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terça-feira, 11 de julho de 2023

Dinheiro liberado por Damares para ONGs foi parar em empresas de fachada e laranjas, aponta CGU

Damares Alves

A ex- ministra da mulher e família e direitos humanos de Bolsonaro - Damares Alves (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

247 - A Controladoria-Geral da União (CGU) informou que o antigo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado pela então ministra e atual senadora Damares Alves (Republicanos-DF), bancou duas Organizações Não-Governamentais (ONGs) envolvidas num esquema de direcionamento de dinheiro público, contratações irregulares e falsificação de documentos. O prejuízo foi de, pelo menos, R$ 2,5 milhões aos cofres públicos, mas o valor pode ser maior, porque a auditoria se limitou a uma parte dos convênios. Duas organizações acumularam mais de R$ 30 milhões em verbas públicas federais, apontaram informações do Portal da Transparência. A auditoria foi finalizada em novembro de 2022. A senadora não se manifestou.

De acordo com reportagem publicada nesta terça-feira (11) pelo jornal O Estado de S.Paulo, o dinheiro repassado pelo ministério deveria ser usado na formação profissional de adolescentes e mulheres presidiárias e vítimas de violência, mas foi parar em algumas empresas de fachada, que têm laranjas como sócios. Uma das organizações beneficiadas é ligada a um ex-deputado federal do Rio de Janeiro que foi chamado de "amigo" e "pidão" por Damares.

Os desvios foram apontados em relatório da CGU, que analisou quatro parcerias feitas nos primeiros anos de governo Jair Bolsonaro (PL) entre o Ministério e as ONGs Instituto de Desenvolvimento Social e Humano do Brasil (IDSH) e Instituto Nacional de Desenvolvimento Humano (Inadh).

Uma das empresas contratadas foi a Globo Soluções Tecnológicas, que recebeu R$ 11,7 milhões para locação de microcomputadores e máquinas de corte, macas, cadeiras de roda e ônibus. De acordo com a Receita, a empresa não possui funcionários e tem como sede um barraco em Anchieta, no Rio de Janeiro. Atualmente, a sócia-administrativa da empresa é Sara Vicente Bibiano, apontada como laranja. Ela foi beneficiária do auxílio emergencial durante a pandemia do coronavírus. O benefício foi destinado a pessoas de baixa renda, o que conflita com os milhões de recursos recebidos por sua companhia.

Segundo a CGU, a contratação dessa empresa violou os princípios de impessoalidade e não foi possível atestar que os serviços foram de fato realizados. “Os recursos pagos à Globo Soluções Tecnológicas não foram aplicados de forma regular, pois não restou comprovada sua total execução, e estão em desacordo com os princípios da economicidade e da impessoalidade”, disse o documento da controladoria.

Outra empresa citada em relatório da CGU é a Total Service Rio LTDA, que tem como sócio Clayton Elias Motta, ex-secretário parlamentar do ex-deputado federal Professor Joziel (Patriotas-RJ). Em 2022, ela fez campanha pedindo votos para a reeleição do Professor Joziel. Ele recebeu apenas 10.040 votos no Rio e não foi reeleito.

A outra ONG investigada pela CGU, o Inadh recebe dinheiro público desde 2014. Nos últimos três anos, a ONG recebeu R$ 14,9 milhões – incluindo R$ 1,7 milhão pago pela atual gestão petista. Segundo a controladoria, a entidade teria fraudado licitações para contratação de prestadores de serviço. A direção do Inadh não se manifestou.

Fonte: Brasil 247 -11/07/2023

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

MEC libera Verba da CAPES é liberada; veja quando bolsas serão pagas

                                     foto:reprodução

        
Pressionado por mandado se segurança protocolado pela UNE (União Nacional dos Estudantes) e ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos), além de mobilizações nas ruas, universidades e redes, o Ministério da Educação conseguiu nesta quinta-feira (8) a liberação de R$ 460 milhões para despesas da pasta que haviam sido bloqueadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) por meio do Decreto 11.269, de 30 de novembro.

Do montante, R$ 300 milhões serão repassados a órgãos do MEC, como a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que temia não ter condições de pagar as suas mais de 200 mil bolsas de pós-graduação caso as verbas seguissem bloqueadas. O órgão recebera cerca de R$ 200 milhões para honrar seus compromissos e continuar funcionando. 

De acordo com Soares, os pagamentos das bolsas da CAPES devem ser realizados até a próxima segunda-feira (12), mas ele garantiu que a ANPG irá monitorar a situação até que todas as bolsas sejam pagas. De acordo com o ministro da Educação, Victor Godoy, além das bolsas da Capes também será o feito o pagamento integral da bolsas assistência estudantil, PET, permanência Prouni e outras.

Fonte:Revista Fórum c/adaptações 08/12/2022

Governo Bolsonaro deixou só R$ 500 para cada cidade prevenir desastres em 2023


                                   

Imagem colorida mostra estragos de enchente de 2022 em Petrópolis (RJ). Desastres naturais - MetrópolesAline Massuca/Metrópoles

grupo de trabalho de Cidades da transição anunciou, nesta quarta-feira (7/12), que análises do orçamento elaborado pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) para 2023 mostraram que apenas R$ 500 estão destinados a cada cidade brasileira para prevenção de desastres naturais.

Segundo o grupo, o orçamento mostra outros cortes que prejudicarão o setor no próximo ano. O relatório diz que os fundos programados para a volta de construção das 972 unidades do Minha Casa Minha Vida paradas cobre apenas 5% do necessário.“Quero destacar a irresponsabilidade do atual governo em relação ao orçamento de 2023. O Bolsonaro fez do Brasil um cemitério de obras paradas”, afirmou Guilherme Boulos, um dos integrantes do grupo.

Moradia

Além disso, conforme a transição, é necessário R$ 1,6 bilhão para manter as obras de moradia pública, mas foram destinados apenas R$ 82 milhões.

O valor não seria suficiente sequer para cobrir o mês de janeiro.

“Nós temos um orçamento fictício para 2023. A PEC do Bolsa Família é essencial para que não se tenha perda de dinheiro público em obras que já receberam investimento”, acrescentou Boulos.

grupo de trabalho de Cidades da transição anunciou, nesta quarta-feira (7/12), que análises do orçamento elaborado pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) para 2023 mostraram que apenas R$ 500 estão destinados a cada cidade brasileira para prevenção de desastres naturais.

Fonte: Metropoles -08/12/2022


Segundo o grupo, o orçamento mostra outros cortes que prejudicarão o setor no próximo ano. O relatório diz que os fundos programados para a volta de construção das 972 unidades do Minha Casa Minha Vida paradas cobre apenas 5% do necessário.

“Quero destacar a irresponsabilidade do atual governo em relação ao orçamento de 2023. O Bolsonaro fez do Brasil um cemitério de obras paradas”, afirmou Guilherme Boulos, um dos integrantes do grupo.

 Moradia

Além disso, conforme a transição, é necessário R$ 1,6 bilhão para manter as obras de moradia pública, mas foram destinados apenas R$ 82 milhões.

O valor não seria suficiente sequer para cobrir o mês de janeiro.

“Nós temos um orçamento fictício para 2023. A PEC do Bolsa Família é essencial para que não se tenha perda de dinheiro público em obras que já receberam investimento”, acrescentou Boulos.


Após cortes: Federais da Bahia não têm dinheiro para pagar água e luz em dezembro

 


Osny Guimarães, aluno de Direito da Ufba, teme que falta de recursos afete desempenho estudantil (Ana Lúcia Albuquerque/CORREIO)

As universidades federais da Bahia encerram 2022 sem dinheiro até para pagar por serviços básicos, como água e energia. As instituições de ensino anunciaram, na terça-feira (6), o corte nos auxílios e benefícios da Assistência Estudantil e restrição no pagamento de serviços de limpeza, segurança, manutenção, obras e na aquisição de equipamentos e materiais. A falta de recursos se deve ao bloqueio feito pelo governo federal no início do mês.

A situação de penúria não afeta apenas as federais baianas, mas universidades de todo país. Ontem, o governo federal remanejou R$ 3,3 bilhões em recursos para sete ministérios. A pasta da Educação teve direito a R$ 300 milhões desse montante, mas até o fechamento da edição, às 23h, o MEC não respondeu quanto desse valor virá socorrer as universidades da Bahia.

Sem perspectivas de recebimento de verba ou do desbloqueio dos recursos, reitores das universidades e institutos federais dizem que o não pagamento dos serviços pode levar ao corte geral no fornecimento de eletricidade e água; além do cancelamento de contratos com fornecedores de serviços de limpeza, conservação e portaria, nos próximos meses.

 

A Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e Instituto Federal da Bahia (Ifba) informaram que estão com contas acumuladas desde novembro e impedidas de gerar novas despesas em dezembro. A Universidade Federal da Bahia (Ufba) apenas confirmou que não tem recursos para todas as despesas e o Instituto Federal Baiano (IF Baiano) não retornou às solicitações da reportagem sobre os impactos do bloqueio.

O temor é que em 2023, as instituições precisem pagar faturas do novo ano junto com as dívidas de 2022. Reitora da UFSB, Joana Guimarães explica que o bloqueio em dezembro prejudica a finalização das contas do ano. “Dezembro é mês que finaliza as contas, tudo que tem de pagamento. Diante dessa situação, não sei como vai ser. Nunca tivemos isso antes”, afirma. “As dívidas de 2022 vão se acumular e fornecedores vão deixar de oferecer serviços, um mês sem pagar dá para segurar [o contrato] mas dois ou três meses não vai dar. Terminar o ano nessa situação extremamente complicada é iniciar 2023 com déficit”, prevê.

Mais de R$ 10 milhões foram bloqueados em recursos de custeio das federais. Trata-se do dinheiro que banca as despesas básicas, como as bolsas e benefícios da assistência estudantil, contas de água e energia elétrica, a segurança, limpeza e manutenção predial. Só na Ufba, o valor do boqueio chegou a R$ 6,6 milhões, já o Ifba tem R$ 5 milhões bloqueados, na Ufob o bloqueio foi de R$ 4 milhões. Na sequência, aparecem UFRB, com cerca de R$ 2 milhões e UFSB, com pouca mais de R$ 1 milhão retido. 

 

Impactos no dia a dia

Estudante de história na UFRB, Allana Gama, 22, ingressou na universidade em 2018 e lembra que o impacto da falta de investimento já era evidente. "Já via banheiro sem luz, sala com mofo, portas com defeito, cupim nas salas. No período da pandemia a estrutura passou por reforma mas já dava para ver o efeito dos cortes”.

Ela conta que o seu campus já é um dos menores e com novos cortes e bloqueios, a escassez ficou ainda mais evidente. “Afeta as necessidades básicas dos alunos, desde faltar sabão para lavar as mãos até não ter papel higiênico no banheiro porque a faculdade não tem recurso para pagar as contas. Afeta diretamente nossa permanência na universidade porque não tem dinheiro para o mínimo”, lamenta.

 Estudante de direito na Ufba, Osny Guimarães, 24, descreve cenário semelhante: “Já houve casos em que faltou água, energia, papel higiênico no banheiro. Tem ar-condicionado em algumas salas, que ficam desligados porque a Ufba não tem condição de pagar”, descreve. “É preciso produzir ciência com qualidade, fazer artigo, pesquisa de extensão com qualidade. Se não tem o mínimo de estrutura, o aluno acaba sendo prejudicado”, acrescenta.

O pró-reitor de planejamento da UFRB, Joaquim Ramos, reclamou da ação inesperada do governo federal e disse que a universidade não tem condições de empenhar qualquer despesa nova. Não há recursos para pagar auxílios estudantis, bolsas de graduação (monitoria, tutoria por pares, Pibic, Pibex) e de pós-graduação (PPQ-Pós), bolsas de estágio, contratos de prestação de serviços continuados (segurança, manutenção, limpeza, apoio administrativo, combustível, água, energia) e fornecedores.

Já a Ufba declarou que encerrará o ano de 2022 com a menor disponibilidade de recursos discricionários desde 2014 após os sucessivos cortes e bloqueios impostos pelo governo federal. Depois de um corte de R$ 12,8 milhões, em junho, e um bloqueio de R$ 6,6 milhões, em dezembro, a Ufba fechará o ano executando R$ 127,7 milhões em recursos de custeio.

Outras universidades como a Ufob estão escolhendo quais dívidas vão conseguir pagar. O reitor da universidade, Jacques Miranda, detalha que a instituição precisa de R$ 1,2 milhão para custear todos os gastos mensais, mas neste mês tem apenas R$ 27 mil. Ele diz que está priorizando as saídas de campo do final do semestre, que depende de contrato com transporte e combustível. Segundo Miranda, a intenção era pagar os auxílios estudantis, mas não há verba para contemplar todos os estudantes. “Desconheço algum momento da história de chegar em dezembro e ter que decidir o que vai se pagar ou não”, reclama. 

Reitores das universidades estiveram em Brasília na quarta (7) para discutir resoluções. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) enviou ofícios com pedidos de audiências aos ministros da Educação, Victor Godoy, da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI) e para o relator-geral do orçamento, deputado Hugo Leal (PSD-RJ).

 A entidade afirma que está tentando contato com parlamentares, Comissão de Transição do governo eleito e técnicos do Ministério da Educação (MEC). A expectativa é de que a partir de 2023 o próximo governo restabeleça a liberação de recursos no início do ano com fração mensal maior do que a liberada pelo governo atual.

 Mais de três mil estudantes ficarão sem auxílio e bolsas em dezembro

Principal forma de sustento para alunos de baixa renda das universidades públicas baianas, as bolsas e auxílios estudantis estão suspensas em dezembro nas federais em razão do bloqueio de recursos. São mais de três mil estudantes atingidos. Na Ufob são 955, mais 2.300 da UFRB, 58 da UFSB e cerca de 1200 na Ufba. Em nota, a entidade comunicou que conseguirá arcar apenas com os auxílios de moradia e alimentação até dezembro. Os demais foram suspensos.

Estudante no Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da Ufba, Larissa Soares, 22, ressalta que a universidade tem feito o possível durante o ano para garantir os benefícios àqueles que mais precisam, mas com os cortes não há como suprir. Larissa também é quilombola e destaca que a assistência é fundamental para estudantes de outros municípios ou de baixa renda.

 “Os auxílios nos ajudam a permanecer aqui. Agora está um caos. A todo momento estamos com medo do que o governo atual pode fazer, sempre pensando que podemos voltar [para o interior] se perdermos os auxílios. Bate um desespero”, diz.

Alunos de todas universidades baianas contam que já vinham sofrendo com a diminuição dos valores e número de bolsas oferecidas, contudo, o corte total é algo inédito.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), informa que "cobrou das autoridades competentes a imediata desobstrução dos recursos financeiros essenciais para o desempenho regular de suas funções, sem o que a entidade e seus bolsistas já começam a sofrer severa asfixia".

 

Fonte: Esther Morais/*Com a orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro/Correio da Bahia/8/12/2022

 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Bolsonaro nomeia um oficial militar que defendeu o desvio de fundos para promover a utilização de armas como secretário da cultura


André Porciuncula, secretário especial de Cultura

André Porciuncula, secretário especial de Cultura

REPRODUÇÃO / EBC

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, nomeou na quarta-feira(7) André Porciuncula, um ex-capitão da polícia militar que no mês passado defendeu o desvio de fundos para produções audiovisuais para espaços que promovem o uso de armas de fogo, como seu novo secretário da cultura.

A decisão de Bolsonaro de mudar o chefe de cultura, que no seu gabinete tem o estatuto de secretariado especial e não de ministério, 25 dias antes do fim do seu mandato, é motivada pela partida do chefe anterior, Hélio Ferraz, para o governo de Tarcísio de Freitas no estado de São Paulo.

Porciuncula, que é visto no Brasil como um provocador de extrema-direita, é o sétimo secretário da cultura desde que Bolsonaro se tornou presidente e regressou ao governo depois de ter tentado, sem sucesso, ganhar um lugar como deputado.

No âmbito da Cultura tinha sido secretário adjunto sob a liderança de Mário Frias, aproveitando a posição para apoiar os projectos de armamento de um bolonaro que fez desta uma das suas principais promessas de campanha, bem como para desmantelar algumas das principais políticas públicas de apoio ao sector.

O novo, embora de curta duração, Secretário da Cultura é frequentemente visto nos meios de comunicação social a posar com armas de fogo de alto calibre ao lado de outros associados bolonarianos, e mesmo com alguns dos filhos dos bolonarianos.

Fonte:ESTADÃO -07/12/2022

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Ensino Superior: MEC volta atrás e desbloqueia mais de R$ 360 milhões de universidades, diz entidades


Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) apontou nesta quinta-feira (1º) que o Ministério da Educação (MEC) desbloqueou R$ 366 milhões do orçamento das universidades e institutos federais. O valor havia sido congelado três dias antes.

A movimentação ocorre após repercussão negativa. Essa havia sido a terceira interferência do governo na verba do ensino superior apenas em 2022.

 

O dinheiro das universidades federais que estava bloqueado pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) é para o pagamento de despesas como contas de luz e água, bolsas de estudo e empregados terceirizados.


Fonte: BN -01/12/2022

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Governo Bolsonaro retira R$ 344 mil das Universidades Federais

                         foto:reprodução



O novo bloqueio do orçamento feito pelo Ministério da Educação (MEC) vai retirar das universidades R$ 344,174 milhões, segundo cálculos do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Planejamento e de Administração das Instituições Federais de Ensino Superior (Forplad).

As universidades apontam que o MEC bloqueou mais de R$ 1,6 bilhão do seu orçamento, na segunda-feira (28/11) – de acordo com os reitores, durante o jogo do Brasil contra a Suíça, na Copa do Mundo do Catar. Inicialmente, as universidades calculavam uma perda menor, na casa dos R$ 244 milhões.

A nova estimativa do Forplad trouxe ainda mais preocupação para a comunidade acadêmica.

Perda de autorização das universidades

Com o novo bloqueio, o MEC “retirou o limite” e travou os orçamentos das instituições de ensino, segundo a reitora da UnB. Com a medida, as instituições de ensino superior perdem autorização para usar o dinheiro e não podem efetuar pagamentos, por exemplo.

De acordo com a reitora, a UnB pediu diretamente ao ministério o retorno do limite. A solicitação não foi atendida. “Estamos dialogando com o Forplad e a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), buscando conseguir que o MEC retorne esse limite para pagarmos as despesas realizadas”, contou.

Fonte:Metropoles- 29/11/2022

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

“Esse silêncio é coisa de covarde”, diz Gen. Santos Cruz sobre Bolsonaro

                                            foto:reprodução
general Alberto dos Santos Cruz considera que o silêncio e a reclusão adotados por Jair Bolsonaro após sua derrota para Lula é um “negócio de covarde”. Em entrevista à coluna, o ex-ministro de Bolsonaro afirmou que é obrigação de um presidente se manifestar após as eleições e promover a “paz social”.

“Tem que olhar para frente, pô, quem ganhou tem que governar direito e quem perdeu tem que se organizar para ser oposição, esse é o padrão. Esse silêncio pode ser interpretado como um negócio de covarde de você esperar que o circo pegue fogo para ver como pode se beneficiar”, criticou.

Santos Cruz é autor do livro “Democracia na prática”, que escreveu a partir da perspectiva de quem apoiou Bolsonaro, foi seu ministro e foi demitido pelo presidente. Na obra, lançada neste mês pela editora Almedina, o general diz que o presidente e seus apoiadores usam uma “cartilha do totalitarismo” e agem “como seita”.

O ex-ministro aponta também, na entrevista que pode ser encontrada na íntegra abaixo, que o comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, errou em se envolver politicamente nas eleições — o militar postou foto se verde e amarelo no Twitter no dia das eleições e fez uma série de curtidas em postagens a favor de Bolsonaro e pedindo uma intervenção federal — e disse que espera que as Forças Armadas nunca mais se intrometam no processo eleitoral.

O Ministério da Defesa, junto de técnicos das Forças Armadas, publicaram um relatório no dia 10 de novembro afirmando não terem encontrado indícios de fraudes, mas que também não excluíam a possibilidade de que tenha gabidi ilícito.

“Não tem nada a ver com nenhuma expertise das Forças Armadas, não tem nada a ver com a função, são outras atribuições. Foi um erro ter aceitado o convite do TSE e ter produzido o relatório técnico com uma conclusão que deixou dupla interpretação. É uma arapuca que você entra e não consegue mais sair”, disse Santos Cruz.

Leia os principais trechos da entrevista abaixo.

No seu livro, o senhor fala que Bolsonaro e seus apoiadores têm características de seita. Por quê?

Isso aí eu percebi desde o início do governo, o comportamento de seita já era muito forte e ainda continua. A seita tem normalmente um ponto central, um guru, que não é contestado de maneira nenhuma, tudo que ele diz é verdade e todos os seguidores repetem, né? Aí você faz um ataque criminoso contra uma pessoa e aí toda a seita repete aquilo. Você abre o WhatsApp e 50% das mensagens são falsas. Esse povo aí na frente dos quartéis… Todo dia tem pelo menos uma ou duas mensagens falsas para mantê-los ali.

Como que o senhor viu a entrada das Forças Armadas nas eleições?

Isso aí, para mim, foi um erro grandíssimo. Eu espero que nunca mais as Forças Armadas participem do processo eleitoral, não tem nada a ver com a expertise das Forças Armadas, não tem nada a ver com a função. Foi um erro ter aceitado o convite do TSE, já existem vários órgãos que participam desse processo de validação, as Forças Armadas não tem nada a ver. Outro erro foi ter produzido o relatório técnico com uma conclusão que deixou dupla interpretação. Quando você deixa a coisa sem definição num ambiente de extremismo, é uma arapuca que você entra e não consegue mais sair.

E é um questionamento que não tem embasamento.

É, você não tem base, você tem uma crença. O sujeito que acredita que teve fraude, ele não tem uma discussão técnica, ele acredita naquilo. Então é o problema da seita e não adianta. Isso não é racional, então não adianta você querer explicar, você querer discutir, né? Não adianta você discutir, não adianta você explicar nada. E o fanatismo sempre termina em violência, você não tem saída, às vezes não termina em violência física, mas acaba brigando com amigos, em ambiente familiar.

O que o senhor acha sobre o uso de redes sociais por militares da ativa para se manifestar politicamente?

Quando você é da ativa, nada disso é recomendado. Porque dependendo da posição que você ocupa, isso acaba representando uma posição da instituição. Eu acho que até houve uma orientação das Forças Armadas de como se portar nas redes sociais, mas é um negócio que evoluiu muito rápido.

O comandante da Aeronáutica publicou uma foto de verde e amarelo no dia das eleições. Algo assim, antigamente, era incabível, né?

É, nunca aconteceu isso de militares indicarem e dizerem em quem vão votar, são coisas que não é bom que aconteça. A noção de liberdade mudou completamente, o colega acha que tem a rede social disponível para ele para fazer o que quiser.

Você acha que o governo Bolsonaro desgastou a imagem das Forças Armadas?

Sem dúvida nenhuma foi desgastante. As Forças Armadas têm um saldo positivo muito grande com a população, teve um longo tempo afastada da política, mas durante o governo Bolsonaro com certeza houve um desgaste. Ele falar o tempo todo que o Exército era dele, querer falar que a instituição está com ele, isso não tem nada a ver.

No segundo turno o senhor não declarou voto, passadas agora as eleições, senhor diria como votou?

Não, a eleição já está consolidada, já está resolvida. Eu evito falar. O Brasil tem que olhar para frente, o país está muito dividido, mas o Lula, que ganhou com 51% dos votos, precisa entender que ele vai ser fiscalizado. Se eu perdesse uma eleição com 49% dos votos, eu viraria líder de oposição na hora, uma oposição construtiva, forte, atuante, não pode ficar de boca fechada 22 dias. Esse silêncio pode ser interpretado como um negócio de covarde, de você esperar que o circo pegue fogo para ver como pode se beneficiar. Ele precisa fazer uma transição segura, passar segurança para o povo e não deixar as pessoas perdidas. Esse silêncio é inaceitável, ele ganha para trabalhar.

Mas o senhor chegou a pensar em declarar apoio a Bolsonaro no segundo turno?

Não. Minha experiência com ele foi muito ruim, não tinha nenhuma condição de apoiar ele.

E o que o senhor achou do apoio do Sergio Moro a ele? Da forma que foi, tão explícito?

Foi uma surpresa para todos nós. Porque a saída dele do governo foi uma saída com conflitos abertos e acusações. Os bolsonaristas até fizeram uma campanha muito forte para caracterizá-lo como traidor, como Judas, que traiu o presidente. Foi um conflito muito grande e depois ele resolveu fazer esse apoio de última hora ao Bolsonaro. Foi uma decisão que realmente ficou sujeita a críticas. Não cheguei a conversar com ele sobre isso porque foi uma decisão pessoal dele, que eu não tomaria, mas não quero julgar como certo ou errado.

Fonte:Guilherme Amado/Metropoles - 23/11/2022 22h:20min.

Do Intercept: Empresa com ex-presidente da Petrobras lucra quase meio bilhão com os campos que ele mesmo ajudou a vender

Placa da 3R indicando o início das operações offshore da empresa.

Placa da 3R indicando o início das operações offshore da empresa - 

Foto: Divulgação/3R


Maior empresa brasileira e uma das gigantes mundiais no ramo de petróleo, a Petrobras tomou um novo rumo no governo Bolsonaro ao acelerar a venda de parte de seu patrimônio — uma mudança de perfil que deve ser revista no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de janeiro de 2023.

Iniciada durante o governo de Dilma Rousseff, a política que permitiu o surgimento de novos atores privados no mercado ganhou um forte impulso com o atual governo, responsável por vender a maioria dos ativos negociados pela Petrobras até o momento.

Quem liderou essas aquisições foi uma pequena e até há pouco tempo desconhecida petrolífera, a 3R Petroleum, que tem em sua cúpula alguns ex-diretores da Petrobras e atua exclusivamente em campos comprados da estatal.

Fundada em 2014, a 3R Petroleum tornou-se expoente do novo mercado adotando uma velha prática do setor, a chamada porta giratória – quando executivos envolvidos em uma ponta do processo passam para o outro lado do balcão, atuando em companhias privadas que compram justamente espólio da estatal da qual vieram.

Pelo menos 12 profissionais da 3R vieram da Petrobras, inclusive o ex-presidente da estatal, Roberto Castello Branco, responsável por alavancar o programa de desinvestimento no governo Bolsonaro. Castello Branco é o atual presidente do Conselho de Administração da 3R.

O caso chama a atenção por iluminar os bastidores de um mercado e seus novos atores privados, admitidos no país desde a edição da Lei do Petróleo, em 1997, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, responsável por derrubar o monopólio da Petrobras. Quando a legislação entrou em vigor, o país extraía 1 milhão de barris de petróleo por dia. Hoje, são mais de 2,8 milhões de barris por dia, produzidos por mais de 40 empresas – a Petrobras é a gigante absoluta, respondendo por 93% da produção.

Além de diretores experientes e o aproveitamento no programa de desinvestimento da Petrobras, o que impulsionou a 3R foi o preço competitivo de algumas das aquisições. A companhia comprou nove polos de gás e petróleo ofertados pela estatal – três deles, ainda em fase de transição.

Todos os ativos foram negociados no governo Bolsonaro, cujo ministro da economia, Paulo Guedes, é um declarado entusiasta da privatização da Petrobras e ex-sócio (e fundador) do BTG Pactual, banco que detém uma pequena parte (3,68%) do capital social da 3R. O BTG Pactual também ajudou a levantar dinheiro para o grupo adquirir ativos.

A primeira tentativa da 3R de comprar um espólio da Petrobras ocorreu no final do governo Michel Temer, presidente cuja agenda liberalizante acelerou ainda mais o programa iniciado no governo Dilma.

O alvo era o polo de Riacho da Forquilha, no Rio Grande do Norte, com alguns dos maiores poços onshore (extração de gás ou petróleo realizada em terra) do Brasil. Mas a companhia renunciou ao direito de compra. Segundo noticiou-se à época, exatamente pela desconfiança do mercado em relação ao faturamento e à inexperiência da 3R no setor.

“A 3R ficou responsável pela área que ele gerenciou na Petrobras”.

O cenário mudou desde então. A companhia estreou na bolsa de valores há dois anos e chamou a atenção do mercado financeiro exatamente num momento em que o barril de petróleo valorizou por causa da invasão na Ucrânia e da alta da inflação em todo o mundo. Nos canais de jovens investidores no YouTube, a 3R é comparada à Petrorio, outra petroleira nacional, em atividade há mais tempo, que cresceu comprando campos maduros (aqueles que já passaram do pico de produção) da Petrobras.

“Quando a Petrobras decide vender é que se inicia. Construímos a 3R para esse tipo de oportunidade. Somos a empresa que mais assinou contratos de compra com a Petrobras. Foi muito trabalho nessa primeira fase, onde o segredo é precificar corretamente”, afirmou o CEO da empresa, Ricardo Savini, em entrevista ao jornal O Globo neste ano. Ele é geólogo, formado na Petrobras, tendo trabalhado lá por mais de uma década.

Além do BTG Pactual, a companhia conta com outros fundos e bancos para capitalizar e realizar novas aquisições. E tem atraído parceiros de peso como a família Gerdau, dona de 10,9% do capital da empresa, por meio da Gerdau Investimento.

Neste ano, a 3R contraiu dois empréstimos de 500 milhões de dólares cada para poder pagar o polo Potiguar, o maior e mais valioso ativo da Petrobras que entrará para o portfólio do grupo. O acordo de compra e venda foi assinado em janeiro deste ano – o preço supera 1,3 bilhão de dólares. No primeiro empréstimo, anunciado num comunicado ao mercado em agosto, a 3R informou que o valor foi emprestado por um grupo de credores que conta com Morgan Stanley, Citibank, Banco do Brasil, Itaú, Deutsche Bank, entre outros. O segundo, firmado dois meses depois, foi com o BTG Pactual. As cifras poderão ser pagas em até cinco anos, mas os bons resultados mostram que o débito deve ser honrado bem antes.

No último balanço divulgado, a 3R registrou receita líquida no terceiro trimestre deste ano de R$ 502 milhões, um aumento de 161% em relação ao mesmo período de 2021. Já o lucro líquido foi de R$ 469 milhões, um fabuloso crescimento de 1.364%, comparado ao trimestre anterior.

Placa da 3R indicando o início das operações offshore da empresa.

Placa da 3R indicando o início das operações offshore da empresa.

 

Foto: Divulgação/3R

Uma girada de sucesso

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os dois anos e três meses da gestão de Castello Branco na Petrobras, a estatal vendeu 37 campos de petróleo. Só com a 3R, nesse período, os campos negociados renderam cerca de R$ 3,8 bilhões, em valores atuais.

Castello Branco virou presidente da Petrobras após as eleições de 2018. Foi indicado por Guedes e ocupou o cargo de janeiro de 2019 até 12 de abril de 2021. No discurso de posse, ele – defensor da privatização da estatal, assim como seu padrinho político – criticou a existência de monopólios e pregou menor intromissão do Estado na economia.

Durante a gestão Castello Branco, a Petrobras realizou sucessivos reajustes no preço da gasolina e do diesel provocando um choque direto com Bolsonaro, que desejava controlar os preços dos combustíveis. O presidente demitiu o executivo. Em resposta, Castello Branco acusou Bolsonaro de usar a empresa como se fosse dele e deu a entender que tinha mensagens em seu telefone corporativo que poderiam incriminá-lo.

Seguindo uma praxe que se tornaria recorrente ao longo do mandato, Bolsonaro colocou o assunto sob sigilo e decretou o prazo de 100 anos para acesso às mensagens.

Menos de um ano depois de ser demitido, em março de 2022, o mercado tomou conhecimento de que o ex-chefe da Petrobras assumiria o cargo máximo no conselho de administração da 3R Petroleum. Apesar de ter suscitado críticas, a ida do executivo para a petrolífera não é ilegal, já que foi respeitada a quarentena de seis meses prevista em lei para evitar conflito de interesses. A restrição temporária também vale para ministros, “presidentes e diretores de empresas públicas ou sociedades de economia mista”.

A Petrobras informou ao Intercept que o descumprimento dos princípios e compromissos internos (os mesmos previstos na lei em questão, nº 12.813/2013) podem acarretar medidas disciplinares, mas ressaltou que não “comenta casos específicos”.

Em nota enviada ao Intercept, Castello Branco ressaltou que o desinvestimento de “um ativo está sujeito a rigorosas normas de governança requerendo aprovação” de diferentes órgãos da empresa, além de auditoria do Tribunal de Contas da União, sendo um processo decisório do qual participam pelo menos 40 pessoas. “É incorreto dizer que a decisão é do presidente [da Petrobras]”, afirmou.

A 3R, também em nota, informou que a escolha de Castelo Branco se deu por sua experiência no setor de óleo e gás e por sua atuação como diretor de grandes companhias — como a Vale e o Banco Central.

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Roberto Castello Branco, ex-presidente da Petrobras e atual presidente do Conselho de Administração da 3R.

 

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Vícios do mercado

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utro caso de porta giratória verificado na relação entre a Petrobras e a 3R envolve o engenheiro elétrico José Luiz Marcusso, que trabalhou por 38 anos na estatal e ocupou posições como a gerência de recursos humanos e da área de produção e exploração no Espírito Santo — estado onde se encontra o polo Peroá, um dos ativos colocados à venda no programa de desinvestimento.

Marcusso deixou a Petrobras em março de 2021, um mês antes da empresa vender o polo. Após cumprir os seis meses de quarentena previstos em lei, o engenheiro assumiu, já no primeiro mês livre, o cargo de gerente de ativos na 3R, que acabou por fechar o negócio em Peroá.

Quando as operações foram finalmente transferidas à 3R, em agosto passado, quem representava a companhia era o mesmo Marcusso, que tinha comandado as operações na área pela Petrobras uma década antes.

“Ele é o caso mais cristalino disso tudo”, ressaltou Etory Sperandio, diretor do Sindipetro, o Sindicato dos Petroleiros, do Espírito Santo.

O negócio foi vantajoso, segundo o relatório de produção publicado no site da 3R, dona de 85% do polo, ao custo de 55 milhões de dólares.

Foram mais de 78 mil barris de petróleo extraídos em agosto deste ano, primeiro mês de operação, quando o valor do barril superou os 90 dólares no mercado internacional. O faturamento bruto da empresa chegou à casa de 7 milhões de dólares nos primeiros 30 dias. Em oito meses, com os preços e a produção mantidos no mesmo patamar, a 3R terá faturado no Peroá mais do que todo o valor que gastou na aquisição do ativo: 56 milhões de dólares.

Esse exemplo foi citado no levantamento realizado pelo Sindipetro do Espírito Santo, que levanta casos de conflito de interesses e critica a política de “desmontar” a Petrobras.

A estatal criada em 1953 desenvolveu ao longo dos anos uma grande expertise na formação de profissionais, o que ajuda a entender o porquê de tantos executivos e diretores de carreira serem cobiçados por outras empresas – nacionais e estrangeiras. Alguns estão perto da aposentadoria e veem as ofertas como oportunidade para ganhar excelentes dividendos e estender o tempo útil da carreira. A Petrobras diz possuir “uma política de remuneração e benefícios alinhada às melhores práticas de mercado”.

O Intercept encontrou outro caso de porta giratória do ano passado que envolve um ex-diretor-executivo da Petrobras. Diferente dos demais casos citados, este recebeu uma reprimenda da Comissão de Ética Pública da Presidência por conflito de interesses e, por coincidência, justamente durante a gestão de Roberto Castello Branco.

No início do governo Bolsonaro, houve uma troca na cúpula da estatal. Na diretoria de desenvolvimento da produção e tecnologia, saiu Hugo Repsold Júnior – que iria trabalhar para a 3R, abandonando o posto meses depois – e entrou Rudimar Andreis Lorenzatto.

Lorenzatto atuou na Petrobras por quase 25 anos e foi um dos profissionais formados em Macaé, no Rio de Janeiro, participando das descobertas do pré-sal, em 2006 (no final do primeiro mandato de Lula).

O processo na Comissão de Ética Pública ocorreu após ele deixar a empresa no primeiro semestre de 2021. Atualmente, Lorenzatto atua na Karoon Energy Brasil, como vice-presidente de operações.

“Essa porta giratória faz parte do mercado, pelo menos desde os anos 1990. O estado se encarrega de formar e qualificar o profissional, que depois é contratado por uma empresa. Assim, ele ganha muito dinheiro e ajuda a capitalizar uma empresa nova”, contou Cloviomar Cararine, economista do Dieese.

O estado se encarrega de formar e qualificar o profissional, que depois é contratado por uma empresa.

Uma característica dessas pequenas e médias empresas, segundo o economista Eduardo Costa Pinto, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, é nortear a produção de acordo com o preço do barril do petróleo no mercado internacional: quando ele sobe, a produção automaticamente aumenta; quando cai, a produção segue o mesmo ritmo. “Elas vivem na dependência do mercado internacional”, ressaltou Cararine.

A venda de ativos da Petrobras se justifica pela necessidade de focar a produção na exploração do pré-sal. O objetivo dos desinvestimentos é reduzir a dívida da empresa, algo que já preocupava muito antes da Lava Jato, operação que puxou um grande novelo de corrupção na estatal e que serviu de estímulo para acelerar as vendas.

São três os perfis das empresas que adquirem os ativos: gigantes multinacionais, como Shell ou Exxon; as empresas controladas por estatais de outros países, como China e Noruega; e as companhias de pequeno e médio porte nacionais ou estrangeiras, fundadas há não muito tempo — neste grupo está a 3R.

A Petrobras informou em nota enviada ao Intercept que já concluiu mais de “50 transações com um valor total acumulado de mais de 40 bilhões de dólares”. Elas incluem campos de petróleo, gás, refinarias e terminais, além da venda da BR Distribuidora, rebatizada de Vibra.

Com o retorno de Lula, espera-se por mudanças nesse modelo de negócio. O próprio presidente eleito afirmou durante a campanha, e tem repetido nos últimos dias, que as empresas públicas brasileiras serão respeitadas e que a “Petrobras não vai ser fatiada”. Da esquerda, muitos criticam Dilma Rousseff pelas “concessões” feitas ao mercado no seu segundo mandato, interrompido precocemente.

O debate que se iniciará nas próximas semanas mostrará as diferentes visões políticas do mundo do petróleo: uma ala, mais liberal, vê o produto meramente como uma commodity, um bem para exportação; a outra o encara como algo estratégico para a soberania nacional e o financiamento de políticas públicas.

Para os aliados de Lula, que estendem a crítica até os anos Dilma, o programa de desinvestimento em curso nada mais é do que um eufemismo para a privatização em pedaços da empresa, um símbolo do desenvolvimentismo brasileiro.

FONTE: INTERCEPT BRASIL/REPRODUÇÃO - 23/11/2022 14h:45