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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Vice-Governador de SP é o novo 39º ministro do governo Dilma


                                                    Afif Domingos é o 39º ministro de Dilma-Foto:Eliana/divulgação


 
A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta segunda-feira a nomeação de Guilherme Afif Domingos como ministro da recém-criada Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que terá status de ministério e será a 39ª pasta na Esplanada. A posse do atual vice-governador de São Paulo e futuro ministro está marcada para a próxima quinta-feira (9).

A coluna assinada pelo jornalista Claudio Humberto havia antecipado meses atrás essa nomeação, reproduzido em nosso blog, agora confirmada. Com esse ministério, ou mais essa despesa da União, a Presidente consolida base de apoio do PSD, partido de Afif e Kassab visando ao processo de sua reeleição em 2014. 

Esse novo ministério ea  nomeação de Guilherme Afif Domingos é como diz o texto biblico " O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol".  Eclesiastes 1.9


Bahia: Bandidos assaltam bancos e promovem terror em Mundo Novo

                                            Fonte:Veículo utilizado no assalto foi incendiado pelos bandidos (Foto: Reprodução)

O Banco do Brasil e o Banco do Nordeste da cidade de Mundo Novo, na Chapada Diamantina, estavam cheios por volta das 11h30 desta segunda-feira (6) quando sete bandidos chegaram armados, disparando para cima, e assaltaram as duas agências. 

Além do pânico vivido pelos moradores do município a 292 quilômetros de Salvador, um funcionário de uma das agências, que havia sido levado como refém, acabou baleado durante uma troca tiros entre policiais e assaltantes em fuga. 

Os bandidos chegaram em dois carros - uma Ranger e um Ford Fiesta - atirando para cima. "Foram muitos tiros, ouvíamos até a bala batendo no chão. Quem conseguiu, correu", contou Fabrícia Santos, funcionária de uma loja de móveis na praça. 

De acordo com moradores, uma viatura da Companhia de Ações Especiais do Semiárido (Caesa), que fazia ronda na cidade durante manhã, havia acabado de deixar a praça quando os criminosos chegaram fortemente armados. 

"Havia pouco tempo que eles [policiais] haviam saído. Quando anunciaram o assalto, minha amiga ficou paralisada, não conseguia se mover do lugar. Meu medo era porque eles ficavam perguntando quem eram os donos dos carros estacionados na praça", contou Gleide Oliveira, gerente de uma loja de calçados. De dentro da loja, ela viu os criminosos renderem os seguranças e invadirem as agências.

O grupo dividiu-se em grupos; três assaltantes foram para o Banco do Nordeste e três invadiram o BB. Um bandido permaneceu na praça e obrigou clientes e moradores a fazer um escudo humano em frente às agências para evitar a aproximação da polícia. 


Veículo utilizado no assalto foi incendiado pelos bandidos (Foto: Reprodução)

"Eles falaram que ninguém ia se machucar porque estavam levando o dinheiro que era deles", contou um funcionário do Banco do Brasil que foi utilizado como escudo.
Segundo ele, o medo tomou conta da cidade durante o assalto. "Havia cerca de 100 pessoas na praça e todos os homens foram usados no escudo humano. Muitas pessoas passaram mal, desmaiaram, mas eles avisavam que estes poderiam sair", disse o funcionário. "Durou cerca de uma hora tudo, e eles atiraram para cima o tempo todo", conta.

Na fuga, os bandidos jogaram moedas nas ruas e levaram como reféns o gerente, uma subgerente, e dois guardas do BB, além de dois funcionários do banco do Nordeste. A quadrilha incendiou o Ford Fiesta na praça e roubou, em seguida, um Fiat Uno utilizado pelo banco para o transporte de valores.

Funcionário baleado

O assalto parecia chegar ao fim, porém, um erro dos bandidos na direção da saída da cidade acabou permitindo a aproximação de quatro policiais da Caesa, que já haviam sido informados da ação.
Os policiais avistaram os assaltantes em uma das avenidas do município e deram início a uma intensa troca de tiros. Um funcionário de 24 anos do Banco do Nordeste, que era levado como refém no Uno roubado, foi baleado na barriga. Há a suspeita de que dois bandidos também teriam sido atingidos.

A perseguição continuou na zona rural, até que, nas proximidades do distrito de Ibiaporã, a quadrilha interceptou um ônibus da Prefeitura que transportava estudantes da rede municipal.

Os assaltantes atiraram nos pneus e atravessaram o veículo na estrada para atrapalhar a ação dos policiais. "Havia muitos estudantes e eles invadiram, tomaram a chave e atravessaram o ônibus na avenida. A polícia chegou logo depois. Ainda bem que conseguimos fazer uma ligação direta para ligar o ônibus, senão ainda estaríamos lá", disse o motorista do ônibus Ubirajara Lopes.
A quadrilha seguiu em direção ao povoado e, na estrada de terra, abandonou os funcionários levados como refém. Ninguém ficou ferido. Dois funcionários, que já haviam testemunhado outros assalttos, ficaram bastante abalados.
O funcionário baleado foi socorrido para o Hospital Municipal, e depois transferido para o Hospital Geral Clériston de Andrade, em Feira de Santana. O estado dele é considerado grave.


Medo tomou conta da cidade durante o assalto (Foto: Reprodução)

71 ataques a bancos

Segundo o Sindicato dos Bancários da Bahia, o Banco do Brasil de Acajutiba, a 181 quilômetros de Salvador, foi alvo de uma tentativa de arrombamento na madrugada desta segunda-feira (6). Nada foi levado da agência.

Com as ações de hoje, sobe para 71 o número de ataques envolvendo bancos ou terminais eletrônicos na Bahia neste ano. O interior, onde a vigilância é menor, registrou 57 casos. Salvador teve 14.

Futebol: Mais dois Ba-Vi decide baianão de 2013

                                               Maxi  lutou, mas não conseguiu evitar a derrota foto:reprodução


Mesmo com a  derrota por  2x0 ontem(5) para o Juazeirense em Juazeiro, o Vitória assegurou a vaga na final do baianão, pois havia goleado por 4x0 no jogo de ida. A equipe  vai enfrentar o Bahia com vantagem de jogar por dois resultados iguais.

O primeiro jogo será no próximo domingo na Arena da Fonte Nova e o segundo segundo informações da presidência do rugro-negro será mesmo no Barradão dia 19.
O Bahia já havia assegurado a vaga no sábado(4) ao derrotar o Juazeiro por 1x0 no jogo de volta, onde poderia perder até por um gol.

O Bahia vai tentar o bicampeonato,mas para isso precisa fazer o que não fez nos dois jogos anteriores, onde perdeu por 5x1 e 2x1 na Arena Fonte Nova.



domingo, 5 de maio de 2013

Concurso: MINISTÉRIO DAS CIDADES OFERTA 80 VAGAS PARA NÍVEL MÉDIO E 50 SUPERIOR


                                                                    Imagem: reprodução

 
Ministério das Cidades divulgou nesta quinta-feira (2), o edital do concurso público para 130 vagas em cargos de nível médio/ técnico e superior. Do total de oportunidades, 80 são para o nível médio e 50 para os graduados, sendo que 8 vagas são reservadas para pessoas com deficiência.

Os salários variam de R$ 2.153,22 a R$ 4.834,22 e já incluem o auxílio-alimentação de R$373 e se referem a carga de 40 horas semanais. Os convocados serão lotados em Brasília, onde fica a sede do ministério.

As inscrições poderão ser feitas a partir das 10h da próxima segunda (6) até o dia 27 deste mês, no site da Cetro Concursos, organizadora da seleção. As provas objetiva e discursiva (esta somente para cargos de nível superior) serão aplicadas somente em Brasília, em 14 de julho. O concurso terá validade inicial de dois anos, podendo ser prorrogada uma única vez e pelo mesmo período. A taxa de inscrição é de R$39 para nível médio e R$49 para nível superior. 

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Bahia: Acidente mata Juiz da Comarca de Nova Soure na BR- 116


                                                Moto em que estava o  Dr. Marcelo Freitas -foto:Reprodução/BN

 
O juiz do município de Nova Soure, no nordeste baiano, Marcelo Luiz Santos Freitas, de 36 anos, morreu após sofrer grave acidente de moto na tarde deste sábado (4), na BR-116, ao povoado Trindade município de Cícero Dantas. O magistrado estava a caminho da cidade de Paulo Afonso, na região do Vale do São Francisco, onde participaria de um encontro de motociclistas. A moto colidiu com uma S10, de placa policial AQW 4129 de Assis Chateaubriand (PR). Os quatro passageiros do automóvel tiveram apenas ferimentos leve. Informações do BN.

sábado, 4 de maio de 2013

Governo Dilma: Presidente vai autorizar contratação de Médicos estrangeiros para o interior

                                                                   Imagem: Google/reprodução
 

A presidente Dilma Rousseff vai autorizar a contratação de médicos estrangeiros para atuarem no interior do país. A informação foi divulgada pela ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti, durante participação no Encontro Estadual com Novos Prefeitos e Prefeituras, na última terça-feira(30)  em Teresina. Ela declarou que no Piauí, por uma orientação equivocada, poucas administrações municipais aderiram ao Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab).

O decreto será assinado em junho e os médicos estrangeiros serão pagos pelo Ministério da Saúde. Ideli Salvatti falou que atualmente os prefeitos pagam de R$ 25 mil a R$ 30 mil para um médico no interior do país, mas, mesmo assim, não encontram profissionais para as comunidades de menor perspectiva profissional para eles.

 Está muito difícil conseguir médicos que queiram atuar no interior do país. Por isso, a presidente resolveu adotar a medida para que médicos estrangeiros venham para cá. Além disso, é uma forma de reduzir o custeio dos prefeitos, já que o Ministério da Saúde irá pagar os benefícios desses médicos — afirmou Ideli.
O governo federal encontrou dificuldades para que as prefeituras do interior do país aderissem ao Provab. O programa oferece curso de pós-graduação em Saúde da Família, e uma bolsa mensal do governo federal no valor de R$ 8 mil durante um ano. Neste ano, o Provab recebeu 4.392 médicos nos serviços de atenção básica de saúde em 1.407 municípios.

O Nordeste absorveu a maior parte com 2.494 profissionais para trabalhar em 696 municípios. No Sudeste, foram 1.018 em 357 cidades. O Sul concentrou 370 médicos em 169 localidades. Para o Centro-Oeste, 269 para 101 municípios, e o Norte com 241 profissionais, que atuam em 84 regiões. O Piauí, que tem uma grande demanda por médicos no interior, recebeu 131 médicos do programa para apenas 51 dos 224 municípios do Estado.

Muitos municípios não aderiram ao Provab. Eu não sei quem deu a orientação equivocada, mas a maior parte dos municípios não aderiu, e nós vamos pedir ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se há possibilidade de reabrir o Provab novamente — comentou a ministra.

O decreto da presidente Dilma Rousseff permitirá ao Ministério da Saúde contratar, por um período, ainda a ser definido, médicos de todos os países. Entretanto, a maior demanda deve ser de profissionais vindos da Espanha e Portugal. De acordo com o Ministério da Saúde, já existe uma grande procura deles por causa da crise financeira europeia.

Fonte: jornal o Globo online.

Bahia: Docentes das Universidades Estaduais não aceitam proposta de Wagner e ameaçam greve




De fora da mesa de negociações, o Fórum das Ades (associações dos professores das universidades estaduais) não acatou o acordo feito nesta sexta-feira entre o governo do estado e os servidores públicos para o reajuste do salário de 2013. A categoria realizou ontem (3) manifestação na frente da Governadoria. 

“Desde janeiro que sentamos para conversar  e eles nos garantiram lá atrás que o linear seria de 5,84%. Agora voltam atrás?”, reclamou Zozina Almeida, coordenadora do fórum que reúne professores das quatro universidades estaduais baianas. Os professores ameaçam iniciar uma greve, caso não haja acordo com a categoria em negociação na mesa setorial. 

Eles pedem 28% de aumento, para equiparar os salários com os que são pagos pelas universidades estaduais do Ceará, a que melhor remunera no Nordeste. O estado, em contraproposta, ofereceu 4% de aumento para  2014. 

O governador Jaques Wagner preferiu não polemizar com os professores. “A posição deles, eu respeito, estamos na democracia. O orçamento das universidades estaduais cresceu muito no nosso governo, mas a gente tem limite. Eu prefiro falar do maior número das categorias, que mostrou uma maturidade para entender que nem sempre o céu é o limite”. 

Além dos professores, também não concordaram com o reajuste os funcionários do Derba. “É absurdo, eles nem corrigiram a inflação oficial”, disse o presidente do sindicato da categoria, Nilton Ramos.

Fonte:CorreiodaBahia

" O PT precisa provar que é possível fazer política com seriedade" diz Lula

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Em entrevista a livro sobre a era petista no poder, Lula reconhece os erros do partido e diz que a tarefa do PT é voltar a acreditar em valores banalizados pela disputa eleitoral

Por Sérgio Pardellas

O ex-presidente Lula atravessou as turbulências políticas dos últimos oito meses esquivando-se das polêmicas. Antes, durante e depois do julgamento de cabeças coroadas do PT no STF, período em que tanto ele quanto o seu governo foram questionados ética, moralmente e por práticas de corrupção, Lula limitou-se às articulações políticas e a proferir discursos para plateias específicas ao lado da presidenta Dilma Rousseff. Na única vez em que falou com a imprensa, ele preferiu não discorrer sobre temas espinhosos envolvendo o PT e sua gestão. O silêncio foi quebrado em entrevista de 20 páginas para o livro “Lula e Dilma, 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil”, da Editora Boitempo. Ao fazer um balanço sobre a era petista no poder, Lula referiu-se ao momento seguinte à denúncia do mensalão como o mais delicado do governo e voltou a reconhecer os erros cometidos pelo PT, reeditando postura adotada durante a eclosão do escândalo em 2005. “O PT cometeu os mesmos desvios que criticava. O PT precisa voltar a acreditar em valores banalizados por conta da disputa eleitoral. É provar que é possível fazer política com seriedade. Pode fazer o jogo político, mas não precisa estabelecer uma relação promíscua para fazer política”, disse Lula. Na avaliação do ex-presidente, o PT deveria “reagir” e empunhar a bandeira da reforma política para aprovar o financiamento público de campanha, caso contrário “a política vai virar mais pervertida do que já foi em qualquer outro momento”. “Às vezes eu tenho a impressão de que partido político é um negócio”, emendou.

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O PAÍS SOB LULA E DILMA
Livro com 384 páginas e tiragem de três mil exemplares traz 21 artigos
de especialistas com reflexão sobre o período pós- neoliberal a partir da ótica progressista


A entrevista foi concedida no dia 14 de fevereiro ao sociólogo Emir Sader, organizador da publicação, e ao professor e pesquisador argentino especialista em educação, Pablo Gentili, no Instituto Lula, em São Paulo. Ao passar em revista os anos do PT no poder, Lula também falou sobre a ansiedade e as dúvidas do início do mandato e das pressões que sofreu até de amigos próximos para não lançar Dilma candidata à sua sucessão. Demonstrou ainda seu ressentimento com a mídia, a quem acusou de se transformar num partido político de oposição, e lançou uma aposta: “o Brasil será a quinta economia do mundo em 2016”. O livro de 384 páginas e tiragem de três mil exemplares será lançado no dia 13 de maio. A publicação reúne reflexões de especialistas em 21 áreas, entre eles Luiz Pinguelli Rosa, Luiz Gonzaga Belluzzo e José Luis Fiori, com o objetivo de aprofundar as discussões sobre os governos Lula e Dilma a partir da ótica progressista. Em artigos, os especialistas analisam as tensões em meio às quais se desenvolveu a política econômica do governo e discorrem sobre como foram implementadas as políticas sociais, seus sucessos e obstáculos até hoje não superados. Seguem trechos da entrevista de Lula:

Qual o balanço que o sr. faz dos anos de governo do PT e aliados?

Lula – Esses anos, se não foram os melhores, fazem parte do melhor período que este país viveu em muitos e muitos anos. Se formos analisar as carências que ainda existem, as necessidades vitais de um povo na maioria das vezes esquecido pelos governantes, vamos perceber que ainda falta muito a fazer para garantir a esse povo a total conquista da cidadania. Mas, se analisarmos o que foi feito, vamos perceber que outros países não conseguiram, em 30 anos, fazer o que nós conseguimos fazer em dez anos.

Qual foi o grande legado dos dez anos de seu governo?

Lula – (...) As pessoas sabem que este país tem governo, que este país tem política, que este país passou a ser tratado até às vezes como referência para muitas coisas que foram decididas no mundo. Esse é um legado que vai marcar esses dez anos. E eu tenho convicção de que, com a continuidade da companheira Dilma no governo, isso vai ser definitivamente consagrado. Parto do pressuposto de que chegaremos a 2016 como a quinta economia do mundo.

Quando começou o governo, o sr. devia ter uma ideia do que ele seria. O que mudou daquela ideia inicial, o que se realizou e o que não se realizou, e por quê?

Lula – Tínhamos um programa e parecia que ele não estava andando. (...) Eu lembro que o ministro Luiz Furlan, cada vez que tinha audiência, dizia: “Já estamos no governo há tantos dias, faltam só tantos dias para acabar e nós precisamos definir o que nós queremos que tenha acontecido no final do mandato. Qual é a fotografia que nós queremos.” E eu falava: “Furlan, a fotografia está sendo tirada” (...). Tem que ter paciência. Eu acho que fui o presidente que mais pronunciou a palavra “paciência”. Senão você fica louco.
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Quando o sr. perdeu a paciência?

Lula – (...) No começo tinha muita ansiedade. “Será que nós vamos dar conta de fazer isso? Será que vai ser possível?”, eu me perguntava. Tivemos tropeços, é lógico. O ano de 2005 foi muito complicado. Quando saiu a denúncia (do mensalão) foi uma situação muito delicada. Se não tivéssemos cuidado, não iríamos discutir mais nada do futuro, só aquilo que a imprensa queria que a gente discutisse. Um dia, eu cheguei em casa e disse: “Marisa, a partir de hoje, se a gente quiser governar este país, a gente não vai ver televisão, a gente não vai ver revista, a gente não vai ler jornal.” Eu tinha uma equipe e criamos uma sala de situação, da qual participavam Dilma, Ciro (Gomes), Gilberto (Carvalho) e Márcio (Thomaz Bastos). E era muito engraçado: eu chegava ao Palácio e eles estavam todos nervosos. E eu estava tranquilo e falava: “Vocês estão vendo? Vocês leem jornal... Vocês estão nervosos por quê?”

Por que seu governo provocou tanta reação da elite e da mídia? A reação das oposições aos governos do PT não é desproporcional, tendo em vista os resultados que foram apresentados?
Lula 
 (...) Eles achavam que nós não passaríamos de uma coisa pequenininha, bonita e radical. E nós não nascemos para sermos bonitos, nem radicais. Nós nascemos para ganhar o poder.

Mas vocês nasceram radicais...

Lula –
O PT era muito rígido, e foi essa rigidez que lhe permitiu chegar aonde chegou. (...) Eu era um indesejado que chegou lá. Sabe aquele cara que é convidado para uma festa, e o anfitrião nem tinha convidado direito? (...) E depois, tentaram usar o episódio do mensalão para acabar com o PT e, obviamente, acabar com o meu governo. Na época, tinha gente que dizia: “O PT morreu, o PT acabou.” Passaram-se seis anos e quem acabou foram eles. O DEM nem sei se existe mais. O PSDB está tentando ressuscitar o jovem Fernando Henrique Cardoso porque não criou lideranças.

A negociação é a pré-condição para a solidez do governo?

Lula –
(...) Nós aprendemos a construir as alianças necessárias. Se não for assim, a gente não governa (...). O meu medo é que se passe a menosprezar o exercício da democracia e se comece a aplicar a ditadura de um partido sobre os demais. Não gosto muito da palavra hegemonia, sabe. O exercício da hegemonia na política é muito ruim. Mesmo quando você tem numericamente a maioria, é importante que, humildemente, você exerça a democracia. É isso que consolida as instituições de um país e foi isso que eu exercitei durante o meu mandato, e que a Dilma está exercitando agora com muita competência.

Os tabus foram quebrados à direita e à esquerda? Como se sentia com isso?

Lula –
(...) Foram oito anos que permitiram que a gente, ao concluir, pudesse dar de presente ao Brasil a eleição da primeira mulher presidenta. Essa foi outra coisa muito difícil de fazer. Eu sei o que aguentei de amigos meus, amigos mesmo, não eram adversários, dizendo: “Lula, mas não dá. Ela não tem experiência, ela não é do ramo. Lula, pelo amor de Deus.” E eu: “Companheiros, é preciso surpreender a nação com uma novidade.”
O Brasil mudou nesses dez anos.
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E o sr., também mudou?

Lula –
(...) Mudei porque eu aprendi muito, a vida me ensinou demais, mas continuo com os mesmos ideais. Só tem sentido governar se você conseguir fazer com que as pessoas mais necessitadas consigam evoluir de vida.

E o PT mudou?

Lula –
(...) Hoje, ou nós fazemos uma reforma política e mudamos a lógica da política, ou a política vai virar mais pervertida do que já foi em qualquer outro momento. É preciso que as pessoas compreendam que não só a gente deveria ter financiamento público de campanha, como deveria ser crime inafiançável ter dinheiro privado nas campanhas; que você precisa fazer o voto por lista, para que a briga se dê internamente no partido. Você pode fazer um modelo misto – um voto pode ser para a lista, o outro para o candidato. O que não dá é para continuar do jeito que está.

Por quê?

Lula –
Às vezes tenho a impressão de que partido político é um negócio, quando, na verdade, deveria ser um item extremamente importante para a sociedade.

O PT não mudou necessariamente para melhor?

Lula –
O PT mudou porque aprendeu a convivência democrática da diversidade; mas, em muitos momentos, o PT cometeu os mesmos desvios que criticava como coisas totalmente equivocadas nos outros partidos políticos. (...) Você começa a ser questionado quando vira alternativa de poder. Então, o PT precisa saber disso. O PT, quanto mais forte ele for, mais sério ele tem que ser. Eu não quero ter nenhum preconceito contra ninguém, mas acho que o PT precisa voltar a acreditar em valores que a gente acreditava e que foram banalizados por conta da disputa eleitoral. É o tipo de legado que a gente tem que deixar para nossos filhos, nossos netos. É provar que é possível fazer política com seriedade. Você pode fazer o jogo político, pode fazer aliança política, pode fazer coalizão política, mas não precisa estabelecer uma relação promíscua para fazer política. O PT precisa voltar urgentemente a ter isso como uma tarefa dele.


FONTE: Republicado da Revista Isto é/N° Edição:  2268 |  03.Mai.13 - 20:45 |  Atualizado em 04.Mai.13 - 08:15