'Acho muito ruim' diz secretário de Saúde da Bahia - foto:reprodução
O secretário da saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, lamentou o fato de algumas cidades da Bahia abrirem os seus comércios a partir dessa semana. Cidades como Alagoinhas, Barreiras e Vitória da Conquista vão retomar as atividades e o temor é que a retomada cause aglomerações que espalhem o novo coronavírus.
"Acho muito ruim. Conversei com o prefeito de Vitória da Conquista e infelizmente ele está confiante que vai colocar máscara em 100% das pessoas e vai identificar 100% das pessoas. Mudou o horário de funcionamento, mas não acredito que vai funcionar. Conclamo o povo de Vitória da Conquista a não sair de casa. Essa é uma das semanas mais críticas. Os casos vão aumentar e Vitória da Conquista é um dos principais centros. Se a população estiver me ouvindo, não vá para a rua e nem para o comércio", disse, em entrevista ao Jornal da Manhã, da TV Bahia.
Recentemente, a Bahia sofreu uma dura perda com uma empresa da China, que cancelou a compra de respiradores. De acordo com Vilas-Boas, o caso foi superado e o Estado conseguiu uma nova compra.
"Fizemos uma aquisição de 600 respiradores e estão em processo de trânsito. Eles devem chegar no dia 15 de abril", indicou.
O último boletim da Secretaria de Saúde da Bahia indicou 401 casos confirmados do novo coronavírus. Entre estes, 63 estão curados e 27 estão internados.
Presidente da Câmara foi o entrevistado do Canal Livre deste domingo, 5 (Foto: Band/Reprodução)
Presidente da Câmara chamou assessores de Bolsonaro de 'marginais' e cobrou ações do Planalto para País superar crise.
Confira a reportagem no site da Band/UOL conforme entrevista exclusiva ao programa Canal Livre de domingo(5). Clique no link abaixo:
No Vale do Capão entra apenas moradores e materiais essenciais para a vida das pessoas | FOTO: Divulgação /reprodução|
Depois do caso de Covid-19, que pegou de surpresa a população de Palmeiras, na Chapada Diamantina, a prefeitura emitiu um novo decreto na última sexta-feira (3) com mais restrições, principalmente no Vale do Capão, onde as medidas de proteção estavam sendo desobedecidas.
O Jornal da Chapada foi contactado pela equipe da Barreira Sanitária do vale, neste sábado (4), e foi informado que a prefeitura solicitou ao grupo as demandas que deveriam ser colocadas em decreto como forma de prevenção contra o novo coronavírus.
Os moradores informaram que aconteceu uma reunião por telefone com o prefeito Ricardo Guimarães (PSD), secretário de Saúde, promotor e vereadores. E que foi decidido atender as demandas do grupo.
“Fizeram uma chamada aqui na barreira e pediram para orientar qual era a nossa demanda ao novo decreto que eles iam publicar. Colocamos como demanda prioritária o circuito de construção civil, serviços terceirizados e qualquer que não seja essencial à vida”, aponta um dos integrantes da iniciativa da barreira sanitária.
No decreto consta a proibição do fluxo de trabalhadores da construção civil no Vale do Capão e em todo o município, assim como a entrada de materiais de construção. A medida é válida por 10 dias. Está liberada a entrada apenas de materiais essenciais desde que os entregadores estejam devidamente com equipamentos de proteção individual (EPI’s).
“Esse pedido foi baseado na ideia de que a gente não tem dimensão do que está acontecendo em Palmeiras, principalmente quanto ao grau de contaminação. Porque o rapaz circulou por lá sem saber que estava contaminado”.
Segundo o boletim divulgado nesta última sexta-feira (3) o município registrou um novo caso suspeito e outras 19 pessoas estão sendo monitoradas. De acordo com dados apurados, o novo caso apresenta evolução grave do quadro.
Feira de Santana é a 2 cidade maior do Estado da Bahia e um entrocamento rodoviário dos mais importante do país --foto:Acontece na Bahia/reprodução
O comércio de Feira de Santana vai continuar fechado até o dia 13 de abril, de acordo com a decisão do prefeito Colbert Martins da Silva Filho, que decidiu manter o decreto anterior, estendendo apenas os prazos de fechamento.
Shoppings, galerias, academias e escolas municipais e da rede privada, o fechamento seguirá até o dia 20 de abril. A decisão é seguindo a recomendação do isolamento social e também de evitar aglomerações como forma de prevenção ao novo coronavírus.
Até o momento Feira de Santana registrou 25 casos confirmados do Covid 19, nenhum óbito. Uma pessoa encontra-se internada em hospital da rede privada.
O prefeito divulgou um vídeo nas redes sociais no início da noite deste domingo (5) informando a decisão. Ele destacou a importância de preservar vidas.
“Em decorrência do aumento do número de casos de coronavírus em Feira de Santana, na Bahia e no Brasil e também o aumento do número de mortes, decidi manter o comércio de rua fechado até o dia 13 de abril. Shoppings e escolas até o dia 20. O objetivo maior é preservar a vida. É importante esse sacrifício agora, para que daqui a pouco tenha muito mais gente em condições de lutar”.
Estão liberados para o funcionamento todos os serviços essenciais como:
Assim como no decreto anterior, podem funcionar por serem consideradas as atividades de natureza essência essencial: Mercados, supermercados, hipermercados, açougues, frigoríficos, granjas, peixarias, lojas de hortifrutigranjeiros, as feiras livres de produtos alimentícios, o Centro de Abastecimento, os Postos de Combustíveis, revendedores de gás, as Farmácias, Instituições Bancárias, Correspondentes Bancários, Casas Lotéricas, Lojas do Setor da Construção Civil e sua cadeia produtiva, lojas de autopeças, borracharias, oficinas mecânicas e demais estabelecimentos relacionados à manutenção de veículos automotores, serviços de transporte e logística, serviços de segurança privada, estabelecimentos de vendas de material de limpeza.
Também continuam permitidos os serviços de delivery
Todos os serviços que permaneçam autorizados a funcionar deverão respeitar estritamente os protocolos sanitários demandados pela situação atual, com a efetiva adoção de protocolos de segurança, higienização e de enfrentamento ao coronavírus. Deverá haver o cumprimento pleno e irrestrito de todas as recomendações de prevenção e controle para o enfrentamento do Coronavírus expedidas pelas autoridades sanitárias competentes, inclusive a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Uma das profissionais da saúde que participou de uma mobilização pelo isolamento social e aparece em foto que viralizou na internet, a técnica de enfermagem e laboratório Adelita Ribeiro (38), após contrair o novo coronavírus.
A informação foi confirmada pelo governador do estado, Ronaldo Caiado, que publicou a fotografia em suas redes e prestou homenagem à profissional que trabalhava no Hospital do Coração de Goiânia.
“Uma heroína que perdeu a vida para salvar vidas. A luta de Adelita Ribeiro, técnica de enfermagem e laboratório, morta aos 38 anos, vítima do coronavírus, jamais será esquecida pelo Estado. Essa é minha palavra como governador de Goiás”, escreveu o governador, que destacou o trabalho de milhares de profissionais que estão “na linha de frente” em defesa dos goianos, “expostos a riscos, longe de seus familiares, pensando em ajudar a quem precisa” e cumprindo um juramento de salvar vidas.
Caiado informou ainda que Adelita não era de grupo de risco e destacou a gravidade da doença. “Ela não tinha qualquer comorbidade (doenças que são consideradas fator de risco quando associada ao Covid-19, como cardiopatia, diabetes, entre outras) e perdeu a vida diante de um vírus que mata, independentemente de idade”, disse o governador, que convocou a população para seguir as orientações sanitárias para “vencer este momento” e manifestou solidariedade à família e amigos da auxiliar de enfermagem e laboratório.
O advogado Ives Gandra Martins, 85 anos, está internado há um mês no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, primeiro por causa de uma cirurgia no esôfago e, na sequência, por ter contraído a Covid-19.
Mesmo isolado em um leito de UTI, ele tem falado ao telefone com empresários, advogados e jornalistas que desejam obter suas abalizadas reflexões sobre um dos momentos mais críticos do País. Escritor de diversos livros em que analisa a Constituição, Ives Gandra entende que o presidente Jair Bolsonaro tem colocado, de forma acertada, a sua preocupação em relação à crise econômica que surgirá da tragédia do coronavírus, mas julga que ele tem sido “inadequado” em seus posicionamentos contra o isolamento social. Para o jurista, o presidente mostra-se “equivocado” ao atacar a imprensa e os governadores, fazendo uma advertência: “ele precisa falar menos”. Segundo Gandra, antes de tentar resolver os problemas econômicos, Bolsonaro precisa se preocupar em salvar vidas, como pregam o ministro da Saúde e todos os líderes mundiais. Embora reconheça que Bolsonoaro perde credibilidade e que o general Mourão “é muito bem preparado”, Ives Gandra não defende o impeachment. “Não acredito que seja o momento adequado para falarmos em afastamento do presidente. O momento é de união nacional”, diz ele, com a autoridade de quem deu sustentação técnica para o impeachment de Fernando Collor e foi um dos juristas que formulou o processo de afastamento de Dilma Rousseff.
Bolsonaro tem sido contestado por todos, sobretudo governadores e especialistas em saúde, por recomendar o fim do isolamento social determinado por conta do coronavírus. Como o senhor vê essa postura do presidente?
Temos que analisar alguns aspectos. Bolsonaro tem colocado coisas certas de forma inadequada. Por exemplo. Se 150 países estão adotando o confinamento, e o próprio vice-presidente, Hamilton Mourão, diz o mesmo, do ponto de vista médico essa é a melhor solução. O que deve estar preocupando o presidente é que, enquanto houver o confinamento, vamos ter que gastar muito mais dinheiro e ter muito menos receita.
O que isso causará?
Equivale a dizer que vamos entrar em um processo dramático. Tínhamos um déficit programado no início do ano de R$ 129 bilhões e agora vamos passar muito além disso. Já eliminamos o teto de gastos para ultrapassar esse valor e não vamos ter receitas durante esse período. Há previsão de uma receita no Orçamento que não vai acontecer, porque as empresas estão paradas. Agora, indiscutivelmente, estamos em uma dupla batalha: como recuperar a economia e como salvar vidas. Estamos em uma guerra. Quando há o avanço das tropas inimigas, e uma cidade pode ser destruída, todos defendem a cidade primeiro, pensando em salvar vidas. Depois é que se vê como reconstruir a cidade. A Europa foi destruída na Segunda Guerra Mundial e se não fosse o Plano Marshall não haveria a recuperação rápida que houve. Tenho a impressão de que a preocupação dele é com a economia, mas a posição do governo sobre o assunto tem sido manifestada claramente pelo ministro Mandetta e pelo próprio vice-presidente Hamilton Mourão: o confinamento social é o que precisa acontecer agora.
O problema é que Bolsonaro, na contramão dos demais líderes mundiais, está minimizando a pandemia do coronavírus, não?
Eu tenho conversado por telefone com muita gente que me liga aqui no hospital e o ideal seria um entendimento do presidente com os governadores. O presidente tem uma equipe boa, mas o ideal é que, em primeiro lugar, ele parasse de atacar a imprensa, por que isso não leva a nada. É bobagem ele brigar com a imprensa, campo onde leva uma desvantagem monumental. Cada frase mal colocada, vira manchete de jornal no dia seguinte. Então, eu recomendo a ele: em primeiro lugar, falar menos. Em segundo lugar, dizer aos seus ministros, como o Mandetta (Saúde) e Paulo Guedes (Economia), que eles falam em seu nome. São ministros nomeados por ele e estão indo muito bem. Incluo aí o vice-presidente Mourão, que é um homem extremamente culto e que eu conheço bem, como general do Exército, como presidente do Clube Militar e até como coronel.
Como o senhor o conheceu?
Quando ele fez o curso da escola de formação do Exército, para ser promovido a general, eu dei aulas para ele lá. É um sujeito extremamente preparado e que está agindo com muita racionalidade. Temos que lembrar que o general Mourão foi convidado por ele para ser seu vice. Tenho a impressão de que o presidente está fazendo coisas certas, mas externando-as de forma errada e inadequadamente. Os dois problemas são seríssimos, mas a questão maior agora é salvar vidas. Embora tenhámos que reconhecer que quanto mais atrasarmos a retomada econômica, mais problemas teremos no futuro, como o desemprego, etc. Concluindo: se ele falasse menos e desse mais autoridade aos ministros, ele solucionaria a crise política e os ministros conversariam melhor com os governadores, facilitando a união nacional contra o cornavírus.
Quando ele diz que os governadores são lunáticos e a imprensa é histérica, o senhor entende que o presidente esteja sendo irresponsável?
Acho que ele está sendo inadequado. É o estilo dele, mas usa uma estridência desnecessária nesse momento. Repito: se ele falasse menos, estaríamos melhor. Mas cada vez que ele ataca a imprensa e os governadores, em vez de conquistar aliados, ele cria inimigos. Por isso, tenho ligado para pessoas próximas a ele para recomendar que deixe os ministros falarem. Ele tem parar de criar inimigos desnecessários.
Ao afirmar que a Covid-19 é uma gripezinha ou um resfriadinho, o presidente faz chacota com a grave crise de saúde?
Do ponto de visto clínico, ele até está correto. Houve mais mortes no Brasil por gripe do que pelo coronavírus.
A H1N1 matou mais gente proporcionalmente do que a Covid-19. Não é só porque a letalidade é menor.
A diferença é que esse é um vírus universal. Temos uma guerra mundial.
Mas o presidente está contrariando a ciência, que manda todo mundo se isolar em casa, não?
Ele pode estar pregando isso sim, mas o Luiz Henrique Mandetta, seu ministro da Saúde, nomeado por ele, e que continua ministro, está pedindo o confinamento social. O vice-presidente também está defendendo o isolamento social.
Isso significa dizer que Mandetta e Mourão têm mais credibilidade do que o presidente?
É exatamente por isso que eu tenho a impressão de que Bolsonaro está perdendo a credibilidade. O que ele está fazendo, eu chamo de estridência desnecessária. O general Mourão uma vez disse uma coisa importante: não devemos entrar em batalha que não podemos ganhar. É bobagem o que ele está fazendo. Atacar governadores e jornalistas nesse momento é um equivoco. O Ministério da Saúde e o Ministério da Economia estão tomando as medidas certas. O presidente, então, poderia fazer mais, se delegasse poderes ao ministro Mandetta, que está se baseando em questões técnicas para agir. A questão é que as prioridades do presidente não são as mesmas das do ministro da Saúde.
Como assim, Bolsonaro está pensando mais na reeleição do que em salvar vidas?
Não tenho essa certeza. Ele foi deputado federal por sete mandatos, quando a postura era ser atacado e ele reagir. Mas, como presidente da República, tem que ser diferente. Não tem que reagir, a priori, aos ataques. E ele continua reagindo aos ataques desnecessariamente. Outra coisa importante: ele não tem valorizado o ministro que ele colocou lá. Embora esteja mantendo o Mandetta no cargo, ele o faz porque sabe que há um elo fundamental do ministro no combate ao coronavírus com as medidas tomadas de acordo com as orientações da OMS.
Já há políticos, economistas, juristas e até ministros do STF dizendo que o presidente está perdendo as condições de governabilidade. O senhor acha que há clima para o impeachment?
O impeachment é apenas uma hipótese, mas não acredito que seja o momento adequado. Não vejo essa possibilidade por enquanto. O Brasil não aguentaria outro processo de impeachment. O momento é de união nacional. Quando o Collor sofreu o impeachment, eu lancei, e o Paulo Brossard relançou, um livro sobre o impeachment. Depois, o primeiro parecer do impeachment da presidente Dilma foi meu. Nos comentários sobre os “Direitos da Constituição” que eu e o Celso Bastos fizemos, em 15 volumes, o capitulo sobre o Poder Executivo foi meu. O impeachment tem que ter apoio jurídico, o que não é difícil de se encontrar em qualquer circunstância. Mas, para que ele vá em frente, depende fundamentalmente de apoio político. É um processo menos jurídico e mais político. Tentaram derrubar o Michel Temer e ele tinha apoio político. Foi um fracasso. A Dilma não tinha apoio político e caiu. O presidente Bolsonaro ainda tem apoio político.
A própria população começa a pedir isso, com freqüentes panelaços. O senhor acha que esse movimento pode levar ao afastamento do presidente?
Quem poderá responder a essa questão é o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara. Ele é que pode avaliar se há ou não ambiente para um pedido de impeachment. Eu tenho a impressão de que esse é um assunto prematuro. Quanto aos panelaços, eles aconteceram com a Dilma. Começaram em março e um ano depois ela sofreu o impeachment. Mas o que eu vejo hoje é que a equipe do presidente está funcionando, o ministro da Saúde está funcionando. Por isso, acredito que o presidente tenha capacidade de recuperação. Eu gostaria que não houvesse impeachment e que ele falasse menos e delegasse mais. Ele tem que entender que o inimigo dele agora é o coronavírus.
Se houvesse impeachment, o vice-presidente Hamilton Mourão teria condições de governar melhor o País?
Não conheço Bolsonaro pessoalmente, mas o Mourão conheço bem. É um homem excepcionalmente preparado. General de quatro estrelas, comandou no Amazonas, serviu nos Estados Unidos, na Bélgica, na Costa do Marfim, fala cinco idiomas. É um homem com grande visão universal dos problemas políticos. Eu o conheci na época em que ele era coronel. Fez escola para general onde sou professor há 31 anos. É profundamente democrata. Poucos sabem disso. Ele é patriota, dedicado à Nação, mas acredito que se o presidente conseguir controlar essas estridências, ele poderá levar seu governo até o final. Conheço o Exército muito bem. Os generais são todos democratas e não fariam nada fora da lei. Não acredito em movimento a favor de Mourão nas casernas. A única possibilidade do impeachment seria partindo dos políticos e não vejo condições para isso.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, está tomando medidas adequadas que permitirão enfrentarem a pandemia?
Está indo bem. Vi o depoimento de diversos economistas no jornal “O Estado de S. Paulo”, mas nenhum deles apresenta soluções. A retomada da crise vai ser muito difícil. As empresas não vão ter capitais e o governo vai ter que amparar as pessoas socialmente mais desprotegidas. Como ter investimentos se não haverá dinheiro? Aí surgem alguns parlamentares que falam em imposto sobre grandes fortunas. Mas como pagar esse imposto se as empresas vão ter que sustentar os empregados mesmo sem trabalhar e gerar produção? Como elas vão pagar os empréstimos que terão que fazer agora? O governo vai ter que encontrar caminhos para sair desse impasse. O Paulo Guedes está tomando medidas competentes, mas não vai ser fácil. Ou o governo vai tirar dinheiro da sociedade ou terá que emitir dinheiro, com conseqüências na inflação. Estamos diante de um problema tão grave que leva o presidente a priorizar em seus discursos a recuperação econômica, quando, na verdade, ele deveria pelo menos esperar passar o pico da crise para fazer isso.
Recentemente, o presidente estimulou seus aliados a pedirem o fechamento do Congresso e do STF. O senhor acha que foi uma atitude irresponsável e que poderia provocar uma ruptura institucional?
Mas ele mesmo desautorizou depois a manifestação. O artigo 2º da Constituição prevê a harmonia e a independência dos Poderes. Nenhum Poder pode interferir no outro. Tanto assim que o presidente Bolsonaro vinha mantendo um bom relacionamento com o ministro Dias Toffoli (STF). Eu tenho a impressão de que essa linha de fechar o Congresso e o Supremo é uma mentalidade antidemocrática. É fundamental que os Três Poderes sejam harmônicos e independentes. Uma interferência de um sobre o outro provoca trepidação na democracia.
Essas declarações de Bolsonaro contra o Congresso podem atrasar ainda mais as reformas necessárias para a retomada da economia, sobretudo após o coronavírus?
Temos que partir do seguinte. Todas as reformas, como a tributária e a administrativa, serão paralisadas. Quando derrotarmos o coronavírus, todos os projetos serão no sentido da recuperação econômica. As reformas como a tributária e administrativa são para serem analisadas em tempos de paz e nós vamos estar em um tempo de pós-guerra. Como vamos financiar, como vamos ter crédito? Vamos ou não vamos emitir dinheiro? Vamos controlar a inflação ou vamos taxar a sociedade para não emitir dinheiro? Como vamos pedir apoio internacional, em um momento em que todas as nações também estarão destroçadas? Tudo isso teremos que analisar depois do pós-guerra, pois o problema social do País vai se agravar muito.
Dentro do que o senhor chama de estridência do presidente, sabemos que ele é muito influenciado pelo radicalismo dos filhos, como Carlos Bolsonaro, que dirige o gabinete do ódio. O senhor acha que os filhos atrapalham o presidente?
Eu não conheço os filhos do presidente. E com Bolsonaro só falei uma vez por telefone. Agora, indiscutivelmente ele tem ministros de altíssimo nível. Os ministros da Infraestrutura (Tarcísio de Freitas), ministra da Agricultura (Tereza Cristina), ministro da Economia (Paulo Guedes), ministro da Justiça (Sergio Moro), ministro da Saúde (Luiz Henrique Mandetta). O general Ramos é outro excepcional quadro, assim como o general Mourão. Todos estão ao lado dele, nomeados por ele. Bolsonaro deveria dar mais ouvidos a esses ministros do que aos filhos, que nem oficialmente estão no governo.
Diante da crise política e da pandemia, o senhor acha que as eleições de outubro devam ser adiadas?
Acho que elas já estão adiadas. Tóquio também disse que não adiaria as Olimpíadas de julho e adiou. O pico da crise do coronavírus começará a cair no final de agosto ou começo de setembro. Como é que poderemos ter eleições em outubro? Apesar dos ministros do TSE dizerem que ainda é prematuro falar em adiamento, não há a menor condição de termos eleições. Como vamos realizar convenções e comícios? Para mim, devemos prorrogar os mandatos dos atuais prefeitos para 2022 e realizarmos eleições gerais para todos os cargos de uma vez só. As nossas urnas eleitorais são rápidas e haverá, inclusive, menos gastos com campanhas eleitorais.
FONTE: Germano Oliveira/Edição 03/04/2020 - nº 2621 acesso às 22h do dia 05/04/2020
A rainha Elizabeth II agradeceu neste domingo 05 às equipes sanitárias que trabalham sem trégua no combate à pandemia do novo coronavírus, e aos britânicos que ficam em casa para conter a propagação da doença.
“Quero agradecer a todos os que estão na linha de frente” dos serviços de saúde pública e “a todo o pessoal sanitário” em geral, destacou a rainha, de 93 anos, em uma mensagem à nação considerada histórica.
Certa de que os britânicos “vencerão” a Covid-19, Elizabeth II agradeceu também aos cidadãos “que ficam em casa e protegem, assim, os mais vulneráveis” do país, onde o coronavírus já matou quase 5.000 pessoas.
Neste raro discurso televisionado dirigido à Grã-Bretanha e aos países da Commonwealth, a rainha lembrou suas experiências durante a II Guerra Mundial, oferecendo uma mensagem de esperança a pessoas forçadas a se manter afastadas de familiares e amigos. A rainha lembrou de sua primeira transmissão, em 1940, quando ao lado da irmã, a princesa Margaret, dirigiu-se às crianças afastadas de suas famílias. As irmãs foram mandadas para Windsor por segurança enquanto Londres era bombardeada.
A transmissão ocorre em um momento em que bilhões de pessoas ao redor do mundo são forçadas a permanecer em casa para conter a transmissão do vírus. A monarca e seu marido, o príncipe Philip, de 98 anos, estão no Castelo de Windsor, no oeste de Londres, preventivamente desde 19 de março, enquanto o número de mortes e de contágios aumentam em território britânico.
A Grã-Bretanha tem atualmente 47.806 casos hospitalares confirmados e 4.934 mortes. Seu próprio filho, o príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, assim como o premiê, Boris Johnson, contraíram o vírus. A rainha alertou que a situação pode persistir, mas o surto será derrotado através do esforço coletivo e do “empenho comum”, incluindo a cooperação científica. “Vamos ter sucesso – e este sucesso pertencerá a todos nós”, disse a rainha.
A mensagem, a quarta em um momento de crise em seus 68 anos de reinado, foi gravada em Windsor com um único operador de câmera vestido com roupas de proteção como medida de precaução. Ela agradeceu pessoalmente aos profissionais na linha de frente no Serviço Nacional de Saúde (NHS), cuidadores e outros trabalhadores-chave por desempenharem, “altruisticamente”, funções essenciais.
A transmissão exibiu imagens de médicos e enfermeiros, trabalhadores de entrega e militares que ajudam na construção de um novo hospital de campanha com 4 mil leitos em Londres. Também mostrou pessoas aplaudido estes profissionais de suas casas.
A rainha disse que as pessoas na Grã-Bretanha e ao redor do mundo podem se sentir orgulhosas de sua resposta comunitária à pandemia. “Juntos vamos vencer esta doença e eu quero reassegurá-los de que se nos mantivermos unidos e decididos, vamos superá-la”, acrescentou.
Ela lembrou também da cantora britânica da época da Segunda Guerra Vera Lynn, cuja canção, “We’ll Meet Again”, se tornou um hino para aqueles que combatiam no exterior, distantes de seus entes queridos.
Depois de ironizar os chineses com a pronúncia do Cebolinha, da Turma da Mônica o ministro da Educação, Abraham Weintraub, voltou a cutucar o país asiático durante uma live de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), na tarde deste domingo.
Segundo o ministro, existe uma grande probabilidade de outra epidemia surgir na China nos próximos dez anos, porque segundo ele a população, diferente dos brasileiros, come “tudo que o sol ilumina”. “Eu discordo de você que este é o vírus chinês. É um vírus chinês”, disse Weintraub ao filho do presidente Jair Bolsonaro, que se envolveu em uma crise diplomática por fazer tal afirmação e foi duramente criticado pelo embaixador da China no Brasil. “Eu até fui estudar isso no passado porque afeta o mercado financeiro”, disse o ministro, afirmando que nos últimos anos existiram quatro epidemias, todas vindas do país.
Segundo o titular da pasta da educação, quando um parasita vem de outra espécie animal se torna mais forte e pelo fato de na China os bichos ficarem em contato com os humanos acabam contribuindo para o surgimentos das epidemias. “Isso que você vê no YouTube não é fantasia, é realidade. Quando você entra em um mercado de Hong Kong, tem um monte de bicho vivo”, disse.
O ministro contou ainda que estudou no país asiático e que seus amigos explicaram a cultura eos hábitos alimentares locais. “A gente come tudo o que o sol ilumina. E às vezes, o que o sol não ilumina, também come”, narrou Weintraub, destacando que no Brasil é diferente. "Porco, aqui, a gente cria no chiqueiro. A população está quase toda urbanizada. Não cria frango e porco em casa”, comparou.