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domingo, 3 de outubro de 2021

Ministro Paulo Guedes tem offshore milionária em paraíso fiscal

                                       

Presidente do BC Roberto Campos Neto também teve uma offshore mas fechou em outubro do ano passado

 imagem:reprodução


No dia 24 de setembro de 2014, com o mercado financeiro cada vez mais agitado diante da iminência da reeleição de Dilma Rousseff (PT), o Banco Central interveio para conter a alta do dólar. No dia seguinte, o economista Paulo Guedes, então sócio da Bozano Investimentos, uma gestora de recursos, tomou uma providência para manter parte da sua fortuna longe das turbulências da economia brasileira: fundou a Dreadnoughts International, uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe. Nos meses seguintes, Guedes aportaria US$ 9,54 milhões — o equivalente, hoje, a mais de R$ 50 milhões — na conta da offshore, numa agência do banco Crédit Suisse, em Nova York.

A abertura de uma offshore ou de contas no exterior não é ilegal, desde que o saldo mantido lá fora seja declarado à Receita Federal e ao Banco Central. Mas, no caso de servidores públicos, a situação é diferente. O artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, instituído em 2000, proíbe funcionários do alto escalão de manter aplicações financeiras, no Brasil ou no exterior, passíveis de ser afetadas por políticas governamentais. A proibição não se refere a toda e qualquer política oficial, mas àquelas sobre as quais “a autoridade pública tenha informações privilegiadas, em razão do cargo ou função”. Em janeiro de 2019, cinco anos depois de abrir a offshore e depositar US$ 9,54 milhões, Guedes virou o principal fiador do governo Bolsonaro e assumiu o cargo de ministro da Economia, sob cuja responsabilidade está um enorme leque de decisões capazes de afetar seus próprios investimentos no exterior.

As penas para quem infringe o artigo 5º variam de uma simples advertência à recomendação de demissão. Apesar do conflito de interesses em potencial, o ministro Paulo Guedes quis manter o controle da offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Em janeiro de 2019, assim que assumiu o ministério, ele diz ter informado à Comissão de Ética Pública, encarregada de julgar possíveis infrações ao código, que controlava uma offshore num paraíso fiscal. Em julgamento ocorrido em julho passado, o órgão, formado por sete conselheiros, não viu nenhuma irregularidade e arquivou o caso. A piauí pediu ao órgão a justificativa da decisão, mas recebeu como resposta que as informações contidas nos julgamentos são sigilosas “em face dos dados sensíveis que delas constam – inclusive fiscais e bancários”.

(Desde o início da gestão Bolsonaro, a Comissão de Ética tem sido criticada por ser leniente com comportamentos antiéticos por parte da cúpula do governo. Em maio de 2020, o conselheiro Erick Vidigal pediu demissão e divulgou uma carta com fortes críticas ao órgão. “Eu não entrei na Comissão de Ética para bater palma para governantes indecentes ou para perseguir desafetos do governo”, escreveu. Em 2019, último ano em que a comissão divulgou dados, apenas um servidor fora punido — com pena de advertência —, contra seis no ano anterior e 17 em 2017. “A comissão só trabalha de verdade na análise das quarentenas e em alguns casos de conflito de interesses. Quanto aos desvios éticos, adoram colocar panos quentes, especialmente quando se trata de ministros de Estado”, critica um ex-membro do órgão, que não quis se identificar para não se indispor com os atuais conselheiros.)

Já leu todas as reportagens do Pandora Papers? Clique aqui

proposta de reforma tributária apresentada pelo governo ao Congresso Nacional é um exemplo cabal de conflito de interesses. Por sugestão da Receita Federal, o projeto original da reforma previa a taxação de ganhos de capital no exterior, incluindo investimentos em paraísos fiscais — situação que, sabe-se agora, atingiria o ministro Guedes. A ideia, no entanto, acabou derrubada com a anuência do Ministério da Economia. Outro item da reforma, negociado e aprovado pela equipe econômica, reduz drasticamente a taxação sobre a repatriação de recursos. Hoje, a taxa não é um consenso, e sempre rende discussões judiciais, mas varia de 15% a 27,5%, a depender do volume de recursos. Pela proposta do governo, a alíquota, se aprovada, cairá para 6%.

É curioso que a tributação sobre ganhos de capital no exterior — incluindo os paraísos fiscais — é uma medida defendida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o chamado “clube dos ricos” ao qual tem se empenhado em aderir. O próprio Guedes faz lobby para que o Brasil seja aceito no clube. Os países membros da OCDE não são obrigados a adotar a taxação, mas a organização a recomenda desde 2014, como uma forma de coibir a evasão de divisas e, também, de reduzir a desigualdade social: se a parcela mais rica da população consegue driblar os impostos, quem não tem acesso às mesmas ferramentas acaba pagando mais taxas, o que causa a erosão da base tributária. O Brasil, no entanto, resiste em implementar a cobrança — como se viu, mais uma vez, na proposta de reforma tributária de agora.


É possível que Guedes estivesse envolvido nas negociações da reforma tributária com as melhores das intenções e, se tivesse atendido o disposto no Código de Conduta, não haveria qualquer sombra em torno de sua integridade. É justamente para evitar esse tipo de suspeita que o Código de Conduta foi elaborado. Mas, como Guedes preferiu outro caminho para manter seus negócios lá fora, a notícia da existência de sua offshore acaba deixando no ar a dúvida: se, no cumprimento de suas tarefas como ministro, ele está colocando seus interesses pessoais à frente dos interesses do país.

Examinando-se a montanha de documentos, descobre-se que o ministro Guedes está na companhia de ministros da Economia de outros três países: Gana, Cazaquistão e Paquistão. Eles também comandam as políticas econômicas de seus países, ao mesmo tempo em que mantêm recursos em paraísos fiscais, protegidos das intempéries econômicas internas. Em países desenvolvidos, uma notícia desse quilate costuma ter efeito explosivo. Em 2016, o escândalo dos Panama Papers, também uma investigação do ICIJ, pulverizou a carreira política do então primeiro-ministro David Cameron, do Reino Unido, ao revelar que ele era acionista de uma offshore criada por seu pai no Panamá. Cameron não escondera o negócio da Receita inglesa, mas a opinião pública não o perdoou pelo fato de manter dinheiro no exterior.

Até 28 de setembro de 2021 a Dreadnoughts International continuava ativa, com o ministro Guedes na condição de controlador da offshore. As informações constam de documentos sigilosos obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), organização que reúne mais de seiscentos profissionais e veículos de imprensa no mundo, entre eles a piauí. O conjunto dos documentos, batizado de Pandora Papers, reúne 11,9 milhões de papéis obtidos pelo consórcio junto a catorze escritórios especializados na abertura de offshores em diversos paraísos fiscais, mas o grosso das informações vem das Ilhas Virgens Britânicas. Entre os documentos estão certificados de acionistas em nome dos beneficiários, justificativas para a abertura das empresas, comprovantes de aportes de recursos e e-mails dos funcionários das empresas que se encarregaram da criação das offshores.

Gui Primola/Metrópoles
A offshore de Paulo Guedes se chama Dreadnoughts

No início da década de 1980, o economista Paulo Guedes ainda era um professor de classe média. Em 1983, fundou com o amigo Luiz Cezar Fernandes a corretora Pactual, que depois virou banco. Guedes costuma dizer que enriqueceu fazendo investimentos na esteira dos planos econômicos fracassados da época, elaborados para conter a inflação. À semelhança de outros ricos, o hoje ministro decidiu recorrer a offshores e, em setembro de 2014, abriu a Dreadnoughts Internacional em sociedade com sua filha, a empresária Paula Drumond Guedes, atualmente com 39 anos. Na ocasião, Guedes era sócio e presidente do conselho de administração da Bozano Investimentos. Ao criarem a companhia no paraíso fiscal caribenho, pai e filha — os únicos integrantes da empresa até então — subscreveram nela 50 mil ações de US$ 160 cada, o que totalizava US$ 8 milhões, depositados numa conta do Crédit Suisse em Nova York. “Subscrever”, no jargão financeiro, equivale a transferir dinheiro. “É como injetar recursos no capital social de uma empresa no Brasil”, compara Edison Fernandes, advogado tributarista e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Offshores são abertas em paraísos fiscais por assessorias especializadas na montagem e na gestão desse tipo de firma. No caso de Guedes, a assessoria responsável é a Trident Trust, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. As informações ali depositadas são ultraconfidenciais. Um documento da Dreadnoughts International informa que o registro da empresa “deve ser privado e não deve ser disponibilizado a qualquer pessoa que não seja o registrador […], a menos que a empresa decida de outra forma por meio de uma resolução devidamente aprovada pelos diretores”.

Em maio de 2015, Maria Cristina Bolívar Drumond Guedes, mulher de Guedes, também ingressou na offshore como acionista e diretora. Naquele mês, ela encaminhou a uma funcionária do Crédit Suisse em Nova York os documentos necessários para a sua entrada na companhia. “Olá, Angela”, escreveu Maria Cristina. “Segue cópia do passaporte e o comprovante de residência (conta telefone). Beijos.” Angela, por sua vez, remeteu os documentos para os escritórios da Trident Trust em Atlanta, nos Estados Unidos, e nas Ilhas Virgens Britânicas, que passaram a cuidar da burocracia envolvendo a nova acionista.

Ao longo de 2015, a família Guedes iria subscrever mais 9.687 ações na offshore, que somariam US$ 1,54 milhão e se juntariam aos US$ 8 milhões aportados anteriormente. Desde então, conforme os documentos obtidos pelo ICIJ, não houve novo aporte nem retirada de capital na empresa.

O ministro Paulo Guedes não é o único integrante da equipe econômica nos Pandora Papers. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também consta nos documentos como dono da Cor Assets S.A., uma offshore no Panamá, outro paraíso fiscal, situado na América Central. Campos Neto criou sua offshore em 2004, com um capital de US$ 1,09 milhão — o equivalente hoje a R$ 6 milhões — e continuava como controlador quando assumiu o posto no governo em fevereiro de 2019. À diferença de Guedes, ele fechou sua offshore em outubro do ano passado. Ainda assim, durante os 22 meses em que presidiu o BC na condição de dono da Cor Assets, Campos Neto poderia ser enquadrado no artigo 5º do Código de Conduta.

No cargo de presidente do BC, Campos Neto também tem acesso a dados estratégicos, como câmbio e taxas de juros, capazes de afetar seus investimentos lá fora. Em julho do ano passado, por exemplo, ele assinou uma portaria mudando as regras para a declaração de ativos no exterior. Até então, todo brasileiro que tivesse mais de US$ 100 mil lá fora tinha que informar o BC todos os anos. Com a portaria, esse valor subiu para US$ 1 milhão — uma mudança que, dizem os especialistas, reduziu a transparência dos investimentos de brasileiros no exterior. Não se sabe o volume de recursos que Campos Neto mantinha em sua offshore quando a fechou. Nos Pandora Papers, não aparece essa informação. Consultado pela piauí, ele não quis informar o valor.

O presidente do BC criou sua offshore quando trabalhava no banco Santander e, para tanto, usou os serviços do escritório Mossack Fonseca, o pivô do escândalo mundial dos Panama Papers. Em sua composição original, a Cor Assets tinha dois diretores (Campos Neto e sua mulher, a advogada Adriana Buccolo de Oliveira), um capital subscrito de US$ 10 mil e uma conta corrente no banco Safra em Luxemburgo, um paraíso fiscal na Europa. Num documento do Mossack Fonseca, o casal explicou que o objetivo da Cor Assets era receber “investimentos em ativos financeiros do Santander private bank”. Assim que o escritório no Panamá enviou a Luxemburgo os documentos para abrir a conta no Safra, o funcionário luxemburguês Jost Dex informou a um colega de trabalho: “Nós destruiremos os documentos e você pode encerrar esse caso.” O sigilo sobre os negócios de seus clientes era a regra número um do Mossack Fonseca.

Em julho de 2004, dois meses depois de fundar a Cor Assets, Campos Neto transferiu mais US$ 1,08 milhão para a conta estrangeira e aumentou significativamente o capital da empresa. Ele disse ao Mossack Fonseca que havia declarado à Receita brasileira o dinheiro transferido. Paralelamente, entre janeiro de 2007 e novembro de 2016, o executivo manteve outra offshore, a Rocn Limited, agora nas Ilhas Virgens Britânicas. A empresa foi criada pelo escritório Trident Trust, o mesmo responsável por abrir a firma de Paulo Guedes.

A piauí procurou o ministro Paulo Guedes duas vezes para pedir esclarecimentos sobre a Dreadnoughts International. Em dezoito perguntas, a reportagem inquiriu, entre outros pontos, se o ministro declarou a offshore em seu imposto de renda, se poderia comprovar essa informação documentalmente, qual a origem do capital aportado na empresa das Ilhas Virgens Britânicas, se a offshore possui bens no Brasil, qual o capital atual da empresa e, por fim, se Guedes é a favor da taxação do capital mantido por brasileiros no exterior.

A assessoria do ministro ignorou as perguntas e se manifestou genericamente, por meio de uma nota: “Toda a atuação privada do ministro Paulo Guedes, anterior à investidura no [atual] cargo, foi devidamente declarada à Receita Federal e aos demais órgãos competentes, o que inclui a sua participação societária na empresa mencionada. Sua atuação sempre respeitou a legislação aplicável e se pautou pela ética e pela responsabilidade. Desde que assumiu o cargo de ministro da Economia, Paulo Guedes se desvinculou de toda sua atuação no mercado privado, nos termos exigidos pela Comissão de Ética Pública, respeitando integralmente a legislação aplicada aos servidores públicos e ocupantes de cargos em comissão. Cumpre destacar que o próprio Supremo Tribunal Federal já atestou a idoneidade e a capacidade de Paulo Guedes, no julgamento de ação proposta pelo PDT contra o ministro da Economia.” A reportagem insistiu para que o ministro respondesse as perguntas, mas Guedes preferiu não dar mais detalhes.

A revista mandou as mesmas perguntas para o presidente do Banco Central. Em nota, Campos Neto respondeu o seguinte: “As empresas estão declaradas à Receita Federal e foram constituídas há mais de 14 anos com rendimentos obtidos ao longo de 22 anos de trabalho no mercado financeiro, decorrentes, inclusive, de atuação em funções executivas no exterior. Não houve nenhuma remessa de recursos às empresas após minha nomeação para função pública. Desde então, por questões de compliance, não faço investimentos com recursos das empresas. Questões tributárias não são atribuição da minha função pública.”

A reportagem também perguntou a Campos Neto se ele havia informado a Comissão de Ética Pública sobre a existência de sua offshore no Panamá. A resposta foi a seguinte: “A integralidade desse patrimônio, no país e no exterior, está declarada à CEP, à Receita Federal e ao Banco Central, com recolhimento de toda a tributação devida e observância de todas as regras legais e comandos éticos aplicáveis aos agentes públicos.” Não constam nas atas de reuniões da comissão nenhum julgamento de processo do presidente do BC. Assim como no caso de Guedes, a comissão recusou-se a dar informações sobre o caso.

Embora ter uma offshore devidamente declarada à Receita não seja ilegal, criá-la nem sempre atende a propósitos republicanos, sobretudo quando a empresa se localiza em paraísos fiscais, onde a tributação é baixa ou até mesmo nula. Além do mais, esses paraísos raramente participam de tratados internacionais e são usados para viabilizar a lavagem de dinheiro oriundo de organizações criminosas e corrupção.

Guedes e Campos Neto não informaram as razões que motivaram seus investimentos. Mas, segundo especialistas consultados pela piauí, quem se utiliza legalmente de offshores em paraísos fiscais costuma ter dois objetivos: blindar seu patrimônio de instabilidades políticas e econômicas e escapar de tributações mais elevadas em seu país de origem, manobra conhecida como elisão fiscal. Tudo é feito sob o máximo sigilo. Primeiro, cria-se a empresa atrelada a uma conta no exterior, normalmente aberta em bancos de países com economia sólida, como a Suíça e os Estados Unidos. A partir dessa conta, investe-se em companhias e fundos estrangeiros de maneira direta, sem que os rendimentos sobre o capital investido sejam tributados imediatamente no Brasil.

Em termos práticos, um investidor que aporta R$ 1 milhão num fundo de ações no Brasil e obtém ganhos de R$ 100 mil ao longo de um ano deve declarar para o Fisco não apenas o seu patrimônio como a sua rentabilidade e ser tributado por isso anualmente. Já um investidor que possui uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas pode fazer o mesmo investimento em fundos de ações no exterior e não pagar nenhum imposto por lá, uma vez que a maioria dos paraísos fiscais não tributa o capital na fonte. A mordida do Leão ocorrerá, portanto, somente quando o dinheiro chegar ao país onde o dono reside. A remessa legal de dinheiro para o exterior sofre tributação mínima. Paga-se 0,38% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) mais a tarifa bancária, que pode ser nula, dependendo do cliente.

O fosso entre o dinheiro declarado dos brasileiros no exterior e aquele que realmente é remetido para fora pode ser constatado em números divulgados pela Receita e pelo Banco Central. O BC deve ser informado sobre todo estoque financeiro mantido por brasileiros no exterior, embora não esteja autorizado a compartilhar essas informações com o Fisco — se o fizesse, estaria analisando dados, incumbência que não é sua. No ano passado, nas contas do BC, os brasileiros mantinham no exterior um total de US$ 204,2 bilhões, o equivalente a R$ 1,12 trilhão. Nas Ilhas Virgens Britânicas estavam 14,7% do capital brasileiro em 2020. O local se consolidou como o terceiro principal destino do dinheiro tirado do Brasil, atrás dos Países Baixos e das Ilhas Cayman. Já a Receita Federal, que cobra tributos sobre o patrimônio, estima que os brasileiros tenham apenas R$ 50,4 bilhões no exterior. Como não dispõe de informações constantes sobre a quantia que circula nessas contas estrangeiras, a Receita considera apenas o saldo declarado na data de entrega do Imposto de Renda.

A diferença entre os números — R$ 1 trilhão para o BC, R$ 50 bilhões para a Receita — é, por si só, uma expressão da falta de transparência nessas operações. É uma das razões pelas quais a Tax Justice, uma ONG que trabalha em defesa da justiça tributária, prega o fim dos benefícios oferecidos nos paraísos fiscais. Em um ranking das nações que mais colaboram para o que a Tax Justice chama de “exploração tributária”, quem aparece nas listas são justamente as Ilhas Virgens Britânicas.

FONTE: METROPOLES- 03/10/202114h:50min.

STF: Ex-PM preso por ameaçar ministro Moraes de morte diz que tem "doenças mentais"

 

Ex-PM preso por ameaçar Moraes de morte alegou que tem doenças mentais
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Preso após ter ameaçado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-policial militar bolsonarista Cássio Rodrigues Costa Souza alegou à Justiça que sofre de doenças mentais. A informação é da coluna de Guilherme Amado, no portal Metrópoles.

 

Detido pela Polícia Federal (PF) a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), no dia 6 de setembro, as alegações de Souza ocorreram em audiência de custódia presidida pelo juiz Airton Vieira, que despacha no gabinete de Moraes. Segundo explica a publicação, no tipo de audiência realizada horas após a detenção o preso tem direito de falar a um juiz e de denunciar eventuais abusos na prisão.

 

No depoimento, Cássio disse ter sido aposentado da polícia mineira por causa de doenças mentais e afirmou que faz uso de remédios psiquiátricos. Na ocasião, ele disse ainda que já foi internado por alcoolismo, além de sofrer com problemas no esôfago e na próstata.

 

Segundo esse depoimento, Souza foi aposentado da polícia mineira por causa de doenças mentais e toma remédios psiquiátricos. O ex-PM também afirmou que já foi internado por alcoolismo e tem problemas no esôfago e na próstata.

 

No pedido da prisão, a PGR defendeu que as mensagens de ameaça do ex-pm bolsonarista eram “abomináveis”. Nos tuítes que provocaram a detenção, Souza se apresentava como integrante da PM e dos militares e prometeu atirar no ministro Alexandre de Moraes.

 


fonte: BN -03/10/2021 14h:30min.

SP: 'Eles me davam kit Covid, mas não me davam oxigênio', diz paciente da Prevent Senior

 

'Eles me davam kit Covid, mas não me davam oxigênio', diz paciente da Prevent Senior
Foto: Acervo Pessoal

O químico aposentado Carlos Alberto Reis, 61, sobreviveu a um quadro gravíssimo de Covid-19 e a 35 dias de UTI, apesar da assistência médica e hospitalar recebida na rede credenciada de seu plano de saúde.
 

Há quatro anos, Reis é beneficiário da Prevent Senior, plano para o qual migrou “por uma questão de custo-benefício”. “Com o passar da idade, outros convênios se tornam muito caros. É impagável”, explica Lúcia Reis, casada com Carlos há 33 anos e com quem tem duas filhas.
 

Oitava maior operadora de assistência em saúde do país, a Prevent Senior está envolvida num escândalo que aponta para a prescrição em massa de remédios sem eficácia no tratamento da Covid-19, para o tratamento de pacientes como cobaias e para fraudes em prontuários e atestados.
 

Da primeira visita ao pronto-atendimento, Carlos voltou para casa com um "kit Covid". Dos retornos, foi mandado para casa, com mais "kit-Covid", mesmo quando sua tomografia indicava 50% do pulmão comprometido pela doença. Finalmente internado, foi submetido, sem consentimento, a um tratamento experimental com flutamida, medicação indicada para câncer de próstata. Teve dados alterados em seu prontuário.
 

Enquanto isso, os tratamentos que podiam, de fato, beneficiá-lo eram deixados de lado.
 

“Eles me davam kit Covid, mas não me davam oxigênio!”, revolta-se Carlos. “Como é que eu iria melhorar se eu não conseguia nem respirar?”, diz ele, que ficou com sequelas graves, difíceis de dissociar do tratamento conduzido pela operadora de saúde.
 

Em nota, a Prevent Senior informa que Carlos "teve todo o suporte necessário durante seu tratamento".
 

Quatro meses depois de receber alta hospitalar, Reis apresenta lesões pulmonares, insuficiência renal e paralisia do braço direito. Faz fisioterapia e inalações duas vezes ao dia.
 

“Eu poderia ter morrido se não fosse a minha família”, relata, com a voz embargada e lágrimas nos olhos.
 

Carlos só se lembra de trechos da história porque esteve inconsciente na maior parte dela.
 

Ela começa no último dia 9 de março, quando Carlos sentiu os primeiros sinais de mal-estar, e o Brasil bateu mais um recorde de mortes por Covid-19 (1.954 só naquelas últimas 24 horas). Foi ao pronto-socorro de uma unidade da Prevent na zona oeste de São Paulo e voltou para casa com seu "kit Covid" mesmo antes do resultado do teste para a confirmação da doença.
 

Começou de imediato o tratamento recomendado pelo médico e fornecido pelo próprio plano. Ele levava hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, medicamentos comprovadamente ineficazes para o tratamento da síndrome respiratória provocada pelo Sars-CoV2.
 

A família estava enlutada pela morte do irmão de Lúcia, poucos meses antes, vítima da Covid. “Tinha ouvido falar que era uma gripezinha. Mas vi que muita gente tinha morrido. Não sabia qual seria o meu futuro. Deu muito medo”, lembra Carlos.
 

Em vez de melhorar, Carlos seguiu com febre alta e teve a piora na tosse e na oxigenação do sangue —agora mensurada por um oxímetro comprado em farmácia. Voltou ao pronto-atendimento. E mais de uma vez. Mas só foi internado quando a tomografia acusou 70% do pulmão comprometido.
 

Aguardou mais de 24 horas por um leito, sentado numa cadeira do pronto-socorro. E, 12 dias depois dos primeiros sintomas, foi internado no hospital Sancta Maggiore Dubai, da Prevent Senior, na zona sul da capital paulista.
 

O país vivia uma nova onda de casos de Covid-19 que poderia ser melhor definida como um tsunami, puxada pela disseminação de uma nova variante surgida na região Norte. Os números de infecções e de mortos escalonavam dia a dia, assim como as filas por leitos de UTI em hospitais. O Brasil contabilizava 72 mil pessoas mortas por Covid fora de leitos de terapia intensiva, o que indicava o grau de colapso do sistema de saúde. Um a cada quatro mortos do mundo era brasileiro.
 

“Estava muito mal. Foi meio violento o que eu tive. Disseram que era a nova variante”, conta Carlos. “Mas me internaram e me deixaram num canto”, diz ele. O mesmo canto que foi cenário das suas últimas memórias antes de um apagão.
 

“Meu pai levou um oxímetro e um termômetro pra internação. E, como a família não podia entrar na internação por causa dos protocolos, ele mesmo checava temperatura e saturação do sangue e mandava áudios de WhatsApp pra gente com essas informações”, lembra a filha mais velha, a veterinária Bianca Reis, 28.
 

“Ele sempre estava com febre alta, mas o relato das equipes era de que ele não tinha febre. Ele percebeu que ocorriam erros. Foi desesperador”, conta ela.
 

“Querer respirar e não conseguir é uma coisa que machuca muito a gente”, traduz o químico aposentado. “Dá vontade de se jogar para que alguém te socorra.”
 

A família decidiu contratar um infectologista indicado por amigos para uma avaliação externa do quadro clínico de Carlos.
 

Em laudo, o médico particular descreveu ter encontrado Carlos sem monitoração, com saturação de 78% (quando o normal é acima 95%), febre, dificuldade para respirar e em “estado de consciência rebaixado”. “Sem os cuidados necessários, mesmo diante da gravidade do quadro”, concluía o médico particular. Para ele, Carlos já deveria estar intubado faz tempo.
 

Diante da resistência do colega responsável imediato por Carlos, o infectologista procurou o diretor do hospital para falar do risco de morte do paciente. “Em 5 minutos, uma semi-UTI foi montada no quarto onde ele estava”, descreve o laudo médico. Naquela mesma noite, Carlos foi para a UTI. E o Brasil bateu novo recorde de mortes por Covid-19: 3.600 óbitos em um só dia.
 

Dias depois, ao ver resultados ruins de exames do pai pelo aplicativo da Prevent Senior, Bianca questionou o médico plantonista sobre as condutas adotadas.
 

Só então ela descobriu que Carlos deveria estar na posição de pronação, em que o paciente fica de barriga para baixo para melhorar a ventilação de seus pulmões. Não estava porque essa posição requer o uso de um medicamento que estava em falta, o bloqueador neuromuscular (BNM). Sem pronação, lhe disse o infectologista particular, o quadro gravíssimo de Carlos não poderia ser revertido.
 

“Sobre a ausência do medicamento, o plantonista da Prevent disse não ter o que fazer. E falou: agora é esperar. Na hora eu pensei: ‘só se for esperar para ele morrer’. E comecei a procurar leito de UTI com o medicamento num outro hospital”, conta Bianca.
 

Encontrou esse leito no Hospital Israelita Albert Einstein, e recorreu à ajuda de amigos e familiares para o pagamento caução necessário a uma transferência naquelas condições.
 

“Quando você contrata um plano de saúde, pensa que esse plano vai fornecer o tratamento de que você precisa. Mas o hospital não nos deu opção”, alega Bianca. “A gente ficou meio em choque com essa situação toda.”
 

Na madrugada do dia 31 de março, Carlos chegou ao Albert Einstein. Foi medicado e posicionado corretamente, e iniciou uma sequência de 30 dias de hemodiálise contínuos, que já deveriam ter começado na unidade da Prevent, segundo o médico informou à família.
 

Aos poucos, lentamente, começou a melhorar.
 

Quando a família teve acesso ao prontuário médico da Prevent Senior, outro susto. “Vimos marcada a administração de flutamida. E nós não havíamos assinado nenhum termo de consentimento pra isso”, conta Bianca.
 

A flutamida não tem estudo sobre eficácia contra Covid nem indicação da Anvisa e, em 2004, já havia causado uma série de mortes por falência do fígado durante tratamento para acne em mulheres. O uso da medicação em pacientes com Covid está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo.
 

Ao sair do hospital, a família deixou pendurada uma cobrança de R$ 1.926.399,65. Entrou na Justiça para que a Prevent Senior arque com essa conta.
 

No último dia 30 de setembro, foi publicada decisão liminar (aquela em que cabe recurso), o juiz Guilherme Santini Teodoro, da 30ª Vara Cível de São Paulo, determinou que a Prevent Senior tem cinco dias para depositar o valor em juízo a ser usado para pagar a conta do Einstein, sob pena de multa de 1% ao dia.
 

A Prevent Senior informou, por meio de nota, que "discorda das alegações que embasam a ação judicial". Informa ainda que, se a família tivesse autorizado a abertura do prontuário médico à Folha, poderia "rebater ponto a ponto as críticas aos procedimentos médicos que foram adotados para garantir o bem-estar do sr. Carlos". A Prevent Senior recorrerá da liminar judicial.
 

“A gente sabe que meu pai só está vivo porque nós tomamos as medidas necessárias na hora certa”, comemora Bianca. “Quem tomou as rédeas do tratamento correto e do destino do meu pai foi a família. Mas não deveria ser assim: a gente ser responsável por procurar um hospital com medicação, por realizar a transferência…Cuidar do meu pai era responsabilidade da Prevent.”
 

Acostumado a casos de cobrança da cobertura de custos contra operadoras de saúde, o advogado Flávio Rocha, especialista em direito médico hospitalar, diz ter se surpreendido.
 

“Eu comecei a me assustar vendo o prontuário”, admite. “Eram muitas as semelhanças do caso concreto com as denúncias recentes que ocorreram com a Prevent Senior, em especial a prática de fazer essas experiências com as pessoas”, diz ele. Rocha explica que a lei de planos de saúde (9.656/98) e a Agência Nacional de Saúde (ANS) determinam que a operadora precisa cobrir os custos de tratamento especializado que não oferece em sua rede credenciada e que o paciente obtiver fora dela.
 

“Trata-se de uma situação muito triste e que corrobora com as denúncias que vêm sendo feitas contra a operadora. Foram feitas coisas absurdas. O Carlos nasceu de novo.”
 

É bem essa a sensação de Carlos ao retomar as pequenas coisas da vida: o primeiro pão com manteiga depois de tanto tempo internado, a companhia das filhas e de Lúcia no Dia dos Pais que tinha tudo para não acontecer.
 

“São detalhes que a gente passa a dar valor depois de perder tudo”, diz o sobrevivente.?


FONTE: FOLHAPRESS - 03/10/2021 14h:25min.

Governo Bolsonaro: Intensificação da pobreza no Brasil é destaque na capa do The Guardian

The Guardian destaca miséria no Brasil (Reprodução)Respeitado jornal britânico fez longa reportagem repercutindo a volta da fome no país e as fotos chocantes de pessoas buscando ossos de animais para comer


O jornal britânico The Guardian, um dos mais respeitados do mundo, deu grande destaque ao Brasil neste domingo (3) com uma reportagem na manchete principal de seu site. O motivo? A volta da miséria no país.

Com grande reportagem intitulada “Clamor no Brasil por fotos de pessoas vasculhando carcaças de animais”, o periódico explora a intensificação da pobreza na nação governada por Jair Bolsonaro e repercute a matéria do jornal Extra, da última semana, que mostra imagens chocantes de pessoas procurando comida junto a restos de ossos de boi.

“Fotografias de partir o coração de brasileiros pobres catando uma pilha de carcaças de animais em busca de comida revelaram a crise de fome que assola o país mais populoso da América Latina, onde milhões foram mergulhados na privação pela pandemia do coronavírus e pela inflação crescente”, diz o início do texto da matéria assinada por Tom Phillips, que traz depoimentos de brasileiros obrigados a se submeter a essa situação.

A reportagem ainda destaca: “estima-se que 19 milhões de brasileiros passaram a ter fome desde o início de um surto de Covid que matou 600.000 pessoas”.ista interrompe Moraes para defender Kassio Nunes e leva invertida de Fux

Ao longo do texto com depoimentos de pessoas que hoje vivem na miséria, o repórter cita também as manifestações contra Jair Bolsonaro realizadas neste sábado (2) em todo o país e que a população atribui ao presidente a “calamidade social” em voga no Brasil.

Confira a íntegra da reportagem do The Guardian, em inglês, aqui.

fonte:Revista Fórum - 03/10/2021 14h:07min.

sábado, 2 de outubro de 2021

Bahia: Quatro suspeitos de assaltos a banco morrem em ‘acampamento’ em Camacan

Carabina, explosivos, pistolas, revólver, munições e coletes balísticos foram apreendidos com suspeitos de assaltos a banco no sul da Bahia, em ação integrada das polícias Militar (PM) e Rodoviária Federal (PRF). Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o flagrante ocorreu na sexta-feira (1), na cidade de Camacan.

Após trocas de informações e denúncias anônimas, as forças de segurança chegaram a um acampamento, na zona rural daquele município. Cerca de 10 homens foram avistados e, na aproximação, os assaltantes atiraram contra os policiais.

Houve confronto e quatro criminosos acabaram atingidos. Eles foram socorridos, mas não resistiram. O restante da organização criminosa escapou pelo matagal e segue sendo procurado.

Foto: Divulgação/SSP

Ainda segundo a SSP, no local os policiais apreenderam uma carabina calibre 380, duas pistolas calibres 7,65 e 380, um revólver calibre 38, munições, explosivos, coletes balísticos e 390 reais.

Participaram da operação equipes do CPE, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), das Cipes Cacaueira e Sudoeste, do 15° BPM e da PRF.

Fonte: Correio da Bahia - 02/10/2021

Após 32 meses: Bombeiros localizam corpo de vítima da tragédia de Brumadinho

 

Polícia Civil investiga se corpo encontrado é de uma das nove vítimas desaparecidas
Reprodução: iG Minas Gerais/Polícia Civil investiga se corpo encontrado é de uma das nove vítimas desaparecidas


O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informou que localizou um corpo nas áreas de buscas da tragédia de Brumadinho na manhã deste sábado (02). De acordo com a corporação, a estrutura óssea da vítima está preservada, mas ressaltou que apenas a Polícia Civil poderá determinar se é uma das vítimas da tragédia.

O corpo foi encontrado mais de 2 anos e oito meses depois do estouro da barragem da Vale na cidade mineira. A tragédia aconteceu em 25 de janeiro de 2019, matando 261 pessoas. Outras nove ainda estão desaparecidas.

A vítima, segundo os bombeiros, foi localizada por volta de 11h, em local próximo ao último corpo encontrado. Em agosto, a corporação localizou o corpo de Juliana Resende Silva. Ela era mãe de gêmeos e esposa de Dennis Silva, também morto na tragédia.

Os Bombeiros ressaltaram que manterão os trabalhos de buscas até a localização dos nove desaparecidos.

Confira os nomes de vítimas desaparecidas na tragédia

  1. Angelita Cristiane Freitas de Assis
  2. Cristiane Antunes Campos
  3. Lecilda de Oliveira
  4. Luís Felipe Alves
  5. Maria de Lourdes da Costa Bueno
  6. Nathalia Porto Araújo
  7. Olímpio Gomes Pinto
  8. Tiago Tadeu Mendes da Silva
  9. Uberlândio Antônio da Silva

Indenização para sobrevivente

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais condenou a mineradora Vale a indenizar em R$ 100 mil um sobrevivente do desastre de Brumadinho (MG), em 25 de janeiro de 2019, que matou 270 pessoas. 

O homem trabalhava no local durante o rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, mas conseguiu escapar do mar de lama. Na ação judicial, ele afirmou que chegou a temer pela própria vida. 

O motorista adicionou que precisou custear tratamento psicológico após testemunhar a morte de colegas e precisar lidar com traumas do ocorrido. Ele foi diagnosticado com estresse grave e transtorno de adaptação. 

A Vale argumentou na Justiça que o homem, de Sarzedo (MG), a 20km do local do incidente, não conseguiu provar ter sofrido danos passíveis de indenização e que ele não era morador de Brumadinho. Além disso, disse que o homem voltou a trabalhar em 15 dias, o que provaria o bom estado psicológico. No entanto, a juíza responsável pelo caso negou as justificativas da mineradora. 

Fonte:PORTAL IG -02/10/2021 - 20h:45min.