foto:Frederico D'Ávila com Flávio Bolsonaro e Dom Orlando Brandes em Aparecida (Divulgação Frederico Dávila / Thiago Leon A12)
Arcebispo emérito de Aparecida, Dom Orlando Brandes virou alvo de apoiadores de Flávio Bolsonaro após pedir, em celebração no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida no dia 7 de Setembro, que os católicos votem em quem defende a “nossa soberania”. A declaração foi, automaticamente, entendida pelos bolsonaristas como uma sinalização de voto em Lula, já que o senador defende a submissão aos interesses dos EUA e de Donald Trump.
Essa, no entanto, não foi a primeira vez que o arcebispo virou alvo de aliados do clã Bolsonaro. Em discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no dia 14 de outubro, o então deputado estadual do PSL Frederico D’Ávila chamou Dom Orlando de “vagabundo, safado” e ” afirmou que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, é um “câncer” que “precisa ser extirpado do Brasil”.
D’Ávila, que atualmente é o primeiro suplente na candidatura do ex-ministro de Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo) ao Senado, proferiu os ataques após Dom Orlando, em homilia no Dia Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, afirmar que “para ser pátria amada não pode ser pátria armada”.
“Para ser pátria amada, seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira”, disse o arcebispo.
“Mãe Aparecida, muito obrigado porque na pandemia a senhora foi consoladora, conselheira, mestra, companheira e guia do povo brasileiro que hoje te agradece de coração porque vacina sim, ciência sim e Nossa Senhora”, emendou o religioso, diante das mais de 600 mil mortes registradas pela pandemia da Covid-19 à época.
A homilia aconteceu após Jair Bolsonaro (PL) ser vaiado e chamado de “genocida” ao chegar para participar da cerimônia. Na ocasião, o ex-presidente apareceu de máscara de proteção facial, comungou e tirou foto com Dom Orlando antes de ir embora.
Dois dias depois, na Tribuna da Alesp, o deputado bolsonarista atacou o arcebispo de Aparecida ferozmente e defendeu o fim da CNBB, elogiando movimentos ultraconservadores católicos, como a Opus Dei.
“Quero complementar aqui, falar pro arcebispo Dom Orlando Brandes, seu vagabundo, safado, safado da CNBB, dando recadinho pro presidente pra população brasileira, que pátria amada não é pátria armada. Pátria armada é a pátria que não se submete a essa gentália, seu safado. E a sua CNBB, propaladora da teologia da libertação, você se esconde atrás da sua batina pra fazer proselitismo político, pra converter as pessoas de bem a na sua ideologia”, disparou D’Ávila.
Em seguida, o deputado bolsonarista mirou a congregação dos bispos, que voltou a defender recentemente que os católicos votem pela democracia, soberania e em defesa dos mais pobres.
“Seus pedófilos, safados. A CNBB é um câncer, um câncer que precisa ser extirpado do Brasil”, afirmou.
“E quero abraçar aqui a Opus Dei, a Arautos do Evangelho, que esses sim cuidam das pessoas e são perseguidos por gente nojenta como você, Dom Orlando Brandes e sua CNBB imunda. Canalhas, canalhas”, emendou.
A Fórum consultou os arquivos da Alesp nesta sexta-feira (25) e constatou que o vídeo com o discurso foi censurado. As notas taquigráficas também aparecem com sinais de censura aos ataques do deputado bolsonarista a dom Orlando Brandes.

Assista ao vídeo
“Lamentável espetáculo”
Após a repercussão dos ataques, a CNBB classificou as falas como “lamentável espetáculo”.
“Ao longo de toda a sua história de 69 anos, celebrada no dia em que ocorreu este deplorável fato, a CNBB jamais se acovardou diante das mais difíceis situações, sempre cumpriu sua missão merecedora de respeito pela relevância religiosa, moral e social na sociedade brasileira. Também jamais compactuou com atitudes violentas de quem quer que seja. Nunca se deixou intimidar”, disse a congregação em carta.
“Agora, diante de um discurso medíocre e odioso, carente de lucidez, modelo de postura política abominável que precisa ser extirpada e judicialmente corrigida pelo bem da democracia brasileira, a CNBB, mais uma vez, levanta sua voz”, emendou.
Após a Alesp repudiar as falas, o deputado bolsonarista emitiu carta aberta se desculpando e dizendo que “meu pronunciamento, que admito ter sido inapropriado e exagerado pelo calor do momento, se deu em resposta a alguns líderes religiosos que ultrapassam os limites da propagação da fé e da espiritualidade para fazer proselitismo político”.
Fonte: REVISTA FÓRUM/REPRODUÇÃO - 25/09/2026
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