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domingo, 17 de outubro de 2021

Economia: Brasil conviverá com real mais fraco por bastante tempo, diz ex- presidente do Banco Central Celso Pastore

Economista Celso Pastore. Foto: Reprodução YouTube G1

                                               
O Brasil deve permanecer por bastante tempo com um câmbio depreciado, fator que dificulta o combate à inflação e que não resolverá sozinho o problema de falta de competitividade da indústria brasileira.

 

A afirmação é do ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, que está lançando seu novo livro, “Erros do passado, soluções para o futuro: A herança das políticas econômicas brasileiras do século 20”.
 

Para ele, um novo superciclo de commodities e um forte fluxo de capital estrangeiro para o Brasil, como vistos na primeira década do século 21, não vão se repetir. Mas o país pode aproveitar o câmbio depreciado para mitigar o impacto inicial de uma necessária revisão de mecanismos de proteção à indústria que só geraram ineficiência.
 

Pastore diz também que o país corre o risco de perpetuar alguns desses erros do passado caso reeleja o presidente Jair Bolsonaro ou o ex-presidente Lula. Ele se diz otimista com uma terceira via social-democrata, com um modelo econômico de Estado provedor e que reduza desigualdades.
 

“Sou muito cético em relação ao Brasil com um desses dois ganhando a presidência. Não sou cético em relação à terceira via”, afirma.
 

Dividida em sete capítulos, a publicação trata de temas como hiperinflação, milagre econômico, crise da dívida externa, câmbio e o “eterno problema fiscal”. Em todos os casos, coloca à prova as narrativas históricas sobre esses temas ao confrontá-las com dados e trabalhos acadêmicos.
 

Sobre o uso do câmbio no desenvolvimento do comércio exterior, por exemplo, Pastore afirma que uma moeda subvalorizada é apenas um facilitador do aumento da competitividade, mas não um substituto de medidas que aumentem a eficiência da indústria.
 

Ele também faz uma análise das políticas econômicas da época do milagre econômico brasileiro (1968-1973), na qual destaca um modelo de promoção de exportações por meio de subsídios fiscais e creditícios que, em vez de abrir a economia ao comércio exterior, acentuou distorções e gerou problemas muito semelhantes aos do modelo de substituição de importações.
 

O autor também resgata a discussão da sua tese de doutorado, de 1969, quando questionou o pensamento da época de que a agricultura de um país subdesenvolvido como o Brasil não conseguiria alcançar um alto nível de desenvolvimento e produtividade, algo facilmente desmentido na atualidade.
 

Pastore também alerta que o país evoluiu muito em relação à independência do BC, algo que impediu o país de combater a inflação com eficiência até a construção do Plano Real. Mas afirma que o problema do país na área fiscal atrapalha a política monetária e reverte os ganhos obtidos desde a criação do teto de gastos.
 

Para ele, esse limite de despesas foi praticamente abandonado. “O governo resolveu que, para não descumprir na aparência o teto de gastos, vai aprovar uma emenda constitucional que posterga o pagamento de precatórios. Ele muda a Constituição para dizer que cumpriu. O mercado financeiro não é ingênuo”, afirma.
 

Veja abaixo os principais trechos da conversa com o economista.
 

*
 

INFLAÇÃO
 

Estamos muito mais aparelhados hoje para combater a inflação do que no passado. O Brasil não tinha um Banco Central ou, quando passou a ter, durante muitos anos não tinha autonomia. Nós progredimos. Essa lição, aprendemos. Mas o Brasil não conseguiu resolver o seu problema fiscal, de forma que ele interfere na política monetária e conduz a um tipo de solução [aumento maior de juros] que é muito mais custosa para a sociedade.
 


 

CÂMBIO
 

Quando os EUA reagiram à Covid com uma política monetária extremamente estimulativa, isso provocou um enfraquecimento do dólar, que produziu valorizações em todas as moedas. O Brasil, devido ao risco fiscal, não se beneficiou disso. O real permaneceu depreciado. Você está vendo o real hoje, depois de várias intervenções do Banco Central, rodando a R$ 5,40, que é uma taxa completamente depreciada e com comportamento muito divergente do de outros países.
 

O câmbio se depreciou. Parte é gerada por fundamentos. Há uma depreciação acima dos fundamentos, exagerada, provocada pelo prêmio de risco.
 


 

TETO DE GASTOS
 

Em 2016, para criar um fato político que geraria uma onda a favor de reformas, o governo resolveu aprovar a emenda constitucional que fixa o teto de gastos. A partir daí, as taxas de juros começaram a cair. Só que esse teto de gastos virou hoje uma coisa praticamente inexistente.
 

Olha o que está acontecendo na questão dos precatórios. A regra do teto não está sendo cumprida, o governo não está fazendo as reformas e não está controlando os gastos.
 

Isso vai para prêmio de risco. Esse prêmio de risco se manifesta em juros mais altos sobre a dívida pública e câmbio mais depreciado. Com câmbio mais depreciado, a inflação sobe e a sociedade paga um custo que é ter de suportar juros mais altos e crescimento mais baixo para controlar a inflação. Tínhamos um problema fiscal, encaminhamos uma solução, mas abandonamos isso e estamos colhendo um resultado muito negativo.
 


 

INDÚSTRIA INEFICIENTE
 

O Brasil criou na indústria um protecionismo absolutamente gigantesco, o que gera ineficiência no setor produtivo. O governo não tem de defender só o interesse privado, tem de defender também o interesse da sociedade como um todo. A retórica diz que tem de compensar o custo Brasil, então vamos arrumar um câmbio mais depreciado. O que tem de arrumar é reduzir o custo Brasil, não é depreciar o câmbio.
 


 

DÓLAR MAIS CARO
 

Eu prevejo [no livro] um período de câmbio continuamente depreciado. Portanto, há aqui uma oportunidade ímpar para o país promover uma redução de tarifa, de proteção aduaneira para indústria, sem penalizar a indústria. Esse período deveria ser usado a favor do país. Isso seria uma oportunidade para fazer um processo de liberalização e aumentar a eficiência produtiva da economia brasileira.
 


 

BOLSONARO E LULA
 

Nem com Lula nem com Bolsonaro. Eles já mostraram o que são. As pessoas esquecem o que foi mensalão, o “petrolão”, o segundo mandato do Lula e o erro dele de manter a Dilma no poder, o que nos colocou em uma crise econômica da qual não nos recuperamos.
 

Há uma chance, mas ela não está com os dois tidos como os que vão ficar para o final [segundo turno]. Se for por aí, sou muito cético em relação ao Brasil.
 


 

TERCEIRA VIA
 

Estamos falando de algo que se traduz em políticas econômicas com essa característica do capitalismo social-democrata, no qual o Estado seja um provedor de seguros para a sociedade. Não seguros que deixem todos sem incentivo para aumentar a eficiência, mas que permitam eliminar injustiças.
 

Um governo tem de se preocupar com reformas que produzam crescimento econômico, mas não é só crescimento econômico. Não estamos apenas tentando reproduzir no Brasil um capitalismo liberal meritocrático assemelhado ao dos EUA, com Estado mínimo. Gosto muito mais do modelo europeu.
 

Agora, depende de nós, da sociedade civil. Não podemos sentar na beira da calçada e chorar porque estamos indo mal, chamando a mamãe como fazíamos quando crianças. Os eleitores são adultos. Cada indivíduo tem a obrigação de vir ao debate, colocar suas ideias e a fazer pressões para que os políticos se organizem e enfrentem com mais chance de vitória esse desafio.
 


 

ROMPIMENTO COM O PASSADO
 

O Brasil vai ter de humildemente reconhecer os erros do passado. A razão pela qual escrevi o livro é a gente conhecer nossa história, saber onde erramos. A história não se repete, nem como farsa. Portanto, não posso usar suas lições na sua amplitude e totalidade. Mas posso aprender que há momentos em que temos de fazer um rompimento.
 

Estamos diante da oportunidade de ter um rompimento com o passado. Em vez de ficar nessa escolha entre duas experiências extremamente frustradas, temos obrigação de buscar alguma coisa nova e que esteja fundamentada em cima de princípios éticos, econômicos, de bem-estar, que permita o crescimento do país. Quero convidar as pessoas para esse tipo de reflexão, para ver se a gente consegue obter algum tipo de acordo a respeito dos caminhos do país.
 

*
 

“ERROS DO PASSADO, SOLUÇÕES PARA O FUTURO”
 

Preço Impresso: R$ 79,90 / e-book: 39,90
 

Autor Affonso Celso Pastore
 

Editora Portfolio-Penguin/Editora Schwarcz


por Eduardo Cucolo | Folhapress - 17/10/2021 

FONTE: 

Salvador: Confira o que abre e o que fecha nesta segunda-feira(18) dia do Comerciário

                                            Av. Sete de Setembro -   foto:reprodução/facebook/ACM Neto

Os shoppings de Salvador terão horário de funcionamento alterado na próxima segunda-feira (18)

Dia do Comerciário. Com isso, alguns serviços e espaços de lazer vão funcionar parcialmente.

Os trabalhadores em supermercado também assinaram um acordo

 com os empresários e os estabelecimentos não irão abrir no feriado.

Segundo o Sindicato dos Comerciários, a categoria assinou um acordo 

com os lojistas e a Federação do Comércio para a celebração da data.

Confira o funcionamento dos 

estabelecimentos

Salvador Shopping

  • Lojas, quiosques, Bompreço, Correios, farmácias de manipulação,
  •  Lotérica e SAC: fechados.
  • Alimentação, lazer, farmácias, salões de beleza e Salvador Shopping Online/Drive Thru (apenas das lojas em funcionamento): 12h às 21h;
  • Espaço Gourmet: 11h30 às 0h;
  • Academia: 5h30 às 22h30;
  • Bancos e clínicas: funcionamento em horário independente

Salvador Norte Shopping

  • Lojas, quiosques e Big Bompreço: fechados.
  • Clivale: 6h30 às 21h;
  • Academia: 5h30 às 22h30;
  • Alimentação, lazer, salões, farmácias e Drive Thru/Salvador 
  • Norte Online (apenas lojas em funcionamento): das 12h às 21h;
  • Ciema: 13h às 21h;

Shopping da Bahia

  • Lojas e quiosques: fechados
  • Praças de Alimentação e restaurantes: 12h às 21h
  • Áreas de lazer: 12h às 21h
  • Cinemas: horários disponíveis no site da empresa
  • Bancos: Funcionamento Normal

Shopping Bela Vista

  • Espaços de lazer e alimentação e supermercado GBarbosa: 12h
  •  às 21h.
  • Lojas, quiosques, salões de beleza e barbearias: fechados.
  • Cinema, academia e Centro Médico: funcionamento em horários independentes
  • SAC: fechado

Shopping Paralela

  • Das 12h às 21h funcionam lojas âncoras, áreas de lazer, 
  • praça de alimentação e farmácias. O cinema e boliche
  •  também estarão abertos ao público.

Shopping Itaigara

  • Lojas e quiosques e supermercado: fechados
  • Restaurantes: Abertura facultativa

Shopping Center Lapa

  • Cinema e Praça de Alimentação: das 11h às 19h
  • Demais lojas: fechadas

Shopping Piedade

  • Lojas e Quiosques: fechados
  • Lojas âncoras: fechadas
  • Alimentação: Funcionamento por delivery facultativo
  • Caixa Econômica: Das 8h às 13h
  • Academia SmartFit: Das 6h às 22h
  • Clínica Seta: Das 7h às 19h

Shopping Paseo

  • Lojas e quiosques: fechados
  • Restaurantes: abertura facultativa, a partir das 12h
  • Academia: horário independente

Shopping Barra

  • Lojas e drive-thru: fechados
  • Praça de Alimentação: a partir das 12h
  • Restaurantes: das 12h às 23h
  • Delivery – 12h às 20h
  • Cinema - horário de funcionamento no site da empresa

Boulevard Shopping Camaçari

  • Lojas, SAC, salão de beleza e barbearia: fechados
  • Academia: das 8h às 14h.
  • Delivery: Funcionamento normal por meio das plataformas 
  • digitais para as operações da praça de alimentação.
  • Cartório e Ofício de Notas: das 9h às 16h30
  • Casa Lotérica: das 9h às 18h.
  • Cinema: horários disponíveis no site da empresa

Parque Shopping (Lauro de Freitas)

  • Lojas e quiosques: fechados
  • Áreas de lazer, farmácia e Praça de Alimentação: 
  • das 12h às 22h Academia: das 5h30 às 22h30

Assaí Atacadista e Extra Supermercados

  • Todas as lojas de Salvador estarão fechadas na segunda-feira (18)

SACs

Os postos do SAC de Salvador e RMS estarão fechados, exceto

as unidades dos bairros de Cajazeiras e Pituaçu e do município

de Candeias, na região metropolitana de Salvador.

No interior do estado, todos os postos atendem normalmente. 

A exceção fica por conta das unidades Feira I e Feira II, Itabuna

 e Juazeiro. O SAC Móvel mantém atendimento em Irecê e Ibitiara,

 mas fecha em Lauro de Freitas, também na região metropolitana.

 O serviço de vídeo-atendimento do Procon, Planserv e Ceprev 

não funciona neste dia.


Fonte: G1/reprodução 17/10/2021


Do Site UOL: Chefe da Petrobras defende lucro e diz que tabelar gasolina não funciona

General Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras - Marcelo Camargo/Agência Brasil
General Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras -  Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil


CONFIRA A REPORTAGEM COMPLETA N0 LINK ABAIXO DA COLUNA DA JORNALISTA CARLA  ARAÚJO DO UOL.

https://economia.uol.com.br/colunas/carla-araujo/2021/10/17/presidente-petrobras-precos-mercado-nao-por-canetadas-diz-silva-e-luna.htm

Em Aracaju: Morre o delegado Marcelo Hercos, baleado em posto de combustível

Morre o delegado Marcelo Hercos, que foi baleado em posto de combustível de Aracaju

Foto: Ascom/SSP-SE | Delegado Marcelo Hercos


 O delegado da Polícia Civil de Sergipe, Marcelo Hercos Lyrio, 42 anos, morreu por volta das 3h20 deste domingo (17), no Hospital São Lucas, em Aracaju. Marcelo foi baleado no dia 21 de setembro, em um posto de combustível, no bairro Aruana, na Zona de Expansão de Aracaju, após abordar três homens que estavam repassando notas falsas. O delegado estava internado no São Lucas desde o dia 24 de setembro, depois de ter sido transferido do Hospital de Urgência João Alves Filho (Huse).


Hoje pela manhã, o secretário de Segurança Pública do estado de Sergipe, João Eloy de Menezes, e o delegado-geral Thiago Leandro, lamentaram o falecimento de Marcelo Hercos, que ingressou na Polícia Civil de Sergipe no dia 26 de dezembro de 2006. Ele era formado em Direito, com especializações em Direito Penal e Processual Penal e Gestão Estratégica de Segurança Pública. Hercos era o titular da 7ª Delegacia Metropolitana, no conjunto Jardim, em Nossa Senhora do Socorro.

Marcelo Hercos nasceu na cidade de Itu (São Paulo), era casado e não tinha filhos. A Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Sergipe (Adepol) divulgou uma nota lamentando a morte do profissional. “Em razão do cumprimento de seu exercício profissional, compromisso e dedicação pela missão a ele confiada, o delegado Marcelo Hercos foi vítima da violência no dia 21 de setembro deste ano e apesar dos procedimentos cirúrgicos e cuidados hospitalares necessários para a sua recuperação, não resistiu”, diz a nota.

Velório

O corpo do delegado está no Velatório PIAF, na Rua Laranjeiras,1681, bairro Getúlio Vargas, em Aracaju, e será cremado na segunda-feira (18), no município de Itaporanga D'Ajuda, a 31 km da capital, com previsão de saída do cortejo às 9h40, quando serão prestadas homenagens ao policial.

O caso

No dia 21 de setembro, Marcelo Hercos estava num minimercado de um posto de combustível, no bairro Aruana, quando foi alertado por um funcionário do estabelecimento que três homens tinham passado notas falsas. Ao fazer abordagem um dos envolvidos disparou um tiro contra o delegado e fugiu com os comparsas.

As Polícias Civil e Militar passaram a procurar os suspeitos e no dia 22 de setembro foram presos um suspeito de  23, conhecido como “Gordo”, e outro de 27, numa pousada na Orla de Atalaia. Em Salvador, foi preso outro suspeito, apontado como o homem que deu o tiro no delegado. Todos continuam presos em Aracaju.

Fonte: Só Sergipe - 17/10/2021 14h
 

Caminhoneiros dizem que param no dia 1º caso Bolsonaro não atenda demandas

 

Caminhoneiros dizem que param no dia 1º caso Bolsonaro não atenda demandas
Foto: Reprodução / Jornal de Brasília

Após uma série de tentativas de paralisação neste ano, caminhoneiros junto à frente parlamentar da categoria determinaram na noite deste sábado (16) que iniciam uma paralisação no dia 1º de novembro caso o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não atenda as demandas do setor.
 

Os motoristas exigem cumprimento do frete mínimo e nova política de preços para os combustíveis, que nunca estiveram tão caros no Brasil.
 

A definição ocorreu após uma assembleia de motoristas organizada por três entidades representativas no Rio de Janeiro, incluindo participantes que lideraram a greve de 2018.
 

A interlocução com o governo será feira por meio da Frente Parlamentar do Caminhoneiro Autônomo e Celetista, presidida pelo deputado federal Nereu Crispim (PSL-RS).
 

"Nós, caminhoneiros autônomos do Brasil, estamos em estado de greve", afirmou Crispim em vídeo que já circula em grupos de motoristas. "Significa dizer ao governo Bolsonaro que o prazo de três anos que ele teve para desenvolver, desencadear, melhorar a vida do transportador autônomo não foi cumprido."
 

A categoria pede que o governo atenda suas reivindicações, que incluem melhores condições de trabalho, em 15 dias para não iniciar uma paralisação.
 

Crispim protocolou um requerimento para abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a alta dos preços dos combustíveis pela Petrobras. O pedido foi feito no dia em que a estatal aumentou em 8,9% o preço do diesel, em setembro. Em 2021, a empresa já elevou a gasolina em 51%. Diesel e gás de cozinha subiram 38% no ano.
 

Desde setembro, a CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), o CNTRC (Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas) e a Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores ) promoveram encontros nacionais para definir uma pauta única dos motoristas.
 

O setor, junto a deputados da frente parlamentar, se descola da imagem de caminhoneiros que pararam estradas em defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e contrárias ao STF (Supremo Tribunal Federal) nos atos de raiz golpista de 7 de setembro.
 

Wallace Landim, o Chorão, um dos líderes da greve de 2018 e que hoje está à frente da Abrava, afirmou nesta semana à coluna Painel que situação atual é pior que a do ano da paralisação nacional.


Fonte: FOLHAPRESS - 17/10/2021 13h:55min

Governo Bolsonaro deixa parados R$ 2,3 bi destinados à vacina contra Covid

 BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo Jair Bolsonaro avançou na rescisão de um segundo contrato para compra de vacinas contra a Covid-19 e deixou parado, sem uso na aquisição de outros imunizantes, um montante de R$ 2,3 bilhões.

***ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 16-12-2020, 10h00: O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Eduardo Pazuello, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)© Fornecido por Folha de S.Paulo ***ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 16-12-2020, 10h00: O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Eduardo Pazuello, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

O Ministério da Saúde afirmou à Folha que apresentou à União Química Farmacêutica, responsável pela vacina russa Sputnik V, a intenção de rescindir o contrato de R$ 693,6 milhões, destinado à compra de 10 milhões de doses.

O cancelamento da Sputnik V se somará à anulação do contrato e da reserva de R$ 1,6 bilhão destinado ao pagamento por 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, intermediada no Ministério da Saúde pela Precisa Medicamentos.

Este contrato foi cancelado em 27 de agosto. A anulação da nota de empenho, que reservava o dinheiro, ocorreu em 2 de setembro.

Levando-se em conta a data em que o dinheiro foi reservado para as duas vacinas específicas, 22 de fevereiro, a paralisação dos recursos já dura quase oito meses.

Nem a anulação de uma das notas de empenho levou a novas destinações da verba. Nesses oito meses, já houve diversos atrasos e paralisações na vacinação, oposição do ministério à imunização de adolescentes e lentidão na dose de reforço em idosos.

Além disso, prossegue uma indefinição sobre aquisições de novas doses e sobre a vacinação em 2022.

As contratações em xeque são herança da gestão do general Eduardo Pazuello e do coronel Elcio Franco Filho no Ministério da Saúde.

A reportagem confirmou, por meio de registros da execução orçamentária do governo, que os R$ 2,3 bilhões referentes aos dois contratos estão parados, sem destinação para novas vacinas.

O Ministério da Saúde não respondeu o que pretende fazer com o dinheiro, destravado de forma emergencial por uma MP (medida provisória) assinada por Bolsonaro em dezembro de 2020.

A MP liberou R$ 20 bilhões para a compra de vacinas ao longo de 2021.

Em uma primeira resposta à reportagem, a pasta afirmou que os dois contratos e as duas notas de empenho haviam sido cancelados. Depois, o ministério disse que a anulação foi finalizada somente no caso da Covaxin. "O recurso permanece no Tesouro Nacional", afirmou.

Sobre a Sputnik V, o Ministério da Saúde apresentou à União Química a intenção de rescisão do contrato, conforme a nova nota. "A empresa, no entanto, usando seu direito de ampla defesa, apresentou argumentação, que está em análise pelo ministério."

O ministro Marcelo Queiroga (Saúde) já havia sinalizado a intenção de descartar o contrato da Sputnik V.

A projeção de entrega de vacinas mais recente do ministério, do último dia 13, traz os 10 milhões de doses do imunizante russo com destaque em vermelho e anotação de que o "contrato encontra-se sobrestado/em rescisão".

A União Química fez forte lobby político, ainda no começo do ano, para pressionar a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a liberar o uso emergencial da Sputnik V.

Para isso, a empresa escalou o ex-deputado federal pelo PSD e ex-governador do DF Rogério Rosso, que fez interlocução junto a políticos do centrão no Congresso.

Já a Precisa Medicamentos garantiu o contrato bilionário para fornecer a Covaxin, fabricada pela indiana Bharat Biotech, por meio de fraudes em documentos, irregularidades na execução do contrato e suspeitas de corrupção, que passaram a ser o principal foco da CPI da Covid no Senado.

Nos dois casos, a Anvisa deu aval apenas à importação de doses da Rússia e da Índia, sujeita a uma série de condições especiais e a uma limitação na quantidade inicial de doses. Faltaram documentos básicos para a liberação de uso emergencial das duas vacinas.

Com o acúmulo de suspeitas de corrupção na contratação da Covaxin, inclusive com a acusação de que o presidente da República prevaricou ao não levar adiante a denúncia que recebeu dentro do Palácio da Alvorada, o Ministério da Saúde suspendeu o contrato, para depois cancelá-lo de vez.

Uma nota de empenho, reservando R$ 1,6 bilhão para ser destinado à Precisa e à Bharat Biotech, ficou vigente por mais de seis meses: entre 22 de fevereiro e 2 de setembro.

O dinheiro ficou parado nesse período. E permaneceu inutilizado nos 45 dias posteriores à anulação da nota de empenho.

Queiroga aproveitou o cancelamento do contrato da Covaxin para buscar o mesmo com a Sputnik V. O ministro argumentou que a vacina russa não obteve o aval necessário da Anvisa.

As duas contratações, feitas com os preços mais altos entre os imunizantes adquiridos pelo governo brasileiro, foram centralizadas, negociadas e efetivadas pelo coronel do Exército Elcio Franco Filho, durante o período em que exerceu o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Elcio foi o braço-direito do general Pazuello na condução da pasta. Os dois foram demitidos em março. Logo depois, ganharam cargos de confiança no Palácio do Planalto.

Elcio e Pazuello são investigados pela CPI da Covid e devem ter responsabilidades apontadas no relatório final do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que deve pedir o indiciamento por crimes dos dois militares.

O relatório tem votação agendada para o próximo dia 20.

Dos R$ 20 bilhões liberados por MP em dezembro de 2020 para a compra de vacinas contra a Covid-19, houve o empenho -a autorização para gastos- de R$ 18,3 bilhões (91,5%), segundo relatório de execução orçamentária da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados.

Os pagamentos efetivos, até o último dia 11, somaram R$ 11,7 bilhões (58,5%).

Já dados extraídos pela Consultoria do Senado mostram que o dinheiro antes destinado à Covaxin, no valor de R$ 1,6 bilhão, ficou sem novos empenhos desde a anulação da reserva em 2 de setembro. Os mesmos dados indicam que o dinheiro da Sputnik V segue empenhado --e sem uso.

O governo brasileiro vem fornecendo a estados e municípios quatro tipos de vacinas: a fabricada pela AstraZeneca e pela Fiocruz; a Coronavac, parceria do Instituto Butantan com a chinesa Sinovac; a da Pfizer; e a da Janssen.

O Brasil ultrapassou a marca de 100 milhões de pessoas com esquema vacinal completo contra a Covid-19, o que equivale a quase metade da população total. Com apenas uma dose, são mais de 150 milhões de pessoas, ou mais de 70% da população.

O país, porém, demorou a começar a vacinar em massa, em razão de resistência e até mesmo campanha negativa do governo Bolsonaro em relação às vacinas Coronavac e Pfizer.

Também houve diversas paralisações da imunização em estados e municípios por falta de doses.

Até agora, a dose de reforço em idosos e profissionais de saúde chegou a 1,6% da população; a vacinação em adolescentes chegou a ter recomendação contrária por parte do ministério, o que suscitou em estados e municípios a suspeita de falta de vacinas; e há um cenário de indefinição para 2022.

Na última projeção de entregas de vacinas, atualizada semanalmente pelo Ministério da Saúde, 225 milhões de doses dependiam de confirmação dos laboratórios quanto a recebimento de IFA (ingrediente farmacêutico ativo) ou de tratativas ainda em curso.

Fonte: FOLHA - 16/10/2021 13H:45MIN.