• Praça do Feijão, Irecê - BA

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Livro retrata a despedida do jornalista Gilberto Dimenstein, vítima do câncer de pâncreas



Crédito: Bruno Santos / Folhapress -jornalista morreu aos 63 anos.Gilberto Dimenstein

Lançado neste mês pela Editora Record, o livro Os últimos melhores dias da minha vida conta a experiência do jornalista Gilberto Dimenstein, vítima de um câncer no pâncreas, que nos deixou em maio deste ano.

Pelo seu olhar apurado e da jornalista baiana Anna Penido, esposa de Dimenstein, o livro é a última reportagem do jornalista com mais de 30 anos de carreira, cujo tema foi sua própria vivência com a doença. Nesta entrevista, Anna Penido fala sobre o processo de concepção e escrita do livro, sua história com Gilberto que antecede os 20 anos de casamento e conta quem foi o idealizador do site Catraca Livre, autor de diversos livros, projetos e colecionador de prêmios.

Como surgiu a ideia do livro?

Essa é uma das histórias que eu mais gosto, porque no final do ano passado, a repórter da Folha de S.Paulo Ana Estela de Souza Pinto estava fazendo uma reportagem especial sobre o jornal e veio entrevistar o Gilberto sobre a trajetória dele na Folha. Foi aí que ele começou a falar coisas para ela sobre a doença que já estava bem avançada. Ela ficou tão interessada que perguntou se podia ir no dia seguinte para fazer uma matéria sobre a experiência dele com o câncer. Ele não tinha falado publicamente sobre esse assunto com ninguém, só tinha postado alguma coisa nas próprias redes sociais e no Catraca Livre. Aí ele topou. No dia seguinte, ela veio e eles ficaram conversando mais de uma hora. A entrevista saiu no último dia do ano e foi muito impactante, causou muita repercussão, talvez porque era fim do ano e as pessoas param para pensar sobre a vida. Três dias depois, o Carlos Andreazza, editor da Record, ligou para o Gilberto o convidando para transformar aquela conversa em um livro contando o processo que ele estava vivendo. Ele falou que só se chamasse um jornalista para fazer o trabalho junto com ele, e quando eu ouvi aquilo, saí pulando na frente dele “olha, eu sou jornalista, eu posso fazer isso com você”, e ele achou perfeito, porque a gente estava o tempo todo junto e vendo as coisas juntos, então, fizemos esse trabalho a quatro mãos.

Como foi o processo de produção?

A gente começou a gravar no dia 3 de janeiro, dia sim, dia não. Foram mais de 20 horas de gravação. Ele foi contando as coisas, e eram momentos especialíssimos do nosso dia: parar para fazer as gravações, porque ele falava sobre tudo com tanta poesia, dizia que não era algo em vão, que tinha sentido naquilo tudo, e isso se transformou nos nossos maiores rituais durante os últimos dias. A gente já tinha definido tudo, o nome, a estrutura, e eu disse a ele que naquele momento não era ainda a hora de escrever, era hora de viver o livro e eu prometi que depois iria escrever. E assim que ele faleceu, duas semanas depois, eu me tranquei em um chalé na Serra da Mantiqueira e durante um mês e meio transformei todas aquelas gravações no livro. Uma coisa que eu tinha combinado com ele foi contar a minha versão dos fatos, e ele achou que isso ia ser o grande diferencial do livro. No final, tem uma carta para ele, da parte que ele não pode contar mais. No meio disso tudo, como ele era muito imagético, falava muito de paisagens, ele queria que essas imagens pudessem ser retratadas, mas não queria a obviedade da fotografia, então, pediu ao artista plástico Paulo von Poser para vir aqui em casa fazer as ilustrações baseadas em tudo que é retratado nele.

Como foi para você e para a família esses últimos meses com ele?

Gilberto em nenhum momento se desesperou em relação ao câncer porque ele fez essa avaliação e chegou à conclusão de que tinha vivido uma vida muito intensa. Tinha se dedicado fortemente a um propósito que sempre guiou todas as ações. Essa ideia de que ele tinha vindo ao mundo para contribuir com pessoas, para transformar as cidades, defender direitos humanos, e tudo isso, de alguma maneira, ele tinha realizado, e isso o dava muita tranquilidade para avaliar se a vida tinha valido a pena, mesmo que findada tão precocemente. E por ele estar tão íntegro e sereno, nós todos também embarcamos nessa. Como Gilberto falava muito que ele achava que ele ia cedo, que precisava aproveitar cada momento, ele era muito acelerado e era quase como se a gente já soubesse que isso ia acontecer. Não foi uma coisa que a gente passou por aquela fase da rejeição, da revolta. Não. A gente quis aproveitar ao máximo o que tinha a cada dia e aproveitamos. Por isso ele disse que foram os melhores dias da vida dele, porque a gente não desperdiçou um minuto com trivialidades, amarguras, ressentimentos.

Qual o maior legado de Gilberto para a sociedade e para a família?

Gilberto sempre foi um provocador de consciências. Ele sempre teve capacidade de cutucar as pessoas, de questionar suas atitudes, suas incoerências. Isso podia ser um cidadão qualquer, podia ser um empresário que conseguia se envolver com causas sociais, financiar projetos importantes, podia ser um político que toma decisões importantes. Ele dizia que usava a comunicação para empoderar as pessoas e ele realmente usou muito essa competência de mobilizar e provocar as pessoas. Para a família, Gilberto era uma figura muito forte. O olhar dele sempre foi um olhar muito inusitado, para tudo que acontecia à sua volta. Tinha a coisa de cuidar e proteger as pessoas que ele amava. A gente se sentia muito protegido ao lado dele e era, ao mesmo tempo, aquele vulcão de ideias, não parava de ter ideias um minuto. O que fazia a gente também ser criativo e querer fazer coisas importantes. Sempre foi uma inspiração muito grande. Mesmo para mim, antes de conhecê-lo, ele já era um jornalista famoso e eu uma recém-formada. As ideias e a própria forma como ele exercia o jornalismo, de alguma maneira, formatou muito a minha maneira de lidar com a minha profissão. Eu acabei deixando as redações para me dedicar inteiramente às causas sociais, mas sabendo que a comunicação sempre seria uma ferramenta importante para a transformação do mundo, usando-a também para fazer um pouco do que ele fazia, que era mobilizar pessoas.

Como vocês se conheceram?

Um dia eu cheguei em casa da balada de madrugada, liguei a televisão, e Gilberto estava lançando o livro Meninas da noite, em 1992. Um canal estava passando a entrevista com ele falando sobre o livro. E enquanto ele falava, eu pensava: “Meu Deus, ele é um jornalista que faz o que eu quero fazer”. A partir daquele momento, eu lia todos os dias a coluna dele na Folha de S.Paulo, todos os livros dele. Foram muitos anos até que a gente se conhecesse pessoalmente, em 1996, mas foi um encontro muito impactante desde o primeiro momento. A gente, de fato, começou a namorar em 1999. Foram 20 anos cheios de muitas coisas que me fazem agradecer todos os dias por cada minuto que pude conviver com esse homem, o quanto que ele me fez me sentir amada, empoderada, apta para fazer grandes coisas, sempre muito cúmplice. A vida com ele era surpreendente, a gente saía andando pela rua e tudo podia acontecer. Faz muita falta.

Gilberto Dimenstein sempre comentou muito sobre o que acontecia no Brasil e no mundo. O que ele acharia deste momento que estamos vivendo?

Gilberto fala muito sobre isso no livro, porque ele é muito atual. Fizemos ao longo deste ano, então, tudo que ainda está acontecendo já estava. Ele fala sobre responsabilidade dos governantes em relação ao nosso problema de saúde pública com o coronavírus, ele fala muito do quanto ele sofreu com essa polarização, das pessoas se atacarem de forma gratuita apenas por terem opiniões diversas, ele faz até um paralelo, que nas redes sociais viveu o mundo da pancadaria e quando ele ficou com câncer, mudou-se para o universo da gentileza, porque as pessoas se comovem com a doença, todo mundo quer ajudar, todo mundo quer oferecer, desde um livro a um chá, uma reza, um curandeiro, todo mundo quer mandar flores. Então, para ele, foi uma mudança muito brusca, viver em um universo tão árido, tão agressivo e depois, por conta da doença, usufruir do que há de melhor na natureza humana, a solidariedade, empatia e amor ao próximo. Isso foi algo que ele prezou muito.

Qual a importância do jornalismo para você? Imagino que compartilhe um pensamento parecido com o de Gilberto.

Primeiro, nos reconhecemos a partir da nossa missão. Nós dois nos reconhecemos como agentes de transformação da sociedade, isso era o que nos movia, e o jornalismo entrou como uma ferramenta muito potente. O jornalismo, para a gente, sempre foi essa alavanca para que pudéssemos ter mais impacto nas ações que fazíamos para alcançar o nosso propósito. Isso é uma das coisas que realmente mais nos conectava e era muito engraçado porque saímos para trabalhar e, quando a gente voltava, ele dizia as coisas que tinha feito, eu contava os meus projetos, e ele falava “e a rua Rodésia ataca outra vez”. Interessante que a gente tinha essa cumplicidade nas causas, mas Gilberto mesmo falando no livro de toda a dificuldade dele de lidar com sentimentos e com a subjetividade, sempre foi muito romântico, e eu tenho as recordações mais especiais. Não era só aquela coisa dura da luta pela construção de um mundo melhor, mas tinha também as sutilezas da relação afetiva próxima, muito permeada pelos pequenos gestos, e o jornalismo estava nesse grande balaio de sentimentos entre nós.

Qual o sentimento ao lançar o livro?

O momento é um pouco dúbio, porque, de um lado, era um sonho, foi um projeto que a gente gestou junto. Eu dizia que ele foi embora e me deixou grávida de um livro, resultado do nosso amor, mas ao mesmo tempo, colocar esse filho no mundo significa também, de alguma maneira, que ele não vai ser só meu. É igual a um filho quando vai para o mundo, tenho também aquele sentimento de ninho vazio. Ele se foi, agora o livro se vai e aí fico eu tendo que me reinventar sozinha. Então, não é uma coisa tão simples. Mas os retornos têm sido ótimos, as pessoas se sentem tocadas e gostam da leitura. Essas coisas também vão me nutrindo. É o retorno também de quando os filhos fazem suas conquistas e a gente fica satisfeito e orgulhoso por ter contribuído para tudo aquilo.


fonte:atardeonline - 23/11/2020 às 09h:25min.

2º turno das eleições: Caso de racismo no Carrefour pode influenciar, avaliam especialistas

 (crédito: Silvio Avila/AFP)

(crédito: Silvio Avila/AFP)

O brutal assassinato do soldador João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, espancado e asfixiado por dois seguranças brancos em uma unidade do Carrefour, em Porto Alegre, fez com que o debate sobre racismo tomasse conta da pauta nacional e se inserisse na curta campanha do segundo turno das eleições, que ocorre no próximo domingo. Para analistas políticos, o crime pode ter um efeito nas urnas, sobretudo em favor dos candidatos de esquerda, que têm o debate sobre igualdade racial como ponto programático.

A morte de Beto pode ter um efeito, ainda que em menor escala, semelhante ao caso de George Floyd, cujo assassinato por asfixia por dois policiais brancos foi decisivo para a mobilização do movimento antirracista nos Estados Unidos e ajudou a eleger o democrata Joe Biden –– sobretudo porque o presidente Donald Trump, em momento algum, se manifestou contrariamente à atitude agressiva dos dois agentes.

Reflexo nos jovens

Analista político do portal Inteligência Política, Melillo Dinis afirma que as pautas identitárias, ligadas a direitos das mulheres, dos grupos LGBTQIA+ e de movimentos negros, foram muito incorporadas à política brasileira, especialmente nas eleições municipais. “Não tenho dúvida de que (a morte de João Alberto) tem um grande efeito (no segundo turno)”, salienta, ressaltando não ser possível fazer uma projeção exata dos efeitos nas urnas ou de mudanças de cenários que podem resultar do caso.

Coordenador do núcleo de estudos sociopolíticos da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Robson Sávio afirma que já foi possível perceber o aumento de destaque das pautas identitárias no primeiro turno, e que a questão tende a pautar o sistema político. Para ele, os candidatos que ignorarem o assunto correm o risco de serem rejeitados por setores da sociedade.

“Aqueles que, consultados sobre a questão tiverem discursos negacionistas, tendem a ter uma reação desses segmentos que não aceitam mais essa postura”, disse, acrescentando que legendas de centro, centro-direita não serão “ponta de lança” no debate antirracismo –– que continuará a ser pautado pelas de centro-esquerda.

Impacto nos indecisos

Professora e coordenadora do programa Diversidade da Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, Lígia Fabris afirma que o episódio pode mudar cenários quando se pensa em especial nos indecisos. Para ela, aqueles que não decidiram o voto, mas se sensibilizam com o debate sobre racismo e o assassinato de Beto, podem decidir seus votos com base nas melhores propostas para as questões igualitárias.

“Isso pode levar os indecisos a decidirem por aqueles prefeitos que se colocam de maneira mais contundente, firme, e que consigam articular essa injustiça como uma transformação que o seu governo vislumbra”, afirmou.

Cientista política e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernanda Barros ressalta que pode ser que os partidos de centro adequem suas falas “com mesclas discursivas de adesão e mitigação da agenda racial”. “Apresentarão sensibilidade em torno dos protestos negros, porém sem grandes ações políticas que modifiquem as assimetrias sociais entre negros e brancos. Os de centro-direita também poderão se aproximar da questão racial a partir do uso simbólico da imagem de políticos negros, com a retórica de meritocracia e Estado cego à cor e seus efeitos”, afirmou.

Fonte: Correio Braziliense/reprodução - 23/11/2020 09h:20min.

PF deflagra megaoperação em 10 Estados contra lavagem de dinheiro e tráfico internacional

 Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, deflagrou na manhã desta segunda-feira (23/11) a Operação Enterprise, a maior do ano no combate à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, de acordo com a PF. O alvo é uma organização criminosa especializada no envio de cocaína para a Europa.

Cerca de 670 policiais federais e mais 30 servidores da Receita Federal cumprem 149 mandados de busca e 66 mandados de prisão nos seguintes estados: Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco. As medidas foram expedidas pela 14ª Vara Federal de Curitiba.

1

Além das medidas expedidas pela 14ª Vara, a Polícia Federal tem permissão para sequestrar aproximadamente R$ 400 milhões em bens do narcotráfico. Entre eles, aeronaves, imóveis e veículos de luxo. De acordo com a PF, existe a expectativa de que novos bens sejam identificados após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.

Segundo a PF, a Operação Enterprise é a maior da história em apreensão de cocaína, pois, no decorrer da investigação, foram apreendidas 50 toneladas da droga em portos do Brasil, da Europa e da África. Tal volume coloca a organização criminosa como uma das maiores em atuação no país.


O esquema utilizado pelos criminosos consistia na lavagem de bens e ativos multimilionários no Brasil e exterior com uso de “laranjas” e empresas fictícias, a fim de dar aparência lícita ao lucro do tráfico.

Em continuidade às ações de cooperação internacional, foram expedidas, ainda, difusões vermelhas na Interpol para a prisão de oito investigados que estão no exterior, bem como a identificação e sequestro de bens em outros países.

Enterprise

O nome da operação faz alusão à dimensão da organização criminosa investigada, que atua como um grande empreendimento internacional na lavagem de dinheiro e exportação de cocaína, o que trouxe alto grau de complexidade à investigação policial.

fonte:Metrópoles - 22/11/2020 08h:53min.

No WEB of Sciense: 19 pesquisadores brasileiros estão entre os mais citados de 2020

O site Web of Science divulgou, na última semana, uma lista de “pesquisadores altamente citados” de 2020. São, ao todo, 6.389 pesquisadores de mais de 60 países. Entre esses, estão 19 brasileiros. A Web of Science é uma plataforma referencial de citações científicas projetada para apoiar pesquisas científicas e acadêmicas com cobertura nas áreas de ciências, ciências sociais, artes e humanidades.

© Pexel

Entre todos os pesquisadores citados, a produção científica de 3.896 deles teve impacto em áreas específicas. Outros 2.493 pesquisadores impactaram diversos campos de conhecimento com seu trabalho. Esse “impacto cruzado” é chamado de cross field.

“É uma satisfação para qualquer pesquisador ter seu árduo trabalhado reconhecido por citações de colegas. Isso quer dizer que muitos cientistas leram seus trabalhos e reconheceram a importância”, afirmou Paulo Artaxo, um dos brasileiros nessa lista. Artaxo falou ao site da A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A fundação apoia o trabalho de Artaxo e de outros dez citados pela Web of Science.

Os pesquisadores brasileiros citados são:

  • Paulo Artaxo (Geociências), do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP);
  • Álvaro Avezum (cross-field), do Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese;
  • Andre Brunoni (cross-field), da Faculdade de Medicina (FM) da USP;
  • Geoffrey Cannon (Ciências Sociais), da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP;
  • Henriette Azeredo (Ciências Agrícolas), da Embrapa Agroindústria Tropical em São Carlos;
  • Mauro Galetti (Meio Ambiente e Ecologia), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro;
  • Renata Bertazzi Levy (Ciências Sociais), da FM-USP;
  • Maria Laura C. Louzada (Ciências Sociais), do Instituto de Saúde e Sociedade da Universidade Federal de São Paulo (ISS-Unifesp);
  • Carlos Augusto Monteiro (Ciências Sociais), da FSP-USP;
  • Helder Nakaya (Imunologia), da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP;
  • Anderson S. Sant’Ana (Ciências Agrícolas), da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp);
  • Fernando C. Barros (cross-field), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel);
  • Mercedes Bustamante (cross-field), da Universidade de Brasília (UnB);
  • Adriano Gomes da Cruz (Ciências Agrícolas), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ);
  • Mônica Queiroz de Freitas (Ciências Agrícolas), do Departamento de Tecnologia dos Alimentos da Universidade Federal Fluminense (UFF);
  • Pedro Hallal (Ciências Sociais), da UFPel;
  • Luis Augusto P. Rohde (Psiquiatria e Psicologia), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS);
  • Felipe Schuch (Psiquiatria e Psicologia), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM);
  • Cesar Gomes Victora (Ciências Sociais), da UFPel.

As informações são da Agência Brasil – Brasília.

Covid-19: Crítico das medidas de isolamento, deputado Osmar Terra está internado em Porto Alegre

                             foto:reprodução

O deputado federal Osmar Terra (MDB) deu entrada neste domingo (22/11) no Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

No último dia 13, o parlamentar anunciou que testou positivo para covid-19. O hospital informou em nota que Terra foi internado para fazer exames e segue em observação durante os próximos dias, sem especificar previsão de alta hospitalar.

Em sua página no Twitter, o deputado confirmou que está na unidade para fazer exames e fisioterapia complementar no tratamento da doença.

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o deputado subestimou a doença. Em um debate promovido pelo UOL em março, Terra disse que morreriam no Brasil menos de 2,1 mil pessoas, que foi o número de mortos quando surgiu a H1N1, em 2009. "O Brasil não vai ser a Itália, não vai ser a Espanha. Vai ser muito mais branda por causa da temperatura aqui no Brasil", disse na ocasião. Terra é também um grande crítico das medidas de isolamento social.

Atualmente, o Brasil, com 169,2 mil mortos pela doença, é o segundo país do mundo com a maior quantidade de óbito no mundo, segundo levantamento feito pela Universidade Johns Hopkins (EUA), atrás apenas dos Estados Unidos. A Itália está em sexto lugar no ranking e a Espanha, em 9º.

No começo de junho, o parlamentar, que foi ministro da Cidadania até fevereiro deste ano, afirmou que a curva de contágio da covid-19 já havia passado pelo pico e que a epidemia terminaria em junho. Na época, o país tinha 28,9 mil casos confirmados da doença e 1,3 mil óbitos.

domingo, 22 de novembro de 2020

Quase 7 milhões de testes para Covid-19 prestes a vencer podem ir para o lixo

                              imagem:Getty imagem

Prestes a vencer, 6,86 milhões de testes para o diagnóstico do novo coronavírus comprados pelo Ministério da Saúde podem ter como destino a lata de lixo. 

Os exames RT-PCR perdem a validade entre dezembro deste ano e janeiro de 2021 e estão estocados num armazém do governo federal em Guarulhos, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo, neste domingo (22/11).

A reportagem destaca que o SUS aplicou cinco milhões de testes deste tipo. O país pode acabar descartando mais exames do que já realizou até agora. Ao todo, a Saúde investiu R$ 764,5 milhões em testes e as unidades para vencer custaram R$ 290 milhões – o lote encalhado tem validade de oito meses.

O ministério já pediu ao fabricante análise para prorrogar a validade dos produtos. A falta de outros componentes para realizar testes, um dos problemas que travam o fluxo de distribuição, porém, deve continuar.

A pasta diz que só entrega os testes quando há pedidos dos estados. Ainda ressalta que nem sequer as 8 milhões de unidades já repassadas foram totalmente consumidas. Secretários estaduais e municipais de Saúde dizem que não usaram todos os exames, pois receberam kits incompletos para o diagnóstico, com número reduzido de reagentes usados na extração do RNA, tubos de laboratório e cotonetes de coletar amostras. Também veem dificuldade para processar amostras. Isso prejudica o repasse dos produtos, pois as prefeituras, em especial, não têm como armazenar grandes quantidades.

Procurada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não deu detalhes sobre como a validade do produto pode ser renovada, mas informou que a entrega de testes vencidos é uma infração sanitária.

Após a publicação da reportagem, o Ministério da Saúde informou, por meio de nota, que a exemplo do que ocorreu com outros lotes de testes utilizados em outros países, devem chegar ao Brasil, ainda esta semana, estudos de estabilidade estendida para os testes que a pasta tem em estoque.

“A empresa Seegene, fornecedora dos testes ao MS, já está em contato com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o envio dos estudos, assim que disponibilizados pelo fabricante. Esses estudos serão analisados pela Anvisa, que é a agência que concede o registro de utilização do produto. Uma vez concedido esse parecer técnico, o Ministério da Saúde elaborará uma nota informativa quanto à extensão da validade e segurança da utilização dos testes”.

Ainda segundo a nota, a pasta esclareceu que “diante do ineditismo e imprevisibilidade da doença no Brasil e no mundo, não mediu esforços para garantir testes diagnósticos para Covid-19 à sua população. A pasta investiu na aquisição de testes e na estruturação da rede de laboratórios públicos do Brasil, além da implantação de 4 plataformas de alta testagem para dar suporte laboratorial aos estados e municípios quando a capacidade de produção dos laboratórios estaduais chegasse ao seu limite”.

“Cabe ressaltar que os testes RT-qPCR são distribuídos de acordo com as demandas dos estados e que o ministério se mantém à disposição dos entes para dar suporte às ações de monitoramento, diagnóstico, tratamento e acompanhamentos dos casos, além de incentivar as ações de prevenção e assistência precoce nos serviços de saúde do SUS”, sublinhou.

De acordo com o texto encaminhado, “a pasta vem garantindo a disponibilidade de testes RT-qPCR para todo o país, permitindo que o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) possa procurar o serviço de saúde e ter garantido o seu teste, quando prescrito pelo profissional de saúde. O Brasil já testou mais de 10.491.142 pessoas, sendo 5.043.469 testes RT-qPCR realizados, dos 9.317.356 milhões de testes RT-qPCR distribuídos para os Laboratórios públicos dos Estados”.

“A pasta ressalta que nenhum teste de RT-qPCR perdeu sua validade e os mesmos estão prontos para serem utilizados conforme demanda dos estados e municípios, em consonância com a gestão do SUS, que é tripartite. Por fim, é importante destacar que a imprensa tem um papel importante em informar a população sobre os locais e serviços de saúde disponíveis em todo o país. E reforçar a importância de procurar uma unidade de saúde assim que aparecer o primeiro sintoma da doença”, finalizou.

fonte:Metrópoles - 22/11/2020