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terça-feira, 9 de junho de 2020

Em Videoconferência: TV católica desautoriza padre que tratou de verba com Bolsonaro

BRASÍLIA - Uma das principais emissoras de inspiração católica no País, a TV Pai Eterno desautorizou o pedido de ajuda em forma de verbas publicitárias feito por um de seus padres-apresentadores ao presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de uma oferta para apresentar notícias positivas sobre ações do governo. O episódio, revelado pelo Estadão, repercutiu mal na Igreja e agravou a divisão interna entre a ala conservadora, mais simpática ao presidente, e os considerados progressistas, críticos a Bolsonaro.
O missionário redentorista Welinton Silva apelou ao presidente citando que a TV Pai Eterno passa por "dificuldades" de arrecadação e que o segmento católico de comunicação como um todo tem ficado "esquecido". "A nossa realidade é muito difícil e desafiante, porque trabalhamos com pequenas doações, com baixa comercialização, e dentro dessa dificuldade estamos precisando mesmo de um apoio maior por parte do governo para que possamos continuar comunicando a boa notícia, levando ao conhecimento da população católica, ampla maioria desse País, aquilo de bom que o governo pode estar realizando e fazendo pelo nosso povo", disse presbítero. "Esse é um segmento que tem ficado esquecido, que é o segmento de comunicação católico. Precisamos ter mais atenção para que esses microfones não sejam desligados, para que essas câmeras não se fechem."
bolsonaro
Reunião. Presidente Jair Bolsonaro em videoconferência com representantes religiosos, empresários e parlamentares Foto: Reprodução / Youtube Presidência da República
A TV Pai Eterno disse que o padre Welinton Silva, apresentador que participou em 21 de maio de videoconferência com Bolsonaro, havia recebido um convite pessoal do líder do governo na Câmara dos Deputados, major Vitor Hugo (PSL-GO). Por isso, a emissora considera que o encontro era "informal" entre o presidente, a Frente Parlamentar Católica e convidados da Igreja.
Em verdade, o encontro virtual era uma agenda pública oficial do presidente, transmitida pela Presidência da República, e o padre Welinton Silva disse representar a TV Pai Eterno. Além disso, parlamentares também o citaram como representante da TV.
"Na ocasião, a participação do Pe. Welinton se deu, unicamente, enquanto religioso e comunicador, já que é jornalista e, atualmente, faz parte também do quadro de colaboradores da TV. Mesmo que ele tenha referenciado sua participação como representativa, afirmamos que ele não estava representando a emissora. A TV Pai Eterno não recebeu convite e nem enviou nenhum representante com pauta específica para a videoconferência", disse a TV, em nota divulgada neste domingo, dia 7. "Percebemos que o Pe. Welinton fez uso de seu livre direito de expressão não representativa, mesmo tendo afirmado de forma diferente, para manifestar seu pensamento do modo que considerou apropriado."
No ar desde 2019, a TV Pai Eterno é ligada ao santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), sendo a mais nova das geradoras de conteúdo católicas. O padre Welinton convidou Bolsonaro para visitar o local. A TV e o santuário são iniciativas dos missionários redentoristas, que também mantêm a TV Aparecida, e haviam manifestado "desconforto e discordância". A Comissão de Mídias Redentoristas afirmou que a oferta dos padres e leigos católicos a Bolsonaro era um "atentado à unidade da Igreja" e "falta de compromisso com o Evangelho".
"A TV Pai Eterno nunca fez e não faz barganhas", disse a emissora, em nota que repete as palavras usadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reproduzidas pelo veículo oficial do Vaticano. A emissora disse trabalhar em comunhão com a CNBB e a Signis Brasil, rede católica que congrega veículos de comunicação.
CNBB se disse "indignada" com a conversa entre Bolsonaro, deputados de Frente Parlamentar Católica e representantes de emissoras, entre eles sacerdotes e leigos. A entidade dos bispos brasileiros, que não participou do encontro, afirmou que a Igreja não faz "barganha".
Estadão apurou que as verbas estatais, de diversas esferas de governo, são uma importante fonte de receita para veículos de comunicação de cunho religioso, que recebem doações de fiéis e têm poucas inserções de propaganda comercial. Um exemplo é o da Rede Vida, uma das maiores emissoras comerciais de viés católico no Brasil. Segundo seu presidente, o empresário João Monteiro de Barros Neto, a publicidade federal caiu 85% no governo Bolsonaro. A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus agravou o desfalque no caixa.
Na reunião presidencial, também houve pedidos para liberar mais outorgas para rádios e TVs da rede católica, por parte do padre Reginaldo Manzotti, da Tv Evangelizar. Ele sugeriu que os veículos católicos poderiam "estar juntos" do presidente, no momento que que o governo sofre exposição "negativa" na imprensa.

Procurados pelo Estadão por mais de uma vez, a TV Pai Eterno e o padre Welinton Silva não responderam, tampouco o padre Reginaldo Manzotti. O líder do governo e a Presidência da República não retornaram os contatos da reportagem.
fonte:Estadão - 09/06/2020- 10h:16min.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Covid-19: Aumenta números de casos confirmados na região de Irecê

João Dourado/BA: Mais um homicídio é registrado pela polícia ...
A cidade de João Dourado é líder em números de casos confirmados na região de Irecê. foto:Chapada News/reprodução
Na última semana do mês passado e a primeira semana desse mês, apresentou um aumento considerável de casos POSITIVOS para municípios da região de Irecê.  Cidades que não haviam apresentados casos, registrou-se dois, três casos juntos.  O exemplo foi a cidade de São Gabriel com três e hoje(8) a pequena  cidade de Gentio do Ouro com dois casos.
A principal cidade da região, Irecê registrou hoje(8) mais 06 casos, totalizando 25 desde o início da pandemia.
Gentio do Ouro:

 Através da Secretaria Municipal de Saúde, seguindo o protocolo de prevenção e a política de transparência da gestão, informa que hoje foram realizados 4 testes rápidos para COVID-19 e 2(dois) destes testaram POSITIVO.
Nenhuma descrição de foto disponível.

















Se tratam de 2(duas) pessoas vindas de São Paulo-SP. Os mesmos permanecem em bom estado de saúde e seguem em completo isolamento domiciliar, sendo acompanhados pela equipe de saúde de referência e sob monitoramento da Vigilância Epidemiológica e Atenção Básica.
 A cidade de Gentio tem uma população estimada de quase 11 mil habitantes.

Demais cidades:
Barra do Mendes: 02  
Canarana: 14
Ibipeba: 06
João Dourado: 49
Lapão: 02
Mulungu do Morro: 03
Presidente Dutra: 10
Xique-Xique: 23

As cidades acima registram casos recuperados e a única que registrou um óbito foi Mulungu do Morro.








Militares da Saúde pressionam técnicos a 'maquiarem' dados da Covid-19, diz coluna

Militares da Saúde pressionam técnicos a 'maquiarem' dados da Covid-19, diz coluna
Foto: Divulgação
Os dados de mortes confirmadas pela Covid-19 no Brasil sofreram, nos últimos dias, uma tentativa de modificação na forma como são divulgados. De acordo com a coluna de Fábio Murakawa, na Valor Econômico, militares que ocupam postos chave no Ministério da Saúde estão pressionando os técnicos da pasta a "maquiarem" as informações sobre os números de casos registrados pelo coronavírus no Brasil e os óbitos decorrentes da doença.

No último domingo (7), o ministério inicialmente divulgou que o país tinha contabilizado 1.382 mortes no dia. Em seguida, a plataforma oficial indicou 525 óbitos nas últimas 24 horas. Uma diferença de 857 pessoas.

A mudança no método, de acordo com a coluna, é uma sugestão do empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, e seguidor ferrenho do governo Bolsonaro. A ideia é publicar apenas as mortes que ocorreram por Covid-19 no dia da divulgação dos dados. Atualmente, o Ministério contabiliza também mortes que ocorreram antes, mas que foram confirmadas como causadas pelo coronavírus naquele dia.

A coluna ainda aponta que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também vem sendo pressionada. A Agência produz relatórios usados para consumo interno do Centro de Coordenação de Operações da Casa Civil, que é um grupo de funcionários de vários ministérios que atua no Palácio do Planalto. Informações do site Bahia Notícias.

Documentos vazados mostram que ABIN pediu ao SERPRO dados e fotos de todas as CNHs do país, diz Intercept

Espiões terão acesso a um catálogo com informações de um terço da população. Especialistas temem uso autoritário do banco.
foto:reprodução
A ABIN, Agência Brasileira de Inteligência, quer colocar as mãos em dados e fotografias dos mais de 76 milhões de cidadãos que possuem uma carteira nacional de habilitação, a CNH. O Intercept teve acesso a documentos de pessoas envolvidas na negociação que mostram que a Abin pediu ao Serpro, empresa pública de processamento de dados, um banco de informações colossal. Os dados incluem nomes, filiação, endereços, telefones, dados dos veículos e fotos de todo portador da CNH.
Segundo o material, havia em novembro passado mais de 76 milhões de carteiras no país (o equivalente a 36% da população), e 1,5 milhão de novos documentos são emitidos todo mês. Por esse motivo, a agência exige que os dados sejam atualizados mensalmente.
A Abin existe para municiar o presidente da República com “informações nos assuntos de interesse nacional”, de acordo com seu estatuto. Ou seja: vasculhar dados das CNHs de milhões de brasileiros não é papel da Abin. Dois ex-ministros de correntes políticas distintas com quem conversamos consideram o pedido “coisa de regime autoritário”.
Os documentos, datados entre os últimos meses e entregues ao Intercept por uma fonte anônima, detalham as informações requisitadas pela agência de espionagem: nome, filiação, CPF, endereço, telefones, foto, dados dos veículos (inclusive com nomes de proprietários anteriores, situação e procedência) de cada cidadão habilitado a dirigir.
O Intercept decidiu não publicar os documentos e ocultar detalhes do conteúdo para proteger a fonte.
Os dados serão extraídos de um sistema conhecido por Renach, o Banco de Imagens do Registro Nacional de Condutores Habilitados, que é de responsabilidade do Denatran, o Departamento Nacional de Trânsito. Ao lado do CPF, a CNH é o único documento de identificação de cidadãos armazenado nacionalmente – com a vantagem de trazer a foto do portador. A carteira de identidade, por exemplo, é emitida pelos estados, com dados que se repetem – e uma mesma pessoa pode obter o documento em mais de um estado.
Os funcionários envolvidos na transação entre os dois órgãos estimam que, no primeiro mês, mais de 75 milhões de registros seriam enviados para a agência de espionagem. Depois, mensalmente, a base seria atualizada com mais 1,5 milhão de registros. O projeto começaria em maio de 2020 e teria a duração de um ano, a um custo de pouco mais de R$ 330 mil. No Serpro, o projeto recebeu um código interno específico: 11797 (Abin – Extração Denatran).


Precisamos de você para continuar produzindo
O Serpro é a empresa pública responsável por gerir sistemas e informações. É relativamente comum que outros órgãos governamentais encomendem dados a ele. Em 2018, o Serpro tinha 21 contratos para compartilhamento de arquivos com outras instituições públicas. Mas, justamente por sua natureza, a Abin não faz parte do rol habitual de clientes, de acordo com uma fonte que pediu para não ser identificada por temer represálias.
Solicitamos à Abin uma explicação. A agência não negou a transação. “A obtenção, a integração e o compartilhamento de bases de dados são essenciais para o funcionamento da atividade de inteligência”, justificou o órgão. A resposta foi enviada pela assessoria do Gabinete de Segurança Institucional, o GSI, a quem a Abin é subordinada. “O compartilhamento de dados obedece a decreto 10.046/2019 sobre a governança no compartilhamento de dados no âmbito da administração pública federal e estabelece as normas e as diretrizes para o compartilhamento de dados, de forma legal, entre os órgãos e as entidades da administração pública federal”, argumentou o GSI.
‘Acende a luz amarela, no mínimo’.
O decreto citado, porém, não menciona atividades de inteligência. Em vez disso, o documento autoriza o compartilhamento para “simplificar a oferta de serviços públicos; orientar e otimizar a formulação, a implementação, a avaliação e o monitoramento de políticas públicas; possibilitar a análise das condições de acesso e manutenção de benefícios sociais e fiscais; promover a melhoria da qualidade e da fidedignidade dos dados custodiados pela administração pública federal; e aumentar a qualidade e a eficiência das operações internas da administração pública federal”. É difícil enxergar onde esteja autorizado o uso deles para fins de espionagem. Perguntamos isso ao GSI – e ficamos sem resposta.
Já o Serpro afirmou que, “por força da lei e dos contratos firmados”, não pode se manifestar sobre serviços e demandas dos clientes. Também disse que observa a Lei Geral de Proteção de Dados, “cuja estrita observância em nenhuma medida atenta contra o sigilo de dados de quem quer que seja”. Só que a lei ainda não está em vigor.
Também questionamos o Denatran sobre o descaso com a privacidade dos brasileiros que possuem CNH. O órgão, subordinado ao Ministério da Infraestrutura, comandado por Tarcísio Gomes de Freitas, sequer respondeu à consulta feita por e-mail.
“Esse caso, pelo volume de informações, chama atenção. Eu me pergunto qual é o interesse estratégico para inteligência nacional você fazer vigilância massiva”, questiona o advogado Danilo Doneda, doutor em Direito Civil e membro indicado pela Câmara dos Deputados para o Conselho Nacional de Proteção de Dados e Privacidade. “O que chama a atenção agora é que é um momento de politização exacerbada dos órgãos de estado. Há um receio latente de informações pessoais sendo usadas para fins não republicanos. Acende a luz amarela, no mínimo”.
Para o advogado, o esquema montado pela Abin remete ao escândalo de espionagem da NSA, a agência de segurança digital dos EUA, que usou um sistema massivo de vigilância para fins obscuros e, muitas vezes, privados. O caso foi revelado pelo analista de segurança Edward Snowden.

Processo de espionagem

O esquema de vigilância da Abin parece estar sendo articulado há meses. Em novembro do ano passado, Rolando Alexandre de Souza, então secretário de Planejamento da agência de espionagem e atual diretor-geral da Polícia Federal, esteve em reunião com cinco funcionários do Serpro. Estava acompanhado por Rodrigo Teperino, diretor da Abin. Servidores do Serpro que participaram desse encontro são mencionados nos documentos a que o Intercept teve acesso.
Agenda oficial do Serpro mostra reunião com representantes da Abin em novembro de 2019.
A Abin é comandada por Alexandre Ramagem, um delegado da Polícia Federal licenciado que é amigo dos filhos de Jair Bolsonaro. O presidente de extrema direita tentou fazer de Ramagem o diretor-geral da Polícia Federal após a demissão de Maurício Valeixo, mas foi barrado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O caso foi denunciado pelo ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro e levantou a suspeita de que Bolsonaro estava interessado em colocar um amigo na PF para barrar investigações contra aliados e seus filhos, além de perseguir inimigos políticos. A própria Polícia Federal, além da Procuradoria Geral da República, investigam o caso num inquérito supervisionado pelo ministro da suprema corte Celso de Mello. A solução de Bolsonaro foi, então, nomear Rolando Alexandre de Souza, homem de confiança de Ramagem, que esteve presente à reunião de novembro com o Serpro.
A troca de dados se tornou comum entre órgãos de segurança pública, ao custo da privacidade do cidadão. Bolsonaro criou em outubro passado, por exemplo, o que pretende que seja um cadastro base de cidadãos, a ser alimentado inicialmente com dezenas de dados de brasileiros.
‘Esse pedido indiscriminado por dados de cidadãos é típico de um estado totalitário’.
Mas a Abin não é um órgão de segurança pública. Faz parte do Sistema Brasileiro de Inteligência, criado em 1999 para “fornecer subsídios ao presidente da República nos assuntos de interesse nacional”, com a ressalva de que deve “cumprir e preservar os direitos e garantias individuais e demais dispositivos da Constituição Federal”.
estratégia nacional de inteligência, que orienta as ações da agência e cuja versão mais atual é de 2017, ainda durante o governo de Michel Temer, determina “comportamentos e ações que respeitam a dignidade do indivíduo e os interesses coletivos” – o que não parece ser o caso da captura massiva dados de milhões de cidadãos, sem motivo determinado, por uma agência de espionagem.
Na já famosa reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro reclamou das informações de inteligência e disse ter seu próprio sistema, “particular”, sinalizando a intenção de ter acesso a mais dados que os autorizados por lei. “O meu, particular, funciona. Os ofi… que tem oficialmente, desinforma [sic]. Prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho”, afirmou, entre palavrões.
Alguns documentos da transação entre Abin e Serpro foram produzidos dias após a reunião ministerial. Perguntamos a Sergio Moro se estava a par do pedido da agência ao Serpro. Ele disse que nunca teve conhecimento. Instado a comentar a natureza do pedido, ele se calou.
“Esse pedido indiscriminado por dados de cidadãos é típico de um estado totalitário”, espantou-se o ex-ministro da Justiça Tarso Genro, que criou os primeiros sistemas de compartilhamento de dados de criminosos do país. “Não tem nada a ver com segurança nacional, é um processo de espionagem, uma derivação anômala da função da inteligência”.
Espiões da agência têm sido escalados para monitorar desafetos do presidente.
“Teria que haver uma ordem judicial [para o repasse dos dados]. Sem isso, é ilegal, basta olhar o artigo quinto [da Constituição]”, nos disse um ex-ministro de Temer, que pediu para não ser identificado. “E para que a Abin quer isso?”, questionou.
O órgão de espionagem, vale lembrar, é subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional, comandado pelo ex-general Augusto Heleno – que recentemente deu declarações dizendo que interferências do Supremo Tribunal Federal poderiam criar “consequências imprevisíveis” para a democracia brasileira.
Sob Bolsonaro, a Abin tem orçamento recorde – R$ 674 milhões em 2020 – e tem se comportado como um órgão de inteligência a serviço do bolsonarismo, e não do estado. Espiões da agência têm sido escalados para monitorar desafetos do presidente, como o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, e chegaram até a se infiltrar na Universidade de Brasília para acompanhar de perto o movimento de professores e estudantes.
Não parece o suficiente para dar conta da paranoia presidencial. Segundo o jornalista José Casado, de O Globo, além dos 42 servidores habituais de espionagem que tem a disposição, Bolsonaro decidiu aprimorar a cooperação dos núcleos de investigações das polícias militares, conhecidos como P-2. Fez isso em 28 de maio – apenas 48 horas após a ação do Supremo contra 25 suspeitos no inquérito das fake news — entre eles, empresários, parlamentares e o ex-deputado Roberto Jefferson.
Todo esse pessoal poderá ganhar acesso a um catálogo mensalmente atualizado de quase 80 milhões de brasileiros, com fotos e dados pessoais, para fins de espionagem. Nenhum cidadão foi avisado de que as informações, entregues ao estado em troca do direito a dirigir veículos, poderiam ser cedidas para o órgão de vigilância.
Por ser um órgão de inteligência, a Abin está sujeita a um regime especial para requisição de informações. Isso não significa, no entanto, que ela esteja livre de fiscalização. A comissão mista do Congresso Nacional para controle das atividades de inteligência, em tese, deveria supervisionar as atividades da agência de espionagem. Ela se reuniu pela última vez em outubro passado, produzindo uma lacônica ata de uma lauda em formato A4. Deveria ter voltado a se encontrar em março, mas o encontro foi cancelado por causa da pandemia do novo coronavírus.
“As comissões não estão funcionando por causa disso”, lamentou na sexta, 5, o presidente da comissão, o senador Nelson Trad Filho, do PSD do Mato Grosso do Sul (o vice é o deputado Eduardo Bolsonaro, do PSL paulista, o filho 03 de Jair). Quanto questionado sobre o pedido feito pela Abin ao Serpro, ele mostrou surpresa. “Estou sabendo disso por vocês”, falou ao Intercept. Tendo em vista o avanço da espionagem sobre a privacidade dos brasileiros, seria bom que a comissão voltasse a trabalhar logo. E fizesse jus ao nome que tem.
fonte:Intercept Brasil - 08/06/2020 -19h:41min.

Bahia registra quase 29 mil casos confirmados e 910 óbitos pela Covid-19 nesta segunda

imagem:reprodução
A Bahia registra 28.715 casos confirmados de coronavírus (Covid-19), o que representa 19,09% do total de notificações no estado. O boletim epidemiológico ainda contabiliza 12.406 pessoas recuperadas, 910 óbitos e 15.399 indivíduos monitorados pela vigilância epidemiológica e com sintomas da Covid-19, o que são chamados de casos ativos.
Os casos confirmados ocorreram em 341 municípios do estado, com maior proporção em Salvador (56,99%). Os municípios com os maiores coeficientes de incidência por 1.000.000 habitantes foram Ipiaú (7.673,36), Itajuípe (7.173,88), Uruçuca (6.774,21), Urandi (5.823,03) e Salvador (5.650,78).
O boletim epidemiológico contabiliza ainda 45.274 casos descartados e 76.423 em investigação. Estes dados representam notificações oficiais compiladas pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA), em conjunto com os Cievs municipais e as bases de dados do Ministério da Saúde até as 16 horas desta segunda-feira (8).
Na Bahia, 4.129 profissionais da saúde foram confirmados para Covid-19. Para acessar o boletim completo, clique aqui.

fonte:Sesab-Ba, c/adaptações 08/06/2020

OAB vai ao STF contra omissão de dados da Covid-19: "é manipulação proposital"

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(Foto 1: Marcos Corrêa/PR - Foto 2: Divulgação)
Do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz:
A OAB irá ao STF, contra a omissão de dados sobre a pandemia, por parte do governo federal. É uma ocultação proposital, injustificada e danosa. Os dados estão sendo manipulados diariamente para dificultar a interpretação. O governo e o Covid trabalhando lado a lado contra o país.
— Felipe Santa Cruz (@felipeoabrj) June 8, 2020


fonte:Conversa Afiada c/adaptações 08/06/2020 

Brasil é destaque no mundo por esconder dados de mortes por covid-19

Jornal britânico The Guardian disse que governo brasileiro foi acusado de `totalitarismo e censura` ao mudar metodologia de números de covid-19

© Reprodução/Guardian Jornal britânico The Guardian disse que governo brasileiro foi acusado de `totalitarismo e censura` ao mudar metodologia de números de covid-19



A decisão do Ministério da Saúde de mudar a forma de divulgar os dados sobre a covid-19 no Brasil gerou repercussão internacional, com os principais jornais do mundo destacando negativamente as mudanças.
Com o título "Bolsonaro esconde número de mortes e total de casos por coronavírus no Brasil", o jornal britânico The Guardian chamou a iniciativa do governo brasileiro de "movimento extraordinário que os críticos chamam de tentativa de esconder o verdadeiro número de vítimas da doença".
A reportagem, publicada na versão eletrônica do diário no domingo (7 de junho), lembra que a decisão ocorre "após meses de críticas de especialistas que dizem que as estatísticas do Brasil são terrivelmente deficientes e, em alguns casos, manipuladas, o que significa que talvez nunca seja possível obter uma compreensão real da profundidade da pandemia no país".

No fim do dia, o Guardian publicou nova reportagem, dessa vez com o título "Brasil deixa de divulgar número de mortos por Covid-19 e apaga dados do site oficial". Nela, o repórter Dom Phillips, correspondente do jornal no Rio de Janeiro, ressalta que o governo brasileiro foi acusado de "totalitarismo e censura" pela nova metodologia.
"Brasil acusado de ocultar dados sobre crise de coronavírus" foi a manchete do também britânico Financial Times. O jornal descreve Bolsonaro como "presidente de extrema direita", que "há muito tempo é acusado de subestimar a gravidade do surto, levando ao despedimento de um ministro da saúde e à demissão de outro, e à nomeação de um general sem experiência em saúde pública para substituí-los".
O americano The Washington Post foi na mesma linha, com a manchete "À medida que as mortes por coronavírus no Brasil aumentam, Bolsonaro limita a divulgação de dados". De acordo com o jornal, um dos mais influentes dos Estados Unidos, "a retirada repentina dos dados acumulados provocou uma avalanche de críticas quando as pessoas nas cidades retornaram às suas varandas para bater em panelas e detratores sugeriram que o governo federal estava tentando ocultar a gravidade de uma crise de saúde pública que pouco fez para resolver".
Já a rede de TV americana ABC News reproduziu texto da agência internacional de notícias Associated Press dizendo que o Brasil eliminou dados do total de mortos pela Covid-19 e deixou especialistas perplexos.
Influente no mundo árabe, a emissora Al Jazeera publicou reportagem em seu site com o título "Brasil deixa de publicar números de coronavírus".

Balanços incompletos

Desde a última sexta-feira, o governo passou a informar somente o número de casos e mortos registrados nas últimas 24 horas (e não o total), omitindo do site informações do acumulado de casos, além do detalhamento por Estados.
Mas, após forte pressão de políticos, especialistas e integrantes do Judiciário, deu sinais de recuo e prometeu retomar a divulgação detalhada do impacto da doença.
O Ministério Público Federal chegou a instaurar procedimento para averiguar o caso e deu um prazo de 72 horas para que o ministro interino, Eduardo Pazuello, apresentasse explicações.
Na noite de domingo, o Ministério da Saúde divulgou duas notas informando que está finalizando uma plataforma com números detalhados da pandemia.
Na última delas, a pasta voltou a falar em problemas técnicos e se comprometeu a divulgar os dados tendo como base a data da morte e não a data em que se confirmou que a pessoa morreu por coronavírus registrada pelas autoridades.
Até então, o balanço incluía todas as mortes cuja confirmação da doença havia ocorrido nas 24 horas anteriores, ou seja, abrangia também casos de óbitos antigos, cuja confirmação de infecção do novo coronavírus apenas se deu dentro desse prazo.
O Ministério da Saúde também informou que vai deixar acessível para consulta o acumulado de casos, após preocupações de que aqueles cuja confirmação atrasasse sumissem dos registros oficiais.
Segundo o governo, a nova plataforma vai mostrar dados do Brasil, de regiões, Estados, capitais e regiões metropolitanas "com os respectivos gráficos de evolução diária dos novos registros".
Essa página interativa seria colocada no ar nos próximos dias, acrescentou o Ministério da Saúde no domingo.
"O Ministério da Saúde está finalizando a adequação da divulgação e ferramentas de informação sobre casos e óbitos de Covid-19. Neste domingo (7), poderão ser conferidos os extratos da plataforma em desenvolvimento referentes ao Brasil, regiões nacionais, estados, capitais/regiões metropolitanas, com os respectivos gráficos de evolução diária dos novos registros", disse o órgão, em nota.
O comunicado acrescenta que "o objetivo é que, nos próximos dias, estejam disponíveis em uma página interativa que possa trazer os resultados desejados pelo usuário. Assim, será possível acompanhar com maior precisão a dinâmica da doença no país e ajustar as ações do poder público diante a cada momento da resposta brasileira à doença".
Brasil tem 3º maior número de mortos por covid-19 no mundo
© Reuters Brasil tem 3º maior número de mortos por covid-19 no mundo

Apesar disso, não houve informações sobre o horário em que as atualizações diárias vão ocorrer. Nos últimos dias, os números atualizados passaram a ser divulgados por volta das 22h, em vez de no fim da tarde.
Após a decisão do governo de mudar a forma de divulgados os dados da covid-19, o Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde) elaborou um painel próprio de informações, reunindo dados de contaminados e de óbitos em contagem paralela à do governo federal.

Confusão

Em meio à polêmica, dois dados divergentes foram divulgados em um intervalo de poucas horas no domingo.
Por volta de 20h30, o primeiro balanço do Ministério da Saúde informava que 1.382 mortes haviam sido registradas nas últimas 24 horas. O número seria um recorde para domingo, dia da semana normalmente com menos confirmações de casos.
Uma hora e meia depois, por volta das 22h, o número de óbitos confirmados caiu para 525, o que poderia indicar que a nova metodologia já estaria sendo usada.
O total de casos confirmados nas últimas 24 horas também apresentou discrepâncias. O primeiro número divulgado contabilizava 12.581 casos. O segundo, por sua vez, registrava 18.912 casos.
O Ministério da Saúde não apresentou explicações para a divergência entre os números.
fonte:Correio Braziliense - 08/06/2020 17h:51min.




Com concursos travados: Bolsonaro autoriza contratação de 522 militares no Exército


Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Bolsonaro e Gen. Heleno em solenidade com oficiais e recrutas -foto:Fernando Frazão/reprodução

O Ministério da Defesa governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) autorizou o Comando do Exército a contratar 522 profissionais para atuar temporariamente em grandes obras de infraestrutura comandadas pela área militar. A seleção ocorrerá por meio de processo seletivo simplificado, cuja data ainda não foi informada.
Segundo portaria publicada na edição do Diário Oficial da União desta segunda-feira (8), os futuros contratados serão lotados no Departamento de Engenharia e Construção e no Departamento de Ciência e Tecnologia, onde realizarão atividades relacionadas a projetos e obras de engenharia de construção, obras públicas de infraestrutura, atividades de mapeamento cartográfico terrestre, ações de logística e implantação de projetos estratégicos.
De acordo com a portara, os salários dos profissionais não serão superiores aos da remunerações já pagas a servidores que já desempenham função semelhante.
As despesas com as contratações serão desembolsadas com recursos do próprio Ministério da Defesa, pasta que no primeiro ano de governo Bolsonaro foi privilegiada com o maior reforço de orçamento —encerrou 2019 gastando R$ 6,3 bilhões a mais do que havia sido previsto inicialmente.
A autorização para a contratação na área militar se dá no mesmo momento em que os concursos públicos no país estão travados e categorias como a PRF (Polícia Rodoviária Federal) tentam emplacar um grupo de aprovados num certame de 2018.
Com o aporte bilionário, o Departamento de Engenharia do Exército se consolida como uma das maiores empreiteiras na lista de fornecedores da União. Essa injeção de recursos leva a críticas de empresas privadas.
Entre as obras a serem tocadas pelos militares estão trechos da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste Leste) entre os municípios baianos de Caetité, Ilhéus e Barreiras.
A ferrovia terá 485,4 km de extensão e prevê investimentos de R$ 2,7 bilhões. Informações da Redação do site Bahia.Ba.