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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Juristas reagem à declaração do vice presidente sobre prisão em 2ª instância


[Juristas reagem à declaração de Mourão sobre prisão em 2ª instância ]
foto:reprodução

Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que vetou a prisão pós condenação em segunda instância, vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB) questionou o Estado do Direito do Brasil. De forma indireta, o general criticou a decisão da Corte Suprema.  “O Estado de Direito é um dos pilares da nossa civilização, assegurando que a lei seja aplicada igualmente a todos. Mas, hoje, dia 8 de novembro de 2019, cabe perguntar: onde está o Estado de Direito no Brasil? Ao sabor da política?”, publicou o vice-presidente.
Ao O Globo, alguns juristas reagiram à declaração do vice-presidente Hamilton Mourão. À reportagem, juristas e ex-ministros defenderam o caráter jurídico da decisão do STF. Para o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, a decisão foi técnica e é natural haver divergências na interpretação de normas jurídicas.
— Foi uma decisão técnica. Existe uma divergência teórica. Foi uma decisão calcada em uma análise jurídica. Parece que o vice-presidente da República não sabe que, no Direito, sempre existe controvérsia na interpretação de uma norma. Essas divergências são próprias do Direito. O que não é próprio é o vice-presidente da República ficar fazendo crítica ao STF de cunho não jurídico — disse Reale Júnior.
O ministro Marco Aurélio Mello também não viu viés político na decisão do tribunal que integra:
— Que política? A nossa política é institucional, a nossa política é uma política, ao contrário da governamental, voltada à prevalência da Constituição, da ordem jurídica. Aí, a meu ver, com todo o respeito, é uma visão míope, apaixonada. Apaixonada, míope.

A ministra Cármen Lúcia, também do STF, votou em defesa da segunda instância. Ainda assim, defendeu durante o julgamento com afinco o respeito a opiniões contrárias como pilar essencial de uma democracia.
— Em tempo de tanta intolerância com tudo e com todos que não sejam espelhos, que conduz ao desrespeito de pessoas privadas e públicas, causa espécie, ainda que, em nome de defesa de ideias, teses e práticas, se adotem discursos e palavras contrárias ao que é da essência do Direito e da democracia: o respeito às posições contrárias, o comedimento ao se ouvir a exposição e aplicação de teses diversas daquela que se adota ou que sequer seja adotada — disse durante seu voto, completando: — Quem gosta de unanimidade é ditadura. Democracia é plural, sempre. Diferente não é errado apenas por não ser mero reflexo.

Fonte:Ag. Brasil c/informações do O Globo 

Fim de Ano: Hering abre 700 vagas para temporário, tem para Salvador

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Imagem:reprodução
A Cia. Hering -  dona  das marcas Hering, Hering Kids, PUC e DZARM -  abriu  700 vagas temporárias de emprego para as funções de  assistente de loja  e coordenador de loja. As oportunidades estão distribuídas em diversas cidades do país, incluindo Salvador. 
A empresa busca profissionais com   ensino médio completo, boa comunicação, facilidade para trabalhar em equipe, experiência em cargos de liderança no segmento de vestuário  e disponibilidade para trabalhar aos fins de semana.  As vagas extra Natal da Cia. Hering podem ser conhecidas aqui: https://jobs.kenoby.com/extranatalciahering
Fundada há 139 anos, a Cia. Hering conta hoje com 707 lojas no Brasil e 20 no exterior. além de Salvador, a Hering oferece vagas de emprego  em  São Paulo, Rio, Goiânia, Curitiba Brasília, Guarulhos, Campinas, dentre outras cidades

Sedes
Com sedes administrativas em Blumenau (SC) e São Paulo,  o grupo  emprega atualmente 5.400 pessoas.

domingo, 10 de novembro de 2019

No Twitter: Bolsonaro atribui à soltura de Lula oscilações na Bolsa


                        foto:reprodução
O presidente Jair Bolsonaro atribuiu as oscilações na Bolsa de Valores à soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma publicação feita em sua conta oficial do Twitter neste domingo, 10. Em meio a uma série de postagens, em que destaca as ações positivas dos seus 300 dias de governo, Bolsonaro afirmou que a Bolsa bateu mais um recorde e que "as oscilações ocorreram devido a soltura de corruptos presos" como Lula.
Na última quinta-feira, 7, o Ibovespa registrou nova máxima histórica no fechamento aos 109.580,57 pontos (+1,13%), impulsionado pelo cenário externo favorável. Já na sexta, o índice caiu, pressionado por venda de posições por investidores e pela contaminação do mercado com a notícia de que o ex-presidente Lula estava liberado da prisão, segundo operadores."Bolsa de valores bateu mais um recorde. Confiança no Brasil em alta e crescendo! Dever de casa sendo cumprido e temos que desfazer ainda muitos estragos! As oscilações ocorreram devido a soltura de corruptos presos como o presidiário Lula. Vamos adiante!", escreveu o presidente. 
A postagem deste domingo foi a primeira em que Bolsonaro citou nominalmente em público o ex-presidente Lula após a sua soltura. No sábado, ele escreveu que não responderia a "criminosos que por ora estão soltos" e pediu aos "amantes da liberdade e do bem" que não deem "munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa", sem mencionar nenhum nome de adversário político.
fonte:Estadão -11/11/2019 - 22h:24min.

"atual diplomacia brasileira é irracional" diz ex- ministro Celso Amorim


Celso Amorim foi chefe da diplomacia sob Itamar Franco e Lula, e ministro da Defesa de Dilma
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O ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil Celso Amorim considerou, em entrevista à agência de notícias Lusa, que o país nunca teve uma posição diplomática tão irracional e desastrada como a adotada pelo atual presidente, Jair Bolsonaro.
"Não há registro de uma ação diplomática tão desastrada, tão irracional, que só cria inimigos, como a de agora [...] Nem no regime militar vi nada parecido, algo tão pouco racional como é a política externa do governo Bolsonaro.""Hoje é possível descrever a diplomacia brasileira, mas não é possível entender. Há uma total ignorância [dentro do governo] de como funcionam as relações internacionais. Fui diplomata, incluindo o período em que fui ministro, durante mais de 50 anos e neste tempo todo nunca vi coisa igual", afirmou Amorim.
Amorim ingressou no Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores, na década de 1960 e trabalhou em diversas representações do Brasil no exterior. Foi ministro das Relações Exteriores nas presidências de Itamar Franco (1993-94) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-10), e da Defesa na gestão de Dilma Rousseff (2011-14).
Analisando a política externa de Bolsonaro, que no início de novembro completou 300 dias à frente do governo brasileiro, o ex-ministro disse acreditar que a diplomacia do país tem sido prejudicada pelas posições ideológicas do chefe de Estado e do atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.
Amorim citou declarações sobre a Argentina e a França para defender o seu ponto de vista: "O presidente Bolsonaro disse que não iria à Argentina [para a posse do novo presidente, Alberto Fernández] e o ministro das Relações Exteriores disse que as forças do mal estavam felizes com o resultado da eleição na Argentina."
"Já o presidente dos Estados Unidos, a quem Bolsonaro jura total fidelidade, cumprimentou o novo presidente argentino. Bolsonaro optou por um alinhamento automático com os Estados Unidos, mas, neste caso, vê-se que houve um certo pragmatismo deles [americanos], enquanto no Brasil houve uma reação ideológica sem limites", criticou.
O político de 77 anos argumenta que "Donald Trump provavelmente não gostou da eleição do Fernández, mas sabe que as relações são entre Estados": "Se a Argentina é importante para os EUA, imagina para o Brasil". Ambos os países integram o bloco de livre comércio Mercosul juntamente com o Paraguai e Uruguai. Além disso, a Argentina é um dos principais destinos das exportações das manufaturas do Brasil e seu terceiro parceiro comercial.

© AFP/B. Smialowski Desavenças sobre Amazônia e acordo Mercosul-UE azedaram relações entre Macron (esq.) e Bolsonaro

O chefe da diplomacia brasileira mencionou também as desavenças entre Bolsonaro e seu homólogo francês, Emmanuel Macron, que não teriam só prejudicado a imagem do país, como revelado a incoerência da atual política externa nacional.
"Não sou defensor do acordo do Mercosul com a União Europeia tal como foi feito, mas o governo festejou quando foi assinado, e pouco tempo depois tratou o presidente e o ministro das Relações Exteriores da França da maneira que tratou."
Amorim se referia às declarações de Bolsonaro sobre Macron, quando, devido ao aumento do número de incêndios na floresta amazônica, o chefe de Estado francês colocou em questão o acordo Mercosul-UE, concluído em 28 de junho após mais de 20 anos de negociações.
"Pareceu que o Brasil não queria o acordo [...] Ecoando as palavras do secretário de Comércio norte-americano [Wilbur Ross], que esteve no Brasil em julho, dias antes da visita do ministro dos Negócios Estrangeiros da França [Jean-Yves Le Drian], Bolsonaro declarou que havia armadilhas no acordo do Mercosul com a UE. Isso mostra que não há o mínimo de coerência ou um elemento racional na política externa."
Em meio ao tensionamento das relações diplomáticas franco-brasileiras, Bolsonaro recusou-se receber Le Drian em Brasília, alegando falta de tempo. Na hora em que a reunião deveria ocorrer, contudo, ele fez uma transmissão ao vivo no Facebook, para falar com seus apoiadores enquanto cortava o cabelo. Amorim vê o perigo de que tais episódios tornarem o Brasil um aliado inconveniente até mesmo para os EUA.
"Eu acho – isto ainda precisa se confirmar – que o Brasil tornou-se um aliado incômodo, porque estas atitudes não são boas para o próprio Trump. Ele já deu demonstrações disso ao não apoiar a candidatura do Brasil na OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico], ao manter a proibição da importação das carnes [fabricadas no Brasil] e na resposta fria que deu ao encontrar-se com Bolsonaro nos corredores da Organização das Nações Unidas."
"Por mais ideologicamente à direita que esteja o governo Trump, ele não perdeu a noção do interesse americano – nós perdemos. Não há explicação para uma relação com a Argentina do tipo que está sendo feita, e não há explicação para o governo brasileiro festejar um acordo do Mercosul com a União Europeia e, ao mesmo tempo, tratar mal dirigentes europeus", concluiu o ex-ministro.
fonte: DW/AV/lusa/reprodução

Mundo: Evo Morales renuncia à presidência da Bolívia

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Evo Morales renunciou neste domingo (10) ao cargo de presidente da Bolívia. O anúncio foi feito pela televisão, em rede nacional.
“Renuncio a meu cargo de presidente para que (Carlos) Mesa e (Luis Fernando) Camacho não continuem perseguindo dirigentes sociais”, disse Morales, referindo-se a líderes opositores que convocaram protestos contra ele desde o dia seguinte às eleições de 20 de outubro.
Sentado ao lado de Morales, o vice-presidente Álvaro García Linera, também anunciou sua renúncia. “O golpe de Estado se consumou”, disse Linera.
Imediatamente após o anúncio, houve comemoração nas ruas de La Paz, com milhares de manifestantes soltando rojões e balançando bandeiras bolivianas. Segundo Morales, sua carta de renúncia será enviada ao Congresso nas próximas horas.
Segundo a Constituição boliviana, o presidente do Senado seria o próximo na linha de sucessão. Mas não se sabe se ele assumirá a presidência, devido à oposição generalizada ao partido de Morales.

Fraude e protestos

A renúncia acontece após três semanas de protestos contra sua polêmica reeleição e depois de perder o apoio das Forças Armadas e da Polícia. Pouco antes do anúncio de Morales, os chefes das Forças Armadas e da Polícia haviam pedido que ele deixasse o cargo para pacificar o país.
Morales, de 60 anos está no poder desde 2006. Ele havia vencido a reeleição em outubro, em uma votação questionada. A missão da auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA) detectou numerosas irregularidades, segundo um relatório divulgado neste domingo.
Fonte:VEJA C/ AFP - 11.11.19 -19h:05min.

Em Crise: Evo Morales deixa a Bolívia e vai para Argentina, diz jornal

10.nov.2019 - Evo Morales, ao centro, declarou que novas eleições serão realizadas na Bolívia - Carlos Garcia Rawlins/Reuters
foto:reprodução

A crise enfrentada pela Bolívia tem tomado um caminho difícil para o presidente Evo Morales. Segundo o jornal Clarin da Argentina, o mesmo viajou para aquele país em meio a protestos em todo o país contra o governo. Confira a notícia completa no link abaixo do site UOL de hoje(11).


https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2019/11/10/evo-morales-deixa-a-bolivia-e-viaja-para-a-argentina-afirma-jornal.htm

Cultura: "Essa gente" é o novo livro de Chico Buarque


'Essa Gente' aproxima o escritor do compositor ao passear com delicadeza e pessimismo por um país que se perdeu sabe-se lá onde

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Não há como ler o novo romance de Chico BuarqueEssa Gente, sem ter em perspectiva o fato de ele haver nascido das ideias e da percepção aguçada de um compositor sem o qual o Brasil seria outro. Há um modo inegável de acompanhar os humores e amores da recente história do país: por meio das canções de Chico. Em Construção, de 1971, no auge da ditadura militar, ele desenhou o cotidiano amargo do operário de “olhos embotados de cimento e lágrima”, que “sentou para descansar como se fosse sábado”, num inesquecível edifício de proparoxítonas. Quando os ares pareciam mais respiráveis, e já era possível e compulsório pedir algum socorro, Meu Caro Amigo, de 1976, foi uma carta gravada para informar que “aqui na terra tão jogando futebol / tem muito samba, muito choro e rock and roll / uns dias chove, noutros dias bate sol / mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta”. Em 1984, nos estertores da escuridão, um manifesto em forma de samba-enredo a antecipar os dias democráticos alertava, como um farol: “Vai passar / nessa avenida um samba popular / cada paralelepípedo / da velha cidade / essa noite vai se arrepiar”. Sempre houve, em seus versos, como nos de todo poeta fingidor, uma mágica: falar de amor, mas parecer estar tratando de política; cutucar as questões coletivas, mas querer mesmo estar entre os mais íntimos dos lençóis. As composições de Chico Buarque dão a sensação de se estar atravessando um tomo de história ou uma antologia da vida privada (tudo somado à adorável possibilidade de cantarolá-las, e parece improvável que se leiam os trechos que abrem esta resenha sem colá-los às melodias que os fizeram adesivos).
Na poesia foi sempre assim, o dizer alguma coisa para iluminar outra — sem jamais perder de vista a força cortante das metáforas, porque faca igual não existe. Na MPB, Chico é um totem incontornável, carbono do que somos ou um dia imaginávamos ser, apesar da acidez atual. Na prosa é diferente. A literatura de Chico Buarque, desde Estorvo (1991) até O Irmão Alemão (2014), em cinco romances, segue outra estrada, como se o autor estivesse farto do Chico dos discos e dos shows, cansado de levar o mundo nos ombros, pela razão e pela emoção (a exceção que confirma a regra, avant la lettre, foi Fazenda Modelo, de 1974, uma Revolução dos Bichos ao avesso, evidentemente atrelada aos nós do cotidiano). Na literatura, Chico foi sempre mais frio, mais distante, narrador razoavelmente apartado de seus temas. Não que o desencanto e o pessimismo nas letras dos anos 1970 e 1980 já não antecipassem o que culminaria com Estorvo (“vinha nego humilhado / vinha morto-vivo / vinha flagelado / de tudo que é lado / vinha um bom motivo pra te esfolar”, de Não Sonho Mais, do álbum Vida, de 1980). Para o editor e escritor Tiago Ferro, autor de O Pai da Menina Morta, romance finalista do Prêmio Jabuti, estudioso da obra literária de Chico Buarque, “as canções já eram insuficientes para captar aquele momento histórico, para mostrar no que havia dado a longa noite da ditadura, um país violento, perverso e aparentemente sem saída”. E Chico foi pousar nas estantes.
O desencanto e o pessimismo nas letras das canções dos anos 1970 e 1980 já antecipavam o que culminaria na literatura
 ESSA GENTE, de Chico Buarque (Companhia das Letras; 200 páginas) – Clique na imagem abaixo para comprar o livro
ESSA GENTE, de Chico Buarque (Companhia das Letras; 200 páginas) – Clique na imagem abaixo para comprar o livro (./.)
Essa Gente, que chega às livrarias na quinta-feira 14, é um excelente romance colado a um diário, com anotações, mensagens enviadas e recebidas, entre dezembro de 2016 e setembro de 2019, atalho para o Brasil do aqui e agora. Apesar de o recorte parecer óbvio, o tempo em que uma presidente foi impedida, um ex-presidente foi preso e o Brasil caiu nas mãos de um saudosista do autoritarismo, cujo filho defende o retorno do AI-5, nada em suas páginas é evidente. O que vale, como nas canções, são as coisas não ditas. Não se busque em Essa Gente um corolário das mazelas do Brasil, um manual de ódio para quem não gosta de Chico, desde que ele passou a ser xingado porque nunca recuou de suas convicções; ou um mapa de adoração para quem o põe no pedestal dos intocáveis. Não se espere um panfleto, apenas porque empurraram Chico para um canto da guerra política, o que inclui apoio incondicional a Dilma Rousseff e Lula. O livro tem nuances mais inteligentes. É um delicado (e invariavelmente cômico, embora descrente) relato, apesar da aspereza, a impor reflexão em torno do Brasil rachado ao meio — o estúpido fosso social, os vãos ideológicos, tudo aquilo que nos trouxe até aqui. É como se os personagens de Essa Gente dissessem: “Preste atenção”, eis o Brasil como ficou. Ou então: em que momento o vaso trincou a ponto de uma certa unanimidade nacional — o próprio Chico — agora ser encurralado nas ruas por gente que pensa diferente?
O nome do personagem central de Essa Gente faz lembrar o de seu criador: é Manuel Duarte, autor de um romance histórico, O Eunuco do Paço Real. Decadente, endividado, ele tem um filho adolescente com quem não troca palavra e duas ex-mulheres (uma tradutora e uma decoradora). A cercá­-lo, revelam as anotações, há um Rio de Janeiro que sangra entre a pobreza e a solidão. O caleidoscópio, evidenciado pelo quebra-cabeça fragmentado das curtas entradas do diário, expõe uma multidão de bizarrices que, sem a chave da ironia, soaria inverossímil. Há o pastor evangélico da Igreja da Bem-­Aventurança ligado a um maestro italiano que castra jovens pobres para abastecer o mercado internacional de canto lírico. Há o mendigo que apanha de um sócio do Country Club. O filho de militantes de esquerda que sofre bullying na escola. Na pena de um escritor qualquer, o risco de desandar para o preto no branco seria imenso. Na narrativa de Chico há vasta porção de cinza, é tudo mais sutil, mais lírico, costurado por paixões e suspense policial. Se os outros livros de Chico Buarque foram sempre primos distantes de sua produção musical, Essa Gente é como um irmão. Ecoa a letra do clássico imediato de seu mais recente disco, As Caravanas: “Esses estranhos / suburbanos tipo muçulmanos / do Jacarezinho / a caminho do Jardim de Alá”. É o Chico Buarque compositor de mãos dadas com o Chico Buarque escritor, como se repetissem Carlos Drummond de Andrade musicado por Milton Nascimento, ambos um tanto esquecidos: “Eu preparo uma canção / que faça acordar os homens / e adormecer as crianças”.
fonte:Veja.com -10/11/2019 -14h:45min.

Lula solto: Jornalista Greenwald rebate ministro Moro: quem merece ser ignorado?


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O jornalista Glenn Greenwald, fundador e colunista do Intercept, foi ao Twitter neste sábado 9/XI para rebater o ministro da Justiça, Sergio Moro, após o ex-juiz (sic) dizer que iria ignorar as críticas feitas pelo presidente Lula durante seu histórico discurso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista.
“Aos que me pedem respostas a ofensas, esclareço: não respondo a criminosos, presos ou soltos. Algumas pessoas só merecem ser ignoradas”, disse Moro nesta tarde.
Pouco tempo depois, veio a certeira resposta de Greenwald:
“Tirar milhões de pessoas da pobreza e ser aclamado em todo o mundo como o maior líder, ou ser juiz em uma cidade de tamanho médio que repetidamente trapaceou, violou seu código de ética e corrompeu completamente o sistema judicial de um país inteiro. Quem ‘merece ser ignorado’?”.Informações do site Conversa afiada publicada dia 09/11.

Tirar milhões de pessoas da pobreza e ser aclamado em todo o mundo como o maior líder, ou ser juiz em uma cidade de tamanho médio que repetidamente trapaceou, violou seu código de ética e corrompeu completamente o sistema judicial de um país inteiro.

Quem "merece ser ignorado"? https://twitter.com/SF_Moro/status/1193248171662684169 
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