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terça-feira, 16 de novembro de 2021

Fala de Bolsonaro sobre Enem ter a “cara do governo” reforça convocação de ministro na Câmara

Jair Bolsonaro e Milton Ribeiro, ministro da Educação (Reprodução)


O ministro da Educação, Milton Ribeiro, será convocado para depor na comissão de Educação da Câmara dos Deputados para dar explicações sobre a debandada de servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Texeira (Inep), responsável por cuidar das provas do Enem e do Enade.

O requerimento, que deve ser votado nesta terça-feira (16) na comissão, havia sido pedido por mais de três parlamentares na semana passada, mas ganhou força com as denúncias trazidas à tona pelo Fantástico e pela declaração dada nesta segunda-feira pelo presidente Jair Bolsonaro. Em Dubai, ele disse que as questões do Enem agora “começam a ter a cara do governo“. 

O deputado Israel Batista (PV-DF), presidente da Frente Mista da Educação e um dos parlamentares que pediu a convocação de Ribeiro, afirmou que “a frase do presidente é uma assinatura de culpa, a prova que eles não têm a menor noção. O presidente comprovou o que estamos denunciando há meses, que há interferência política na prova do Enem”, disse “Não é papel do Enem ter cara de governo A ou B. A prova é uma política de Estado”, completou.

O líder da oposição, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), afirmou que “quando Bolsonaro interfere politicamente em uma prova como o Enem, coloca em risco a qualidade do exame e o futuro de nosso país. Nós, da oposição, vamos propor a convocação dele”.

Interferência política

Servidores do Ministério da Educação relataram ao Fantástico, da Rede Globo, neste domingo, que as tentativas de interferência política por parte da direção durante a elaboração das provas do Enem, que serão realizadas nos dias 21 e 28 de novembro. Também contaram sobre situações de intimidação e “despreparo” da entidade. Os denunciantes fazem parte do grupo de 37 servidores do Inep que pediram exoneração do cargo na última semana, alegando “fragilidade técnica e administração da atual gestão máxima do Inep”.

Vistoriar as provas

O ministro foi convidado a ir à Câmara em junho para explicar a fala de que ele pretendia ter acesso prévio à prova do ENEM para vistoriar se havia questões consideradas de cunho ideológico. Ribeiro afirmou na audiência que “abriu mão” da ideia por entender que havia uma “governança estabelecida pelo próprio Inep” que garantia uma “prova técnica” e que de maneira alguma teria acesso.

fONTE: REVISTA fÓRUM C/Com informações do Globo - 16/11/2021

Em Paris: Estudante do Benin agradece a Lula por curso feito no Brasil durante seu governo; veja vídeo


Lula e estudante do Benin. Foto: Reprodução de vídeo de Ricardo Stuckert


Uma estudante do Benin encontrou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas ruas de Paris na manhã desta terça-feira (16), e aproveitou para agradecê-lo por convênio estabelecido por ele, que permitiu que ela estudasse no Brasil.

“Eu sou do Benim e estudei no Brasil por causa do convênio que você assinou pra gente. Muito obrigada por tudo”, disse.

Lula então pergunta em que ela se formou. A estudante responde que em Ciência Política e diz que está fazendo doutorado em Paris. “Que maravilha”, responde o ex-presidente.

Ao final do vídeo, a estudante diz que estudou na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Aplaudido de pé pela palestra realizada no Parlamento Europeu, em Bruxelas, nesta segunda-feira (12), o ex-presidente Lula se reúne com a prefeita de ParisAnne Hidalgo, nesta segunda-feira (16), e fará palestra no Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po), no marco dos dez anos do título de Doutor Honoris Causa recebido na instituição.

“Dez anos após receber o título de Doutor Honoris Causa da Sciences Po, Luiz Inácio Lula da Silva, ex-Presidente da República Federativa do Brasil, retorna para uma conferência excepcional. Ele falará sobre o tema ‘Qual o lugar do Brasil no mundo de amanhã?’”, anuncia a instituição em seu site.

Fonte: Revista Fórum - 16/11/2021 10h:25

Certificado de vacinação será exigido para acesso às sedes do MPF/BA a partir de 16/11




A partir do dia 16 de novembro, as unidades do Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) passarão a exigir comprovante de vacinação para todas as pessoas que venham a acessar os prédios do MPF, em Salvador e no interior do estado.

A Portaria MPF/BA nº 349, que regulamenta o acesso às sedes, foi publicada nesta sexta-feira, dia 12 de novembro. A medida atende às Portarias PGR/MPF nº 110 e PGR/MPF nº 112, da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O controle de acesso abrange desde membros, servidores, estagiários e terceirizados, até advogados, prestadores de serviços e visitantes em geral. Aqueles que quiserem acessar as sedes devem apresentar nas recepções comprovantes do esquema vacinal completo.

Certificado de vacinação – Para atestar a imunização serão considerados o cartão de vacinação (impresso em papel timbrado) ou o certificado digital do Conecte SUS, plataforma do Sistema Único de Saúde (https://conectesus.saude.gov.br/home).

A comprovação de vacinação não exclui a obrigatoriedade de obediência aos protocolos sanitários de prevenção ao coronavírus.

Casos excepcionais – Menores de 12 anos de idade, salvo divulgação de protocolo em sentido contrário pelo Ministério da Saúde (MS), não precisam de comprovante de vacinação para acesso ao MPF/BA.

Os maiores de 12 anos, não vacinados, também poderão ter acesso às unidades do MPF desde que apresentem:

a) teste RT/PCR ou teste antígeno negativos para COVID-19 realizados nas últimas 72h (setenta e duas horas);b) ou relatório médico justificando a contraindicação da vacina da covid-19.

As regras adotadas pelo MPF/BA, em linhas gerais, possuem as mesmas exigências de outras instituições públicas federais, com o objetivo do controle da transmissibilidade do Sars-CoV-2, preservando a saúde e a segurança não só das pessoas que trabalham nas sedes, mas de todos os que ingressam nesses locais.

Confira Íntegra da Portaria MPF/BA nº 349

Fonte: MPF -15/11/2021

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Em Salvador: Influencer xinga baiana, chamando-a de 'preguiçosa': 'Tem cara de macumbeira?'



Dois turistas, sendo um deles o lutador e influencer Ludvick Rego, postaram um vídeo onde aparecem atacando uma baiana no Pelourinho. Nas imagens, eles filmavam, de longe, a mulher enquanto faziam declarações preconceituosas.

Em vídeo enviado para a TV Bahia, a mulher que aparece nas imagens - Eliane de Jesus - conta que está indignada com a publicação e trabalha no Pelourinho há mais de dez anos.



 

"Meu nome é Eliane e eu estou aqui para falar sobre um vídeo que está rolando aí, sobre a minha imagem, de duas pessoas insignificantes. Ele bateu foto minha e eu não vi. Não fui até ele, eu nem sei quem é ele, eu vi depois que ficou rolando nas redes sociais e na internet as pessoas falando sobre isso", disse.

 

Foto: Eliane de Jesus / Arquivo pessoal

 

"E eu estou muito indignada, estou muito ferida com isso, porque isso é intolerância religiosa. Eu trabalho no Pelourinho há mais de dez anos, benzo, e sou suspensa como Ekede [cargo no candomblé] em uma casa [terreiro]. Então não é certo ele me chegar e fazer isso com minha imagem. Isso é uma intolerância contra a minha religião", afirma.

“Aquela baiana ali, ela tem cara de macumbeira?”, questionou um dos homens no vídeo. “Ela é baiana”, respondeu o outro. Em seguida, ele perguntou: “Ela é o quê?”. Respondendo à própria pergunta, ele emendou algo como “maconheira” ou "marmoteira". Durante a fala, houve uma interrupção. Depois disso, o veredito final: "Ela é preguiçosa", citando o estereótipo preconceituoso atribuído a baianos.

Além disso, enquanto riam, um dos turistas disse que a baiana iria "roubar o seu axé". Já o outro, Ludvick, respondeu que ela “vai roubar o meu colar para ela”. Informações do Correio da Bahia em 15/11/2021



Em vídeo enviado para a TV Bahia, a mulher que aparece nas imagens - Eliane de Jesus - conta que está indignada com a publicação e trabalha no Pelourinho há mais de dez anos.

 

"Meu nome é Eliane e eu estou aqui para falar sobre um vídeo que está rolando aí, sobre a minha imagem, de duas pessoas insignificantes. Ele bateu foto minha e eu não vi. Não fui até ele, eu nem sei quem é ele, eu vi depois que ficou rolando nas redes sociais e na internet as pessoas falando sobre isso", disse.

 

Foto: Eliane de Jesus / Arquivo pessoal

 

"E eu estou muito indignada, estou muito ferida com isso, porque isso é intolerância religiosa. Eu trabalho no Pelourinho há mais de dez anos, benzo, e sou suspensa como Ekede [cargo no candomblé] em uma casa [terreiro]. Então não é certo ele me chegar e fazer isso com minha imagem. Isso é uma intolerância contra a minha religião", afirma.

 

Após a repercussão, Ludwick e Rômulo também se manifestaram nas redes sociais e trancaram os perfis. Assista:

 


Retratação
O vídeo viralizou nas redes sociais, com baianos revoltados com a postura da dupla. Após o barulho, os dois, que são do Rio de Janeiro, gravaram um vídeo juntos, onde apresentam sua versão dos fatos.

"Viemos aqui pedir desculpas ao povo da Bahia, Pelourinho e axé. Em nenhum momento quisemos ofender. Estávamos em uma brincadeira. Aquela mulher estava 'vendendo axé', e quem é da religião sabe que axé não se vende. Benção se dá", começaram.

"Em nenhum momento quisemos denegrir a imagem da Bahia ou dos baianos. Também queremos deixar claro que a mulher não era vendedora de acarajé. Ela queria benzer minhas guias, vendendo axé. Foi aí que começou a brincadeira. Viemos pedir desculpas a todos que se sentiram ofendidos: baianos, povo do axé, vendedoras de acarajé", disse Ludwick.

Já o outro homem reclamou de supostas ameaças que vem sofrendo, dizendo que isso "não precisa ocorrer". "Peço desculpas ao povo da Bahia, que amo e tenho muitos amigos. Desculpa a todos", pediu.

Repercussão
Em nota,  Associação Nacional das Baianas de Acarajé se solidarizou com a vítima, mesmo que ela não seja uma baiana. "Alertamos a todo instante sobre a importância em não disseminar o racismo, preconceito e forma perversa de dar continuidade aos maus tratos que só geram dores e tristezas", começou o comunicado.  

"Viemos em público acolher essa senhora, que não é Baiana de Acarajé, mas ganha seu sustento no ponto turístico de Salvador com seu dom de cura com as folhas e boas energias, acolhendo baianos e turistas que solicitam seu serviço. Por tanto Senhor Ludvick e toda sua cúpula que compactua em continuar as chibatadas em nosso povo de negro, de axé e que ganha o sustento da sua família com trabalho digno, merece nosso total respeito e empatia, não vamos tolerar essa sua afirmação tão absurda e cheia de deboche. O Novembro Negro existe para que pessoas como você se eduque e busque dissolver o racismo estrutural para que o mesmo não seja reproduzido", disse a associação.

Eduardo Bolsonaro defende assassino de ativistas do Black Lives Matter nos EUA


Eduardo bolsonaro no celularRafaela Felicciano/Metrópoles

Com uma foto que mostra Rittenhouse como um menino inocente no meio de vários demônios, o filho de Jair Bolsonaro pediu para que a Justiça seja feita e que o acusado de matar dois manifestantes do principal movimento antirracista americano seja absolvido.

Eduardo Bolsonaro pede absolvição de acusado de matar dois manifestantes em protestos anti racistas.

O julgamento de Rittenhouse começou no dia 1º de novembro deste ano e o júri popular fará as primeiras deliberações nesta segunda-feira (15/11).

No dia 25 de agosto de 2020, Rittenhouse se juntou a uma milícia armada, em Kenosha, no Wisconsin, portando uma AR-15. O grupo, formado majoritariamente por pessoas brancas, era contra as manifestações antirracistas que ocorriam por todos os Estados Unidos no ano passado.

Rittenhouse, que tinha 17 anos na época do crime, alega que atirou contra três pessoas, matando duas e deixando uma ferida, porque foi “cercado” — no que provavelmente inspirou a imagem compartilhada por Eduardo Bolsonaro, em que o acusado é retratado como um menino em apuros cercado por demônios.

    Fonte: Guilherme Amado/Metrópoles - 15/11/2021

Dubai: Desembargador responsável por caso de Flávio Bolsonaro integra comitiva

Além do Desembargador, estão na comitiva o deputado federal Hélio Lopes, ex-senador Magno Malta e o vereador mineiro Nikolas Ferreira. foto: Reprodução/Andes


O deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ), o ex-senador Magno Malta e o vereador mineiro Nikolas Ferreira (PRTB) são algumas das pessoas que integram a comitiva do governo brasileiro na terceira viagem a Dubai em pouco mais de dois meses.

Passou quase despercebida, no entanto, a presença do desembargador Marcelo Buhatem, presidente da Associação Nacional de Desembargadores (Andes). Marcado em uma foto junto do presidente e seus acompanhantes, Buhatem tem uma relação de longa data com o clã Bolsonaro.

Em abril de 2021, sob a gestão de Buhatem, a Andes condecorou Bolsonaro.

Além disso, em novembro de 2020, o jornalista Samuel Pancher, do Metrópoles, afirmou que ele havia se reunido para um encontro com Jair. O detalhe é que Buhatem era o desembargador responsável pelo caso das rachadinhas envolvendo Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

O “01” é acusado de enriquecer por ter se apropriado de salários de funcionários do gabinete que mantinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), à época em que era deputado estadual.

Mamata em Dubai

Bolsonaro está hospedado até terça-feira (16) no luxuoso hotel Habtoor Palace, que tem diárias que chegam a R$ 81 mil. O hotel cinco estrelas tem uma série de suítes de luxo extremo. A segunda mais cara tem diárias de R$ 21 mil. As mais “populares” podem ser reservadas com antecedência em sites pela bagatela de cerca de R$ 3,3 mil por dia.

Em rápida entrevista a jornalistas na porta do hotel de luxo onde se hospeda na capital dos Emirados Árabes, Bolsonaro falou de forma genérica sobre os resultados do encontro com o príncipe herdeiro Hamdan bin Mohammed al Maktoum.

Indagado se foi assinado algo na área de Educação, o presidente desconversou. “Eu não vou entrar em detalhe contigo, porque isso já foi discutido bastante. Na defesa também, petróleo… Então é mais, aqui nesse momento, uma troca de gentilezas, onde demonstra todo carinho com nosso país”, afirmou.

Uma das gentilezas, segundo presidente, teria sido as diárias do luxuoso hotel Habtoor Palace, onde está hospedado com Michelle Bolsonaro, os filhos, Flávio e Eduardo, e boa parte da comitiva que o acompanha na terceira viagem a Dubai em menos de dois meses.

“É 0800 pra mim, tá ok? Sou eu e mais nove, dez quartos. Jamais eu ficaria, com todo o respeito, mesmo eu pagando, não ficaria em um hotel desses, jamais”, disse sobre a hospedagem no hotel, que chega a cobrar até R$ 81 mil pelas diárias.

Fonte: Revista Fórum - 15/11/2021 17h20

Governo Bolsonaro: Motoristas de militares em estatal viraram assistentes e salário saltou para R$ 18 mil

 

Motoristas de militares em estatal viraram assistentes e salário saltou para R$ 18 mil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Uma estatal controlada por oficiais de alta patente da Marinha promoveu quatro motoristas da diretoria a assistentes, um cargo de confiança, o que elevou os salários individuais de R$ 3.400 a R$ 18,6 mil. A diferença foi de 447%. A manobra, capitaneada pelo atual presidente da Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados), foi considerada ilegal pela CGU (Controladoria-Geral da União), que apontou um prejuízo de R$ 1,4 milhão aos cofres públicos.

 

Dois relatórios de auditoria da CGU recomendaram que a responsabilidade pelas promoções fosse apurada. Um dos documentos chegou a propor "devido ressarcimento" à Nuclep, uma estatal dependente da União para o pagamento de salários dos funcionários.
 

O caso acabou arquivado em uma apuração interna, sem apontamento de culpa ou dolo por parte dos diretores da estatal que promoveram seus motoristas. Também não houve ressarcimento ao erário. Os motoristas perderam os cargos de confiança.
 

Uma reunião da diretoria-executiva da Nuclep em 3 de agosto de 2016 aprovou a oferta dos cargos de confiança aos motoristas. Dois tinham o ensino fundamental completo, e dois, o ensino médio.
 

Estavam na reunião o contra-almirante da reserva Carlos Henrique Silva Seixas e o vice-almirante Liberal Enio Zanelatto. Seixas era diretor administrativo, e hoje é presidente da Nuclep. Zanelatto era diretor industrial da estatal. Hoje, é diretor industrial da Marinha.
 

"O diretor administrativo confirmou a proposta apresentada, manifestando-se favoravelmente à implementação", registra a ata da reunião. A proposta foi aprovada por unanimidade.
 

O prejuízo aos cofres públicos em 2016 e em 2017 foi de R$ 1,4 milhão, conforme auditoria da CGU concluída em julho de 2018. A estatal deixou de reduzir ainda R$ 294 mil em horas extras, segundo a auditoria.
 

A empresa confirmou à CGU que os quatro motoristas continuavam a atuar como motoristas dos diretores, mas que acumulavam a função com outras, inerentes ao cargo de assistente.
 

Para tentar comprovar esse acúmulo, chegou a ser apresentado à CGU um atestado de um diretor do Arsenal de Marinha do Rio, com data de 12 de junho de 2018, em uma tentativa de comprovar a atuação de um motorista como assistente. Ele teria participado de uma reunião de trabalho na unidade da Marinha, com o presidente da Nuclep.
 

A explicação não convenceu os auditores, que mantiveram o apontamento da ilegalidade e as recomendações para que a prática deixasse de existir.
 

Ministro de Minas e Energia no governo Jair Bolsonaro, o almirante de esquadra da reserva Bento Albuquerque integrava o Conselho de Administração da Nuclep quando a CGU concluiu a auditoria sobre os motoristas dos diretores.
 

Ele começou a ser conselheiro em dezembro de 2016, quatro meses depois do ato da diretoria executiva.
 

As atas de reuniões do conselho disponíveis no site da Nuclep não registram discussões e deliberações a respeito dessa questão específica da promoção dos motoristas. Depois de ser apenas conselheiro, Albuquerque presidiu o colegiado de maio de 2019 a maio de 2020.
 

"Atos de nomeação para cargos e funções eram de competência da diretoria-executiva, não havendo acompanhamento nem aprovação do conselho", afirmou o MME (Ministério de Minas e Energia), em nota.
 

Segundo o MME, que respondeu aos questionamentos referentes à Nuclep, empresa vinculada à pasta, um procedimento de apuração foi aberto pela corregedoria da estatal, a partir da recomendação da CGU. Isto se deu em 3 de setembro de 2018.
 

Somente em 6 de dezembro de 2018 foi designado um auditor de carreira da CGU para chefiar a auditoria interna da Nuclep.
 

O procedimento de apuração aberto internamente foi uma "investigação preliminar", sem registro de sindicância no sistema da CGU.
 

"Após a regular instrução, a corregedoria concluiu pelo arquivamento da apuração, dada a ausência de dano ao erário e de conduta dolosa, conclusão que contou com a chancela do corregedor setorial da própria CGU", diz a nota do MME.
 

"O ministro Bento Albuquerque, durante o período em que integrou o Conselho de Administração da Nuclep, contribuiu sobremaneira para a aprovação de diversas medidas que, com certeza, aprimoraram a governança da empresa", afirma a pasta.
 

Entre as medidas citadas está uma ampliação das competências do conselho para maior abrangência na fiscalização dos atos de gestão da diretoria-executiva, com assessoramento de um comitê de auditoria.
 

A recomendação da CGU para que se apurasse responsabilidades na promoção dos motoristas só chegou ao Conselho de Administração em março de 2019, segundo o MME. Um ano antes, a diretoria já havia decidido extinguir todos os cargos de assistentes, conforme a pasta.
 

Os motoristas voltaram para seus cargos de origem em maio de 2018, e um ato normativo em novembro de 2019 definiu critérios para funções de confiança na Nuclep, afirma o MME.
 

No governo Bolsonaro, a Nuclep passou a estar vinculada ao MME, comandado por Bento Albuquerque. Antes, a estatal, que cuida de equipamentos para a área nuclear, de defesa e de energia, era ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
 

Seixas, o presidente, é o único remanescente da diretoria-executiva de 2016. Dos quatro diretores atuais, três são da Marinha.
 

O presidente da Nuclep é um dos 16 militares, das três Forças Armadas, que presidem estatais no governo Bolsonaro e que acumulam remunerações, como o jornal Folha de S.Paulo mostrou em 4 de setembro.
 

Seixas recebe R$ 60,6 mil brutos. Ele acumula o salário da Marinha e o da Nuclep.


Fonte: FOLHAPRESS - 15/11/2021 16h:50