• Praça do Feijão, Irecê - BA

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

EUA dizem que 'solidariedade' de Bolsonaro à Rússia vem na pior hora

 


Bolsonaro e Putin conversam no salão Ekaterina do Kremlin, em Moscou. O salão é claro e os dois presidentes usam roupas escuras, sem uso de máscara - Metrópoles
Reprodução

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O governo dos Estados Unidos reagiu à visita do presidente Jair Bolsonaro (PL) a Moscou, na quarta (16), questionando o fato de o líder brasileiro ter expressado "solidariedade" à Rússia.

O presidente esteve com Vladimir Putin em Moscou, em meio à crise envolvendo a Ucrânia, que opõe os russos ao Ocidente. Antes de um almoço e de uma reunião fechada, nas palavras de abertura do encontro Bolsonaro se disse "solidário à Rússia" --sem especificar a que aspecto se manifestava.

"O momento em que o presidente do Brasil expressou solidariedade com a Rússia, justo quando as forças russas estão se preparando para lançar ataques a cidades ucranianas, não poderia ser pior", disse um porta-voz do Departamento de Estado, segundo a agência Reuters, em declaração reservada na quinta (17).

"Isso mina a diplomacia internacional direcionada a evitar um desastre estratégico e humanitário, bem como os próprios apelos do Brasil por uma solução pacífica para a crise."

O órgão responsável pela diplomacia dos EUA também disse que há uma "falsa narrativa" de que o governo Biden teria pedido ao Brasil para escolher entre EUA e Rússia. "Esse não é o caso. Essa é uma questão de o Brasil, como país importante, parecendo ignorar a agressão armada por uma grande potência contra um país vizinho menor, uma postura inconsistente com a ênfase histórica do Brasil na paz e na diplomacia", afirmou o Departamento, de acordo com a Reuters.

Na quarta (16), Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado, se limitara a dizer em entrevista coletiva que o governo dos EUA esperava que Bolsonaro tivesse reforçado com Putin a importância de respeitar as regras internacionais, que incluem não usar meios militares para pressionar outros países.

"Como países democráticos, nós [EUA] e o Brasil temos a responsabilidade de nos posicionarmos pelos valores que compartilhamos. E o centro desses valores são os princípios da ordem internacional, baseada em regras. Essa ordem que, por mais de sete décadas, fomentou níveis sem precedentes de prosperidade, segurança e estabilidade na Europa, no [oceano] Pacífico e em nosso hemisfério", disse Price, após pergunta feita pela reportagem da Folha de S.Paulo.

"Assim, nossa esperança é que o presidente Bolsonaro tenha aproveitado a oportunidade de reforçar, no encontro com o presidente Putin, as mensagens que estão consagradas sobre os valores que compartilhamos, que são parte do sistema internacional baseado em regras."

Na própria quarta, Bolsonaro também tentara minimizar a questão do momento de sua visita e repetiu que apenas apoia "governos que querem a paz", dizendo novamente que "todos os países têm problemas".

"Alguns países achavam que não deveríamos vir. Mantivemos nossa agenda, por coincidência ou não, parte das tropas deixou a fronteira", afirmou a jornalistas, horas depois do encontro bilateral. "A leitura que eu tenho do presidente Putin é que ele é uma pessoa também que busca a paz."

Questionado sobre se teria enviado alguma mensagem à Ucrânia, Bolsonaro deixou o púlpito improvisado e tentou interromper a entrevista.

Ucrânia e Rússia vivem uma crise há semanas, desencadeada depois de o Kremlin mobilizar de 100 mil a 175 mil soldados em zonas próximas às fronteiras com a Ucrânia. Os EUA e aliados da Otan, a aliança militar ocidental, acusam Putin de preparar uma invasão do país vizinho, como fez em 2014, quando anexou a Crimeia.

Moscou, por sua vez, rejeita a expansão da Otan sobre territórios próximos à Rússia e quer a garantia de que a Ucrânia jamais fará parte do grupo. Putin nega qualquer intenção de promover uma invasão.

Antes da viagem de Bolsonaro, houve pressão dos EUA para que a ida do líder brasileiro a Moscou fosse adiada. Diplomatas americanos expressaram preocupação com o timing da visita, pois a recepção de Bolsonaro por Putin passaria a mensagem de que o Brasil apoia as ações do Kremlin no Leste Europeu, dando legitimidade a algo que os EUA consideram uma violação do direito internacional.

Fonte: FOLHA S. PAULO - 18/02/2022 - 19h:40

Bahia: Governador Rui Costa processa Silas Malafaia e pede indenização de R$ 500 mil

Rui Costa processa Silas Malafaia e pede indenização de R$ 500 mil

Foto: Montagem/bahia.ba

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), processou o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, após ser atacado pelo pastor. Na ação ajuizada na Justiça baiana, o petista diz que foi alvo de calúnia, difamação e injúria, e pede uma indenização de R$ 500 mil.

O líder evangélico atacou o governador baiano após suposta demissão da médica Raissa Soares, que defende o uso de cloroquina no tratamento da Covid-19. No vídeo, que foi divulgado nas redes sociais digitais, Malafaia chama inúmeras vezes Rui Costa de “cretino”, e acusa o gestor estadual de ser responsável pela exoneração da médica.

“A médica mencionada pelo acionado trabalhava no Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), localizado em Porto Seguro e, em verdade, não foi demitida por determinação do Autor, assim como publicamente sustentado pelo acionado. A própria médica e a direção do hospital confirmaram que a saída se deu porque a Sra. Raissa Soares não estava conseguindo cumprir os plantões na instituição por possuir outros compromissos profissionais, e não por determinação do Governador da Bahia, então Autor. Neste sentido, perpetrar este tipo de insinuação, no contexto de calamidade pública vivenciada em todo o país atualmente, revela estritamente a má-fé empregada pelo acionado, que nitidamente possui interesse exclusivamente político e calunioso”, diz a ação.

Ainda no vídeo, Malafaia diz que Rui Costa burlou dados oficias para tentar angariar recursos federais. Também fala outras palavras de baixo calão contra o governador baiano.

Na ação, os advogados do governador lembram que Malafaia tem um patrimônio estimado em 150 milhões de dólares. Portanto, teria como pagar a indenização de R$ 500 mil, já que equivaleria a apenas 0,07% do patrimônio do líder religioso. 

A ação é assinada por Leonardo de Souza Reis, Pedro Scavuzzi e Angélica Cardoso, que pediram a gratuidade das custas do processo, mas o juiz Paulo Albaiani, da 10ª Vara Cível e Comercial de Salvador, negou. Os advogados alegaram que o valor das custas comprometeria quase 12% da renda de Rui.

Fonte: Bahia.Ba - 18/02/2022

Terceiro policial civil morto em acidente com viatura é enterrado com homenagens em Salvador

(Arisson Marinho/CORREIO)

Posicionados no trajeto do cortejo, policiais do Centro de Operações Especiais (COE) efetuam três tiros de balas de festim para o chão. Em seguida,  um oficial do Exército Brasileiro iniciou o toque do silêncio, para então o caixão com a bandeira da Polícia Civil seguir para o sepultamento na manhã desta sexta-feira (18). Com honras Era o adeus ao investigador Yago da Franca Sousa Avelar, de 39 anos. 

Yago foi a terceira vítima de um acidente ocorrido na BA-233, no último dia 4, entre as cidades de Itaberaba e Ipirá, na região na Chapada Diamantina. Outros dois policiais, colegas do agente, morreram no acidente, que também deixou quatro detentos feridos. As vítimas estavam em uma viatura, que capotou no dia 4 de fevereiro. As causas do acidente ainda seguem sob investigação.

Ele foi enterrado por volta das 11h no cemitério Bosque da Paz, na Estrada Velha do Aeroporto. Por conta dos protocolos da covid-19, o velório foi realizado no salão do crematório. 

Homenagens foram prestadas ao policial morto durante acidente com viatura (Fotos: Arisson Marinho/CORREIO)

O sepultamento contou muitos policiais civis, militares e penais. A delegada-geral Heloísa Campos de Brito lamentou a perda. "Um doce de policial. Uma pessoa muito tranquila.   Sempre prestativo com os colegas. Ele foi meu aluno na academia. Era o sonho entrar na Polícia Civil", lamentou a delegada-geral. O diretor do COE, delegado Marcos César da Silva também falou sobre a morte do policial. "É muito triste. Um cara muito jovem. Isso nos faz refletir sobre a valorização do nosso pessoal. A gente de casa, mas não sabe se volta", disse ele. Entre as autoridades presentes,estavao secretário de Segurança Pública (SSP) Ricardo Mandarino, porém preferiu não falar. Os parentes de Yago optaram também pelo silêncio. Eles usavam uma branca com o rostodo policial na estampa. Quando não estava em serviço, o agente era professor de capoeira em Itapuã, onde morava. Ele ensinava o esporte às crianças das comunidades, como alternativa para afastá-las do caminho das drogas. "Era uma pessoa muito extraordinária. Um menino acolhedor. Ele nunca teve filhos, mas foi pai de muitos", declarou Luiz Ornelas, amigodafamília. 

HomenagemPouco mais de 150 pessoas participaram no sepultamento. No velório, a sala docrematório ficou pequena diante da quantidade de pessoas que queriam homenagear o policial ecumprimentar a família. Em um determinado momento, o som instrumental como em velórios foisubstituído pelo berimbau e  pelas palmas sincronizadas. Entorno do caixão, se fez uma roda decapoeira (sem o jogo) , onde músicas do gênero foram cantadas por mestres e alunos de queconviviam com o policial em Itapuã. Em seguida, veio a salva de tiros que antecedeu o cortejo.Depois, o caixão foi colocado na cova.  Nesse momento, o oficial do Exército emitiu maisuma vez o toque do silêncio, indicando o fim do funeral. Posteriormente, a bandeira da PC foientregue pela delegada-chefe à família de Yago, como mais uma homenagem pela prestação deserviço à corporação e à sociedade baiana.Estava previsto para mãe do policial, Ana Lúcia, ou amulher dele, receber a bandeira, mas elas estavam profundamente emocionadas. Então, no lugardelas, o irmão foi quem participou do ato. Yago foi aprovado no concurso de 2018 e ingressouno quadro da Polícia Civil em outubro de 2020 e foi designado para servir noDepartamento de Polícia do Interior (Depin), no município de Seabra, região da ChapadaDiamantina.

Médico 

No dia 5, a equipe médica que tratava o servidor chegou a informar à família e ao Departamento Médico da Polícia Civil sobre a morte encefálica de Yago, sendo iniciado o processo de realização do protocolo de morte encefálica, que inclui exames clínicos e complementares. Apesar disso, um falso médico passou informações não verdadeiras sobre o estado de saúde do policial para os familiares. O homem se passou por médico e foi preso em flagrante no último dia 8 no Hospital Geral do Estado (HGE), tinha acesso à UTI onde o policial estava internado e passou a informar aos familiares que ele estava vivo. Após a prisão do falso médico, Yago seguiu internado. Ao longo dos últimos dias, o processo de falência dosórgãos do profissional foi se agravando, culminando em sua morte, na noite de quarta (16). 

SiSu 2022: Inscrições terminam nesta sexta(18)

  


As inscrições para o processo seletivo do SiSU 2022.1 terminam às 23h59 desta sexta-feira, 18, horário de Brasília. 

 https://sisu.mec.gov.br   




Podem participar estudantes do Brasil que fizeram a última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e que tiveram pontuação superior a zero na redação.

Na Bahia: 

OFERTA DE VAGAS:

UFBA - 4.693 vagas em 93 cursos
UFRB - 1.636 vagas em 45 cursos
UFOB - 960 vagas em 30 cursos
UFSB - 1.710 vagas em 53 cursos
UNEB - 3.879 vagas em 92 cursos
UESB - 605 vagas em 37 cursos
UEFS - 1.087 vagas em 30 cursos
Unilab - 110 vagas em 2 cursos
IF Baiano - 860 vagas em 22 cursos

 

                               EM IRECÊ:

                               UNEB - UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA

Letras/Língua Portuguesa e Literaturas (Licenciatura):  Vespertino 30  -  18 por Ampla Concorrência e 18 por cotas.

 Pedagogia  (Licenciatura) Vespertino 40  vagas  -  24 por ampla Concorrência e 16 por Cotas.

 

IFBA -  CAMPUS  - IRECÊ                                        Análise e Desenvolvimento de Sistemas - Vespertino  - 30 vagas - também com vagas pelas  ações afirmativas.

Manutenção Industrial -  - 30 vagas - Vespertino também com vagas  pelas ações afirmativas.

Vídeo: tubarão-branco mata mergulhador que estava prestes a se casar

Reprodução/Facebook

O experiente nadador Simon Nellist, de 35 anos, foi morto por um tubarão-branco de cerca de 4,5 metros, enquanto treinava para um campeonato beneficente de mergulho, na praia de Sydney, na Austrália. Nellist era natural do Reino Unido e estava prestes a se casar com Jessie Ho, sua noiva.

Nellist era favorável à proibição de linhas de tambor, espécie de armadilha aquática utilizada para atrair e capturar grandes tubarões usando anzóis com isca. Nas redes sociais, o mergulhador tinha publicações recentes, nas quais dizia que os artefatos matavam animais selvagens indiscriminadamente.

Ele inclusive tinha registros, onde aparecia nadando aos lado dos gigantes marinhos.

Veja o vídeo do momento do ataque, gravado por um transeunte que presenciou a cena – as imagens são fortes:

Algumas horas após o ataque, os restos de Nellist foram encontrados pela polícia de Nova Gales do Sul.”Uma investigação sobre as circunstâncias da morte do nadador está em andamento, e Little Bay Beach foi fechada enquanto a polícia continua vasculhando a área”, disse um porta-voz.

A última vez que um ataque de tubarão deixou vítimas fatais no região foi em 1963, quando Marcia Hathaway, uma atriz e modelo australiana foi atacada e morta, aos 32 anos. Especialistas em biologia marinha da região apontaram que o tubarão-branco pode ter confundido o mergulhador com uma foca.

Fonte: Metropoles -18/02/2022

Carlos Bolsonaro acusa golpe contra suspeitas de seu envolvimento com hackers na Rússia

                                            foto:reprodução


 

O Blog do Vicente, do Correio Braziliense, publicou nesta quinta-feira (17), um texto em que aponta a investigação, por parte de adversários e integrantes do Judiciário, de uma suposta agenda secreta do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) na Rússia.

Carluxo teria aproveitado a viagem do presidente Jair Bolsonaro (PL), que ele acompanhou, para manter conversas intensas com hackers especializados em disseminação de fake news.



O vereador do Rio de Janeiro mordeu a isca e reagiu virulento: “Como podem ser tão incompetentes e desonestos a ponto de inventar uma matéria desse nível sem o menor compromisso com a verdade? Não há como perder tempo com esse tipo de “jornalismo”. Colham o que plantam!”, escreveu em seu Twitter.


Ministros do TSE

O blogueiro, no entanto, ao contrário do que afirma Carluxo, não está inventando nada. Sua nota é resultado de apuração. De acordo com ele, “ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm absoluta certeza de que o maior objetivo da viagem de Bolsonaro à Rússia, em meio às ameaças de guerra entre este país e a Ucrânia, foi um contato direto com a máfia que ataca sistemas de governos e de empresas e comanda a disseminação de notícias falsas”.

E completa: “resta saber se o Congresso pedirá a quebra de sigilo da agenda secreta de Carlos Bolsonaro”.

Fonte: Revista Fórum c/Blog do Vicente - 18/02/2022  13h:55

'Clube militar' do Planalto perde influência na campanha de Bolsonaro

 Às vésperas da eleição, o poder dado ao Centrão pelo presidente Jair Bolsonaro quase forçou os generais de quatro estrelas da reserva no Palácio do Planalto a vestirem de vez o pijama. O “clube militar” do primeiro escalão palaciano, hoje diminuto e formado por Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional - GSI) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria Geral da Presidência), perdeu influência nos rumos do governo e segue alijado das principais decisões da campanha à reeleição.

Apesar de ainda cultivarem prestígio pessoal junto ao chefe, os generais de Exército Heleno e Ramos não participam do núcleo duro do comitê bolsonarista. Estão, no linguajar da caserna, “na reserva” da cúpula da campanha. Os homens fortes são os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Fabio Faria (Comunicações), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Dos generais que cercavam o presidente, ex-ministro da Casa Civil e hoje no comando da pasta da Defesa, general Braga Netto, segue forte no governo e chegou a ser cotado para assumir uma eventual candidatura a vice na chapa de Bolsonaro à reeleição.

Augusto Heleno e Luiz Eduardo Ramos foram ofuscados pela expansão do Centrão no governo e na campanha à reeleição.
© Dida Sampaio/Estadão Augusto Heleno e Luiz Eduardo Ramos foram ofuscados pela expansão do Centrão no governo e na campanha à reeleição.

Mas ainda há uma brecha para que o grupo recupere espaço. A próxima reforma ministerial, de viés puramente eleitoral, deve mudar a configuração do governo, abrindo ao menos dois espaços no Planalto: Comunicações e a Secretaria de Governo (Flávia Arruda, do PL). Ao todo, serão 11 novos rostos, de acordo com projeções do presidente. E Bolsonaro quer indicar, preferencialmente, secretários executivos que já compõem o segundo escalão como "ministros-tampão".

Amigos de Bolsonaro desde a caserna, Heleno e Ramos devem ficar no governo e podem recuperar terreno. Mas ambos ocupam hoje cargos mais ligados à rotina administrativa do Palácio e do presidente, embora sigam a poucos metros do gabinete dele. Heleno comanda o setor de inteligência, a segurança presidencial, inclusive durante a campanha, e assessora Bolsonaro em assuntos de defesa e segurança nacional. Ramos tem, além das tarefas administrativas, a poderosa secretaria de assuntos jurídicos, por onde passam projetos de lei e atos do presidente.

Ao Estadão, o GSI informou que Heleno não está filiado a nenhum partido e também não prevê deixar o governo no prazo até abril, para disputar qualquer cargo eletivo. Em 2018, Heleno chegou a ser uma das opções para a posição de vice, antes da escolha de Hamilton Mourão (PRTB). À época, porém, o chefe do GSI era filiado ao antigo PRP, hoje parte do Patriota, e a sigla nanica barrou a aliança.

Heleno rebate reiterados rumores de que se movimenta politicamente para compor uma chapa como vice de Bolsonaro. Ministros palacianos, porém, desconfiam das intenções do chefe do GSI. A ala política diz que Heleno age nos bastidores e quer ficar à disposição de Bolsonaro. Ele nega: “Não estou ‘atuando’ para ser vice-presidente da República. Não fiz e não farei isso”.

O general foi um dos primeiros colaboradores e formuladores políticos e de programa de Bolsonaro, ainda na campanha de 2018. Chegou ao governo visto como uma voz equilibrada e influente, com ampla experiência midiática. Aos poucos, Heleno perdeu a aura de moderador e de referência, por manifestações radicalizadas, e por percalços em sua própria área, como as suspeitas de envolvimento irregular da ABIN em atividades fora de sua alçada, o que ele nega, o flagrante de tráfico de cocaína por um militar em avião da comitiva presidencial, e falas vistas como ameaçadoras ao Supremo Tribunal Federal.

Ramos, por sua vez, perdeu força política ao mudar de cargo. Ele não é filiado a partido, nem vai deixar o governo, segundo assessores. Ramos age informalmente como “conselheiro” pela proximidade com o chefe, dando opiniões, e com a proximidade com políticos que ainda guarda pelas funções que desempenhou antes no governo.

Em conversas reservadas, Ramos deixou transparecer aos colegas do governo que estava desgostoso e incomodado por ter perdido o protagonismo político para o Centrão. A pessoas próximas, o ministro alega que, apesar de mais distante das decisões do governo e da campanha à reeleição, continua desfrutando da intimidade do presidente e dando conselhos a ele.

O ministro, que já foi acusado por aliados de Bolsonaro de ser puxa-saco e fofoqueiro, costuma dizer que é leal ao presidente e participa das atividades fora de Brasília, como passeios de moto com simpatizantes e viagens para inaugurações de obras.

Estadão presenciou uma conversa em que um ministro de origem militar relatou a outro que o secretário-geral da Presidência deixou-se insuflar pelo poder e depois sentiu a queda, ao perder o comando da Secretaria de Governo e depois da Casa Civil.

Hoje, tanto Heleno quanto Ramos estão mais reclusos e concedem menos entrevistas do que de costume. O rosto do governo para isso tem sido Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro. Seus gabinetes, antes concorridos e frequentados por embaixadores, lobistas e parlamentares, vivem um período de baixa.

Desde dezembro, Ramos recebeu cinco parlamentares em seu gabinete e foi a um culto da Frente Parlamentar Evangélica - ele é membro da Igreja Batista. Heleno, só abriu sua agenda para audiência com um. O secretário-geral da Presidência fez três encontros de trabalho com Bolsonaro. Heleno, nenhum, embora despache diariamente pela manhã com o presidente. Essa atividade comum a todos os chefes do GSI não fica registrada na agenda.

A fase de ostracismo é rompida porque ambos continuam viajando com Bolsonaro. São figurinhas carimbadas no avião presidencial, levando consigo a força simbólica da presença das Forças Armadas no governo. Bolsonaro não desprestigiou seus generais mais próximos e inclusive ambos estão na comitiva que viajou a Moscou nesta semana, para encontros bilaterais com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O “clube” de oficiais na reserva política tem um outro general: Eduardo Pazuello. O ex-ministro da Saúde não chegou a estar no centro do poder palaciano quando estava na ativa da Pasta, mas foi protagonista das ações contraditórias de Bolsonaro no combate à pandemia. Atualmente, Pazuello ocupa um cargo sem relevância administrativa na estrutura da presidência da República.

Fonte:ESTADÃO - 18/02/2022