• Praça do Feijão, Irecê - BA

sábado, 4 de março de 2023

SP: Cartunista Paulo Caruso morre aos 73 anos

                                             foto:reprodução

O cartunista Paulo Caruso morreu na manhã deste sábado (4/3), em São Paulo. Ele estava internado há alguns dias, lutando contra um câncer. A causa da morte não foi informada.

Caricaturista, ilustrador, chargista e músico, Paulo José Hespanha Caruso, o Paulo Caruso, nasceu na capital paulista em 6 de dezembro de 1949.

Era irmão gêmeo de Chico Caruso, também cartunista, pai do cineasta Paulinho Caruso e tio do humorista Fernando Caruso.

Caruso trabalhava atualmente no programa semanal de entrevistas Roda Viva, da TV Cultura, fazendo charges ao vivo dos entrevistados e jornalistas, e também publicava charges na revista Época. Na pandemia, ele fez as charges trabalhando de casa.

O cartunista cursou arquitetura na Universidade de São Paulo (USP) entre 1969 e 1976, mas não exerceu a profissão. Na década de 1970, trabalhou no semanário de humor O Pasquim, que se tornou símbolo da resistência à ditadura militar. Em seguida, colaborou com diversos jornais e revistas, como Diário Popular, Folha de S.Paulo, Veja, Isto É, Careta e Senhor.

Ficou conhecido pelos seus cartuns políticos e pela caricatura pessoal. Além de cartunista, ele se dedicou à produção de espetáculos de música e teatro, ao lado do irmão.

Em 2013, os irmãos Paulo e Chico Caruso foram entrevistados pelo Roda Viva, onde fizeram um balanço de suas carreiras e falaram do papel das charges e do humor na política e no jornalismo.

A cartunista Laerte publicou uma homenagem a Caruso em suas redes sociais, chamando o colega de “grande herói do quadrinho brasileiro”.

A atual apresentadora do Roda Viva, Vera Magalhães, e sua antecessora, Daniela Lima, também expressaram pesar pelo Twitter:

sexta-feira, 3 de março de 2023

Região de Irecê: TJ-BA mantém bloqueio de R$ 232,8 mil de ex-prefeito de Barra do Mendes




foto:reprodução/redes sociais


O ex-prefeito de Barra do Mendes, na região de Irecê, Centro Norte baiano, Armênio Sodré Nunes, teve um pedido de desbloqueio de bens rejeitado pela Justiça. Em decisão desta sexta-feira (3), a desembargadora Carmem Lúcia Santos Pinheiro, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), não atendeu o recurso que pedia a liberação de R$ 232,8 mil.

O montante tinha sido bloqueado pela Comarca local após denúncia de fraude em diversos processos de dispensa de licitação. Segundo o Ministério Público do Estado (MP-BA), o ex-gestor, que é conhecido como Galego, fez 58 contratos no período entre 2013 e 2020, com indícios de fraude em licitações. Conforme o MP-BA, a lei de licitação, ainda em vigor, permite a dispensa desde que o valor dos serviços, ou compras, seja de até R$ 8 mil.

 

O procedimento também não deve se restringir a parcelas de um mesmo serviço, compra ou alienação de maior vulto que possa ser realizada de uma só vez. As compras, em questão, diz o MP-BA, foram feitas para um mesmo tipo de produto, no caso, material de papelaria, o que poderiam ser realizadas em conjunto. Ainda cabe recurso da decisão.


Fonte: BN c/adaptações 03/03/2023

Nova Abin vai monitorar extremistas nas redes


Agência brasileira de inteligência
Reprodução/TV Globo - 03.03.2023 - Agência brasileira de inteligência


A reformulação da  Agência Brasileira de Inteligência ( Abin ) deverá priorizar políticas públicas a partir de agora. O monitoramento dos grupos extremistas como os de 8 de janeiro nas redes sociais será um dos alvos a agência. Na ocasião, milhares de pessoas se organizaram através de plataformas digitais para invasão dos Três Poderes , em Brasília.

 Fora do comando de militares e com uma mudança de filosofia, a agência pretende ouvir, a partir de agora, o mundo acadêmico para reformulação da atual estratégia atual da Abin, definida no governo Temer pelo general Sérgio Etchegoyen. A linha de atuação da Abin está expressa na Política Nacional de Inteligência e na Estratégia Nacional de Inteligência. Os dois documentos devem ser revisados.

Futuro chefe da agência, o delegado Luiz Fernando Corrêa, costuma dar um exemplo prático: se a fome é um grande flagelo nacional, a Abin não pode ficar de fora do tema, afirmaram interlocutores do governo ao Blog do Octávio Guedes . 

Diferentemente do que fazia o governo do ex-presidente Bolsonaro, a nova Abin deve cobrir temas como aquecimento global, desmatamento da Amazônia, ataques a povos originários, garimpo ilegal e até ameaças ambientais à plantação de soja.

Criada no governo Fernando Henrique, a Abin era para ser uma agência de inteligência civil, no entanto, foi cooptada pelos militares, ficando subordinada ao GSI, antiga Casa Militar.

Após o governo FHC, Dilma foi a única que tentou dar um caráter civil à agência de inteligência. Em seu governo, Dilma se revoltou ao perceber que a Abin, além de não prevenir, nunca soube explicar como ela foi grampeada pelo governo norte americano. A ex-presidente também fazia reclamações sobre relatórios da inteligência com informações que já haviam sido noticiadas nos jornais. 

No entanto, está não foi a primeira vez que a Abin não previu as coisas. Durante o governo Michel Temer a agência não antecipou a greve dos caminhoneiros e, no governo Bolsonaro, não percebeu que aviões da FAB, da comitiva presidencial, transportavam cocaína.

Fonte: PORTAL IG - 03/03/2023

quinta-feira, 2 de março de 2023

Salvador: Jornalista Jéssica Senra viraliza após criticar xenofobia de vereador do Sul

                                            foto:reprodução/redes sociais

Sempre que algum assunto da Bahia repercute do estado, a apresentadora Jéssica Senra faz discurso ao vivo e, desta vez, não foi diferente. A jornalista, que apresenta o Bahia Meio Dia, da TV Bahia, rasgou o verbo contra o discurso xenofóbico do vereador Sandro Fantinel (sem partido), de Caxias do Sul, na Serra do Rio Grande do Sul.

Nesta quarta-feira (1°), a comunicadora compartilhou nas redes sociais o momento em que desabafou sobre o preconceito explicito do vereador, referente aos baianos, que foram resgatados de um trabalho análogo no sul do país.

"Esse vereador ficou revoltado porque os trabalhadores escaparam e denunciaram as condições degradantes. A gente toca até tambor muito bem, temos praias lindas. Mas nossa cultura não é só isso, não, viu, vereador? Nossa cultura é de não se deitar para autoritários, tiranos, para senhores de engenho", diz um trecho do discurso. 

Thank you for watching

Jéssica ainda citou que o Rio Grande do Sul foi criado por imigrantes de outros países que estavam buscando oportunidade de viver longe da crise econômica da Europa. "Receberam inúmeros benefícios do Brasil para aqui se instalarem. [...] Hoje [quarta-feira], esse vereador de um estado construído com a força de pobres imigrantes, discrimina pessoas humildes em busca de oportunidades de trabalho. Ignorando sua história, se crê superior social e economicamente", disparou 

A comandante do programa de meio-dia ainda citou que a xenofobia é um comportamento que exclui, discrimina, que difama pessoas com base na percepção de que são estrangeiras à comunidade.

"Enquanto ignorância é a falta de conhecimento sobre determinado assunto, a burrice é a incapacidade de compreender a realidade, por teimosia ou arrogância".

Vereador expulso do partido

O vereador Sandro Fantinel foi expulso do partido Patriota nesta quarta-feia (1°) após a repercussão nas redes sociais. No dia anterior, ele usou a tribuna da Câmara de Vereadores para comentar que os produtores da região não contratassem mais "aquela gente lá de cima", se referindo aos baianos. 

Fonte: Correio da Bahia - 02/03/2023

Portugal: Carne na mala de brasileiro suspeito de homicídio em Amsterdã é humana

Begoleã Fernandes foi preso no aeroporto de Lisboa suspeito de homicídio
Reprodução -Begoleã Fernandes foi preso no aeroporto de Lisboa suspeito de homicídio


A carne que estava na mala de do mineiro Begoleã Fernandes, de 26 anos, preso na noite de segunda-feira (27) em um aeroporto de Lisboa , em Portugal, é de origem humana , informou o jornal português Correio de Manhã.

Segundo o jornal, a carne foi analisada Instituto de Medicina Legal de Lisboa após ser encontrada entre as malas do mineiro. O resultado apontou que a amostra investigada não pertence a Alan Lopes, que pode ter sido assassinado pelo brasileiro na Holanda.


O jovem, de 26 anos, foi preso por falsificação de documentos, segundo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Begoleã pretendia viajar com destino a Belo Horizonte, segundo o SEF, e apresentou um cartão de identidade italiano, além de também estar portando outros documentos de identificação em nome de terceiros, o que levantou suspeitas.

Na ocasião, após contato com autoridades da Holanda, país onde o homem morava, o SEF confirmou que Fernandes era suspeito de praticar um homicídio na noite do último domingo (26), no norte de Amsterdã.

Fonte: Portal IG - 02/03/2023

quarta-feira, 1 de março de 2023

DF: AGU pede a Justiça Federal condenação definitiva para mais 42 presos em atos de 8/1

 

Igo Estrela/Metrópoles

A Justiça já bloqueou os bens dessas pessoas, em medida cautelar, também de autoria da AGU. O novo pedido é para que a cautelar seja convertida em ação civil pública de proteção do patrimônio público para que os suspeitos sejam obrigados em definitivo a ressarcir R$ 20,7 milhões aos cofres públicos.

A verba diz respeito aos prejuízos que Supremo Tribunal Federal, Palácio do Planalto, Câmara dos Deputados e Senado Federal calcularam ter sofrido durante os atos de depredação. O dinheiro será usado para pagar as obras de reconstrução das sedes dos Poderes.

De acordo com a AGU, “documentos apresentados em juízo, fornecidos pela Polícia Civil do Distrito Federal, os réus participaram da materialização dos atos de invasão e depredação de prédios públicos federais, tanto que, em meio a esses atos, foram presos em flagrante como responsáveis pelos atos de vandalismo nas dependências dos prédios dos Três Poderes da República, e em face dos mesmos foi decretada prisão preventiva”.

Assim, a AGU argumenta que “réus, de vontade livre e consciente, participaram ativamente em atos ilícitos dos quais, mais que os danos materiais ao patrimônio público federal objeto desta ação, resultaram danos à própria ordem democrática e à imagem brasileira”.

Ações

A AGU moveu quatro ações contra suspeitos de envolvimento nos atos. A instituição defende em juízo que todos devem responder solidariamente pelos danos causados, nos termos do Código Civil.

Confira cada uma:

  • Na primeira ação, a AGU obteve, de forma cautelar, o bloqueio de bens de suspeitos de financiar o fretamento de ônibus para os atos. Posteriormente, foi solicitada a conversão em principal para pedir a condenação definitiva de 54 pessoas físicas, três empresas, uma associação e um sindicato a ressarcir os cofres públicos.
  • Na segunda, obteve de forma cautelar o bloqueio de bens de 40 pessoas presas em flagrante por participarem da invasão e depredação dos prédios; agora, a AGU pede a condenação definitiva dos envolvidos a ressarcirem os cofres públicos.
  • Uma terceira ação foi movida em face de outros 42 presos por participarem da invasão dos prédios e depredação. O bloqueio já foi concedido pela Justiça.
  • A quarta ação foi proposta contra mais 42 detidos em flagrante durante os atos. A Justiça também concedeu bloqueio.
Fonte: Metrópoles - 01/03/2023

RS: “Mandaram matar os baianos”, diz resgatado de vinícola ao MPT


beliches-vinicola-trabalho-analogo-escravidao-metropolesPorthus Junior/Agencia RBS

Nos relatos, o trio também descreve agressões, refeições com aspecto estragado e jornada de trabalho exaustiva. As informações são do jornal O Globo, que teve acesso ao documento.

Empregados pela empresa Fênix Prestação de Serviços, que operava de forma terceirizada em vinícolas como Aurora, Salton e Cooperativa Garibaldi, os três homens decidiram, no dia 21 de fevereiro, enviar um vídeo no grupo de WhatsApp da empresa para denunciar as condições de trabalho. Na gravação, o trio, encharcado, revela o prato de comida que haviam recebido: arroz, feijão e frango com aspecto estragado.

No depoimento, os trabalhadores relatam mais do cotidiano vivido na vinícola. Após a colheita, eles eram recebidos no alojamento por seguranças do chefe da empresa. Agressões em formas de mordidas, choques, socos e enforcamentos era o tratamento comum dado a eles.

Vindos da Bahia, os homens chegaram a Bento Gonçalves, município do Rio Grande do Sul, para trabalhar nas vinícolas. O acordado em contrato assinado foi de que eles trabalhariam durante 45 dias, com jornada diária de 15 horas, por um valor de R$ 3 mil. O montante nunca foi pago.

O dono da empresa operava um pequeno mercado dentro da vinícola, onde vendia itens básicos aos trabalhadores. Em posse de R$ 400, dado pelo empregador, os homens poderiam comprar no local. O valor dos produtos, contudo, estava muito acima do preço normal de mercado. Para ilustrar, um pacote de biscoito de água e sal era vendido a R$ 15.

No que diz respeito à higiene, o alojamento tinha quatro privadas para mais de 200 trabalhadores. Os quartos eram compostos por beliches amontoados e não recebiam qualquer tipo de limpeza ou manutenção.

Relatos

Um dos homens, de 36 anos, conta que eles tinham de usar a própria roupa de cama e travesseiro. Como alguns não dispunham, precisavam improvisar com mochilas e outros objetos.

Outro trabalhador, de 20 anos, aponta que foi acordado com choques. Sobre o trabalho, ele diz que os equipamentos de proteção se resumiam a um par de luvas e botas. Os objetos, de baixa qualidade, rasgaram com rapidez e não foram substituídos. Ele ressalta que o contrato previa a cessão de óculos de sol e protetor solar, o que não aconteceu.

O terceiro homem, de 23 anos, completa que a marmita não vinha acompanhada de talheres. Os trabalhadores que não tivessem, tinham de usar a tampa da marmita de forma improvisada. Ele acrescenta que a água também era responsabilidade dos empregados.

Nos relatos, um deles revela ter desmaiado durante o trabalho. Um dos funcionários da empresa o levou de carro ao hospital. Na volta, ele teve de caminhar por 4 km. Outro homem alega ter visto dois trabalhadores se esfaquearem e, ainda assim, irem trabalhar no dia seguinte.

Os funcionários da empresa andavam sempre armados e ameaçavam os empregados. “Fomos agredidos com uma cadeira de ferro na cabeça e socos na cabeça e nos braços. Durante as agressões, fomos ameaçados de morte.”, revela um dos homens.

A fuga ocorreu no dia 22 de fevereiro. O grupo pulou da janela do alojamento para uma laje vizinha, que ficava a uma queda de 2 metros. Dali, foram mais 5 metros em um pulo para um jardim à altura do chão. Com um celular escondido, um dos homens pediu dinheiro à família e chamou um carro de aplicativo.

O veículo os levou até um posto de gasolina em Garibaldi, onde eles se esconderam no banheiro. Pouco tempo depois, acionaram outro carro de aplicativo até a rodoviária local e partiram para Caxias do Sul. Durante a viagem, contataram um agente da Polícia Rodoviária Federal em um posto situado na estrada.

Repúdio

Em resposta, as vinícolas repudiaram os fatos relatados pelos trabalhadores. Elas alegam ter exterminado o contrato com a empresa Fênix Prestação de Serviços e anunciaram mudanças na fiscalização para que o evento não se repita. Além disso, dizem estar colaborando com as autoridades para que o caso seja devidamente investigado.

Fonte: Metropoles - 01/03/2023

RS: Atitude "nojenta" do vereador de Caxias não representa povo do Rio Grande, diz governador Eduardo Leite

Vereador Sandro Fantinel
Reprodução - 01.03.2023 - Vereador Sandro Fantinel

Diversos políticos repudiaram o comentário xenofóbico feito pelo vereador Sandro Fantinel (Patriota), de Caxias do Sul , ao usar a tribuna nesta terça-feira (28) para atacar baianos e criticar a operação da Polícia Federal que resgatou mais de  200 trabalhadores que estavam em situação análoga à escravidão em Bento Gonçalves (RS).

O governador do estado, Eduardo Leite (PSDB), classificou a atitude do político como "nojenta" e disse que o ataque "não representa o povo do Rio Grande do Sul". Além disso, ele afirmou que irá procurar o estado do Bahia para alinhar ações conjuntas para banir o preconceito.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), também se manifestou sobre a fala do vereador: "Eu repudio veementemente a apologia à escravidão e não permitirei que tratem nenhum nordestino ou baiano com preconceito ou rancor".

"É desumano, vergonhoso e inadmissível ver que há brasileiros capazes de defender a crueldade humana. Determinei, portanto, a adoção de medidas cabíveis para que o vereador seja responsabilizado pela sua fala", afirmou o governador.

Já o deputado estadual Leonel Radde (PT) afirmou em uma rede social que registrou um Boletim de Ocorrência contra o vereador.

"Acabamos de registrar um novo Boletim de Ocorrência contra a fala racista do vereador de Caxias do Sul/RS, Sandro Fantinel, que declarou que 'baianos são sujos e sabem apenas tocar tambor e dançar'", disse.

As declarações feitas pelo vereador  também foram repudiadas pelos colegas da Câmara em Caxias do Sul. Lucas Caregnato (PT) disse que as palavras usadas foram de "cunho xenofóbico, preconceituoso e discriminatório". Já Rafael Bueno (PDT) pediu que a Câmara emita uma nota "pedindo desculpas, porque a gente não comunga com qualquer prática de intolerância, seja com imigrantes ou trabalhadores que procuram nossa região para sobreviver".

José Pascual Dambrós (PSB), presidente da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, afirmou que Fantinel "tem responsabilidade de responder por sua fala" , que, segundo ele, não reflete o pensamento da cidade ou da Câmara. No entanto, afirmou que não vai se comprometer com uma ação contra o colega. De acordo com José, uma medida contra o vereador só deve ser tomada caso haja representação no Conselho de Ética da Casa.

"A fala de um vereador não representa a cidade. O que representa a cidade é a hospitalidade e a harmonia com que recebemos gente de fora do país e do estado. Mais da metade dos vereadores veio de fora da cidade, precisamos respeitar todo o povo, inclusive temos muita gente de outros municípios, de outras regiões e até de outros países trabalhando na cidade", avalia.

Fala xonofóbica

Na terça (27), o vereador Sandro Fantinel (Patriota) usou a tribuna da Câmara Municipal para atacar os baianos e criticar a operação da PF que resgatou 207 trabalhadores que estavam sendo explorados em Bento Gonçalves (RS).

Durante seu discurso, o parlamentar aconselhou os produtores da região a contratar mão de obra de argentinos ao invés de contratar trabalhadores da Bahia. Segundo ele, as pessoas do país vizinho “são limpos” , enquanto os baianos só sabem “viver na praia tocando tambor” .

Nos últimos dias, trabalhadores que estavam em situação análoga a escravidão foram resgatados uma operação da Polícia Rodoviária Federal em conjunto com o MTE e a Polícia Federal na cidade de Bento Gonçalves. Os profissionais – explorados em grandes vinícolas da região – eram ameaçados e até agredidos com choques e spray de pimenta pelos patrões. Segundo a polícia, dos 207 homens resgatados, 198 eram baianos com idades entre 18 e 57 anos.

Apesar das provas, o vereador acusou a mídia dar uma “exagerada” na denúncia e que a exposição do caso tem “motivos políticos” para prejudicar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no qual Fantinel é apoiador. “Como é de costume, o empresário é tratado como vilão”, lamentou.

“Agora o patrão vai ter que pagar empregada para fazer limpeza todos os dias para os bonitos? Temos que botar em hotel 5 estrelas para não ter problema com o Ministério do Trabalho?”, indagou ele.

“Agricultores, produtores vou dar um conselho para vocês: não contratem mais aquela gente lá de cima”, acrescentou, referindo-se aos baianos, que eram maioria no alojamento. O vereador ainda prometeu criar “uma linha” para contratar argentinos para o trabalho de colheita de uvas.

“Todos os empresários que têm argentinos trabalhando hoje só batem palmas. São limpos, trabalhadores, corretos, cumprem o horário, mantém a casa limpa e no dia de ir embora ainda agradecem o patrão. Agora com os baianos, que a única cultura que eles têm é viver na praia tocando tambor, era normal que fosse ter esse tipo de problema”, falou Sandro em tom preconceituoso.

“Deixem de lado. Que isso sirva de lição, deixem de lado aquele povo, que é acostumado com carnaval e festa, para vocês não se incomodarem novamente”, concluiu.

Veja o vídeo da fala do político:

Relembre o caso

O caso veio à tona na quarta-feira (22), após três trabalhadores procurarem a PRF em Caxias do Sul afirmando que haviam fugido de um alojamento em que eram mantidos contra sua vontade. Já no local, após a denúncia, os trabalhadores foram encontrados em uma "situação degradante" , afirmaram os agentes. 

Os trabalhadores foram contratados pela Fênix Serviços Administrativos e Apoio à Gestão de Saúde Ltda, que oferecia a mão de obra para as vinícolas Aurora, Cooperativa Garibaldi, Salton e produtores rurais da região. Segundo os tabalhadores, eles eram extorquidos, ameaçados, agredidos e torturados com choques elétricos e spray de pimenta.

Pedro Augusto de Oliveira Santana, de 45 anos, responsável pela empresa, chegou a ser preso durante a ação policial, mas irá responder pelo crime em liberdade. Ele pagou uma fiança de R$ 40 mil.

Na noite de sexta (24), os trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão começaram a voltar para casa. A maioria chegou à Bahia nesta segunda-feira (27). Os demais optaram por permanecer no RS. Quase todos já receberam as verbas rescisórias a que tinham direito, em um valor que, somado, ultrapassou R$ 1 milhão.

Já nesta terça-feira (28), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) suspendeu a participação das vinícolas Aurora, Cooperativa Garibaldi e Salton de suas atividades. A ApexBrasil é um serviço social autônomo vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que promove os produtos brasileiros no exterior.

Fonte: PORTAL IG C/ADAPTAÇÕES 01/03/2023