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domingo, 15 de dezembro de 2019

Bahia: Queda de torre de alta tensão da Chesf deixa três mortos e quatro feridos em Simões Filho


foto:Tiago Caldas/reprodução Correio da Bahia
Três pessoas morreram após serem atingidas por uma torre de tensão, que caiu no início da tarde deste domingo (15), na BA-093, em Simões Filho, região metropolitana de Salvador. A informação das mortes foi confirmada ao CORREIO pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), empresa para qual as vítimas trabalhavam. No local, testemunhas, muito abaladas, comentaram que duas pessoas morreram na hora e uma terceira pessoa morreu enquanto era socorrida, já fora do local.
Outras quatro pessoas foram socorridas em estado grave por uma por uma equipe do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) para uma unidade de saúde, em Salvador, e a outra foi levada para o Hospital Geral de Camaçari.
(Fotos de Tiago Caldas/CORREIO)
A Chesf informou que o acidente ocorreu durante o serviço de recapacitação da linha de transmissão Camaçari-Cotegipe, de 230kV, por uma empresa terceirizada, a Assembly Instalações Elétricas. Não houve interrupção no fornecimento de energia elétrica para a população. "O trabalho nesta linha está sendo realizado por empresa contratada e a Chesf, ao ser informada do ocorrido, foi mobilizada, adotando todas providências cabíveis. A Chesf lamenta profundamente a perda dos três trabalhadores e destaca que atua de modo a reforçar o valor da Segurança em todas as suas atividades", diz a nota. Equipes da Chesf de Recife, em Pernambuco, estão se deslocando para Salvador.
Conforme o Corpo de Bombeiros, o caso aconteceu por volta das 12h10. Não há informações sobre o que causou a queda do equipamento. Informações do Correio da Bahia.

"Petista faz auê, bolsominion é perturbado" diz autor do livro, a filosofia explica Bolsonaro

FOTO:REPRODUÇÃO
O filósofo paulistano Paulo Ghiraldelli, de 62 anos, não sai mais de casa sem escolta. Segundo ele, é tanto odiado como amado porque ousou produzir reflexão pelo YouTube. “Filósofos são chatos, pois têm mania de criticar’’, diz, na biblioteca de casa, na zona Oeste de São Paulo, de onde transmite seus comentários. “Não abro mão do rigor conceitual. Incomodo porque penso e faço pensar.” Em vez de tentar conquistar a patuleia com piadas e frases de efeito, como fazem alguns de seus colegas, Ghiraldelli criou um canal com o qual procura fornecer instrumentos para a análise da atualidade — uma das tarefas da filosofia. O canal atingiu 360 mil seguidores. Com pelo menos quatro boletins diários, sem cortes, analisa a política brasileira, ironiza o mundo e comenta assuntos culturais. Há um mês, lançou o livro “A filosofia explica Bolsonaro” (editora Leya), que figura entre os mais vendidos do Brasil e chegou à segunda edição. Nesta entrevista exclusiva à ISTOÉ, condena os filósofos ‘‘stand-up’’ e se mostra preocupado com os rumos da inteligência brasileira, perturbada pelo obscurantismo.
Para que serve a Filosofia?

Ela fornece instrumentos para as pessoas analisarem o mundo. A metafísica ficou secundária, embora continue a ser estudada. Em compensação, a Filosofia ganhou um novo impulso ao demonstrar que é capaz de analisar a atualidade.

Por isso os pensadores se converteram em coachs?
O que eu não gosto é o cara que fica preso à universidade, mas faz palestras motivacionais. O problema é que isso mata a universidade. O aluno começa a achar que “stand-up philosophy” é conhecimento e não quer mais ler os textos, nem se dedicar. O aluno hoje acha que basta ler orelha de livro.
Há muitos filósofos supostamente geniais com um público fiel, não é mesmo?

Os astros mais destacadas da comédia filosófica se chamam Luiz Felipe Pondé e Leandro Karnal. Eles se chamam de Mosqueteiros da Filosofia.

Karnal não é um personagem simpático?

É o mais tosco. Karnal não sabe filosofia e se mete onde não é chamado. Além disso, não conhece as palavras do dicionário. Possui um vocabulário extremamente ruim. Outro dia, deu uma palestra sobre imperativo categórico, um conceito do filósofo alemão Immanuel Kant, para dizer que o conceito era instintivo. Mas, se é categórico, vem do pensamento. É também ruim como acadêmico. Dava palestras sobre ética, mas não comparecia às aulas que tinha compromisso de ministrar junto à Unicamp. Resultado: ele foi demitido. Karnal é como a Monja Cohen. Vive dizendo que é preciso repensar o seu eu interior. Chegou a afirmar que o governo é corrupto porque todos somos corruptos. Me inclua fora dessa!

Você critica ainda mais o Pondé.

É um produtor de fake news profissional. Falsifica tudo, a começar pelo currículo. Apareceu na imprensa como psicanalista. Depois, figurou como estudante de Medicina. Depois, ex-estudante de Medicina. E assim foi enganando o público e ganhou coluna no jornal. Ele afirma que não precisa ler as obras do educador Paulo Freire, que foi meu professor, para poder criticá-lo. Ora, isso é o fim do mundo!

Qual é o legado do educador Paulo Freire?

Paulo Freire trouxe a filosofia da educação para um campo nobre. É o único brasileiro citado no mundo inteiro em todas as áreas, da Física à Pedagogia, passando por futebol. Nas bibliotecas americanas, a “Pedagogia do oprimido” está nas estantes de Letras, Ciências Sociais e História. Todas as faculdades compraram um volume. Criou-se uma mentira em torno de Paulo Freire. Nem Lula nem Fernando Haddad leram os livros dele. Haddad foi ministro da Educação por dez anos e não aplicou Paulo Freire em lugar algum. Aí a Educação foi para o buraco no Brasil e culparam o Paulo Freire. Ninguém faz nada do que ele mandou. Aí chega a direita e diz: “O cara que vocês não usaram é que provocou tudo isso”. Que esquizofrenia é essa?

Outro colega seu de relevo é Olavo de Carvalho.
Colega meu, não, por favor. Ele não é nem astrólogo, e sim ideólogo do neofascismo. Acaba de estrear um programa no horário nobre na TV Escola. O problema é que se trata de uma emissora de referência para professores em todo o Brasil.
A produtora do Olavo, Brasil Paralelo, está fazendo a programação. Olavo começou a aparelhar ideologicamente os professores. O nível é de terraplanismo para além, com direito a campanhas de antivacinação e a conversão da História do Brasil em disciplina sem pé nem cabeça. Daqui a pouco veremos pré-vestibulandos jurando que a lei da gravidade nunca existiu e Zumbi dos Palmares chicoteava escravos.

Por que você fez sucesso ao malhar os políticos?

Porque mudei o perfil do canal. Antes, era dedicado temas filosóficos. Em um ano, pulei de 11 mil para 360 mil seguidores. Passei a dar instrumentos críticos a pessoas apavoradas com política. Eu voltei a ler sociologia e economia. Percebi que um monte de gente reacordou politicamente por causa do Bolsonaro. Os governos do PT geraram um marasmo. Muito petista virou funcionário do partido. Chegou um momento em que você precisava de qualquer pessoa para fazer um serviço e não encontrava ninguém, pois todos estavam no governo. O resultado é que não há mais militante jovem, só cabeça branca.

Filosofia combina com YouTube?

Sim. Quando a internet começou, eu comecei. E quando começou o YouTube, há 20 anos, virei youtuber. Eu tinha meu blog, mas me projetei com o YouTube. A origem da filosofia é oral. Sócrates dizia que o livro tem sempre a mesma resposta, mas a fala é diferente. Se vivesse hoje, Sócrates seria um youtuber influenciador.

Você lucra com seu canal?
Monetizo razoavelmente. Ganharia mais se não tivesse de pagar taxas em dólar. É o começo de um modelo de negócio que deve progredir. Boa parte das pessoas vive disso. Só não ganho mais porque tenho que arranjar advogado todos os dias. O que mais chega aqui é polícia. Pago segurança.

Pelo jeito, a vida de youtuber não anda fácil.

Não. Quando eu saio tenho que ter segurança. Sou reconhecido na rua, o cara pede autógrafo. Fui atacado em um ponto de ônibus à noite, em frente ao metrô Butantã. O sujeito perguntou se eu era professor Paulo e, quando soube, disse: “Pois saiba que eu te odeio. Eu vou te matar.” Saí correndo e me escondi em um bar. Os petistas fanáticos só fazem auê. Já os bolsominions podem ser meio perturbados.

Por que você disse que uma bolsonarista famosa, Regina Duarte, sofre de deficiência cognitiva programada?

Um deficiente cognitivo programado não é uma pessoa limítrofe, mas afetada pela ideologia. Ela adquire um limite de pensamento desde a infância. Regina Duarte é o caso de uma atriz que não conseguiu aprender com os personagens que interpretou. Ela parece impermeável ao conhecimento. A origem do problema está nos pais, como acontece com outras pessoas. Ela quis virar atriz para reparar injustiças que fizeram com o pai, militar. Passou por vários governos de esquerda no Brasil, sem ter notado que o comunismo até hoje não chegou aqui.

Por que você é tão atacado pelos canais “progressistas”, como 247, DCM etc.?
Porque eles só fazem propaganda. A blogosfera do PT é tudo a mesma coisa. Eles pegam dinheiro do PT. Muita gente que eu não imaginava recebe verbas do partido. O cara levanta de manhã e passa o dia dizendo que Lula é santo e os Estados Unidos vão dar um golpe. É uma mentirada total. Há militantes petistas que conseguiram estragar uma das coisas mais interessantes que o PT fez: a TV Brasil. Eles ganhavam um bom salário, mas não apareciam lá e a TV não aconteceu.

A rede Globo exerce o papel de malvada favorita de todo os políticos populistas?
O populista escolhe um inimigo, em geral famoso. Trump escolheu três redes para bater. No Brasil, a Globo foi a eleita do Jânio, do Brizola e do Lula. Só não foi eleita pelo Collor porque era dono de uma parte dela. A Globo é uma empresa de comunicação que dá impressão de monopolista por ser a única. Só ela chega em todos os lugares do Brasil. Se houvesse outra rede rival, não haveria monopólio. De 1995 para cá, ela profissionalizou o jornalismo. Alguns podem considerar Ali Kamel um nazista, mas o jornalismo que ele pratica é superior ao das redes americanas. A Globo vende informação, e não batata.

A bipolaridade Lula-Bolsonaro prejudica a economia?

A disputa entre Lula e Bolsonaro não é boa para o sistema financeiro e aumenta a nossa nota de risco. Numa situação tranquila, os investidores apareceriam. A regra do investidor é chegar antes e sair antes. Os bancos querem a paz para lucrar, mesmo que seja a dos cemitérios.

Como, enfim, a Filosofia pode explicar Bolsonaro?

Bolsonaro é a figura mais contemporânea que você pode ter. Como a Filosofia tem a tradição de pensar o próprio tempo, ela precisa se encontrar com Bolsonaro, que é a síntese do momento. Ele resume o que os filósofos dizem há 50 anos. Estamos perdendo o vocabulário em beneficio da capacidade pictórica. Bolsonaro é uma foto sem legenda. Os demais presidentes precisavam de legenda. Ele, não. Só tem gestos. No hospital, fez arma em vez de sinal de positivo. Ele come a legenda. É um presidente que, por não precisar falar, pode dizer as abobrinhas que quiser. Cativa uma população que vive de imagens. O número de jovens que o desenhou como herói de quadrinhos durante a campanha é impressionante. É como se ele pertencesse a uma faixa de idade entre 13 e 15 anos. Pior é que o universitário brasileiro também está no mesmo nível.

Ele espelha a regressão do eleitor?

Bolsonaro mostra que é possível reduzir todos os sentimentos aos emojis, figurinhas que não permitem a sofisticação das emoções. Ele reduz tudo ao visual. Bolsonaro rebaixa todas as emoções a imagens. Bolsonaro é um presidente dos emojis, da não linguagem, do estágio primitivo da civilização. De fato, estamos caminhando rumo a um mundo tosco. As crianças manipulam bem os aparelhos digitais e as pessoas dizem que as crianças ficaram mais inteligentes. Mas foi a máquina que ficou simples. Meu cachorro é capaz de se comunicar assim. Estamos vivendo no mundo pavloviano criado por Jair Bolsonaro.

FONTE: REVISTAONLINE ISTOÉ EDIÇÃO 2607 DE 13/12/19 

Caso Marielle: Sem ser perguntado, Bolsonaro fala em 'armações'

A então vereadora Marielle e o seu motorista Anderson foram assassinados -foto:reprodução


Sem ser questionado sobre o assunto, o presidente Jair Bolsonaro voltou a tratar de investigações sobre o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ). "No caso Marielle, outras acusações virão. Armações, vocês sabem de quem", disse Bolsonaro nesta sexta-feira, 13. O mandatário não especificou quem seria o autor das armações. "Mas a gente tem um compromisso: mudar o destino do Brasil", emendou o presidente.

A declaração de Bolsonaro foi feita a seus apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. Bolsonaro argumentava sobre o governo estar apresentando bons resultados, "apesar de grande parte da imprensa, de gente do mal, pessoas que querem voltar ao que era antes".
Bolsonaro já atribuiu ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), tentativa de vinculá-lo ao caso Marielle. Em evento para lançamento de seu novo partido, o Aliança Pelo Brasil, no final de novembro, o presidente afirmou que "(Witzel) tenta destruir quem está do meu lado usando a Polícia Civil do Rio".
 fonte:Tribuna da Bahia.

Salvador: Morre bebê alvo de ataque que matou três no Horto Florestal


Três pessoas são mortas na Avenida Juracy Magalhães Júnior
foto:reprodução
Morre no Hospital Geral do Estado (HGE) o bebê de, aproximadamente, 1 ano, que foi baleado em um atentado que deixou mais dois homens e uma mulher mortos a tiros, no início da noite de sábado (15). O crime ocorreu no recuo da Avenida Juracy Magalhães Júnior, numa via marginal que dá acesso ao condomínio de luxo Vale do Loire, no Horto Florestal. A criança, que é do sexto masculino, ainda não teve a identidade revelada. Também não foi informado qual a relação dela com os adultos que foram mortos no local.
De acordo com o boletim de ocorrências da Secretaria de Segurança Pública (SSP), as outras vítimas são Ana Paula Ramos da Silva, 18 anos, Diógenes Rosário da Rocha, 29, e Suedson Oliveira Coelho, 38. Os corpos estão no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IML). Esta foi a segunda chacina que ocorreu em Salvador em um intervalo de menos de 48 horas. Na sexta-feira (13), quatro motoristas de aplicativo de transporte foram assassinados na comunidade Paz e Vida, na Mata Escura.
Em nota, a Polícia Militar informou que policiais militares da 26ª Companhia Independente de Polícia Militar foram acionados por populares, por volta das 17h50, quando faziam rondas na região. Segundo a polícia, a informação era que homens armados em um veículo Fiat, modelo Linea, cor branca, desembarcaram no local retirando do carro uma mulher e dois homens e, em seguida, atingindo as vítimas com disparos de arma de fogo.
Ainda de acordo com a polícia, no local os policiais foram informados que entre as vítimas havia também uma criança, sexo masculino, aparentando 1 ano, ferida por disparo de arma de fogo. "O bebê chegou a ser socorrido para o HGE, mas não resistiu aos ferimentos. A PM isolou a área e acionou os agentes do Departamento de Polícia Técnica (DPT) para remoção", informa a PM, em nota. Após o crime, policiais realizaram rondas na região, mas ninguém foi preso. 
Suedson usava um colete de mototaxista e foi encontrado amordaçado. Além disso, ele e Diógenes também estavam com os braços amarrados. Atingida por disparo de arma de fogo na região do braço, a criança foi socorrida para o Hospital Geral do Estado (HGE), na Vasco da Gama. Mas ela acabou não resistindo. Não há informações ainda sobre qual a relação da criança com as outras vítimas.
No local do crime havia muitas marcas de sangue. O corpo do mototaxista estava caído no meio da rua, enquanto os das outras duas vítimas estavam na calçada. A área foi isolada. A polícia técnica esteve no local para fazer a perícia nos corpos, que foram levados para o Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IML) onde passarão por necropsia.
O diretor do Sindicato dos Mototaxistas (Sindimoto), Gilson Damasceno, esteve no local do crime e informou que o mototaxista morto se chamava Suedison Oliveira Coelho. De acordo com ele, a vítima teria tirado a licença para trabalhar como mototaxista em 2018. 
A autoria e a motivação do crime serão investigadas pela Polícia Civil. O diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)  da Polícia Civil, o delegado José Alves Bezerra Júnior, esteve no local do crime e informou que, por enquanto, não poderia divulgar informações sobre o caso, nem mesmo a identidade das vítimas.
Um policial que estava lá, que pediu para não ser identificado, disse que há a suspeita de que os homens mortos tenham sido sequestrados em Narandiba por três indivíduos em um carro branco e mortas no local. 
fonte:Correio da Bahia/15.12.19

Política: “Marta não é bem-vinda” no PT, diz João Pedro Stédile


[“Marta não é bem-vinda” no PT, diz João Pedro Stédile]
foto:reprodução
Durante um evento realizado em Guararema (SP), neste sábado (14), João Pedro Stédile, integrante da coordenação nacional do MST, rechaçou a possibilidade de retorno de Marta Suplicy ao Partido dos Trabalhadores.  “Marta não é bem-vinda [no PT]”, disse o coordenador a lideranças.
Segundo informações publicadas pelo site O Antagonista, na plateia estavam nomes como o deputado petista Paulo Teixeira, vice-presidente do partido, e Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL.
João Paulo Rodrigues, por sua vez, que também é da coordenação nacional do MST, disse em entrevista ao Estadão que o movimento aceitaria uma composição entre Fernando Haddad e Marta para a disputa da prefeitura de São Paulo em 2020. “Aliança é possível. Já votamos no [Mário] Covas contra o [Paulo] Maluf [na eleição para o governo de São Paulo em 1998], né?”

fonte:BNews - 15.12.19

Saúde: É preciso perdoar: ciência confirma ligação da mágoa com infarto



É preciso dizer: "Eu te perdoo". A conclusão é da Medicina e da Psicologia que, juntas, começam a comprovar que o corpo reage negativamente a sensações como o ressentimento e a raiva. Os infartos, por exemplo, são associados, em alguns casos, a pessoas que não conseguem perdoar. 
Enquanto isso, o perdão tem sido visto como a possibilidade de viver melhor e com mais saúde. Uma questão não apenas subjetiva, mas que faz parte do campo da saúde. 
A atenção da ciência em relação ao assunto ganhou força nos últimos 15 anos. Os exames mais modernos de imagem como os eletromagnéticos começaram a medir com mais precisão a reação do cérebro e, consequentemente, do coração a situações de estresse similares ao perdão. 
É do cérebro que partem estímulos nervosos para o coração e o resto do corpo. 
A Psicologia, principalmente depois do advento da Psicanálise, em 1920, sempre se interessou pelos processos inconscientes e subjetivos dos seres humanos.
Em uma mesa do 40º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), em junho deste ano, a psicanalista Suzana Avezum apresentou uma pesquisa que mostra relação entre o enfarte agudo do miocárdio, quando a circulação de sangue para uma parte do coração é interrompida, e a dificuldade em perdoar. 
A pesquisadora entrevistou 130 pacientes que enfartaram, de 2016 a 2018, e encontrou maior incidência do problema entre aqueles que diziam ter dificuldade para perdoar.  Segundo a Secretaria de Saúda da Bahia (Sesab), neste ano, 2,8 mil pessoas foram internadas depois de sofrerem infarto do miocárdio. Não é possível determinar a causa direta de cada infarto. 
Na Bahia, o tema do perdão na saúde é tratado diretamente por médicos desde 2017, Foi quando surgiu o chamado Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular (Genca), ligado à Sociedade Brasileira de Cardiologia na Bahia. São 14 médicos dedicados no estado.
"Estamos num momento muito aberto uma Medicina um pouco diferente, sem tanta medicação, mas mais sutil, peculiar do ser humano", explica Lucélia Magalhães, cardiologista coordenadora nacional do Genca.   
Até agora, descobertas comprovam, e explicam, como o ato de perdoar age bioquimicamente a ponto de fazer bem ao coração.  
Como o corpo reage 
Todas as situações traumáticas ficam, de alguma forma, registradas no corpo. No corpo, perdoar significa diminuir a quantidade de hormônios de estresse e de desgaste emocional como o cortisol , explica Lucélia,  
É quando a mágoa deixa de ser exclusivamente subjetiva e passa a ser passível de observação, física, palpável. Não há estudos que deem conta dos efeitos medicinais do perdão no corpo de quem o  recebe. Mas quem estuda o perdão está certo de efeitos positivos para ambos.
"Em alguém com raiva crônica, o cérebro fica modificado. Conseguimos ver, com marcadores cintilográficos [método de diagnóstico por imagem] alterações", explica.   
As lesões no coração podem ser causadas justamente nesse processo de alterações que levam a um aumento da frequência cardíaca e até a um processo de inflamação do endotélio, a parte mais interna do coração. 
A médica afirma que os estudos já conseguem apontar possíveis relações entre o câncer e sentimentos como a mágoa, a partir da produção excessiva do hormônio cortisol. Não há, no entanto, nenhum consenso científico sobre essa relação. 
Por enquanto, relata a cardiologista e psicoterapeuta Rosário von Flach, a ciência já atesta que qualquer momento estressante eleva a frequência cardíaca. 
São chamados de momentos estressantes qualquer episódio em que o corpo se vê obrigado a dar um resposta rápida a uma situação. É o que acontece, por exemplo, quando a mente recebe a notícia de uma  traição. 
Se os batimentos cardíacos são mais fortes, é porque o coração está sendo requisitado além da conta, pontua a médica. Outro ponto é que, na resposta a esse estresse, o corpo pode iniciar um processo inflamatório, que é uma resposta natural do corpo a uma possível desregulação interna ou externa como alterações de níveis de hormônios ou lesões físicas.“O processo que leva ao infarto é justamente a formação de placas interna no endotélio”, ressalta.
O perdão é a possibilidade de deixar de reviver traumas e, com isso, ativar sensações e dores passadas. O ciclo de ativar substâncias danosas, então, é rompido. Não por isso, perdoar significa esquecer. 
Quando falam de perdão, as especialistas também falam de um processo de ressignificação de um trama. E não adianta ser apenas da boca para fora, pois o corpo não pode ser enganado.
“Um dia, algo que tem importância, perde sua força. Quando falo de esquecer, eu falo disso”, ressalta Von Flach.
Mas como perdoar?  
A Medicina já possui um vocabulário próprio para falar do perdão. Aquele que perdoa, por exemplo, é chamado de "magoado", e o outro a quem se destina o perdão, de "objeto". Para medir a disposição para o perdão, geralmente são aplicados questionários que supõem situações hipotéticas nas quais os pacientes precisam se colocar. 
"Medir, diretamente, não conseguimos, porque é uma coisa muito subjetiva. Mas costumamos perguntar: em tal situação, você seria capaz de perdoar?", explica o doutor em Cardiologia Luiz Ritt e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia.  
Um momento traumático é registrado pelo corpo e o ressentimento - o ato de sentir de novo - traz à tona sensações passadas. Se a pessoa não conseguir ressignificar o sentimento, haverá um dano no corpo toda as vezes em quea pessoarelembrar um trauma passado. Isso porque as lembranças reativarão os mesmo processos bioquímicos, como a liberação de hormônios, como a situação fosse revivida.  
Embora seja possível comprovar que o perdão é curativo, não há receita de bolo, nem tempo específico, para perdoar. A médica Rosário Von Flach sugere momentos de busca pelo perdão. 
Primeiro, é preciso admitir que o sofrimento existe. Também é necessário dar espaço à vazão de sentimentos que aparecerão, como raiva e ódio. E compreender a humanidade do outro. Se quem magoou é humano, é esperado que erros sejam cometidos - falhas que são, inclusive, recíprocas. Nessa lógica, ninguém é vítima, ninguém é algoz.
O resultado é que quem errou começa a ser colocado numa posição de "educador".
“Quando colocamos aquele que nos agrediu como nosso mestre, porque todo trauma nos ensina, passamos a honrá-lo como nosso mestre”.
Se, até agora, você ainda acha que o perdão é impossível, vale dizer que os traumas, na verdade, são nossas primeiras experiências de vida.  O primeiro grande trauma sofrido é o próprio nascimento, quando somos lançados a força do único mundo conhecido a um universo completamente novo. 
“É uma situação traumática gravíssima. Você  lembra? Eu não. Mas o que foi difícil, depois de sermos bem recebidas, alimentadas, tudo aquilo fica como uma memória traumática que não reativa“, diz a médica. Então, se o nascimento pode ser perdoado, atesta a ciência, tudo pode. 
'Achavam que falar de perdão não era ciência'
Quando, há 10 anos, começou a se interessar pelo tema do perdão, a cardiologista Lucélia Magalhães lembra que, em todo Brasil, eram apenas ela e outros seis médicos. A comunidade médica acreditava que aquilo sequer era ciência. 
“Lá dentro, havia um debate que aquilo não era ciência, mas provamos que é ciência, é baseado em estudos. Achavam que falar de perdão não era ciência", lembra a médica. 
Os seis médicos, ao longo dos anos, viraram 930 - quantidade de médicos cadastrados no Genca Brasil. Se antes, também era escassas as produções científicas, entre cinco e seis no ano, hoje, a média anual é mais que o triplo.  
O assunto do perdão faz parte de um tópico chamado de "espiritualidade" pela Medicina. A espiritualidade, explica o cardiologista Luiz Ritt, é compreendida não sob o ponto de vista religioso, mas como “conjunto de valores morais, mentais e emocionais que norteiam pensamentos, comportamentos e atitudes nas circunstâncias da vida de relacionamento inter e intrapessoal”. 
Neste ano, a Sociedade de Cardiologia lançou uma diretriz especifica espiritualidade e saúde. O documento sugere que os médicos perguntem de modo aberto sobre os valores dos pacientes, por exemplo. 
Hoje, em Salvador, duas faculdades de Medicina têm matérias específicas sobre espiritualidade, segundo Lucélia Magalhães - a Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia e o Centro Universitário UFTC. 
Em agosto de 2017, quando o Genca Bahia foi lançado, em média 240 pessoas se reuniam para discutir questões mais subjetivas ligadas à Medicina.
"Só tende a crescer. Tínhamos que começar com embasamento científico, se não, não conseguiríamos sobreviver", opina Lucélia. 
O doutor em cardiologia Luiz Ritt afirma que ainda não é padrão, nos hospitais, levantar a rotina psicológica do paciente, como ele se relaciona nos momentos de raiva, do que ele sente raiva, se ele é capaz de perdoar. 
A incorporação das demandas ditas espirituais nas consultas depende, no entanto, de cada médico. E das próprias demandas dos pacientes, opina Ritt, que cada vez mais solicitam abordagens mais pessoais e subjetivas. “As pesquisas, nesse sentido, são mais recentes. Acho que estamos num processo de difundir mais esse conhecimento”, finaliza.
fonte: Correio da Bahia-15.12.19