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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Acidente em MG: Aviões da FAB vão fazer translado de corpos para o interior de Alagoas


foto:Divulgação / FAB

Duas aeronaves da Força Aéreas Brasileira (FAB) vão fazer, às 12h deste segunda-feira (7), o translado de algumas das vítimas do acidente de ônibus em João Monlevade, região Central de Minas Gerais.  A informação foi confirmada pelo tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais.


"Ficou estabelecido acordo entre FAB, Gabinete Militar dos governadores de Minas Gerais e Alagoas, que a operação de translado dos corpos acontecerá amanhã, segunda-feira dia 7, às 12h, no aeroporto da Pampulha. Serão duas aeronaves, uma da FAB C-130, que será utilizada para o transporte das urnas com os corpos, e outra aeronave, um C-90 da FAB, para transporte das vítimas e parentes das vítimas. O voo sairá do aeroporto de Pampulha para a cidade de Paulo Afonso, na Bahia, pois fica mais próximo de Mata Grande. Todas as ações estão sendo coordenadas pela FAB, Gabinete Militar de MG, Defesa Civil e Gabinete Militar de AL", detalhou o tenente-coronel. 

Ainda nesta tarde, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) emitiu comunicado às 16h30 para informar que os 19 corpos das vítimas foram identificados e liberados para as famílias realizarem os procedimentos funerários. Informações do site THN1

Rio: Policial morto em assalto era filho de casal residente em Pintadas-BA; diz Site



Morreu, na noite de sexta-feira, o policial militar Derinalto Cardoso dos Santos, de 34 anos, que tentou impedir um assalto a uma loja da Casa & Vídeo no Centro de Mesquita, na Baixada Fluminense. A vítima, que foi atingida por um tiro na cabeça, chegou a ser encaminhada ao Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI) em estado gravíssimo, passou por uma cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo o Site VR 14, Derinalto era lotado do 20ºBPM (Mesquita) deixa a esposa e dois filhos e os pais deles “Dinho” e “Zeny” são naturais do município de Pintadas na Bacia do Jacuípe.

A ação 

Imagens de câmeras de segurança do estabelecimento mostram o momento exato em que o policial é atingido. Um dos criminosos, identificado como Jonathan Santos Targino, aparece de blusa branca com uma arma na mão e chega por trás de Cardoso que está focado em outro bandido, efetua um disparo de curta distância na cabeça do PM.

Há ainda informações de que outros criminosos, que também participaram da tentativa de assalto, fugiram em um carro da Prefeitura de Mesquita, levando reféns. Procurada, a Polícia Militar informou que as pessoas foram liberadas e o veículo abandonado pelos criminosos, na Avenida Brasil, altura de Realengo. A ocorrência está em andamento para localizar e prender os bandidos.

O PM postava frases motivacionais para colegas da corporação. Em um vídeo, o agente cita a morte de um companheiro de farda, que aconteceu no dia 2 de outubro, e diz que quando escolheu a profissão, sabia de todos os riscos. “Sabemos dos riscos, mas quando entramos na Polícia Militar, nós juramos sacrificar nossas vidas em defesa da sociedade, na defesa de cidadãos que não nos conhecem. Estamos de luto, mas continuamos na luta”, diz um trecho da mensagem publicada por ele. 

Assassino preso

A Polícia Militar do Rio de Janeiro (PM-RJ) anunciou em seu Twitter, na tarde deste domingo (6), que prendeu o acusado de matar com um tiro o cabo Derinalto Cardoso dos Santos durante um assalto a uma loja na Baixada Fluminense, na sexta-feira. Além do autor de ter disparado contra o cabo, também foi preso um indivíduo que teria dado cobertura ao acusado do assassino. O corpo do policial foi enterrado no sábado (5) no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio.

 

Deputado bolsonarista chama STF de “marginal” e propõe intervenção militar

 

Odeputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) disse, neste domingo (06/12), que a população pode “tranquilamente pedir intervenção militar e dissolução” do Supremo Tribunal Federal (STF).

deputado afirmou, no Twitter, que a ação que tramita no STF para decidir a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e Senado Federal é inconstitucional.

Por esse motivo, o policial acredita que é possível pedir, “com base sólida”, a intervenção militar no órgão máximo do poder Judiciário brasileiro. Ele também chamou o STF de “marginal”. Confira.

Questionado por um seguidor sobre o pedido de intervenção, o deputado disse que, se pudesse, “entraria com as tropas para ajudar a retirá-los [os ministros] de lá”. Veja.

Daniel Silveira também compartilhou imagens da manifestação em defesa do voto impresso, que ocorreu na Esplanada dos Ministérios na manhã deste domingo (6/12). Ele disse que a segurança da urna eletrônica é uma “falácia”.

Silveira é um dos alvos do STF no inquérito que apura a organização e o financiamento de atos antidemocráticos e de disparo de fake news.

Votação no STF

Os ministros do STF votam, desde sexta-feira (4/12), a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Hoje, o que se entende é que o parágrafo 4º do artigo 57 da Constituição veda a reeleição de presidentes da Câmara e do Senado na mesma Legislatura.

Até este domingo (6/12), a disputa era de 4 votos favoráveis e 3 votos contrários à reeleição. Os ministros Marco Aurélio, Cármen Lúcia e Rosa Weber foram contra a proposta.

Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski foram favoráveis à reeleição, e Nunes Marques votou a favor, mas com ressalvas: ele defende que a reeleição pode ser feita apenas uma vez, em qualquer uma das legislaturas. Dessa forma, o posicionamento é favorável à reeleição de Davi Alcolumbre, mas contrário à de Maia, que foi reeleito em 2019.

Os votos estão sendo apresentados por escrito, no plenário virtual do Supremo. Ainda não votaram os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux.

fonte:Metrópoles - 07/12/2020 -10h:30min.

Fátima Bernardes passa bem após cirurgia, diz assessoria


A jornalista Fátima Bernardes passou por uma cirurgia, neste domingo (6), para retirada do tumor no endométrio. 

De acordo com reportagem do "Fantástico", a equipe médica responsável afirmou que correu tudo bem na operação. Nesta semana, a apresentadora de 58 anos revelou o diagnóstico e se afastou do "Encontro" para fazer o procedimento cirúrgico. Informações da Purepeople

Bahia: Estado abre 170 leitos de UTI Covid e anuncia medidas de contenção

 

Governo da Bahia abre 170 leitos de UTI Covid e anuncia medidas de contenção
Foto: Reprodução/ Twitter @fabiovboas

Como forma de intensificar o enfrentamento ao coronavírus, o Governo da Bahia vai abrir 130 leitos de UTI Covid em hospitais de Salvador e mais 40 no interior baiano. A medida foi anunciada pelo secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, na manhã desta segunda-feira (7).

 

“O governador Rui Costa autorizou a Sesab a reabrir leitos que haviam sido desativados temporariamente em unidades da capital e do interior, assim como a ampliar os leitos do Hospital Espanhol para a capacidade máxima” disse Vilas-Boas, em texto enviado à imprensa.

 

Os leitos de UTI serão abertos nos hospitais Espanhol (80), Ernesto Simões (30) e Couto Maia (20) para atender pacientes da capital e do interior através do sistema de regulação. A Sesab também abriu leitos em Porto Seguro (10), Juazeiro (10) e Feira de Santana (20).

 

Outra medida também anunciada por Vilas-Boas é a testagem em massa da população por meio do exame RT PCR, considerado o "padrão ouro" para diagnosticar a Covid. O governo estado vai ampliar a testagem, com a distribuição de kits de coleta para todos os municípios terem condições de fazer busca ativa através do mapeamento de contactantes próximos de pessoas infectadas.

 

O Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) até recebeu um novo robô de extração de RNA e outros equipamentos que serão instalados a partir de terça-feira (8), a fim de ampliar a capacidade de processamento de amostras, passando de 4,5 mil testes por dia para 6 mil.

 

Além disso, a Sesab divulga seu Centro de Operações de Emergência de Saúde (Coes) de protocolos sanitários para o verão. Por considerar que a estação gera um número elevado de turismo na Bahia e que há potencial risco de piora no cenário epidemiológico, recomendações de segurança e adesão a medidas preventivas são necessárias.


Algumas das ações são a proibição de shows e música ao vivo, a restrição ao acesso de ônibus de turismo às praias, a delimitação dos espaços públicos ocupados por bares e restaurantes e o estímulo para ocupação de áreas ao ar livre, em detrimento de salões fechados. Informações do Bahia Notícias.

Bolsonaro não pretende ceder e só irá reconhecer vitória de Biden após o dia 14

 

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não pretende ceder e tão logo reconhecer a vitória de Joe Biden sobre Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Bolsonaro pretende comentar o assunto comente após o dia 14 de dezembro, quando o colégio eleitoral vai formalizar a vitória do democrata. Depois disso, o presidente brasileiro deve reconhecer a eleição.

Entre seus ministros, Bolsonaro deu ordem para que a resposta sobre o pleito nos EUA seja padrão: “Não é a hora de comentar”.

A recomendação ocorre após o vice-presidente Hamilton Mourão ter tratado Biden como eleito, em novembro.Informações do Bahia.Ba

Rio: Investigações tem nova pista sobre assassinato de Marielle e Anderson

                                 foto:reprodução

As investigações sobre os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes chegaram a uma nova pista sobre o carro clonado que foi usado no atentado, em março de 2018. O MP do Rio aponta que Eduardo Almeida Nunes de Siqueira, morador de Muzema, comunidade dominada pela milícia, teria clonado um veículo do mesmo modelo no começo daquele ano, às vésperas da emboscada.

Além disso, a defesa de Siqueira, que está preso desde maio de 2019, é feita por Bruno Castro, mesmo advogado do PM reformado Ronnie Lessa, réu apontado como o responsável por atirar na parlamentar e seu motorista. Nesta terça-feira, o caso completa mil dias sem ter chegado aos mandantes do crime. Informações de Veja.com

Covid-19: “Não é possível uma grande campanha de vacinação no Brasil já a partir do primeiro semestre”, diz ex-secretário da vigilância epidemiológica

Seis meses depois de deixar o Ministério da Saúde, o ex-secretário de Vigilância Epidemiológica Wanderson de Oliveira ainda costuma receber ligações de secretários estaduais para trocar informações sobre políticas de enfrentamento ao coronavírus. O enfermeiro responsável por formular as primeiras estratégias de combate à pandemia do Brasil resistiu, por três meses, às turbulências políticas e ideológicas que tomaram a pasta em meio à crise sanitária, mas deixou o cargo depois de duas trocas de ministro. Servidor com duas décadas de experiência na saúde pública, saiu colocando-se à disposição para contribuir com Eduardo Pazuello, que poucos dias antes havia se tornado ministro interino. Mas desde sua saída não tem qualquer contato direto com a pasta. Oliveira hoje presta consultoria formalmente aos Governos de São Paulo e de Pernambuco e, nos bastidores, diz que está sempre “trocando ideias” com gestores de outros Estados. “Escolas, para mim, têm que voltar. Escola não é vetor de transmissão. Já está demonstrado em alguns municípios do Brasil e também do exterior que escola aberta é muito mais segura do que bares e restaurantes”, diz ele.

O ex-secretário do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira.
© CADU GOMES (EL PAÍS) O ex-secretário do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira.

De olho no contágio que se acelera no país e já pressiona sistemas de saúde estaduais, ele está preocupado com o cenário que se desenha para o início de 2021. Teme um descontrole da doença em janeiro e fevereiro ― quando acredita que o país verá os efeitos das aglomerações das eleições e das festas de fim de ano. A esta preocupação, soma-se a ausência ainda de uma vacina neste período. O Governo espera começar a vacinar a população a partir de março, mas Oliveira acredita que somente no final do primeiro semestre estará de fato em curso uma campanha de vacinação robusta. “Nós não teremos todas as vacinas ao mesmo tempo. Então não é possível ficar planejando uma grande campanha já a partir do primeiro semestre”, diz. “A vida normal a gente vai demorar um pouco mais pra retomar”, acrescenta. Na entrevista que concedeu ao EL PAÍS por telefone, ele fala sobre as perspectivas para a vacinação, os riscos de planos estaduais desarticulados diante da guerra política em torno da imunização e o futuro das quarentenas em meio ao agravamento da pandemia.

Pergunta. O Brasil começou nesta semana a anunciar as diretrizes básicas da estratégia de campanha de vacinação da covid-19. O Governo trabalha com cerca de três vacinas e excluiu as que precisem ser armazenados em temperaturas que não são comportadas pela rede de frios do SUS. O Brasil ficou para trás na corrida mundial?

Resposta. Realmente tem uma dificuldade logística importante na questão da temperatura das vacinas. No entanto, considerando o volume de vacinas e também a necessidade de proteger principalmente os profissionais de saúde, essas vacinas poderiam ser úteis para estes grupos. No primeiro momento, você precisa focar na garantia de funcionamento dos serviços. É assim que funciona na maior parte das estratégias. Então você vacina quem vai se expor mais ao vírus porque você vai precisar garantir que aquelas equipes estejam aptas a trabalhar. Neste caso, profissionais de saúde e segurança seriam o primeiro foco. São esses grupos que vão viabilizar a vacinação dos demais grupos e também a resposta. Depois disso, seria importante trabalhar também com populações com comorbidades e também professores, pra você conseguir retornar com mais velocidade o ensino.

P. Considerando a disputa política no Brasil, teremos vacina em 2021 pra vacinar todos os prioritários previstos? Quando acha que a gente pode ter de fato uma campanha em curso no país e a partir daí qual é a perspectiva pra começar a pensar em voltar a uma vida normal?

R. Bom, vida normal a gente vai demorar um pouco mais. Primeiro porque nós não teremos todas as vacinas ao mesmo tempo. Então não é possível ficar planejando uma grande campanha ao mesmo tempo já a partir do primeiro trimestre. Acredito que nós teremos a vacina no primeiro trimestre enquanto produto. Você vai ter ali de 15 a 30 milhões de doses para fazer alguns grupos prioritários inicialmente. E depois você vai ampliando porque vão chegando novos lotes, se tudo correr bem, sem nenhum contratempo. Creio que o caminho é a gente entender como vai ser a logística. Essas vacinas, de modo geral, são duas doses com um intervalo de 14 dias entre a primeira e a segunda. Então isso é bastante complicado. Se você tem 20 milhões, na prática você vai vacinar 10 milhões. Só que é importante pensar que, quando eu faço um planejamento, eu posso tirar 10% delas para problemas de perda por problemas gerais que acontecem. Então é no final do primeiro semestre, ali meados do segundo trimestre, eu creio, para que a gente comece a campanha mesmo de vacinação, pensando em todo o processo mais complexo. Mas a vacina em si deve começar um pouco antes.

P. São Paulo anunciou que pode começar a vacinar já em janeiro, antes do Brasil. É preciso ter o aval da Anvisa para isso, mas quais os impactos de os Estados começarem suas campanhas de forma desarticulada à estratégia nacional?

R. Para fazer a aplicação e uso da vacina, é necessária a autorização da Anvisa. Isso vale pra qualquer produto biológico. Os impactos da desarticulação da estratégia nacional é que realmente fica muito complicado você ter [a vacina] principalmente em Estados com menos estrutura que São Paulo, por exemplo. Os princípios do SUS são a hierarquização, a regionalização, a universalização e principalmente a equidade. Você tem que tratar de forma diferente os desiguais. Tem Estados que não tem a estrutura de São Paulo e vão precisar de apoio. O papel de fazer esta arbitragem é do Ministério da Saúde.

P. O Brasil vê um aumento de casos de coronavírus em diversas regiões. A que o senhor atribui essa aceleração e em que lugar estamos da pandemia? Estamos entrando em uma espécie de segunda onda como a Europa?

R. Nós ainda estamos acompanhando este aumento, que decorre de vários aspectos, incluindo eleições municipais, aglomerações por causa dos feriados, maior flexibilização de restaurantes, bares, do comércio como um todo. E também pelas características sociais locais em algumas regiões do Brasil. Então acredito que este aumento primeiro é justificável pelo elevado número de pessoas que ainda não tiveram contato com o vírus. Realmente há um número de suscetíveis ainda bastante expressivo. Os Estados têm observado um aumento importante de acidentes de trânsito, então também há uma circulação maior na dinâmica social. Além da covid-19, à medida que você vai retornando para as atividades, a tendência é que as unidades de saúde que já tinham problemas antes da pandemia voltem a apresentar dificuldades. Então acho que tudo está relacionado, inclusive tem aumentado significativamente o número de casos de síndrome respiratória aguda grave, apesar da letalidade não ter acompanhado.

P. Alguns locais já sofrem pressões nos seus sistemas de saúde novamente, inclusive alguns que já haviam desmontado hospitais de campanha. Foi prematuro abrir mão dessas estruturas?

R. Em alguns lugares foi prematuro sim. Mas não foi culpa dos gestores. Em muitos lugares, eu acompanhei isso, houve uma pressão dos órgãos de controle, não aceitando a justificativa do gestor de saúde de que o leito tinha que ficar vazio porque a pandemia poderia aumentar. É muito complexo para o gestor de saúde justificar o leito vazio com a visão que os órgãos de controle têm com relação a este processo atual. Acho que falta aí um maior esclarecimento junto aos órgãos de controle. A pandemia não acabou. Em alguns lugares, desmontou, mas a necessidade está sendo suprida. É importante lembrar que a taxa de ocupação de leitos que se tem hoje está sendo comparada com a cobertura de três meses atrás, quando havia mais leitos disponíveis. Mas eu destacaria a região centro-sul do país como uma que desmontou de forma prematura, que ainda poderia viver um aumento. Até porque ainda estamos num momento de transição para o verão.

P. Estamos em dezembro, um mês de muitas confraternizações com as festas de fim de ano. Com as políticas de controle que temos hoje, o que esperar da pandemia no início de 2021?

R. Creio que a gente vá, no primeiro semestre, ali em meados de janeiro e fevereiro ver o aumento, principalmente por causa das aglomerações. É um período em que a gente já começa a acompanhar também o início da sazonalidade (das síndromes gripais) no Brasil, principalmente na região Norte. É preocupante porque ainda não teremos vacina neste período. A gente vai estar começando uma campanha, com um volume ainda inferior à necessidade de vacinação. Há um ponto de atenção que deve ser debatido. A campanha de influenza ocorre todos os anos entre abril e maio. A vacina [da covid-19] não foi testada na concomitância de aplicação. Por esse motivo, alguns especialistas dizem que deve ocorrer um intervalo que cerca de 30 dias entre a aplicação de covid-19 e de Influenza ou ao contrário.

Wanderson Oliveira em seu apartamento em Brasília.© CADU GOMES (EL PAÍS) Wanderson Oliveira em seu apartamento em Brasília.

P. Alguns locais começam a retomar medidas mais restritivas. Diante da perspectiva de aumento ainda maior de casos, podemos ter de retomar a quarentena como no início do ano?

R. A gente pode, sim, enfrentar em alguns lugares nas próximas semanas uma necessidade de restrição maior. Ou não. Pode haver uma estabilização em patamares elevados, mas que o sistema comporte. Se tivéssemos conseguido fazer um distanciamento social como a Europa fez em maio, não tenho dúvidas de que estaríamos melhores. O fato de eventualmente um bairro ou uma cidade específica necessitar de uma maior restrição não deve ser visto como retrocesso. É apenas um instrumento de controle para que o sistema dê conta de suportar o aumento de demanda. Não é uma luta, não é uma disputa entre um setor e outro. Escolas, para mim, têm que voltar. Escola não é vetor de transmissão. Já está demonstrado em alguns municípios do Brasil e também do exterior que escola aberta é muito mais segura do que bares e restaurantes.

P. O Brasil tem um verdadeiro exército de agentes de saúde, presentes na atenção básica de praticamente todos os municípios, que poderiam ter atuado de forma efetiva para controlar o contágio. Por que desperdiçamos este arsenal no combate à pandemia?

R. Ainda estamos desperdiçando. Existe uma técnica que muitos países adotaram para controle chamado rastreamento de contato. Para cada pessoa que procura a unidade básica de saúde, você tem que procurar, seja no trabalho ou na casa daquela pessoa, quais são as pessoas que tiveram contato com o doente. Para você fazer isso, vai precisar de gente para ir atrás. Se nós tivéssemos estes profissionais capacitados e desenvolvidos, não tenho dúvidas que estaríamos em uma posição muito mais confortável.

P. E por que o país não adotou esta estratégia?

R. Lá no começo, como já disse o ex-ministro Mandetta, por falta de equipamentos de proteção individual, desconhecimento da doença, e de testes. Estávamos em um momento que não dava para expor um técnico se não estávamos preparados para isso. Atualmente, com um nível de conhecimento que a gente tem da doença, já é possível fazer.

P. Os três ministros da saúde apresentaram seus programas de testagem para controle de casos, mas nunca chegaram a alcançar suas metas e agora vemos milhares de testes nos estoques do Governo, prestes a vencer...

R. Há prejuízo direto para a população. Se vencer, o prejuízo é contábil. O fato de o teste não estar presente nos municípios e Estados... O prejuízo é pela dificuldade que a gente tem de caracterização da prevalência e incidência de casos numa comunidade. É a partir desses testes que você faz o cálculo do R0 (taxa de transmissão do vírus), da velocidade e da direção da transmissão. Se está pegando mais um bairro ou outro. Isso não é possível fazer apenas com diagnóstico clínico, precisa de diagnóstico laboratorial. Nós tivemos uma série de investimentos em laboratórios, mas o Brasil, comparativamente aos 100 maiores países, é o que menos testou. Apesar da gente ter feito muitos testes em números absolutos, incluímos os testes sorológicos. E para fazer o controle, precisamos do teste molecular, que mostra quem está infectado naquele momento. O sorológico apenas vai dizer que naquela comunidade já houve muitos casos, mas não aponta a direção da epidemia.

P. Isso atrapalha a vigilância epidemiológica no país?

R. Dificulta muito.

P. A estratégia a partir de agora deve focar em quebrar cadeias de transmissão ou garantir atendimento a infectados com a expansão dos sistemas de saúde, como no início?

R. As duas atividades precisam ser feitas concomitantemente. Se uma pessoa chega com sintomas de síndrome gripal, já é um caso que eu deveria estar buscando todo mundo ligado a ele independentemente do resultado laboratorial. Precisamos usar o teste laboratorial de forma mais massiva, de maneira que consiga caracterizar essa rede de contatos, se ela é positiva ou não. Para cada caso, teria que ter em torno de cinco a dez testes RT-PCR. Então vai precisar de todos estes sete milhões de testes do estoque do Governo e muito mais.

P. As taxas de letalidade caíram no país e pode ter aí uma influência no aumento nos tipos de testes. Nos últimos dias, o Ministério da Saúde usou essas taxas para defender que o tratamento precoce com a cloroquina é eficiente, na contramão de muitos estudos já apresentados. Vê uma ginástica nos dados para defender um protocolo que praticamente só não foi abandonado ainda pelo Brasil?

R. Sobre cloroquina, não vou nem comentar porque isso já está tão óbvio que não tem efeito. Eu questiono não é nem o Governo, mas o Conselho Federal de Medicina não fazer um manifesto e tirar essa coisa de protocolo porque não faz mais sentido com o que já se sabe. Agora, contra fatos não há argumentos, né? Se você observar a curva de casos do Brasil, ela praticamente está cursando independentemente das ações governamentais. Em outros países da Europa, como Itália, Holanda, Alemanha, você pega a curva de casos, você vê que durante o período do verão, houve resposta por causa das medidas tomadas anteriormente como o distanciamento social. Agora mesmo com os novos lockdowns. Se você pegar a França, por exemplo, ficou em lockdown durante algumas semanas e, agora que está voltando, o número número de casos está caindo. Eu só tenho a parabenizar os gestores brasileiros que fizeram alguma restrição porque eles estão no caminho certo. A França chegou, durante duas semanas consecutivas, a ter em torno de dois casos por 100.000 habitantes. O Brasil nunca conseguiu reduzir abaixo de 80 casos por 100.000 habitantes. E olha que a gente não está fazendo tanto teste assim. Então esta incidência é muito maior do que a gente consegue perceber.

P. O Brasil tem um SUS robusto, um exército de agentes de saúde e um plano de imunização que é referência mundial, mas apresenta estes resultados. Abrimos mão de tudo isso no combate à pandemia?

R. Poderíamos ter feito melhor, né?