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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Feira: Professores e Técnicos da Uefs realizam ato público no centro

Técnicos administrativos e professores da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) paralisaram as atividades e realizaram um ato público na manhã desta quarta-feira (18) no cruzamento entre a Getúlio Vargas e a Senhor dos Passos. Estudantes do curso de Psicologia também participaram do protesto, com o objetivo de chamar atenção para a crise que a universidade enfrenta.
De acordo com o professor André Uzzeda, que é diretor da Adufes, o objetivo do protesto é denunciar a crise que passa a universidade, devido a falta de repasse dos recursos da ordem de 12 milhões de reais por parte do governo do estado para a instituição.
“Essa falta de recursos afeta as atividades fins de ensino, pesquisa e extensão. O governo decidiu não contratar 60 professores, além de 72 servidores técnicos, o que impacta no próximo semestre numa perspectiva de 180 turmas não ofertadas. O departamento de saúde faltará e isso é muito ruim para a universidade”, afirmou.
O professor disse ainda que a paralisação dos técnicos administrativos e professores é somente no dia de hoje, mas que a categoria está se organizando para que essa mobilização continue nos próximos dias. Além disso, os estudantes do curso de psicologia já decretaram greve.
“Se a situação continuar vamos entrar em greve e o próximo semestre não será iniciado. A gente quer que o governo perceba que temos força, que podemos pressioná-lo. O governo não tem um gesto de reconhecimento, é só ataque. O governo não demonstra nenhum sentimento pela universidade e o impacto do não repasse de recursos já é sentido nas salas de aula, banheiros, nosso trabalho é prejudicado a todo momento”, destacou.
fonte: Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade
fotos:reprodução acorda cidade

Crise econômica converteu Salvador na capital brasileira dos desalentados


 NEstudo do IBGE mostra que há mais desalentados no Brasil, como a baiana Alane, do que croatas na CroáciaAlane Nascimento(foto) mal completou 23 anos e já tem pouca esperança no futuro. Depois de quatro anos em busca de trabalho e apenas duas chamadas para entrevistas de emprego, ambas infrutíferas, a moradora do Jardim Santo Inácio, bairro da periferia de Salvador, decidiu parar de procurar. Passou assim a fazer parte de um contingente cada vez maior de brasileiros: os desalentados. São aqueles que, após busca e frustração, desistiram de procurar emprego. “A gente procura, procura e nunca tem resultado, só o desânimo de não conseguir. Prefiro ajudar ‘mainha’ em casa e estudar mais até mudar essa situação de desemprego no país”, disse.


Com a crise econômica, Salvador, onde Alane nasceu e sempre viveu, se transformou na capital brasileira do desalento. Isso porque a Bahia é o estado em que mais pessoas desistem de buscar emprego no Brasil. De janeiro a março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 805 mil pessoas disseram não ter tomado nenhuma iniciativa de busca de trabalho no estado. É um número 21% maior em relação ao último trimestre de 2017, quando 663 mil pessoas disseram ter desistido de procurar emprego no estado.

Como Alane, elas não distribuíram currículo, não foram para filas de vagas e não pediram indicação a conhecidos. A jovem baiana personifica o brasileiro desalentado médio: mulher, de 18 a 24 anos. No caso dela, matriculou-se em um curso técnico, com o plano de voltar a distribuir currículos quando “o país melhorar”. 

A categoria estatística à qual a jovem baiana faz parte é nova: apesar de analisar esse dado há seis anos, o IBGE só passou a divulgar o número de desalentados no país no começo de 2018. Para o instituto, desalentada é a pessoa que, como Alane, por falta de oportunidade, nem sequer procura emprego. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, no primeiro trimestre de 2018 havia 4,6 milhões de desalentados no Brasil, 278 mil a mais do que no final do ano passado. Ou seja, há mais desalentados no Brasil do que croatas na Croácia.

Desde o primeiro trimestre de 2012 – quando começa a série histórica da PNAD Contínua e o cômputo do desalento – o crescimento é de 142%. Há seis anos, havia 1,9 milhão de desalentados no país.
N
o ranking da desesperança em relação ao trabalho, depois da Bahia, o estado em que há maior número de pessoas que desistiram de procurar emprego é o Maranhão, com 430 mil desalentados no primeiro trimestre deste ano. Eram 410 mil em 2017 – ou seja, de lá para cá, subiu 5%, quatro vezes menos do que na Bahia.


Entre as regiões, o Nordeste concentra o maior número de desalentados, com 2,8 milhões de pessoas (crescimento de 7% entre o último trimestre de 2017 e o primeiro deste ano, também muito inferior ao da Bahia). Em seguida vem o Sudeste, com 922 mil desalentados. Dos dez estados com mais trabalhadores em desalento, sete estão no Nordeste.

jovem Alane trabalhou pela última (e única) vez entre 2013 e 2014, quando ainda cursava o ensino médio na rede pública estadual e o Brasil se preparava para as eleições presidenciais. À época, inscreveu-se num curso gratuito de gastronomia oferecido por uma ONG e conseguiu uma vaga de assistente na creche dessa entidade.
Encerrado o contrato, Alane entregou currículos em empresas, lojas e restaurantes e cadastrou-se em instituições que fazem a intermediação entre trabalhadores e empresas. Foi chamada apenas para duas entrevistas: para uma vaga no telemarketing de uma operadora de telefonia e outra na recepção de um laboratório de análises clínicas. Sem sucesso nem perspectiva, jogou a toalha.


“Em 2017, parei de procurar. Dá muito desânimo procurar tanto tempo e não achar nada”, contou Alane, em uma conversa no Shopping da Bahia, no centro financeiro de Salvador. Ali, ela acabara de doar sangue – algo que faz com frequência e voluntariamente – em uma unidade móvel da Secretaria Estadual da Saúde.


A
série histórica da PNAD Contínua mostra que quando Alanetrabalhou pela última vez, em 2014, o desemprego no país atingiu, em média, 6,7 milhões de pessoas – 6,8% dos trabalhadores. Nos anos em que a jovem buscou ocupação sem êxito, o cenário só piorou. Em 2015, aponta o IBGE, a média anual de desempregados foi de 8,6 milhões de pessoas (8,5%). No ano seguinte, a média saltou para 11,8 milhões (11,5%). Em 2017, já no governo Temer, a média anual de desocupados foi de 13,2 milhões de pessoas, o que equivale a 12,7% da força de trabalho do país.

Entre janeiro e março de 2018, segundo o instituto, a taxa de subutilização da força de trabalho – que agrega desocupados, subocupados (que trabalham menos horas do que poderiam) e força de trabalho potencial (no qual se enquadram os desalentados) – chegou a 24,7%, ou 27,7 milhões de pessoas. É o maior índice de subutilização da série histórica da PNAD Contínua.
No esforço para melhorar os números, o Ministério do Trabalho passou a incluir no seu balanço de geração de emprego os contratos intermitentes, permitidos desde a reforma trabalhista. Assim, quem assina esse tipo de contrato pode entrar na estatística como empregado mesmo que ainda não tenha sido efetivamente chamado a trabalhar ou recebido salário.
Como Alane, são 2,5 milhões de mulheres desalentadas no Brasil. É um número 20% maior do que o de homens, que somam 2,1 milhões em desalento. Compõem o perfil do desalentado médio no país as pessoas com ensino fundamental incompleto e cor autodeclarada parda – nestes pontos a jovem baiana, que é negra e completou o ensino médio, não se encaixa. Do total de desalentados, mais de 1 milhão de pessoas estão na faixa etária de Alane e 2,9 milhões se declaram pardos. Os brancos são 1,2 milhão e os negros 442 mil.
Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, explicou que o intervalo de seis anos entre coleta e divulgação de dados como os do desalento serve para as estatísticas se consolidarem ao longo do tempo. Para compor as estatísticas de emprego, desemprego e, consequentemente, desalento, os pesquisadores vão, durante cinco trimestres consecutivos, na casa da mesma família. Fazem perguntas que vão indicar se, na semana em que são entrevistadas, as pessoas fizeram alguma tentativa de conseguir emprego.


O desalentado integra a chamada força de trabalho potencial. Ou seja, quer trabalhar, mas deixa de procurar por não conseguir ocupação adequada, não ter experiência ou qualificação, ser considerado muito jovem ou idoso ou não haver trabalho no lugar onde mora. Um detalhe: para ser estatisticamente desalentado, é preciso estar disponível e disposto a assumir uma vaga se ela surgir. Alane está. “Topo qualquer coisa. Aliás, se não for ilegal, né?”, brincou. Desiludida, diz que pretende anular o voto nas eleições de outubro. 

“O que popularmente se chama de desemprego, para o IBGE é a desocupação. Quando sobe essa taxa de desocupação é porque cresce o número de pessoas sem trabalho e procurando, entregando currículos. Busca na internet, por exemplo, é ação de procura. Então, se a pessoa só procurar em sites e disser isso na pesquisa, não é desalentada, é desocupada”, explicou Mariana Viveiros, analista de informações do IBGE na Bahia.

Na situação oposta estão os ocupados: aqueles que, na semana da pesquisa, trabalharam pelo menos uma hora em atividade paga com dinheiro, produtos ou benefícios, como alimentação ou moradia. Quem faz bico no lava a jato da esquina é considerado ocupado, mesmo na informalidade. “Um bom exemplo para diferenciar as categorias é quem só estuda para concursos. Se alguém se inscrever em concursos e fizer as provas, é considerado desocupado, porque está sem trabalhar, mas está à procura. Mas se estudar e não realizar nenhuma ação, como se inscrever num concurso, entra como desalentada”, esclareceu Viveiros.

 Alane atribui à timidez o insucesso nas duas únicas entrevistas de emprego para as quais foi chamada. Hoje, faz o curso técnico em nutrição em um colégio da rede estadual baiana – é um retorno ao ensino médio, mas dessa vez com qualificação técnica. Já o curso de informática, numa escola privada, custa 100 reais por mês, pagos pela mãe de Alane, a técnica de enfermagem Ana Maria. 


A irmã, Anielle, de 27 anos, vive sozinha numa casa construída em cima da sua. Ela também está sem trabalho, mas não desistiu: Busca emprego como vendedora ou recepcionista. Enquanto isso, Ana Maria sustenta as duas casas. O sonho de Alane é ter um salário que alivie o peso excessivo das costas da mãe. “Só que não tenho ânimo de procurar. Pra quê? É muito triste só dar com a cara na porta”, lamentou.

fonte: FOLHA/VICTOR UCHÔA DA REVISTA PIAUÍ/FOLHA S. PAULO

Jornalista, formado pela Universidade Federal da Bahia. Trabalhou no Correio (BA) e no Grupo Metrópole

terça-feira, 17 de julho de 2018

Bahia: Quadrilha que agia em Ilhéus e região era comandada do presídio de Serrinha

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presídio de Serrinha -foto:reprodução
Nove pessoas foram condenadas pela Justiça por integrarem organização criminosa, conhecida como “Raio-A”, especializada na prática de tráfico de drogas e responsável por diversos homicídios e roubos cometidos na cidade de Ilhéus e região.
Segundo denúncia oferecida pelo Ministério Público estadual, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Ilhéus, as ações criminosas eram comandadas de dentro do Conjunto Penal de Serrinha, onde estavam custodiados os líderes da facção, Márcio Arandiba dos Santos, conhecido como “Tila”, hoje preso em Jequié, e Adailton Soares Sampaio, apelidado de “Dai”, que está morto.
Márcio Arandiba foi condenado a 16 anos, nove meses e 25 dias de prisão. A sentença foi proferida pela juíza Emanuele Vita Armede. A denúncia do MP decorreu de investigações realizadas pela “Operação Griffos” entre os meses de maio de 2015 e fevereiro de 2016. Além de Márcio Arandiba, foram condenados por organização criminosa e tráfico de drogas: Reilane Souza Rogério, ex-companheira de Adailton Sampaio; José Ronie Dia dos Santos; Marina de Oliveira Soares; Alan Souza Santos; Tiago Carlos dos Santos; Danilo da Silva Sales e Leandro Nascimento de Brito. Marcela Moreira Lima foi condenada por crime de organização criminosa, e Fabiano Souza Pereira e Jeferson Morais Silva por crime de tráfico de drogas.
Conforme a denúncia do MP, as ações da facção criminosa eram comandadas por seus líderes por meio de cartas e ordens verbais que eram repassadas aos demais integrantes da organização pelas mãos de Reilane Rogério. As investigações contaram com a realização de escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça, que interceptaram conversas sobre o comércio de drogas e armas, recolhimentos dos pagamentos, além de planejamento de assaltos e homicídios, com menções à liderança de Márcio Arandiba e Adaiton Sampaio.
 

fonte:Informações do MP

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Economia: União antecipa primeira parcela do 13º de aposentados e pensionistas




Aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) receberão a primeira parte do 13º salário junto ao pagamento de agosto. A primeira parcela do abono anual corresponderá a até 50% do valor do benefício. As informações são da Agência Brasil.

O decreto autorizando a antecipação foi assinado nesta segunda-feira (16) pelo presidente Michel Temer, mas ainda não foi publicado no Diário Oficial da União. A medida deve injetar R$ 21 bilhões na economia do país e movimentar o comércio e outros setores.

Como determina a legislação, não haverá desconto de Imposto de Renda na primeira parcela paga a aposentados e pensionistas do INSS. O imposto sobre o valor somente pode ser cobrado na segunda parcela da gratificação natalina, a ser paga junto com a remuneração de novembro. Informações do Folhapress.

Em Pelotas: Polícia localiza mãe do atacante Taison, vítima de sequestro

Taison esteve na Rússia, mas não foi aproveitado foto:reprodução Gazeta Esportiva
O sequestro da mãe do atacante Taison, Rosângela Freda, nesta segunda-feira(16) teve um desfecho positivo. Ela foi encontrada pela Brigada Militar de Pelotas dentro do porta-malas de um veículo na região do interior da cidade. Quatro sequestradores acabaram sendo presos. O jogador do Shakthtar Donestk, que iniciou sua carreira no Internacional, foi convocado para defender a Seleção Brasileira durante a disputa da Copa do Mundo na Rússia.
Dona Rosângela foi sequestrada no período da tarde. Segundo testemunhas, um veículo branco estacionou em frente à casa onde a família mora. Um homem desceu do carro com um buquê de flores e a irmã do atleta recebeu a encomenda. Entretanto, um dos suspeitos disse que o presente não seria para a jovem, e sim para a mãe do atleta. No momento que Rosângela apareceu para pegar as flores, acabou sendo jogada para dentro do veículo, que saiu em disparada.
A Polícia Civil e a Brigada Militar (BM) montaram uma operação especial e conseguiram localizar Rosângela na comunidade do Alto Cruz, no distrito da Cascata. Não houve pedido de resgaste e ela foi encontrada sem ferimento. Informações da Gazeta Esportiva.

MEC divulga 2ª Chamada do ProUni 2018.2



Os estudantes já podem conferir o resultado da segunda chamada do Programa Universidade para Todos (ProUni), na internet. A lista com os candidatos pré-selecionados nesta chamada do segundo semestre de 2018 foi divulgada hoje (16). 
Os estudantes têm até o próximo dia 23 para apresentar nas instituições de ensino os documentos que comprovem as informações prestadas no momento da inscrição.
A pré-seleção assegura ao candidato apenas a expectativa de direito à bolsa. Aquele que estiver na lista deverá ainda ir à instituição de ensino para comprovar as informações. A lista com a documentação necessária está na página do ProUni.
O candidato deve verificar, na instituição, os horários e o local de comparecimento para a aferição das informações. A perda do prazo ou a não comprovação das informações implicará, automaticamente, na reprovação do candidato.
Quem não foi selecionado em nenhuma das chamadas pode aderir à lista de espera nos dias 30 e 31 de julho, na página do ProUni, na internet. A lista de espera será divulgada no dia 2 de agosto.

fonte:Ag. Brasil c/adaptações

domingo, 15 de julho de 2018

“A extrema pobreza no Brasil voltou aos níveis de 12 anos atrás” diz economista do Ibase

Jardim Silvio Sampaio, Campo Limpo, zona sul de São Paulo.
© Fornecido por El Pais Brasil Jardim Silvio Sampaio, Campo Limpo, zona sul de São Paulo.
Ao deixar em 2014 a relação de países que têm mais de 5% da população ingerindo menos calorias do que o recomendável, o Brasil atingiu um feito inédito: saiu do Mapa da Fome da ONU. Mas, após três anos do feito, um relatório de 20 entidades da sociedade civil, publicado em julho do ano passado, alertava sobre os riscos de o país retornar ao mapa indesejado.
O economista Francisco Menezes, pesquisador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e da ActionAid Brasil, fez parte da equipe que elaborou o relatório. Nesta entrevista à Pública, o também especialista em segurança alimentar conta que no final deste mês um novo documento atualizado da sociedade civil será lançado. E alerta: “A nossa nova advertência já leva a quase uma certeza”. Essa quase certeza, ele diz, é de que o Brasil voltará ao Mapa da Fome. “Toda a experiência sempre mostrou que os números da extrema pobreza com os números da fome são muito próximos.”
Em relação à pobreza e extrema pobreza, por exemplo, levantamento da ActionAid Brasil indica que nos últimos três anos — 2015-2017 — o país voltou ao patamar de 12 anos atrás no número de pessoas em situação de extrema pobreza. Ou seja, mais de 10 milhões de brasileiros estão nessa condição (veja o gráfico abaixo). “Isso nos leva a crer que aquela correlação pobreza versus fome sugere fortemente que a gente já está, neste momento, numa situação ruim, que deve aparecer com os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares — POF — do final de 2018.”
A seguir, Menezes explica a combinação de fatores que levou a essa situação que ele caracteriza como “estado de desproteção social”.
Pergunta. A insegurança alimentar voltou a rondar o país?
Resposta. No ano passado, nós fizemos uma advertência à ONU de que, se o Brasil prosseguisse no rumo mais recente que tinha tomado de certo abandono das políticas de proteção social, correria o risco de retornar ao Mapa da Fome do qual saiu em 2014. Publicamos esse relatório em julho de 2017, e um novo relatório de acompanhamento desses objetivos do desenvolvimento sustentável vai sair ao final deste mês. O que nós assinalamos naquela primeira advertência vem sendo confirmada agora.
P. Como se chegou a essa constatação?
R. A cada cinco anos é feita uma pesquisa pelo IBGE sobre a situação de segurança e insegurança alimentar do brasileiro. Essa pesquisa era feita junto à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio — Pnad — e passou agora a ser feita pela POF, que é a pesquisa do orçamento familiar. A última pesquisa foi realizada em 2013 e divulgada em 2014. Como é quinquenal, ainda está sendo realizada, mas o pessoal está no campo e a divulgação desses resultados deve sair no final de 2018 ou início de 2019. O que ocorre é que existem algumas situações em relação ao estado da segurança alimentar, desde os que estão em segurança alimentar — de ter acesso aos alimentos de uma forma regular e suficiente — até níveis de insegurança alimentar. E tem a insegurança alimentar grave, expressão que se usa para caracterizar a fome, em que uma determinada família não teve disponibilidade de alimentos num determinado período. Essa insegurança alimentar grave em 2013, por exemplo, quando foi feita a última pesquisa, estava num nível bastante baixo, e é por isso também que em 2014 a ONU colocou o Brasil fora do mapa do fome.
O economista Francisco Menezes é pesquisador do Ibase e da ActionAid Brasil
© Fornecido por El Pais Brasil O economista Francisco Menezes é pesquisador do Ibase e da ActionAid Brasil

P. Os dados agora apontam um retrocesso?
R. Quantas pessoas passam fome? Para dizer alguma coisa próxima, vai ter que esperar um pouco, mas toda experiência sempre mostrou que os números da extrema pobreza com os números da fome são muito próximos. Mas a nossa advertência já leva a quase uma certeza. Primeiro, é preciso considerar que uma situação de extrema pobreza tem uma correlação muito grande com a situação de fome. Ou seja, pessoas que estão numa situação mais extrema de pobreza estão fortemente vulneráveis e sujeitas à fome, geralmente passando fome. Por isso, é importante trabalhar a questão da fome junto com a questão da pobreza, e nós temos assistido a um empobrecimento muito acelerado da população, e sobre isso nós temos os dados. Em três anos, 2015, 2016, 2017, a gente, infelizmente, voltou a 12 anos atrás em termos do número de pessoas em situação de extrema pobreza. Isso nos leva a crer que aquela correlação pobreza versus fome sugere fortemente que a gente já está, neste momento, numa situação bastante ruim, que deve aparecer no final do ano com os dados da POF. A extrema pobreza está crescendo mais aceleradamente do que a pobreza, que voltou a oito anos atrás.
O gráfico ActionAid e Ibase é resultado do processamento de microdados de Pnads Contínuas (a partir de 2012) e de Pnads de 1992 a 2011. A população em situação de extrema pobreza é a com rendimento domiciliar per capita de até R$ 70,00 e a em situação de pobreza de até R$ 140,00 referente a junho de 2011.
© Fornecido por El Pais Brasil O gráfico ActionAid e Ibase é resultado do processamento de microdados de Pnads Contínuas (a partir de 2012) e de Pnads de 1992 a 2011. A população em situação de extrema pobreza é a com rendimento domiciliar per capita de até R$ 70,00 e a em situação de pobreza de até R$ 140,00 referente a junho de 2011.
P. O que você está dizendo é que a tendência já aponta, mesmo que ainda não confirmada, que o Brasil voltará ao Mapa da Fome?
R. Acredito que, infelizmente, sim. Nós não temos ainda os dados dessa pesquisa que comentei. Eu posso falar, sim, sobre os próprios dados da Pnad Contínua [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua], que revelam esse empobrecimento acelerado da população com aumento muito grande, e que varia de região para região, de estado para estado. O Rio de Janeiro, por exemplo, vive uma situação em que a pobreza extrema, muito ligada à questão do próprio desemprego, cresceu muito, triplicou em um ano [de 143 mil para 480 mil em um ano].
P. Quais são as outras regiões?
R. O Nordeste brasileiro e a região Norte têm um grau de pobreza maior do que o Sudeste e o Sul, mas o nordeste teve um movimento muito positivo até 2014 no sentido de recuperação, mas agora a gente volta a assistir a uma situação de agravamento, porque já era mais vulnerável originalmente.
P. E quais são os fatores desse crescimento da extrema pobreza?
R. São vários fatores. Avalio que, em primeiro lugar, a título de enfrentamento do que se chamava desequilíbrio fiscal, se fez uma política que, de um lado, gerou uma paralisia grande da economia, gerando com isso desemprego, e não resolveu o problema do déficit fiscal. A receita, consequentemente, se reduziu e o país entrou num círculo vicioso de paralisia e, ao mesmo tempo, crescimento do desemprego e da pobreza, sem capacidade própria de gerar uma recuperação. Esse é um fator. Não querendo ser o dono da verdade, mas é a prática de uma política econômica completamente equivocada nos três últimos anos. Não se pode esquecer de que 2015 já se experimentou uma política bastante recessiva como opção para o enfrentamento das dificuldades que apareceram. A paralisia na construção civil, por exemplo, atinge as camadas pobres da população, deixando um grande número de pessoas desempregadas ou subempregadas; as próprias empresas que trabalhavam em torno do sistema Petrobras e tantas outras que foram paralisando agravam esse quadro. Ou seja, o desemprego não pode ser desprezado nesse aspecto.
P. A tomada de decisão de fazer o ajuste fiscal e congelar os gastos públicos por 20 anos deve ser considerada com efeito imediato?
R. Não tenha dúvida. A emenda constitucional foi aprovada no final de 2016. Se você pega o orçamento de 2016 — e estou falando dos programas sociais —, já se vê um fortíssimo contingenciamento durante aquele ano. Então se viveu já em 2016 uma experimentação do corte de recursos. A proposta de orçamento para 2017 traz um enorme corte e para 2018 ainda mais. É o que nós hoje estamos chamando de estado de desproteção social, porque faltam recursos de todos os lados. No aspecto da pobreza extrema, a gente está sentindo que em relação ao programa Bolsa Família, estão sendo feito cortes grandes de contingentes de famílias que, na verdade, ao contrário do que o governo alega, não são famílias que simplesmente não prestaram conta adequadamente, mas são aquelas mais vulneráveis que em geral têm mais dificuldades de prestar essas contas. Muitas famílias dentro do Bolsa Família foram cortadas e tinham, ou como única renda ou uma parte importante de sua renda, vinda do programa, e isso tem uma importância na questão alimentar por outras pesquisas que já fizemos. A gente sabe que os recebedores do Bolsa Família, na sua maior parte, gastam em alimentação, pelo peso que o alimento tem nos seus próprios orçamentos.
P. Essa questão do Bolsa Família é um levantamento ou uma percepção?
R. Não é um levantamento. Foram cortadas 1 milhão e 500 mil famílias, pode-se ver pelos próprios dados do governo. Inclusive, para 2018 o governo já coloca um orçamento menor para o Bolsa Família. O que está ocorrendo, o que a gente supõe, não temos comprovação ainda, é que grande parte dessas famílias cortadas são as mais pobres. E uma outra causa é a questão dos preços, não só dos alimentos, mas outra questão que pesa, o gás. O gás impacta muito sobre as famílias mais pobres. Com um aumento dos combustíveis de uma maneira geral, estamos começando a escutar as primeiras manifestações do quanto isso está pesando. Fora o fato de que o aumento dos combustíveis gera um aumento dos gêneros alimentícios.
P. O Brasil é um dos principais produtores de alimentos do mundo e pessoas passam fome. Como compreender essa situação?
R. O Brasil tem indubitavelmente uma capacidade de produção de alimentos relevante. Esse não é o nosso problema, o da produção, mas o que ocorre é que existe uma profunda desigualdade, inclusive, no campo.
fonte:EL Pais/agência pública/reprodução

Irecê: Prefeito prestigia lançamento do projeto de reforma e ampliação do Hospital Regional



                             foto:reprodução

O secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas-Boas, apresentou em coletiva de imprensa na manhã deste sábado (14) o projeto de reforma e ampliação do Hospital Regional Mário Dourado Sobrinho, que prevê investimentos da ordem de R$ 18,5 milhões apenas em obras. O prefeito Elmo Vaz esteve presente junto com o secretário, apresentando o projeto.

A unidade passará de 115 para 199 leitos, com a ampliação de enfermarias e UTIs adulto e neonatal, além da criação de novas estruturas. Entre as novas áreas, destaque para a construção de um Centro de Parto Normal, uma Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo) e Canguru (UCINCa), bem como uma Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e a implantação de um serviço de Hemodinâmica.  A obra ainda contempla a ampliação do número de salas do Centro Cirúrgico, que passará de quatro para seis.

Após a conclusão da obra, o Hospital Regional terá praticamente o dobro do tamanho original.
Para Elmo Vaz, o investimento do governo estadual na ampliação do Hospital Regional é uma grande vitória para Irecê e região, e destacou o seu empenho para que esse projeto se materializasse. "Hoje é um dia histórico, pois marca o dia em que o secretário de saúde veio a Irecê anunciar investimentos desse volume para o nosso hospital. Este projeto foi um sonho que nós sonhamos juntos, e há um ano e meio estávamos empenhados para que ele se concretizasse. Fico especialmente feliz pela Unacon, algo que sempre debati e defendi em nosso município. Não dá mais para os nossos pacientes de câncer terem que se deslocar para Salvador em busca desse tratamento, que é extremamente desgastante. Ter essa estrutura em nossa região é uma conquista importantíssima para a nossa cobertura de saúde", destacou o prefeito.

O secretário de saúde, Fábio Vilas-Boas, destacou o fato de que, após a conclusão das obras, o Hospital Regional de Irecê estará apto a realizar qualquer tipo de procedimento, dispensando a necessidade de encaminhar pacientes para hospitais em outras regiões. "É com satisfação que vamos desativar o setor de regulações do Hospital Regional de Irecê, pois não será mais necessário transferir nenhum paciente daqui para outro local. O paciente que chegar aqui será plenamente atendido, independente de qual procedimento seja necessário para tanto. A nova estrutura será completa para todas as especialidades", afirma Vilas-Boas.

Com o objetivo de assegurar o tratamento integral aos pacientes oncológicos da região, a unidade terá à disposição um acelerador linear e quimioterapia. Além disso, o Hospital Regional Mário Dourado Sobrinho terá o serviço de Hemodinâmica, que possibilita realizar exames e intervenções terapêuticas, como angioplastia, drenagens e embolizações terapêuticas.