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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Na Alemanha: Estilista faz protesto contra Bolsonaro em desfile

Estilista faz protesto contra Bolsonaro em desfile na Alemanha
Foto: Reprodução / Facebook
Brasileira radicada na Alemanha há cerca de 10 anos, a estilista Aline Celi incluiu protestos contra Jair Bolsonaro em um desfile de sua grife na Berlin Fashion Week, nesta segunda-feira (14). Na passarela, modelos seguravam cartazes com frases emblemáticas do presidente eleito traduzidas para o inglês, dentre as quais "o erro da ditadura foi torturar e não matar" e "ela não merece ser estuprada porque é muito feia".

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, também foi alvo do protesto, lembrada pela controversa declaração de que "meninos usam azul e meninas usam rosa".  "Isso é para lembrar que, mesmo eu não morando no Brasil, eu faço parte dessa cultura e para mostrar que, mesmo estando do outro lado do mundo, não concordo com o que está acontecendo no Brasil", destacou Celi, em entrevista à DW. A estilista brasileira já é conhecida por incluir em seus desfiles crítica social e política. "Moda não é superficial, moda não é só glamour. Com moda também podemos passar uma mensagem, moda também é política, moda também é economia", afirmou.

fonte: BN 15/01/2019 - 17:41min.

Bolsonaro assina decreto que facilita posse de arma de fogo

                        foto: Jair Bolsonaro/reprodução SBT
O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta terça-feira, 15, decreto que altera regras para facilitar a posse de armas de fogo - a possibilidade de o cidadão guardar o equipamento na residência ou no estabelecimento comercial de que seja dono. É a primeira medida do presidente em relação ao compromisso de campanha de armar a população, mas ele ainda tentará futuramente flexibilizar o próprio porte de armas.
“Como o povo soberanamente decidiu por ocasião do referendo de 2005, para lhes garantir esse legítimo direito à defesa, eu, como presidente, vou usar essa arma”, disse Bolsonaro, dirigindo-se para assinar o decreto. “Essa é uma medida para que o cidadão de bem possa ter sua paz dentro de casa.”
Entre as mudanças, foi ampliado o prazo de validade do registro de armas para dez anos, tanto para civis como para militares, e houve a flexibilização no requisito legal de o interessado comprovar da “necessidade efetiva” para a obtenção da posse. Pelas novas regras, bastará argumentar que mora em cidade violenta, em área rural ou que é agente de segurança, para satisfazer o requisito, que era alvo de críticos do Estatuto do Desarmamento.
Na prática, cidadãos de todo o País terão esse requisito preenchido, pois o critério que define se a cidade é violenta é se a taxa de homicídios no Estado de residência é maior do que 10 a cada 100 mil habitantes, e na fonte de referência escolhida pelo governo - o Atlas da Violência do ano de 2018, com dados referentes a 2016 - todos os Estados superam essa taxa. As taxas mais baixas são 10,9, em São Paulo, e 14,2, em Santa Catarina.
Para requerer o equipamento, atualmente é preciso submeter o pedido a uma superintendência da Polícia Federal, que faz uma análise sobre a necessidade e os demais requisitos. O objetivo do governo era impedir subjetivismo, ou seja, que diante de um mesmo fato as avaliações de autoridades pudessem ser diferentes. Com a mudança, a autoridade policial poderá simplesmente aplicar as regras de maneira objetiva.
“O grande problema que tínhamos na lei é a comprovação da efetiva necessidade”, afirmou Bolsonaro.
O presidente disse ainda que estão sendo estudados mecanismos para que a Polícia Federal não fique sobrecarregada com a demanda. "Nós estamos sugerindo a possibilidade de abrir convênios com a Polícia Militar e a Polícia Civil."
O Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (SIGMA), administrado pelo Exército e que inclui a concessão de armas para caçadores e atiradores esportivos, previa o prazo de três anos. O Sistema Nacional de Controle de Armas (SINARM), que é o sistema voltado para a população em geral e é administrado pela Polícia Federal, previa cinco.
As exigências legais para a obtenção da posse de arma permanecem. O cidadão precisa ter mais de 25 anos, declaração de bons antecedentes, curso de tiro e teste psicotécnico.
Diferente do porte de armas, o direito à posse permite ao cidadão manter armamento em casa ou no local de trabalho, desde que seja o responsável legal pelo estabelecimento. As regras para obtenção do porte de armas, mais restritivas, continuam as mesmas. O porte permite ao cidadão carregar consigo a arma pelas ruas.
Iniciada no Ministério da Justiça e Segurança Pública, a construção do texto do decreto passou por várias modificações depois de chegar à Casa Civil. Alguns pontos previstos na minuta do decreto do Ministério da Justiça foram considerados restritivos por setores defensores do armamento da população, como a limitação de duas armas para cada pessoa. O número, então, foi ampliado para quatro armas.
"Na legislação anterior se podia comprar seis armas, mas, na prática, não se podia nenhuma. Com a legislação atual, se poderá comprar até quarta. Com a possibilidade ainda, se tiver de comprar mais armas, tendo em vista o número de propriedades rurais, por exemplo, pode obter uma maior quantidade de armas", explicou o presidente.
Outro ponto que sofreu resistência é a exigência de cofre em residências com crianças, adolescentes ou pessoa com deficiência mental, para "armazenamento apropriado" em caso de armas de cano curto. Em casa com armas de cano longo, precisaria ser comprovada a existência de um "local seguro para armazenamento", segundo o decreto.
“O cidadão vai ter que, em uma declaração, dizer que na sua casa ele tem um cofre ou local seguro para guardar sua arma”, detalhou Bolsonaro.

Anistia

Por outro lado, conforme o Estado mostrou, ficou de fora um ponto que era defendido pelos setores armamentistas e pela bancada da bala na Câmara dos Deputados: a anistia para quem perdeu o prazo para recadastramento, que acabou em 2009. Embora o próprio Jair Bolsonaro seja a favor dessa modificação, a conclusão da equipe jurídica é de que essa medida demanda alteração legislativa, o que só poderia ser feito por meio de medida provisória ou de projeto de lei, portanto, em etapa posterior.
“Questão do recadastramento (anistia) poderá ser tratada e um outro momento provavelmente por medida provisória”, disse Bolsonaro.
O decreto presidencial é visto no governo como o primeiro - e mais importante - passo no compromisso de campanha de permitir que o cidadão exerça o direito de defesa. Em futuras etapas, Bolsonaro tentará flexibilizar o porte e facilitar as condições de compra de armamento.
Em 2018, o número de licenças destinadas a atiradores esportivos chegou à quantidade recorde de 45 mil - cinco por hora - e um crescimento de dez vezes nos últimos cinco anos. Já a PF concedeu 27 mil autorizações em 2018. Como o Estado mostrou no último domingo, o crescimento no número de registro de atiradores pode ser um reflexo das buscas de quem teve a licença negada na PF.
fonte:MSN/Estadão/reprodução

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Em Roma: Prefeitura e Igreja brigam por milhões em moedas jogados por turistas na Fontana di Trevi

Fontana di Trevi: Milhões de turistas visitam a Fontana di Trevi todos os anos
© Getty Images Milhões de turistas visitam a Fontana di Trevi todos os anos
O prefeito de Roma e a Igreja Católica Romana entraram em conflito sobre o que deve ser feito com as moedas retiradas da Fontana di Trevi, um dos principais cartões-postais da cidade.
Todos os anos, cerca de 1,5 milhão de euros em moedas, jogadas por turistas, são retirados das águas do monumento histórico.
Tradicionalmente o dinheiro é doado a uma instituição de caridade católica para ajudar os desamparados.
Mas agora a prefeita de Roma, Virginia Raggi, quer que a verba seja investida na infraestrutura precária da cidade. A Caritas - rede de organizações humanitárias da Igreja Católica - afirma, por sua vez, que a perda de receita atingirá os pobres.
"Não previmos esse resultado", disse o diretor da Caritas, padre Benoni Ambarus, ao Avvenire, jornal oficial da Conferência Episcopal Italiana.
"Eu ainda espero que não seja definitivo." O jornal publicou um artigo contundente sobre o tema na edição de sábado, com o título "Dinheiro tirado dos mais pobres".
A mudança, que deve ocorrer em abril, foi aprovada pelos vereadores.
No entanto, muitos italianos recorreram às redes sociais para pedir às autoridades que reconsiderem a decisão, segundo informou a agência de notícias Ansa.
Raggi assumiu a prefeitura de Roma em 2016 representando o partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), que governa o país em coalizão com a Liga (de extrema-direita).
Manifestação em Roma em outubro de 2018: Manifestantes dizem que a prefeita Virginia Raggi não fez o suficiente para resolver os problemas da cidade
© AFP/Getty Manifestantes dizem que a prefeita Virginia Raggi não fez o suficiente para resolver os problemas da cidade

Sua popularidade caiu por não conseguir resolver os problemas da cidade endividada.
Em outubro, milhares de manifestantes se reuniram do lado de fora da prefeitura para denunciar Raggi por não dar uma solução para questões como lixo não recolhido e estradas esburacadas.
A Fontana di Trevi, que tem quase 300 anos, é visitada por milhões de turistas todos os anos. A maioria atira moedas de costas para o monumento e faz um pedido.
A tradição de jogar moedas na fonte ficou famosa após o filme A Fonte dos Desejos(1954), cuja trilha sonora conta com a música Three Coins in the Fountain, interpretada por Frank Sinatra.
A fonte também protagoniza uma cena clássica da história do cinema, no filme La Dolce Vita (1960), em que a atriz sueca Anita Ekberg se banha à noite com um vestido tomara que caia em suas águas cristalinas.
fonte:MSN c/adaptações 14/01/2019 -23:23min.

Na Câmera: Gabinete de Bolsonaro registrou presença de filha de Queiroz durante 2 anos


Nathália de Melo Queiroz, Fabrício Queiroz e Jair Bolsonaro Foto/Reprodução/SBT/Reprodução/Antonio Cruz Nathália de Melo Queiroz, Fabrício Queiroz e Jair Bolsonaro
Conhecida personal trainer de celebridades no Rio de Janeiro, Nathalia de Melo Queiroz teve presença integral durante os dois anos em que esteve lotada no gabinete do ex-deputado federal e atual presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) na Câmara dos Deputados.
As informações estão em um relatório da Casa divulgado pela rádio CBN e confirmado por VEJA na tarde desta segunda-feira 14. Segundo a Coordenação de Secretariado Parlamentar, é o próprio deputado, no caso Bolsonaro, o responsável pela inserção em uma plataforma eletrônica do relatório de presença – tarefa que ele pode delegar a um assessor.
“A jornada de trabalho ordinária do secretário parlamentar é de 40 horas semanais e o controle da frequência é de responsabilidade do parlamentar, que atesta, mensalmente, por meio eletrônico, a frequência dos servidores do seu gabinete”, diz o documento. “Informo que, de acordo com os registros funcionais desta Casa, a frequência da secretária parlamentar Nathália de Melo Queiroz foi atestada integralmente no período laborado nesta Casa”, conclui.
Filha do ex-assessor Fabrício Queiroz, que teve suas movimentações financeiras consideradas atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Nathalia esteve lotada no gabinete de Bolsonaro entre dezembro de 2016 e outubro de 2018. Em seu último mês de trabalho, recebeu salário de cerca de 10.000 reais.
Antes de trabalhar com o atual presidente, ela esteve lotada no gabinete do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). No período, transferiu cerca de 84.000 reais para Queiroz. Sua conta no Instagram, em que aparecia prestando serviços de personal a famosos como os atores Bruno Gagliasso e Bruna Marquezine, foi apagada.

Depoimento

Assim como o pai, que se trata de um câncer e tem alegado razões médicas para não comparecer, Nathalia também ainda não prestou esclarecimentos solicitados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Ela, a irmã Evelyn e a esposa do ex-assessor, Márcia Oliveira Aguiar, alegam acompanhar o tratamento de Fabrício Queiroz.
Questionado anteriormente sobre a atuação de Nathalia em sua assessoria, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o controle de funções e presença dos funcionários lotados neste era feito pelo seu chefe de gabinete, não sendo de controle diretamente dele.
fonte:MSNc/VEJA.com/reprodução

Salvador: "A vilã nunca é esquecida", diz viúva de Mãe Stella de Oxóssi


Companheira de Mãe Stella por 13 anos, Graziela Domini fala sobre os últimos dias com a ialorixá - Foto: Gilberto Júnior / Ag. A TARDE
foto:reprodução atardonline

A psicóloga Graziela Domini, 56, viveu os últimos 13 anos ao lado de Maria Stella de Azevedo Santos, a Mãe Stella de Oxóssi, que deixou o mundo menos sábio e luminoso no dia 27 de dezembro, quando faleceu. A relação foi cercada de amor e tumulto até o último momento. Sentindo-se injustiçada, Graziela pede que a deixem em paz.
Como estão sendo esses dias para a senhora?
A morte pra mim, e deveria ser para todo mundo, é uma coisa normal. Eu não ia querer que Mãe Stella ficasse 100, 110 anos sofrendo em cima de uma cama. O Candomblé canta pedindo longevidade. Precisa de tempo para cumprir a missão. Ela percebia que sua missão já estava cumprida, mas, por amor a mim, queria viver. Então dizia que estava bordando o cabo da missão dela, como aquele dito que ela gostava de repetir: quem tem tempo, faz a colher e borda o cabo. A morte de Mãe Stella foi o momento mais lindo que já vivi. Nós traduzimos o axexê [ritual fúnebre] inteiro. Desafio a quem está cantando o axexê se sabe traduzir.
"
Não sou uma pessoa cruel para recorrer com o corpo de uma pessoa em um caixão
Graziela Domini
Como a senhora recebeu a decisão da juíza Caroline Rosa de Almeida Velame Vieira que determinou a transferência do corpo de Mãe Stella para Salvador?
Não tem que ser eu a refletir sobre isso. Sou uma pessoa de obediência. Do mesmo jeito que obedecia à minha ialorixá, obedeço à autoridade civil. Fizeram muito bem arrumado. Não vou dizer armado. Mas fizeram muito bem arrumado para que a decisão saísse de último momento. Não sou uma pessoa cruel para recorrer com o corpo de uma pessoa dentro de um caixão. O que eu queria e o que ela me pediu eu consegui, que foram as 24 horas. Por 24 horas, ninguém pegou na cabeça dela.
Mas o que a comunidade do Ilê Axé Opô Afonjá defendeu foi que ela pudesse passar pelos ritos da religião no local que comandou por mais de 40 anos. Por que a senhora insistiu em mantê-la em Nazaré?
Eu tenho um vídeo dela gravado [no vídeo, Mãe Stella diz que gostaria de permanecer em Nazaré, por ser “mais tranquilo”]. Não falo nada que eu não tenha prova. E nós vivemos num país laico. Como alguém, num país laico, pode definir o que fazer com o corpo quando eu sou a esposa dela?Mas a senhora não acha que ela fez essa opção pela vida religiosa?Ela fez a opção quando saiu e disse ao jornal A TARDE: "para lá não volto mais". O papa também fez uma opção pela vida religiosa, um cargo vitalício, e ele abdicou. E aí? E se Mãe Stella quisesse se transformar em evangélica, não teria o direito?
Mas o que a comunidade defende é que tem alguns ritos que ela precisaria passar no terreiro.
Ela própria fez [os ritos]. Ela pediu ao hospital que mudasse toda a roupa de cama. Pediu para botar algumas coisas que não quero falar, tudo que ela precisava. Não deixou eu ver. Ela foi colocada na cadeira, o material foi dado para ela, alguém de santo ficava de costas e ela dizia: ‘já terminei, quero tal coisa’, e a pessoa entregava. Agora, deixa eu te dizer... Fiquei com tudo dela. Tudo que precisava ser entregue para o axexê. E ninguém me pediu nada. Mas eu vim aqui trazer. Por que fizeram tanta questão do corpo e os materiais do rito eles não entraram com a liminar para me pedir? E nem precisava, bastava dizer. Tava tudo lá separado.. Não pediram, mas eu trouxe. E já entreguei absolutamente tudo que competia ao rito. Não sei como eles fariam sem isso. Agora eu te pergunto: um rito fúnebre, seja de qual religião for, não necessita reclusão? Então por que se estava dando entrevista em pleno terreiro ontem [quinta-feira]? Tudo bem querer lutar contra a intolerância religiosa, mas não podia esperar três dias? Que necessidade é essa? Eles dizem que quero usar o nome de Mãe Stella... Venho de uma família muito tradicional. Se eu quisesse um nome, já teria um.
"
A maior preocupação de Mãe Stella nos últimos momentos foi com a obra dela
Graziela Domini
Alguns filhos de santo disseram que Mãe Stella estava nua no caixão, e que o caixão era de madeira barata, o que consideraram um desrespeito. Como a senhora responde a isso?
Pedido de Mãe Stella. Ela me pediu há muito tempo que queria ser enterrada de mortalha. E tem sentido, é só gastar um pouco a massa cinzenta. Imagine você ser um morto e ter que tirar o sapato? Ter que tirar a anágua e tudo mais? Nós fizemos três mortalhas. Durante esse processo, onde eu ajudava ela a morrer, porque sei fazer isso, ela vestia a mortalha e pedia para rasgar. Eu tive até que pedir a tesoura da enfermeira. Chegou uma hora que não tinha mais mortalha, e aí ela falou pra eu pegar o lençol que tinha mandado eu comprar e lavar. Mãe Stella estava nua sim. Porque nasceu nua. Sobre o caixão, ela que não queria um caixão de luxo. Eu poderia comprar o mais luxuoso que ela quisesse. Então, sim, com muito orgulho e com muita honra, enrolei Mãe Stella nua num lençol, porque isso não denigre a imagem de ninguém, num caixão simples, como simples Mãe Stella era.
Mãe Stella foi atacada nas redes socias com comentários racistas e homofóbicos. Como a senhora se sentiu diante disso?
O sentimento é o mesmo de Mãe Stella. Da outra vez que ela esteve internada, quiseram fazer a mesma coisa, botar no Ministério Público. E eu levei um documento assinado por ela, com a digital dela, e está lá escrito que ela não se incomodava com nada disso. A moça diz que ela é macumbeira. E ela não é?
Mas o tom é ofensivo. Há intolerância religiosa no comentário.
As pessoas têm o direito de dar sua opinião. Nós não vivemos numa democracia? Mãe Stella jamais se sentiria ofendida. Cada um que se incomode, que lute, mas ela não se incomodava. Mãe Stella nunca percebeu o preconceito, porque não o tinha dentro dela.
Graziela segura o novo livro de Mãe Stella,
Graziela segura o novo livro de Mãe Stella, "A iemanjá e o pajé", que será lançado pela editora Solisluna
Os direitos autorais das obras de Mãe Stella pertencem à senhora agora. Como pretende dispor desses recursos?
Já perdi a conta de quantos livros escritos nós temos. Tem um que acabou de sair da gráfica [A Ialorixá e o pajé]. Foi escrito há quase 10 anos. Vai sair pela Solisluna. É todo ilustrado, é uma coisa linda... Tem uma página muito bonita. A gente fez questão de botar essa foto [Mãe Stella aparece criança numa foto escolar, rodeada por estudantes brancas]. Porque para Mãe Stella nada disso – ser negra no meio das brancas –, a incomodava. Ela não se incomodava quando as coleguinhas diziam: ‘Teté, você não é preta, você é marrom’. Ela entendia aquilo como um grande carinho. O preconceito mora dentro de quem tem ele. A maior preocupação de Mãe Stella nos últimos momentos da vida foi com a obra cultural dela. E ela deixou bem claro: se isso não me der trabalho, entendeu? Então... Se me deixarem em paz, que é o que eu espero, a humanidade ganha com a sabedoria de uma mestra que veio à Terra em sacrifício por todos nós. Eles sempre se preocupam com o dinheiro que eu recebo, mas nunca se preocuparam em dar uma Novalgina, um nada a Mãe Stella. E como é que se vive no Brasil de livros? Mas antes de viver com Mãe Stella, eu já era escritora e pretendo continuar no meu cantinho, no meu quarto, escrevendo, como sempre fiz. Enfim, deixem Graziela em paz. Não saio do meu cantinho pra perturbar ninguém. Eu sou por natureza uma monja celibatária.
Mas a senhora tem a pretensão de investir esses recursos em algum projeto ligado a ela?
Olhe, que recursos? (risos) Vamos lá. É só procurar. Desse livro meu [A Dama de Branco], cada livro que vendesse, eu receberia R$ 1,50. E aí eu troquei por livro, porque eu dou... Agora, se eu quiser montar alguma coisa para Mãe Stella, é muito fácil, não precisa de recurso não. Tenho tudo dela já digitalizado, mas não sei se quero.
Mãe Stella publicou sete dos seus nove livros após começar a relacionar-se com a senhora. Que tipo de influência acredita que teve nesses projetos?
A gente trabalhou até os últimos momentos. Larguei tudo, um consultório muito famoso, que tinha um ano de fila de espera, por quê? No dia que Mãe Stella ficou para jogar comigo, aos 70 anos, ela atendeu todo mundo e me deixou por último. Via as pessoas idolatrarem Mãe Stella e eu não a conhecia nem da televisão. Mas quando vi Mãe Stella andando sozinha pelo terreiro, que tem declives, dei o braço àquela senhora e disse à mim mesma: jamais ela estará sozinha. Levei dez anos junto a Mãe Stella sentada no chão e jamais ela disse: sente na cadeira. Fiz cirurgia na coluna, sofri tudo que um corpo pode sofrer. Aos 80 anos, ela me perguntou: você moraria comigo? Com toda certeza. Alguém que vai morar com outro aos 80 anos sabe o que lhe espera. Então, para fazer o dia dela passar, já que ela não tinha tanta mobilidade, cabia a mim estimular a mente. Ô Mãe, tem um bocado de provérbio em iorubá, vamos fazer um livro? Vamos fazer os artigos?
Sua saída do Afonjá, no final de 2017, foi tumultuada. Como vê o episódio hoje?
Vejo com muita piedade das pessoas que não têm maturidade emocional e espiritual para entender a vida. Mãe Stella foi a ialorixá mais velha do Afonjá. As pessoas não estavam preparadas para isso. Não dava mais para tratar de determinados assuntos com uma pessoa de 90 anos. E eles queriam que ela definisse. E quando ela definia algo que eles não gostavam, ‘ah, foi Graziela’. Como vou definir algo se nem aos rituais eu ia? O objetivo era me tirar de lá. Ok, eu não sairia, eu morreria ali. Só que Mãe Stella no hospital disse: ‘vamos embora’. Tive a decência de ir ao Ministério Público e à Delegacia do Idoso para avisar que estava levando Mãe Stella. Não sinto absolutamente nada pelo que fizeram, tá? Sinto muita tristeza pela reação da sociedade. Eles tinham um objetivo. E qual objetivo da sociedade? Quem parou para me ouvir?
A senhora ficou como a vilã da história. Como é ocupar esse papel?
Ah, a vilã nunca é esquecida (risos). Nazaré Tedesco nunca será esquecida, né? Por mais que eu buscasse viver isolada, algum motivo o universo tem para me expor.

É contraditório porque as pessoas a acusam de manipular Mãe Stella, mas ao mesmo tempo atribuem a ela uma sabedoria e um poder muito grandes...
Mãe Stella é retardada ou sábia? Definam, pelo amor de Deus! Eu tô me sentindo uma garota superpoderosa. Um Estado se moveu para lutar contra uma mulher. Então, parabéns pra mim.
Até toda essa briga acontecer, a senhora era referenciada como uma filha de santo da casa, e não como companheira de Mãe Stella. Foi uma opção não tornar a relação pública?
A gente é esperta... Mãe Stella é uma pessoa de Oxóssi, com o coração fechado e recluso. Eu sou uma pessoa de Iemanjá, por natureza apaixonada por tudo. O jogo começou a prever tudo que iria acontecer. Mãe Stella ficou quietinha, alertando os filhos, pedindo união. Não sou eu quem vai dizer o que é o Ilê Axé Opô Afonjá. O Opô Afonjá está dizendo. Não posso fazer nada se Mãe Stella é apaixonada por mim, gente. Se matem, se rasguem todos, mas o que eu posso fazer? Então, nós casamos. Quando eles me arrastaram, eu disse: nós somos casadas. Todos riram. Eu perguntei: vocês estão rindo do quê? Do fato de duas mulheres se amarem? Ou estão achando ridículo uma mulher de 80, 90 anos, ainda ter a capacidade de amar alguém? Uma mulher de 80 anos com uma mulher de 40, o amor está muito mais do umbigo para cima do que do umbigo para baixo. Mãe Stella me respeitou, porque sabe que minha escolha sempre foi o celibato. E se foi necessário para que eu a protegesse, que a gente fizesse isso pela Justiça, ela não titubeou em me pedir em casamento, ao qual eu aceitei com muito afeto. Tenho fotos dela expondo para a lua o nosso anel de casamento. É linda nossa história de amor.

fonte:atardeonline 14/01/19 - 19:03min/reprodução

Rio: Morre sargento que estava em aeronave da PM que caiu na Baía de Guanabara

O sargento Felipe Marques Queiroz, morto em acidente de helicóptero Foto: Reprodução
O sargento Felipe Marques Queiroz, morto em acidente de helicóptero Foto: Reprodução
RIO — Morreu um dos policiais militares que estava nohelicóptero que caiu na Baía de Guanabara , na altura da Linha Vermelha, na Zona Norte do Rio. O sargento Felipe Marques Queiroz, de 37 anos, ficou tempo demais submerso e engoliu muita água. Ele chegou a ser reanimado e foi levado de helicóptero para o Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio, mas não resistiu.
helicóptero Fênix da PM tinha quatro tripulantes . Os outros três —  identificados como major Alves, major Albuquerque e sargento Morais — estão no HCPM e, segundo informou a corporação, estão fora de perigo. A aeronave é do Grupamento Aeromóvel (GAM) e estava fazendo um reforço no patrulhamento na Linha Vermelha.
O coronel Mauro Fliess, porta-voz da PM, lamentou a morte do sargento Queiroz.
- Houve necessidade de um pouso de emergência. Esse pouso forçado será devidamente investigado pelo Cenipa. A aeronave estava em perfeitas condições, afirmou ele. Não há relato de disparos de arma de fogo no momento, completou.
O sargento estava na corporação 14 anos e deixa uma filha. Ele era casado com uma capitão do GAM.
"A Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que uma aeronave do Grupamento Aeromóvel (GAM) sofreu uma queda na Baía de Guanabara, nas proximidades da Ilha do Governador, na manhã desta segunda-feira (14/01).
O helicóptero Fênix 08 com quatro policiais militares sobrevoava a região reforçando o patrulhamento na Linha Vermelha. Durante o monitoramento aéreo da via, houve necessidade de fazer um pouso forçado na água. O GAM e o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) fizeram operação de resgate e socorro dos tripulantes, que estão sendo encaminhados para o Hospital Central da Polícia Militar.
fonte:Globoonline 14/01/19 - 12:14min.

Educação: Rui reafirma que novo titular será uma escolha pessoal


[Rui afirma que não aceitará indicação do PT para a Secretaria de Educação]
foto:BocãoNews/reprodução

O governador Rui Costa (PT) informou, na manhã desta segunda-feira (14), que não vai aceitar indicações do PT, nem de outros partidos, para o comando da Secretaria de Educação do estado. Os petistas foram os que mais insistiram em tentar nomear alguém para chefiar a pasta. Mais recentemente, o PCdoB manifestou interesse em indicar quadro para a secretaria, na formação do novo governo petista.
"Não. A Secretaria de Educação não haverá indicação partidária. Isso não quer dizer que alguém que vá não tenha filiação. Não vou fazer pesquisa de filiação partidária para ninguém. O conceito é o que interessa", disse o chefe do Executivo ao BNews durante visita a obras de infraestrutura no bairro do Comércio, em Salvador.
O petista ressaltou que não nomeará uma pessoa por indicação partidária para evitar disputa na pasta. "Quando você faz composição partidária, todas as forças daquele partido querem se ver naquela secretaria. No caso da Secretaria de Educação, não quero que isso aconteça. Portanto, a indicação será minha, pessoal, da cota pessoal do governador, independentemente de a pessoa ser filiada ou não a algum partido político", reiterou.


Sobre os pleitos dos demais partidos, Rui disse que tentará 'harmonizar' todos os pedidos por espaços. "Em uma aliança, todos têm que se sentir participantes do governo. Essa é a nossa meta. Entendo a estratégia de cada um pedir bastante, e cabe a mim harmonizar. Evidentemente, o governo não tem tamanho para o que todos pediram", declarou. 


Ainda de acordo com ele, as conversas com os partidos para fechar o novo desenho do secretariado serão "afuniladas" nos próximos dias. "Já conversei com todos os partidos", informou.

fonte:BN 14/01/2019 11:25min.

Mundo: Cesare Battisti já está na Itália


Italian former communist militant Cesare Battisti (C), wanted in Rome for four murders attributed to a far-left group in the 1970s, is escorted by Italian Police officers after stepping off a plane coming from Bolivia and chartered by Italian authorities, after landing at Ciampino airport in Rome on January 14, 2019. - Former communist militant Cesare Battisti landed in Rome on January 14 after an international police squad tracked the Italian down and arrested him in Bolivia, ending almost four decades on the run. (Photo by Alberto PIZZOLI / AFP)
foto:AFP/reprodução

Terminou às 11h47 desta segunda-feira (14), com o desembarque do terrorista Cesare Battisti, 64, no aeroporto de Ciampino, em Roma, um dos mais longos e complexos casos da diplomacia italiana.


Após quase 38 anos de fuga e refúgio em países como França, México e, por último, Brasil, Battisti começará nesta segunda a cumprir a pena de prisão perpétua pelos quatro assassinatos (dois deles com participação direta) no qual foi condenado.

Os ministros do Interior, Matteo Salvini, líder da Liga, partido de extrema-direita e hoje o político mais popular da Itália, e da Justiça, Alfonso Bonafede, estão no aeroporto para recepcionar os policiais italianos envolvidos na captura de Battisti, na madrugada deste domingo (13), na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra.

O terrorista será levado para a penitenciária de Rebibbia, no bairro romano de mesmo nome, distante 20 quilômetros de Ciampino. Lá, segundo confirmou o governo, ele ficará numa ala de segurança máxima, os primeiros seis meses em isolamento —seguindo as regras dos condenados à prisão perpétua.

fonte:BN 14/01/19- 10:37min.