sábado, 12 de setembro de 2026

Ceará: Família de Chico Passeata rebate Ciro Gomes e nega que médico tenha dito “médico é igual a sal”

                                                              A médica e viúva pede respeito a mémoria de Chico Passeata 

                                                            

No último debate eleitoral entre os candidatos ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) e Elmano Freitas (PT), o atual governador acusou Ciro de ter afirmado, em 1992, quando era governador do Estado e enfrentava uma greve de médicos que já durava mais de 60 dias, que “médico é igual a sal: branco, barato e tem em todo lugar”.

Ciro Gomes rebateu imediatamente a acusação. Durante o debate, afirmou que renunciaria à candidatura caso fosse comprovado que havia proferido a frase. Na sequência, atribuiu a autoria da declaração ao médico cearense Francisco das Chagas Dias Monteiro, conhecido como Chico Passeata, que morreu em 2011.

A declaração provocou reação da família do médico. A médica, professora e uma das fundadoras da Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD), Helena Serra Azul Monteiro, viúva de Chico Passeata, manifestou indignação com a atribuição da frase ao marido.

Segundo Helena, Ciro Gomes atribuiu a Chico Passeata a autoria da declaração durante o debate. A família, entretanto, contesta a afirmação e sustenta que o médico nunca proferiu a frase.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Helena também resgata a trajetória de Chico Passeata como médico, militante da saúde pública e defensor do Sistema Único de Saúde (SUS) e da democracia. Para ela, a memória de alguém que dedicou a vida à defesa de uma saúde pública mais justa não pode ser distorcida.

Vídeo da viúva: 

https://www.instagram.com/reel/DdMJGbou7eZ/

Quem foi Chico Passeata

Francisco das Chagas Dias Monteiro (1947–2011) foi uma importante figura da história da saúde pública e do movimento médico do Ceará.

Cearense, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1966. Ainda como estudante, envolveu-se na luta contra a Ditadura Militar, período em que participou de manifestações estudantis. Foi dessa atuação que surgiu o apelido “Chico Passeata”.

Em 1968, Chico e sua companheira, Helena Serra Azul, foram perseguidos politicamente. O casal chegou a se exilar na Zona da Mata de Pernambuco e, posteriormente, foi preso. Chico permaneceu cerca de dois anos encarcerado em Recife.

Formou-se em Medicina em 1976 e, posteriormente, especializou-se em Saúde Pública. Ao longo da carreira, exerceu funções de destaque no movimento médico, entre elas a presidência do Sindicato dos Médicos do Ceará, além de ter sido conselheiro do Conselho Federal de Medicina (CFM) e integrante do Conselho Nacional de Saúde.

Chico Passeata também teve participação no movimento da Reforma Sanitária Brasileira, que contribuiu para a construção das bases do SUS. Na Secretaria da Saúde do Ceará, participou de iniciativas relacionadas à saúde pública, incluindo a implantação da Política de Atenção Integral à Saúde do Homem.

Além da medicina e da militância na área da saúde, Chico também era poeta e escritor.

Ele morreu em 12 de agosto de 2011, em Fortaleza, aos 63 anos, vítima de câncer.

A controvérsia sobre a autoria da frase, décadas depois, reacende um episódio marcado pelo confronto entre o governo estadual e o movimento médico cearense e coloca em discussão não apenas a declaração atribuída a Ciro Gomes, mas também a memória de Chico Passeata e sua trajetória na defesa da saúde pública.


fonte:EducadoraFM  95.7 C/ADAPTAÇÕES E ACRÉSCIMO DO BLOG

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