rosto, mas acredita que eram indivíduos jovens, usaram gírias de bandidos. Além disso, ela contou que a Drª. Silvia estava tranquila, como se conhecesse os bandidos, e não estivesse acreditando que seria assassinada”, contou o delegado.
Após o crime, os bandidos abandonaram o veículo da advogada Silvia, um Siena, placa OZN 4552, no acostamento da BR-116/Norte, há 3 km da entrada do distrito de Maria Quitéria. O corpo da advogada foi encaminhado para o Departamento de Polícia Técnica (DPT).
fonte: repórter Aldo Matos do Acorda Cidade.