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segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Eleições 2022: Lula amplia vantagem sobre Bolsonaro, 47% x 31%, diz nova pesquisa IPEC


                                           Lula em Florianópolis  foto: Ricardo Stucker



Lula.Créditos: Ricardo Stuckert

Nova pesquisa presidencial Ipec (antigo Ibope), divulgada nesta segunda-feira (19), mostra que o ex-presidente Lula (PT) segue firme na liderança e vem pavimentando o caminho para uma vitória já no primeiro turno, uma vez que registrou novo crescimento enquanto Jair Bolsonaro (PL) continua estagnado. 

De acordo com o levantamento, Lula subiu um ponto percentual com relação ao estudo anterior, de 12 de setembro, e agora atinge 47% das intenções de voto. Bolsonaro, por sua vez, manteve o índice de 31% que já possuía na última pesquisa. 

Já Ciro Gomes (PDT), em terceiro lugar, aparece com os mesmos 7% do último estudo, enquanto Simone Tebet (MDB) cresceu um ponto e aparece com 5%

Em votos válidos, isto é, desconsiderando os brancos e nulos, Lula atinge 52%mais que o suficiente para liquidar o pleito já em primeiro turno. Para isto, basta um candidato ter 50% e mais um voto. 

Fonte: Revista Fórum - 19/09/2022

SP: "porque eu sei o que funciona e o que pode funcionar”, disse ex- ministro Henrique Meirelles no encontro com Lula


Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede), Guilherme Boulos (Psol), Cristovam Buarque (Cidadania), Luciana Genro (Psol), Lula (PT), João Vicente Goulart (PCdoB) e Henrique Meirelles (União Brasil)Fábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu na manhã desta segunda-feira (19/9) apoio de ex-candidatos à Presidência dos partidos União Brasil, Cidadania, Rede, PSol e PCdoB. O ex-presidente se reuniu em São Paulo com Henrique Meirelles (União Brasil), Cristovam Buarque (Cidadania), Marina Silva (Rede), Guilherme Boulos (PSol), Luciana Genro (PSol) e João Vicente Goulart (PCdoB).

Esses políticos foram adversários de Lula, Fernando Haddad (PT) e Dilma Rousseff (PT) em eleições presidenciais anteriores. O alinhamento é mais um esforço da campanha petista para construir uma frente ampla pelo voto útil já no primeiro turno.

“Um dia alegre porque essa reunião simboliza a vontade que as pessoas têm de recuperar a democracia no nosso País. E todo mundo sabe que a democracia não é um pacto de silêncio”, disse Lula. “A democracia é a sociedade se movimentando dia e noite na perspectiva de conquistar melhores condições de vida para o povo brasileiro”, completou.

Reunião com ex-candidatos

Geraldo Alckmin (PSB), candidato a vice nessas eleições e a presidente em 2006 e 2018, e Fernando Haddad (PT), que concorreu ao Planalto em 2018 e, atualmente, disputa o cargo de governador em SP, também participaram do encontro no Hotel Gran Mercure, localizando no bairro Ibirapuera, região nobre de São Paulo.

Guilherme Boulos (PSol), que foi candidato à Presidência em 2018 e agora disputa uma vaga de deputado federal por São Paulo, já tinha se juntado à equipe de Lula e, atualmente, é coordenador da campanha do petista em São Paulo. Colega de partido de Boulos, Luciana Genro também manifestou seu apoio na manhã desta segunda-feira (19/9).

“Há quase 40 anos tivemos um palanque que uniu forças diferentes da vida política brasileira exigindo eleições diretas para derrubar uma ditadura militar. Hoje nós vemos novamente forças distintas do campo democrático brasileiro com posições diferentes se unindo justamente pra preservar a democracia brasileira”, afirmou Boulos.

O União Brasil, atual partido de Henrique Meirelles, tem candidatura própria para disputar o cargo de presidente nas eleições de 2022. O nome de Soraya Thronicke foi lançado após Luciano Bivar, líder da sigla, desistir de concorrer.

Outros partidos

Cristovam Buarque (Cidadania) também estava na agenda da campanha de Lula. O político foi ministro da Educação no primeiro mandato de Lula e concorreu ao cargo de presidente em 2006, pelo PDT.

O representante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) era João Vicente Goulart, que disputou a Presidência da República em 2018, na época ele era filiado ao Partido Pátria Livre (PPL).

Fonte: Metropoles c/adaptações 19/09/2022

Rio: Pastor atacado após defender ex-presidente: 'Se tivesse falado do Bolsonaro, não teria acontecido nada disso'

 

                                            foto:reprodução

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O pastor Sergio Dusilek só escolheu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na largada uma vez, em 2006. Nos quatro outros pleitos com o petista no páreo, optou no primeiro turno por dois tucanos (Mario Covas e FHC) e Marina Silva.

Mas é sob violentos ataques virtuais e o rótulo de petista roxo, coisa que diz nunca ter sido, que ele deixa a presidência da Convenção Batista Carioca. A entidade tem 528 igrejas no Rio sob sua guarda e está submetida à poderosa CBB (Convenção Batista Brasileira), da qual seu pai já foi presidente.

Dusilek renunciou ao cargo após entrar no olho do furacão eleitoral por ter discursado no primeiro evento evangélico da campanha de Lula, na semana passada, em São Gonçalo (RJ).

Quando pegou o microfone, depois de ter sido apresentado como chefe da seção batista, distribuiu sopapos em Jair Bolsonaro (PL), "esse presidente nefasto", e afagos no ex-governante. "A igreja evangélica tem que pedir perdão ao presidente Lula."

O pastor Pedrão, que ganhou projeção por celebrar o casamento do deputado Eduardo Bolsonaro (PL), foi um dos que arremessaram tomates no irmão batista. "Deus é quem vai perdoar Lula", rebateu em vídeo, emendando uma fala que virou bordão contra Dusilek: "Ele não me representa".

O batista na berlinda acha que evangélicos erram com o massacre público que promovem contra o petista porque "não cabe à igreja de Jesus demonizar ninguém". "Me parece que muitos crentes estão colocando Lula como se fosse um demônio. Não acho certo. Ele é uma pessoa, com seus erros e acertos."

O pastor não retira o que disse e conta que, no dia, até dobrou a aposta. "Quando Lula veio me abraçar, falei do fundo do coração, no ouvido dele: perdão."

Para Dusilek, o fato de "muitas pessoas religiosas reagirem raivosamente, com bastante violência" à sua fala, prova que ele pisou em algum calo. Ou não teria recebido tanto ódio "de pessoas que se dizem cristãs", diz à Folha de S.Paulo em seu apartamento na zona oeste carioca, onde vive com esposa, filha e o gato Obi-Wan Kenobi.

Parece uma galáxia muito distante aquela em que convivia em harmonia com irmãos de fé que divergem politicamente.

Em mensagem privada, um seguidor o chamou de "ridículo", "vergonha para a denominação batista" e "o que a Bíblia diz quando se fala em falsos profetas". Outro questionou por quanto ele se vendeu, como se tivesse sido pago para se aliar à campanha de Lula.

Teve ainda quem dissesse que ele não lê a Bíblia, já que defende "aquele bêbado, ladrão, mentiroso", um homem "que se deleita vendo teatros onde homens enfiam a cara no ânus de outros homens, misericórdia".

"Se tem alguém que segue Jesus e odeia o irmão por espectro político, isso só me faz concluir que a igreja evangélica cresceu no país, mas o Evangelho de Jesus não tem a mesma quantidade de convertidos", afirma.

Dusilek conta que é amigo de Josué Valandro Júnior, líder da Batista Atitude, a igreja da primeira-dama Michelle Bolsonaro. "Tudo bem que a gente quase se digladia às vezes", brinca. Valandro é um bolsonarista convicto.

A pressão para que Dusilek renunciasse deflagrou uma guerra dentro da Igreja Batista, que chegou ao Brasil no século 19, trazida por escravagistas do sul dos EUA. A Convenção Batista Brasileira, que abriga cerca de 14 mil templos, tem inclinação conservadora. Mas há muitos batistas, inclusive de alas independentes, de tendência progressista.

O agora ex-presidente da ala carioca diz que em nenhum momento falou em nome dos batistas. Expressou-se como indivíduo. Ele mostra fotos de um evento em que dividiu mesa com o deputado Hélio Lopes (PL), um dos cães de guarda de Bolsonaro no Congresso, como prova de que não tem problema em dialogar com todos.

Naquela ocasião, diz, ele foi apresentado como presidente da convenção carioca, mas diz que não se colocou como representante de todos os batistas.

Há ainda uma incoerência, segundo o pastor, na nota divulgada pela entidade nacional, que disse não consentir com manifestações em prol de candidatos. Um exemplo vem da campanha de 2018, quando o diretor-executivo da CBB, Sócrates Oliveira, repostou um tuíte do evangélico Arolde de Oliveira, que seria eleito senador naquele ano, defendendo a candidatura de Bolsonaro. Arolde morreu em 2020, de Covid-19.

Dusilek conta que se encontrou com a diretoria batista e se sentiu como um leproso, o que reavivou a memória da avó materna, que décadas atrás frequentou um leprosário, por ter hanseníase. "Disse pra eles que leproso não sou. Sou sarado, lavado e curado por Jesus."

Fonte: FOLHA S. PAULO - 19/09/2022

Taís Araujo e Lázaro Ramos recebem Viola Davis em casa: 'Noite linda'

 


Confira a reportagem na coluna Celebs do site UOL de hoje(19) no link abaixo:

https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/09/18/tais-araujo-lazaro-ramos-viola-davis.htm

Empresa investigada por desvios de armas em SP funciona em 'bunker' do PCC

 

Empresa investigada por desvios de armas em SP funciona em 'bunker' do PCC
Imagem ilustrativa | Foto: Divulgação/Polícia Civil

A favela Caixa d’Água, na região de Cangaíba, extremo leste da capital paulista, pode ser, segundo a polícia, a única de São Paulo onde o PCC proíbe a venda de drogas em "biqueiras". Estratégia, acreditam os policiais, para mantê-los longe de um dos principais "bunkers" da facção, esconderijo de armas e de chefes do bando.
 

É junto a essa comunidade, berço de chefões do crime organizado, que, segundo a polícia, funciona uma empresa de segurança que, em 2019, registrou queixa de furto de 41 revólveres e espingardas, um dos maiores desvios de armas no estado dos últimos cincos anos, conforme dados obtidos pela Folha.
 

Para a polícia, porém, longe de ter sido um ataque dos vizinhos, há suspeitas de se tratar, na verdade, de um falso comunicado de crime para esconder o repasse ilegal do armamento. A investigação contra tal empresa, a SL Solução e Liderança, foi aberta em março deste ano —e teve início quase por acaso.
 

Policiais do 24º DP (Ponte Rasa), ao estranharem a existência de um veículo de luxo estacionado em rua próxima ao distrito, o que destoava do padrão dos carros que circulam naquela região pobre da cidade, decidiram pesquisar as placas do SUV.
 

Descobriram que o BMW X6 estava cadastrado em nome de uma distribuidora de produtos para animais, a Strong Dogs, com endereço junto à favela Caixa d’Água, o famoso reduto do PCC. Nessa favela, de acordo com relatório de investigação, nenhum comércio funciona sem autorização do crime.
 

"Ocorre que, após minutos procurando o condutor de referido veículo, o sr. Artur Monteiro se apresentou como proprietário do carro, não sabendo explicar de maneira convincente a relação dele com a empresa dona de direito do automóvel BMW", diz trecho de relatório de investigação enviado à Justiça.
 

Artur Monteiro Bortoletti Júnior, 52, descobriram os investigadores na sequência, é o principal sócio da SL Solução e Liderança, e estava na delegacia para dar explicações sobre outro desvio registrado pela empresa em 2011, quando 70 armas e equipamentos foram supostamente roubados por homens armados.
 

A pesquisa das placas do veículo levou a equipe do 24º DP a encontrar, segundo ela, um emaranhado de empresas ligadas a Bortoletti Júnior, em nome dele e de possíveis "laranjas", em um suposto esquema de lavagem de dinheiro e possível desvio de armas.
 

"Portanto, temos nessa investigação o trinômio empresas constituídas em nomes de terceiros, lavagem de dinheiro e armas ‘colocadas no mercado negro'", diz trecho do relatório de investigação da polícia.
 

Os advogados de Bortoletti afirmaram à Folha que, ao contrário do que afirma a polícia, ele não tem nenhuma ligação com o crime organizado e que a empresa dele foi, de fato, vítima de roubo e furto de armas.
 

Essas suspeitas da polícia ganharam corpo porque as equipes descobriram, primeiro, que a distribuidora de produtos para pets e a SL Solução e Liderança tinham o endereço na avenida Alfredo Ribeiro de Castro, junto à favela Caixa d’Água.
 

Em diligência até o local dessas empresas, elas souberam que o imóvel estava fechado havia tempos e com placas de "aluga-se" fixadas no portão. Na internet, porém, a SL continua colocando imagens do endereço da avenida Alfredo Ribeiro de Castro como sede da empresa.
 

Além do BMW X6, segundo investigação da polícia, a Strong Dogs possui ainda registrados em nome dela outros três veículos, incluindo um Ford Camaro amarelo. A frota é estimada em cerca de R$ 600 mil.
 

Incompatível, porém, com o padrão de vida dos donos da distribuidora de produtos para pets: dois comerciantes da cidade de Agudos (SP), a 313 km da capital paulista, moradores de conjunto habitacional e proprietários de um carrinho de lanches, conforme a investigação.
 

Ainda de acordo com a polícia, os dois comerciantes aparecem também como donos de outras duas empresas na capital, a Gab Vigilância e Segurança Patrimonial e a Gab Serviços de Profissionais de Segurança. Para a polícia, todas pertencem, de fato, a Bortoletti.
 

Em diligência nos endereços das empresas, ambas na avenida Cangaíba, na zona leste, os policiais não encontram ninguém. Nem funcionários ou identificação de atividades, como placas da empresa.
 

Bortoletti disse aos policiais, no início das investigações, que ambos são parentes dele e lhe deram plenos poderes para administrar a distribuidora de artigos para pets e, também, usufruir dos veículos.
 

A versão não convenceu os investigadores.
 

Ainda de acordo com relatório policial, para justificar o patrimônio, o empresário chegou a dizer que a empresa de segurança dele tinha 30 mil funcionários espalhados pelo Brasil, mas pesquisas apontaram que nenhuma delas tinha empregados cadastrados nos órgãos oficiais.
 

"Verificamos que todo trâmite de abertura das empresas Strong Pet, Gab Vigilância e Segurança, Gab Serviços de Profissionais de Segurança foi realizado como forma de mascarar e ocultar o patrimônio de Artur Monteiro, tudo com intuito de burlar a legislação penal e tributária", diz relatório policial.
 

Procurada para comentar o suposto desvio de armas das empresas ligadas a Bortoletti e também a situação delas, a Polícia Federal diz que não informa "nome de pessoas ou empresas investigadas" por ela.
 

A Folha procurou Luís Eduardo Oliveira, 48, e Márcia Patrícia Oliveira, 44, os supostos parentes de Bortoletti, mas eles não responderam aos recados deixados. A reportagem tentou contato por meio de oito números de telefones (entre fixos e celulares) e email.
 

A reportagem também tentou contato diretamente com Bortoletti, mas não conseguiu localizá-lo pelos telefones ou emails ligados à SL. A informação é que não existem mais. Os celulares registrados no nome dele também não responderam às mensagens enviadas.
 

Para os advogados de Bortoletti, em resposta à Folha, as supostas lavagem de dinheiro e/ou ocultação de bens só poderiam ser investigadas pela Polícia Civil caso tivessem um crime precedente, o que não é o caso.
 

Bortoletti tem registros de ameaça e apropriação indébita de veículos que, ainda segundo a defesa, não têm ligação com o caso investigado pela polícia.
 

Sobre o fato de a polícia não ter encontrado ninguém nas sedes das empresas, a defesa disse que, na sede da avenida Cangaíba, Bortoletti estava por lá no dia da diligência, mas ficou com receio de abrir a porta devido ao comportamento dos policiais na apreensão do BMW em março. Teriam sido muito agressivos, dizem os advogados.
 

Quanto à sede na avenida Alfredo Ribeiro de Castro, a defesa disse que a empresa continua em funcionamento no local, embora com placa de "aluga-se". Como trabalha apenas com escolta armada, muitas vezes as viagens são longas e a sede fica vazia, justificam os advogados.
 

Sobre os bens do cliente, supostamente registrados em nome da empresa de artigos para pets dos parentes, a defesa afirmou que isso será explicado em momento oportuno. Já em relação à página da SL na internet, os advogados afirmam que ela está desatualizada desde 2014 e representa outros tempos da empresa.1


FONTE: FOLHAPRESS - 19/09/2022 

"É insano, nada justifica não vacinar uma pessoa", afirma infectologista David Uip


 (crédito: Henrique Lessa /CB   )
(crédito: Henrique Lessa /CB )

Um dos profissionais da linha de frente da covid-19, tanto na prática médica quanto no planejamento público, o médico infectologista David Uip é um defensor do Sistema Único de Saúde, mas questiona a gestão do sistema e a destinação dos recursos públicos.

Uip foi o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus do governo paulista e, agora, está à frente da Secretaria Extraordinária de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde do estado de São Paulo. O órgão estadual criado com objetivo de se tornar um formulador de políticas e estratégicas de longo prazo para o campo da saúde.

Em entrevista ao Correio, o infectologista falou sobre suas expectativas de mudança no financiamento do sistema público de saúde. Também falou sobre a pressão que sofreu, como coordenador do Centro de Contingência, quando foi contaminado pela covid e teve sua receita médica vazada na internet.

O SUS funciona?

Mesmo com deficiências, especialmente no cuidado básico à saúde e longe dos grandes centros, e com os crônicos problemas de financiamento e gestão do sistema, apesar dos problemas, existe um SUS que funciona, e muito bem. As pesquisas realizadas com usuários do SUS em São Paulo demonstram que a maioria da população aprova o sistema, apesar das filas e das dificuldades no acesso a determinadas especialidades. A capacidade de resposta do SUS foi fundamental no período da pandemia e, quando o governador (de São Paulo na época, João Doria) me chamou para integrar o Centro de Contingência, o estado tinha 3,5 mil leitos de UTI. Para covid, chegamos a quase 15 mil leitos.

Diferentemente de outros países, São Paulo não ruiu. Veja Nova York (nos Estados Unidos), muito mais rica, mas, com um sistema de saúde diferente, ruiu. Aqui, não. O SUS é um dos melhores e mais capilarizados serviços de atendimento público do mundo. No consultório, como médico particular, atendi mais de 2,5 mil casos de covid. De todos os pacientes, perdi 54 para a doença e sofro por cada perda, mesmo após 47 anos de formado. Cada morte sempre é um sofrimento, eu faço o que eu posso para lidar com isso.

Como melhorar o SUS?

O SUS precisa ser repaginado, tem que melhorar o financiamento, talvez mudar a forma como é realizado esse financiamento, precisamos discutir e começar a fazer melhor uso dos recursos com gestão. Quem faz as cirurgias de alta complexidade é o SUS, as cirurgias cardíacas é o SUS. Existe uma grande competência na alta complexidade, assim como existe uma grande competência do SUS no Programa Nacional de Imunização.

Como pode ser essa gestão do SUS, o sistema é viável?

Eu sou absolutamente a favor do SUS, mas precisamos falar das diferentes formas de gestão do sistema. No estado de São Paulo temos várias delas. Temos a administração direta, onde há uma dificuldade enorme para se fazer concursos públicos, para se fazer compras, e para se demitir. O problema não é a administração direta, o problema é que temos que modernizar a legislação que rege a administração direta. A segunda forma é por meio de organizações sociais, o que vejo como um avanço. O que precisamos é de um bom controle da economicidade, da qualidade e da seriedade na gestão. Estou propondo aqui para o governador a criação de uma agência regulatória para as organizações sociais.

Veja, por exemplo: o Sírio Libanês é uma organização social modelo, que faz a gestão de alguns hospitais públicos, isso melhora a forma de gestão e principalmente a agilidade. Temos uma forma de gestão, a usada no Hospital das Clínicas de São Paulo, que é uma autarquia especial, que responde pelo seu próprio orçamento. Uma outra forma é das fundações de apoio, como vemos em diversos hospitais. Essas são diferentes formas de gestão do SUS, e não entendo nenhuma delas como privatização do sistema.

O SUS remunera corretamente?

A remuneração da tabela SUS é um problema, mas, talvez, a gente tenha que remunerar por desfecho em vez da tabela. Desfecho é o que realmente custa, você remunera pela média do custo de um tratamento para uma doença específica. Só aumentar a tabela SUS ajuda, mas não resolve todo o problema de financiamento. Por exemplo: o leito de uma UTI era remunerado, antes da pandemia, na tabela, por R$ 600. Isso ajudou a quebrar as Santas Casas. Com a pandemia, o valor da UTI subiu para R$ 1,6 mil, ainda abaixo do custo, mas, agora, pela proposta orçamentária do próximo ano, o orçamento da saúde, de R$ 200 bilhões, deve voltar ao valor anterior, R$ 130 bilhões, assim como a tabela SUS. Isso é problemático.

A prevenção não é o melhor remédio?

Nós precisamos evoluir muito na prevenção. Quanto mais investirmos na base, na prevenção da diabetes, do câncer, entre outros, menos pacientes teremos em atendimentos caros de alta complexidade. Mas é difícil você falar em prevenção quando metade dos brasileiros não tem esgoto e água tratada, é difícil você falar em prevenção quando o número de vacinados no Brasil cai a cada ano. É todo um conceito de como você pensa a saúde.

Qual a importância das vacinas nessa estratégia?

Vacina é a principal forma de prevenção de doenças, e o Butantan é uma importante fábrica das vacinas para o Brasil. Com parcerias nacionais e internacionais, logo teremos também uma grande estrutura de saúde para a fabricação de novos remédios.

Por que hoje falta a vacina para varíola?

A última dose de vacina para a varíola no Brasil foi em 1980, era uma doença erradicada, faltam estoques em todo mundo, não é só aqui no Brasil. Mas estamos com surtos de outras doenças para as quais não faltam vacinas, o que falta é política pública, falta comunicação, conhecimento, e sobram fake news. Eu falo sobre isso antes de muita gente por tudo que eu vi e vivi nos grupos negacionistas da vacina, isso é um movimento mundial. É insano, não tem nada que justifique não vacinar uma pessoa, uma população. Isso é um direito do cidadão e um dever do Estado.

Em São Paulo, faltam essas políticas?

Faltam mais. É isso o que estamos fazendo agora na secretaria, precisamos ampliar a comunicação, ampliar a conscientização da importância da vacina.

Por que o Brasil teve mais mortes por covid-19 (em relação à população) que outros países?

Naquele momento, faltou uma governança central. Faltou informação mais rápida e mais adequada. Também faltou uma resposta de insumos e medicamentos, mas esse problema o mundo inteiro sofreu. Claro que qualquer resultado que implica mortes é um desastre. Nós perdemos mais de 680 mil brasileiros, precisamos discutir porque aconteceram essas mortes.

Os números de mortes no Brasil são confiáveis?

Eu acho que o número de mortes do Brasil foi correto, apesar de as notificações serem muitas vezes lentas, elas foram corretas. Eu trabalhei na África muito tempo, lá eu não tenho a mesma confiança nos números.

A pandemia foi politizada?

Eu sou absolutamente contrário à politização da saúde. Existe a política de saúde, essa se discute; já a política geral, essa atrapalha a saúde.

Faltam médicos?

Não faltam médicos no país, o problema é a distribuição. Precisamos de uma grande participação do governo para propiciar uma interiorização, não só dos médicos como dos demais profissionais de saúde. Para isso, é necessário criar possibilidades de atualização e um plano de cargos e salários para esses profissionais que ficam no interior.

E o programa Mais Médicos?

O programa Mais Médicos é positivo, mas deve ser exigida a revalidação de diploma quando profissionais estrangeiros vêm para o Brasil, assim como tenho que revalidar o meu diploma se for trabalhar em outro país. A maior demanda do SUS são casos de baixa complexidade, isso o programa ajuda. Mas, ao mesmo tempo, também precisamos formar gente para atender os casos de altíssima complexidade, o que leva muito tempo. É um desafio complexo.

O senhor, quando contraiu covid, teve sua receita médica vazada. Enfrentou problemas por isso?

Sim, eu fui ameaçado de morte, eu e minha família fomos intimidados por todos os lados. Na receita que foi exposta, constava o endereço da minha casa, meus contatos. Era meu direito de ter privacidade, não como médico nem como integrante do Centro de Contingência, mas como paciente. Foi muito difícil.

Passada a doença, quais as sequelas?

Naquele momento eu estava na coordenação do Centro de Contingência, tive problemas físicos com a covid, mas segui trabalhando. Não é uma indicação médica. Eu fiquei doente no dia 22 de março, cumpri a quarentena e voltei a trabalhar, não tirei folga, não tinha opção, até que tive um esgotamento físico e mental. Quando tornei pública essa condição, como um ser humano normal, com meus limites, isso me custou mais críticas. Alguns entendem que médicos não podem demonstrar suas fraquezas para tratar seus pacientes, eu discordo.

E a cloroquina, funciona ou não?

Eu ajudei muito o ministro (da Saúde, Luiz Henrique) Mandetta, assim como ajudo o atual ministro e pretendo ajudar qualquer um que lá esteja. Discutimos diversas vezes os estudos de diversas drogas. Quando fiquei doente, a indicação era para o uso da cloroquina em pacientes hospitalizados, mas antes da necessidade de intubação. Com o passar das semanas e dos meses, a ciência comprovou que a cloroquina, assim como a ivermectina, não tem nenhuma eficácia no tratamento da covid. Não conheço nenhum trabalho que mude, até o momento, a verdade que a cloroquina não tem eficácia alguma.

E o tal "tratamento precoce"?

Hoje, temos, sim, tratamentos precoces, mas com drogas monoclonais, antivirais e anticorpos específicos, nada relacionado com cloroquina ou ivermectina.

O que falta para melhorar a saúde pública?

Sinto falta dos grandes pensadores que tivemos na saúde: Emílio Ribas, Vital Brasil, Osvaldo Cruz, Carlos Chagas, que pensavam à frente do seu tempo.

O senhor teme retrocessos?

Eu não tenho medo de retrocessos, eu tenho medo de não avançar, a política de saúde precisa ser uma política de Estado, e não de governos.

FONTE: CORREIO BRASILIENSE/REPRODUÇÃO 19/09/2022 09h:32

Lula amplia vantagem sobre Bolsonaro em nova pesquisa BTG/FSB

                                            foto:reprodução

O Instituto FSB Pesquisas, contratado pela BTG Pactual, publicou, nesta segunda-feira (19/9), pesquisa eleitoral de candidatos à Presidência da República. De acordo com o levantamento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu 44% das intenções de voto, enquanto o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) apresenta 35%.

Em comparação com a pesquisa divulgada em 12 de setembro, na qual Lula estava com 41%, o ex-presidente subiu três pontos percentuais. Já Bolsonaro manteve os 35%. O cenário considerado é o estimulado, no qual os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores.

Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet tiveram queda em relação ao último levantamento, ambos dentro da margem de erro. Ciro saiu de 9% para 7%; já Tebet caiu de 7% para 5%. Somados, os demais candidatos tiveram 2%. Votos nulos ou em branco alcançaram 4%, e os eleitores indecisos totalizam 3%.

Para a pesquisa, o instituto entrevistou 2 mil eleitores, por telefone, entre os dias 16 e 18 de setembro de 2022. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o protocolo BR-07560/2022.

Cenário espontâneo

No cenário espontâneo (no qual os nomes não são apresentados aos entrevistados), os dois líderes nas pesquisas apresentaram crescimento. Lula saiu de 39% para 42%, em relação ao levantamento de 12 de setembro. Já Bolsonaro subiu de 33% para 34%.

Ciro e Tebet, no entanto, tiveram queda. O pedetista estava com 6% e foi para 4%. Tebet caiu de 5% para 3%. Os demais candidatos permaneceram com 2% de citação. Votos nulos ou em branco também mantiveram 6%. E os eleitores indecisos somam agora 9%, contra 8% da pesquisa anterior.

Fonte: Metrópoles - 19/09/2022

Salvador: Motorista perde controle e ônibus cai de viaduto no Porto Seco Pirajá

 

Motorista perde controle e ônibus cai de viaduto no Porto Seco Pirajá
Foto: Reprodução / TV Bahia

Um ônibus despencou do viaduto que liga o Porto Seco Pirajá ao bairro de Pirajá na madrugada desta segunda-feira (19). Com o acidente, o coletivo ficou pendurado entre a pista de cima e parte da BR-324, sentido Feira de Santana, que está parcialmente interditada.

motorista ficou ferido e foi levado por uma unidade do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) para o Hospital Teresa Lisieux. Aparentemente ele sofreu escoriações leves. Uma outra pessoa que estava no veículo não se feriu.

 

O ônibus estava indo para a garagem após fazer o “apanha”. Ainda não há informações sobre o que teria causado o acidente. Informações do Bahia Notícias em 19/09/2022