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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Denúncia da PGR: Carta de comandantes respaldou ação contra Três Poderes, diz Cid; ouça

o então presidente Bolsonaro e o então "faz tudo" Ten. Coronel Mauro Cid
                               
                               

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, afirmou em áudio que uma carta elaborada pelos então comandantes das Forças Armadas fez com que manifestantes acampados em frente ao Quartel General (QG) do Exército se sentissem respaldados para intensificar as manifestações antidemocráticas.

O áudio, obtido pela Polícia Federal (PF) durante as investigações da suposta trama golpista, foi enviado por Cid, em 11 de novembro de 2022, ao então comandante do Exército, general Freire Gomes.

Cid destaca a importância que a carta teve para as pessoas que participaram das manifestações. De acordo com ele, a mensagem dos comandos fez com que eles se sentissem seguros em relação a uma possível retaliação, vinda inclusive do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

“E aí o medo deles é retaliação por parte do Alexandre Moraes. Então, no entendimento deles, essa carta significa que as Forças Armadas vão garantir a segurança deles. Manifestação pacífica é livre. Então, se eles forem lá e forem presos, as Forças Armadas vão garantir a segurança deles”, disse.

A carta mencionada por Cid foi, na realidade, um comunicado assinado pelos comandantes do Exército, Aeronáutica e Marinha, em 11 de novembro de 2022. Intitulada de “Às instituições e ao Povo Brasileiro”, o texto destaca o direito dos brasileiros à livre manifestação.

Foi assinada por Almir Garnier Santos (Marinha), Marco Antônio Freire Gomes (Exército) e Carlos de Almeida Baptista Júnior (Aeronáutica).

“A Constituição Federal estabelece os deveres e os direitos a serem observados por todos os brasileiros e que devem ser assegurados pelas instituições, especialmente no que tange à livre manifestação do pensamento; à liberdade de reunião, pacificamente; e à liberdade de locomoção no território nacional”, consta em trecho da carta.

Hugo Barreto/MetrópolesO ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid -- Metrópoles
Mauro Cid foi ajudante de ordens de Jair Bolsonaro durante todo o governo

Segundo Cid, o conteúdo foi muito “elogiado” e deu segurança aos manifestantes para darem “uma passo a frente”. “Então, os organizadores dos movimentos vão canalizar todos os movimentos previstos (inaudível) o dia 15 como ápice, a partir de agora, lá para o Congresso, o STF, a Praça dos Três Poderes, basicamente”.

O episódio reforça a ideia de que, antes mesmo das manifestações do 8 de Janeiro, já havia uma interlocução de pessoas próximas ao governo federal com lideranças dos movimentos.

“Percebe-se que, no dia 11 de novembro de 2022, já havia a intenção de que as manifestações fossem direcionadas fisicamente contra o STF e o Congresso Nacional, fato que efetivamente ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023”, diz relatório da PF sobre o caso.


Denúncia da PGR: Áudios mostram reunião de Kids Pretos sobre plano contra Moraes; ouça


                                           foto:Breno Esak/reprodução


Material obtido pela Polícia Federal (PF) durante a investigação de suposto plano de golpe no fim de 2022, cujo objetivo era impedir a posse do então presidente eleito Lula (PT), mostram troca de áudios entre Kids Pretos sobre reunião em que teria sido discutido plano contra Lula, Alckmin e Moraes.

O encontro teria sido organizado na casa do general Walter Braga Netto, em 12 de novembro de 2022. Nesse dia, o então ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) envia áudio para Rafael Martins de Oliveira indicando que fosse para a “112 Sul”, onde Braga Netto morava, em Brasília.

“De Oliveira, ou vai lá para o [Palácio da] Alvorada, tá, que eu to chegando lá, ou vai para a 112 Sul, bloco B. A gente se encontra lá, o que ficar melhor para vocês aí”, afirmou ao interlocutor. Ele responde: “Blz”.

“De Oliveira, ou vai lá para o [Palácio da] Alvorada, tá, que eu to chegando lá, ou vai para a 112 Sul, bloco B. A gente se encontra lá, o que ficar melhor para vocês aí”, afirmou ao interlocutor. Ele responde: “Blz”.

Pouco depois, no mesmo dia, o militar Hélio Ferreira Lima também envia áudio para Cid falando que “tamo chegando na 112”.

Em seguida, Ferreira Lima, utilizando o jargão militar, segundo a PF, pede mais alguma orientação a Cid, demonstrando não saber exatamente onde seria realizado o encontro. Diz: “Tamo aqui cara. Tem mais algum ponto aí nessa pista de orientação ou não?”.

Mauro Cid, então, responde que estava chegando e pergunta se estão em frente ao “Bloco B”. Ferreira Lima diz: “Tamo na banca de revista aqui na, na esquina do Bloco B”.

De acordo com relatório da PF sobre o caso, no dia da reunião na residência de Braga Netto, foi apresentado e aprovado planejamento para a tentativa golpista.

Rafaela Felicciano/MetrópolesPresidente Bolsonaro conversa com Braga Netto durante evento - Metrópoles
Jair Bolsonaro e Braga Netto

“Os elementos probatórios evidenciaram que os investigados ajustaram no dia 8/11/2022 a elaboração de um planejamento operacional para ações de Forças Especiais a ser apresentado para o general Braga Netto. O documento denominado ‘punhal verde amarelo’ foi elaborado e impresso no dia 9/11/2022, no Palácio do Planalto, pelo [então] Secretário-executivo da Secretaria-geral da Presidência, general Mario Fernandes”, afirma o documento.

No material coletado pela corporação ao longo da apuração, também foi identificado áudio em que Fernandes diz que teria discutido com Bolsonaro possíveis datas para o golpe.

O áudio teria sido enviado a Cid em 8 de dezembro de 2022, depois de Lula (PT) e Alckmin terem vencido a eleição contra Bolsonaro. Segundo Fernandes, ele diz que conversou com o então presidente, que teria citado o dia 12 e dito que a data “não seria uma restrição”.

“Mas, porra, a gente não pode perder oportunidade. São duas coisas. A primeira, durante a conversa que eu tive com o presidente, ele citou que o dia 12, pela diplomação do vagabundo, não seria uma restrição, que isso pode, que qualquer ação nossa pode acontecer até 31 de dezembro e tudo.”

Em delação premiada, Cid afirmou que a reunião do dia 12 de novembro teria discutido ações para “gerar caos social”. A informação consta na denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral da República na semana passada, que denunciou Cid, Bolsonaro e outros 32 aliados.

Fonte: /Metrópoles - 24/02/2025

Abin 'privatizada' usou software espião 887 vezes para Bolsonaro


                                              foto:reprodução/ag.Senado



 Novos depoimentos de Mauro Cid e evidências revelam como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi utilizada durante o governo Bolsonaro para monitorar adversários políticos e até mesmo aliados, através do uso irregular de um software de espionagem israelense chamado First Mile.

Confira no link abaixo do site do UOL de hoje( 24) 


https://noticias.uol.com.br/colunas/a-hora/2025/02/24/abin-privatizada-usou-software-espiao-887-vezes-para-bolsonaro.htm

TJ-BA aumenta auxílio-alimentação de juízes e servidores

                                                foto:reprodução

 O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) aumentou o auxílio-alimentação de dos juízes e servidores para R$ 2.200, a partir da folha de pagamento de março de 2025. O benefício pago anteriormente era de R$ 1.900, sendo reajustado em 13,6%. 

 

Em um comparativo com o salário mínimo do brasileiro que, atualmente, é R$ 1.518, houve um reajuste de apenas 7,5%.  Informações do BN em 24/02/2025

Áudios mostram trama golpista de 2023: ‘Um mecanismo de pressão chamado arma’


                                                 foto:reprodução

Áudios inéditos sobre a tentativa de golpe que aconteceu em 8 de janeiro de 2023 mostram os bastidores de uma trama que tentou derrubar o governo eleito democraticamente. Os arquivos foram tirados dos celulares e dos computadores a partir de apreensões e quebras de sigilo e foram divulgados pelo programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo, dia 23.

Alguns áudios foram enviados pelo tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida, então lotado no COTER (Comando de Operações Terrestres do Exército): “A gente não sai das quatro linhas. Vai ter uma hora que a gente vai ter que sair. Ou então eles vão continuar dominando a gente”, disse a um interlocutor que não foi identificado.

“Eu acho que o pessoal poderia fazer essa descida aí, né? E ir atravancando mesmo. Porque, pô, a massa humana chegando lá, não tem PM [Policial Militar] que segure. P****, vai atropelar a grade e vai invadir. Depois, não tira mais”, seguiu.

O interlocutor desconhecido afirmou na conversa: “Tá com medo de ficar pra história, de dizer que fomentou um golpe? É a hora da gente, cara”.

Em outro áudio, Almeida diz: “Se tu tiver alguma possibilidade de influenciar alguém dos movimentos, eu tô tentando plantar isso nas redes, onde eles estão. Tô participando de vários grupos civis”. A ideia era usar os grupos de civis que estavam acampados como massa de manobra para conseguir o que eles queriam.

Muitos manifestantes mandavam mensagem diretas para os militares. Um deles, chegou a pedir a liberação de entrada de uma barraca.

“Não adianta protestar na frente do QG do Exército. Tem que ir pro Congresso. E as Forças Armadas vão agir por iniciativa de algum Poder. Porque, assim, todo mundo quer Forças Armadas por quê? Quer um mecanismo de pressão chamado arma. Para apaziguar, a gente resolve destituir, invalidar a eleição. Colocar voto impresso e fazer uma nova eleição. Com ou sem Bolsonaro”, seguiu.

Em outro áudio, enviado pelo general Mario Fernandes, ele diz “Kid preto, o decreto é real. Foi despachado ontem com o presidente. É. (Risos)”.

Uma mensagem enviada por um caminhoneiro envolvido nos protestos ao general Fernandes questiona até quando eles deveriam permanecer no local fazendo as manifestações. Além disso, foi solicitada a ajuda do ex-presidente Jair Bolsonaro para que as pessoas que estavam protestando fossem beneficiadas.


Em áudio enviado pelo general Mario Fernandes para o tenente-coronel Mauro Cid, ele diz: “Parece que existe um mandado de busca e apreensão do TSE ou do Supremo, em relação aos caminhões que tão lá. Já andou havendo prisão realizada ali, pela Polícia Federal. Se o presidente pudesse dar um input ali pro Ministério da Justiça, pra segurar a PF. Eu tô tentando agir diretamente junto às Forças, mas pô, se tu pudesse pedir pro presidente ou pro gabinete do presidente atuar. Pô, a gente tem procurado orientar tanto o pessoal do agro, como os caminhoneiros que estão lá em frente”.

Em outra mensagem, Fernandes fala com o general Braga Netto: “Então, p****, se o senhor puder intervir junto ao presidente, falar com o ministro Anderson, p****. Segurar a PF, p****, pra esse cumprimento de ordem. Ou com o Comandante do Exército, pra gente segurar, pô, proteger esses caras ali”.

Mauro Cid também mando mensagens falando sobre o assunto: “A gente tá recebendo cara de TI, hacker. Eu não bebo cerveja, mas depois, eu te conto as coisas que a gente já fez aqui. A gente tem cara infiltrado em tudo quanto é lugar. Monitorando e passando pra gente as informações. Refutando ou ajudando a instigar, digamos assim. Matemático, estatístico, PHD. Aquelas denúncias sigilosas: vai encontrar o cara no mercadinho, vai encontrar o cara na garagem, o cara passa um pen drive. Tem de tudo, cara. Mas ninguém ainda chegou com uma coisa que consiga abrir uma investigação”.

O coronel George Hobert Oliveira Lisboa também mandou áudios confabulando sobre o golpe: “Tá ficando muito claro que o Alto Comando, e não é o Exército, é o Alto Comando do Exército, ele tá se fechando em copas. Talvez, com uma maioria contra a decisão do presidente. Mas, pensando, em primeiro lugar, na instituição. Pensando, em primeiro lugar, no próprio Exército. Quando deveria estar pensando, em primeiro lugar, no Brasil. Eu sei quanto o senhor está comprometido com essas ações. O risco que todos nós estamos correndo, participando dessa frente”.

A PF apreendeu 1,2 mil equipamentos eletrônicos dos envolvidos na tentativa de golpe de estado e tirou 255 milhões de mensagens de áudio e vídeo. Os peritos federais elaboraram 1.214 laudos que, de acordo com a investigação, revelam quem foram as pessoas que participaram da tentativa de golpe.

Para os investigadores, os áudios mostram que integrantes do alto escalão do governo do ex-presidente agiram para pressionar os comandantes militares a aderirem à ruptura institucional.

Mauro Cid falou também aos envolvidos que Bolsonaro teria editado a minuta do decreto golpista para ganhar apoio dos militares. O documento estaria autorizando o cancelamento das eleições e daria sustentação jurídica ao golpe. “Ele entende as consequências do que pode acontecer. Hoje, ele mexeu naquele decreto, ele reduziu bastante, fez algo muito mais direto, objetivo e curto”, disse.

Mas a demora de Bolsonaro mexeu com os ânimos. O golpe, de acordo com os áudios, só não teria acontecido por uma falta de coordenação entre os próprios envolvidos na trama. “Deu ruim, tá? Acabei de falar com o nosso amigo lá, ele falou que não vai rolar nada. O Alto Comando não vai topar. A Marinha topa, mas só se tiver outra Força com ela, porque ela não aguenta a porrada que vai tomar sozinha”, disse o tenente-coronel Sérgio Cavaliere para o coronel Gustavo Gomes.

Em áudio enviado pelo coronel Bernardo Corrêa Netto para o coronel Fabrício Bastos ele diz: “Ele falou: ó cara, pode esquecer, o decreto não vai sair, presidente não vai fazer, só faria se tivesse apoio das Forças Armadas, porque ele tá com medo de ser preso. Falei com ele, agora de manhã”.

A defesa do general Mario Fernandes disse que ainda não teve acesso completo ao conteúdo resultante das quebras de sigilo e que a denúncia apresenta apenas trechos desconexos. Além disso, afirmou que ele prestou relevantes serviços ao Brasil e que demonstrará a sua inocência.

A defesa do tenente-coronel Mauro Cid disse que não vai se manifestar. O programa não conseguiu contato com a defesa dos demais citados.

Fonte: ISTOÉ -24/02/2025

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Marcelo Rubens Paiva é agredido durante homenagem em bloco de carnaval em SP

                                                          Foto: Reprodução / Redes Sociais

 A homenagem ao escritor Marcelo Rubens Paiva no bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, em São Paulo, foi marcada por agressões na tarde deste domingo (23). O autor do livro "Ainda Estou Aqui", que inspirou o filme indicado ao Oscar, foi agredido antes do início do desfile. 

 

Paiva entrou no bloco usando uma máscara da atriz Fernanda Torres, protagonista do filme. Logo após cumprimentar o público, uma lata de cerveja foi arremessada em sua direção. Em seguida, um homem atirou uma mochila, que atingiu o rosto do escritor.

 

Veja o momento em vídeo: 

 

 

Um vídeo registrou o momento da confusão. Nas imagens, é possível ver um homem mostrando o dedo do meio para Paiva, que avança com a cadeira de rodas em direção às grades de proteção. Seguranças do bloco intervieram e contiveram a confusão.

 

Fonte: BN- 23/02/2025

Europa: Conservadores vencem eleição alemã e encerram era Scholz

                                                                     

Sob a liderança de Friedrich Merz, União Democrata Cristã (CDU) volta a formar maior bancada no Parlamento 3 anos após fim do governo Merkel -  foto: Johannes Simon/Getty Images


Em meio a um cenário de crise econômica e tensões geopolíticas, os alemães foram às urnas neste domingo (23/2) em eleições legislativas antecipadas para definir os novos membros do Parlamento (Bundestag).

As primeiras pesquisas de boca de urna apontam que a conservadora União Democrata Cristã (CDU) combinada com seu parceiro bávaro, a União Social Cristã (CSU), foi a legenda mais votada do pleito, com cerca de 29% dos votos, cacifando o líder conservador Friedrich Merz a ocupar o posto de chanceler federal e substituir o impopular social-democrata Olaf Scholz na chefia do governo alemão.

“A esquerda acabou. Não há mais maioria de esquerda e não há mais política de esquerda na Alemanha“, disse Merz nesse sábado (22/2) em uma cervejaria em Munique, durante o comício que fechou sua campanha.

Apesar de ter superado o Partido Social-Democrata (SPD) de Scholz, a CDU/CSU não assegurou maioria entre as 630 cadeiras no Bundestag. Assim, a legenda ainda terá que costurar alianças com outras siglas para solidificar a ascensão de Merz ao posto e garantir a formação de um governo estável, um processo que pode se arrastar por semanas. Até lá, Scholz deve permanecer no posto interinamente.

Mas é considerado certo que os dias de Scholz à frente do governo parecem contados. Castigado por desaprovação recorde, o atual chanceler federal e o SPD devem obter apenas 16% dos votos – o pior resultado da legenda em mais de um século -, levando o partido a cair para a terceira posição entre as maiores bancadas do Bundestag, algo que também não era observado desde o fim do século 19.

Com o resultado, Scholz deve se tornar o chanceler federal mais breve desde a reunificação do país em 1990, tendo ficado menos de quatro anos no cargo.

Já a segunda maior bancada passará a ser ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), que deve obter 19,5% dos votos numa eleição dominada por questões como imigração, crise econômica e acusações de interferência externa. Com essa porcentagem, a AfD quase dobrou seu eleitorado em relação ao último pleito, em 2021.

Os Verdes, parceiros de Scholz na atual coalizão de governo, sofreram um leve declínio, aparecendo com 13,5% dos votos. Eles foram seguidos pelo partido A Esquerda (Die Linke), com 8,5%, uma marca que reverteu o desgaste sofrido pela legenda nos últimos anos.

Os resultados preliminares também apontam que o Partido Liberal Democrático (FDP, na sigla em alemão) – cuja saída do governo em novembro levou à antecipação da eleição – e a nova legenda populista de esquerda Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) podem não superar a cláusula de barreira de 5% e, por isso, correm o risco de ficar de fora do Bundestag.

Eleição agora vai dar lugar à fase de negociações

Os resultados preliminares apontam que a CDU/CSU conseguiram recuperar terreno entre o eleitorado em relação ao pleito de 2021, quando foram superados pelo SPD. os conservadores cresceram cinco pontos percentuais – o resultado, porém, continua abaixo das marcas obtidas pelo partido sob a liderança da ex-chanceler Angela Merkel nos pleitos entre 2005 e 2017.

Por enquanto, a governabilidade para os conservadores permanece uma incógnita. Para conseguir liderar um governo estável na Alemanha, um pretendente a chanceler federal precisa garantir mais de 50% dos votos no Bundestag. Como nenhum partido obteve essa marca sozinho, vai entrar em cena a costura de alianças .

Na Alemanha, os eleitores não votam diretamente nos candidatos a chanceler, mas em seus partidos e em candidatos a deputado pelas legendas. Normalmente, cabe à legenda que conquistar mais cadeiras no Bundestag e/ou que tiver mais chances de liderar a costura de uma coalizão com mais de 50% das cadeiras encabeçar o governo – e consequentemente escolher o chanceler federal.

Não é inédito que um aspirante conquiste a chancelaria sem que seu partido tenha terminado em primeiro lugar nas eleições. Isso já ocorreu em pleitos realizados na antiga Alemanha Ocidental em 1969, 1976 e 1980, quando partidos menos votados mostraram mais capacidade de formar coalizões. No entanto, tal cenário é considerado improvável, considerando o declínio do SPD e o isolamento da AfD.

Como Merz e a CDU/CSU descartaram uma aliança com a AfD, analistas apontam que Merz terá que cortejar os partidos que aparecem na terceira e quarta posições para garantir uma coalizão estável. Ou seja, os social-democratas e verdes, que governaram a Alemanha nos últimos três anos.

A ascensão de Merz

Nascido em 1955 em Brilon, na antiga Alemanha Ocidental, Merz ingressou na CDU ainda na adolescência. Formado em Direito, ele chegou a atuar como juiz antes se candidatar a cargos eletivos. Estreou como eurodeputado em 1989. Na década seguinte, foi eleito para o Parlamento alemão.

Membro de um grupo rival interno ao da ex-chanceler Merkel na CDU, Merz acabou se afastando da política em 2009, passando a atuar no setor privado. Em 2018, com a aposentadoria de Merkel já no horizonte, voltou à política, tornando-se líder da CDU em 2021.

No comando da legenda, Merz deu uma guinada conservadora, afastando a CDU da rota centrista adotada por Merkel por quase duas décadas, o que levou a imprensa estrangeira a defini-lo como um conservador “anti-Merkel”.

Opositor da política de “boas-vindas” aos refugiados da sua predecessora, Merz passou a defender uma abordagem mais rígida contra a imigração. Também se mostrou crítico ao fechamento de usinas nucleares acertado por Merkel.

Em alguns momentos, Merz foi acusado por rivais de se aproximar da ultradireita. Em janeiro, após um ataque a faca executado por um afegão que deixou dois mortos, Merz tentou aprovar no Bundestag, com apoio da AfD, um projeto para restringir a imigração. O gesto foi visto como uma rachadura significativa no “cordão sanitário”, pacto dos partidos tradicionais para isolar politicamente a ultradireita, e provocou protestos nas ruas e críticas da ex-chanceler Merkel.

Merz tentou minimizar o episódio reforçando que nunca pretende se aliar à AfD. Se ascender mesmo ao posto de chanceler federal, Merz será o terceiro membro da CDU a chefiar o governo alemão desde a reunificação do país, em 1990.

Social-democratas amargam derrota histórica

Com 16% dos votos no pleito antecipado, o SPD de Scholz obteve uma das piores votações da sua história. Em comparação com 2021, foram quase dez pontos percentuais a menos.

O resultado negativo só é comparável aos obtidos nos primeiros anos da legenda, entre os anos 1870 e 1880, durante o antigo Império Alemão. A última vez que o partido havia ficado abaixo da marca dos 20% foi no pleito de 1933, quando os nazistas já estavam no poder e a campanha foi marcada por intimidação.

Com o resultado deste domingo, os social-democratas caíram para a terceira posição entre as bancadas no Parlamento. Novamente, um feito histórico: a última vez que a legenda não ocupou o primeiro ou segundo lugares ocorreu em 1887.

Com seus dias aparentemente contados como chanceler, Scholz também se tornará o líder de governo menos longevo desde a reunificação, em 1990.

Scholz chegou ao poder em dezembro de 2021, na esteira de 16 anos de governo da ex-chanceler conservadora Angela Merkel, costurando uma inédita – pelo menos desde a reunificação – tríplice coalizão para governar a Alemanha, formada pelo seu SPD, os Verdes e o FDP.

No início de novembro, o FDP saiu ruidosamente do governo. Sem os liberais, Scholz se viu na posição de líder de um governo de minoria e acabou abrindo caminho para eleições antecipadas – inicialmente, o pleito estava marcado para setembro.

Agonia dos liberais e estagnação dos Verdes


O SPD de Scholz não foi o único partido da coalizão de governo a ser castigado pelo eleitorado. Membros remanescentes da coalizão de Scholz, os Verdes sofreram uma leve redução entre o seu eleitorado, terminando a eleição com 13,5% dos votos – contra 14,8% em 2021. Numa campanha dominada pela economia e imigração, os Verdes tiveram dificuldades para promover sua agenda ambiental.

Já o Partido Liberal-Democrático (FDP), parceiro do chanceler até a ruptura de novembro, pode obter nesta eleição um dos piores resultados da sua história, aparecendo na disputa com 4,9% dos votos, abaixo da cláusula de barreira de 5%. Com isso, o FDP corre o risco de ficar fora do Parlamento.

Ultradireita quase dobra votação na eleição alemã

Segundo os primeiros resultados, a ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) deve praticamente dobrar sua atual bancada de mais de 70 deputados no Parlamento e se tornar o segundo maior partido da Casa, apenas atrás da CDU/CSU.

No entanto, esse aumento expressivo entre o eleitorado não deve se traduzir necessariamente em poder para a AfD, já que todos os partidos tradicionais já avisaram que não pretendem se aliar com a sigla para formar um novo governo.

Fundada em 2013, inicialmente como uma sigla eurocética de tendência liberal, a AfD rapidamente passou a pender para a ultradireita, especialmente após a crise dos refugiados de 2015-2016. Com posições radicalmente anti-imigração, membros que se destacam por falas incendiárias ou racistas, a legenda é rotineiramente acusada de abrigar neonazistas.

Nesta eleição federal, o partido indicou como candidata a chanceler uma das colíderes da legenda, a deputada Alice Weidel.

Redobrando seu discurso anti-imigração, especialmente após uma série de ataques cometidos por homens de origem estrangeira desde novembro nas cidades de Magdeburg, Aschaffenburg e Munique, a AfD também recebeu endossos externos durante a campanha por parte do bilionário sul-africano Elon Musk e o vice-presidente americano J.D. Vance, o que levou rivais a acusarem interferência externa.

Esquerda renasce das cinzas

A eleição deste domingo também foi palco de um renascimento que parecia improvável há poucos meses. Ao conquistar 8,5% dos votos, segundo as primeiras pesquisas, o partido A Esquerda (Die Linke) se juntou ao clube de legendas que registrou crescimento.

Formada em 2007 em parte por remanescentes do antigo partido comunista da Alemanha Oriental, A Esquerda por pouco não havia ficado de fora do Bundestag em 2021. Obtendo 4,9% dos votos, a legenda só não foi barrada pela cláusula de barreira de 5% porque conseguiu eleger três deputados por voto direto, o que compensou a votação magra.

Em 2024, veio uma nova crise. Um grupo de dez deputados deixou a legenda para formar uma nova agremiação concorrente. Por um momento, parecia que A Esquerda caminhava para a irrelevância.

No entanto, em janeiro, o quadro começou a mudar. A ajuda decisiva parece ter vindo de políticos mais jovens da legenda. Uma das sensações da campanha foi a deputada de esquerda Heidi Reichinnek, de 36 anos, que amealhou meio milhão de seguidores no TikTok. Em janeiro, um de seus vídeos, com pesadas críticas ao conservador Merz, se tornou viral na Alemanha. No mesmo mês, o partido ganhou 20 mil novos filiados.

 Fonte: /Metrópoles - 23/02/2025

 

TJBA aposenta juiz que fez edital só para LGBT e chamou corregedor de 'gay'

 

                                    Juiz Mário Gomes, do TJ da Bahia -Imagem: Reprodução


O juiz baiano Mário Soares Caymmi Gomes, recorre ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para tentar anular o processo do TJ da Bahia que o aposentou compulsoriamente. 

A decisão dos desembargadores foi tomada em sessão no último dia 29 de janeiro, que julgou o PAD (processo administrativo disciplinar) aberto em 2023.

Confira a reportagem completa no link abaixo do site UOL deste domingo assinada pelo jornalista Carlos Madeiro.

https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2025/02/23/tjba-aposenta-juiz-que-fez-edital-so-para-lgbt-e-chamou-corregedor-de-gay.htm