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segunda-feira, 14 de junho de 2021

Vacinação: Gov. Doria aponta recalque no Ministro da Saúde e web aprova o deboche

 Depois de anunciar uma antecipação do calendário de vacinação contra a covid-19 em São Paulo, na manhã deste domingo, 13, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) se envolveu num bate-boca, no Twitter, com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre a campanha de imunização.

© Reprodução/GovernoSP e Agência Senado

Doria anunciou a antecipação do calendário de vacinação contra a covid-19 em um mês e com as novas datas, a população adulta de São Paulo receberá, pelo menos, uma dose do imunizante até setembro.

“Até 15 de setembro, toda população acima de 18 anos já terá recebido a primeira dose. Planejamento, trabalho e senso de urgência. Viva a vida”, escreveu Doria.

Algumas horas após, Queiroga comentou na publicação dizendo: “Com certeza, governador João Doria. Com as doses enviadas pelo governo federal, por intermédio do Ministério da Saúde, a população adulta do estado de São Paulo estará imunizada até setembro com a primeira dose da vacina contra Covid-19″, disse o ministro.

Em seguida, Doria rebateu cheio de deboche: “Quanto recalque, ministro. Bom domingo e uma ótima semana. Por aqui, vacinando”.

Na web, internautas provaram o deboche de Doria com Queiroga. Confira a repercussão:

RS: Policial militar mata a tiros quatro pessoas em pizzaria de Porto Alegre

 Uma tragédia aconteceu em uma pizzaria na Avenida Manoel Elias,em Porto Alegre (RS), na madrugada deste domingo (13). Quatro pessoas foram mortas a tiros por um policial militar, de acordo com a Polícia Civil.

O Departamento de Homicídios de Porto Alegre investiga o caso, e segundo informações, o homem teria se desentendido com um grupo de seis pessoas no local. “Ele tentou se esconder e as pessoas foram pra cima ele. Ele estava sozinho, eram seis pessoas [no grupo] e colocaram numa situação ‘embretado’ num canto, onde tinha um armário. Segundo a versão dele, não tinha outra forma de se defender, correndo o risco de ter a arma retirada e ser morto pela própria arma”, disse a delegada Vanessa Pitrez.

O policial militar se apresentou à polícia e entregou a arma após cometer os disparos. Ele alega legítima defesa e, por isso, não foi autuado em flagrante. “Temos uma situação de possível legítima defesa, que ao longo da investigação será apurada, com outras provas e depoimentos, para ver se se confirma”, completa a delegada.

fonte: ISTOÉ -14/06/2021 -00h:40min.

domingo, 13 de junho de 2021

No Rio: Ex-presidente do BC morre de covid-19; estava internado desde novembro de 2020

 Na madrugada deste domingo, 13, Carlos Geraldo Langoni, ex-presidente do Banco Central (1980-1983), morreu, aos 76 anos, devido a complicações causadas pelo coronavírus. Atualmente, ele era diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

© Divulgação/ugt.org

Langoni estava internado na UTI do Hospital CopaStar, em Copacabana, desde novembro de 2020.

Além de comandar o BC, ele também foi chefe-executivo do grupo NM Rothschild no Brasil (1989 e 1997).

Ao longo da carreira, ele foi também representante do Brasil no FME e diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas. Seu último cargo foi como presidente da Projeta Langoni Consultoria Econômica S/S, responsável por fazer análises macroeconômicas para cerca de 40 empresas do Brasil.

 

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, ele voltaria a colaborar com o governo federal, trabalhando junto à equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. Mas não deu tempo. Langoni esteve à frente do Banco Central no período da ditadura militar, na virada das décadas de 1970 e 1980.


fonte:Catraca Livre  e BN -13/06/2021

Mundo: Biden e Putin fazem reunião de cúpula para reafirmar suas desavenças

 

Biden e Putin fazem reunião de cúpula para reafirmar suas desavenças
Imagem: CNN

Na próxima quarta-feira (16), Joe Biden e Vladimir Putin escreverão o trigésimo capítulo da rica história dos encontros de cúpulas entre ocupantes da Casa Branca e do Kremlin desde que seus países viraram rivais ao fim da Segunda Guerra Mundial.

 

Essas reuniões, tanto nos tempos da União Soviética como nos da Rússia pós-1991, sempre trouxeram expectativas de anúncios importantes ou, ao menos, a melhoria no clima entre dois países que somam mais de 90% do arsenal nuclear do mundo.


 

Houve cúpulas históricas, como a que selou o fim da Guerra Fria em Malta (1989) ou a que iniciou o controle de armas nucleares (Moscou, 1972), e desastrosas: em 1960, o soviético Nikita Khrushchov simplesmente deixou o encontro, na esteira da derrubada de um avião espião americano U2 no seu país.

 

Na quarta, em Genebra (Suíça), contudo, nada disso é esperado. A quantidade de contenciosos entre os rivais é tão grande que coube ao veterano chanceler russo, Serguei Lavrov, definir a previsão em uma palestra na semana passada: "Não esperem avanços".

 

"Se houvesse a ideia de repetir uma cúpula como a de 1985 em Genebra, então os acordos teriam sido discutidos antes entre os chefes da diplomacia dos dois países. Eles não fizeram isso", afirma a economista Ekaterina Zolotova, da consultoria americana Geopolitical Futures.

 

Naturalmente, o fato de a reunião estar ocorrendo é um avanço em si, o otimista dirá. É fato, mas ambos os líderes indicam que vão usar a oportunidade para reafirmar suas desavenças fundamentais, cada um com um objetivo específico em mente.

 

A começar com Biden, autor do convite do encontro, e novidade em campo —em termos, dada sua longa carreira e os oito anos como vice de Barack Obama (2009-17), mas nada perto das duas décadas de poder do russo.

 

O americano começou seu mandato em janeiro com um aceno a Putin, aceitando estender o último acordo em vigor para limitação de armas nucleares estratégicas, aquelas que trariam o apocalipse se usadas.

 

Mas no mesmo anúncio indicou uma constante de sua gestão: pediu estudos sobre o caso do envenenamento e posterior prisão do líder opositor russo Alexei Navalni e sobre os ataques de hackers ao governo americano em 2020.

 

Biden telegrafa o que quer fazer, e até aqui seus estudos são profecias autorrealizáveis.

 

Dito e feito, chamou Putin de assassino e impôs sanções pelo caso Navalni, além de prometer punições pela suposta ação do Kremlin contra infraestrutura digital americana e as eleições de 2016 e 2020.

 

Numa escalada perigosa ocorrida em abril, viu Putin montar uma ameaça militar contra a Ucrânia, para desfazer o risco de Kiev tentar invadir as áreas rebeldes pró-Rússia no leste de seu próprio país.

 

A confusão deu chance ao russo de dar seus termos, que basicamente devolvem os territórios para a Ucrânia, mas os mantêm autônomos de forma a inviabilizar a integração do vizinho ao arcabouço institucional europeu —Otan, a aliança militar liderada pelos EUA, à frente.

 

Na crise, Biden se colocou ao lado do fragilizado Volodimir Zelenski, o comediante que preside a Ucrânia. O quão longe ele iria caso o conflito congelado desde 2014 —quando Putin o estimulou após anexar a Crimeia para evitar que um novo governo em Kiev aderisse ao Ocidente— esquentasse é incógnita.

 

O pedido pela cúpula ocorreu exatamente durante a crise.

 

Seja como for, a Ucrânia resume a reunião. Nenhum dos lados deve ceder. As sanções ocidentais não serão aliviadas, qualquer acomodação de demandas seria uma enorme surpresa.

 

O mesmo pode ser dito sobre o apoio do Kremlin ao ditador belarusso, Aleksandr Lukachenko, que interceptou um avião comercial irlandês só para prender um dissidente. Ou sobre os interesses divergentes na geopolítica da vacinação contra a Covid-19.

 

As críticas mútuas são esperadas acerca do papel da Otan, ainda mais quando Biden terá acabado de fazer sua primeira cúpula com o clube, na segunda (14).

 

O americano está tentando remendar o estrago deixado por Trump, que desprezava os aliados, e o temor deles com o recente movimento de Putin é fator a ser considerado.

 

Dois temas podem gerar tensão adicional. Um é a questão dos direitos humanos, encarnada no tratamento a Navalni. Para deixar claro seu ponto de vista, a Rússia baniu o Fundo Anticorrupção do opositor preso na semana passada.

 

Outro é a questão dos ciberataques, que o presidente russo rejeita ser obra de sua tropa.

 

"Não faz nenhum sentido pensar em algum avanço. Tudo o que não for lateral é um beco sem saída, pior do que em certos períodos da história soviética", diz Alexei Kolesnikov, do Centro Carnegie de Moscou.

 

Por e-mail, ele afirma que o problema está do lado russo. "Enquanto era possível falar com [o líder soviético Leonid] Brejnev, é inútil falar com Putin", afirma.

 

Para Biden, toda essa animosidade serve ao propósito de montar uma imagem durona, ao mesmo tempo em que não se recusa a conversar. Na mira, o público interno que ainda ouve de aliados do antecessor Donald Trump que o democrata é frouxo, e os rivais estratégicos em Pequim.

 

Zolotova tem dúvidas sobre a exposição aos chineses. "Acho que é um diálogo que só serve a fins domésticos para ambos", afirmou.

 

Tal jogo convém a Putin de outro modo. O russo está em plena campanha de repressão do que sobrou de oposição nas franjas de sua classe média: Navalni, outros opositores, jornalistas, todos agora são tachados legalmente de "agentes estrangeiros" e passíveis de assédio do Estado.

 

"Em nome da histeria da luta contra os ditos agentes estrangeiros, as autoridades estão simplesmente eliminando toda a sociedade civil em nome de uma 'ocidentefobia'", afirma Kolesnikov.

 

Ele faz o paralelo disso com a campanha de expurgo antissemita do ditador Josef Stálin de 1948 à sua morte, em 1953, na qual ele culpava os "cosmopolitas sem raízes" pelos males soviéticos.

 

E nada mais útil a isso do que a agressividade renovada de Biden. O americano sabe a posição econômica dominante que exerce e trata Putin como inferior, mas isso é visto como deboche nas elites russas, o que embute também riscos.

 

Com a economia cambaleante, embora blindada contra o efeito de sanções, Putin às vezes sinaliza ter noção de sua fragilidade neste campo. Há duas semanas, ele foi instado a comentar a fala do novo chefe da inteligência britânica, Richard Moore, que chamou a Rússia de "potência declinante".

 

"Então por que se preocupar? Se for esse caso, fique calmo e não deteriore as relações russo-britânicas", disse Putin, mencionando que mesmo na pandemia o comércio entre os países subiu 54%.

 

Sarcasmo à parte, há uma admissão da vulnerabilidade econômica russa, país muito centrado na exportação de hidrocarbonetos. Aí entra um ponto no qual pode haver algum avanço em Genebra.

 

Na sexta (11) começaram os testes de uso da primeira das duas linhas do gasoduto Nord Stream 2, que liga a Rússia à Alemanha, aumentando a dependência europeia do produto de Putin, aliviando a passagem dele pelas complicadas Ucrânia e Belarus.

 

Os EUA se opõem ao projeto, mas ele é um fato consumado. Analistas de energia dizem que Biden poderia sinalizar um relaxamento das sanções aos europeus sócios da gigante russa Gazprom.

 

No mais, haverá conversas sobre a questão das armas nucleares, provavelmente positivas, talvez algum acerto sobre como terminar a guerra civil na Síria e pontos laterais, como a volta dos embaixadores dos dois países a seus postos e a normalização dos serviços consulares.


Fonte: FOLHAPRESS - 14/05/2021 

Fake News bolsonarista coloca motociata no Guinness com mais de 1 milhão de pessoas

A militância bolsonarista está circulando nas redes uma fake news que afirma que a motociata do presidente reuniu mais de um 1 milhão de pessoas e foi para o Guinness Book.

Especificamente, os bolsonaristas afirmam que cerca de 1.324.523 de motoqueiros compareceram ao passeio do presidente. A fake está entre os assuntos mais comentados no Twitter, porém, foi hackeada e virou motivo de piada.

O senador Humberto Costa criticou a motociata e afirmou que o único recorde que o presidente conseguiu foi o de promover mortes.

Internautas debocham dos “100 mil motoqueiros” de Bolsonaro

O presidente Bolsonaro e sua horda esperavam que cerca de 100 mil motoqueiros comparecessem à motocada realizada neste sábado (12). Porém, cerca de 5 mil foram ao evento.

Mesmo com o fracasso do evento, os bolsonaristas subiram a tag #Guinness, em alusão ao livro de recordes mundiais, pois, acreditam que o passeio de hoje deva ser registrado como o maior do mundo.

No DF: Pastor Batista defende tributação de igrejas e lança livro

Reprodução

foto:reprodução/metrópoles


Pastor da Primeira Igreja Batista de Brasília e auditor fiscal da Receita do Distrito Federal, Rubens Roriz da Silva tem trazido ao debate um tema polêmico envolvendo suas duas atividades: a cobrança de impostos por parte das entidades religiosas no Brasil. Mesmo liderando uma igreja na capital federal, ele defende a tributação dos tempos e explica seus motivos em um livro que foi lançado nessa sexta (11/6).

Em “A Tributação das Organizações Religiosas no Brasil”, Rubens afirma que “as organizações religiosas no Brasil deveriam pagar impostos e, ao fazê-lo, dariam um significativo exemplo na consolidação da igualdade e da laicidade, dispositivos constitucionais para um Brasil justo, ético e solidário”. Com a tributação das igrejas, elas poderiam cumprir melhor o papel social que têm, defende o pastor e auditor.

Rubens é o atual presidente do Sindicato dos Auditores da Receita do DF (Sindifisco-DF) e da Associação dos Auditores Fiscais Tributários do DF (AAFIT-DF). Observando a situação do Estado brasileiro e as discussões sobre a reforma tributária no Congresso Nacional, ele juntou o conhecimento profissional com a experiência como pastor para propor o que acredita serem ideias viáveis e boas para quem paga e para quem cobra.

“Religião e tributo sempre andaram juntos, desde o início da civilização humana. A primeira tem a importância na formação das pessoas e o segundo é o preço da cidadania. Parto do princípio que todos podem fazer seu sacrifício, e se todo mundo paga passa a pagar menos”, diz.

A obra é iniciada com a análise do cenário atual, onde não há cobrança de impostos de entidades religiosas. “É uma interpretação generosa que as cortes superiores do Brasil têm da Constituição, onde está estabelecido que ‘templos de qualquer culto’ não podem ser tributados. Ao invés de considerar apenas o espaço físico, é toda a organização religiosa”, comenta.

Na segunda parte do livro, Rubens passa a argumentar sobre a necessidade de que impostos sejam cobrados. “São basicamente três pontos. Um é teológico: a Bíblia não condena este tipo de cobrança; outro é buscando igualdade, pois todo mundo deve pagar; e por último o da laicidade. Se as decisões no Brasil não são tomadas com viés religioso, não deveria haver essa isenção”, defende.

O pastor comenta que há ainda uma agenda negativa que recai sobre instituições religiosas por causa do descumprimento da função básica delas. “Existem algumas igrejas e templos que possuem grandes dívidas com Estado mesmo sem pagar imposto. Outro problema é que gravadoras, editoras e outros empreendimentos delas têm uma vantagem que acaba com a concorrência. Fora aqueles que usam o dinheiro arrecadado em benefício próprio”, destaca.


Desta forma, o auditor propõe que haja uma cobrança simplificada, a exemplo do que é feito no modelo do Simples Nacional atualmente. “Com essa parte pagando imposto, isso impacta diretamente no imposto que será cobrado da população em geral, que passa a precisar de pagar menos”, explica.

A ideia, diz Rubens, foi recebida de maneira diferente entre colegas de igreja. Segundo ele, a opinião está dividida, “mas um pouco mais de pessoas são contra”, pontua. “Alguns acham interessante a discussão, mas muitos abominam. De qualquer forma, é uma vontade minha de colocar a proposta para debate”.

O livro foi lançado de maneira virtual nessa sexta-feira em transmissão ao vivo pelo Youtube. É possível comprá-lo pelo site da editora Lumen Juris ou na Amazon.

Fonte: Metrópoles - 13/06/2021 08h:50min

Saúde: Notificações de reações adversas à hidroxicloroquina crescem 8.500% na pandemia

(Carolina Antunes/PR)

A demanda nas farmácias privadas era baixa. Ao longo de todo o ano de 2019, apenas seis caixas de sulfato de hidroxicloroquina, um medicamento usado para tratar doenças como lúpus e malária e oferecido pelo SUS a esses pacientes, saíram das prateleiras de farmácias no país. Em março de 2020, o susto: 755 caixas vendidas só na Bahia, 21.517 em todo o Brasil. Já é muito, mas piora quando somados 12 meses desde que a hidroxicloroquina apareceu numa live do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e passou a ser difundida como uma aposta para o tratamento da covid-19.

Era 19 de março de 2020 e, um ano depois, 1,39 milhão de caixas do medicamentos foram vendidas no Brasil – 33 milhões de comprimidos. A ciência já comprovou que o remédio é ineficaz contra a covid, mas ele segue sendo prescrito. E a conta chegou: o número de registros de suspeitas de reações adversas cresceu quase 8.550% no período.

Os dados de venda do medicamento são do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Já os registros de suspeitas de reações adversas são do painel de Notificações de Farmacovigilância da mesma agência. Eles mostram que, de março de 2019 a março de 2020, foram feitas apenas duas notificações de reações adversas à hidroxicloroquina no país – uma por surdez e outra por urticária, ambas possibilidades indicadas na bula do medicamento. Um ano depois, o número saltou para 173 entre março de 2020 e março de 2021, sendo 81 classificadas como reações graves, que resultaram em prolongamento do tempo de hospitalização, ameaça à vida, morte ou incapacidade persistente ou significativa.

Dos 173 registros localizados, os distúrbios gastrointestinais e cardíacos lideram as reações. Foram 75 relatos de ocorrência de um intervalo QT prolongado no eletrocardiograma dos pacientes – um sinal de alerta, já que a síndrome do QT longo é um distúrbio cardíaco que pode levar a arritmias e até a uma parada cardíaca. Depois, na lista, aparecem diarreia, náusea, vômito, hipoglicemia, taquicardia, bradicardia, erupções cutâneas e até convulsão.

O biomédico e especialista em microbiologia Mateus Falco, da Rede Análise Covid-19, havia apontado há alguns meses o aumento do número de reações adversas ao medicamento nos Estados Unidos. Agora, a alta também fica clara no Brasil. Para ele, é um efeito da disseminação e das falsas esperanças depositadas no chamado ‘tratamento precoce’ e no ‘kit covid’ que, além da hidroxicloroquina, também tem remédios como azitromicina, ivermectina e zinco, todos ineficazes contra a covid.

“O ‘tratamento precoce’ leva as pessoas a acreditarem que estão seguras em relação à infecção pelo SARS-CoV-2, mas é uma sensação falsa porque os medicamentos prescritos não têmapacid a cade de bloquear a entrada do vírus no corpo humano, e nem mesmo curar quando a pessoa está infectada. Além do prejuízo individual quanto à própria saúde do paciente que aceita uma quantidade exagerada de medicamentos, tem também a questão das pessoas continuam circulando e promovendo a disseminação do vírus”, diz Falco.

O Brasil ultrapassou, essa semana, a marca de 17 milhões de casos e 482 mil mortes pela doença.

Agravamentos
Para o médico infectologista Fábio Amorim, que atua no Instituto Couto Maia, em Salvador, unidade de referência para doenças infecciosas, o uso indiscriminado de hidroxicloroquina, prescrita no famoso kit covid, teve seus efeitos. Foram frequentes os casos de pacientes de covid-19 atendidos na unidade com bradicardia – distúrbio que deixa os batimentos mais lentos – após usar a hidroxicloroquina. Alguns foram parar na UTI justamente pelo efeito do medicamento, e não necessariamente por conta da infecção pelo coronavírus.

“No início da pandemia e até meados do ano passado, a gente viu muitos casos como esse, de situações de bradicardia grave, com a indicação de o paciente ir para a UTI por causa da droga. A azitromicina, a hidroxicloroquina também provocam isso, além do coronavírus. O entendimento que a gente tinha é que a exposição ao coronavírus, junto com a hidroxicloroquina, agravou”, aponta.

Ainda segundo Amorim, os pacientes chegavam à unidade relatando ter ingerido doses muito acima do normal. Segundo ele, a hidroxicloroquina costuma ser usada de 5 a 7 dias, com um comprimido a cada 24 horas. Mas os pacientes que tomavam o medicamento, inclusive para tentar ‘prevenir’ a doença, chegavam a tomar dois por dia. O aplicativo TrateCov, criado pelo governo federal e lançado em Manaus (AM), no dia 14 de janeiro deste ano, indicava receitas para “tratamento precoce” com quatro comprimidos de sulfato de hidroxicloroquina num primeiro dia e mais um a cada 12 horas nos quatro dias seguintes: 12 comprimidos, o dobro do recomendado.

Outros profissionais ouvidos pela reportagem, mas que não quiseram se identificar, asseguraram que, desde o início da pandemia, são constantes os casos de pacientes que tomam a hidroxicloroquina para prevenir ou tratar a covid e acabam dando entrada em hospitais com quadros graves, como problemas renais e distúrbios cardíacos. Alguns precisaram ser intubados.

Cuidados na prescrição
Os efeitos colaterais previstos diante do uso da hidroxicloroquina, como distúrbios cardíacos, gastrointestinais, psiquiátricos, hepáticos, de pele, oculares, no sistema nervoso, musculoesquelético e conjuntivo, exigem cuidados na hora da prescrição. É o que defende o cardiologista Jadelson Andrade, do Hospital da Bahia. Segundo ele, pacientes com QT prolongado, por exemplo, não devem tomar o medicamento e, por isso, é sempre recomendado que se faça um eletrocardiograma de repouso para avaliar os riscos de uma arritmia, por exemplo.

“Na minha opinião, prescrição médica, qualquer que seja ela, deve ser feita por um médico. Toda vez que um médico prescreve, ele tem que ter a responsabilidade do que ele tá prescrevendo e isso passa por avaliar os possíveis efeitos ao paciente que essas drogas podem estar apresentando. É o médico que tem que tomar essa decisão porque é ele que vai ser responsabilizado eticamente se ele tiver uma conduta errada”, afirma o cardiologista.

Andrade diz ainda que, com a pandemia, a prática médica se tornou uma discussão política. “E isso não quer dizer que eu seja a favor de usar nenhuma medicação. Inclusive a ivermectina, a hidroxicloroquina não têm efeito. Agora, cabe ao médico decidir. Se ele prescrever e esse paciente tiver uma reação adversa, ele será eticamente responsabilizado, porque não tem evidência científica e ele teve uma reação”, afirma.

Para Fábio Amorim, é preciso fazer uma série de ressalvas antes de prescrever a hidroxicloroquina mesmo para doenças para as quais ela é indicada, como lúpus e malária, por conta dos efeitos. Dona Maria do Carmo*, 60 anos, por exemplo, diagnosticada com lúpus em 2000, precisou suspender o uso do medicamento após perder um percentual da visão. Além disso, mesmo antes da suspensão, usou a hidroxicloroquina associada a um remédio para o coração, por ter desenvolvido uma arritmia.

“Você tem uma série de cuidados antes de prescrever, tem um questionamento do tamanho, do peso do paciente. Você faz um eletrocardiograma, um ecocardiograma para garantir a segurança do uso. Agora, se você prescreve de forma indiscriminada, você não vai mais ter esse controle. Tem gente prescrevendo por telefone, pelo Instagram. Assim, ninguém vai pedir um eletro antes e só vai se descobrir que o paciente tem um QT prolongado depois de já ter tomado”, alerta Amorim.

Subnotificação
Apesar do aumento considerável no número de notificações, farmacêuticos afirmam que esses 173 registros podem ser bastante subnotificados. “Principalmente daqueles pacientes que tomaram a hidroxicloroquina em casa, ou seja, que não estiveram no serviço médico. Elas não precisaram de atendimento, porém tiveram, sim, reações adversas”, explica o presidente do Sindicato dos Farmacêuticos da Bahia (Sindifarma), Magno Teixeira.

Ele acrescenta que, no Brasil, não há uma cultura muito forte de notificar reações adversas, seja de medicamentos ou de vacinas.

“É uma tarefa que exige que a pessoa pare seu trabalho, entre no sistema, preencha uma ficha, mesmo que simplificada. E nós estamos no momento de pandemia, que você tem uma sobrecarga de trabalho dos profissionais de saúde. Geralmente, os profissionais de saúde deixam para notificar só aquelas reações graves. As moderadas e leves terminam não sendo, mas seriam importantes”, completa.

Para o biomédico Mateus Falco, o número de notificações pode ser considerado baixo, diante do cenário de prescrição do ‘tratamento precoce’, sem eficácia contra a covid-19. “As notificações têm um impacto considerável na conduta dos profissionais que monitoram as reações dos pacientes. Contudo, vê-se que as prescrições ocorrem sem o acompanhamento devido, pois o número de notificações está baixo. Não é porque não existe reações adversas, elas existem, mas como a responsabilidade fica a cargo do profissional ou paciente em cadastrar esses fatos, eles acabam não sendo atualizados no sistema de vigilância”, afirma.

A Anvisa, que reúne as notificações feitas tanto por profissionais de saúde quanto por pacientes, destaca a importância de fazer os registros. “As notificações de eventos adversos são importantes para compor a análise da relação benefício-risco dos medicamentos autorizados pela Anvisa”. Segundo a agência, ela deve ser feita o mais breve possível. “Não é necessário ter certeza da associação entre o evento adverso e o uso do medicamento. A simples suspeita da associação é suficiente para se realizar uma notificação”, diz nota.

Questionada sobre o aumento de quase 9.000% no número de notificações, a Anvisa disse que o dado pode ser atribuído “a diferentes fatores, como a maior sensibilização para a notificação de eventos adversos”.

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CPI da Covid vai investigar defensores da hidroxicloroquina

A partir das próximas semanas, a CPI da Covid-19, no Congresso Nacional, vai focar as investigações nos defensores da hidroxicloroquina e nos outros medicamentos do chamado ‘kit covid’ para ‘tratamento precoce’. De acordo com o Senado, os parlamentares querem saber quem financiou e quem ganhou dinheiro com a prescrição indiscriminada da droga, considerada ineficaz no combate ao coronavírus. Pelo menos 18 requerimentos relacionados a medicamentos sem eficácia já foram aprovados.

A CPI descobriu, por exemplo, que o presidente Jair Bolsonaro atuou em favor de duas empresas privadas que produzem a hidroxicloroquina, pedindo a liberação de insumos para a fabricação de medicamentos no Brasil em dois telegramas enviados ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O requerimento para investigar duas farmacêuticas – a EMS e a Apsen – já foram aprovados. Nos últimos dias, defensores dos medicamentos foram ouvidos na CPI, como a médica oncologista Nise Yamaguchi e a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro.

Além disso, parlamentares da base do governo têm usado peças de desinformação para seguir divulgando o uso dos medicamentos pelo país. Para o médico infectologista Fábio Amorim, há uma certa vergonha e até um pouco de dor em dizer que não existe ainda tratamento para a covid-19. “Não existe tratamento. A gente trata os danos e a única coisa que a gente tem, por enquanto, e que pode mudar o desfecho, é a vacina”, afirma o profissional que, recentemente, atendeu uma paciente que havia tomado 16 comprimidos de ivermectina em apenas quatro dias. “Eu disse a ela que essa quantidade eu tomaria em oito anos”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a hidroxicloroquina não seja usada em pacientes para prevenir a covid e que a droga não reduz a mortalidade. Antibióticos, como a azitromicina, também não têm efeito contra a covid, assim como vitaminas e minerais. O uso da ivermectina também não é recomendado.

Apesar disso, as farmácias seguem sendo demandadas pelo público em geral, acrescido, agora, o antialérgico e das vitaminas C e D.

“A semana que vendo menos ivermectina e azitromicina, é em torno de 20 a 40 caixas por dia. No auge mesmo, já teve dia de vendermos 150 a 200 caixas de ivermectina”, contou a funcionária de uma farmácia em Salvador. "O aumento nas vendas chegou a 90% e havia até fila de espera". “No meu ponto de vista, acho que não teve ramo melhor do que a vendagem desses compostos”, disse.

FONTE: Clarissa Pacheco/CORREIO DA BAHIA/REPRODUÇÃO - 13/06/2021  08h45min.


 

 

Delegado aposentado Valdir Barbosa é encontrado morto em Salvador

 

Delegado aposentado é encontrado morto em Salvador
Foto: Reprodução/ Blog da Resenha Geral

O delegado Valdir Gomes Barbosa, de 69 anos, foi encontrado morto, em Salvador, na noite deste domingo (12). A ocorrência foi registrada por volta das 20h, no edifício Valério de Carvalho, no Campo Grande, e será investigada pela Polícia Civil.

 

Enquanto esteve na ativa, Barbosa se destacou na corporação baiana. Foi delegado-chefe, prendeu criminosos como o assaltante e sequestrador Leonardo Pareja, conhecido por manter uma adolescente refém após assaltar um hotel em Feira de Santana, em 1995, e esteve atrelado ao "BahiaGate", escândalo que o colocou como suspeito de grampear conversas telefônicas de adversários do senador Antônio Carlos Magalhães, em 2003. Na época, o governador do estado era Paulo Souto (PFL).

 

O delegado chegou a pedir afastamento do cargo para prestar esclarecimentos, mas negou que tivesse determinado a quebra de sigilo telefônico das 126 pessoas rastreadas. Uma reportagem da Folha de S. Paulo lembra que alguns dos grampeados foram os então deputados federais Geddel Vieira Lima (PMDB) e Nelson Pellegrino (PT), o então ex-deputado Benito Gama (PMDB) e os advogados Plácido Faria e Adriana Barreto, ex-namorada do senador. Todos eles acusavam ACM de ter determinado o grampo.

 

Na biografia de Barbosa, há ainda espaço para a política. Em 2018, ele se candidatou a deputado estadual pelo PPS, mas não foi eleito.

 

Além disso, o delegado era escritor - publicou um livro de memórias, chamado “Saques e Tiros na Noite – Sonhos, Estórias e Histórias de um Homem de Polícia”, onde contou investigações policiais importantes. Ele também escreveu artigos, publicados no Bahia Notícias.  Informações do Bahia Notícias em 13/06/2021.