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sexta-feira, 11 de julho de 2025

Ex-prefeito de Itatim se defende após ser alvo da "operação sangue oculto"; delegado é investigado por 8 mortes

                                               foto:reprodução/Redes Sociais



Alvo da Operação Sangue Oculto, deflagrada pela Polícia Civil nesta sexta-feira (11), o delegado e ex-prefeito de Itatim, no Piemonte do Paraguaçu, Gilmar Pereira Nogueira, disse que está “tranquilo” diante das acusações. Tingão, como é conhecido, teve celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.

 

No vídeo, o ex-prefeito declarou que “tudo será esclarecido” e que vai provar que “agiu dentro da estrita legalidade”.

 

 

Segundo a Polícia Civil, a operação desta sexta é um desdobramento da primeira fase da “Sangue Oculto”, deflagrada em 7 de junho do ano passado. O objetivo é apurar as mortes de oito pessoas [duas mulheres e seis homens, sendo três adolescentes, a mais nova com 13 anos], em uma operação da Rondesp Chapada no Morro do Tigre, em Itatim, no dia 30 de julho de 2023.

 

Conforme o Ministério Público do Estado (MP-BA),Tingão teve participação direta na idealização, planejamento e execução da ação que resultou nas oito mortes.

 

Atuaram na operação os grupos de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp) e de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MP-BA, além da Força Correicional Especial Integrada da Corregedoria-Geral da Secretaria da Segurança Pública (Force) e da Corregedoria da Polícia Civil.



Fonte:BN - 11/07/2025

Economia: “Família Bolsonaro pratica traição à pátria”, diz empresário Lawrence Pih

                                       Créditos: Eduardo Anizelli/Folhapress

Em entrevista Exclusiva ao jornalista Marco Piva da  Revista Fórum, o empresário falou sobre o atual momento da economia brasileira e mundial. Confira abaixo


Lawrence Pih figura entre os empresários mais respeitados do país. Por cinco décadas comandou o principal moinho brasileiro e se tornou uma voz progressista na relação entre capital e trabalho. 

Atualmente, se dedica a pesquisar a geopolítica e a macroeconomia internacional, focando principalmente as relações entre o Brasil, Estados Unidos e China.

Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marco Piva, da Fórum, ele critica o “tarifaço” de Trump contra o Brasil, elogia a resposta de Lula e pede ao governo mais firmeza para desmascarar o Centrão, que considera o que de pior existe na política nacional.


Marco Piva – Como o senhor avalia a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar em até 50% os produtos brasileiros e criticar a democracia brasileira por uma suposta perseguição política a Jair Bolsonaro?

Lawrence Pih - A decisão do presidente Trump foi estimulada e arquitetada por Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro que, dessa forma, praticam alta traição à pátria. Trump é alinhado ideologicamente com a ultradireita fascista do bolsonarismo. A imposição de tarifas de 50% sobre toda a exportação brasileira aos Estados Unidos com justificativas espúrias e intromissão em assuntos domésticos do Brasil é um novo rebaixamento nas relações internacionais entre países democráticos.

O presidente Trump não só diz que Jair Bolsonaro está sendo perseguido como quer mandar o Brasil parar de perseguí-lo. O Brasil é um país soberano que tem o dever e a obrigação de traçar o seu próprio destino. O que a gente pode ver é a similaridade entre Trump e Bolsonaro. Ambos não são democratas e pertencem à ultradireita. Então, há uma convergência ideológica e de postura. Eu me admiro porque os Estados Unidos têm tantos problemas internos para resolver e o presidente norte-americano insiste em interferir em assuntos de outros países. Talvez Trump queira que o Brasil seja uma Argentina.

MP - A resposta do presidente Lula esteve à altura dessa intromissão ou a manifestação do Trump pode fortalecer o sentimento da parcela da população que é a favor de Bolsonaro?

LP – O presidente Lula deu uma resposta adequada, embora pudesse ter sido mais firme e mais agressivo. Mas, eu entendo a sua posição de presidente de um país importante e, por esse motivo, ele deve sempre usar mais da diplomacia. Agora, ao invés de fortalecer o Bolsonaro, acredito que o povo brasileiro está consciente de que houve uma interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil. Então, eu não acho que essa manifestação do Trump foi favorável ao Bolsonaro. Pelo contrário, acho que favorece o governo brasileiro.

MP - Congresso e governo iniciaram uma disputa que foi parar no STF. O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, propôs uma audiência entre as partes na busca de um acordo amigável. O casamento entre Executivo e Legislativo acabou em divórcio ou ainda existe uma chance de reconciliação?

LP - Primeiro, nós temos que olhar um pouco o histórico do Hugo Motta e da sua família. Ele é natural da Paraíba e a família dele está na política há décadas. Essa família tem enfrentado vários problemas com a justiça. A mãe é acusada de desvio de milhões de reais da cidade onde foi prefeita, o pai foi afastado da vida pública por corrupção e até a avó enfrenta processos por desvio de dinheiro público. Então, com esse histórico, não me surpreende o que Hugo Motta fez e como age. O interessante é que ele foi eleito presidente da Câmara também com o voto do PT e dos partidos da base do governo. Então, se trata de uma pessoa que não tem compromisso com qualquer acordo. E sendo do Centrão, a gente não deve esperar muita coisa.

Quando a gente fala em questão fiscal, por exemplo, temos que lembrar dos 800 bilhões de reais de desoneração, que é uma isenção incompreensível dada para alguns setores da economia. Nisso o Congresso não quer mexer. Então, seria também importante perguntar para os senhores Hugo Motta e David Alcolumbre por qual motivo eles não colocam esse tema na pauta? Porque o Centrão não apoia. Seria bom o governo perguntar para eles em público.

Por isso digo que a questão fiscal tem solução e não é uma só. Não vejo, por outro lado, a situação fiscal tão grave assim. É realmente a política e o palanque funcionando nesse tema porque o Brasil não está numa situação desesperadora, mas a oposição quer fazer parecer isso promovendo uma narrativa falsa, sem lógica, sem sustentação nos fatos.

Agora, o problema é que o governo tem que formar maioria nas matérias de seu interesse, inclusive dependendo do apoio dos partidos que não se alinham nem moral e nem ideologicamente com o pensamento programático de Lula. Com menos da metade do mandato pela frente e uma popularidade de Lula ainda incerta, o Centrão sente o cheiro de sangue e vai para cima do governo para dar punhaladas nas costas. Mas, não acho que haverá divórcio porque existe a moeda de troca dos ministérios e vários cargos. Na prática, o Centrão é o que de pior existe na política brasileira.

MP - Nas idas e vindas do processo democrático brasileiro, um novo ator surgiu nos últimos tempos, especialmente durante o governo de Bolsonaro. Falo aqui do Judiciário e, em especial, do STF. Em qual ponto da fervura se encontra a judicialização da política? O Judiciário avançou mesmo sobre o papel do Legislativo?

Judicialização é uma coisa complicada. O Supremo Tribunal Federal é chamado a interpretar a Constituição. Então, se um partido ou um grupo social se sentir prejudicado, pode recorrer ao STF. A Constituição é a palavra final do país e por isso é um equívoco falar em judicialização. Basta que o Judiciário seja um intérprete correto da lei. O que está ocorrendo é que existem demandas excessivas ao Supremo, algumas são até questões menores. Isso potencializa o seu papel na democracia. O fato da Constituição de 1988 ser um pouco vaga em algumas questões complica as coisas. Mas, no final, caberá ao STF tomar as decisões de uma forma ou de outra.

MP - Essa demanda excessiva sobre o Judiciário, em especial sobre o STF, alimenta a ideia de interferência indevida no Legislativo do país e até mesmo de uma suposta perseguição política a determinadas lideranças? Aliás, até o presidente Donald Trump tem acenado com essa tese.

LP - Os ministros do STF podem sofrer impeachment do Senado. Então, toda decisão mais polêmica acaba repercutindo politicamente no Congresso. Mas, não creio num divórcio entre os poderes porque cada um sabe da sua responsabilidade e até onde pode ir. Infelizmente, do jeito que as coisas vão, estou vendo os ânimos se acirrarem. Ainda existirão muitos embates entre o Judiciário e o Legislativo.

MP – O senhor mencionou que o Centrão está sentindo cheiro de sangue diante da popularidade instável do presidente Lula e está indo “pra cima” do governo. Faltando pouco menos de um ano e meio para as eleições de 2026, o senhor acha que existe tempo suficiente para a recuperação do presidente Lula, que postula a reeleição?

LP – Um ano e meio é muito tempo em política. É tempo suficiente para reverter a situação. Hoje, o importante é que o governo mande uma mensagem clara para a população e a comunicação é fundamental nesse sentido. Veja que a economia do país está melhor e indo bem. No ano passado, tivemos um crescimento de 3,4% e neste ano devemos fechar em 2,5%. O nível de desemprego é o mais baixo das médias históricas. A agricultura cresce e o Brasil vai ter este ano um recorde na produção de grãos. O superávit comercial está ao redor de 60 bilhões de dólares e recebendo investimentos externos que devem alcançar 70 bilhões de dólares até final do ano. O poder aquisitivo do povo mais carente teve um acréscimo importante. Todos esses indicadores mostram uma economia em crescimento. Então, está faltando mandar a mensagem correta.

Para isso é importante não existir conflitos internos, o chamado “fogo amigo”. Muitas lideranças importantes do PT criticam publicamente o governo e uma das vítimas é o Fernando Haddad, que tem um trabalho muito difícil para administrar que é reger a economia. É uma grande responsabilidade para um país tão complexo e desigual como o Brasil. O cobertor é curto e, por isso, acho que o Lula deve enquadrar todo mundo e evitar críticas públicas de gente do próprio governo. Se tiver crítica, que seja feita a portas fechadas. Agora, o que pode estar por trás desse “fogo amigo” é uma disputa dentro do próprio PT para saber quem poderá vir a ser o substituto de Lula, caso ele não venha a ser candidato. Então, se o partido não caminhar junto, a situação fica mais difícil. A eleição de Edinho Silva para a presidência do PT é um bom indicativo.

Mas, insisto, sobre a questão da mensagem à população. Ela tem que ser clara e direta como vem fazendo agora sobre a questão da taxação dos mais ricos. Ficou claro que não adianta apaziguar. O governo tem que reagir e mostrar a que veio e o que já fez. Somente assim vai poder recuperar popularidade, o que, aliás, já está acontecendo. Em vez de só ser saco de pancada, tem que bater também.

MP – Esclarecer é importante, especialmente quando o assunto que está em pauta é uma taxação. Só que a gente sabe que quando se fala em taxação a ideia remete a imposto, o que é uma preocupação da sociedade. Agora, do jeito que essa disputa está acontecendo, o senhor acha que será possível que a população entenda o que está em jogo?

LP – Eu acho que sim porque se você vê que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, certamente a distribuição de renda é algo que o governo tem que prestar atenção e tentar amenizar essa disparidade social. E olha só que coisa interessante o que está acontecendo na disputa pela prefeitura de Nova York. O candidato democrata socialista Zohran Mandami vai disputar contra o atual prefeito Eric Adams, que migrou do Partido Democrata para ser independente e assim ter liberdade de apoiar as políticas de Donald Trump, que o perdoou pela prática de corrupção. Caso Mandami ganhar será uma mensagem importante para o próprio país. Ele já declarou que a desigualdade de renda tem que parar, que não pode existir pouca gente tão bilionária enquanto milhões passam necessidades básicas. Então, a narrativa do “nós contra eles” está acontecendo até no coração do capitalismo. Uma nova visão sobre como deve se conduzir uma nação começa a ganhar força no país mais capitalista do mundo e isso se reflete no mundo inteiro.

No Brasil, quando se fala em “nós contra eles” se trata simplesmente de ter uma política de distribuição mais equitativa dos recursos que, no final das contas, são de todos os brasileiros. É a riqueza e o futuro do país que estão em jogo. Este é o ponto que temos que enfocar.

MP – O senhor mencionou que a economia brasileira apresenta aspectos positivos como baixo nível de desemprego, aumento do investimento estrangeiro e maior produção agrícola entre outros. Diante de um cenário tão positivo como sair da armadilha do déficit fiscal e da alta taxa de juros?

LP – O déficit fiscal é algo que sempre preocupa. Mas, se você olhar com cuidado, o importante é o déficit líquido, que está ao redor de 66%. Isso é o mais importante e não tem nada de assustador porque o Brasil possui 340 bilhões de dólares de reservas externas e este número não é computado quando se fala em déficit fiscal. Mas, são recursos do governo. É um equívoco analisar o déficit fiscal sem considerar o déficit líquido. Com a quantidade de moeda estrangeira que possuímos, não corremos os riscos que outros países em desenvolvimento têm.

É preciso somente prestar atenção nas tentativas de ataques especulativos. Tentaram fazer isso na virada de 2024 para 2025 quando o câmbio chegou a ficar acima dos seis reais por dólar. Agora, a realidade é de R$ 5,50 com probabilidade de chegar perto dos cinco reais. Estes ataques especulativos conturbam a economia. Mas, como o Brasil tem essa reserva externa estratégica, ele se defende muito melhor. Por isso, o Brasil tem condições de ter um déficit maior do que outros países em desenvolvimento. Então, eu não vejo o déficit fiscal como um problema muito sério.

Já os juros flutuam em função da inflação. Depois da COVID 19 a inflação subiu de forma dramática e aos poucos foi necessário elevar a taxa de juros para não aquecer demais a economia. Se você aumenta demais os juros pode ter o risco de uma recessão. Entretanto, se o país está crescendo, a economia não está esfriando, ou seja, a pressão sobre a inflação continua. Cabe ao Banco Central manter o centro da meta ou pelo menos evitar que estoure o teto máximo que o próprio governo estabeleceu.

Agora a taxa de juros é alta, mas vai cair. Tenho certeza de que em 2026 os juros começarão a cair. É importante que caiam porque o crescimento do ano que vem vai ser menor do que este ano, com toda essa turbulência política externa que o governo norte-americano desencadeou.

MP – Não existe aí uma contradição se olharmos que a taxa de juros hoje está mais alta sob a presidência de Galípolo do que quando Roberto Campos Neto comandava o Banco Central? Qual é a diferença entre a gestão do Roberto Campos e a do Galípolo?

LP – Eu já vinha dizendo faz tempo de que o Roberto Campos Neto colocou um boné político quando manteve os juros muito baixos durante a campanha eleitoral de 2022. Era um equívoco pensado porque qualquer idiota saberia que depois os juros teriam que aumentar a um nível bem mais alto do que teria sido caso ele não tivesse mantido os juros baixos por uma estratégia política. O que Roberto Campos Neto fez foi deixar uma bomba relógio para o Lula e para o Galípolo. Por isso, exatamente no último período da gestão dele, os juros começaram a subir. Ou seja, ele é responsável por subir os juros porque baixou demais quando não poderia ter feito isso. Galípolo tem que consertar o estrago que Campos Neto fez. E é exatamente isso o que ele está fazendo agora. Até um ponto em que a tendência da inflação venha a se estabelecer dentro da banda que o governo mesmo estipulou. Por isso afirmo com certeza que os juros vão cair o ano que vem e que a economia continue crescendo, menos do que esse ano, mas numa situação bem melhor do que vimos na época do governo Bolsonaro.

MP – Uma das promessas do presidente Lula quando venceu as eleições em 2022 foi a de trazer o Brasil de volta ao cenário internacional depois do obscurantismo diplomático do governo Bolsonaro. Lula tem feito muitas viagens, participado de encontros importantes como o do G7 e o do G20, além de atualmente presidir o BRICS, agora ampliado, e o Mercosul. Essa agenda internacional anima a oposição a dizer que o presidente gasta muito mais tempo com as questões externas do que com os assuntos domésticos. Como o senhor avalia a política externa brasileira?

LP – Se a oposição critica as viagens do Lula, é bom dizer que, pelo menos na reunião do BRICS, ele não viajou porque aconteceu aqui mesmo no Brasil. Agora, o mais importante é que no governo Bolsonaro nosso país se transformou num pária internacional. O Lula está tratando de consertar isso e resgatar a importância do Brasil no contexto mundial. Ele é muito bem recebido em todos os lugares que visita e isso já demonstra que as viagens não são inúteis. Vale destacar as viagens para os países asiáticos, principalmente para a China, nosso principal parceiro comercial. Reabrir as portas que haviam se fechado e abrir novas portas é fundamental para o nosso desenvolvimento e o presidente Lula tem envergadura e legitimidade para fazer isso. A mudança foi da água para o vinho. Não há nem o que discutir em relação ao pequeno Bolsonaro.

MP – Um aspecto importante da política externa considerando todos esses movimentos do Lula tem sido sua manifestação de forma bastante veemente contra o que está ocorrendo atualmente na Faixa de Gaza. A oposição bolsonarista acaba reverberando as posições da Federação Israelita de São Paulo e da Confederação Israelita do Brasil quando insiste que o governo está defendendo terroristas. Esse é um ponto. O segundo é em relação ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Alguns analistas das relações internacionais dizem que o Brasil está sendo tíbio ao não condenar explicitamente a Rússia pela invasão da Ucrânia. Como o senhor vê essas críticas e até onde o governo está acertando no tom e contribuindo efetivamente para a solução desses conflitos?

LP – Primeiro, vamos abordar a questão da Ucrânia. Quem critica a ação da Rússia nesse país tem pouco conhecimento de História. Com a dissolução da União Soviética, o então secretário de Estado norte-americano, James Baker, no governo George Bush pai, disse que a OTAN não avançaria uma polegada a leste. Então, foi feito um acordo. Em troca, a Rússia retiraria suas tropas da Alemanha Oriental permitindo a reunificação alemã. Na época, a OTAN tinha 14 países. Hoje, são 32.

Por isso, a guerra estava precificada, principalmente depois que a CIA promoveu uma insurreição popular para a derrubada do presidente ucraniano Yanukovitch. Em seguida, os Estados Unidos apoiaram a ascensão de Poroshenko, um vassalo da OTAN e dos norte-americanos. É por aí que a questão da Ucrânia tem que ser entendida.

O Brasil e a Rússia têm fortes relações comerciais na questão dos fertilizantes e do petróleo. A gente sente muito pelo que está acontecendo na Ucrânia, mas nós temos pouco relacionamento com esse país sob o aspecto geopolítico. Então, interessa muito mais ao Brasil não ter uma relação antagônica com a Rússia.

O problema de Gaza é muito antigo. Os britânicos que dominavam a região permitiram a criação do estado de Israel em 1948 expulsando os palestinos que ocupavam aquela área há mais de 700 anos. O estado de Israel sempre teve o objetivo de crescer territorialmente ganhando sucessivas guerras contra os povos da região. De uma região pequena avançou para a Cisjordânia, colinas de Golã na Síria, Gaza e assim por diante. Trata-se de um problema que não tem solução a curto prazo. Some-se a isso que existe também uma questão religiosa, especialmente sobre Jerusalém, que é a terceira cidade mais sagrada para os muçulmanos depois de Meca e Medina.

O que está acontecendo em Gaza é um extermínio da população palestina. Israel impede o acesso a água, alimentos e remédios. Bombardeia escolas e hospitais numa batalha completamente desproporcional. Então, é uma coisa simplesmente inaceitável. Humanamente é difícil de compreender como o povo judeu, que passou por um genocídio na Segunda Guerra Mundial, não tenha aprendido a lição ao infringir esse tipo de sofrimento a outro povo.

Mas, infelizmente isso não vai parar por causa do apoio que o governo e os políticos dos Estados Unidos dão ao governo israelense. Se você tem um lobby forte que influencia as eleições, se um político criticar Israel ele pode dar adeus à sua carreira. Não falo aqui do povo norte-americano porque tenho muitos amigos lá que acham inaceitável a ação de Israel contra os palestinos. No fundo, a verdade é que se trata de uma questão financeira e econômica que joga com a vida de seres humanos indefesos. Quando existe um sistema que compra influência política com recursos milionários sem limite, a corrupção é legalizada e tudo fica mais difícil de resolver.

MP – Ainda na questão internacional, qual é a força que o Brasil tem para intervir efetivamente na solução desses conflitos?

LP - Muito pouco o Brasil pode fazer. Hoje, a ONU é uma instituição internacional disfuncional. Os Estados Unidos reduziram ao mínimo a sua participação financeira, se retiraram da Organização Mundial da Saúde, sabotaram a Organização Mundial do Comércio, deixaram o Acordo de Paris e por aí vai. Isso desajusta o sistema multilateral das nações.

Veja a questão climática. Com uma COP 30 para acontecer e o que vemos é um distanciamento total do governo norte-americano. Nesse cenário, é muito difícil o Brasil ser um ator diplomático com força suficiente para ajudar na resolução de conflitos.


Fonte: REVISTA FÓRUM;REPRODUÇÃO - 11/07/2025 11h:45

Bahia: Demanda por fretamentos cresce 12% em junho, diz empresa aérea; Irecê na rota


                                            foto:Divulgação


Durante o São João de 2025, a Abaeté Aviação registrou um crescimento de 12% na demanda por voos fretados, em relação ao mesmo período do ano anterior. Em apenas quatro dias, a companhia somou 140 horas de voo e 120 etapas operacionais, com foco em destinos estratégicos do interior da Bahia, como Itapetinga, Irecê, Senhor do Bonfim, Paulo Afonso e cidades da Chapada Diamantina.

A operação exigiu uma logística altamente coordenada entre as equipes comercial, técnica e de manutenção, com foco em segurança, regularidade e agilidade — especialmente em localidades com infraestrutura aeroportuária limitada.

“A movimentação intensa que vimos neste São João reforça o papel central da aviação sob demanda na engrenagem que movimenta a economia e a cultura da Bahia. Nossa estrutura foi desenhada justamente para atender a esse tipo de desafio logístico com precisão, segurança e excelência”, afirma Guilherme Mello, sócio-diretor da Abaeté Aviação.

Mais de 90% dos fretamentos realizados no período estiveram diretamente ligados à cadeia produtiva de eventos culturais, como transporte de artistas, técnicos e equipamentos. “O São João é mais do que um período de alta demanda — é uma demonstração prática de como a aviação regional conecta pessoas, talentos e oportunidades em uma Bahia que vai muito além da capital”, reforça o executivo.

Com 46 anos de operação ininterrupta, a Abaeté Aviação mantém presença consolidada no estado e ampla experiência em pistas de difícil acesso. A companhia realiza cerca de 500 operações mensais, muitas delas em regiões com infraestrutura limitada, o que a posiciona como uma facilitadora de desenvolvimento econômico e turístico em contextos como o das festas juninas.

Além de seu suporte direto à indústria do entretenimento, a Abaeté reforça seu compromisso de longo prazo com a valorização do turismo regional e a integração aérea de territórios historicamente menos acessíveis.


Fonte: Assessoria Imprensa/por email -11/07/2025

Cultura: Escritora Ana Gonçalves rompe racismo histórico e se torna a primeira mulher negra na ABL


                                     Foto:Reprodução


A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu, nesta quinta-feira (10), a escritora Ana Maria Gonçalves como nova integrante da entidade. Aos 55 anos, ela se torna a primeira mulher negra a ocupar uma das 40 cadeiras da instituição fundada há 128 anos — marcada até hoje por um histórico de exclusão racial e de gênero: apenas 12 mulheres foram eleitas desde 1897.

Autora do premiado romance Um Defeito de Cor, Ana Maria venceu a eleição com 30 votos na ABL. Teve como principal adversária a escritora indígena Eliane Potiguara, que recebeu apenas um voto. Outros 11 nomes estavam na disputa. A cadeira de número 33 pertencia ao linguista Evanildo Bechara.

Escrito ao longo de cinco anos, Um Defeito de Cor conta a trajetória de Kehinde, mulher sequestrada na África, escravizada no Brasil e envolvida nas lutas por liberdade no século 19. A narrativa é inspirada na figura histórica de Luísa Mahin, mãe do abolicionista Luiz Gama. O livro já vendeu 180 mil exemplares, venceu o Prêmio Casa de las Américas (2007), foi eleito o melhor romance brasileiro do século 21 e virou enredo da Portela no carnaval de 2024.

Ana Maria Gonçalves rompe racismo histórico da ABL e se torna a primeira mulher negra entre os imortais

Livro “Um Defeito de Cor” (Record, 2006), de Ana Maria Gonçalves

Nascida em Ibiá (MG), Ana Maria largou a carreira de publicitária para se dedicar à literatura. Morou em Itaparica (BA), onde escreveu o romance que a consagrou. Publicou também Ao lado e à margem do que sentes por mim, além das peças Tchau, Querida! e Chão de Pequenos.

Sua eleição é simbólica para o movimento negro e para as mulheres negras, que há décadas denunciam o racismo estrutural das instituições culturais do país. A presença de Ana Maria na ABL representa uma ruptura nesse padrão excludente e o avanço de uma nova memória coletiva no campo da literatura brasileira.


Fonte: ICL NOTÍCIAS - 11/07/2025

Política: Lula diz que 'loucos' não voltarão a governar país e alfineta Tarcísio por 'chapeuzinho de Trump'


                                            foto:reprodução


O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (10) que o grupo político que o antecedeu não voltará a governar o Brasil. Na mesma fala, o petista alfinetou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por responsabilizar a gestão atual pela sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente americano Donald Trump.

 "Uma coisa eu posso dizer. Os loucos que governaram esse país não voltam mais", disse.

 

"O Tarcísio pode tirar. Não vai tentar esconder o chapeuzinho do Trump, não, Tarcísio. Pode ficar mostrando para a gente também quem você é. Porque está cheio lobo com pele de carneiro", afirmou.
 

As declarações foram feitas em entrevista à TV Record.
 

Nesta quinta, o governador de São Paulo admitiu o "impacto negativo para São Paulo" da medida anunciada por Trump e voltou a culpar o presidente Lula pela medida. Tarcísio, que é aliado do ex-presidente e já postou vídeo usando boné com o slogan do republicano, tornou-se um dos principais alvos da base lulista.
 

A sobretaxa foi divulgada por Trump nesta quarta-feira em em uma carta na qual afirma que Jair Bolsonaro (PL) sofre uma "caça às bruxas" que precisa ser encerrada "imediatamente".
 

Na mesma entrevista, Lula chamou de afronta ao país a carta publicada por Donald Trump em que o americano anuncia a sobretaxa de 50%. O petista afirmou que, primeiro, tentará negociar as tarifas -mas que, se isso não funcionar, será colocada em prática a reciprocidade.
 

Ele disse que o americano demonstra desconhecer a relação comercial entre os dois países, que o republicano precisa respeitar a Justiça e que as empresas de tecnologia devem obedecer às leis brasileiras.
 

Os principais produtos importados pelo Brasil dos EUA são motores e máquinas, óleo combustível, aeronaves e gás natural, além de medicamentos.
 

Lula também afirmou que vai criar um comitê para acompanhar o dia a dia da política comercial com os Estados Unidos.
 

"Aos empresários brasileiros, nós vamos criar um comitê, um gabinete para repensar a política comercial brasileira com os Estados Unidos. Eu quero que o Trump cuide dos Estados Unidos para os americanos. Eu quero que os americanos melhorem de vida. Eu quero que os americanos vivam democraticamente. Só respeite o direito de o brasileiro também viver. Do jeito que você gosta, do povo americano, eu gosto do povo brasileiro. Eu sou brasileiro, gosto do Brasil e não desisto nunca", disse.



Fonte:Por Ana Pompeu | Folhapress - 11/07/2025

Economia: Jornal francês diz que Trump é um “Mafioso internacional” após taxar o Brasil


                                    

Imprensa chama Trump de “Al Capone” ao usar uma ameaça econômica por motivos políticos e com um objetivo de “interferência descarada” -   foto: Chip Somodevilla/Getty Images/reprodução


A imprensa francesa desta sexta-feira (11/7) segue repercutindo a decisão do presidente americano, Donald Trump, de aplicar uma tarifa alfandegária de 50% a todos os produtos brasileiros. O tom dos diários é de incredulidade e revolta.

“Trump, o mafioso internacional” é o título de uma coluna no jornal Libération assinada pelo jornalista Thomas Legrand. Para ele, o presidente americano poderia ser o personagem principal de uma nova temporada da série de TV Narcos, “de tanto que ele transforma as relações internacionais, políticas e comerciais em um vasto campo de prevaricação, de extorsão e de ameaças violentas”.

O texto ainda afirma que o “funcionamento mental do presidente americano é o de um chefe mafioso”, ao tentar se intrometer na política interna brasileira, exigindo que seu aliado ideológico Jair Bolsonaro não seja julgado e que redes sociais que propagam fake news não sejam censuradas no Brasil. Libé chama Trump de “Al Capone” ao usar uma ameaça econômica por motivos políticos e com um objetivo de “interferência descarada”, conclui.

Tentativa de extorsão


“O Brasil de Lula responde às taxas impostas por Donald Trump” é o título de uma matéria do jornal econômico Les Echos, assinada por sua correspondente em Nova York, Solveig Godeluck.

O diário explica que o líder republicano exige que o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu aliado, não seja julgado por tentativa de golpe militar e que plataformas digitais americanas que difundem conteúdos duvidosos e antidemocráticos não sejam censuradas. O jornal classifica a decisão de Trump de “tentativa de extorsão para interferir na política interior” do Brasil.

Mas Les Echos diz que Lula “subiu no ringue, ignorando a ameaça” e lembrou que seu governo pode responder na mesma moeda. O diário avalia que Trump está irritado pelo fato de o Brasil pertencer ao Brics, que busca uma outra solução ao dólar e ao domínio do comércio mundial pelos Estados Unidos.

Incoerência das medidas


O canal francês BFMTV dedicou sua crônica de economia desta manhã ao assunto. A análise da emissora cita “a incoerência” das futuras tarifas ao Brasil, sob a alegação errônea de Trump de um excedente comercial com os Estados Unidos. “Não vemos onde está a injustiça já que são os Estados Unidos que registram um superávit com o Brasil, de US$ 7,4 bilhões em 2024”, aponta.

“Será que Trump está realmente cogitando interromper o julgamento de Bolsonaro ou esse é apenas um pretexto para encher os cofres dos Estados Unidos?”, questiona a jornalista Caroline Loyer. Para ela, qualquer uma das opções suscita o temor de uma grande crise diplomática entre os dois países.

FONTE: /METRÓPOLES - 11/07/2025

China critica EUA por 'interferência nos assuntos internos' do Brasil

 

        
foto: Divulgação/Ministério Relações Exteriores Chinês

Porta-voz afirma que a 'igualdade soberana' é princípio da Carta da ONU e norma básica das relações internacionais.


CONFIRA NO LINK ABAIXO DO SITE FOLHA DE SÃO PAULO DE HOJE ( 11): 


quinta-feira, 10 de julho de 2025

INSS abre chamado para ressarcimento de vítimas dos descontos ilegais; reembolso começa dia 24

                                                      imagem:reprodução


 O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vai abrir, a partir desta sexta-feira (11), um chamado para as vítimas dos descontos ilegais de mensalidades associativas realizarem um acordo de ressarcimento proposto pelo governo federal. Segundo o órgão, os primeiros pagamentos serão liberados no próximo dia 24. 

 

Aderindo ao acordo, os segurados com direito à reparação financeira receberão em suas contas todo o valor descontado ilegalmente entre março de 2020 e março de 2025, corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O pagamento será realizado em uma única parcela, sem precisar aguardar por uma decisão judicial. As informações são da Agência Brasil. 

 

Homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o plano de restituição dos valores deduzidos sem a autorização dos segurados do INSS é fruto de um acordo entre o Ministério da Previdência Social, o INSS, a Advocacia-Geral da União (AGU), a Defensoria Pública da União (DPU), o Ministério Público Federal (MPF) e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

 

“A ideia é que, a partir de 24 de julho, comecemos a virar essa página. É quase como que pedir desculpas a nossos aposentados e pensionistas, que foram roubados, fraudados, e que são vítimas. E o INSS – com o apoio do Ministério da Previdência Social e a determinação do governo – está disposto a fazer o pagamento de maneira rápida e integral”, assegurou o presidente do INSS, Gilberto Waller.

 

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (10), ele e o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, detalharam o cronograma do acordo de ressarcimento.

 

De acordo com o presidente do INSS, dos cerca de 9 milhões de beneficiários consultados, aproximadamente 3,8 milhões questionaram os descontos de mensalidades associativas em seus benefícios. Desses, pouco mais de 1,86 milhão de aposentados e pensionistas já estão aptos a aderir ao acordo.

 

COMO ADERIR AO REEMBOLSO

A adesão ao acordo será feita gratuita e exclusivamente pelo aplicativo Meu INSS ou presencialmente nas agências dos Correios. No aplicativo, o interessado deve acessar a aba “Consultar Pedidos”, clicar no item “Cumprir Exigência”, assinalar a opção “Aceito Receber”, localizada no fim da página e, então, clicar em “Enviar”. Não é necessário enviar nenhum documento além dos já apresentados.

 

“O INSS e o Ministério da Previdência não vão ligar, não vão mandar links, e-mails ou qualquer outra forma de comunicação além da que será feita pelo aplicativo Meu INSS ou presencialmente, em uma agência dos Correios”, alertou Waller, acrescentando que, em nenhuma hipótese, será cobrado algum valor do segurado, que receberá o valor devido automaticamente, na mesma conta bancária na qual recebe seu benefício previdenciário.

 

Quem ainda não contestou eventuais descontos pode fazê-lo pelo aplicativo Meu INSS, ligando para a central telefônica 135 ou indo pessoalmente a uma agência dos Correios. Novas contestações serão aceitas pelo menos até 14 de novembro de 2025 – data que o governo federal ainda vai analisar se precisará ser prorrogada. A partir da data em que o beneficiário questionar as cobranças, as entidades têm até 15 dias para comprovar que o desconto foi feito legalmente.

 

Quem já recorreu à Justiça, ingressando com ação judicial contra o INSS, também pode aderir ao acordo. Para isso, contudo, deverá desistir do processo, de forma a não ser duplamente beneficiado. Além das adesões espontâneas, o INSS vai fazer contestação automática para beneficiários em situação de vulnerabilidade: pessoas que tinham 80 anos de idade ou mais em março de 2024 (cerca de 209 mil pessoas), indígenas (17,7 mil pessoas) e quilombolas (38,56 mil). As informações são da Agência Brasil. 


Fonte: BN - 10/07/2025