A Mangueira encerrou a primeira noite de desfiles das principais escolas
de samba do Rio de Janeiro retratando a Bahia. A escola contou a saga das
mulheres africanas que foram escravizadas e conduzidas à Bahia, e cujos
descendentes acabaram chegando ao Rio e à Mangueira.
Com um samba contagiante - que rivaliza com o da Grande Rio como o mais
popular do ano - e fantasias e alegorias coloridas e adequadas ao enredo afro,
a escola foi a que mais contagiou o público, apesar do adiantado da hora -
terminou o desfile às 5h55.
A ministra da Cultura, a cantora e compositora Margareth Menezes,
desfilou numa alegoria que representava um trio elétrico.
Na comissão de frente, a atriz Juliana Alves representou Iemanjá e
desfilou sobre uma pequena alegoria que interagia com a comissão de frente. Em
um trecho da encenação, a iluminação da pista de desfiles era reduzida e as
luzes do próprio elemento cenográfico onde a atriz estava davam a impressão de
que ela levitava. O público foi ao delírio.
Mas a escola teve problemas técnicos e deve perder pontos por conta
deles. O último carro alegórico bateu em um viaduto quando manobrava pra entrar
na avenida e um elemento cenográfico (um farol de orientação marítima) foi
danificado - atravessou a pista assim. Um tripé passou metade do desfile
pendendo para a esquerda, em vez de seguir pelo meio da pista de desfile.
Michel Gherman (Foto: Reprodução | Agência Brasil)
Em 2017, depois que Bolsonaro fez um discurso racista na Hebraica do Rio de Janeiro, o professor e pesquisador Michel Gherman gravou vídeo em que mostrava a associação da fala do então pré-candidato a presidente e com o Holocausto, e foi atacado por bolsonaristas, inclusive judeus como ele. Diziam que era exagero de Gherman.
"As pessoas teimam em não entender as relações entre racismo e Holocausto. Elas acham que ele se restringe ao antissemitismo”, disse ele à época.
Quase cinco anos depois, em entrevista à TV 247, Michel Gherman revisita o episódio e conclui:
"Eu fui muito atacado. E não sou mais atacado. As pessoas já estão assumindo o que, efetivamente, aconteceu. Isso é um processo, e esse processo agora está chegando à fase do genocídio, ou seja, as pessoas estão entendendo que houve genocídio", afirmou, a propósito das revelações sobre a situação dos povos indígenas, sobretudo os ianomâmis de Roraima.
Gherman é formado em história pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em Antropologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém, e doutor e pós-doutor em história pela UFRJ, além de diretor acadêmico do Instituto Brasil-Israel.
Ao analisar o mais recente atentado à escola por um jovem que usava braçadeira com a suástica, em Monte Mor, interior de São Paulo, Gherman considera que o discurso bolsonarista impulsionou o crescimento de grupos neonazistas no Brasil.
"O Brasil, entre 2018 e 2021, foi o país onde houve mais crescimento de grupos neonazistas e o crescimento de antisemitismo no mundo", revela, com base nas pesquisas que realiza.
Mas o crescimento da extrema direita de caráter neonazista não é um fenômeno exclusivo do Brasil, ressalva. "Isso tem pouco a ver com a ascensão da extrema direita no Brasil. Isso acontece no mundo inteiro. E há uma relação profunda entre juventude e perspectivas extremistas, geralmente de extrema direita", pontua.
o Brasil, porém, a ameaça encontrou eco no poder central. "O que a gente vê no Brasil e que nos diferencia de outros lugares é que essas perspectivas das profundezas da internet pariram uma candidatura. E pariram uma candidatura a partir dessas mesmas referências", diz.
Como pesquisador que aponta o elo entre Bolsonaro e o avanço da ideologia neonazista, Gherman se tornou polo de denúncias de práticas de ódio e de eventos que, para ele, são "genocidárias" ou "prática eugênicas". E na semana passada, fontes que serviram ao governo que terminou em 31 de dezembro teriam relatado que as mortes e doenças dos ianomâmis não foram casuais.
"Nesse quebra-cabeça de assassinato deliberado de indígenas, é um quebra-cabeças que está praticamente montado. O que falta nesse quebra-cabeça são orientações diretas: deixem morrer, esses indígenas não fazem falta, etc e tal. Isso vai acontecer nos próximos dias. Realmente, eu recebo muitas informações de todos os lugares, e você tem muita gente – e isso aconteceu também em outros genocídios – da segunda ou terceira cadeia de comando que começam a entender o que fizeram, e essas pessoas começam a procurar pessoas para dizer: 'olha, é isso.'"
Gherman fez a afirmação à TV 247 depois de conversar com pessoas que o procuraram, mas, por enquanto, evita dar detalhes. Sinaliza que as denúncias estão relacionadas às ações do governo durante a pandemia de covid-19. Ele cita a orientação do governo Bolsonaro para que o Exército aumentasse a fabricação de cloroquina para distribuir à população brasileira como droga para combater a doença.
Ao mesmo, faltou cloroquina para combater a malária entre os indígenas, numa região onde essa doença é endêmica. "Cloroquina é utilizada para combater malária, Quem distribui cloroquina em Roraima não é o médico. O indígena não vai à esquina comprar cloroquina na farmácia. A única possibilidade com vínculos com médicos de essa cloroquina ser distribuída em Roraima é com o Exército brasileiro", afirma.
E a cloroquina, segundo ele, deixou de ser distribuída para os indígenas, num momento em que incidência da doença aumentou por conta dos lagos artificiais criados em decorrência da expansão do garimpo ilegal.
"Olha só que coisa louca, porque, além da malária endêmica, tem uma situação ainda maior: a criação de lagos artificiais por conta da mineração que produzem a concentração de mosquitos transmissores de malária. E você, então, não tem mais o remédio para tratar malária e a produção de malária estava lá", comenta.
Outro elemento importante que, na visão dele, caracteriza "prática genocidária" é a não-vacinação em massa dos indígenas contra a covid-19.
"É só você ver que aqui tem cadeia: compra (cloroquina, mas não distribui para combater a malária entre indígenas), libera o minério e não vacina os indígenas. Não me parece que seja um exagero, sendo bastante cuidadoso, bastante pouco ousado, eu digo que o que aconteceu em Roraima é absolutamente necessário que seja considerado genocídio. E é um dos genocídios mais claros que a gente tem desde a década de 90 no mundo", raciocina.
Exagero? Em 2017, quando ele disse que o discurso de Bolsonaro era nazista, disseram o mesmo sobre seu vídeo a respeito do discurso na Hebraica. Agora, ele está mostrando que, no nazismo, o caminho entre as palavras e a ação é mais curto do que o normal.
No discurso na Hebraica, Bolsonaro estabeleceu o que seriam "raças boas e raças ruins" e, não por acaso, "elogiou japoneses, italianos e alemães". Em 1933, quando Hitler se consolidou no poder, ele também não falava em genocídio, mas já mostrava que havia raças ruins. Bolsonaro fez o mesmo no clube judaico, em 2017.
"Na Hebraica, ele fala sobre os ianomâmis, quando ele fala sobre os indígenas, quando bate dizendo que nenhum território será demarcado em seu governo, ele faz isso com a ideia de que os indígenas não são brasileiros, os indígenas são representantes de ONGs. As ONGs substituem, no discurso bolsonarista, aquilo que os judeus eram para os nazistas na década de 30. Aqui tem uma dimensão que eu chamo de antissemita. Só que o semita da história é o índio. Não faz diferença nenhuma. Porque a construção do preconceito se dá pelo agente do preconceito", compara.
O Brasil derrotou Bolsonaro em 2022, mas a ameaça permanece, com movimentos como o armamentista, que estranhamento, na visão de Ghérman, vê o judeu como um tipo ideal. Não é o judeu verdadeiro, mas o "judeu imaginário", uma figura que reforça a ideologia extremista.
"Os judeus (imaginário) são o símbolo mais forte do homem branco. Inclusive, são vítimas e são brancos, o que acaba fazendo um contraponto às vítimas negras. O segundo elemento é que o judeu é ultracapitalista. Ultracapitalista no sentido de dizer que é forte o suficiente para não precisar do estado. De novo a dimensão da força. Então, ele pode ser capitalista sem nenhum problema. O terceiro elemento é a força da arma. Israel é um país caracterizado, na perspectiva da extrema direita neonazista, por ser forte e armado. Lá, todo mundo anda armado. Então, é um símbolo importante. E o quarto elemento é do judeu como cristão. Ou de Israel como um país cristão. Fundamentalista cristão", analisa.
E acrescenta:
"É claro que esses quatro elementos têm a ver com a percepção do judeu e de Israel, não com Israel e os judeus no sentido amplo da palavra. Mas ele (o neonazista) utiliza isso como o judeu imaginário. Ou Israel imaginário. Não que esse judeu e Israel imaginários não existam. Eles existem, mas são parte da grande complexidade que é a entidade humana, que é o caso do estado de Israel. Eles (os neonazistas) sequestram essa perspectiva, para produzir, em cima dela, uma identidade que é deles. E veja só: uma identidade importante, que hoje vincula ao passado metafísico, ao passado imaginário."
Bolsonaro é nazista pelo que fala e pratica. "Eu não acho que eu tenho que dizer que o Bolsonaro é nazista, o Bolsonaro diz que é nazista o tempo todo", diz. Bolsonaro já elogiou Hitler no Congresso Nacional, quando era deputado, foi homenageado em manifestação neonazista na Paulista, defendeu alunos de um colégio militar quando estes escolheram Hitler como figura exemplar.
São palavras com alto poder simbólico. No governo, pelo que Gherman observou no caso dos ianomâmis, as palavras ganharam concretude.
As fortes chuvas que atingem a cidade de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, deixaram um rastro de destruição. De acordo com o governo paulista, em menos de 24 horas o acumulado de chuva ultrapassou 600mm. O Corpo de Bombeiros informou que recebeu 481 solicitações de socorro no município. A prefeitura de São Sebastião decretou estado de calamidade pública.
De acordo com as autoridades, foram contabilizadas duas mortes. A programação do carnaval foi cancelada. O presidente Lula que está na Base Naval de Aratu no Estado da Bahia, afirmou através das redes sociais que já conversou com o governador de São Paulo Tarcísio Freitas(Republicanos) que inclusive já decretou estado de calamidade em 6 cidades do litoral: São Sebastião, Caraguatatuba, Ilhabela, Ubatuba, Guarujá e Bertioga.
O presidente disse que nesta segunda-feira(20) estará indo a São Paulo para acompanhar de perto a tragédia.
"Conversei hoje com o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, @waldezoficial, com o governador de São Paulo, @tarcisiogdf, e com o prefeito @prefeitoFA após as fortes chuvas no litoral de São Paulo, em especial na cidade de São Sebastião", escreveu o presidente.
"Todo o governo federal, através da @defesacivilbr e das Forças Armadas, está à disposição e atuando para ajudar no que for necessário e somar esforços ao governo de São Paulo e prefeituras no auxílio às vítimas", disse Lula.
"Vamos reunir todos os níveis de governo e, com a solidariedade da sociedade, atender feridos, buscar desaparecidos, restabelecer as rodovias, ligações de energia e telecomunicações na região. Meus sentimentos às famílias que perderam pessoas queridas nesta tragédia", acrescentou o presidente.
Divulgação/Defesa Civil -São Sebastião decreta estado de calamidade após fortes chuvas atingir a região
Subiu para 24 o número de mortos em decorrência das chuvas que atingiram o litoral paulista na madrugada deste domingo (19). Além de uma criança de 7 anos e uma mulher de 32, dezenas de corpos foram encontrados na Vila Sahy, em São Sebastião (SP).
O local foi atingido por um deslizamento de terra durante o forte temporal. As vítimas foram encontradas por uma ONG com sede na região, que logo acionou as autoridades.
A Defesa Civil confirmou o encontro dos corpos e disse haver outras vítimas sobre os escombros. Ainda não há o número de informações sobre o número de desaparecidos.
O prefeito da cidade, Felipe Augusto, informou que mais de 50 casas foram atingidas pelo deslizamento de terra. Já a ONG informa que 70 residências estão soterradas.
As fortes chuvas provocaram alagamentos e deslizamentos de terra nas principais cidades do litoral norte de São Paulo. Segundo as autoridades, o volume de água que caiu no fim de semana era o esperado para o mês inteiro na região.
Em São Sebastião, de acordo com a Defesa Civil, choveu mais 600 milímetros, quando eram esperados 303 mm em fevereiro. A prefeitura decretou estado de calamidade neste domingo.
O Corpo de Bombeiros enviou mais de 100 profissionais para colaborar com as buscas. Os trabalhos devem se estender durante a madrugada desta segunda-feira (20).
Os deslizamentos de terra provocaram interdições nas principais rodovias da região. A Rio-Santos, Mogi-Bertioga e Tamoio estão com as vias travadas neste momento.
Aviões, helicópteros e equipamentos devem ser enviados ao litoral paulista nas próximas horas.
Mortes
Na manhã deste domingo (19), uma criança de 7 anos foi encontrada morte em Ubatuba (SP) após uma pedra de 2 toneladas atingir a casa onde morava. À tarde, a prefeitura de São Sebastião confirmou a morte de uma mulher de 35 anos e um bebê de nove meses.
A prefeitura ainda confirmou o encontro dos corpos na Vila Sahy, região mais atingida pelas chuvas.
O Palácio dos Bandeirantes calcula 228 pessoas desalojadas e 338 desabrigados. As vítimas estão sendo enviadas para um abrigo de cidades próximas.
O prefeito de Salvador e o cantor Léo Santana - Foto: reprodução/facebook oficial Bruno Reis
Para o prefeito de Salvador Bruno Reis (União), se depender da Bahia, a Federação entre o partido que faz parte, o PP e o Avante vira realidade. Como anfitrião, Reis recebeu o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), neste domingo (19) de carnaval, no Circuito Osmar (Campo Grande).
“Arthur [Lira] é um grande amigo. Fiquei feliz de ele ter aceitado o nosso convite. Ficou três dias aqui. A discussão está em curso. Depois no carnaval é que ela vai intensificar mais. É óbvio que a Federação na prática é um casamento. E aí tem todos esses arranjos nos estados. Aqui na Bahia, graças a Deus, não há nenhum ponto de dificuldade, mas em outros estados, sim. E nós vamos afunilar para ver se é possível avançar”, declarou o gestor soteropolitano ao Bahia Notícias.
Caso a Federação entre União Brasil, PP e Avante se concretize, ela passa a ter o maior número de deputados da Câmara Federal, com 115 parlamentares.
Reunião com Lula
No caso do subsídio federal para o transporte público, Bruno Reis está otimista em que a neste ano a ajuda ocorre mais uma vez.
“Em relação ao transporte público, Arthur conhece o problema. Ajudou muito de forma decisiva em 2022 para a gente receber aquele auxílio pontual e se comprometeu mais uma vez esse ano ajudar, liderando essa pauta e colocando a Câmara na linha de frente para tentar achar soluções. A Frente Nacional já nos comunicou que agora em março terá uma reunião dos prefeitos das capitais e das grandes cidades com o presidente Lula, e fatalmente esse será o principal ponto abordado”, completou.
A esposa do Senador Wagner, Flora Gil e Janja foto:reprodução
Flora Gil, Gil, e Janja no domingo de carnaval em SSA foto:reprodução
A primeira-dama do Brasil,Janja Lula da Silva, apareceu de surpresa no camarote Expresso 2222, neste domingo (19). O espaço está instalado neste ano no Edifício Oceania, no Farol da Barra.
Janja chegou ao local acompanhada do seu staff e foi logo para a sacada do camarote, recebendo os cumprimentos dos artistas e personalidades presentes no local.
Flora Gil e Gilberto Gil também recepcionaram a socióloga. A mulher do senador Jaques Wagner, Fátima Mendonça, também estava presente.
Elas fizeram um tour pelo espaço e conheceram as ativações do camarote. A primeira-dama reencontrou muitos amigos, cumprimentou os convidados.
O cantor Bell Marques, durante a passagem, também fez um aceno para a mulher do presidente Lula (PT).
O petista, aliás, também está na Bahia, descansando na Base Naval de Aratu, mas não deve comparecer ao carnaval.
O goleiro do Ituano, Jian Kayo, foi encontrado morto em sua casa, na noite do último sábado, em Itu, no interior de São Paulo.
O jovem de 21 anos, que era reserva da equipe que disputa o Paulistão da série A, teve a morte confirmada pelo clube. A causa ainda não foi divulgada.
"Com muita tristeza e consternação, o Ituano comunica o falecimento do atleta Jian Kayo. Seu corpo foi encontrado sem vida, em sua residência, na noite do sábado dia 18. Lamentamos profundamente esta grande perda, direcionando nossas orações a ele, sua Família e amigos. O Ituano está prestando todo o apoio e atenção necessários à Família, neste momento de profunda dor. Assim que possível, após liberação pelas autoridades e pela Família, divulgaremos informações adicionais", apontou.
O jogador estava no clube há dois anos. Ele disputou partidas nas categorias de base, incluindo o Paulista Sub-20 e a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2022, mas não chegou a atuar pelo profissional.