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sábado, 5 de fevereiro de 2022

Putin formaliza em Pequim entrada na Guerra Fria 2.0 ao lado da China contra os EUA

 

Putin formaliza em Pequim entrada na Guerra Fria 2.0 ao lado da China contra os EUA
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Os líderes da China e da Rússia formalizaram nesta sexta-feira (4) uma aliança que vinha ganhando corpo nos últimos anos contra as políticas ocidentais personificadas na agenda dos Estados Unidos, apontada como "abordagem ideologizada da Guerra Fria".
 

Assim, Xi Jinping e Vladimir Putin concordaram em um comunicado em denunciar a expansão da Otan, a aliança militar ocidental, que está no cerne da grave crise em curso na Ucrânia, e também os pactos militares americanos na região do Indo-Pacífico.
 

Esses são os exemplos mais vistosos, mas não únicos, do texto de 5.300 palavras em russo divulgado pelo Kremlin, do que ambos os líderes chamaram de "amizade sem limites" entre Pequim e Moscou. Algo "sem precedentes", na voz de Putin.
 

Vistosos por exemplificar os principais problemas estratégicos que afetam, respectivamente, o maior país do mundo que formava o centro da União Soviética e a segunda maior economia global, uma ditadura comunista adepta da economia de mercado.
 

"As partes se opõem à expansão adicional da Otan e pedem que a aliança abandone a abordagem ideologizada da Guerra Fria", diz o texto. Putin tem cerca de 130 mil homens mobilizados em torno das fronteiras ucranianas, um movimento que inicialmente parecia visar a resolver o status do conflito no leste do país entre rebeldes pró-Rússia e Kiev.
 

A questão virou algo maior: a definição de uma paz europeia em termos aceitáveis para o Kremlin, o que não inclui a Ucrânia como parte da Otan e mesmo a presença de armas ofensivas em membros do Leste Europeu do clube. EUA e aliança rejeitaram o ultimato, e o impasse prossegue.
 

No entorno chinês, a Guerra Fria 2.0 movida em reação à maior assertividade de Xi já causou conflitos diversos com os EUA: guerra comercial e tarifária, disputa sobre a autonomia de Hong Kong, provocações nas rotas marinhas que Pequim considera suas e a ameaça da China de tomar Taiwan.
 

"As partes se opõem à formação de estruturas de blocos fechados e campos opostos na região da Ásia-Pacífico e permanecem altamente vigilantes sobre o impacto negativo da estratégia americana no Indo-Pacífico para a estabilidade e paz na região", diz o texto.
 

No ano passado, o governo de Joe Biden formalizou um pacto militar com Austrália e Reino Unido e reavivou a aliança Quad (com australianos, japoneses e indianos) contra a China.
 

Se alguém tinha dúvida acerca do afinamento entre Xi e Putin, os líderes resolveram desenhar suas intenções. Elas incluem esforços conjuntos contra "revoluções coloridas", o nome genérico e de assimilação midiática fácil àquilo que Moscou chama de golpes para derrubar governos pró-Kremlin na antiga periferia soviética.
 

Elas ocorreram em locais como Ucrânia e Geórgia e não acabaram bem de todo modo. A China acusa os EUA exatamente da mesma coisa ao patrocinar os movimentos pró-democracia de Hong Kong, que foram esmagados com mão de ferro após a revolta de 2019, e o governo taiwanês —na ilha que Xi chama de sua, incursões aéreas com aviões militares chineses são eventos semanais.
 

O encontro de Xi e Putin ocorreu antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim, evento boicotado diplomaticamente pelo Ocidente. Pouco mais de 20 líderes participarão da abertura, mas o russo é a estrela. Assim, o governo fortemente autocrático russo e a ditadura chinesa dão as mãos oficialmente. Não há menção no documento a aspectos práticos já em curso, como a crescente cooperação militar entre as potências e os grandes projetos de energia.
 

Eles são a chave e também o limite da associação. Do ponto de vista militar, Rússia e China são rivais históricos, e seria surpreendente se chegassem a uma aliança formal, integral, como por exemplo a que existe entre Moscou e a ditadura da Belarus.
 

Economicamente, a deferência política de Xi a Putin embute o risco percebido em Moscou de que a Rússia pode se tornar uma província energética da China, ofertando gás natural barato por meio de um projeto de US$ 400 bilhões chamado Força da Sibéria —o segundo gasoduto da rede deve ser anunciado logo.
 

Para o russo, contudo, é uma saída única. Se a pressão americana sobre países como a Alemanha —que está adiando a abertura de um novo gasoduto a ligá-la diretamente à Rússia— ou uma ruptura devido a uma guerra na Ucrânia ocorrerem, o mercado europeu pode se fechar ao gás de Putin.
 

A China, cujo consumo anual do produto deve ultrapassar o de toda a Europa até o fim da década, pode oferecer uma linha vital para a sobrevivência desse pedaço central da economia russa, que de resto tem enfrentado bem as sanções que se abatem sobre ela desde que Putin anexou a Crimeia, em 2014.
 

Naquele ano, um arremedo de "revolução colorida", mais violento e menos romântico que as versões dos anos 2000, derrubou o governo pró-Kremlin de Kiev. A anexação e o fomento à guerra civil no leste ucraniano foram as respostas imediatas de Moscou, que depois participou de um cessar-fogo frágil que agora Putin quer ver implementado como plano de paz.
 

O encontro de ambos foi altamente coreografado e, apesar de ambos os líderes serem conhecidos pelos cuidados extremos para não contrair Covid-19, não houve máscaras ou distanciamento. Trata-se da primeira reunião deles desde a pandemia de coronavírus, e a 38ª desde que Xi assumiu, em 2012 —Putin está no poder desde 9 de agosto de 1999, quando virou premiê pela primeira vez.
 

No texto divulgado, um trecho atribuído a Xi resume diversos discursos feitos pelo chinês nos últimos anos, no qual discorre sobre sua visão particular de democracia. "Estamos trabalhando juntos para trazer à vida o verdadeiro multilateralismo. Defendendo o real espírito da democracia, servindo como uma fundação confiável para unir o mundo nas próximas crises, e defendendo a igualdade."
 

A visão, contraditória a olhos ocidentais por partir do líder de uma ditadura, é compartilhada por Putin. Ambos denunciam a defesa de valores democráticos feita pelos EUA como hipócrita, já que há exemplos de sobra (Iraque, Afeganistão) de que ela pode ser forçada por meios militares, gerando tragédias.
 

Os americanos não comentaram oficialmente a declaração de chineses e russos. O diplomata Daniel Kritenbrink, responsável por assuntos ligados à Ásia no Departamento de Estado, se limitou a dizer que Xi "deveria ter sido o líder de uma potência responsável" e usado o encontro desta sexta para ajudar a reduzir as tensões com Kiev.
 

A principal diferença entre Pequim e Moscou até aqui é a abordagem externa. Xi se vale de instrumentos econômicos, enquanto Putin não hesita em flexionar musculatura militar: nos últimos anos, suas tropas estiveram em guerras ou intervenções em locais como Geórgia, Ucrânia, Síria, Líbia, Azerbaijão e Cazaquistão. Moscou ainda tem um arsenal nuclear rival ao americano, enquanto a China prepara uma expansão no campo.
 

Do lado ocidental, o exemplo cotidiano da repressão nos dois rivais é suficiente para fazer a acusação de hipocrisia no sentido contrário. A Guerra Fria 2.0, o embate que define geopoliticamente o século 21, acaba de ganhar um terceiro participante oficialmente, vindo da primeira encarnação do conflito.


FONTE: FOLHAPRESS - 05/04/2022 11h:27

FAB demite tenente que publicou fotos sensuais no OnlyFans

 

Reprodução/Redes sociais

Durante 11 anos, a primeiro-tenente aviadora da Aeronáutica Acássia Marina Jorge Diniz serviu como oficial até ser demitida e colocada na reserva não remunerada. A decisão foi tomada pelo comando da Força Aérea Brasileira, após a militar criar um perfil na plataforma adulta OnlyFans. O site é usado por homens e mulheres que querem comercializar, em dólar, fotos e vídeos sensuais.

A tenente mantinha um perfil com o apelido Caca Diniz e disponibilizava imagens sensuais nas quais usa lingerie, biquínis cavados ou aparece seminua. As fotos acabaram chegando à alta cúpula da FAB, que abriu uma sindicância interna para apurar o desvio de conduta da oficial.

Em decisão publicada na portaria do Gabinete do Comandante da Aeronáutica (Gabaer), em 7 de maio de 2021, o tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Júnior assinou a demissão de Acássia.

Veja fotos publicadas na OnlyFans pela então tenente da FAB:

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Nova profissão

Atualmente, a ex-oficial se apresenta nas redes sociais como criadora de conteúdo digital, professora de educação física e especialista em nutrição esportiva. Com quase 15 mil seguidores no Instagram, Acássia presta consultoria esportiva e tem registro no Conselho Regional de Educação Física do Pará.

Fonte: NA MIRA/METROPOLES/REPRODUÇÃO - 05/02/2022

‘The Elevator’: Curta de diretor baiano recebe prêmios e é exibido em festivais no exterior

 

‘The Elevator’: Curta de diretor baiano recebe prêmios e é exibido em festivais no exterior
Fotos: Divulgação

Produzido no Canadá, o curta-metragem “The Elevator”, escrito e dirigido pelo baiano Victor Santos, já recebeu 14 premiações no exterior, como melhor curta LGBT pela Paris Film Awards e pela London International Short Film Festival, e foi exibido em diversos festivais internacionais, como alguns realizados em Chicago, nos EUA, Viena, na Áustria, e Scarborough, na Austrália.

 

 

“The Elevator” conta a história de Gabriel e Sam, que se conhecem após cruzarem algumas vezes no elevador, cenário onde se passa o filme. Buscando superar a timidez, Gabriel tenta passar por cima das suas inseguranças para chamar seu vizinho para sair. 

 

Em entrevista ao BN Hall, Victor contou que se formou em jornalismo na UFBA em 2019, mas antes de cursar comunicação foi para Vancouver, no Canadá, para estudar inglês. “O Canadá nunca tinha sido para mim um país que eu desejava muito visitar. Mas quando vim para cá pela primeira vez, soube que Vancouver e Toronto eram grandes pólos da produção de cinema audiovisual. Voltando para o Brasil para cursar jornalismo, já tinha a intenção de trabalhar com cinema e em algum momento vir para o Canadá para trabalhar na área de audiovisual”.

 

Victor Santos (Foto: Kwame Pipim)

 

O baiano se mudou no começo de 2020 para fazer o curso de cinema na George Brown College, porém, após dois meses de aulas, Victor teve que parar o curso devido a pandemia do coronavírus. 

 

“Em março de 2020, o College fechou por causa da Covid. Ficamos um tempo sem aula e depois retornamos de forma online. Só que assim, na minha área algumas matérias podem ser à distância, mas tinham aulas que não tinham como ser online. Eles tentaram fazer uma adaptação. Então o resto do meu curso todo acabou sendo online. Eu senti que não pude aproveitar 100% do que o curso podia me oferecer, mas durante o terceiro semestre o College realizou a produção de uns curtas e comerciais e convidaram alunos para que pudessem participar para aprender, em uma equipe reduzida. Participei da produção de um curta, como assistente de produção, e essa foi a minha primeira experiência no set de gravação”, disse. 

 

No penúltimo semestre do curso, Victor teve aula de construção de roteiro e a instituição de ensino proporciona que a história possa ser apresentada no último período de formação. Para isso, é necessário montar uma equipe com cinco pessoas, sendo a pessoa que escreveu o roteirista e diretor, e os demais componentes sendo produtor, diretor de fotografia, assistente de direção e alguém para cuidar do design de produção, que juntos montam a ideia do projeto que passa pela análise de uma banca de professores.

 

Entre 21 alunos que participaram da seleção, 12 estudantes foram selecionados, sendo o baiano um deles. No quarto semestre de ensino, o curso foco do curso é a produção de um curta e para essa realização a George Brown disponibiliza uma quantia para a construção do projeto. “O College deu 600 dólares para gente produzir, normalmente eles são 500 dólares, mas eles entenderam que seria necessário um pouco mais por causa da situação da Covid. Já o resto dos custos, ou tem que ser adequado ao valor disponibilizado ou arrecadado pela equipe”, explicou. 

 

 

Quando estava buscando uma ideia para criar um roteiro, Victor queria uma história que fosse fácil de produzir e que não demandasse tantas pessoas e muitas locações, por causa da pandemia. "Não sabia se seria em um parque, em um elevador… e aí eu comecei a pesquisar e a minha ideia inicialmente era contar a história de um casal, e não teriam diálogos, mostrando cada fase do relacionamento e como o amor vai se desenvolvendo”. O diretor disse que sempre teve interesse em histórias que envolvem relacionamentos, porém na hora de escrever não conseguiu se identificar com o tema. 

 

 

Na mesma época em que precisava desenvolver o roteiro, o baiano estava ajudando um amigo em uma mudança e uma situação que lhe ocorreu despertou a ideia. “Teve uma hora que eu entrei no elevador carregando um monte de caixas e chegou uma moça que começou a puxar assunto comigo. Eu sou tímido e não gosto de falar com as pessoas assim do nada, e essa moça do elevador puxava assunto comigo, então pensei: ‘isso pode dar uma história’”.

 

A primeira cena do curta é semelhante à situação que ocorreu com Victor e de acordo com ele, os personagens representam muito da sua personalidade: Gabriel tem o lado tímido, mas de quem tem muito a dizer, e Sam possui um jeito engraçado, de quem gosta de fazer as pessoas rirem. “Os personagens se completam mesmo sendo opostos. Eu acho que a ideia do elevador veio de que aquele espaço claustrofóbico resulta em conversas que mesmo que você não queira ter podem gerar algo a mais”, afirma.

 

O curta “The Elevator” está sendo exibido atualmente apenas em festivais de cinema, mas conforme o diretor, ainda em 2022 o filme pode ser disponibilizado online para que mais pessoas possam assistir.


Fonte: BN/REPRODUÇÃO - 05/02/2022

Após a Faroeste, regularização fundiária na Bahia é o maior desafio dos corregedores do TJ

 

Após a Faroeste, regularização fundiária na Bahia é o maior desafio dos corregedores do TJ
Fotos: Joá Souza/ Ag. Haack / Bahia Notícias


Os dois novos corregedores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), empossados nesta sexta-feira (4), prometem fazer uma gestão de orientação aos magistrados e não de “caça às bruxas”. O desembargador José Rotondano foi empossado corregedor-geral de Justiça e o desembargador Jatahy Fonseca como corregedor das Comarcas do Interior. Os dois corregedores têm uma preocupação em comum: a regularização fundiária no estado. 

 

Rotondano afirma que há inúmeros projetos e um plano de ação para os seus primeiros 100 dias de gestão. Uma das maiores preocupações está relacionada à questão fundiária em Salvador. “Nós temos projetos de monitorar as áreas judiciárias que precisam efetivamente serem monitoradas e buscar cada vez mais lutar junto com a presidência do tribunal com as demais integrantes da mesa diretora a melhoria na prestação judicial, especialmente a estruturação do primeiro grau”, declarou o novo corregedor-geral de Justiça.

 

Para Rotondano, a “Corregedoria não é um órgão específico de punição, muito pelo contrário”. “Serei o corregedor, não serei o caçador de bruxas, muito pelo contrário, estarei sempre para orientar, para buscar trazer os juízes e servidores para Corregedoria no sentido de acertarmos sempre e de fazermos o que mais desejamos, que é uma prestação judicial célere e segura e com muita justiça”, informou. 

O corregedor das Comarcas do Interior, Jatahy Fonseca, afirma que, apesar do trabalho da Corregedoria ter que ser voltado, sobretudo, para a orientação dos magistrados e servidores, isso não quer dizer que não haverá um trabalho de eventualmente punir o que não estiver de acordo com o trabalho judicante. “Aqueles magistrados que, mesmo orientados, venham a falhar, a Corregedoria vai desempenhar o seu papel de punir, punir aqueles que não andarem muito bem. Mas eu espero que essa seja a exceção. O maior trabalho, de maior importância na Corregedoria, será o de orientação aos magistrados e aos servidores do poder Judiciário”, reforça.

 

Sobre as questões fundiárias, de conflitos de terra, Jatahy declara que já há uma evolução na resolução dos impasses, como os que deram origem a investigação da Operação Faroeste. “Nós temos resoluções, orientações do CNJ [Conselho Nacional de Justiça], vamos fazer cumprir todas elas para dirimir e acabar com esse problema fundiário, principalmente no no oeste da Bahia”.



Fonte:Claudia Cardozo/BN/reprodução

Subprocurador pede que TCU torne bens de ex- juiz Moro indisponíveis

Lucas Rocha Furtado diz ter analisado "fatos novos" sobre trabalho do ex-juiz em consultoria e que era necessário avaliar se impostos foram pagos. Moro aponta "abuso de poder" do subprocurador e diz que irá processá-lo.

Moro trabalhou para a Alvarez & Marsal por 12 meses e diz ter recebido R$ 3,3 milhões no período© Eraldo Peres/AP/picture alliance Moro trabalhou para a Alvarez & Marsal por 12 meses e diz ter recebido R$ 3,3 milhões no período

O subprocurador-geral do Ministério Público Federal junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Rocha Furtado, pediu nesta sexta-feira (04/02) o bloqueio cautelar dos bens do ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro, pré-candidato do Podemos a presidente da República.

O pedido foi feito ao ministro Bruno Dantas, relator da investigação do TCU sobre o contrato de Moro com o escritório de consultoria norte-americano Alvarez & Marsal. O escritório é responsável por administrar a recuperação judicial da Odebrecht, OAS e Galvão Engenharia, empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, na qual Moro atuou.

Na segunda-feira, Furtado havia pedido o arquivamento do procedimento no TCU sob o argumento de que o órgão não seria competente para analisar o caso. Nesta sexta, porém, o subprocurador-geral mudou de ideia e disse ter analisado "fatos novos" que justificariam a atuação do TCU e tornam a possibilidade de arquivamento "insubsistente".

Furtado afirmou que há inconsistência em documentos apresentados por Moro e pela Alvarez & Marsal a respeito da remuneração paga ao ex-juiz. O subprocurador-geral também quer apurar se Moro transferiu sua residência para os Estados Unidos e se tinha visto americano para trabalho, com o objetivo de avaliar se os impostos foram pagos corretamente.

"Os recibos isolados (além de inconclusivos no caso dos emitidos nos EUA) provam os valores neles registrados, mas não a inexistência de outros, referentes a verbas da mesma ou de outra natureza", escreveu.

Ele disse também ser necessário apurar "suposta utilização de pejotização pelo Sr. Sérgio Moro a fim de reduzir a tributação incidente sobre o trabalho assalariado" e disse que o pedido de indisponibilidade de bens era necessário para evitar risco da inviabilização de eventual necessidade de ressarcimento aos cofres públicos.

O procedimento foi instaurado pelo TCU em dezembro do ano passado para averiguar um possível conflito de interesse no contrato entre Moro e o escritório de consultoria e possíveis prejuízos aos cofres públicos, em razão de suspeitas de que tivesse ocorrido a prática conhecida como revolving door (porta giratória), ou seja, quando um servidor público atua na iniciativa privada na mesma área em que trabalhava anteriormente.

R$ 3,3 milhões em 12 meses de contrato

Moro trabalhou na Alvarez & Marsal de novembro de 2020 a outubro de 2021, e disse ter recebido do escritório de consultoria 45 mil dólares mensais, além de um "bônus de contratação" de 150 mil dólares – dos quais afirmou ter devolvido R$ 67 mil pelo encerramento antecipado do contrato.

No total, o ex-juiz, segundo os valores informados por ele, recebeu 623 mil dólares da Alvarez & Marsal, ou cerca de R$ 3,7 milhões.

Nesse período, ele afirma não ter atuado em nenhum processo relacionado a empresas da Lava Jato e que pagou todos os impostos devidos.

Em nota, o ex-juiz afirmou que o pedido de indisponibilidade de seus bens configurava "abuso de poder" de Furtado e que iria apresentar representação contra ele em órgãos competentes e promover uma ação de indenização por danos morais.

"O Procurador do TCU Lucas Furtado, após reconhecer que o TCU não teria competência para fiscalizar a minha relação contratual com uma empresa de consultoria privada e pedir o arquivamento do processo, causa perplexidade ao pedir agora a indisponibilidade de meus bens sob a suposição de que teria havido alguma irregularidade tributária", afirmou Moro.

"Já prestei todos os esclarecimentos necessários e coloquei à disposição da população os documentos relativos a minha contratação, serviços e pagamentos recebidos, inclusive com os tributos recolhidos no Brasil e nos Estados Unidos. (...) O cargo de Procurador do TCU não pode ser utilizado para perseguições pessoais contra qualquer indivíduo", disse o ex-juiz.

Fonte: DW - 05/02/2022

Salvador: Barbeiro Luan é solto da prisão após 4 meses; ele responde em liberdade

(Reprodução)




O barbeiro Luan Bruno Barbosa Lopes, de 23 anos, saiu da Cadeia Pública de Salvador, em Mata Escura, pela porta principal, após 4 meses presoDesde 22 de setembro de 2021, ele responde à acusação de assalto a um restaurante no Rio Vermelho. Desde esse dia, ele e a família reafirmam a inocência do jovem, que agora responde o processo em liberdade.

"Muito feliz, voltei para casa finalmente, e agora estou comemorando. Fui espancado por delegado, e agentes da penitenciária para confessar um crime que nunca cometi", afirma.

A soltura foi determinada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA), com parecer favorável do Ministério Público (MP-BA), após um pedido de revogação da prisão preventiva, solicitado pela defesa do barbeiro na última quarta-feira (2).

Como medida cautelar, ele tem a obrigação de comparecer a cada dois meses no cartório da 3ª Vara Criminal.

"Sempre disse que meu filho era inocente, e tenho lutado para mostrar isso para as pessoas", se emociona Gerson Lopes.

Durante o período em que Luan ficou detido, familiares e amigos fizeram diversos protestos na cidade.

Além de alegar que o seu filho foi espancado para confessar participação no assalto, o comerciário afirmou que, no dia em que foi até a delegacia após a prisão do barbeiro, um agente teria o ameaçado de “maneira grosseira”, tentando coagi-lo para não ir até a Corregedoria da Polícia Civil com denúncias contra os policiais que prenderam seu filho.

Durante esse período, Gerson ainda conta que, em depoimento à Polícia Civil, tanto o dono do restaurante como os reais assaltantes afirmaram que Luan nada tem a ver com o crime.

Mas a saga ainda não terminou. Ainda haverá a audiência onde será decidida a inocência ou condenação de Luan, em data a ser definida. Além disso, os estragos também são psicológicos. 


Luan afirmou que fechou a barbearia, e não pretende retomar os trabalhos no local, com medo de ameaças.

"Fechei, e agora vou continuar a procurar outros trabalhos, em outros lugares, como barbeiro, correr atrás", conta.

Lembre o caso

 Luan foi preso acusado de ter participado de um assalto a um restaurante no bairro do Rio Vermelho, no dia 22 de setembro. Em documento sobre o caso, a polícia diz que o barbeiro admitiu ter participado de um assalto. Ele foi preso em flagrante e levado para a 7ª Delegacia, acompanhado por familiares e advogados."Um revólver calibre 38 e pertences da svítimas foram apreendidos com ele, que confessou o envolvimento no crime e foi autuado por roubo. Após ser submetido a exame de lesões corporais, o homem foi encaminhado para audiência de custódia, onde teve o flagrante convertido em prisão preventiva e permanece à disposição da Justiça", diz o documento da polícia. A família contestou a versão dos policiais.Segundo uma familiar do jovem identificada como Luciana Barbosa, ele estava almoçando no dia do crime quando foi chamado por um cliente para fazer um corte de cabelo. "Ele largou o prato de comida e foi abrir a barbearia paracortar o cabelo do cliente. Quando chegou lá, a polícia pegou ele e levou. Disse que ele rouboue ele negou", declarou em entrevista àTV Bahia.

Fonte:Correio da Bahia - 04/02/2022

O pai do jovem também afirmou que o filho foi agredido na delegacia e forçado a confessar um crime que não cometeu. "As pessoas conduziram ele para a delegacia e, chegando lá, espancaram ele para poder ele dizer que tinha participado do assalto. A família espera justiça", disse na época.

Familiares de Luan chegaram a fazer protesto na Av. Juracy Magalhães pedindo a soltura do barbeiro e até protocolaram um pedido de habeas corpus para a liberação do jovem, que está em custódia há mais de um mês.