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segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Cachoeira: Flica retorna discutindo sobre liberdade da literatura brasileira

 

Flica retorna de forma presencial discutindo sobre liberdade da literatura brasileira
Foto: Camila Souza/GOVBA

Após um hiato de 2 anos por conta da pandemia da Covid-19, a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) retorna em 2022 com atividades presenciais e temática "Liberdade e Literatura Brasis". A ideia da 10ª edição do evento é comemorar o Bicentenário da Independência Política do Brasil, refletindo sobre as diferentes culturas existentes no país.

 

O tema Brasis vai ser abordado durante a Flica de diversas formas, como o território brasileiro: terras brasis; o povo brasileiro ou aqueles que nasceram no Brasil; os indígenas nativos do Brasil: muitos brasis foram dizimados com a colonização; e Brasis: a Pátria Brasileira nos seus diferentes modos de ser.

 

“Esta é uma temática que abre um leque de opções, como a pandemia, mudança climática, intolerância, racismo, desigualdade, sustentabilidade, entre outros. Queremos discutir os diferentes Brasis existentes, de forma plural e representativa. Por isso escolhemos esta temática, temos motivos para olhar o passado com paixão e vislumbrar um futuro que se revela promissor”, aponta o Coordenador Geral da Flica, Jomar Lima.

 

A programação da Flica 2022 vai dialogar com criadores, pensadores e conhecedores que têm se voltado para a temática da liberdade em todas as suas linguagens e perspectivas. O evento vai acontecer no mês de setembro e vai contar com uma livraria, a programação infantil da Fliquinha, o espaço dedicado à literatura jovem Geração Flica e a Tenda Paraguaçu.

 

Com primeira edição em 2011, há 10 anos a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) se estabelece como um dos principais encontros literários do Brasil, tornando-se um local de reunião de multidões criativas de todas as origens. A festa nasceu e se afirmou no Recôncavo da Bahia, no município de Cachoeira, região estratégica para o entendimento do desenvolvimento socioeconômico e cultural do Brasil e pano de fundo para escritores como Gregório de Matos, Castro Alves, João Ubaldo Ribeiro e Jorge Amado. 


Fonte: BN -15/08/2022

Eleições 2022: Pros retira candidatura e decide apoiar Lula, que iguala maior coligação da história

                                       foto:reprodução


BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A nova executiva nacional do Pros (Partido Republicano da Ordem Social) se reuniu nesta segunda-feira (15) e decidiu, por unanimidade, retirar a candidatura presidencial do coach motivacional Pablo Marçal e apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Caso isso se confirme, o petista chegará a dez partidos em seu entorno, igualando o recorde histórico de Dilma Rousseff em 2010. Conseguirá, também, aumentar em alguns segundos seu tempo de propaganda no rádio e na TV, que já é o maior.

O Pros passa por uma disputa interna de poder que já envolveu várias decisões judiciais que ora colocam uma ala no comando, ora outra.

Na última, o ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Ricardo Lewandowski concedeu no dia 5 liminar devolvendo o comando do partido ao seu fundador, Eurípedes Jr. A decisão foi referendada pelo plenário do TSE, por 4 votos a 3.

Até então, o presidente era Marcus Holanda, que havia bancado a candidatura presidencial de Marçal.

O coach tem afirmado que pretende questionar judicialmente a tentativa de retirá-lo do páreo. Ele não se manifestou sobre a decisão desta segunda até a publicação desta reportagem.

Caso não haja reviravolta no comando do partido por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), a Justiça Eleitoral deve ratificar a retirada da candidatura de Marçal e o apoio da sigla a Lula.

A campanha começa oficialmente nesta terça-feira (16).

Sem Marçal, serão 11 os candidatos à Presidência, sendo que ao menos um deles também corre o risco de não ter o seu pedido aprovado pela Justiça -Roberto Jefferson (PTB), condenado no escândalo do mensalão.

O racha interno do Pros envolve inclusive negociações para tentativa de compra de sentença judicial, como mostrou o jornal Folha de S.Paulo.

As duas alas afirmam ter realizado reuniões partidárias legítimas em que uma acabou destituindo a outra. As ações judiciais movidas na primeira instância deram decisões favoráveis a Eurípedes Jr., o fundador da legenda.

Já o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, órgão de segunda instância, deu ganho de causa à ala contrária, colocando o comando do partido nas mãos de Marcus Holanda desde março deste ano.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, áudios, trocas de mensagens e depoimento registrado em cartório exibem uma negociação para compra de decisão judicial favorável em primeira e segunda instâncias pelo grupo liderado por Holanda.

Houve um encontro e vários contatos entre Holanda e uma irmã do desembargador Diaulas Costa Ribeiro, relator do caso no TJ-DF. A familiar do magistrado indicou a advogada que atuaria no caso.

O desembargador diz que jamais recebeu qualquer proposta criminosa, e que não tem relação com a irmã há duas décadas. No material obtido pela Folha de S.Paulo, não há diálogo em que ele figure como interlocutor. Todos os outros envolvidos nas conversas negam tentativa de compra de sentença.

Pablo Marçal tem 1% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa do Datafolha, e integra o pelotão de candidatos descolados dos três concorrentes mais bem posicionados, Lula (PT), com 47%, Jair Bolsonaro (PL), com 29%, e Ciro Gomes (PDT), com 6%.

O coach, que tem 2,3 milhões de seguidores no Instagram, havia declarado inicialmente um patrimônio de R$ 16,9 milhões, mas afirmou à Folha que esse dado estava errado e que só uma de suas cerca de 20 empresas tem capital social de R$ 100 milhões.

Ele retificou sua declaração no TSE dias depois, afirmando ter bens que somam, no total, R$ 97 milhões.

Em janeiro de 2022, Marçal foi destaque no noticiário por ter liderado uma expedição de 32 pessoas por uma área montanhosa em São Paulo como parte de seu programa de coaching motivacional. O grupo precisou ser resgatado pelos bombeiros, devido às más condições climáticas.

Fonte: FOLHA S. PAULO - 15/08/2022

Eleições 2022: Lula amplia vantagem na pesquisa do BTG/Pactual

 

Pesquisa BTG/FSB: Lula tem 45% da intenções de voto e Bolsonaro soma 34%
Foto: Divulgação

Uma pesquisa do Instituto FSB, encomendada pelo banco BTG Pactual, para presidente da República aponta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45% das intenções de voto. Lula é seguido por Jair Bolsonaro (PL), que soma 34%. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (15).

 

Se comparado com a pesquisa anterior, divulgada em 8 de agosto, Lula subiu quatro pontos percentuais, já que tinha 41%. No mesmo período, Bolsonaro continuou com 34%. Na terceira posição, Ciro Gomes (PDT) aparece com 8% e Simone Tebet (MDB) registrou 2%. Os demais candidatos não pontuaram. Brancos e nulos somaram 1% e outros 2% não souberam ou não responderam, e 5% declararam não votar em nenhum dos candidatos apresentados.

 

A pesquisa também testou a força de Lula e Bolsonaro em um eventual segundo turno. O ex-presidente venceria o atual por 53% a 38%. Lula também venceria Ciro por 50% a 29% e Simone Tebet por 54% a 26%. 


Já em um cenário contra Bolsonaro, Ciro Gomes bateria por 47% a 39%. Caso a disputa fosse entre Bolsonaro e Simone Tebet, haveria empate técnico: 42% a 40% para o atual presidente.

 

A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 14 de agosto, com 2 mil eleitores, intervalo de confiança de 95%, margem de erro de 2 pp e está registrada no TSE sob o número BR-00603/2022.


Fonte: BN -15/08/2022

Ipiaú: Dois morrem e outros três ficam feridos em batida entre motocicletas no centro

 


Uma câmera de segurança instalada em um imóvel na Rua Rio Branco, centro de Ipiaú, registrou o momento da colisão entre duas motocicletas, na madrugada de domingo, 14 de agosto, que deixou dois mortos e três feridos. Na imagem é possível observar que um dos veículos descia a Rio Branco sentido ao semáforo próximo ao antigo Posto Rocha, quando invade a mão contrária e colide frontalmente com a motocicleta que trafegava na outra via. Há suspeita que a moto ocupada pelos três jovens tenha estourado o pneu e com isso o condutor perdeu o controle da direção e invadiu a mão contrária. O vídeo deverá ajudar na perícia da Polícia Técnica.

O acidente

Iago e Valdir não resistiram aos ferimentos

A colisão entre as motocicletas foi registrada por volta de 1h20 de domingo (14), próximo ao cruzamento da Rua Rio Branco com a Rua Silva Jardim. Em uma das motos estavam  Iago Lima Santos, de 21 anos, Caique dos Santos, 19 anos, e Gabriel Menezes Silva, de 21 anos. A princípio foi divulgado que eles estariam numa honda biz, de cor branca, no entanto, a informação foi corrigida e conforme familiares, eles estavam na honda Start, de propriedade de Iago, que acabou não resistindo aos ferimentos e morrendo a caminho do HGI.

Foto: Giro Ipiaú

A biz era ocupada por Valdir Leal Machado, de 34 anos, e Rosivaldo Rodrigues dos Santos, 40 anos, ambos moradores do Residencial ACM. Valdir também não resistiu aos ferimentos e morreu ao dar entrada no Hospital Geral Prado Valadares, em Jequié. Os três feridos também foram internados nessa mesma unidade hospitalar. Não há informação atualizada sobre o estado de saúde deles. 



Fonte:Giro Ipiaú/reprodução -15/08/2022

Eleições 2022: Veja o que pode ou não no dia da votação

Foto: Antônio Augusto/Ascom/TSE

Agência Brasil – Faltam 50 dias para as Eleições 2022, e a Justiça Eleitoral já começou a reforçar para o eleitor, principalmente para os que votam pela primeira vez, os procedimentos e também o que o eleitor pode ou não fazer no dia da votação.

Antes de tudo, o eleitor ou eleitora deve conferir onde fica a sua seção eleitoral, isto é, onde fica a urna em que deverá votar. O endereço pode ser consultado no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em seguida, antes de se dirigir ao local, o eleitor deve ter certeza de que leva consigo o título de eleitor – na versão digital pelo aplicativo e-Título ou em papel – e um documento oficial com foto – RG, CNH, passaporte, certificado de reservista, carteira de trabalho ou, inclusive, carteiras emitidas por órgãos de classe como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselho Federal de Medicina (CFM), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) etc.

No dia da votação, o eleitor ou eleitora pode manifestar sua convicção política e ideológica, desde que isso seja feito de forma individual e silenciosa. Isso quer dizer que está liberado ir votar com broche, bandeira, adesivo ou camiseta do seu candidato ou partido. Não é permitido, contudo, a aglomeração de pessoas uniformizadas nem portando algum identificador de candidato ou partido.

Também é proibido abordar, aliciar ou tentar persuadir as pessoas que estiverem indo votar, alerta a Justiça Eleitoral. Tais atitudes podem configurar o crime de boca de urna, prática proibida pela legislação eleitoral e cuja pena pode ser de seis meses a um ano de detenção.

Outro alerta feito pela Justiça Eleitoral é para que a eleitora ou eleitor não leve celular nem câmera para a cabine de votação. Tirar fotos da urna e de votos não é permitido, pois é visto como uma maneira de quebrar o sigilo do voto, um dos princípios fundamentais do processo eleitoral.

De acordo com o TSE, quem for flagrado na cabine com qualquer aparelho de telecomunicação – incluindo celular, walkie talkie ou radiotransmissor – ou de registro como câmera fotográfica e filmadora, pode ser enquadrado no artigo 312 do Código Eleitoral, que prevê pena de até dois anos de detenção a quem violar ou tentar violar o sigilo do voto.

No caso de eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida, a pessoa pode contar com o auxílio de uma pessoa de sua escolha para votar, mesmo que isso não tenha sido solicitado antes do dia da votação.

De acordo com o TSE, a eleitora ou eleitor cego pode receber orientações dos mesários sobre o uso do sistema de áudio disponível na urna eletrônica, com fone de ouvido descartável oferecido pela Justiça Eleitoral.

Neste ano, há urnas que possuem legenda em libras, para auxiliar o voto de quem possui deficiência auditiva.

Fonte:AG.Brasil - 15/08/2022

Bahia: Carreta cegonha tomba e pega fogo na BR-116 próximo a Jequié

Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Uma carreta cegonha pegou fogo na BR-116, após tombar às margens da pista, próximo ao aterro sanitário da cidade de Jequié.

De acordo com o Blog do Marcus Frahm, o incêndio destruiu os veículos que eram transportados pela carreta. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada para organizar o trânsito na rodovia, que ficou totalmente interditada para remoção dos carros.

O condutor da carreta ficou ferido e foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), para o Hospital Geral Prado Valadares.

Bahia: 46,8% dos lares chefiados por mulheres negras sofrem com insegurança alimentar


                                           foto:reeprodução

 Aline é mãe solo de cinco filhos, entre 2 e 16 anos. Ela recebe o Auxílio Brasil, de R$ 600, com o qual paga o aluguel e integra o endereço mais recorrente da fome em Salvador: lares chefiados por mulheres negras. De manhã, acorda, amamenta a criança mais nova, e não come. No máximo, às vezes, acha uma farinha para misturar com água.  Leva os filhos mais velhos para o Projeto Axé, onde são alimentados. E, de tarde, eles vão para a escola, na qual conseguem almoçar e lanchar. 

No início da noite, a mãe sai para procurar alimento. Primeiro na Praça da Piedade, onde aguarda doações — ultimamente escassas. Quando não consegue, procura verduras e frutas descartadas em feiras ou mercados. Mas a oferta já não é a mesma. "Aproveitam tudo. O máximo que consigo achar é três maçãs podres que eu raspo toda", diz. Há anos, ela ainda achava pedaços de carne no lixo. Mais recentemente, passou a pegar a pelanca do frango, que levava para fritar em casa. Agora, nem isso encontra. "Eles vendem tudo. Até o osso vendem", conta.

A rotina de escassez enfrentada por Aline é classificada como insegurança alimentar, e é a mesma que enfrentam quase metade das famílias chefiadas por mulheres negras. Uma pesquisa feita por professores e estudantes de pós-graduação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), divulgada nesta sexta-feira, 5, revela que a insegurança alimentar prevalece em 46,8% dos domicílios comandados por mulheres negras: insegurança alimentar leve (25,6%) e insegurança alimentar moderada ou grave (21,2%). 

Em Salvador, 40,9% das famílias vivenciam algum nível de insegurança alimentar, segundo a pesquisa, conduzida entre os anos de 2018 e 2020. No último ano, o projeto QUALISalvador, que norteia o novo estudo, apontou que 7,9% das famílias da capital sofrem com insegurança alimentar severa — quando falta comida na mesa, segundo a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar. Além disso, 23,7% vivem em situação de insegurança alimentar leve, quando existe incerteza sobre a capacidade para conseguir alimentos; e 9,3% das famílias enfrentam a insegurança moderada, quando alguma das refeições não é realizada. 

O estudo publicado na “Revista Cadernos de Saúde Pública”, da Fundação Oswaldo Cruz, mostra ainda que entre as famílias da capital baiana, aquelas chefiadas por homens brancos são as que se alimentam melhor. A segurança alimentar foi observada em 74,5% dos lares chefiados por homens brancos. Na amostra de 14 mil domicílios do levantamento,  metade é chefiado por mulheres negras (50,1%), seguido por homens negros (35,4%), mulheres brancas (8,3%) e, por último, homens (6,2%) brancos.

“Não é possível discutir a insegurança alimentar sem considerar a hierarquização social, racial e de gênero, suas articulações e a persistência de práticas discriminatórias reproduzidas tanto em Salvador, quanto em todo o Brasil”, ressalta a coautora da pesquisa, Silvana Oliveira. De acordo com ela, para entender um problema na elaboração de políticas públicas de combate à fome, é necessário incorporar a interseccionalidade – “que considera as relações de poder, como racismo e sexismo”.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Salvador tem 3 milhões de habitantes, dos quais 80% são negros (pretos ou pardos). 

Pão com água 

João*, de 64 anos, se encaixa na classificação de insegurança alimentar moderada. Ele se alimenta bem uma vez por dia, no Restaurante Popular, que cobra o valor simbólico de R$ 1 por refeição. Disse preferir não se identificar porque sente vergonha da situação que enfrenta. “Eu digo para as pessoas que vou almoçar no Boi Preto”, brinca. “Comida tá difícil hoje. Antigamente a gente comia, porque tinha trabalho, muita mão de obra, agora não tem”.

O aposentado faz duas refeições por dia. De manhã, quando come pão com água — por não conseguir comprar leite ou café — e no almoço, quando vai para o restaurante popular. À noite, diz que não tem comida. “E faz o que?”, pergunta a reportagem. “Faz o que? Fica com fome”, responde. A técnica é beber água e ir logo dormir.

Os restaurantes populares, dois administrados pelo governo da Bahia e dois pela prefeitura de Salvador, tentam garantir a segurança alimentar na capital. Cada um dos 417 municípios do estado tem seus próprios restaurantes. Na capital baiana, são oferecidas diariamente um total de 5.945 refeições. 

De acordo com a superintendente de Inclusão e Segurança Alimentar da Secretaria de Justiça Social da Bahia, Rose Pondé, a demanda por refeições nos restaurantes populares aumentou nos últimos três meses. As filas começam a partir das 7h da manhã, para que as pessoas garantam seu alimento. A especialista diz que o órgão observa também uma “migração de classes” no atendimento. 

“Antes nós atendíamos em sua grande maioria o público especificamente em vulnerabilidade social, mas muita gente já percebe numa avaliação mais constante a migração dessa classe. Então temos a procura de pessoas que estão desempregadas, que estão sem renda, e que antes não participavam desse hábito de alimentar-se no restaurante popular”, afirma Rosa Pondé. 

Extrema pobreza 

Até maio deste ano, mais de 5,8 milhões de pessoas estavam cadastradas em situação de extrema pobreza na Bahia, de acordo com dados do CadÚnico. Isso significa que em cada 10 baianos, mais de 3 vivem com uma renda mensal de até R$ 105 — uma taxa de 38% da população. Em junho, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cesta básica de Salvador custava  em média R$ 580. 

Na capital baiana, a Coordenadoria de Segurança Alimentar (Cosan) também percebe o aumento da crise de insegurança alimentar, instaurada nesse período de pandemia. Os planos são aumentar a oferta de alimentos nos restaurantes populares em mais 400 refeições até 2024. A gestão municipal também conta com equipes que coletam doações de alimentos que seriam desperdiçados em feiras livres e supermercados para, após triagem, disponibilizá-los a cerca de 500 instituições sociais.

A pesquisadora Giselle Coutinho, do QUALISalvador, conta que os resultados do estudo foram assustadores. “Com a vivência do campo, 60 pesquisadores sempre traziam esse relato do quão foi triste, impactante. Eu nunca esqueço de uma casa de uma senhora no bairro da Liberdade ou Caixa D'água, ela morava sozinha, numa casa bem simples. Eu perguntei se podia aplicar o questionário.Quando cheguei na parte da insegurança alimentar, ela sempre respondia segurando o choro. Dentro das perguntas, tem se você reduziu a qualidade de alimentação, ela disse ‘Minha filha, eu só como fruta quando o carro da fruta passa e me doa o que sobrou’”, conta.  

Os maiores índices de insegurança alimentar na capital baiana foram encontrados em Ilha de Maré (83,5%), Ilha de Bom Jesus dos Passos (74%) e Calabar (71,2%). Os pesquisadores destacam que, entre os 50 bairros com mais de 50% de famílias em insegurança alimentar, apenas seis não fazem parte do Miolo e do Subúrbio. Já os bairros com os menores percentuais de insegurança alimentar são Itaigara (5,9%) e Caminho das Árvores (6,9%).

Segundo especialistas, algumas consequências da insegurança alimentar são a desnutrição, anemia, falta de nutrientes principalmente em crianças de até 5 anos,  deficiência de crescimento, desenvolvimento hormonal, cognitivo, de energia, e até mesmo obesidade. 

Até maio deste ano, 1.306 baianos foram internados por desnutrição e deficiências vitamínicas. “O cenário que o país está voltando a conviver é esse, de desnutrição e morte por causa da falta de alimentos. Desde a pandemia, tem falta de alimentação escolar. E muita gente está na rua não porque mora lá, mas porque é onde conseguem essa alimentação”, afirma Giselle. 

Crise global 

O melhor resultado de segurança alimentar no Brasil foi registrado em 2013, quando 77% da população tinha uma boa alimentação. Em 2018, o número começou a diminuir. Já entre 2020 e 2021, o levantamento da Rede Penssan divulgado neste ano apontou para 33 milhões de brasileiros que passam fome. Segundo o estudo, apenas 40% das famílias do país têm garantia de acesso pleno aos alimentos atualmente. Nas primeiras semanas de agosto, os pesquisadores vão divulgar a análise específica do estado da Bahia. 

“Segundo o relatório mundial de 2021, a situação é grave em todo o mundo, mas no Brasil ficou ainda pior. Há algo em nossa estrutura de desigualdade que compromete ainda mais o país. Houve decréscimo da segurança alimentar em todas as regiões do país, mas o pior caso continua sendo Norte e Nordeste. Em 2014, no melhor momento, região Sul e Sudeste chegava a ter mais de 80% [de segurança alimentar]. Em 2021, 50%. Mas Norte e Nordeste estava em 50%, e caiu para 28% e 32%”, explica Sandra Chaves, pesquisadora da Rede Penssan e professora de nutrição da Universidade Federal da Bahia (Ufba). 

A professora argumenta que os fatores para o aumento da insegurança alimentar são muitos e perpassam questões estruturais. “Mesmo antes da pandemia, nós já experimentamos em todo o país o aumento da insegurança alimentar, inclusive aumento da insegurança alimentar grave, identificada como fome. Com a pandemia e todas as consequências da gestão equivocada, como a paralisia de políticas sociais que já vinha acontecendo desde 2016, reforma trabalhista, aumento do desemprego, tudo se acumulou e a situação se tornou mais grave”, explica. 

De acordo com Sandra, o desafio para a solução da fome é global. “O último relatório das Nações Unidas, da FAO, sobre o tema, é justamente a construção de políticas alimentares para garantir o acesso da população a uma alimentação saudável”, afirma. A pesquisadora elenca alguns dos obstáculos que precisam ser superados para garantir o direito universal à alimentação, que está presente também na Constituição Federal de 1988 . 

“Precisamos de um sistema de saúde que proteja, profissionais habilitados para o diagnóstico de atenção, vamos precisar de políticas sociais — imediatas, porque quem tem fome tem pressa, como cesta básica, restaurante popular, cozinha comunitária, programa nacional de alimentação escolar. E também investimento na agricultura familiar e reformas estruturais como emprego, renda, escolaridade”, diz. 

No momento, os pesquisadores estão no início da análise de dados estaduais. Os últimos dados disponíveis são da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, entre 2017 e 2018, apontavam para 54,7% dos baianos em segurança alimentar, taxa que deve ser menor na próxima pesquisa, diz Sandra. “Nada nos permite avaliar que os estados da região, como a Bahia, esteja melhor que o Nordeste, a tendência é que siga esse agravamento”, afirma. 

O que é insegurança alimentar?*

Insegurança alimentar leve - quando há receio de passar fome em um futuro próximo; 
Insegurança alimentar moderada - quando há restrição na quantidade de comida para a família;
Insegurança alimentar grave - nos casos de falta de alimento na mesa.

*segundo a Fiocruz

FONTE: CORREIO DA BAHIA/REPRodução -15/08/2022


EUA: Atriz Anne Heche tem morte cerebral declarada

 

A família e os amigos de Anne Heche, 53 anos, esperavam um milagre após o terrível acidente de carro da atriz. Ele não veio, e agora seus parentes mais próximos estão tomando a difícil decisão de desligar seu suporte de vida. Ela teve morte cerebral declarada.

A atriz está sendo mantida com respiração artificial até que seja determinado se algum órgão não danificado no acidente e no incêndio subsequente pode ser doado.

Queremos agradecer a todos por seus desejos gentis e orações pela recuperação de Anne, e agradecer à equipe dedicada e às enfermeiras maravilhosas que cuidaram de Anne no Grossman Burn Center no hospital West Hills”, disse um representante da família de Heche em comunicado.

“Infelizmente, devido ao seu acidente, Anne Heche sofreu uma grave lesão cerebral anóxica e permanece em coma, em estado crítico. Não se espera que ela sobreviva”.

Anne tinha um coração enorme e tocou a todos que conheceu com seu espírito generoso. Mais do que seu talento extraordinário, ela viu espalhar bondade e alegria como o trabalho de sua vida – especialmente movendo a agulha para a aceitação de quem você ama. Ela será lembrada por sua honestidade corajosa e fará muita falta por sua luz.”

Heche foi hospitalizada após o carro que ela dirigia bater em uma casa e pegar fogo na área de Mar Vista, em Los Angeles, na última sexta-feira, 5. Cerca de 60 bombeiros combateram o incêndio causado pela colisão. A atriz sofreu queimaduras graves e entrou em coma, sem nunca se recuperar.

A polícia de Los Angeles conseguiu um mandado para realizar a coleta de sangue após evidências sugerirem que Heche poderia estar sob efeito de drogas ou álcool no momento do acidente, e traços de cocaína e fentanil foram encontrados no sangue da atriz.

Segundo o site TMZ, a suspeita surgiu após testemunhas descreverem que a atriz fez manobras irregulares e imprudentes na rua. Um vídeo também a flagrou quase atropelando uma pedestre. Além disso, antes de seu acidente mais grave, ela bateu num carro estacionado na garagem de um complexo de apartamentos. Ao ser socorrida por moradores, deu marcha à ré e acelerou para fugir do local, vindo em seguida a bater com o veículo de frente numa casa, numa colisão que se provou fatal.

Ela havia recentemente encerrado as filmagens do telefilme Girl In Room 13, do canal pago Lifetime, que explora o submundo sombrio da indústria de tráfico humano. Amy Winter, vice-presidente executiva e chefe de programação da Lifetime Networks, disse que o filme será exibido em setembro, conforme planejado. “Este projeto é importante para Anne, assim como para cada um de nós”, disse Winter.

A atriz de 53 anos tinha uma longa carreira em filmes e séries, iniciada nos anos 1980 na novela Outro Mundo. Ela estrelou filmes como Donnie Brasco (1997), Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), o remake de Psicose (1998) e Seis Dias, Sete Noites (1998), no qual foi par romântico de Harrison Ford. Mas a partir daí sua carreira cinematográfica foi afetada, de forma preconceituosa, quando ela assumiu seu namoro com a Ellen DeGeneres.

Anos depois, ela se revelou bissexual, ao se envolver com um assistente de câmera e, mais tarde, James Tupper, seu par romântico na série Men in Trees, com quem teve um filho. A série de 2006, por sinal, foi seu maior sucesso e antecipou um modelo de trama reprisado até hoje com sucesso, veja-se Virgin River na Netflix.

Na TV, ela também fez Hung, Dig, Quantico, Aftermath, The Brave e Chicago PD, entre muitas outras atrações.

Ele deixa cinco filmes inéditos, em fase de pós-produção, e um último papel numa série, The Idol, criada por The Weeknd, que será lançada em breve na HBO.