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domingo, 8 de março de 2020

No Brasil: Mulheres sofrem ataques ao defender a democracia

70% dos brasileiros acreditam que a democracia só existe de fato se houver a presença de mulheres na política
© FernandoPodolski / iStock 70% dos brasileiros acreditam que a democracia só existe de fato se houver a presença de mulheres na política
Jornalistas, políticas, professoras, pesquisadoras, atrizes, escritoras, advogadas. As mulheres estão em todos os lugares, cada vez mais, decorrente de muita luta encabeçada pelos movimentos feministas ao longo da história. Apesar dos avanços e do maior espaço conquistado, elas ainda são minoria e vítimas de ataques frequentes por defenderem suas opiniões, seus direitos e, sobretudo, a democracia.
No campo político, a importância da representatividade feminina tem sido mais discutida, inclusive com a criação de movimentos como o Vote Nelas, que incentiva a presença de mais mulheres no poder. Uma pesquisa do Ibope, em parceria com a ONU Mulheres Brasil, mostrou que 70% dos brasileiros acreditam que a democracia só existe de fato se houver a presença de mulheres na política. Para 80% dos entrevistados, a participação feminina causa transformações positivas nesses ambientes.
Ainda que o eleitorado seja composto por 52% de mulheres, o número de eleitas é baixo. Em 2018, o total de escolhidas para a Câmara dos Deputados passou de 10% para 15%. No Senado, o percentual caiu de 18% para 13%.
A violência que assola a vida de milhares de mulheres diariamente em todo o país também se reflete no meio político. Em março de 2018, a vereadora Marielle Franco, defensora de pautas relacionadas aos direitos humanos, foi brutalmente assassinada no Rio de Janeiro e, até hoje, o crime não foi solucionado. O ocorrido teve repercussão internacional e trouxe à tona a perseguição que existe contra representantes mulheres em cargos de poder. Outro exemplo disso são os ataques machistas contra a ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, na época de seu impeachment.
A eleição do presidente Jair Bolsonaro veio acompanhada da intensificação de um discurso de ódio e machista, além da perseguição a jornalistas, especialmente mulheres. Os dois casos mais emblemáticos sobre o tema são os ataques a Patricia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, e Vera Magalhães, do Estadão, responsáveis por denúncias contra o governo.
Desde 2019, a ciência também tem sido alvo de ataques e cortes de verba, em uma tentativa de desvalorização da área. Apesar disso, pesquisadores e pesquisadoras demonstraram a necessidade de investimento na área.
Exemplo disso é o caso da dupla de cientistas que sequenciou o genoma do coronavírus em menos de 48 horas. São elas: Jaqueline Goes de Jesus, pós-doutoranda na Faculdade de Medicina da USP e bolsista da Fapesp, e Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP e coordenadora do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE), que é apoiado pela Fapesp e pelos britânicos Medical Research Council e Fundo Newton.
Mas qual o papel da luta das mulheres neste momento de fragilidade da democracia brasileira?
Para Juliana Serzedello, historiadora e professora do Instituto Federal de São Paulo, é muito importante que as mulheres estejam atentas para não perder os direitos já conquistados. “Nós estamos em um momento muito delicado do jogo democrático no Brasil, então buscar a manutenção de direitos conquistados, como a legislação que regulamenta o trabalho das domésticas, o direito ao aborto legalizado e o direito ao bolsa família”, diz.
“E também ampliar esses direitos, pensar em direitos reprodutivos, nos direitos da população encarcerada, e da comunidade negra, LGBT e indígena; estas são as pautas centrais do jogo democrático do Brasil atualmente”, completa a especialista.
Neste Dia Internacional da Mulher, a Catraca Livre lembra a história de figuras que, recentemente, foram vítimas de ataques pelo fato de defenderem a democracia, cada uma a sua maneira. Confira abaixo:

Talíria Petrone

A deputada era companheira de luta e amiga de Marielle© Reprodução / Facebook Talíria Petrone A deputada era companheira de luta e amiga de Marielle
“Uma mandata negra, feminista e popular no Congresso Nacional!”, assim se define a deputada federal Talíria Petrone, eleita pelo PSOL nas eleições de 2018, com 107.317 votos, para representar o estado do Rio de Janeiro. Sua militância começou em 2010, quando conheceu o partido e decidiu se candidatar a vereadora em sua cidade natal, Niterói.
A candidatura como deputada federal veio algum tempo depois, em decorrência do crime político contra a vereadora Marielle Franco, amiga e companheira de lutas de Talíria e com quem ela iniciou a vida pública. “Vimos a necessidade de dar consequência política a esse crime que marca nossa ainda frágil e incompleta democracia. Decidimos juntas não ter mais receios de ocupar cada vez mais o poder com os nossos corpos e vozes”, ressalta em seu site.
Após eleita, Talíria começou a ser vítima de ataques mais graves, assim como os sofridos por outros parlamentares, como Jean Wyllys. A deputada federal foi ameaçada de morte e passou a ser escoltada por agentes do Departamento de Polícia Legislativa (Depol) em Brasília. A solicitação veio diante das ameaças que circularam na deep web, descobertas pela Polícia Federal.

Patricia Campos Mello

Patrícia Campos Mello é vítima de ataques frequentes desde as eleições 2018© Arquivo pessoal Patrícia Campos Mello é vítima de ataques frequentes desde as eleições 2018
A jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, aparece na terceira posição de uma lista que inclui os 10 casos mais urgentes de ataques contra jornalistas em todo o mundo. O ranking foi feito pela organização internacional One Free Press Coalition. A repórter revelou que empresas estavam enviando mensagens em massa pelo WhatsApp durante as eleições de 2018, o que é uma prática ilegal.
Patricia virou vítima das milícias digitais bolsonaristas depois de um depoimento prestado à CPMI das Fake News por Hans River do Nascimento, ex-funcionário de uma empresa envolvida no disparo de mensagens por WhatsApp. Patricia recebeu, ainda, insultos de conotação sexual, feitos pelo próprio presidente da República, Jair Bolsonaro. “Ela [Patricia] queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”, afirmou ele a militantes em frente ao Palácio da Alvorada.

Vera Magalhães

A jornalista e colunista do Estadão Vera Magalhães também se tornou alvo de bolsonaristas© Reprodução / Instagram A jornalista e colunista do Estadão Vera Magalhães também se tornou alvo de bolsonaristas
A jornalista e colunista do Estadão Vera Magalhães se tornou alvo de ataques nas redes sociais após divulgar que o presidente Jair Bolsonaro, por meio de seu celular, compartilhou vídeos convocando a população para as manifestações contra o Congresso Nacional.
Após a denúncia, bolsonaristas criaram uma conta no WhatsApp em nome da jornalista e enviaram mensagens falsas em outras redes sociais. Também chegaram a compartilhar uma cobrança de 2015 da escola em que estudam os filhos de Vera. O youtuber Leandro Ruschel defendeu a exposição de informações pessoais da profissional, como o salário que recebe da TV Cultura para apresentar o programa “Roda Viva”.
“A gente já viu ataques a jornalistas em governos passados, mas neste existe uma característica de que os ataques destinados a mulheres são muito mais violentos e sempre embutem um componente machista, misógino, sexista, como aconteceu com a Patricia Campos Mello e comigo mais recentemente. Isso é autorizado pelo presidente da República, pela sua família, e se espraia para outras autoridades e também para as redes sociais apoiadoras do governo”, diz, em entrevista à Catraca Livre.

Anielle Franco

Anielle Franco tomou à frente da luta por justiça a Marielle© Reprodução / Instagram Anielle Franco tomou à frente da luta por justiça a Marielle
A dor de perder a irmã, Marielle, fez com que Anielle Franco lutasse cada dia mais para que a vereadora nunca fosse esquecida e tomou a frente do movimento para representá-la. Ao longo desses dois anos desde o crime no Rio de Janeiro, a escritora sofreu — e ainda sofre — ataques por defender quem sempre a inspirou. Ela relatou que chegou a ser alvo de cuspida na rua com sua filha no colo.
Anielle criou, também, o Instituto Marielle Franco, do qual é diretora, que oferece aulas, palestras e orientações, e está escrevendo um livro de memórias da vereadora.

Sâmia Bomfim

Sâmia sofre ataques desde a época em que era vereadora© Reprodução/Instagram Sâmia sofre ataques desde a época em que era vereadora
Atual deputada federal pelo PSOL em São Paulo, Sâmia Bomfim convive com ataques distintos desde a época em que foi eleita vereadora por São Paulo. Naquele período, seu colega, Fernando Holiday (DEM), chegou a pedir sua cassação e estimulou seus seguidores a disseminarem mensagens de ódio contra ela. Também sofreu machismo e gordofobia por parte do apresentador Fernando Gentili, que a chamou de “gorda”.
Defensora dos direitos das mulheres, a deputada federal também é pré-candidata do PSOL à Prefeitura de São Paulo. À Catraca Livre Sâmia reiterou que o país vive um momento grave da história, de “fortes ataques às liberdades democráticas, seja liberdade de imprensa, no Judiciário, na liberdade política, de organização, de participação em movimentos sociais”.
“Nós vemos as mulheres como principal alvo, em especial, por parte do presidente Bolsonaro e da sua trupe de apoiadores. Eu, como mulher, que me coloco nessa condição de superar os problemas do nosso modelo de democracia, sou vítima de uma série de ataques, em especial com o argumento da misoginia: a contestação da nossa capacidade intelectual, da capacidade política, ou muitas vezes ofensas a respeito da minha forma física, uma série de memes, fake news, e tudo utilizado nas redes sociais”, explicou.

Tabata Amaral

Tabata Amaral é vítima de ataques tanto de grupos da esquerda, como da direita© Leonardo Camargo / Agência Câmara Tabata Amaral é vítima de ataques tanto de grupos da esquerda, como da direita
A deputada federal Tabata Amaral, de 26 anos, a segunda parlamentar mais jovem da atual legislatura, foi alvo de ataques após votar a favor da reforma da Previdência. As mensagens ofensivas vieram tanto da oposição, do PDT e também dos grupos conservadores. À época, ela declarou que via hipocrisia em tais ataques da esquerda e que parte deles era machista.
“No momento em que eles olham para a votação da reforma da Previdência e não reconhecem todo o esforço pessoal que eu fiz para mudar o texto, me parece hipócrita e também triste que essa oposição gaste tempo com alguém que se coloca no campo progressista, só porque ela ao mesmo tempo tem uma visão de mundo que contempla a responsabilidade fiscal também”, explicou, em entrevista ao Congresso em Foco.
Em outra ocasião, Tabata publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que estava sofrendo ameaças  da milícia virtual bolsonarista após pedir o pedido de impeachment do ministro da Educação, Abraham Weintraub, no  STF (Supremo Tribunal Federal).

Rachel Sheherazade

Rachel Sheherazade foi alvo de campanhas difamatórias© Reprodução/TV Rachel Sheherazade foi alvo de campanhas difamatórias
Rachel Sheherazade, âncora do principal telejornal do SBT, está entre as jornalistas vítimas de ataques por se manifestarem contra o governo Bolsonaro. Segundo a apresentadora, ela e os filhos recebem ameaças de morte constantes. “Campanhas difamatórias, ataques em massa, ameaças de morte, ameaças contra meus filhos têm sido uma rotina desde que ousei criticar o então candidato Jair Bolsonaro, ainda no episódio da greve dos caminhoneiros em 2018”, escreveu pelo Twitter.
Ao comentar a campanha difamatória contra Vera Magalhães, Sheherazade ressaltou que o que há em comum em todos os ataques recentes contra jornalistas é que as vítimas são mulheres. ‌“Todos partem do mesmo escritório virtual do crime, já denunciado na CPMI das Fake News, e solenemente ignorado pelo sr. PGR e pelo Ministro da Justiça, Sergio Moro. A violência que minhas colegas sofrem eu sofri e tenho sofrido também”, afirmou.
A jornalista do SBT disse ainda que não pode afirmar que os ataques sejam feitos a mando de Bolsonaro, “mas não há como negar que ele tira proveito do ódio que semeia”. “É esse ódio que inspira seus discípulos, que encoraja os covardes, que põe em xeque a própria liberdade de imprensa”, ressaltou.
fonte:Catraca Livre/reprodução - 08/03/2020

Medicina fica mais feminina, mas ainda é desigual

Medicina fica mais feminina, mas ainda é desigual
Foto: Divulgação / Carla Cleto
Ao mesmo tempo em que a medicina se torna cada vez mais feminina, a desigualdade salarial das médicas é maior do que a encontrada na média de todas as ocupações de mulheres no país. Elas, que representam 45,6% dos 452.801 dos profissionais médicos do país, também continuam pouco presentes em cargos de liderança nos conselhos e entidades da categoria.

Em 2018, o rendimento médio das médicas em atividade no Brasil, com idades entre 25 e 49 anos, equivalia a 71,8% do recebido pelos médicos, segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE: R$ 12.618 contra R$ 17.572. Nessa faixa etária, as médicas já são maioria: 53,2% dos profissionais ativos. A diferença é maior do que a média geral de rendimento de todas mulheres ocupadas nessa faixa etária (R$ 2.050), que equivale a 79,5% do recebido pelos homens (R$ 2.579).

Os dados do IBGE, compilados a pedido da reportagem pelo professor da USP Mario Scheffer, coordenador da Demografia Médica, corroboram estudo sobre o tema publicado na revista científica British Medical Journal em 2019. O trabalho mostrou que a desigualdade de renda a favor dos médicos permaneceu mesmo após ajustes de variáveis, como especialidade, carga horária, anos de formado e local de trabalho.

"A feminização na medicina é só um fenômeno quantitativo, não quer dizer maior igualdade de gênero. A presença feminina está aumentando, mas isso não se reflete em igualdade de salários ou de maior presença no corpo docente das faculdades, nas entidades representativas e nos cargos de lideranças administrativas dos grandes hospitais", diz Scheffer. Na próxima terça (10), o Sindicato dos Médicos de São Paulo lança uma campanha a favor da igualdade salarial.

Segundo a infectologista Juliana de Carvalho, 35, secretária de assuntos jurídicos do sindicato, a proposta é que o tema esteja em todas as negociações com os empregadores. "Além de menores salários, as mulheres sofrem com a precarização do trabalho. Com a 'pejotização' das equipes, não têm férias, não têm licença-maternidade", diz ela, mãe de dois filhos e que trabalha 40 horas semanais em serviços públicos e privados.

Para ela, a sobrecarga de trabalho é um dos fatores que levam muitas médicas a não buscar cargos associativos. Não há um levantamento oficial da participação de mulheres nesses cargos, mas basta olhar os sites das principais entidades médicas para notar as discrepâncias. Tanto no CFM (Conselho Federal de Medicina) quanto na AMB (Associação Médica Brasileira), a presidência e todas as vice-presidências são ocupadas por homens.

As mulheres figuram a partir da secretaria-geral. No CFM, dos 11 cargos da diretoria, três são ocupados por mulheres. Atualmente, elas representam um quarto dos conselheiros médicos no país. Para Dilza Teresinha Ambrós, secretária-geral do CFM, uma maior participação de médicas nas diretorias dos conselhos é só uma questão de tempo. "Ainda é pouco, mas temos avançado bastante." A composição da nova diretoria da centenária ANM (Academia Nacional de Medicina) é ainda mais discrepante. Todos os 15 integrantes, empossados na última terça (3) para o biênio 2020-2021, são homens.

"É inegável a necessidade de termos mais mulheres ocupando posições de destaque. Mas elas também precisam buscar essas oportunidades, se candidatarem", afirma o oftalmologista paulista Rubens Berfort Filho, primeiro médico fora do Rio de Janeiro a assumir a presidência da ANM. A cirurgiã Angelita Habr-Gama e a psiquiatra Carmita Abdo são algumas das médicas pioneiras em entidades representativas de suas áreas. Gama presidiu as sociedades brasileira e latino-americana de coloproctologia e o Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva. Abdo foi a primeira mulher a ocupar a presidência da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), entre 2017 e 2019, e é secretária-geral da Associação Médica Brasileira.

"Eu nunca pleiteei a vida associativa, ela foi uma consequência da minha carreira acadêmica. Eu pertenço a alguns colegiados há muito tempo, mas uma coisa maior, como a presidência da ABP, só aconteceu na sexta década da minha vida", diz Abdo, 70.


Segundo ela, é preciso vocação para ocupar cargos de liderança que exigem dedicação extra e, muitas vezes, colocam a pessoa numa posição solitária. "Você tem que tomar decisões, resolver impasses e diferenças. Entendo que muitas pessoas, homens e mulheres, não queiram isso." Uma das experiências que mais a agradou durante a gestão ABP foi a oportunidade de conhecer de perto a realidade da psiquiatria no país e receber muitas manifestações de carinho e respeito. "As meninas diziam: 'você é minha inspiração'. Fiquei emocionada."

A psiquiatra afirma que nunca se sentiu discriminada ou desvalorizada dentro da medicina por ser mulher. "Nunca esperei menos. A gente pode e deve perseguir o que deseja. Mas precisa ter a autoestima no lugar." Pioneira em cirurgia na USP, Angelita Gama driblou 'nãos' Primeira mulher titular em cirurgia da USP, a primeira a ser aceita pela sociedade americana de cirurgia e a primeira premiada pela sociedade europeia de cirurgia. Desde 1952, quando entrou na Faculdade de Medicina da USP, aos 19 anos, Angelita Gama coleciona pioneirismos.

Neste domingo (8), a médica lança a biografia "O não não é resposta" (DBA Editora), escrita por Ignácio de Loyola Brandão. Na obra, ela relata as barreiras enfrentadas e as realizações na área cirúrgica, ainda hoje uma das com menor número de mulheres.

"O primeiro não que eu ouvi foi dos meus pais quando optei pela medicina e eles queriam que eu fosse professora como minhas irmãs. Depois, quando decidi pela cirurgia, o chefe da residência disse que era melhor eu ir para a área clínica, que a cirurgia era para homens. Fui em frente, prestei concurso e passei." Quando decidiu pela especialidade de coloproctologia voltou a enfrentar resistência. Após conseguir uma bolsa para estagiar em um hospital de Londres especializado em cirurgias colorretais, foi barrada inicialmente sob o argumento de que a instituição só aceitava homens. "Fui a primeira mulher a estagiar lá."


Ao entrar para o mercado de trabalho, as coisas se tornaram mais simples, segundo ela. "Sempre trabalhei em pé de igualdade, no mesmo nível de trabalho dos homens, ou até mais", afirma. Casada há 56 anos com o também cirurgião Joaquim Gama, a médica diz que continua bem humorada e satisfeita com a vida, operando no mesmo ritmo de antes. "Levanto às 6h da manhã e só volto pra casa à noite. Felizmente, tenho uma saúde muito boa, uma resistência física excelente. Aguento firme o meu trabalho em pé de igualdade com meus colegas até mais jovens."

Para ela, que não tem filhos, as mulheres são tão boas quanto os homens no exercício profissional, mas, quando se tornam mães, tendem a dedicar um tempo menor à carreira e também enfrentam mais dificuldades para assumir cargos associativos. "Em geral, as funções da maternidade acabam se tornando prioritárias para as mulheres. Eu nunca tive vocação maternal, mas sempre tive muita vocação para operar. Descobri muito cedo o meu dom."

fonte:por Claudia Collucci | Folhapress - 08/03/2020

Governo Bolsonaro fecha acordo com faculdade de coaching religioso dos EUA


Jair Bolsonaro e Abraham Weintraub (Foto: André Borges/MEC)
foto:Jair Bolsonaro e Abraham Weintraub (Foto: André Borges/MEC/reprodução)
O governo de Jair Bolsonaro assinou um contrato com a Florida Christian University, dos EUA, em uma tentativa de ampliar parcerias de universidades brasileiras com a instituição americana especializada em coaching religioso.
A instituição já foi alvo de sentença por oferta irregular de mestrado no Brasil, mas teve as irregularidades ignoradas pelo Ministério da Educação (MEC) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que firmaram a parceria.
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, tem um discurso crítico à qualidade das universidades federais. 
A Florida Christian University, no entanto, não tem nenhuma acreditação relevante de qualidade no sistema americano. Com informações da Folha de S.Paulo.

Lava Jato: Jurista Pedro Serrano confirma o dossiê Intercept sobre as ilegalidades da operação

                               foto:reprodução
Um dos advogados mais perseguidos pela Lava Jato, o jurista Pedro Serrano declara que a operação Lava Jato perseguiu e criou obstáculos para que advogados não desvendassem pistas de “crimes” e “ilegalidades” empreendidos na operação, especialmente ao tratar da ajuda jurídica informal de autoridades internacionais.
Por Cintia Alves no Jornal GGN
O GGN explica em detalhes no vídeo abaixo.

A Lava Jato perseguiu e tentou impedir que advogados descobrissem os rastros de “crimes” e “ilegalidades” cometidos na operação, sobretudo a respeito da cooperação jurídica informal com autoridades estrangeiras. É o que afirma o advogado constitucionalista Pedro Serrano, em entrevista exclusiva ao GGN.

Serrano está entre os advogados perseguidos pela Lava Jato, por ter buscado averiguar os procedimentos adotados na obtenção de provas no exterior – usadas contra os investigados principalmente para extrair acordos de delação premiada.

“Pedi certidões em casos anteriores ao da Lava Jato e na Lava Jato. Pedi certidão também ao Ministério da Justiça, com uma série de questões que são padrões, justamente para verificar [os procedimentos]”, diz.

As dúvidas em torno da lisura em trâmites seguidos pela Lava Jato estiveram presentes desde o início da operação. Mas ficaram escancaradas quando, em 2018, um procurador dos Estados Unidos admitiu a constante troca de informações com a força-tarefa do Ministério Público, à margem dos canais oficiais. Somente quando o caso estava pronto para ser apresentado ao Juízo, é que os procuradores acionavam o protocolo correto, para passar um verniz de legalidade na cooperação até então irregular. O GGN explica em detalhes no vídeo abaixo.A Lava Jato perseguiu e tentou impedir que advogados descobrissem os rastros de “crimes” e “ilegalidades” cometidos na operação, sobretudo a respeito da cooperação jurídica informal com autoridades estrangeiras. É o que afirma o advogado constitucionalista Pedro Serrano, em entrevista exclusiva ao GGN.

Serrano está entre os advogados perseguidos pela Lava Jato, por ter buscado averiguar os procedimentos adotados na obtenção de provas no exterior – usadas contra os investigados principalmente para extrair acordos de delação premiada.

“Pedi certidões em casos anteriores ao da Lava Jato e na Lava Jato. Pedi certidão também ao Ministério da Justiça, com uma série de questões que são padrões, justamente para verificar [os procedimentos]”, diz.

As dúvidas em torno da lisura em trâmites seguidos pela Lava Jato estiveram presentes desde o início da operação. Mas ficaram escancaradas quando, em 2018, um procurador dos Estados Unidos admitiu a constante troca de informações com a força-tarefa do Ministério Público, à margem dos canais oficiais. Somente quando o caso estava pronto para ser apresentado ao Juízo, é que os procuradores acionavam o protocolo correto, para passar um verniz de legalidade na cooperação até então irregular. 
Ao revelar mensagens de Telegram trocadas entre os procuradores de Curitiba, o site The Intercept Brasil apenas confirmou as suspeitas antes levantadas: havia, de fato, uma parceria informal e indevida para processar determinados réus na Lava Jato. E não só com os procuradores norte-americanos, mas também com os da Suíça.

“Em outros casos rumorosos no Brasil já havia esse tipo de prática ilícita e ilegal. Mas o pior é que eles [da Lava Jato] começaram a reagir contra advogados que tomaram medidas. Contra mim, contra uma série de pessoas, uma reação autoritária, querendo dizer que os advogados não poderiam saber dessas coisas”, conta Serrano.

“Advogado tem direito de saber de ilegalidades. Eu posso não saber do conteúdo da prova obtida (contra o cliente), se ela for sigilosa, mas o meio como ela foi obtida, o procedimento administrativo que foi seguido, é direito de qualquer cidadão saber, e do advogado”, defende.

“Na Lava Jato eu fui atrás e fui perseguido, e depois veio a revelação: é que tinha um monte de ilegalidades e de crimes ali cometidos. Eles [os procuradores de Curitiba] não podem ser processados porque a Vaza Jato não pode ser usada para condenar ninguém. Mas que a conduta ilícita houve, está ali, está provada”, dispara.

Serrano explica que, “quando você traz um documento ilicitamente da Suíça, você está vulnerando a Constituição suíça e a brasileira.” Não à toa, as autoridades de Berna batizaram a ação de “colaboração selvagem”, porque “não observa direitos e garantias na hora de mandar documentos para cá.”

Na Suíça, o procurador que se aventurou na cooperação irregular foi exemplarmente punido. No Brasil, a força-tarefa da Lava Jato segue intocada sob qualquer aspecto crítico de seu trabalho.

A opinião de Serrano, ao final, converge com a de outros advogados que atuaram na operação: “Em qualquer País sério do mundo”, essa cooperação irregular, “selvagem”, “seria motivo para anular toda a operação.” E conclui: “Aliás, é disso que eles tinham medo.”
fonte:Conversa Afiada/reprodução - 08/03/2020 -06h

Em Feira: Colégio Helyos emite nota de esclarecimento sobre o coronavírus


foto:reprodução







O Colégio Helyos, emitiu neste sábado (7), uma nota de esclarecimento a respeito do coronavírus e confirmando que a primeira paciente que foi confirmada com a doença é mãe de dois alunos da instituição. A paciente viajou para a Itália e não apresentou sintomas do vírus. A infecção foi confirmada através da contraprova
Na publicação, o colégio afirma que já solicitou dos órgãos competentes orientações sobre o caso.

Lei a nota na íntegra:
fonte:Acorda Cidade/reprodução -08/03/2020 -05h:55min.

Bahia: Segundo caso de coronavírus é confirmado em Feira de Santana


Segundo caso de coronavírus é confirmado em Feira de Santana
foto:reprodução/news/ba
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) confirmou neste sábado (7), o segundo caso do novo coronavírus (Covid-19) na cidade de Feira de Santana. Trata-se de uma mulher de 42 anos, trabalhadora doméstica, que teve contato domiciliar com a primeira paciente do estado com COVID-19, quando ainda esta ainda estava sintomática.
Diferente do caso original, cujo contágio inicial foi na Itália, o novo caso trata-se de uma transmissão local do vírus, sendo agora considerado circulante no estado. Cabe ressaltar que as duas pacientes vinham sendo monitoradas pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA) em conjunto com a Vigilância Municipal de Feira de Santana. Atualmente ambas se encontram em isolamento domiciliar, adotando todas as medidas de precaução de contato e evoluem clinicamente bem.

As amostras foram coletadas na residência e analisadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA), que a partir de hoje está autorizado a realizar os exames para detectar diretamente o Covid-19, sem necessidade de contraprova em laboratório de referência nacional. O resultado confirmando o diagnóstico foi concluído na tarde de hoje (7).
Caso inicial

O primeiro caso importado do novo coronavírus (Covid-19) na Bahia é de uma mulher de 34 anos, residente na cidade de Feira de Santana, que retornou da Itália em 25 de fevereiro, com passagens por Milão e Roma, onde aconteceu a contaminação. A paciente veio manifestar os sintomas depois de ter chegado ao Brasil.
fonte:Acorda cidade/reprodução - 08/03/2020 -05h:48min.

No Rio: Mulher é presa em flagrante por racismo em shopping

Mulher é presa em flagrante por racismo em shopping no RJ
foto:reprodução
No Rio de Janeiro, uma mulher de 33 anos foi presa em flagrante após xingar de “macaca sem educação” a uma mulher negra na saída de um shopping na zona norte. O caso aconteceu na última quinta-feira, 5.
Identificada como Luciene Braga, a agressora ainda fez ofensas racistas contra os dois seguranças negros que a conduziam. “Está com raiva porque você é negro?”, dizia ela aos gritos enquanto era filmada por uma testemunha.
Uma das testemunhas que prestaram depoimento na delegacia é a estudante de direito Nathália Hybner, 21. A jovem relatou o ocorrido no Twitter e em sua conta no Instagram.
“Eu estava saindo do Norte Shopping e a mulher que foi a vítima estava falando no telefone e falou um pouco mais alto um “caraca” com outra pessoa. A agressora passou e falou gritando: ‘o que foi? Ta gritando comigo porque?’. A mulher disse que não estava falando com ela, pediu desculpas e virou. Só que quando ela virou, a mulher começou a gritar: ‘você está maluca. Sua macaca sem educação. Macaca! Macaca!’. E todo mundo que estava em volta falou que ela ia ser presa”, contou Nathália.
Depois da confusão, que se passava na calçada do shopping, a testemunha conta que a agressora correu para dentro do estabelecimento para se esconder no banheiro. “Mas ficamos esperando ela sair para fazer o procedimento e encaminhá-la até a Polícia”, disse.
Quando Luciene saiu do banheiro foi abordada por dois seguranças que a levariam até o posto policial que fica na frente do centro comercial. Foi neste momento que houve mais ofensas racistas aos seguranças, registradas em vídeo por Nathália.
Segundo a reportagem do BuzzFeed News, a vítima que sofreu racismo é Lígia Moreira, consultora de vendas de 41 anos. “Essa mulher pensou que eu estava falando com ela e começou me xingar. Ela repetia sem parar que eu era macaca, que eu não tinha educação. As pessoas que viram ficaram indignadas e ela foi para o banheiro do shopping”, disse Lígia para o site.
Luciene foi presa pelo crime de racismo. Segundo a Polícia Civil, ela foi encaminhada para o sistema prisional do estado.
“Nos vemos no tribunal, querida!”, postou a estudante
© Reprodução/Twitter “Nos vemos no tribunal, querida!”, postou a estudante

“Eu não ia conseguir ficar em paz com aquilo. Era uma mulher sendo agredida na minha frente. A humilhação que ela passou eu nunca vou conseguir imaginar. Eu precisava fazer alguma coisa. Sou noiva de um cara negro, vou casar com ele e meus filhos vão ser negros. Como que eu poderia dormir se não fizesse nada?”, disse a estudante em entrevista ao G1.

Racismo: saiba como denunciar

Racismo é crime previsto pela Lei 7.716/89 e deve sempre ser denunciado, mas muitas vezes não sabemos o que fazer diante de uma situação como essa, nem como denunciar, e o caso acaba passando batido.
Para começar, é preciso entender que a legislação define como crime a discriminação pela raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, prevendo punição de 1 a 5 anos de prisão e multa aos infratores.
A denúncia pode ser feita tanto pela internet, quanto em delegacias comuns e nas que prestam serviços direcionados a crimes raciais, como as Delegacias de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que funcionam em São Paulo e no Rio de Janeiro.
No Brasil, há uma diferença quando o racismo é direcionado a uma pessoa e quando é contra um grupo. Saiba mais como denunciar e o que fazer em caso de racismo e preconceito neste link.
fonte:Catraca Livre - 08/03/2020