A médica e viúva pede respeito a mémoria de Chico Passeata
No último debate eleitoral entre os candidatos ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) e Elmano Freitas (PT), o atual governador acusou Ciro de ter afirmado, em 1992, quando era governador do Estado e enfrentava uma greve de médicos que já durava mais de 60 dias, que “médico é igual a sal: branco, barato e tem em todo lugar”.
Ciro Gomes rebateu imediatamente a acusação. Durante o debate, afirmou que renunciaria à candidatura caso fosse comprovado que havia proferido a frase. Na sequência, atribuiu a autoria da declaração ao médico cearense Francisco das Chagas Dias Monteiro, conhecido como Chico Passeata, que morreu em 2011.
A declaração provocou reação da família do médico. A médica, professora e uma das fundadoras da Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD), Helena Serra Azul Monteiro, viúva de Chico Passeata, manifestou indignação com a atribuição da frase ao marido.
Segundo Helena, Ciro Gomes atribuiu a Chico Passeata a autoria da declaração durante o debate. A família, entretanto, contesta a afirmação e sustenta que o médico nunca proferiu a frase.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Helena também resgata a trajetória de Chico Passeata como médico, militante da saúde pública e defensor do Sistema Único de Saúde (SUS) e da democracia. Para ela, a memória de alguém que dedicou a vida à defesa de uma saúde pública mais justa não pode ser distorcida.
Vídeo da viúva:
https://www.instagram.com/reel/DdMJGbou7eZ/
Quem foi Chico Passeata
Francisco das Chagas Dias Monteiro (1947–2011) foi uma importante figura da história da saúde pública e do movimento médico do Ceará.
Cearense, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1966. Ainda como estudante, envolveu-se na luta contra a Ditadura Militar, período em que participou de manifestações estudantis. Foi dessa atuação que surgiu o apelido “Chico Passeata”.
Em 1968, Chico e sua companheira, Helena Serra Azul, foram perseguidos politicamente. O casal chegou a se exilar na Zona da Mata de Pernambuco e, posteriormente, foi preso. Chico permaneceu cerca de dois anos encarcerado em Recife.
Formou-se em Medicina em 1976 e, posteriormente, especializou-se em Saúde Pública. Ao longo da carreira, exerceu funções de destaque no movimento médico, entre elas a presidência do Sindicato dos Médicos do Ceará, além de ter sido conselheiro do Conselho Federal de Medicina (CFM) e integrante do Conselho Nacional de Saúde.
Chico Passeata também teve participação no movimento da Reforma Sanitária Brasileira, que contribuiu para a construção das bases do SUS. Na Secretaria da Saúde do Ceará, participou de iniciativas relacionadas à saúde pública, incluindo a implantação da Política de Atenção Integral à Saúde do Homem.
Além da medicina e da militância na área da saúde, Chico também era poeta e escritor.
Ele morreu em 12 de agosto de 2011, em Fortaleza, aos 63 anos, vítima de câncer.
A controvérsia sobre a autoria da frase, décadas depois, reacende um episódio marcado pelo confronto entre o governo estadual e o movimento médico cearense e coloca em discussão não apenas a declaração atribuída a Ciro Gomes, mas também a memória de Chico Passeata e sua trajetória na defesa da saúde pública.
fonte:EducadoraFM 95.7 C/ADAPTAÇÕES E ACRÉSCIMO DO BLOG
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