Protagonista da história, Clarinha tem na família e em muitas pessoas que cruzam seu caminho personagens importantes desse enredo. Além da ajuda do pai, a estudante de 13 anos conta com a mãe como grande influenciadora, responsável por despertar nela o amor pelos livros: “Minha mãe lia pra mim desde que eu era pequenininha. Antes mesmo de eu aprender a ler, já fui criando essa paixão pela leitura”.
A disposição da filha ainda chama atenção de Maria José Maciel: “Ela quer desenvolver muitas ações, muitos projetos. A gente fica dando uma segurada aqui e ali, porque tem coisa que não é viável, né?”, questiona, sem, no entanto, deixar de incentivar as ideias da menina. Quando não está no Núcleo Especial de Atendimento à Mulher (NEAM) de Irecê, a delegada ajuda com a arrecadação dos livros, inscrevendo o projeto da Casinha em editais e dando suporte nas diversas campanhas que Clara promove nas redes sociais (@projetocasinhadelivros). A última, voltada à pobreza menstrual, conseguiu levantar 15 mil absorventes para distribuição entre pessoas em situação de vulnerabilidade social na região.
Também nas redes sociais, ela realiza lives de incentivo à leitura, já tendo conversado com o ator Lázaro Ramos, a apresentadora Astrid Fontenelle, que é madrinha do projeto, e com o jornalistaRodrigo Carvalho. A propósito, ela conduziu (lindamente) o bate-papo com ocorrespondente da Globo em Londres. “A leitura faz você falar e ler melhor, ter um vocabuláriomais amplo, conhecer lugares sem sair de casa. A leitura pode te beneficiar de muitasformas diferentes”, sugestiona Clara, que garante já ter lido “uns duzentos livros, incluindo osinfantis, mais curtos”. Mesmo muito fã de Ruth Rocha, Clarice Lispector (1920-1977) e J.K.Rowling, as obras preferidas de Clara são aquelas que têm a Segunda Guerra como pano defundo. Entre elas, ‘O Diário de Anne Frank’, ‘Os Meninos que Enganavam os Nazistas’, deJosephJoffo, e ‘O Menino do Pijama Listrado’, de John Boyne. “Me fazem refletir”, conta“Tambémgosto muito de ‘Malala, A Menina que Queria ir pra Escola’”. Atualmente, está lendo‘Emma’, romance da inglesa Jane Austen (1775-1817) publicado pela primeira vez em 1815.
Jogos e condecorações E não pense você que Clarinha é do tipo avessa à tecnologia. “Eu aaaaamo jogos de celular, também sou humana”, enfatiza. Para ela, leitura e games são bastante compatíveis: “Muita gente coloca livro como inimigo do celular, mas assim como tem livros sobre aparelhos eletrônicos, existem ferramentas relacionadas à leitura, como o Kindle e Árvore de Leitura, com várias obras pra você ler”. Seus jogos preferidos são Roblox, que adora jogar com a irmã Júlia, de 9 anos, e Bit Life. Mas garante que jogar só aos fins de semana. Adolescente como quase qualquer outra, Clara Beatriz gosta de passear com seu cãozinho Theo e encontrar as melhores amigas, Duda, Ceci e Luiza. Estudante do 8º ano, suas disciplinas preferidas são ética, inglês e, claro, produção de texto. As aulas de teatro - que pararam por conta da pandemia - fazem os grandes olhos castanhos da menina brilharem. A vontade de se tornar atriz famosa (“ou jornalista”) pode estar logo ali: em novembro, ela começa agravar ‘Sonho de Cinema’, primeiro filme do diretor Sólon Barreto.Até lá, se divide entre a rotina em casa e na escola e as atividades com a Ashoka, organização internacional com foco em empreendedorismo social, fundada na Índia. Este ano, ela recebeu o título Jovens Transformadores Ashoka Brasil, sendo uma das 15 selecionadas pela instituição por conta do seu engajamento no incentivo à leitura. Em breve, Clarinha recebe a comenda Dois de Julho, a mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e se torna uma das pessoas mais jovens a obterem a condecoração.
Inspiração
Ah! Sabe a casinha de madeira cheia de livros que Clarinha viu no shopping quando tinha 8 anos e que a instigou a querer suas próprias casinhas? Era da Livres Livros(@livreslivros). Idealizado por Raíssa Martins, o projeto também incentiva a leitura, através da doação de livros e da ‘adoção’ de pequenos leitores. Para a escritora soteropolitana, tão importante quanto fazer é inspirar outros a se moverem: “Nunca devemos parar. Certamente,Clarinha inspira outras pessoas também, ainda mais sendo criança. Ela é um ótimo exemplo!”.
FONTE: CORREIO DA BAHIA -17/10/2021 - 15h:40min.