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segunda-feira, 10 de maio de 2021

Covid-19: MS defendeu cloroquina a pacientes com deficiência genética

 

Contraindicado, Saúde defendeu cloroquina a pacientes com deficiência genética
Foto: Reprodução/ Agência Brasil

O Ministério da Saúde defendeu o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para tratar pacientes de Covid-19 que têm deficiência de G6PD (glicose-6-fosfato, defeito enzimático ligado ao cromossomo X). Os medicamentos, sem eficácia contra a Covid comprovada, são contraindicados na bula para estas pessoas.

 

O parecer está em nota técnica emitida pelo órgão, em abril do ano passado, e publicada em seu site. É assinado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, que avaliou a segurança destes medicamentos em pacientes de G6PD infectados pelo vírus.

 

A análise foi feita depois de a neurocientista Silmara Paula Gouvea de Marco, que tem a deficiência, assim como sua família, enviar um e-mail para a chefia de gabinete do ministro da Saúde, na época ocupado por Luiz Henrique Mandetta, manifestando preocupação com o tema.

 

Na mensagem, intitulada "Problema Sério com Cloroquina", a pesquisadora alertava para a possibilidade de "efeito colateral de alto nível" destes medicamentos em pacientes com deficiência de G6PD no tratamento da Covid.

 

Por isso, sugeria que, antes de ministrar o remédio, laboratórios rastreassem a doença, "pois tais pacientes podem vir a óbito caso façam uso de tal medicamento". Ela também conduziu um estudo sobre a doença no curso de biomedicina da Universidade José do Rosário Vellano, em Minas Gerais.

 

O Ministério da Saúde justificou, em sua nota técnica, que ambos medicamentos foram recomendados pela pasta como possibilidade terapêutica em pacientes com diagnóstico confirmado da Covid, hospitalizados e com a forma grave da doença, em caráter off label, ou seja, sem indicação prévia em bula.

 

Depois, admite que a bula da cloroquina informa sua contraindicação para pacientes com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase e a bula da hidroxicloroquina adverte que seu uso nesses pacientes deve ser feito com cautela.

 

Porém, afirma que uma revisão de estudos conduzida por pesquisadores brasileiros, que buscou identificar as complicações clínicas associadas à deficiência de G6PD nos países da América Latina e Caribe, não identificou casos de anemia hemolítica aguda provocada por cloroquina em pacientes com a deficiência

 

"A cloroquina apresenta contraindicação em bula para pacientes com deficiência de G6PD e a bula da hidroxicloroquina recomenda uso com cautela nesses pacientes. Apesar disso, as evidências atualmente disponíveis não apontam para risco aumentado da utilização desses medicamentos em pacientes com deficiência de G6PD", diz.

 

"Dessa forma, não se justifica o rastreamento de deficiência de G6PD em todos os pacientes elegíveis para tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina devido à infecção por coronavírus", ressalta.

 

A deficiência da G6PD é genética e afeta quase meio bilhão de pessoas no mundo. Ela se manifesta principalmente nas hemácias, já que a enzima é necessária para a viabilidade dos glóbulos vermelhos. Ela pode se agravar quando o portador ingerir determinados alimentos ou tipos medicamentos não indicados, provocando anemia grave, rompimento das hemácias, falta de ar e até morte, dependendo do caso.

 

A bula do medicamento Quinacris, por exemplo, fabricado com cloroquina pelo laboratório Cristália, fala da doença na parte de "precauções e advertências". Ela diz que pacientes com deficiência de glicose-6-fosfato devem ser observados quanto à anemia hemolítica durante o tratamento com cloroquina.

 

A FDA (agência de regulação de medicamentos nos EUA) também recomenda a avaliação e monitoramento do uso destas substâncias nestes casos. "Esteja ciente de que a hidroxicloroquina ou a cloroquina podem causar hemólise em pacientes com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD)", informa.

 

A hemólise é o processo de destruição de glóbulos vermelhos do sangue, o que libera a hemoglobina, pigmento responsável pelo transporte de oxigênio às células. Outro estudo do Hemorio, hemocentro da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, diz que a cloroquina deve ser usada com cuidado por estes pacientes e, a hidroxicloroquina, evitada.

 

"Minha intenção era abrir um chamado, que foi negado, para que o Ministério da Saúde tivesse cautela ao indicar esses medicamentos para estes pacientes. É um ponto válido já que, até hoje, a eficácia deles também ainda não foi comprovada", disse a pesquisadora.

 

No dia 31 de março do ano passado, o Ministério da Saúde também publicou uma nota informativa sobre o uso da cloroquina como terapia adjuvante no tratamento de formas graves da Covid. Uma das justificativas da pasta era a inexistência de terapias medicamentosas específicas para a doença, no início da pandemia.

 

A defesa do uso do remédio sem comprovação de eficácia para tratamento da Covid é uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro. Esses remédios são usados há décadas para outros objetivos, mas foram descartados pela comunidade científica e médica para o tratamento da Covid por não demonstrarem capacidade de barrar o novo coronavírus, prevenir a doença ou tratá-la.

 

Em depoimento à CPI da Covid do Senado, Mandetta disse que a única coisa em relação à cloroquina que o Ministério da Saúde fez em sua gestão, após consulta ao Conselho Federal de Medicina, era para o uso compassivo do medicamento.

 

"O uso compassivo é uma utilização que se faz quando não há outro recurso terapêutico para os pacientes graves em ambiente hospitalar, mesmo porque a cloroquina é uma droga que, para uso indiscriminado e sem monitoramento, tem margem de segurança estreita. Ela também não é um medicamento 'se bem não faz, mal também não faz', tem uma série de reações adversas e cuidados que tem que ser feitos", disse.

 

Já o ex-ministro Nelson Teich, que sucedeu Mandetta, disse ter deixado o governo por divergências com o presidente Jair Bolsonaro sobre o uso da cloroquina.
 

Na mesma semana, Bolsonaro chamou de canalha quem é contra o chamado tratamento precoce --baseado no uso da substância sem eficácia para a Covid-- sem apresentar alternativa".
 

Em resposta à reportagem, o Ministério da Saúde afirmou apenas que "orienta e recomenda que, aos primeiros sinais da covid-19, os pacientes procurem uma Unidade Básica da Saúde (posto médico) para atendimento médico".
 

"A medida é fundamental para evitar casos graves da doença. Em relação ao uso de medicamentos, cabe ao profissional de saúde receitar o tratamento adequado a cada paciente", disse.



FONTE: FOLHAPRESS -10/05/2021

Bolsonaro sonha com oração abrindo sessão do STF

 Em um vídeo divulgado no último sábado, 8, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugeriu que as sessões do Supremo Tribunal Federal poderiam começar com oração. O desejo do chefe do executivo foi exposto ao defender a indicação de um evangélico para a próxima vaga no STF.

© Reprodução/Redes sociais

“Imaginem, no Supremo Tribunal Federal, as sessões começarem com uma oração por parte desse ministro?”, disse Bolsonaro em conversa com apoiadores.

“Tem um cotado aí, por enquanto é ele, mas não tá batido o martelo ainda”, afirmou o presidente.

Abaixo, assista ao vídeo publicado por um canal bolsonarista no YouTube:

Veja também: UFMG: pesquisa mostra aprofundamento de desigualdades na infância

fonte:Catraca Livre - 10/05/202108h:45min.

domingo, 9 de maio de 2021

Governo Bolsonaro: Secretário da Agricultura vai ao Caribe para reunião sobre Turismo

O secretário especial de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia (de óculos escuros, ao centro), em embarque em avião da FAB para Punta Cana, no Caribe - Reprodução/Instagram
O secretário especial de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia (de óculos escuros, ao centro), em embarque em avião da FAB para Punta Cana, no CaribeImagem: Reprodução/Instagram


CONFIRA A REPORTAGEM COMPLETA NO LINK ABAIXODA COLUNA DO JORNALISTA RUBENS VALENTE NO SITE UOL DE HOJE(9)


https://noticias.uol.com.br/colunas/rubens-valente/2021/05/09/nabhan-agricultura-turismo-punta-canas-caribe-viagem.htm 

Bolsonaro teria criado orçamento secreto para ter base; deputados baianos estariam em lista

 

Bolsonaro teria criado orçamento secreto para ter base; deputados baianos estariam em lista
Foto: Reprodução / Flickr Palácio do Planalto

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), teria montado um esquena em 2020, para aumentar sua base de apoio no Congresso criou um orçamento paralelo de R$ 3 bilhões em emendas, boa parte delas destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo governo. Os deputados federais Cláudio Cajado (PP) e Charles Fernandes (PSD) estariam na lista das verbas.

 

Com os dados recebidos através de Lei de Acesso a Informação, obtida pelo Estado de São Paulo, o Ministério do Desenvolvimento Regional foi questionado sobre os dados e reconheceu que os parlamentares definiram como e onde aplicar R$ 3 bilhões de verbas próprias da pasta. “Os recursos oriundos de emenda de relator-geral foram executados conforme definição do Congresso Nacional”, informou a pasta, referindo-se à nova modalidade de emenda, chamada RP9, criada no atual governo.

 

Num primeiro momento, o ministério atribuiu à Secretaria de Governo da Presidência da República (Segov), então comandada pelo general Luiz Eduardo Ramos, a articulação envolvendo a destinação dos recursos do orçamento secreto.

 

O destino sem controle de dinheiro público aparece num conjunto de 101 ofícios enviados por deputados e senadores ao Ministério do Desenvolvimento Regional e órgãos vinculados para indicar como eles preferiam usar os recursos.

 

Segundo o Estadão, o deputado Charles Fernandes (PSD-BA), chegou a indicar até o CNPJ e o telefone para contato de uma associação beneficente à qual queria destinar uma retroescavadeira no interior da Bahia. O parlamentar escreveu que o item deve ser comprado por R$ 300 mil, o que supera em R$ 50 mil o preço de referência. 

 

Já Cláudio Cajado (Progressistas-BA) disse que tratou da indicação de R$ 12 milhões com a Secretaria de Governo, na época chefiada por Ramos, razão pela qual pediu em ofício à Codevasf “minha cota autorizada pela Segov”. Ele nega que os recursos sejam em troca de apoio a Bolsonaro. 

 

O detalhe é que, oficialmente, o próprio Bolsonaro vetou a tentativa do Congresso de impor o destino de um novo tipo de emenda (chamada RP9), criado no seu governo, por “contrariar o interesse público” e estimular o “personalismo”. Foi exatamente isso o que ele passou a ignorar após seu casamento com o Centrão.

 

Atual ministro da Casa Civil, era Ramos quem fazia, até março deste ano, a ponte entre governo e Congresso. A secretaria negou essa versão. O ministério de Rogério Marinho, então, ajustou sua explicação e atribuiu a destinação ao Congresso. Procurada por e-mail, a assessoria da pasta não enviou resposta sobre o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter vetado o artigo que permitiria aos congressistas manejar os recursos. 

 

Sobre compras de tratores e outras máquinas agrícolas terem sido aprovadas acima da tabela de referência do ministério, válida para este ano, a pasta justificou que “não se trata de um normativo”, e sim de um “material de apoio” para propostas dos parlamentares. Válida para 2021, a tabela foi elaborada em 2019, segundo o ministério, o que justificaria variações de preço. O Estadão encontrou, contudo, exemplos de aprovação de compras respeitando o preço de referência. 

 

"Caso o valor do equipamento seja mais alto, será publicado um Termo Aditivo com aumento de contrapartida” do titular do convênio “para cobrir os custos necessários”, justificou o ministério. Apesar disso, a pasta não explicou por que, nos casos mostrados pela reportagem, disponibilizou os recursos acima dos valores de referência. Conforme a cartilha de emendas do ministério, a variação de preços deve ser bancada pelos municípios que irão receber os equipamentos, o que não ocorreu em ao menos 361 casos. 

 

O ministério informou, ainda, que se o valor sair menor do que a pasta autorizou pagar, quando ocorrer a licitação, os recursos serão devolvidos aos cofres públicos. 

 

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) disse, por meio de assessoria, que não fez indicação para a compra dos tratores no Paraná. “Não existe nenhum documento oficial do senador Davi tratando de recursos ou emendas em nome de qualquer parlamentar. Por esta razão, o senador não vai comentar sobre planilhas não oficiais.” De todos os parlamentares listados em documento do governo obtida pelo Estadão, Alcolumbre foi o único a negar a indicação. 

 

Questionado sobre R$ 277 milhões que pôde indicar, Alcolumbre afirmou que como presidente do Congresso tinha esse “papel de liderança” e atuava “para atendimento das demandas dos demais parlamentares, em procedimento rigorosamente dentro da legalidade”.


fonte:BN - 09/05/2021

sábado, 8 de maio de 2021

Judiciário: OAB-BA quer retomada de prazos de processos físicos

 O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Bahia (OAB-BA), Fabrício Castro, quer a retomada dos prazos processuais dos processos físicos, que desde o início da pandemia estão paralisados. Segundo Castro, a suspensão dos prazos tem trazido diversos prejuízos para a advocacia e para as partes.

 

Para ele, é possível retomar o prazo com todas as cautelas e protocolos de segurança. “Evidentemente, vai ter uma limitação de acesso, limitação de pessoas, mas feito isso, é imperioso que os prazos voltem a correr, garantindo o acesso dos autos pelos advogados, pois ninguém aguenta mais. Mais um ano desses processos sem tramitação será um prejuízo incalculável para a sociedade”, declara.

 

Os processos físicos são de todas as naturezas e já há uma demora na tramitação normal. “Demos uma parada necessária para que o sistema de saúde suportasse o número de casos, mas já sabemos das medidas de segurança, de revezamento, redução de horários, por exemplo. É possível que o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) se organize para garantir essa tramitação”, reforça. Fabrício Castro acrescenta que se houver casos com obstáculos para a segurança das pessoas, aí pode ocorrer novamente a suspensão do prazo de forma pontual. 

 

Há uma posição da OAB de retomada dos prazos, mas a decisão do retorno cabe ao TJ-BA, devido a sua autonomia funcional. Até o momento, não há expectativa para que isso seja revertido. “Sabemos que o TJ tem um planejamento para retomada em etapas, mas não sabemos qual a previsão de data. O que estamos pedindo é que se acelere essa volta para diminuir esse prejuízo de todo esse tempo”, salienta.

 

Entre as possibilidades, está a organização das serventias por rodízio, por agendamento, com redução de horário e por drive-thru. Fabrício lembra que os cartórios extrajudiciais privatizados estão funcionando, e o modelo pode ser adotado no cartório judicial. Informações do Bahia Notícias em 08/05/2021.

Quase 420 mil mortes, mas Bolsonaro afirma que decreto contra medidas restritivas está pronto: ‘Só falta assinar’

 


PORTO VELHO – O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 7, que tem “pronto” um decreto que impediria governadores e prefeitos de adotarem medidas mais duras de distanciamento social, como fechamento de comércio e restrição de circulação de pessoas, para conter o coronavírus.

“O decreto já está pronto. Só falta assinar, e todos vão ter que cumprir”, disse, durante inauguração de uma ponte sobre o Rio Madeira, no distrito de Distrito do Abunã, em Porto Velho (RO).

Durante o evento, Bolsonaro disse que decreto tem como base artigo 5º da constituição federal e voltou a usar a expressão “meu Exército” ao se referir às Forças Armadas. “O meu Exército, a minha Marinha, e a minha Aeronáutica não vão para a rua para impedir as pessoas de sair de suas casas”, frisou Bolsonaro.

O artigo da Constituição citado por Bolsonaro diz respeito ao direito de igualdade e liberdade no País. “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Em abril, Bolsonaro já havia feito ameaçado governadores e prefeitos ao afirmar as Forças Armadas poderiam ir às ruas para, segundo ele, “acabar com essa covardia de toque de recolher”. “Se precisar, iremos às ruas, não para manter o povo dentro de casa, mas para restabelecer todo o artigo 5.º da Constituição. E se eu decretar isso, vai ser cumprido esse decreto”, disse o presidente então em entrevista à TV A Crítica.

Com Luciano Hang na garupa e sem capacete

Bolsonaro aproveitou a inauguração da ponte para passear de moto. O empresário Luciano Hang foi um do que pegaram “carona” para percorrer a nova obra. Eles não usaram capacete. Durante o evento, Bolsonaro também não vestiu máscara e causou aglomeração – abraçou apoiadores e carregou crianças.

A obra da ponte sobre o Rio Madeira foi iniciada em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff (PT), mas os serviços se arrastaram por sete anos. Com a ponte, será possível a integração por terra definitiva do Acre com o restante do País. Até então, a travessia do rio era feita por meio de balsas, cujo serviço era pago.

fonte:Estadão - 07/05/2021 06h:55min.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Universidades Federais têm o dobro de alunos, mesma verba de 2004 e podem parar em julho

 

Foto: Reprodução 




As universidades federais chegaram ao mesmo patamar orçamentário de 2004 e podem fechar em julho. Com o dobro de alunos em comparação ao quantitativo de 17 anos atrás, instituições como UFRJ e Unifesp não têm recursos para investimento e manutenção e já falam da interrupção de atividades.

 

Conforme noticiou O Globo, com informações do Painel do Orçamento Federal, estão livres em 2021 R$ 2,5 bi para as 69 universidades e 1,3 milhão de estudantes. Esse valor é praticamente o mesmo que o orçamento de 17 anos atrás (com os valores atualizados pelo IPCA). No entanto, naquele momento, eram 574 mil alunos e 51 instituições

 

As universidades enfrentam problemas como dificuldades para arcar com custos de gastos com luz, água, limpeza e segurança, além de problemas para manter programas de permanência para alunos mais pobres. 

 

"Com o que temos disponível para gastos discricionários hoje, a UFRJ para de funcionar em julho. As aulas só continuam porque estão remotas. Mas todos os serviços da universidade, como os hospitais e as pesquisas, incluindo o desenvolvimento de uma vacina de Covid-19, serão interrompidos", afirmou a reitora da Federal do Rio, Denise Pires Carvalho, ao jornal O Globo.

 

Além dos R$ 2,5 bilhões livres, o orçamento das federais também prevê R$ 1,8 bi que podem ou não ser desbloqueados ao longo do ano. Segundo a publicação, caso isso aconteça, os gastos discricionários chegarão ao patamar de 2006, quando o país tinha apenas 54 universidades federais. Uma fonte ligada a reitores afirmou que há um temor de paralisação em escala nacional nas instituições.

 

Em nota, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também disse que, se não houver liberação dos recursos, a unidade não terá “como arcar com o funcionamento básico a partir de julho”, e, portanto, “o risco de paralisação total é real”.

 

“Para se ter ideia, a principal ação orçamentária, onde se encontram alocados os recursos para funcionamento da universidade, incluindo as despesas básicas como energia elétrica, água, limpeza, manutenção, vigilância, insumos para laboratórios de graduação, entre outros, que em 2020 foi de R$ 66 milhões, hoje, na prática, é de R$ 21,1 milhões, suficientes para manutenção das atividades até o mês de julho. Isso porque estamos no modelo de ensino à distância na maior parte de nossos cursos. Se houver a obrigatoriedade do retorno presencial, não será suficiente sequer para as adaptações mínimas necessárias”, diz a reitoria da Unifesp, em nota.

 

A Universidade Federal do Paraná (UFPR), através da sua Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças (Proplan), afirmou que todos os terceirizados da área de pesquisa podem ter que ser demitidos. "Isso afeta desenvolvimento da vacina contra Covid que estamos trabalhando. Efetivamente estamos no limite, não há possibilidade de conclusão do ano dessa maneira", diz.

 

A Universidade Federal de Goiás (UFG) terminou o ano de 2020 no vermelho. Em contato com a reportagem do jornal carioca, o reitor da instituição e presidente da Andifes, Edward Madureira, "foram cortados quase R$ 180 milhões para assistência estudantil". "Como o perfil socioeconômico de muitos alunos é de baixa renda, cortar alimentação e moradia significa mandar ele embora da universidade", afirma.

 

A Universidade de Brasília (UnB) disse que o retorno das aulas presenciais também poderá ficar mais longe pela falta de dinheiro para comprar insumos e equipamentos de proteção contra a Covid-19.

 

O Ministério da Educação foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem.



fonte:Jornal o Globo - 07/05/2021

STF: Ministro Fachin diz que há indícios de 'execução arbitrária' em operação policial no Rio

 

Fachin diz que há indícios de 'execução arbitrária' em operação policial no RJ
Foto: Fellipe Sampaio / SCO / STF

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta sexta-feira (7) que os fatos ocorridos na operação policial que deixou 25 mortos na comunidade do Jacarezinha no Rio de Janeiro "parecem graves" e que "há indícios de atos que, em tese, poderiam configurar execução arbitrária".
 

A declaração é uma resposta à petição protocolada no Supremo pelo Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular, vinculado à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que aponta que a ação policial realizada na quinta-feira (6) teria descumprido a decisão do STF sobre o tema. Em junho de 2020, o STF decidiu restringir as operações nas favelas do RJ a "situações excepcionais" durante a pandemia da Covid-19.
 

A entidade também enviou ao tribunal dois vídeos: um em que um policial aparece invadindo uma casa e atirando contra um homem deitado e outro em que há cinco pessoas aparentemente mortas deitadas em macas de hospital.
 

O magistrado encaminhou o ofício da entidade ligada à UFRJ e os vídeos para o procurador-geral da República, Augusto Aras, e para o chefe do Ministério Público do Rio de Janeiro, Luciano de Souza.
 

O ministro pediu aos responsáveis pelos dois órgãos para ser informado das providências que serão adotadas a respeito.
 

"Certo de que Vossa Excelência, como representante máximo de uma das mais prestigiadas instituições de nossa Constituição cidadã, adotará as providências devidas, solicito que mantenha este Relator informado das medidas tomadas e, eventualmente, da responsabilização dos envolvidos nos fatos constantes do vídeo", afirmou.
 

Na quinta-feira (6), Fachin já havia reagido à operação policial que deixou 25 mortos, entre eles um policial, e marcado para o próximo dia 21 o julgamento que discute o alcance da decisão do STF que restringiu a realização de operações policiais nas favelas do Rio de Janeiro a "hipóteses absolutamente excepcionais".
 

A decisão do STF, de junho de 2020, previu que as situações em que fossem indispensáveis as operações deveriam ser justificadas por escrito pela autoridade competente e comunicadas imediatamente ao Ministério Público do RJ.
 

Agora, o Supremo vai julgar recurso em que o PSB, autor da ação, pede que sejam esclarecidos alguns pontos da decisão do ano passado. Os ministros deverão discutir, por exemplo, qual é o alcance da definição de "excepcionalidade" das operações prevista no julgamento do STF.
 

A Polícia Civil fluminense já se antecipou e afirmou que respeitou todas as exigências do Supremo na operação desta quinta, mas criticou "ativismo judicial".
 

"De um tempo para cá, por conta de algumas decisões e um ativismo judicial que se viu muito latente na discussão social, fomos de alguma forma impedidos ou foi dificultada a ação da polícia em algumas localidades", afirmou o delegado Rodrigo Oliveira, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional.
 

"O resultado disso nada mais é do que o fortalecimento do tráfico. Quanto menos você combate, quanto menos você se faz presente, o tráfico obviamente vai ganhando cada vez mais poder, expandindo seus domínios e avançando cada vez mais para dentro da sociedade organizada", continuou Oliveira.


fonte: FOLHAPRESS - 07/05/2021 17h:37min.