Comarca de Salvador: Analista Judiciário - Subescrivão (15); Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador (3); Analista Judiciário - Técnico Jurídico (2); Analista Judiciário - Área Administrativa (7); Analista Judiciário - Área Administrativa (3); Analista Judiciário - Arquiteto (1); Analista Judiciário - Auditor (2); Analista Judiciário - Contador (3); Analista Judiciário -Engenheiro Civil (1); Analista Judiciário - Área de Apoio Especializado - Engenheiro Eletricista (1);Analista Judiciário - Engenheiro Mecânico (1); Analista Judiciário - Engenheiro de Segurança do Trabalho (1); Analista Judiciário - Estatístico (1); Analista Judiciário - Jornalista (1); Analista Judiciário - Médico (3); Analista Judiciário - Pedagogo (1); Analista Judiciário - Psicólogo (2); Analista Judiciário - Assistente Social (2); Analista Judiciário - Analista de Tecnologia da Informação e Comunicação (6); Técnico Judiciário - Escrevente de Cartório (5).
Outras comarcas: Analista Judiciário - Área Judiciária - Subescrivão (119); Analista Judiciário - Área Judiciária - Oficial de Justiça Avaliador (77); Técnico Judiciário - Escrevente de Cartório (20).
Sendo assim, quando contratados os candidatos irão atuar nos seguintes municípios: Salvador Região; Camaçari, Candeias, Dias D"ávila, Lauro De Freitas, Mata de São João, São Francisco do Conde, Simões Filho, Pojuca, Terra Nova, Amélia Rodrigues, Conceição do Almeida, Conceição do Jacuípe e Coração de Maria; Feira de Santana, Irará, Santa Bárbara, Santo Estevão, Serrinha, Teofilândia, Conceição do Coité, Valente, Queimadas, Santa Luz, Itiúba, Cansanção, Monte Santo Região Santo Antônio de Jesus, Nazaré, Itaparica, Camamu, Gandu, Valença, Wenceslau Guimarães, Ituberá e Taperoá; Cruz das Almas, Governador Mangabeira, Maragogipe, Muritiba, Sapeaçu, Castro Alves, Santa Terezinha, Amargosa, Santo Amaro, São Felipe, São Félix, São Gonçalo dos Campos e Cachoeira; Juazeiro, Campo Formoso, Pindobaçu, Senhor do Bonfim, Casa Nova, Curaçá, Jaguarari, Pilão Arcado, Remanso, Sento Sé, Sobradinho; Paulo Afonso, Jeremoabo, Cícero Dantas, Antas, Paripiranga, Ribeira do Pombal, Araci, Tucano, Euclides da Cunha, Uauá, Chorrochó; Jacobina, Capela do Alto Alegre, Mairi, Retirolândia, Riachão do Jacuípe, Capim Grosso, Saúde, Miguel Calmon, Piritiba, Mundo Novo; Porto Seguro, Belmonte, Eunápolis, Guaratinga, Itabela, Santa Cruz Cabrália, Caravelas, Ibirapuã, Itamaraju, Itanhém, Medeiros Neto, Mucuri, Nova Viçosa, Prado, Teixeira de Freitas; Ilhéus, Itabuna, Canavieiras, Itacaré, Una, Uruçuca, Buerarema, Camacã, Coaraci, Ibicaraí, Itajuípe e Ubaitaba; Jequié, Ipiaú, Ubatã, Jitaúna, Ibirataia, Itagibá, Jaguaquara, Maracás, Santa Inês, Ubaíra, Laje, Mutuípe; Alagoinhas, Catu, Cipó, São Sebastião do Passé, Conde, Entre Rios, Esplanada, Inhambupe, Itapicuru, Nova Soure, Olindina, Rio Real; Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Cocos, Coribe, Correntina, Santa Maria da Vitória, Santana, Baianópolis, Cotegipe, Formosa do Rio Preto, Riachão das Neves, Santa Rita de Cássia, São Desidério, Serra Dourada; Irecê, Barra, Gentio do Ouro, Oliveira dos Brejinhos, Xique-xique,Barra do Mendes, Canarana, Central, João Dourado, Lapão, Morro do Chapéu; Vitória da Conquista, Itapetinga, Itarantim, Itororó, Anagé, Barra Do Choça, Belo Campo, Cândido Sales, Encruzilhada, Iguaí, Itambé, Macarani, Planalto, Poções, Tremedal; Guanambi, Caetité, Carinhanha, Igaporã, Palmas de Monte Alto, Paramirim, Urandi, Bom Jesus da Lapa, Macaúbas, Riacho de Santana e Tanque Novo; Barra da Estiva, Brumado, Caculé, Condeúba, Ituaçu, Jacaraci, Livramento de Nossa Senhora, Presidente Jânio Quadros, Tanhaçu; Itaberaba, Ruy Barbosa, Ipirá, Andaraí, Lençóis, Iaçu, Utinga, Piatã, Ibotirama, Seabra, Iraquara.
Os profissionais contratados terão regime de trabalho de 30 horas semanais, com remuneração variante de cargo nos valores de R$ 3.725,10 a R$ 6.111,82.
Quanto à classificação os candidatos serão avaliado mediante a prova objetiva de conhecimentos básicos e específicos, prova discursiva- redação, além de análise de títulos somente para os cargos de nível superior.
O que?
Concurso Tribunal de Justiça do Estado da Bahia -TJ
Cidades das provas: Barreiras no Oeste, Feira de Santana na Região Metropolitana de Feira, llhéus no Sul, Juazeiro no Norte, Porto Seguro no Extremo Sul, Salvador, capital, e Vitória da Conquista no Sudoeste do Estado.
Ricardo Lewandowski tomou posse no Supremo em 2006
Protagonista de decisões marcantes ao longo de seus 17 anos de Supremo Tribunal Federal, o ministroRicardo Lewandowskise aposenta nesta terça-feira (11/4), um mês antes de completar 75 anos de idade— idade limite para permanecer na corte.
Lewandowski deixa legado de preservação de direitos humanos
Sempre atento à preservação dos direitos humanos, ele foi relator de decisões importantes do STF na área, como a que permitiu a substituição da prisão preventiva para a domiciliar para mulheres gestantes, puérperas e mães de crianças de até 12 anos ou responsáveis pelos cuidados de pessoas com deficiência e a que declarou a constitucionalidade das cotas raciais e sociais em universidade públicas. Como presidente do Conselho Nacional de Justiça, implementou as audiências de custódia, que ajudaram a reduzir o percentual de presos provisórios no país.
O anúncio da saída do STF foi discreto. Lewandowski participou normalmente da sessão do Plenário em 30 de março. Ao final, comunicou reservadamente aos colegas e depois a jornalistas que aquela seria a sua última participação presencial no colegiado.
"Essa antecipação se deve a compromissos acadêmicos e profissionais que me aguardam. Eu encerro um ciclo na minha vida e agora inicio outro. Saio daqui com a convicção de que cumpri a minha missão”, disse o ministro, visivelmente emocionado, a jornalistas que o aguardavam ao final da sessão.
Lewandowski foi nomeado ministro do STF em 2006 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar a cadeira deixada por Carlos Velloso. Passou por sabatina no Senado em 16 de fevereiro daquele ano e teve o nome aprovado por 63 votos favoráveis, com quatro contra.
O ministro foi descrito por colegas à revista eletrônica Consultor Jurídico como técnico, inteligente, elegante e sensível a temas envolvendo os direitos humanos.
“Ricardo Lewandowski reúne todos os atributos de um notável homem público, não apenas pela sólida formação acadêmica, mas também por uma vasta cultura geral, perceptível na sua natural elegância no trato pessoal, assim como no profundo conhecimento jurídico, que se reflete nos debates por ele travados e nas sensíveis decisões proferidas. Em 17 anos de Judicatura Constitucional, o ministro muito contribuiu para o desenvolvimento do Poder Judiciário, sobretudo em temas de direitos humanos, deixando como grande legado as audiências de custódia, mundialmente reconhecidas como instrumento de novo patamar civilizatório conquistado pelo Brasil”, disse Dias Tóffoli à ConJur.
“Em votos memoráveis, sempre ofereceu respostas pacificadoras às dificílimas questões constitucionais, exprimindo os modos de ser, de convencer, de ensinar e de pacificar conflitos típicos de um grande professor, magistrado e jurista, que dignifica o Supremo Tribunal Federal e o Brasil. Para mim, é e sempre será uma honra ter sido seu aluno, desde os bancos do Largo de São Francisco até a Suprema Corte do nosso país”, concluiu Toffoli.
Alexandre de Moraes, que também foi aluno de Lewandowski antes de se tornar seu colega de Supremo, destacou a inteligência do ministro e disse que se orgulha de hoje poder chamar o antigo mestre de “amigo”.
“A competência, coragem, inteligência e lealdade do ministro Ricardo Lewandowski honraram o STF por 17 anos e auxiliaram na construção de uma Brasil melhor. Tenho orgulho de ter sido seu aluno e, atualmente, colega de departamento na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, seu companheiro de bancada no STF e no Tribunal Superior Eleitoral e, principalmente, seu amigo”, disse à ConJur.
Luiz Fux disse que Lewandowski deixou um "vasto legado" em seus 30 anos de magistratura. “O ministro Ricardo Lewandoski é um grande defensor dos direitos fundamentais e da proteção da dignidade humana. Nos mais de 30 anos de magistratura, produziu com competência um vasto legado, apoiado nos valores democráticos. Desejo sucesso nos próximos desafios.”
Luís Roberto Barroso destacou a coragem do ministro de defender suas posições. "O ministro Ricardo Lewandowski é extremamente fidalgo e defende com empenho e coragem suas posições. O convívio com ele é sempre agradável. Argumentador, erudito e competente, fará falta aos debates no Supremo Tribunal Federal", afirmou.
Carreira Ricardo Lewandowski é formado em Ciências Políticas e Sociais e Ciências Jurídicas e Sociais. É mestre, doutor e livre-docente em Direito do Estado pela Faculdade de Direito da USP, onde começou a dar aula em 1978 como docente voluntário.
Ele foi conselheiro da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil e secretário de Governo e de Assuntos Jurídicos de São Bernardo do Campo. Em 1990, ingressou na magistratura e logo foi promovido a desembargador do Tribunal de Justiça paulista. Lá ele integrou as seções de Direito Privado e Direito Público e o Órgão Especial. Também foi vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (1993 a 1995).
Ricardo Lewandowski tomou posse no Supremo em 2016 EC/AR
Foi nomeado em 2006 para ocupar a cadeira no Supremo. Sistemático, nunca costumou demorar a devolver processos quando pedia vista. Em seu primeiro ano de tribunal, dos 17 mil processos recebidos, ele julgou 12 mil, segundo dados do Anuário da Justiça. Ao longo da carreira, foi responsável por cerca de 200 mil atos judiciais, entre decisões e despachos.
Lewandowski aprecia a tecnologia como ferramenta de trabalho. Foi ele quem sugeriu que os autos do inquérito do chamado mensalão, depois de digitalizados, pudessem ser acessados pelas partes, por seus advogados e por procuradores a partir de uma senha.
A proposta foi aceita por todos os ministros do Plenário como uma solução para que os acusados pudessem ter acesso aos autos ao mesmo tempo e apresentar suas defesas. À época, a digitalização não era a realidade que é hoje.
A agilidade não durou só no primeiro ano: o ministro deixa a corte com o quarto menor acervo, ficando atrás só de Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Rosa Weber, que por presidir o tribunal e acumular funções administrativas, recebe um número menor de processos.
“Estou com o gabinete praticamente zerado, só existem alguns processos com pendência de despachos administrativos", disse o ministro ao anunciar a aposentadoria. Seu sucessor de fato herdará um acervo pequeno, de 780 processos.
Cerca de 500 das 780 ações têm decisão e aguardam só a certificação do trânsito em julgado e a baixa para a primeira instância. Quase todo o restante está parado, esperando a resolução de precedentes em julgamentos do Plenário.
Na mesma entrevista, Lewandowski disse quais as características indispensáveis a um ministro do Supremo, independentemente de quem seja seu sucessor.
"Além dos requisitos constitucionais, que são reputação ilibada, notável saber jurídico e idade de 35 anos, eu penso que o meu sucessor deverá ser fiel à Constituição, fidelíssimo à Constituição, aos direitos e garantias fundamentais, nas suas várias gerações, mas precisa ser antes de mais nada corajoso. Enfrentar as enormes pressões que um ministro do STF tem de enfrentar no seu cotidiano”, afirmou na ocasião.
Julgamentos marcantes Lewandowski foi relator de diversas ações importantes ao longo de seus 17 anos de Supremo, entre elas do Habeas Corpus coletivo (HC 143.641) em favor de todas as mulheres gestantes, puérperas e mães de crianças de até 12 anos ou responsáveis pelos cuidados de pessoas com deficiência. Com a decisão, dada em 2018, prisões preventivas em todo o Brasil passaram a ser substituídas por domiciliares.
Também relatou o processo que, em 2012, declarou como constitucionais as cotas raciais em universidades públicas e a reserva de vagas para estudantes do ensino egressos do ensino público (ADPF 186).
“As ações afirmativas, portanto, encerram também um relevante papel simbólico. Uma criança negra que vê um negro ocupar um lugar de evidência na sociedade projeta-se naquela liderança e alarga o âmbito de possibilidades de seus planos de vida. Há, assim, importante componente psicológico multiplicador da inclusão social nessas políticas”, disse o ministro na ocasião.
Caricatura de Ricardo Lewandowski feita por Spacca para a ConJur
Em dezembro de 2020, durante o ápice da Covid-19 no Brasil, deu algumas das mais importantes decisões envolvendo a epidemia. Foi a partir de uma liminar do ministro, depois referendada em Plenário, que estados e municípios ficaram autorizados a importar e distribuir vacinas contra a Covid-19 (ADPF 770).
Em outro caso relatado pelo ministro (ADI 6.586), foi definido que a imunização contra a Covid-19 é compulsória, podendo ser implementada mediante restrições indiretas, sendo vedada a vacinação forçada.
Entre as ações importantes relatadas pelo ministro, a ConJur também destaca:
RE 579.951, em que o Supremo decidiu que a contratação de parentes de autoridades para o exercício de cargos públicos viola a Constituição;
ADI 1.969, em que a corte declarou inconstitucional decreto do DF que proibia manifestações na Praça dos Três Poderes, na Esplanada dos Ministérios e na Praça do Buriti;
RE 592.581, em que se reconheceu a competência do Judiciário para determinar reformas em presídios com o fim de garantir a incolumidade física e moral dos detentos;
Rcl 43.007, em que o ministro deu à defesa de Lula acesso às conversas entre procuradores da extinta “lava jato” de Curitiba e o ex-juiz Sergio Moro; no mesmo processo, Lewandowski declarou a imprestabilidade do acordo de leniência da Odebrecht em processos contra o presidente;
Rcl 32.035, em que o ministro decidiu que veículos de comunicação têm o direito de entrevistar pessoas presas, mediante consentimento custodiado. Na ocasião, Lewandowski autorizou o jornal Folha de S.Paulo a entrevistar Lula, que estava preso em Curitiba.
Impeachment e CNJ
Outro momento marcante da carreira do ministro aconteceu em 2016, quando ele presidiu o julgamento do impeachment da então presidente Dilma Rousseff no Senado Federal. Sua experiência no tema fez com que o presidente do senado, Rodrigo Pacheco, designasse Lewandowski para presidir a comissão de juristas criada em 2022 para elaborar um anteprojeto de lei de atualização da Lei do Impeachment (Lei 1.079/1950).
Presidente do Conselho Nacional de Justiça de 2014 a 2016, quando também presidiu o Supremo, Lewandowski implementou novidades administrativas e avanços na prestação jurisdicional.
Ele foi o responsável, por exemplo, pela implantação das audiências de custódia nas 27 unidades federativas do Brasil. No procedimento, hoje corriqueiro, o juiz decide, em até 24 horas, o destino imediato de pessoas presas em flagrante. A audiência também serve para avaliar se o preso foi alvo de tratamento abusivo pelas autoridades policiais.
Lewandowski e Pacheco na instalação da comissão da lei do impeachment
Edilson Rodrigues/Agência
Desde 2015, quando o procedimento passou a valer, o percentual de prisões provisórias caiu. Dados do Executivo Federal indicam que, desde o início da operação das audiências de custódia, houve redução do percentual de prisões provisórias no país — de 40,13% do total em 2014 para 26,48% em 2022.
O instituto garantiu o encaminhamento para serviços de proteção social — mais de 47,7 mil desde 2015 — e apuração de eventuais casos de tortura ou de maus-tratos no ato da prisão, com mais de 83,7 mil registros.
Na presidência do CNJ, o ministro também foi responsável pela resolução que determinou o fim da tramitação de processos classificados como “ocultos”. Além disso, foi na gestão de Lewandowski que se regulamentou a publicação de acórdãos, fixado o prazo de 60 dias a contar da sessão do julgamento.
Décio Lima ao lado de Lula - (crédito: Reprodução/Instagram/@deciolima (10/4/2023))
O ex-deputado e ex-prefeito de Blumenau (SC) Décio Lima assumiu, nesta segunda-feira (10/4), o cargo de diretor-presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Nacional. A informação foi confirmada pelo próprio Lima pelas redes sociais.
O último presidente do Sebrae foi Carlos Melles — que renunciou ao cargo no último dia 29 de março. Melles atuava como presidente do Sebrae desde 2019, quando foi eleito. Em 2022, ele foi reeleito para o cargo e teria mais quatro anos à frente do órgão, mas decidiu abrir mão da chefia nesta quarta após movimentações do governo federal para tirá-lo do cargo.
“Expresso meu respeito a todo o Sistema do Sebrae e aos milhões de empresários de pequenos negócios”, disse Melles ao renunciar.
Décio Lima fala em “novo momento”
Ao compartilhar a notícia de que seria o novo diretor-presidente do Sebrae, Décio Lima agradeceu ao presidente Lula (inclusive com uma foto ao lado do líder do Executivo), falou sobre um “novo momento” para o serviço e prometeu uma “parceria” com o governo.
“Vou percorrer o Brasil, interagir com os Sebraes estaduais, e ser parceiro de um governo que entende que esse setor é fundamental para recuperar as bases da nossa economia que se perderam com fome e exclusão”, escreveu.
A pandemia da covid-19 devia ser um momento para repensarmos não apenas o nosso lugar, mas também uma economia e políticas que são profundamente injustas, predadoras e criadoras de miséria e desequilíbrios. Não se trata de apenas corrigir e recompensar. É urgente questionar a ideia de que a tecnologia pode ser, por si mesma, a salvação da nossa espécie e do planeta.
Mia Couto nunca chegou a participar de um clube de livro como leitor, mas já compareceu a vários como autor. Amanhã, ele acrescenta mais um a esta lista. O escritor moçambicano desembarca no Rio de Janeiro para participar do Clube de Leitura CCBB 2023, que tem curadoria de Suzana Vargas. Durante o encontro com os leitores, ele vai falar sobre Antes de nascer o mundo, originalmente publicado em 2009. Em Moçambique, o livro ganhou o título de Jesusalém e em francês e inglês, O afinador de silêncios, todos muito queridos e apropriados, segundo o autor. Além de Mia, estará presente a escritora Stella Maris Rezende, que participa a distância com perguntas dirigidas ao autor. A conversa estará disponível no canal do Banco do Brasil no Youtube na próxima semana.
No romance Antes de nascer o mundo, Silvestre é um pai terrível que declara aos filhos que o mundo já não existe e, consequentemente, não há mais mulheres no planeta. É uma invenção problemática, difícil de sustentar e cujo impacto na vida das crianças pode ser desastroso. "A narrativa fala dessa' 'nação' inventada por um homem magoado pelos seus próprios fantasmas. A sua intenção é afastar a ordem mundana e a ordem divina para além das fronteiras que ele toscamente desenhou. Uma dessas fronteiras é uma cruz onde 'Deus virá pedir perdão à humanidade'. A simples visita de uma mulher desmorona aquela construção quixotesca de um pai tirano", explica Mia.
Silvestre é um personagem misógino e autoritário que, involuntariamente, acaba por deixar uma lição em meio ao exercício de tirania ao ser obrigado a olhar para sua própria construção e vê-la desmoronar. De certa forma, o livro também fala da arrogância humana, a mesma que Mia lamenta quando pensa em episódios recentes da história das sociedades, como a pandemia e o aquecimento global. Formado em Biologia e diretor da Impacto Ltda., empresa que faz estudos e pesquisas na área de impactos ambientais, o escritor é também um diligente observador do sucesso humano em agir de forma a descarrilar o meio ambiente. A pandemia faz parte da longa lista de consequências da arrogância de uma espécie decidida a ser a dona do planeta. "Existe uma arrogância da maior parte das sociedades humanas em nos acreditarmos os administradores do planeta. Somos o topo e o centro daquilo que nós mesmos chamamos de 'evolução'. A verdade é outra: os verdadeiros donos são organismos invisíveis que desprezamos como 'inferiores'", diz Mia, que fala sobre literatura, leitura, Moçambique e pandemia em entrevista concedida ao Correio.
Entrevista com Mia Couto
Pode contar um pouco como chegou à história narrada neste livro, à história de Silvestre, Mwanito e Ntunzi?
Eu queria há muito tempo falar da minha própria infância, de como fui uma criança que morava no silêncio e como, por via desse silêncio, eu conversava com o meu pai e os dois viajávamos por mundos desconhecidos. A figura deste Silvestre é o antípoda daquilo que foi o meu pai. Este Silvestre é misógino, tem na sua história um trauma que o leva a declarar que o mundo deixou de existir e, desse modo, as mulheres se extinguiram não apenas como presença, mas como memória coletiva.
Como a pandemia afetou você enquanto autor, mas também enquanto cidadão?
Eu acho que a principal lição deveria ser a da humildade. Existe uma arrogância da maior parte das sociedades humanas em nos acreditarmos os administradores do planeta. Somos o topo e o centro daquilo que nós mesmos chamamos de "evolução". A verdade é outra: os verdadeiros donos são organismos invisíveis que desprezamos como "inferiores". São, contudo, essas bactérias e os vírus que tecem e voltam a tecer a vida em cada instante. Estamos ocupados a descobrir quando se iniciou a epopeia da vida na Terra. A vida nasce todos os dias e nasce não por causa da nossa espécie. Nasce por obra dessa teia de microrganismos que inventaram os mais espantosos mecanismos de converter luz em matéria, o ar em energia e organizaram os grandes ciclos com o cuidado de reciclar os resíduos e transformar em nova vida aquilo que parece ser sobra, excreção ou detrito. A covid-19 devia ser um momento para repensarmos não apenas o nosso lugar, mas também uma economia e políticas que são profundamente injustas, predadoras e criadoras de miséria e desequilíbrios. Não se trata de apenas corrigir e recompensar. É urgente questionar a ideia de que a tecnologia pode ser, por si mesma, a salvação da nossa espécie e do planeta.
Lembranças e esquecimentos são temas comuns na sua fala e na sua literatura. É possível esquecimento diante do que o mundo viveu com a pandemia?
Acredito que existe uma fabricação do esquecimento tanto como existe uma fabricação do silêncio. Não são lapsos. Existe uma pressa enorme em fazer crer que a salvação da humanidade e do planeta nascerá de tecnologias de ponta cujos programas de investigação são controlados pelo mercado. Por muito que nos custe, é preciso aceitar que a pandemia da covid-19 se desvaneceu não apenas por aquilo que fizemos nós, a humanidade. Mas o vírus ajudou a vencer a crise. Não fossem mutações que conduziram à variante da omicron estaríamos ainda hoje em situação de crise.
Como, na sua opinião, construiremos a lembrança desse período?
É importante pensar que outras pandemias nos atingiram recentemente e já nos esquecemos delas. Apenas para referir a mais recente: a chamada "gripe espanhola". Na maior parte dos critérios, esta gripe que foi vivida pelos nossos avós em todos os países do mundo foi bem mais grave do que a covid-19. No entanto, nós vivemos esta última pandemia como se fosse a primeira. O meu receio é que se esqueçam as razões e as lições desta crise. A covid-19 sugeriu, por exemplo, a necessidade de termos uma instituição central forte como a OMS (que tende a ser cada vez marginalizada). A covid-19 sugeriu que se investisse no reforço dos Serviços Nacionais de Saúde e não tanto na medicina privatizada. Será que aprendemos essas lições?
Você sempre diz que a oralidade faz com que seja impossível não ser escritor em Moçambique. Qual o papel da oralidade na literatura moçambicana?
A oralidade é muitas vezes entendida como um estágio evolutivo que todos devem chegar para chegar ao patamar superior que é da escrita. A oralidade seria uma espécie de património ainda presente nos povos indígenas e nas sociedades primitivas. Mas a oralidade está presente em todos nós, em todas as nações do mundo. Nascemos nela e foi ela o nosso chão até lançarmos as raízes como pessoas. O papel da oralidade não difere muito no Brasil e em Moçambique. O que a escrita faz é reconstituir a ponte entre a letra e a voz, entre a palavra grafada e a palavra falada.
Você e seus irmãos têm uma fundação dedicada a promover a literatura e a arte entre os jovens moçambicanos e também criaram um prêmio anual para primeiros livros. O que tem interessado os jovens autores moçambicanos? Há temas comuns entre eles?
Os jovens de Moçambique querem o que todos os jovens deste mundo ambicionam: serem sujeitos, ter voz, ter acesso, sentarem à mesa onde se faz a cultura e a gestão das sociedades e dos recursos. Esse é o tema comum. Falando em termos da literatura, a poesia continua sendo o gênero mais expressivo e mais procurado no meu país. Talvez a poesia pode traduzir melhor esse sonho de um outro mundo mais humano e mais humanizante. Mas a poesia também é mais veloz e mais plástica e ajusta-se às canções de intervenção que podem ser usadas como arma de mudança.
Enquanto biólogo que é, como tem observado as últimas decisões das reuniões do clima? Tem esperança de que será possível conter a destruição?
É preciso ter noção do limite que essas conferências mundiais podem fazer. O que ali se decide é importante, sim, mas não basta. É preciso ir mais longe. Os políticos que sentam nas conferências estão a falar de um cavalo enfurecido que tomou o freio nos dentes. Eles podem ajustar, ou seja, apertar as rédeas. Mas esse cavalo não lhes pertence. Os donos do cavalo são o mercado, os chefes das grandes corporações e dos grandes bancos. Eles é quem deviam ser responsáveis e, sobretudo, responsabilizados.
Encarcerado na Penitenciária Federal de Brasília desde janeiro deste ano, o espião russo identificado Sergey Vladimirovich Cherkasov (foto em destaque) criou uma farsa minuciosa, sob o véu de uma história coberta para “esquentar” sua suposta cidadania brasileira.
Documentos que integram uma investigação do Federal Bureau of Investigation (FBI) americano revelam que o espião simula ter morado no Distrito Federal e frequentado bares, restaurantes e boates da capital do país.
A Polícia Federal efetuou a prisão do espião russo em São Paulo. Ele usava uma falsa identidade brasileira para tentar se infiltrar no Tribunal Penal Internacional, em Haia. Segundo o serviço secreto holandês, Sergey Cherkasov, 36, passou 12 anos construindo a identidade falsa — de Viktor Muller Ferreira, 33, nascido em Niterói, no Rio de Janeiro.
Documentos que integram uma investigação do Federal Bureau of Investigation (FBI) americano revelam que o espião simula ter morado no Distrito Federal e frequentado bares, restaurantes e boates da capital do país.
A Polícia Federal efetuou a prisão do espião russo em São Paulo. Ele usava uma falsa identidade brasileira para tentar se infiltrar no Tribunal Penal Internacional, em Haia. Segundo o serviço secreto holandês, Sergey Cherkasov, 36, passou 12 anos construindo a identidade falsa — de Viktor Muller Ferreira, 33, nascido em Niterói, no Rio de Janeiro.
Em seu falso relato, o espião conta que teria se mudado para Brasília em 2010 e se hospedado em uma pensão de baixo custo, onde pagaria cerca de R$ 550 mensais. Entre aulas de português e andanças pela capital da República, o espião disse ter se apaixonado pela culinária brasileira, principalmente por restaurantes que servem comida no quilo.
Feijoada
Ainda na carta que o russo escreveu — provavelmente usando um programa tradutor — sobre suas experiências no DF, ele narra a predileção por bares, lanchonetes e boates que ele dizia ter frequentado.
O espião contou ter se tornado fã do restaurante A Tribo, na Asa Norte. “Este restaurante faz a melhor feijoada da cidade”, garantiu. O objetivo do russo era tentar dar um ar de legitimidade à sua falsa identidade.
Sergey ainda criou outra farsa, como se fosse frequentador assíduo de algumas boates que, na época, bombavam no DF, especificamente no Setor de Clubes Sul. O espião citou a casa de show Macadâmia, que se destacou no cenário de festas da cidade há anos.
Identidade falsa
Sergey Cherkasov, 36, passou 12 anos construindo a identidade falsa – de Viktor Muller Ferreira, 33, supostamente nascido em Niterói, no Rio de Janeiro.
Ele teria chegado ao Brasil em 2010. Depois, já usando a identidade falsa, morou nos Estados Unidos e na Holanda, onde tinha conseguido uma vaga de estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI), também conhecido como Corte Penal de Haia.
Já sob monitoramento, ele veio recentemente ao Brasil e, em abril, embarcou em voo para a Holanda. Ao chegar lá, teve a entrada negada pelo governo holandês, que apontou a falsidade documental, mandou-o de volta ao Brasil e informou a situação às autoridades brasileiras. O russo acabou preso no desembarque em São Paulo e, agora, está em Brasília.
Além do alerta, os holandeses compartilharam toda a história com os órgãos de inteligência e investigação do Brasil. Desde então, o governo passou a saber que, por trás dos documentos falsos, havia um homem apontado por um país estrangeiro como espião russo que tentava se infiltrar no tribunal penal — um caso, evidentemente, de repercussão internacional.
A estratégia do Brasil, porém, foi manter tudo sob o mais absoluto segredo. A intenção era que o caso permanecesse em sigilo. Contudo, tempos depois da prisão, e diante do silêncio brasileiro, o próprio serviço secreto da Holanda emitiu um comunicado público no qual anunciou ter desmascarado o agente russo.
A ficha do espião
No comunicado feito em junho do ano passado, o serviço secreto holandês afirmou que Sergey Cherkasov trabalha para o GRU, a maior agência de inteligência da Rússia com operações no exterior. O GRU é ligado às Forças Armadas russas.
“Esta foi uma operação do GRU de longo prazo e de vários anos, que custou muito tempo, energia e dinheiro”, declarou Erik Akerboom, do Serviço Geral de Inteligência e Segurança Holandês, o AIVD.
Os holandeses disseram que resolveram dar publicidade ao caso para evidenciar estratégias da inteligência russa que põem em risco instituições internacionais, como o Tribunal Penal Internacional.
Em nota, a agência afirmou que, se o oficial de inteligência tivesse conseguido entrar no TPI, poderia coletar informações, recrutar fontes e, inclusive, ter acesso aos sistemas digitais da Corte.
O Tribunal Penal Internacional investiga possíveis crimes de guerra cometidos pela Rússia – e por Putin – na Ucrânia.
foto: Na arena Fonte Nova/facebook oficial EC Bahia
Qual é a maior torcida do Brasil? Motivo de debates
acalorados ao redor do País, a pesquisa "Maior Raio-X do Torcedor",
realizada em conjunto por CNN, rádio Itatiaia e Quaest e divulgada nesta
segunda-feira(10), respondeu essa pergunta. Além de apresentar Flamengo e
Corinthians na liderança do ranking, o resultado colocou o Palmeiras na
terceira colocação, ultrapassando pela primeira vez o São Paulo em número de
torcedores.
O levantamento ouviu 6.507 pessoas, de 16 anos ou mais e que
se declararam amantes do esporte, em 325 cidades brasileiras, no período entre
29 de março e 2 de abril deste ano. A margem de erro é de 1,4 ponto porcentual
para mais ou para menos. Segundo os dados divulgados nesta segunda-feira, o
Palmeiras tem 9% do total de torcedores do País, seguido pelo São Paulo, com
8%.
"Esse resultado, com o Palmeiras numericamente à frente
do São Paulo, dentro da margem de erro, tem a influência direta da era
vitoriosa que o Palmeiras vem vivendo nos últimos anos", afirmou Felipe
Nunes, diretor da Quaest Consultoria e Pesquisa, que liderou o trabalho.
Desde 2015, o Palmeiras conquistou três troféus do
Campeonato Brasileiro, dois da Copa do Brasil, dois da Copas Libertadores e
três do Campeonato Paulista - o mais recente obtido no domingo, com a goleada
sobre o Água Santa, por 4 a 0, no segundo jogo da final.
Até o momento, a pesquisa liberou as 12 equipes com o maior
número de torcedores. Além de Palmeiras e São Paulo, o Flamengo segue líder no
ranking (24%), seguido pelo Corinthians (18%). Outro resultado significativo é
a dupla mineira, Atlético-MG e Cruzeiro, na quinta e sexta colocações,
respectivamente, à frente do Vasco.
"Esta é a maior e mais abrangente pesquisa de futebol
que já foi feita no Brasil. Sem dúvida, um marco, pois não se restringiu apenas
a tamanho de torcida, mas entrou em áreas como rivalidade, costumes dos
torcedores, relação com times do exterior e até mesmo consumo, ao tratar das
questões de sócios e compra de camisas", ressaltou Felipe Nunes.
Outro destaque é a ausência de clubes tradicionais do
Sudeste no ranking. Fluminense, atual campeão estadual do Rio de Janeiro, e
Botafogo foram superados por clubes da região Sul e do Nordeste, como Bahia,
Internacional e Sport, que fecham o Top 12 na pesquisa. Outros dados serão
divulgados ao longo desta semana, que antecede o início do Campeonato
Brasileiro.
Confira os 12 clubes com a maior torcida do Brasil:
Um delegado da Polícia Civil da Bahia foi condenado a 29
anos de prisão após ser acusado de integrar uma organização criminosa,
responsável pelos crimes de tráfico de drogas, obstrução da Justiça, associação
ao tráfico, concussão e peculato. A sentença foi estabelecida pelo Tribunal de
Justiça da Bahia (TJBA), nesta segunda-feira (10).
O acusado é o principal investigado pela ‘Operação
Casmurro’, deflagrada pela Corregedoria-Geral da Secretaria da Segurança
Pública (SSP) e pelo Ministério Público da Bahia (MP), em 2021.
No documento, expedido pelo Juízo de Direito da Vara Crime,
Júri, Execuções Penais, Infância e Juventude da Comarca de Seabra, outros três
investigadores da 13ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin)
de Seabra, comparsas do delegado, também foram apenados com 11 e 14 anos, após
as investigações apontarem as suas participações.
Com a decisão judicial, os servidores – exceto um dos
investigadores da PC que foi penalizado com 11 anos de prisão – deverão
cumprir, inicialmente, a pena em regime fechado.
Relembre o caso
A suspeita de envolvimento do delegado e dos investigadores
com os casos foi levantada no ano de 2020, após investigações apontarem o nome
dos envolvidos em um esquema de propina com um empresário da região, durante a
descoberta de um plantio de maconha no Povoado de Baixio da Aguada, zona rural
de Seabra.
Em abril de 2021, a
Força Tarefa de Combate a Grupos de Extermínio e Extorsão Mediante Sequestro da
Corregedoria da SSP cumpriu, junto com o Grupo Especial de Combate ao Crime
Organizado (Gaeco), três mandados de prisão temporária, expedidos pelo Juízo
Criminal de Seabra-BA, além de sete de busca e apreensão, contra os suspeitos.
Na época, veículos, armas de fogo, munições e uma quantidade
de maconha pronta para o consumo foram apreendidos.
Dois meses depois, em junho de 2021, outros cinco mandados
de busca e apreensão, um de prisão temporária e o afastamento cautelar das
atividades policiais do delegado foram cumpridos na segunda fase da ação. Novas
armas de fogo, munições, celulares e documentos referentes a aquisição de bens
móveis e imóveis foram apreendidos.
Mais de 100 policiais civis e militares, além de integrantes
do MP participaram das operações que culminaram na sentença final da Justiça da
Bahia.