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terça-feira, 12 de julho de 2022

Em Salvador: EMAB abre curso preparatório para juiz voltado para advogados de baixa renda


EMAB abre curso preparatório para juiz voltado para advogados de baixa renda
Foto: Divulgação

 A Escola de Magistrados da Bahia (EMAB), da Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB), abriu o Curso Preparatório para a Carreira de Juiz, destinado a bacharéis de Direito com perfil socioeconômico de baixa renda familiar. As inscrições para a seleção já estão abertas e seguem até dia 20 de julho, com taxa no valor de R$ 15, cujos recursos serão revertidos para o Hospital Martagão Gesteira. 

 

De acordo com o AMAB, serão oferecidos 100 vagas no projeto solidário, com mensalidade de R$ 50. o início do curso está previsto para 8 de agosto. 

 

Estarão aptos a participar candidatos que estiverem inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), de que trata o Decreto nº 6.135/2007; e que for membro de família de baixa renda, nos termos do Decreto nº 6.135/2007. Para comprovar os requisitos exigidos, os candidatos deverão preencher uma ficha cadastral com a indicação do Número de Identificação Social (NIS).

 

“Um novo momento está sendo colocado para a EMAB. Desenvolvemos o curso com caráter eminentemente solidário, ressaltando, desta forma, o papel social da EMAB. Oferecer essas 100 vagas é incentivar o crescimento profissional, para que possam se preparar para as carreiras jurídicas e realizar o seu sonho”, declarou o  diretor-geral da Escola, juiz Rosalvo Augusto Vieira.

 

Os interessados deverão realizar as inscrições por meio do preenchimento dos dados pessoais no site (acesse aqui) e efetivar o pagamento de taxa no valor de R$ 15 em favor do Hospital Martagão Gesteira, por meio do PIX doeagora@martagaogesteira.org.br  O comprovante deverá ser enviado para o e-mail cursos@emab.com.br

 constando ainda nome completo, RG e CPF. A prova seletiva terá a duração de duas horas e será aplicada no dia de 23 de julho.


Fonte: BN - 12/07/2022

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Feira: Após morte de investigador, operação apreende armas,drogas e explosivos

Foto: Divulgação/Polícia Militar

As polícias Militar e Civil de Feira de Santana realizaram uma operação no bairro Novo Horizonte na manhã desta segunda-feira (11), após a morte do investigador de Polícia Civil Marcelo Ribeiro Falcão, de 51 anos na madrugada de hoje. Os suspeitos do crime morreram em troca de tiros com policiais.


Foto: Divulgação/Polícia Militar

Participaram da operação investigadores da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE- Draco), Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas em Rodovias (Decarga), 1ª e 2ª Delegacia e Delegacia de Homicídios (DH), além de policiais da 66ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), Rondesp 01, 03, 04, 09, COC, Batalhão de Polícia de Choque, Grupamento Aéreo (Graer) e Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Foto: Divulgação/Polícia Militar

A ação se estendeu ainda pelo bairro Nova Esperança. Foram apreendidas drogas, armas, munições e artefatos explosivos. Todo o material foi levado para a Central de Flagrantes para adoção de medidas legais

Foto: Divulgação/Polícia Militar

Os explosivos foram neutralizados por equipe Antibomba do Batalhão de Operações Policiais Especiais. Nas cargas explosivas neutralizadas foram encontrados estopim, espoleta pirotécnica, cordel detonante, e Anfo.

Foto: Divulgação/Polícia Militar

O Graer, comandado pelo Tenente-Coronel Wolney, empregou a aeronave Guardião 01, importante apoio para realizar buscas nos locais de difícil acesso e localizar materiais escondidos na região de charcos.

Também participou da operação, um cão farejador da raça pastor-belga Malinois.

Foto: Divulgação/Polícia Militar
Foto: Divulgação/Polícia Militar
Fonte:Texto/Acorda Cidade - 11/07/2022

Absolvição da médica Kátia Vargas é mantida pelo STJ após negar três recursos do MP-BA





O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o recurso do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que pedia a anulação do júri que absolveu a médica Kátia Vargas, que se envolveu em um acidente de trânsito que resultou na morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes Dias, em outubro de 2013.

O pedido foi rejeitado por três vezes, por diferentes ministros. As primeiras negativas ocorreram em 21 fevereiro e 27 abril, e a mais recente no mês de junho. Com isso, a decisão do júri de inocentar a oftalmologista segue válida.

Kátia dirigia um Kia Sorento na altura do Ondina Apart Hotel, no bairro de Ondina, quando se envolveu em um acidente de trânsito com a moto pilotada por Emanuel, que levava Emanuelle na garupa. Os dois foram arremessados contra um poste e morreram no local.

Kátia Vargas foi hospitalizada após o acidente e, dias depois, foi levada para o Presídio Feminino de Salvador, no Complexo Penitenciário da Mata Escura, onde ficou por 58 dias, quando foi concedido o pedido para responder em liberdade.

Kátia Vargas foi inocentada em júri popular no ano de 2017. Ela havia sido denunciada por duplo homicídio qualificado, impossibilidade de defesa e perigo comum. Em 2018, a Justiça anulou o júri que absolveu Kátia Vargas, mas, um ano depois, os desembargadores mantiveram a absolvição da médica. Apesar disso, ela foi condenada na vara cível a pagar uma indenização de R$ 600 mil para a família dos jovens.

Fonte: Correio da Bahia - 11/07/2022

Crime de Foz: Bolsonarista que matou petista foi preso em 2018 por xingar policiais no Rio


                                              foto:reprodução


SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O policial penal bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho que matou a tiros o guarda municipal filiado ao PT Marcelo Aloizio Arruda na noite de sábado (9), em Foz do Iguaçu, precisou ser algemado e detido, em 2018, após ofender a honra de ex-colegas da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Um processo, aberto por crime desacato, foi arquivado na Justiça do Paraná.

Documento a que a reportagem teve acesso mostra que, em junho de 2018, um sargento e um capitão da PM registraram boletim de ocorrência na 59° Delegacia Policial do Rio de Janeiro após terem sido insultados por Guaranho durante uma abordagem. "Jorge Guaranho se aproximou dos policiais militares, identificou-se como ex-PM e atual policial federal. Em seguida, passou a ofender o capitão da PM, xingando-o de 'oficial de merda, capitão de merda', e chamou o sargento de 'praça baba-ovo e praça de merda', e mandou que os mesmos fossem embora do local", diz a peça enviada à Justiça Federal.

Guaranho trabalhou na PMRJ por cerca de dois anos antes de se tornar policial penal federal. À reportagem, a corporação afirmou que o ex-militar não foi alvo de processos internos e que não há registros de conduta violenta por parte dele dentro da instituição. "O referido homem fez parte da PMRJ por menos de dois anos e, aparentemente, saiu da corporação por ter passado em outro concurso público", afirmou o órgão estadual em nota.

INTOLERÂNCIA MOTIVOU CRIME NO PARANÁ, DIZ MÃE

Mãe de Guaranho, a comerciante Dalvalice Rosa diz acreditar que a intolerância política foi o que motivou o filho a matar a tiros o guarda municipal Marcelo Aloizio Arruda. "Estamos sem chão. O que aconteceu tem a ver com extremismo e intolerância política. Eles não se conheciam, e nada mais explica essa tragédia", afirmou Dalvalice à reportagem.

O crime ocorreu dentro da Aresf (Associação Recreativa Esportiva Segurança Física), clube em que Arruda comemorava o aniversário de 50 anos numa festa temática com símbolos do PT e imagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Indagadas pela reportagem, testemunhas dizem que Guaranho se deslocou ao local após um jantar com a esposa e um bebê de cerca de 3 meses.

A mãe do policial penal afirma que o filho tocou músicas de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) enquanto fazia uma ronda de carro pelo clube, do qual ele seria sócio. O UOL tenta contato com a direção da Aresf. Segundo registros da Polícia Civil, Guaranho fez ainda ameaças de morte a pessoas que participavam da festa de Arruda. Do banco de trás, a mulher do bolsonarista teria pedido ao marido para que parasse com as provocações e fosse embora. Eles deixaram o local após Arruda jogar pedras no veículo de Guaranho, que reagiu apontando uma arma em direção ao guarda municipal petista.

Segundo imagens de câmeras de segurança, cerca de 20 minutos depois, o policial bolsonarista retornou sozinho à Aresf. Nesse momento, a mulher de Arruda, Pâmela Suellen Silva, se identificou como policial civil. Foi quando Guaranho começou a atirar no petista.

"Se eu estivesse lá, teria tentado impedir que isso acontecesse. Mal consigo imaginar a dor da outra família. Não se discute sobre religião, futebol, e politica... Ninguém ganhou nada com essa provocação, só houve perdedores", afirma a mãe do bolsonarista.

Ferido, o guarda municipal petista revidou os tiros que havia recebido do bolsonarista. Dalvalice afirmou que o filho foi atingido no rosto e nas duas pernas. De acordo com ela, o policial penal sofreu ainda um edema na cabeça provocado por chutes desferidos por homens presentes no local em que ele havia disparado contra Arruda. A Polícia Civil investiga se as agressões contribuíram para a gravidade do estado de Guaranho.

Fonte: FOLHA S. PAULO - 11/07/2022 

Crime de Foz: Campanha de Bolsonaro avalia como negativa reação do presidente sobre episódio, dizem fontes

 Presidente Jair Bolsonaro

© Reuters/UESLEI MARCELINOPresidente Jair Bolsonaro

BRASÍLIA (Reuters) - A equipe da pré-campanha de Jair Bolsonaro (PL) considerou que a resposta do presidente no episódio da morte de um militante do PT por um bolsonarista em Foz do Iguaçu (PR) tem sido ruim até o momento e não agrega novos apoios, disseram duas fontes à Reuters nesta segunda-feira.

A avaliação é que Bolsonaro demorou a se manifestar sobre o crime --após outros pré-candidatos à Presidência--, minimizou o assassinato do petista por um de seus apoiadores, não se solidarizou com a vítima e que, apesar de ter defendido a apuração séria do caso, aproveitou o episódio para atacar opositores.

No sábado à noite, o policial penal federal Jorge Guaranho invadiu a festa de aniversário do guarda municipal Marcelo Arruda --que tinha como tema o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva-- gritando "aqui é Bolsonaro", "mito", e disparou tiros em Arruda, que era militante do PT em Foz do Iguaçu (PR). O petista ainda conseguiu revidar também com tiros, atingindo Guaranho, que está internado em um hospital da cidade em consequência dos ferimentos. Ele teve a prisão preventiva decretada.

A primeira manifestação de Bolsonaro sobre o ataque só ocorreu na noite de domingo, ocasião em que repetiu uma publicação publicada em 2018, quando um petista foi morto em Salvador por outro de seus apoiadores. Nela, dizia não querer apoio de pessoas que cometem violência, ao mesmo tempo em que acusava a esquerda de ser responsável por atos violentos.

Nesta segunda, Bolsonaro falou duas vezes sobre o caso. Em conversa com apoiadores, classificou o episódio como "uma briga entre duas pessoas". Mais tarde, em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto, disse não ter qualquer relação com o incidente.

Segundo as fontes, houve pedido para o presidente se manifestar publicamente pelo episódio logo após o ocorrido. De acordo com uma delas, havia o receio que ele sequer se pronunciasse sobre o caso, mas a fonte admite que a resposta dada não foi a melhor.

A outra fonte disse que já foi um "grande avanço" ter soltado uma nota sobre o caso, mesmo havendo ataques ao PT. Essa fonte reconhece que o episódio ocorre no momento em que a campanha tenta diminuir a diferença em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto e busca adotar uma estratégia eleitoral mais pragmática.

A avaliação de ambas as fontes é que o governo vinha começando a reagir na corrida eleitoral e a colher boas notícias, como o avanço da PEC dos Benefícios, prevista para ser aprovada no plenário da Câmara na terça e promulgada ainda esta semana.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) --que vai turbinar o pagamento do Auxílio Brasil, vale-gás e criar uma espécie de voucher para caminhoneiros-- é uma das principais apostas da campanha de Bolsonaro para melhorar seus índices de intenção de voto.

Para as fontes, reações de Bolsonaro como as desse episódio não ajudam a atrair apoio ou votos.

Segundo uma das fontes, o eleitor antipetista e que está indeciso mas admitiria votar em Bolsonaro, acaba colocando dois pés atrás após a resposta do presidente ao caso de Foz.

"Ele continua falando mais para a bolha bolsonarista do que para o eleitor de centro que precisa ser conquistado", disse.

Fonte: Reuters - 11/07/2022

Crime de Foz: Justiça decreta prisão preventiva do policial que matou líder petista

                          

A Justiça decretou a prisão preventiva do policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho, acusado de matar o tesoureiro do PT Marcelo Arruda. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (11/7) pelo Ministério Público do Paraná (MPPR).

O guarda municipal Marcelo Arruda, candidato a vice-prefeito nas últimas eleições, foi assassinado a tiros durante sua festa de aniversário de 50 anos, ocorrida na noite de sábado (9/7), em Foz do Iguaçu (PR). A festa tinha como tema o PT e fazia várias referências ao ex-presidente e pré-candidato ao Planalto Luiz Inácio Lula da Silva.

Veja as cenas:

Inicialmente, a Polícia Civil informou que o atirador tinha morrido após Marcelo revidar. Contudo, às 16h40, em coletiva de imprensa, a delegada Iane Cardoso comunicou que a polícia errou: o agressor estava vivo e havia sido levado ao hospital. Até a última atualização desta reportagem, ele estava internado.

Segundo relatos, por volta das 23h, Jorge Guaranho (foto abaixo), que se declara apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL), invadiu a festa e atirou em Marcelo, que revidou. A confraternização era promovida na Associação Recreativa Esportiva Segurança Física Itaipu (Aresfi). A festa tinha poucos convidados — cerca de 40 pessoas.

Redes sociais/ReproduçãoJorge José da Rocha Guaranho, suspeito de matar guarda muncipial petista em Foz do Iguaçu
Jorge José da Rocha Guaranho, suspeito de matar guarda muncipial petista em Foz do Iguaçu

Relatos ainda apontam que o policial penal entrou na festa gritando o nome de Bolsonaro e “mito”. Houve uma rápida discussão, e o homem chegou a sacar a arma e ameaçar a todos. Em seguida, ele saiu, dizendo que voltaria para “matar todo mundo”. Minutos depois, o agente penitenciário chegou atirando no guarda municipal.

Fonte: Metropoles/ 11/07/2022

Governo Bolsonaro: Mais de 2,3 mil militares ocupam postos de forma irregular, diz CGU

 BRASÍLIA - Uma auditoria interna do governo, realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU), sobre a atuação de militares em cargos públicos aponta fortes indícios de irregularidades em pagamentos e ocupações de nada menos que 2.327 militares e seus pensionistas. A investigação apontou uma série de problemas, como acúmulo de funções simultâneas por militares da ativa e recebimento dobrado de salários e benefícios que extrapolam o teto constitucional.

Estadão teve acesso exclusivo ao relatório da auditoria realizada pela CGU, que atua como um órgão de controle interno do governo federal, responsável por fiscalizar o patrimônio público e combater crimes de corrupção e fraudes. O objetivo foi verificar em detalhes a situação dos militares que passaram a trabalhar para o governo federal, um contingente que triplicou na gestão Bolsonaro e que, conforme levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), ultrapassa 6 mil pessoas.

pessoas.

Auditoria interna do governo, realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU), aponta fortes indícios de irregularidades em pagamentos e ocupações de 2.327 militares e pensionistas de militares
© CGU/DivulgaçãoAuditoria interna do governo, realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU), aponta fortes indícios de irregularidades em pagamentos e ocupações de 2.327 militares e pensionistas de militares

O relatório, concluído no mês passado, se baseou em informações oficiais do Ministério da Economia e do Ministério da Defesa. Como linha de corte, os auditores se concentraram em dados de dezembro de 2020. A partir daí, cruzaram informações do Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape) e do Sistema de Informações de Empresas Estatais (Siest). Esses sistemas armazenam as informações de pagamentos a agentes públicos do governo federal e estão sob gestão do Ministério da Economia. Paralelamente, cada informação foi confrontada com os dados que a CGU recebeu do Ministério da Defesa, a respeito de pagamentos realizados a militares e seus pensionistas.

Foram encontrados 558 casos de ocupação simultânea de cargos militares e civis sem nenhum tipo de amparo legal ou normativo para isso. Deste total, 522 militares estão ocupando postos na administração pública direta e outros 36, em estatais federais. “Como consequência do presente achado, tem-se a possível vinculação ilícita de militares a cargos, empregos ou funções civis. Essa situação pode ensejar danos ao erário e à imagem da administração pública federal”, afirma o relatório de auditoria.

Uma segunda irregularidade encontrada: centenas de casos extrapolam o prazo máximo de atuação paralela dos militares, se consideradas aquelas situações de exceção em que esse trabalho simultâneo é permitido. O levantamento aponta que 930 militares chegam a se enquadrar em casos legais de acúmulo de cargos, mas desrespeitam o limite legal de até dois anos neste tipo de função simultânea, ou seja, eles seguem recebendo salário da administração pública, em desrespeito às leis.

“Tem-se como possível causa residual a eventual má-fé de militares ao permanecerem como requisitados para atividades civis federais por tempo prolongado, nos casos em que estejam cientes da irregularidade”, conclui o relatório. “O comando constitucional é claro em limitar o vínculo civil de militares ao período máximo de dois anos, devendo o militar ser transferido para a reserva caso a situação do vínculo temporário persista.”

A terceira irregularidade diz respeito a salários pagos. Foram identificados 729 militares e pensionistas de militares com vínculo de agente público federal que receberam acima do teto constitucional, sem sofrerem nenhum tipo de abatimento em seus vencimentos. Em dezembro de 2020, o salário teto no Brasil, baseado no que é recebido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), era de R$ 39.293,32. Como o período analisado pela CGU focou um retrato da situação de dezembro de 2020, o próprio órgão afirma que, se todos os casos levassem à devolução do dinheiro público pago a mais, só naquele mês teriam de ser devolvidos R$ 5,139 milhões aos cofres públicos.

A regra do teto constitucional, afirma a CGU, “deve ser observada para todos os agentes públicos, civis ou militares”, mas enfrenta mais desafios quanto ao controle no caso de militares e seus pensionistas, porque, nestes casos, “os benefícios são pagos por órgãos distintos, sendo o único controle existente a autodeclaração do beneficiário”.

As informações apuradas pela auditoria não partiram de um simples cruzamento de banco de dados de diferentes ministérios do governo federal. Para chegar ao resultado que aponta indícios graves de irregularidades, os auditores fizeram, conforme consta no documento, um “amplo estudo normativo, em busca de todos os regramentos relacionados ao tema”, para excluir cenários em que o vínculo simultâneo entre o serviço militar e público tenha amparo legal.

Nesta filtragem, foram excluídos, por exemplo, os casos de militares da reserva ou reformados que estejam ocupando cargo público. O resultado também deixa de fora os militares ligados a atividades da área de saúde e que passaram a ocupar um cargo público no mesmo setor da gestão pública. As exceções incluem ainda militares da ativa que estejam no serviço público para necessidades temporárias e dentro do prazo de até dois anos, além dos militares inativos que são contratados para atividades de natureza civil em caráter voluntário. “Vencida essa etapa, foram realizados os cruzamentos de dados com o objetivo de identificar as ocorrências de militares com vínculos civis que apresentavam indícios de irregularidades, ou seja, já eliminados os casos de exceção”, afirma a auditoria.

Além das irregularidades encontradas, a CGU revela a fragilidade da gestão de recursos humanos do governo, que “ocorre de maneira segregada”. Isso ocorre porque o vínculo militar é gerido pelo Ministério da Defesa, que não se submete ao controle da CGU, enquanto os cargos públicos são de responsabilidade da Secretaria de Gestão e Desempenho de Pessoal, do Ministério da Economia. É esta secretaria que cuida do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal (Sipec), alvo central da auditoria.

“Observa-se contexto de dificuldade intrínseca para implementação de controles, seja pela atuação em conjunto de duas unidades gestoras, seja pelo desafio de comunicação eficaz e tempestiva entre tais unidades, seja pelo uso de sistemas estruturantes distintos”, afirma a auditoria. “Caso existisse tal integração, poderia ser facilmente implementado um controle sistêmico e automático para impedir tais casos, ou mesmo notificar os gestores a respeito.”

Exército e ministérios afirmam que apuram casos apontados

Os ministérios da Economia e da Defesa, além das Forças Armadas, não mencionaram quantos casos com indícios graves de irregularidades já foram efetivamente confirmados e que medidas foram tomadas contra essas fraudes. Questionado pela reportagem, o Exército declarou que “participou do esforço conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), mas que a “identificação de coincidências de vínculos civil e militar” merece “uma análise pormenorizada, trazendo oportunidade de correção de possíveis inconsistências”.

Sem citar números ou detalhes, o Exército afirmou que, após nova análise, “verificou-se que a maior parte das inconsistências corresponderia, em princípio, a acumulações potencialmente lícitas, amparadas pela legislação”. Mas, como mostra a reportagem, diversas exceções que permitem o trabalho paralelo de militares com o serviço público já foram consideradas na auditoria.

“Cada coincidência/inconsistência de dados está sendo avaliada individualmente. As providências corretivas serão adotadas, após ser dada a oportunidade de os envolvidos apresentarem justificativas às inconformidades porventura confirmadas, seguindo rigorosamente o preconizado na legislação”, afirmou o Exército.

Segundo a Força, suas unidades já foram avisadas “para fins de regularização” e esse trabalho está em andamento. “Encontra-se em curso, agora, uma análise detalhada, trazendo oportunidade de correção de possíveis inconsistências. Seguindo os trâmites legais, será ressarcido oportunamente qualquer valor que porventura tenha sido repassado de forma indevida, sem prejuízo de outras sanções previstas no ordenamento jurídico brasileiro.”

O Ministério da Defesa declarou à reportagem que, dentro da administração central da pasta, identificou dois casos de irregularidades. Um envolvia ocupação simultânea irregular e outro o recebimento de salário acima do limite constitucional. O servidor, que não teve a sua identificação mencionada, “foi notificado a promover o ressarcimento dos valores, o que já vem ocorrendo”.

“O Ministério da Defesa atua permanentemente em contato com órgãos de controle interno e externo com o objetivo de cumprir rigorosamente a legislação”, afirmou.

Aeronáutica e a Marinha foram questionadas sobre o assunto, mas não responderam aos pedidos de esclarecimento.

O Ministério da Economia declarou, por meio de nota, que as informações da auditoria “já foram encaminhadas diretamente aos órgãos envolvidos para manifestação e providências que eventualmente se fizerem necessárias”.

Perguntado se as irregularidades já foram sanadas e se houve punição ou ressarcimento financeiro de pagamentos, o ministério afirmou que “tais apontamentos não são necessariamente irregularidades” e que, “no momento, existe apenas a relação de indícios, que serão analisados pelos órgãos envolvidos”.

A respeito das fragilidades de fiscalização e falta de integração entre as bases do Ministério da Economia e o Ministério da Defesa, a pasta chefiada por Paulo Guedes declarou que está em andamento um “projeto destinado à promoção de uma integração sistêmica”.

Fonte: ESTADÃO 11/07/2022

No cercadinho: Bolsonaro diz "Fachin foi quem tirou o Lula da cadeia e sempre foi o advogado do MST"

                                           O ministro Fachin tem sido alvo predileto do presidente -foto:reprodução


BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniu com apoiadores na manhã desta segunda-feira (11) e se limitou a criticar a forma como está sendo divulgada a morte do militante petista Marcelo Aloizio de Arruda, que foi assassinado a tiros no sábado (9) por um policial penal bolsonarista.

"Vocês viram o que aconteceu ontem, né? Uma briga de duas pessoas lá em Foz do Iguaçu. "Bolsonarista não sei o que lá". Agora, ninguém fala que o Adélio é filiado ao PSOL, né? A única mídia que eu tenho é essa que está nas mãos de vocês aí", disse Bolsonaro a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.

Adélio, autor da facada em Bolsonaro na campanha de 2018, foi filiado ao PSOL.


No último sábado, um policial penal federal bolsonarista invadiu uma festa de aniversário e matou a tiros o guarda municipal e militante petista Marcelo Aloizio de Arruda, em Foz do Iguaçu (PR).

Durante a ação, o petista reagiu e efetuou disparos contra seu agressor, identificado como Jorge José da Rocha Guaranho. A Polícia Civil do Paraná a princípio disse que Guaranho também tinha morrido, mas a informação depois foi corrigida. Ele permanece internado.

A delegada responsável pelo caso, Iane Cardoso, afirma que a hipótese de motivação política para o crime contra o petista é investigada. Ela diz que ainda está sendo apurada se a razão foram divergências políticas.

Em sua primeira manifestação no domingo (10), o presidente disse que dispensa o "apoio de quem pratica violência contra opositores", mas, no mesmo pronunciamento, atacou a esquerda.

"Dispensamos qualquer tipo de apoio de quem pratica violência contra opositores. A esse tipo de gente, peço que por coerência mude de lado e apoie a esquerda, que acumula um histórico inegável de episódios violentos", escreveu o chefe do Executivo.

A manifestação do presidente foi publicada em seu perfil nas redes sociais somente após as 19h, depois que praticamente todos os espectros políticos já haviam se manifestado em repúdio.

Na conversa com os apoiadores nesta segunda-feira, Bolsonaro também atacou os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O presidente citou principalmente o ministro Edson Fachin, que hoje preside o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Segundo Bolsonaro, Fachin não aceita que o pessoal técnico das Forças Armadas converse com o pessoal técnico do TSE.

"Quem age dessa maneira não tem qualquer compromisso com a democracia. Deixo bem claro,
Fachin foi quem tirou o Lula da cadeia. Fachin sempre foi o advogado do MST", disse.

Fachin afirmou na sexta-feira (1º) que as eleições no Brasil não "se condicionam à produção de um resultado que confirme a vontade isolada de um ou de outro ator político".

Em discurso de encerramento dos trabalhos do tribunal neste semestre, o ministro não citou as ameaças golpistas de Bolsonaro, mas mandou indiretas ao chefe do Executivo, que já o atacou em diversas oportunidades e costuma dizer que as urnas eletrônicas não são auditáveis.

Fachin afirmou que o TSE oferece "todos os meios legítimos de auditoria".

Fonte: FOLHA S. PAULO -11/07/2022