foto:reprodução
O banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, registrou prejuízo líquido de R$ 581,406 milhões no primeiro semestre. Os dados constam no sistema IFData, do Banco Central.
Com isso, o índice de Basileia da instituição ficou negativo em 4,62%. Dessa forma, o indicador mostra dificuldades na estrutura de capital do banco.
Banco Digimais soma R$ 9,8 bilhões em ativos
Os ativos do banco Digimais somavam R$ 9,853 bilhões no primeiro semestre. Além disso, o valor representa queda de 1,6% em relação a junho do ano passado.
Desse total, a instituição tinha R$ 1,456 bilhão em operações de crédito. Ao mesmo tempo, havia R$ 2,713 bilhões em outros ativos realizáveis.
O banco também registrava R$ 3,197 bilhões em títulos e valores mobiliários. Já as aplicações interfinanceiras de liquidez somavam R$ 1,951 bilhão.
Por outro lado, os passivos do Digimais chegaram a R$ 9,522 bilhões. Nesse caso, o valor representa alta de 2% em 12 meses.
Desse montante, R$ 8,692 bilhões correspondiam a depósitos. Esses recursos, por sua vez, contam com a garantia do FGC.
Índice de Basileia ficou negativo
Quando uma instituição apresenta índice de Basileia abaixo do mínimo regulatório de 10,5%, o Banco Central exige um plano para solucionar o problema.
Segundo fontes citadas no texto, o banco Digimais não enfrenta dificuldades de caixa. Além disso, Edir Macedo teria condições de realizar aportes para reforçar o capital.
Mesmo assim, a instituição busca outras alternativas. Entre elas, está a venda para o BTG Pactual.
BTG pode comprar banco Digimais
Em abril, o BTG anunciou a assinatura de documentos vinculantes para a aquisição do controle acionário do banco Digimais.
Segundo o BTG, os documentos estabelecem um valor de referência e determinadas condições para a venda da totalidade das ações do Digimais e de outros direitos relacionados à operação.
O negócio faz parte de um processo competitivo que será lançado pelo FGC. Na prática, haverá um leilão para definir o comprador.
Nesse modelo, conhecido como “stalking horse”, o BTG apresenta uma proposta inicial. No entanto, outros interessados podem oferecer um valor superior durante o processo.
De acordo com fontes com conhecimento do assunto, as conversas estão emperradas. Além disso, o processo competitivo ainda estaria distante de ser lançado.
O FGC, por sua vez, não teria pressa para concluir a operação. Isso ocorre porque, caso o banco continue honrando suas dívidas e sem captar novos recursos, a tendência é de redução gradual do passivo.
Nesse cenário, uma das questões envolve a permanência do interesse do BTG na aquisição.
Digimais foi alvo de operação da PF
Em junho, o banco Digimais foi alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal. Na ocasião, a investigação apurou possíveis fraudes na instituição.
Segundo relatórios do Banco Central, os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios. Dessa maneira, o objetivo seria ocultar a real situação financeira do banco e aparentar solvência perante os órgãos de controle.
Além disso, as investigações apontam a possível realização de operações irregulares. Procurado, o banco Digimais não se manifestou.
FGC contratou análise do balanço
Mesmo antes da operação da PF, o FGC já solicitava documentos adicionais ao BTG e ao Digimais.
Mais recentemente, o fundo contratou a Kroll para avaliar o balanço do banco ligado a Edir Macedo. Além disso, as negociações contam com a intermediação da Legend Capital.
A empresa já havia recebido um mandato do Digimais para buscar um comprador anos atrás. Na ocasião, a companhia ajudou a levar ao conselho de administração do banco a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques.
fonte: BPMONEY/reprodução -18/09/2026
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