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sábado, 11 de fevereiro de 2023

No Governo Bolsonaro: Defesa apoiava indústria que pretendia tornar a Bahia um “case” no uso da cloroquina, diz reportagem

                                            imagem:reprodução/google

Defesa apoiava indústria que pretendia tornar a Bahia um “case” no uso da cloroquina

As reuniões do CCOP (Centro de Coordenação das Operações do Comitê de Crise da Covid-19) realizadas de março de 2020 a setembro de 2021 foram coordenadas de início pelo ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, Walter Braga Netto, que logo atribuiu a tarefa ao seu braço direito na pasta, o tenente-coronel reformado do Exército Heitor Freire de Abreu, formado pela Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), então subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil. Depois que Braga Netto deixou a Casa Civil e se tornou ministro da Defesa, em março de 2021, o tenente-coronel foi nomeado assessor especial do ministro. De lá seguiu, em 2022, para uma assessoria na Presidência da República.

Justamente um dos pontos que permaneceram em aberto ao longo de toda a CPI da Covid foi saber de quem partiu a ordem para que o Exército aumentasse a produção de cloroquina por meio do seu Laboratório Químico Farmacêutico (LQFEx). Mais de 3,2 milhões de comprimidos foram produzidos em 2020 – contra zero, no ano anterior. Por ofício, a Defesa limitou-se a dizer à CPI que a solicitação que fez ao Exército atendeu a uma “orientação e demanda” do Ministério da Saúde. As atas do CCOP, contudo, demonstram que a Defesa foi bastante proativa no tema da cloroquina revelando-se, no mínimo, coautora da decisão da produção do medicamento.

Ministério da Defesa

Exército produziu por meio do seu laboratório mais de 3,2 milhões de comprimidos de cloroquina em 2020

Nas atas, o empenho da Defesa pela cloroquina começa a ser registrado no segundo mês da pandemia. Em 4 de maio de 2020, quando o Brasil já contava 7,3 mil mortos pela doença, o representante do Ministério da Defesa, cujo nome não constou da ata, informou solenemente ao conjunto dos outros ministérios: “Acordaram, juntamente com o MS [Ministério da Saúde], a produção de Cloroquina em laboratório”.

O ministro da Defesa naquele dia era o general Fernando Azevedo, que deixaria o cargo em março de 2021 em meio a uma crise militar. Naquele segundo trimestre de 2020, contudo, a pasta de Azevedo informou a todos os outros órgãos que estava empenhada na fabricação do medicamento ineficaz. O ministro da Saúde era Nelson Teich. Onze dias depois, ele seria substituído pelo general do Exército Eduardo Pazuello.

Poucos dias antes do “acordo” anunciado pela Defesa com a Saúde, em 20 e 28 de abril, Bolsonaro havia desqualificado publicamente as críticas da população e da imprensa sobre o papel do governo na pandemia. “Eu não sou coveiro”, disse no dia 20. Praticamente desde o início da pandemia, o então presidente falava da cloroquina como uma solução para a pandemia. Uma suposta medicação para o tratamento da Covid-19, inexistente segundo todos os cientistas sérios do país e do mundo, poderia acelerar o retorno dos brasileiros ao trabalho.

Em 26 de março, por exemplo, ele disse que a cloroquina, “medicada corretamente, não tem efeito colateral”. Em 21 de março, em sua conta na rede social Twitter, Bolsonaro divulgou que ele próprio e a Defesa decidiram ampliar a produção da cloroquina.

Tornar a Bahia um “case” no uso da cloroquina

Segundo as atas do CCOP da Casa Civil, os militares da Defesa – e os civis do Itamaraty e da Saúde – encamparam a decisão de Bolsonaro.

Em 17 de junho de 2020, um mês depois do anúncio do “acordo” com a Saúde, o representante da Defesa informou na reunião do CCOP que “oxímeros [sic, oxímetros] e eletrocardiogramas são importantes para receitar a cloroquina, estão monitorando essa questão juntamente com o MS [Ministério da Saúde]”. A menção a eletrocardiograma se explica porque, entre os efeitos adversos da cloroquina citados por médicos, estavam os problemas cardíacos. No mês seguinte, a imprensa informou que o próprio Bolsonaro fazia dois exames cardíacos por dia para monitorar possíveis efeitos adversos da hidroxicloroquina.

Dois dias depois, em 19 de junho de 2020, o Ministério da Saúde anunciou ao CCOP que publicara uma “orientação também sobre o uso da cloroquina”.

Àquela altura, inúmeras organizações e especialistas já haviam advertido várias vezes sobre os riscos e a ineficácia do uso da cloroquina no tratamento da Covid-19. Em meados de junho, a OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou a suspensão dos testes com cloroquina. 

As atas do CCOP demonstram que a palavra dos cientistas nada importava para os militares da Defesa. Em 3 de julho de 2020, o representante da Defesa informou que no dia anterior havia se reunido com “representante do MS [Saúde], Sindfarma e fabricantes de medicamentos para tratar de fármacos para atendimento precoce envolvendo entre outros fármacos, os antibióticos, a cloroquina e a azitromicina”. Há no país alguns sindicatos de empresários da indústria farmacêutica chamados de “Sindifarma” ou “Sindfarma” – a ata não deixa claro a qual organização se referia.

O engajamento da Defesa com o remédio ineficaz era total. Em 1º de julho, o representante do ministério informou às outras pastas que “a Apsen Farmacêutica S.A. fará a doação de cloroquina para que a Bahia seja um case [exemplo] que possa ser reconhecido em todo o Brasil no tratamento da Covid-19”. A empresa apoiada pela Defesa era uma das principais fabricantes da hidroxicloroquina no Brasil.

No ano seguinte, ela informou à CPI da Covid que vendera 58,8 milhões de comprimidos do remédio em 2020. Na época, ela recorreu ao governo Bolsonaro para conseguir importar os insumos necessários, chamados de IFA, para a produção do medicamento.

Depois dessas várias manifestações em favor da cloroquina, a partir de julho de 2020 o representante da Defesa não volta mais ao assunto, ou pelo menos suas palavras sobre cloroquina não aparecem mais nas atas do CCOP.

Até a entrada do MD na defesa da cloroquina, em 4 de maio de 2020, o medicamento era defendido arduamente por diplomatas do MRE (Ministério das Relações Exteriores) e pela própria Casa Civil. Em 13 de abril, por exemplo, o braço direito de Braga Netto e coordenador das reuniões do CCOP, o militar Freire de Abreu, indagou ao representante da Saúde “se tem previsão da liberação de insumos da cloroquina da Índia”. Os insumos eram necessários para fabricação dos comprimidos no Brasil.

O representante da Saúde “relatou que não tem essa informação, mas vai levantar e repassar ao Heitor”. O representante do MRE apressou-se em explicar que “pela Farmabrasil [associação de farmacêuticas] chegaram ontem 500 quilos de IFA [insumos]” e que “a Índia está ofertando comprimidos acabados (prontos), porém essa decisão cabe ao MS, o qual já foi informado sobre essa oferta”.

O MRE estava empenhado desde o começo da pandemia na obtenção de produtos da Índia no tema da cloroquina. Em 1º de abril, o representante do MRE informou ao CCOP que “estão em tratativas com a Índia, para a aquisição de insumos (hidroxicloroquina) para empresas brasileiras pontuais, para que possam fabricar aqui”. Uma das que reclamava da “retenção” de produtos da Índia era a Farmabrasil, associação que reúne as principais empresas da indústria farmacêutica brasileira.

Em 2 de abril, o representante do MRE informou que o ministério “está atuando na liberação de carga de 530 quilos de cloroquina na cidade de Nova Délhi/Índia”. No dia seguinte, o MRE reiterou ao CCOP: “Sobre a importação de cloroquina, o governo da Índia diz que quer colaborar, mas fato é, que ainda não tem data certa para essa importação”.  


FONTE: AGÊNCIA PÚBLICA/REPRODUÇÃO EM 11/02/2025 16h:15  - SÉRIE ESPECIAL/REPORTAGEM ESPECIAL: CAIXA PRETA DO BOLSONARO

Do Blog do Noblat: Deu a louca nos governadores de Minas Gerais e de São Paulo

Os governadores eleitos Romeu Zema, de Minas Gerais, e Tarcísio de Freitas, de São Paulo falam em vídeo - MetrópolesReprodução

Adélia Prado, 87 anos de idade, a mais famosa e premiada poetisa mineira viva, filósofa, romancista e contista, jamais imaginou que um dia entraria nos trends topics do Twitter, não por seus reconhecidos méritos literários, mas graças ao governador reeleito do seu Estado, o simplório Romeu Zema (Novo).

Em entrevista ao podcast Pauta Quente, em Divinópolis (MG), onde vive Adélia, autora, entre outras obras, de “Cacos para um vitral” (1980) e “A faca no peito” (1988), Zema recebeu do apresentador Flaviano Cunha uma coletânea de 150 poemas de Adélia.

                                       "ela trabalha aqui"?  perguntou Zema foto:reprodução
Ao agradecer o presente, Zema perguntou a Cunha se Adélia não era uma mulher que trabalhava em uma rádio da cidade. Ele simplesmente não sabia de quem se tratava. Zema quer ser o candidato da chamada direita civilizada à sucessão de Lula.

Outro que também quer ser, mas que nega, é o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo. Eleito sem nunca ter morado no Estado que ora governa, sem sequer saber a certa altura onde votaria no dia das eleições, ele pisou feio na bola.

Tarcísio vetou um projeto de lei aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo que previa validade indeterminada a laudos médicos que atestem o transtorno do espectro autista. E na justificativa do veto, escreveu:

“[O autismo] diagnosticado precocemente até os cinco anos e onze meses de idade é mutável, podendo mudar tanto de gravidade como até mesmo deixar de existir”.

O autismo não tem cura. É definitivo.

Tarcísio soltou uma nota oficial onde afirma:

“Erramos. É importante esclarecer que o entendimento do Governo de São Paulo é que o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista é permanente e, portanto, os direitos serão definitivos. Falhamos ao deixar passar uma redação que não deixasse clara essa postura”.

Não foi erro de redação, dele e dos seus assessores. Foi ignorância.

Segue de brinde para Zema um dos mais belos poemas de Adélia Prado, “As Mortes Sucessivas”, retirado de “Bagagem”, seu livro de estreia publicado em 1976:

“Quando minha irmã morreu eu chorei muito

e me consolei depressa. Tinha um vestido novo

e moitas no quintal onde eu ia existir.

Quando minha mãe morreu, me consolei mais lento.

Tinha uma perturbação recém-achada:

meus seios conformavam dois montículos

e eu fiquei muito nua,

cruzando os braços sobre eles é que eu chorava.

Quando meu pai morreu, nunca mais me consolei.

Busquei retratos antigos, procurei conhecidos,

parentes, que me lembrassem sua fala,

seu modo de apertar os lábios e ter certeza.

Reproduzi o encolhido do seu corpo

em seu último sono e repeti as palavras

que ele disse quando toquei seus pés:

´deixa, tá bom assim´.

Quem me consolará desta lembrança?

Meus seios se cumpriram

e as moitas onde existo

são pura sarça ardente de memória.”

Fonte:Blog do Noblat/Metropoles 11/02/2023

Mundo: Macron acena para Lula com plano de paz na Ucrânia; Brasil recebe Lavrov

 Presidentes Lula e Biden fazem reunião na Casa Branca, junto a outros representantes de governo - Divulgação/Ricardo Stuckert/Planalto


Presidentes Lula e Biden fazem reunião na Casa Branca, junto a outros representantes de governoImagem: Divulgação/Ricardo Stuckert/Planalto
CONFIRA A REPORTAGEM COMPLETA NO LINK ABAIXO DO SITE UOL DE HOJE(11) NA COLUNA DE JAMIL CHADE, COLUNISTA INTERNACIONAL
https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2023/02/11/depois-de-biden-lula-recebera-ministro-de-putin-e-debate-guerra-com-xi.htm?cmpid=copiaecola

Michelle Bolsonaro: relatos apontam que moedas do Alvorada chegaram a ONG religiosa apenas nesta semana


                                          Na convenção do PL no Rio  em 2022 -foto:reprodução/facebook


Diferentemente do que disse a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, as moedas jogadas por turistas no espelho d’água que fica na entrada do Alvorada não chegaram a uma casa de acolhimento de Brasília no dia 8 de janeiro. Obtidos pela reportagem do Metrópoles, relatos de pessoas de dentro da Vila do Pequenino Jesus apontam que as moedas chegaram na última terça-feira (7/2), mesma data em que o gestor do local gravou vídeo de agradecimento a Michelle.

“Eu vi um carro chegando com as moedas, ele [coordenador da Vila] tirou, colocou na mesa, gravou e depois guardou”, contou uma pessoa, que garantiu ter visto toda essa movimentação na última terça-feira, 7 de fevereiro, um dia antes de a ex-primeira-dama publicar em suas redes sociais um recibo da instituição datado em 8 de janeiro. Além do recibo, Michelle publicou um vídeo em que o coordenador-geral da Vila, Jorge Eduardo Deister, agradece a doação.

A entrega das moedas e a gravação do vídeo teriam ocorrido, então, depois de reportagem da coluna de Rodrigo Rangel, do Metrópoles, ter mostrado que, nos últimos dias de 2022, as moedas foram carregadas pelo então “síndico” do palácio, pastor Francisco Castello Branco, supostamente com a autorização de Michelle.

Quando o Metrópoles chegou à Vila do Pequenino Jesus, na última quinta (9/2), para conversar com Jorge Eduardo, conhecido como Jorginho, duas jovens aprendizes estavam segurando um saco com 100 reais em moedas e colocando o dinheiro em pequenos saquinhos. A quantia seria dada aos funcionários do local para eles pagarem passagens de ônibus.

uestionado, Jorge negou que as doações tenham chegado na terça-feira e que o vídeo tenha sido feito no mesmo dia. “Ficar trocando história daqui, dali, não vai dar em nada”, pontuou. Ele afirmou que o vídeo de agradecimento, publicado por Michelle, foi gravado na semana passada, depois que finalizaram a contagem do dinheiro, mas disse não se lembrar do dia exato. Após insistência, falou que foi na quinta ou na sexta-feira.

A reportagem pediu que Jorge enviasse uma captura de tela mostrando a data exata em que o vídeo foi gravado. Inicialmente, ele afirmou que iria “puxar a data” e enviar. Horas depois, disse que não tinha mais nada a declarar.

Na semana passada, a coluna de Rodrigo Rangel mostrou que, pouco antes de a família Bolsonaro deixar o Alvorada, funcionários receberam ordem para esvaziar o fosso e juntar as moedas. Relatos obtidos pela coluna apontam que o pastor Francisco, então síndico do Alvorada, afirmou que doaria o montante a uma igreja. Um colaborador palaciano chegou a revelar, na condição de anonimato, que a ação matou as carpas que ficavam no espelho d’água.

Na última quarta-feira (8/2), a ex-primeira-dama publicou em seu Instagram recibo de R$ 2.213,55, do dia 8 de janeiro deste ano, emitido pela Vila do Pequenino Jesus, referente a uma “doação em moedas”.

Michelle justificou que antes de deixar o palácio, no dia 30 de dezembro, manifestou “o desejo” de que quando fosse realizada a limpeza do espelho d’água as moedas recolhidas fossem doadas “a uma instituição de caridade que cuida de mais de oitenta ‘especiais’”.

“Sempre que ocorre o escoamento e a limpeza do espelho d’água, os peixes são transferidos para um reservatório lateral. Segundo o relato de um servidor que participou da limpeza, a operação teve início no dia 2 de janeiro de 2023 (portanto, após a nossa saída do Palácio) e teria durado, pelo menos, até o dia 7/1/2023”, alegou a ex-primeira-dama.

As informações foram negadas pelo Palácio do Planalto. A Secretaria de Comunicação afirmou que a limpeza do espelho d’água foi iniciada ainda na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, no dia 27 de dezembro, e concluída no dia 2 de janeiro.

Divergências

Uma das divergências da história é a diferença de valores entre o comprovante emitido pela Vila e o montante dito pelo coordenador no vídeo. Enquanto o recibo traz a quantia de R$ 2.213,55, na gravação de agradecimento Jorge diz R$ 2.281. Ele justificou ter feito o recibo no momento da doação, mas após recontagem verificou que o valor era um pouco maior.

Jorge afirmou ainda que, nessas ocasiões, é comum fazer vídeo de agradecimento e emitir recibo. E frisou que nada foi feito a pedido da ex-primeira-dama. Perguntado sobre quem fez a entrega da doação, o coordenador disse não se lembrar. Ele apenas pontuou ter sido um homem que se apresentou como representante de Michelle Bolsonaro.

De acordo com Jorge, a Vila do Pequenino Jesus já recebeu muitas doações de mangas colhidas no Alvorada, por meio da ex-primeira-dama, e também ganhou três cadeiras de roda do programa social Pátria Voluntária, que era chefiado por Michelle. Segundo o coordenador, esta foi a primeira doação em dinheiro.

Procurada desde quinta-feira (8/2), a ex-primeira-dama não retornou os contatos. O espaço segue aberto para manifestação. Um interlocutor da família Bolsonaro disse à reportagem apenas que a doação foi feita, sim, no dia 8 de janeiro, mas não enviou provas.