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segunda-feira, 31 de maio de 2021

Educação: Evasão escolar é maior em estados sem aula presencial

 

Evasão escolar é maior em estados sem aula presencial
Foto: Reprodução/Pixabay

Estados, que ainda continuam sem aulas presenciais, já registravam, mesmo antes da pandemia, as mais altas taxas de adolescentes fora da escola.
 

Em todo o país, 18% dos jovens de 16 e 17 anos estavam sem estudar em 2019. No entanto, a situação já alcançava 27% no Maranhão.
 

Desde o início da pandemia, especialistas alertam sobre a necessidade de ações para evitar o aumento de alunos que saem da escola. A suspensão prolongada das aulas e a perda de renda das famílias são a combinação mais perigosa para afastar os jovens dos estudos.
 

Passados 14 meses da crise sanitária, os estados, que já tinham a maior proporção de alunos com menor condição socioeconômica e mais jovens fora da escola, ainda não reabriram suas escolas.
 

É o que mostram os dados do Indicador de Permanência Escolar, lançado nesta segunda (31) pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional). Com informações do Censo Escolar, o instituto calculou o percentual de estudantes que passaram pela escola e a abandonaram.
 

Diferentemente de outros indicadores, esse dado coloca na conta todos os estudantes que deixaram os estudos. Em geral, os cálculos de abandono escolar só identificam a evasão em relação ao ano anterior.
 

"Com essa nova forma de cálculo, conseguimos identificar todos os jovens que saíram da escola, em qualquer ano que ela possa ter abandonado os estudos. Nesse indicador, temos o acumulado de todos os alunos que perdemos ao longo do caminho", explica Ernesto Faria, diretor do Iede.
 

Os dados mostram que, enquanto, no Maranhão, 27% dos jovens de 16 e 17 anos já não estavam mais na escola. Em Santa Catarina, por exemplo, a taxa é bem menor, de 10%.
 

Para Faria, a enorme disparidade encontrada no Brasil é reflexo de um sistema educacional que não atua de forma eficaz para promover a equidade e dar suporte aos mais vulneráveis. Dos 15 estados com taxa de jovens fora da escola mais alta do que a média do país, 11 ainda não retornaram com aulas presenciais nas redes públicas.
 

"A pandemia atinge de forma mais cruel os mais vulneráveis. Os sistemas educacionais que já tinham problemas mais complexos, como o abandono escolar, tiveram menos capacidade de reação nesse período", diz Daniel de Bonis, diretor de políticas educacionais da Fundação Lemann.
 

Levantamento da Folha mostrou que 14 estados e o Distrito Federal ainda não retomaram as aulas presenciais. Eles dizem aguardar a redução do número de infecções de Covid-19 ou o avanço da vacinação.
 

"Precisamos de um esforço imediato de todas as esferas de governo para vacinar professores e garantir o retorno das aulas presenciais em todo o país. É só com essa volta que vamos saber o tamanho do prejuízo da pandemia, quantos alunos abandonaram o estudo, qual foi a perda de aprendizagem", diz Bonis.
 

Nesta sexta (28), depois de meses de apelo dos estados e municípios para incluir os profissionais da educação na vacinação, o Ministério da Saúde publicou nota técnica em que coloca o grupo na sequência da imunização.
 

Os governadores querem firmar um pacto nacional para que os profissionais de educação básica comecem a ser vacinados em junho para garantir a retomada das aulas presenciais em agosto.
 

A possibilidade de ter ao menos alguns meses de aulas presenciais no último ano da escola deu esperanças a Anna Theresa Vieira, 16. Aluna do 3º ano do ensino médio em um colégio estadual em São Luís, no Maranhão, ela está desde março do ano passado apenas com atividades remotas.
 

"Já pensei em desistir de estudar várias vezes. Passei alguns meses sem nem abrir as atividades porque cansei. Parece que não tem sentido continuar estudando em casa, sem saber quando voltar", diz.
 

Além de estar longe da escola, na pandemia, ela também passou a ter novas funções dentro de casa. É ela quem cuida da irmã de 9 anos e faz as tarefas domésticas para que a mãe possa trabalhar.
 

"Tem hora que eu não sei se assisto uma aula online, se preparo o almoço, se ajudo minha irmã com alguma dúvida. Sinto falta da minha rotina, de ter um tempo e espaço só para estudar", conta.


fonte:FOLHAPRESS - 31/05/2021

Covid-19: Os 5 piores líderes do mundo no combate à pandemia

 A covid-19 é notoriamente difícil de controlar e os líderes políticos são apenas parte do cálculo quando se trata de gerenciamento de pandemia. Mas alguns líderes mundiais atuais e anteriores têm feito poucos esforços para combater os surtos em seu país, seja minimizando a gravidade da pandemia, desconsiderando a ciência ou ignorando intervenções críticas de saúde, como distanciamento social e máscaras. Todos os homens nesta lista cometeram pelo menos um desses erros, e alguns cometeram todos eles – com consequências mortais.

© O presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi em encontro 

Modi em videoconferência com seus ministros em junho de 2020: com a doença ainda fora de controle, ele liberou manifestações em campanhas políticas e um festival religioso que mobiliza milhões de pessoas entre janeiro e março. Crédito: Prime Minister’s Office/Wikimedia Commons© Fornecido por Revista Planeta Modi em videoconferência com seus ministros em junho de 2020: com a doença ainda fora de controle, ele liberou manifestações em campanhas políticas e um festival religioso que mobiliza milhões de pessoas entre janeiro e março. Crédito: Prime Minister’s Office/Wikimedia CommonsNarendra Modi, Índia

Sumit Ganguly, Universidade de Indiana

Índia é o novo epicentro da pandemia global, registrando cerca de 400 mil novos casos por dia em maio de 2021. Por mais sombria que seja, essa estatística falha em capturar o horror absoluto que se desenrola ali. Os pacientes da covid-19 estão morrendo em hospitais porque os médicos não têm oxigênio para administrar e nenhum medicamento que salva vidas como o remdesivir. Os doentes são rejeitados em clínicas que não têm leitos gratuitos.

Muitos indianos culpam um homem pela tragédia do país: o primeiro-ministro Narendra Modi.

Em janeiro de 2021, Modi declarou em um fórum global que a Índia “salvou a humanidade… ao conter o coronavírus de forma eficaz”. Em março, seu ministro da Saúde proclamou que a pandemia estava chegando ao “fim do jogo”. A covid-19 estava ganhando força na Índia e em todo o mundo – mas seu governo não fez preparativos para possíveis contingências, como o surgimento de uma variante da covid-19 mais mortal e contagiosa.

Mesmo com bolsões significativos do país não tendo suprimido totalmente o vírus, Modi e outros membros de seu partido realizaram massivas manifestações de campanha ao ar livre antes das eleições de abril. Poucos participantes usavam máscaras. Modi também permitiu que um festival religioso que atrai milhões de pessoas ocorresse de janeiro a março. As autoridades de saúde pública agora acreditam que o festival pode ter sido um evento superpropagador e foi “um erro enorme”.

Enquanto Modi elogiava seus sucessos no ano passado, a Índia – o maior fabricante mundial de vacinas – enviou mais de 10 milhões de doses de vacinas aos países vizinhos. Mesmo assim, apenas 1,9% dos 1,3 bilhão de indianos foram totalmente vacinados contra a covid-19 no início de maio.

Bolsonaro em pronunciamento oficial sobre a covid-19 em março de 2020: presidente brasileiro fomentou um falso dilema entre catástrofe econômica e distanciamento social. Crédito: TV BrasilGov/Wikimedia Commons© Fornecido por Revista Planeta Bolsonaro em pronunciamento oficial sobre a covid-19 em março de 2020: presidente brasileiro fomentou um falso dilema entre catástrofe econômica e distanciamento social. Crédito: TV BrasilGov/Wikimedia CommonsJair Bolsonaro, Brasil

Elize Massard da Fonseca, Fundação Getulio Vargas, e Scott L. Greer, Universidade de Michigan

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro não apenas deixou de responder à covid-19 – que ele classifica como uma “gripezinha”: ele agravou ativamente a crise no Brasil.

Bolsonaro utilizou seus poderes constitucionais para interferir nas questões administrativas do Ministério da Saúde, como protocolos clínicos, divulgação de dados e aquisição de vacinas. Ele vetou a legislação que obrigaria o uso de máscaras em locais religiosos e compensaria os profissionais de saúde permanentemente prejudicados pela pandemia, por exemplo. E ele obstruiu os esforços de governos estaduais para promover o distanciamento social e usou seu poder de decreto para permitir que muitos negócios permanecessem abertos como “essenciais”, incluindo spas e academias. Bolsonaro também promoveu agressivamente medicamentos não comprovados, principalmente hidroxicloroquina, para tratar pacientes com covid-19.

Bolsonaro usou seu perfil público como presidente para moldar o debate em torno da crise do coronavírus, fomentando um falso dilema entre catástrofe econômica e distanciamento social e deturpando a ciência. Ele culpou os governos estaduais brasileiros, a China e a Organização Mundial da Saúde pela crise da covid-19 e nunca se responsabilizou por administrar o surto em seu próprio país.

Em dezembro, Bolsonaro declarou que não tomaria a vacina por causa dos efeitos colaterais. “Se você se transformar em um jacaré, o problema é seu”, disse ele.

A má gestão da pandemia de Bolsonaro criou conflito dentro de seu governo. O Brasil passou por quatro ministros da Saúde em menos de um ano. O surto descontrolado no Brasil deu origem a várias novas variantes do coronavírus, incluindo a variante P.1, que parece mais contagiosa. A taxa de transmissão de covid-19 do Brasil está finalmente começando a cair, mas a situação ainda é preocupante.

Alexander Lukashenko, presidente bielorrusso, encontra Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA no governo Trump, em fevereiro de 2020: o governante europeu recomendou vodca para os contaminados pela covid-19. Crédito: U.S. Department of State/Wikimedia Commons© Fornecido por Revista Planeta Alexander Lukashenko, presidente bielorrusso, encontra Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA no governo Trump, em fevereiro de 2020: o governante europeu recomendou vodca para os contaminados pela covid-19. Crédito: U.S. Department of State/Wikimedia CommonsAlexander Lukashenko, Bielorrússia

Elizabeth J. King e Scott L. Greer, Universidade de Michigan

Muitos países ao redor do mundo responderam à covid-19 com políticas tragicamente inadequadas. No entanto, argumentamos que os piores líderes da pandemia são aqueles poucos que escolheram a negação total em vez da ação ineficaz.

Alexander Lukashenko, o líder autoritário de longa data da Bielorrússia (Belarus), nunca reconheceu a ameaça da covid-19. No início da pandemia, enquanto outros países estavam impondo bloqueios, Lukashenko optou por não implementar quaisquer medidas restritivas para evitar a disseminação da covid-19. Em vez disso, ele afirmou que o vírus poderia ser evitado bebendo vodca, visitando a sauna e trabalhando no campo. Essa negação deixou essencialmente medidas preventivas e ajuda pandêmica para os indivíduos e campanhas de crowdfunding (vaquinhas virtuais).

Durante o verão de 2020, Lukashenko afirmou que havia sido diagnosticado com covid-19, mas que era assintomático, o que lhe permitiu continuar insistindo que o vírus não era uma ameaça séria. Supostamente, frustrar a doença e visitar os hospitais de covid-19 sem máscara também reforçou sua imagem desejada de um homem forte.

A Bielorrúsia acaba de iniciar os esforços de vacinação, mas Lukashenko diz que não será vacinado. Atualmente, menos de 3% dos bielorrussos são vacinados contra a covid-19.

Trump em comício para as eleições, em outubro de 2020: desinformação e retórica anticientífica no trato com a covid-19. Crédito: Gage Skidmore/Wikimedia Commons© Fornecido por Revista Planeta Trump em comício para as eleições, em outubro de 2020: desinformação e retórica anticientífica no trato com a covid-19. Crédito: Gage Skidmore/Wikimedia CommonsDonald Trump, Estados Unidos

Dorothy Chin, Universidade da Califórnia, Los Angeles

Trump está fora do cargo, mas seu tratamento incorreto da pandemia continua a ter consequências devastadoras a longo prazo nos Estados Unidos – particularmente na saúde e no bem-estar das comunidades negras.

A negação inicial de Trump da pandemia, a propagação ativa de desinformação sobre o uso de máscaras e tratamentos e a liderança incoerente prejudicou o país como um todo – mas o resultado foi muito pior para alguns grupos do que para outros. Comunidades de cor sofreram doenças e mortes desproporcionais. Embora os afro-americanos e latinos representem apenas 31% da população dos EUA, por exemplo, eles respondem por mais de 55% dos casos de covid-19. Os indígenas americanos foram hospitalizados 3,5 vezes mais e sofreram 2,4 vezes a taxa de mortalidade dos brancos.

As taxas de desemprego também são desproporcionais. Durante o pior da pandemia nos EUA, eles dispararam para 17,6% para os latino-americanos, 16,8% para os afro-americanos e 15% para os asiático-americanos, em comparação com 12,4% para os americanos brancos.

Essas lacunas esmagadoras ampliaram as desigualdades existentes, como pobreza, instabilidade habitacional e qualidade da escolaridade – e provavelmente continuarão a acontecer por algum tempo. Por exemplo, embora a economia geral dos EUA mostre sinais de recuperação, os grupos minoritários não tiveram um progresso equivalente.

Finalmente, a culpa de Trump à China pela covid-19 – que incluía epítetos raciais como chamar o vírus de “kung flu” – imediatamente precedeu um aumento quase duas vezes maior nos ataques a asiático-americanos e de origem em ilhas do Pacífico no ano passado. Essa tendência preocupante não mostra sinais de enfraquecimento.

A administração Trump apoiou o desenvolvimento inicial da vacina no país, uma conquista que poucos líderes mundiais podem reivindicar. Mas a desinformação e a retórica anticientífica que ele transmitiu continuam a comprometer o caminho dos EUA para fora da pandemia. As últimas pesquisas sugerem que 24% de todos os americanos e 41% dos republicanos dizem que não serão vacinados.

López Obrador com Trump, em encontro na Casa Branca em julho de 2020: minimização da gravidade da covid-19 no México. Crédito: Casa Branca
© Fornecido por Revista Planeta López Obrador com Trump, em encontro na Casa Branca em julho de 2020: minimização da gravidade da covid-19 no México. Crédito: Casa Branca
Andrés Manuel López Obrador, México

Salvador Vázquez del Mercado, Centro de Investigación y Docencia Económicas

Com 9,2% de seus pacientes de covid-19 morrendo da doença, o México tem a maior taxa de letalidade do mundo. Estimativas recentes mostram que provavelmente sofreu 617 mil mortes – no mesmo nível dos Estados Unidos e da Índia, ambos países com populações muito maiores.

Uma combinação de fatores contribuiu para os prolongados e extremos surtos de covid-19 no México. E uma liderança nacional inadequada era uma delas.

Durante a pandemia, o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador procurou minimizar a gravidade da situação no México. No início, ele resistiu aos apelos para decretar um bloqueio nacional e continuou realizando comícios em todo o país antes de, em 23 de março de 2020, o México fechar por dois meses. Ele frequentemente se recusava a usar máscara.

Tendo herdado uma colcha de retalhos subfinanciada de serviços de saúde quando assumiu o cargo em 2018, López Obrador aumentou apenas ligeiramente os gastos com saúde durante a pandemia. Os especialistas afirmam que os orçamentos dos hospitais são insuficientes para a enorme tarefa que enfrentam.

Mesmo antes do início da pandemia, a política de extrema austeridade fiscal de López Obrador – em vigor desde 2018 – tornou o combate à crise de saúde muito mais difícil, ao limitar significativamente a ajuda financeira relacionada à covid-19 disponível para cidadãos e empresas. Isso, por sua vez, agravou o choque econômico causado pela pandemia no México, alimentando a necessidade de manter a economia aberta durante todo o ano passado, bem na feroz segunda onda de inverno, da qual o México está apenas começando a emergir.

Posteriormente, outro bloqueio tornou-se inevitável. O México fechou de novo brevemente em dezembro de 2020.

Hoje, o uso de máscaras aumentou e o México vacinou totalmente 10% de sua população, em comparação com 1% na vizinha Guatemala. As coisas estão melhorando, mas o caminho do México para a recuperação é longo.

* Sumit Ganguly é professor de Ciência Política e catedrático em Culturas e Civilizações Indígenas na Universidade de Indiana (EUA); Dorothy Chin é psicóloga pesquisadora associada na Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA); Elizabeth J. King é professor associada de Comportamento para a Saúde e Educação para a Saúde na Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan (EUA); Elize Massard da Fonseca é professora assistente na Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas na Fundação Getulio Vargas (Brasil); Salvador Vázquez del Mercado é professor de Pesquisa Conacyt no Laboratório Nacional de Políticas Públicas, Centro de Investigación y Docencia Económicas (México); Scott L. Greer é professor de Gestão de Saúde Global e Política e Ciência Política na Universidade de Michigan (EUA).

** Este artigo foi republicado do site The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original aqui.

Fonte:Planeta - 31/05/2021 - 09h:27min.

domingo, 30 de maio de 2021

Sambista Firmino de Itapoan morre, aos 78 anos, após parada cardíaca

 

Sambista Firmino de Itapoan morre, aos 78 anos, após parada cardíaca
Foto: Reprodução /

O cantor e compositor Firmino de Itapoan, 78 anos, morreu neste sábado (29), após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Com 60 anos de carreira, Firmino chegou a ser homenageado pela Câmara Municipal de Salvador em 2011, quando recebeu a Medalha Zumbi dos Palmares por ser o  "pioneiro na divulgação do samba de roda no Brasil". 


A informação da morte do sambista foi confirmada por uma de suas filhas ao jornalista e colunista Marrom. O compositor nasceu em Salvador, no bairro da Liberdade em 1943. Conforme divulgou o portal G1, o artista  já chegou a vender 300 mil discos na década de 1980 e ficou conhecido após compor sucessos nacionais como ‘Samba de malandro’, ‘Boa noite pra quem é de boa noite’ e ‘Moinho da Bahia queimou’.

Na década de 1960, o sambista gravou o disco ‘Bahia Brasil’, a fim de mostrar para o Brasil o folclore da Bahia. Depois gravou mais cinco Lps, seis compactos, cinco Cds e um Dvd. Firmino Rodrigues de Santana Filho deixa filhos e netos, além de um legado na história do samba baiano e nacional. Informações do Bahia Notícias.

Mundo: Para evitar migração aos EUA, México quadruplica rejeição de brasileiros

 

Para evitar migração aos EUA, México quadruplica rejeição de brasileiros
Foto: John Moore / Getty Images

O México está cerrando a marcação em seus aeroportos e barrando mais brasileiros que tentam entrar no país. De janeiro a abril deste ano, 1.846 viajantes desta nacionalidade tiveram sua entrada negada em aeroportos mexicanos, ou 2,3% do total dos visitantes. É quatro vezes o número das rejeições no mesmo período em 2020 e também em 2019, no pré-pandemia. O Brasil é o terceiro país de origem com mais inadmitidos, atrás do Equador e da Colômbia.
 

Autoridades que lidam com o tema e deram entrevista sob a condição de anonimato dizem que há subnotificação, já que nem todos os casos são repassados, e que historicamente a proporção é de repatriação de 0,4% do total de turistas brasileiros. Neste ano, apenas em um dia, 8 de abril, foram ao menos 78 inadmitidos, mais do que as ocorrências de todo o mês de março de 2020.
 

O alerta sobre o tema foi dado pela Polícia Federal de Minas Gerais, que fez uma nota afirmando ter constatado um "aumento da recusa de entrada de brasileiros pelas autoridades mexicanas nos procedimentos de imigração dos aeroportos". Segundo o texto, o objetivo do governo mexicano é impedir a entrada de pessoas que queiram atravessar a fronteira terrestre e entrar nos EUA de forma irregular, e as pessoas barradas possuem "alerta migratório" contra elas.
 

O Itamaraty disse que percebeu a tendência de aumento e que o tema é prioritário para a embaixada brasileira.
 

Enquanto esperam pela repatriação dentro do aeroporto, os viajantes reclamam de maus-tratos por parte dos policiais, condições precárias de alojamento e impossibilidade de se comunicar com familiares. Segundo as queixas deles, os mexicanos estão dispensando aos imigrantes o mesmo tratamento discriminatório que muitos de seus cidadãos recebem ao atravessar a fronteira dos Estados Unidos.
 

A Folha teve acesso a um vídeo feito por um dos brasileiros detidos em maio no aeroporto da Cidade do México. Ele não quis dar entrevista, mas contou que conseguiu esconder o celular antes que fosse apreendido --os aparelhos são confiscados durante a espera pelo voo de repatriação.
 

As imagens mostram um local com beliches muito próximas umas das outras, cheio de homens deitados, a maioria sem máscara. Segundo o jornal espanhol El País, a instalação é conhecida pelos turistas latino-americanos como "cela", "calabouço" ou "quartinho".
 

"Se alguém tivesse Covid ali dentro ia contaminar todo mundo", diz o jogador de futebol Matheus Barboza, 23, que ficou detido por 24 horas nesse mesmo lugar. "Tinha umas 60 pessoas dentro da sala, umas 40 eram brasileiras. Não dormíamos porque toda hora abriam a porta para colocar mais alguém lá dentro, parecia um presídio. Não nos deixaram telefonar para ninguém, tiraram nossos celulares, relógios, malas, tudo. Foi uma situação constrangedora."
 

Matheus afirma que viajou ao México para jogar futebol em um time local. Disse que levou o contrato de trabalho e o teste de Covid negativo e que os agentes pediram que ele abrisse suas redes sociais. "Mostrei fotos minhas jogando futebol, quiseram ver minhas conversas com minha mãe, minha namorada", conta.
 

Ele acredita que foi barrado por não ter passagem de volta, mas diz que não tinha porque iria ficar para trabalhar no país. Diz também que nunca esteve nos EUA.
 

Os brasileiros Janaína e Ulysses Rodrigues também foram barrados pelas autoridades mexicanas, que alegaram que ele não podia entrar por ser uma "ameaça migratória". Segundo o casal, eles moram em Londres há dez anos, vieram ao Brasil visitar a família e fariam uma parada em Cancún antes de voltar para a Europa.
 

"Queríamos fechar a viagem com chave de ouro. Mostramos a reserva do hotel, que tínhamos pago à vista, R$ 10 mil, mas eles não deixaram explicar, não queriam nem saber", diz Janaína, 34, que calcula ter tido um prejuízo de ao menos R$ 15 mil.
 

Ela conta que foi colocada em uma sala diferente da do marido, onde havia cerca de 30 pessoas amontoadas, dez delas do Brasil. "O lugar era um lixo. Trataram a gente super mal, nos deixavam com fome, mal tinha água para tomar. Se uma criança chorava, eles mandavam calar a boca."
 

Uma das brasileiras, segundo ela, estava com um filho com autismo chorando muito e começou a passar mal. "Outra menina teve que gritar com os guardas para que deixassem o marido entrar na sala."
 

Ulysses, 37, acredita que foi barrado por ter tido um visto para os EUA negado em 2015, segundo ele. "Mas estávamos com malas de 23 kg, mais bagagem de mão e mochila. Não tinha como olhar para nós e achar que iríamos atravessar [a fronteira]", diz Janaína.
 

Não são só os brasileiros que viraram alvo. Outros países latino-americanos notaram o mesmo incremento nas repatriações nos primeiros meses deste ano. Em março, o governo da Colômbia manifestou formalmente ao México sua preocupação pelas "reiteradas inadmissões" e pelas supostas violações de direitos humanos no tratamento dos colombianos que aguardam o voo de volta.
 

Desde fevereiro, um grupo de embaixadas e consulados de países latino-americanos, incluindo o Brasil, fez reuniões com autoridades mexicanas para pedir um melhor tratamento a seus cidadãos inadmitidos no aeroporto.
 

A tônica da discussão foi que, apesar de o México ter soberania para decidir quem entra em seu território, deve respeitar as leis e tratar com dignidade os viajantes barrados. Também foi pedido que o México notifique os governos dos casos de cidadãos barrados e que permita ligações telefônicas dessas pessoas para um familiar e para o consulado.
 

Em meados de março, o responsável pelo departamento de migração do aeroporto da Cidade do México foi trocado. Apesar de o número de pessoas vetadas ter continuado elevado, depois disso foram registradas menos reclamações oficiais de maus-tratos por parte dos brasileiros.
 

O Brasil proibiu voos para o México do começo da pandemia até julho do ano passado. Mesmo com a retomada da rota, o número de voos diminuiu consideravelmente devido à menor demanda.
 

Neste ano, a procura voltou a aumentar. De janeiro a abril de 2021, mais de 79 mil brasileiros viajaram para o México, segundo a embaixada do país. A média do ano todo, na pré-pandemia, ficava em torno de 350 mil. Por não exigir visto e por ser um dos poucos países abertos neste momento a voos saindo do Brasil, o México tem sido um dos locais preferidos por turistas brasileiros que precisam fazer quarentena em outro país antes de voar para os EUA ou para outros destinos da Europa e da Ásia.
 

Mas a retomada dos voos também tem levado ao México mais migrantes que querem tentar a sorte de atravessar a fronteira dos EUA sem visto. Muitos são atraídos pelo fim do mandato do presidente republicano Donald Trump, que tinha uma forte bandeira anti-imigração e foi derrotado pelo democrata Joe Biden.
 

Os EUA têm acordos com o México para tratar da questão migratória de maneira conjunta e, desde sua posse, Biden tem negociado para que o país vizinho reforce o controle da entrada de migrantes que se dirigem à fronteira.
 

Em março, o governo mexicano concordou em mandar 10 mil agentes de segurança até a fronteira para deter os imigrantes. Em troca, os EUA prometeram enviar vacinas contra Covid para os mexicanos e investir em programas humanitários e econômicos na região para enfrentar as causas sistêmicas que levam as pessoas a migrarem.
 

Escolhida por Biden para tratar do tema em seu governo, a vice-presidente americana, Kamala Harris --ela própria filha de imigrantes--, reuniu-se virtualmente com o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, no último dia 7 e marcou de ir ao país vizinho em junho.
 

Pelas leis mexicanas, irregularidades migratórias não são crime, e os repatriados teoricamente não têm impedimento de voltar ao país. Mas, na prática, pode haver maior dificuldade numa futura viagem.
 

Em nota, o Itamaraty afirmou que o consulado brasileiro está em contato permanente com autoridades mexicanas para garantir "tratamento justo e digno a nossos nacionais". No site do Itamaraty, há um aviso de que entrar informalmente nos EUA, a partir do México, "é uma prática delituosa nos dois países e extremamente perigosa" e que a "travessia representa sério risco de vida para os envolvidos".
 

Em nota enviada à Folha, o cônsul mexicano Vicente Flores afirmou que as autoridades mexicanas podem negar a entrada de viajantes quando houver inconsistências na documentação apresentada ou quando os motivos da viagem não forem comprovados adequadamente.
 

"Muitos dos viajantes de nacionalidade brasileira chegaram ao México nos últimos meses com a intenção de fazer a quarentena necessária antes de viajar para os EUA, alguns dos quais tentaram cruzar para aquele país através da fronteira norte do México, às vezes sem ter visto daquele país", completou, acrescentando que o fluxo de brasileiros cresceu muito neste primeiro semestre e que os casos de inadmissibilidade representam um percentual pequeno do total.
 

"Apesar da atual contingência de saúde devido à pandemia de Covid-19, o México mantém uma política de portas abertas para viajantes de todo o mundo, incluídos numerosos turistas brasileiros."
 

Coiotes fazem promessas falsas de fronteiras abertas
 

A crise econômica decorrente da pandemia e a derrota do republicano Donald Trump para o democrata Joe Biden na eleição presidencial de 2020 levaram a uma explosão da imigração irregular para os EUA. O número de detenções na fronteira com o México em 2021 já é o maior em 20 anos.
 

Em Governador Valadares (MG), conhecido polo de emigração de brasileiros para os EUA, o movimento de saída é grande. Ali do lado, Sobrália, uma minúscula cidade de cerca de 5.000 habitantes que tem a maior proporção do país de emigrantes em relação à população, todo mês sai "uma carroça de gente, uns 20 pelo menos", conta um morador.
 

Segundo a Polícia Federal de Minas Gerais, coiotes --criminosos que cobram até US$ 20 mil (R$ 104 mil) para levar imigrantes --têm feito até palestras prometendo, falsamente, que as fronteiras estão abertas depois da posse de Biden. Apesar de algumas flexibilizações terem sido feitas, as restrições à entrada de quem não tem visto seguem em vigor.
 

"Só é possível cruzar os pontos de fronteira terrestre em casos excepcionais. Tentativas de travessia irregular apresentam gravíssimos riscos para a segurança e a vida das pessoas envolvidas", diz uma nota da PF, divulgada em abril. Outro sinal de alerta para os policiais foi o aumento no número de passaportes solicitados em Minas Gerais --de janeiro para abril, a procura cresceu 77%.
 

Para César Rossatto, professor da Universidade do Texas e cônsul honorário do Brasil, a fronteira é "como um termômetro que mede a temperatura das tensões sociais dos distintos países". "Agora, estão chegando muitos haitianos, equatorianos, brasileiros", diz. "Ninguém quer abandonar tudo, vender casa, carro, pagar caro e arriscar a vida se a coisa não está feia. A pandemia deixou milhões na miséria na América Latina."
 

O número de crianças que chegam desacompanhadas também é recorde. Só em março, foram 19 mil. Elas chegam traumatizadas da travessia e sofrem também nos abrigos onde são instaladas. "Cheguei a chorar ao ouvir as histórias delas. Teve um de nove anos que chegou no meio da pandemia, conseguimos que não fosse deportado", diz Rossatto.
 

Para muitos, o sonho americano não termina bem. Além das prisões e deportações, eles estão sujeitos a sequestros, extorsões, abusos sexuais e outras violências por parte dos coiotes mexicanos, muitos ligados a cartéis de drogas.
 

Uma parte morre durante a travessia no deserto ou no rio Grande. O consulado do Brasil no México divulgou um aviso em abril dizendo que tem sido procurado por vários familiares de brasileiros que desapareceram ao tentar atravessar a fronteira. Há cinco meses, um goiano de 36 anos morreu ao bater a cabeça no chão após pular o muro entre os dois países. "O muro de ferro, de 15 metros, não consegue barrar a imigração. Estou vendo aqui coisas que nunca vi na vida", diz Rossatto. "As pessoas estão no desespero total. E isso vai piorar nos próximos meses."


fonte: FOLHAPRESS - 30/05/2021

Cientistas baianos mantêm monitor da covid com patrocínio de bilionário canadense

 

(Imagem: Reprodução/Portal Geocovid)

Quando as autoridades brasileiras colocaram os rostos na mídia para oficializar a primeira morte por covid-19 no país em março de 2020, o geólogo baiano Washington Franca-Rocha ocupava o cargo de superintendente de desenvolvimento científico na Secretaria de Ciência e Tecnologia da Bahia (Secti). Professor titular da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) há mais de três décadas, Franca-Rocha estava naquele momento cedido ao órgão com a missão de implementar e dinamizar iniciativas de ciência no estado, mantendo contato direto com as universidades a fim de articular projetos.

Assim que a ameaça viral foi constatada, o superintendente, um homem de cabelo grisalho, lábios finos, diastema e poucas vaidades, se pôs a mandar e-mails e mensagens para um sem número de pesquisadores. Estava encarregado de correr atrás de linhas de frente acadêmicas para armar o estado na guerra biológica que viria.

Entre as iniciativas listadas, Washington apostou tanto em uma que até se envolveu diretamente. Surgiria com urgência, em apenas 15 dias, o Portal Geocovid, uma plataforma de monitoramento da pandemia que começou com dados locais e foi sendo demandada por todo o país até virar ferramenta a nível nacional, com dados dos 5.570 municípios brasileiros.

As bases para o projeto vieram da experiência com o Portagro, um painel que compila toda a produção agropastoril de cada município baiano, ideia que foi desenvolvida na Uefs e gestada com a ajuda de uma startup incubada na própria universidade, a Geodatin.

Para construir aquele painel, foram produzidos mapas inteligentes que indicavam, por exemplo, características de cada região que são favoráveis a determinadas culturas, informações sobre lagos, açudes e rios do semiárido baiano com o intuito de prover dados para otimizar a produção, além de um sistema de previsões de riscos climáticos. 



Ao analisá-lo, Washington pensou que algo parecido poderia ser feito para o combate à covid-19, usando um princípio similar de visualização das informações, colocando números em mapas, mas adaptando para a epidemiologia. Aí, pronto, o primeiro passo foi marcar uma reunião com um grupo de pesquisadores de diferentes especialidades para montar a força-tarefa. 

O superintendente já sabia que, dois anos atrás, o professor José Garcia, do Instituto de Física da Universidade Federal da Bahia (Ufba), havia desenvolvido junto a alunos uma modelagem para estudar cenários de outros vírus, como zika e chikungunya, e que poderia ser aplicado à covid-19.E, assim, sob o tripé da computação, geografia e epidemiologia, nasceu uma das maiorescontribuições científicas do Nordeste no combate à covid-19. A iniciativa envolve esforçosintelectuais de cinco instituições públicas de ensino superior da Bahia — três estaduais eduas federais, com o intuito de contribuir para as decisões de governantes em relação à liberaçãode atividades e até outras estratégias como análise da necessidade de leitos.Totalmentegratuito, o portal foi lançado no fim de março do ano passado e já registrou maisde232 mil acessos, feitos a partir de 96 países e 1.865 cidades. Durante todo 2020, aferramenta funcionou à base do trabalho voluntário de professores e alunos. Atualmente, mais de30 colaboradores diretos e indiretos alimentam e analisam o portal.Enfim, os refrescos...Aconstrução de toda a estrutura só foi possível graças a uma rede colaborativa. Noentanto, sem recursos financeiros, é sempre mais difícil manter as atividadesvoluntárias porque os envolvidos têm outras atribuições de vida e trabalho. Oscolaboradores, então, passaram a buscar financiamento para continuar e aperfeiçoar o projeto.Chegaram a tentar bolsas nacionais de pesquisa através da Capes e CNPq, mas nãoforamcontemplados.O MapBiomas, uma rede do Observatório do Clima, trabalhou comoparceira na captação de recursos para sustentar o portal, que hoje é financiado pela SkollFoundation, do bilionário engenheiro e filantropo canadense Jeff Skoll. A fundação doou R$300mil, ou seja, cerca de US $56,7 mil, ao Geocovid por meio do Instituto Arapyaú, instituiçãofilantrópica. O dinheiro permitiu pagar pelo trabalho dos seis colaboradores da Geodatin,startup que antes atuava como voluntária, e ainda possibilitou reformular asfuncionalidades e design do site.“Acredito que a coisa mais interessante do portal é que dá paraenxergar os dados no mapa em multiescala, seja município, território de identidade, regiões, etudo isso dinamicamente. E a outra é que vemos os dados ao longo do tempo, você consegueescolher a data e ver qual era a situação da pandemia naquele momento”, diz DiêgoCosta, geógrafo e CEO da Geodatin.'Não deixa nada a perder'Enquanto projeções deprestigiadas universidades de língua inglesa — como o Imperial College, Johns Hopkins eUniversidade de Washington — vão sendo mencionadas pela mídia brasileira, o professor Franca-ocha ri do quanto se desconhece as iniciativas do próprio país, sobretudo as do Nordeste. “Nossosdados são bastante refinados, é uma pena que ainda não chegou em todo mundo, acreditoque é por falta de divulgação mesmo. No começo, o que essas universidades faziam que agente não fazia era o cálculo da taxa de transmissão do vírus e, olha, hoje a gente conseguecalcular isso até a nível de municípios. Nós monitoramos a pandemia e a vacinação,outros portais só apresentam os dados do Brasil no máximo por estado”, diz ele. O portalda Johns Hopkins University (JHU) teve sua solução desenvolvida pela ESRI, líder mundial nomercado de geotecnologia. Tão louvável quanto lamentável, a Bahia produziu praticamente omesmo tipo de solução sem investir um só real, usando as habilidades de colaboradores de umastartup, “e que não deixa nada a perder”, gargalha Franca-Rocha.O CORREIO entrou emcontato com a comunicação do JHU por e-mail solicitando o valor investido na montagem daplataforma, mas a universidade não respondeu aos questionamentos até esta publicação.“Osobjetivos são diferentes e todos são importantes. AHopkins pensa a nível global. Mas o problema é quando a gentesó valoriza o que é de fora. Nós temos o costume de falarque compramos uma coisa importada como se ela fossemelhor do que o que é produzido no país e nem sempre éassim. Então, nós temos nossos prórios bons dados e estamosvivendo a realidade. Quem melhor para falar sobre umassunto do que quem está vivendo a realidade?”, refleteJocimara Lobão, pesquisadora do projeto e coordenadora doPrograma de Modelagem em Ciência da Terra e do Ambiente da Uefs.Osdados da plataforma já foram usados para dar base às matérias do CORREIO e de outrosveículos jornalísticos como a Revista Piauí, G1, Estado de Minas, Diário de Goiás, O Povo(Ceará), O Liberal (Pará), Bahia Notícias, Metro 1 (Bahia), Brasil de Fato, Portal MSN, revistaNova Escola, Agência Sertão, Meus Sertões (Nordeste), Acorda Cidade (Bahia) e Agência deNotícias das Favelas (ANF).Ele também foi mencionado em artigo científico na revistainternacional Nature, uma das mais prestigiadas do mundo, e foi usado por pesquisadores doComitê Científico do Consórcio Nordeste. Jocimara Lobão aponta que, além dos cortes naciência, historicamente, o envio de recursos para pesquisas sempre foi mais direcionado para aregião Sudeste.Em junho do ano passado, aliás, a Sociedade Brasileira para o Progresso daCiência (SBPC) denunciou que uma portaria da Capes, que reformulou o fomento aos cursos depós-graduação no país, prejudicou ainda mais o Norte e Nordeste, que tiveram perda média de14% nas suas bolsas, enquanto o Sudeste apresentou perda de 7%, ou seja, mesmo com oscortes, seguiu beneficiada na mudança.O portal já abriu um grande caminho para o desfilecientífico da Bahia. Com uma base de dados histórica e bem detalhada, alunos de pós-raduação estão sendo envolvidos para análise das informações a fim de fazer leituras sobre oprolongamento da pandemia no país. A ideia é incentivar a produção de artigos, analisando asfases da covid-19.Com o patrocínio internacional, novas ferramentas foram adicionadas aoportal,como o monitoramento da vacinação nos estados. Além disso, outros três bolsistas depesquisa foram contratados para auxiliar o Prof. José Garcia no tratamento dos dados e tambémum bolsista de pós-doutorado para evoluir ainda mais os modelos matemáticos.Força-Tarefa nortista e nordestinaNo desenvolvimento da ideia, a Uefs entrou com apoio institucionalhospedando o portal e fazendo divulgação científica, a rede ambiental MapBiomasauxiliou com computação em nuvem para o abrigo dos dados, prospectou recursos econtratou soluções tecnológicas e o Brasil.IO forneceu voluntários para coleta e organização dosdados em tabelas.Localizado em Salvador, o Senai Cimatec cedeu horas de processamento emseus supercomputadores para o grande volume de dados nacionais e pesquisadores da Uefs,Uesc, Uneb, Ifba e Ufba entraram como consultores.Filiaram-se ainda outros parceiros,nortistas e nordestinos, das empresas de base tecnológica Solved, do Pará, e InLoco, dePernambuco. A primeira fez a organização dos dados e a segunda forneceu índices deisolamento social por estado.No futuro, mesmo passada a pandemia, pretende-se queo Geocovid continue sendo utilizado como base para monitorar outras doenças que assolam oBrasil, como dengue, chikunkunya e malária."O tema da pandemia continuará sendo pertinentepara estudos. O volume de informações disponível precisa ser digerido e explicado. Agente viu um sucateamento da ciência, o que diminuiu as nossas capacidades de resposta, masexiste um legado de como precisamos estar pré-organizados para enfrentar novos desastres,ficaram várias lições", diz Angelo Loula, professor da Uefs e colaborador do Geocovid.COMO USAR O PAINEL PARA SABER A SITUAÇÃO DA SUA CIDADE1. Acesseo www.portalcovid19.uefs.br

2. Ao abrir a página, será exibido já no topo o botão "Conferiragora". Clique nele.3. 

O site te levará para o mapa, no qual você pode escolher qual áreabrasileira deseja ter dados sobre a covid-19. A plataforma tem três opções: Casos, Projeções eVacinação. Ela inicia automaticamente na opção Casos.

4. O portal já abre mostrando dados geraisdo Brasil, então, se você quiser ver um local específico, basta clicar no estado e depoisna cidade, mas também é possível digitar diretamente o local através do filtro superior, quetambém tem a opção de ver por território de identidade, região de saúde e áreas ao redorde municípios de referência. Os dados serão exibidos à direita da tela.4. Nos filtros superioresvocê pode escolher qual é o tipo de dado que deseja ver, como por exemplo: casos poria, casos acumulados, casos por cem mil habitantes, taxa de evolução dos casos, óbitos por dia,óbitos acumulados, óbitos por cem mil habitantes, taxa de evolução dos óbitos e o famoso R(t),que é a taxa de transmissão. Também há uma escala para determinar a data, possibilitando vera trajetória temporal do vírus na área escolhida. 

5. Para ver as as Projeções de casos e óbitos,bem como o avanço da Vacinação, é só trocar no menu superior. 6. Em relação àimunizaçãoo portal oferece dados de vacinados com 1ª dose, vacinados com 2ª dose,porcentagem de vacinados com a 1ª dose, porcentagem de vacinados com 2ª dose.  Aaba Projeções oferece dados que preveem a quantidade de casos por dia, quantos casosacumulados haverão, taxa de evolução de óbitos, óbitos por dia, óbitos acumulados,demandade leitos de UTI e enfermaria, entre outros.

sábado, 29 de maio de 2021

Salvador: Torcedores do Bahia vão a protesto contra desigualdade na sociedade e no futebol

 

Torcedores do Bahia vão a protesto contra desigualdade na sociedade e no futebol
Foto: Francis Juliano / Bahia Notícias

Sob o argumento de que futebol e política estão conectados, um grupo de torcedores do Esporte Clube Bahia participa do ato contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nesta sábado (29), no Campo Grande, em Salvador.

 

O geógrafo Anderson Lobo, acredita que o futebol é um reflexo da sociedade, e sendo assim, sofre com os efeitos da desigualdade. “Uma sociedade desigual gera um futebol desigual. O Bahia é um time de Salvador, que é uma cidade que, comparado ao centro do eixo econômico do país, está na periferia, então consequentemente é mais complicado para o Bahia disputar um título do brasileiro”, exemplificou.

Anderson Lobo é geógrafo, torcedor do Bahia e morador do Saboeiro | Foto: Francis Juliano

 

“A análise que fazemos é que se o povo vai às ruas no meio de uma pandemia como essa, ele encara que seu governo é mais perigos que o próprio vírus”, analisou Anderson Lobo.

 

O grupo de torcedores do Bahia levou uma faixa para o protesto com o texto "nem a guerra entre as torcidas, nem a paz entre as classes".



fonte;BN - 29/05/2021 22h:45min

Araci: Multidão acompanha sepultamento de médico assassinado pelo amigo


Multidão acompanha sepultamento de médico em Araci

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O médico Andrade Lopes Santana, de 32 anos, que estava desaparecido desde o dia 24 de maio, e foi encontrado amarrado a uma âncora foi enterrado no final da manhã deste sábado (29), no cemitério paroquial de Araci, cidade onde ele morava.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um cortejo foi realizado na manhã deste sábado em despedida ao médico e foi acompanhado por uma multidão.

O carro com o corpo do médico saiu da casa onde ele residia, parou na Câmara de Vereadores e seguiu para o cemitério, onde Andrade foi enterrado.

O desejo da família era cremar o corpo de médico, mas como ele foi vítima de um crime, deve ser enterrado.

Foto: Bruna Evangélio/TV Subaé

O corpo de Andrade Lopes Santana foi encontrado no Rio Jacuípe, em São Gonçalo dos Campos na manhã de sexta-feira (28). Horas depois, o colega dele, identificado como Geraldo Freitas, foi preso. O homem foi o responsável por registrar o desparecimento do amigo na delegacia de Feira de Santana.

Geraldo estudou medicina com Andrade, em uma faculdade na Bolívia. Concluído o curso, os dois se mudaram para o interior da Bahia, para trabalhar.

A cidade de Araci fica há 105 km da cidade de Feira de Santana e tem uma população de um pouco mais de 54 mil habitantes.


fonte:Acorda Cidade c/adaptações - 29/05/2021