domingo, 27 de setembro de 2026

Revista inglesa Financial Times chama a família Bolsonaro de “clã radical e disfuncional”



                                                           Foto:reprodução/Redes Sociais



“Escândalo e sucessão”. Em uma comparação com a famosa série "Sucession", o semanário inglês Financial Times colocou em sua capa, na edição deste fim de semana, uma reportagem sobre a tumultuada sucessão no clã Bolsonaro. A capa da revista traz ainda, junto ao título, uma imagem, em desenho, reproduzindo a família Bolsonaro, com Flávio ao meio, Jair Bolsonaro e Michelle ao lado e os irmãos Carlos e Eduardo um pouco atrás. 

 

A imagem da capa do Financial Times é uma referência direta à série de streaming “Sucession”, que mostra uma disputa entre os filhos de um empresário dono de um conglomerado de comunicação e entretenimento. A reportagem dentro da revista, que saiu neste sábado (26), aborda as eleições brasileiras e a sucessão política do ex-presidente Jair Bolsonaro, além do crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas.  

 

A matéria, que tem o título “Escândalo e sucessão na família Bolsonaro”, diz que os membros do clã oscilam entre o “conservadorismo e o caos. O Financial Times também chama a família Bolsonaro de “clã radical e disfuncional”. 

 

“Casa de Bolsonaro será consolidada como uma dinastia política, em vez de uma anomalia isolada”, afirma o semanário inglês. 

 

A reportagem classifica o patriarca do clã, Jair Bolsonaro, como “porta-estandarte de um movimento populista conservador com tons religiosos que leva o seu nome: o bolsonarismo”. 

 

Além de descrever a trajetória do ex-presidente, a reportagem do Financial Times cota o candidato Flávio Bolsonaro como um “político profissional” desde os 21 anos, mesmo sem nunca ter ocupado um cargo executivo. 

 

“Eles praticam um estilo paranoico de política. Assim como a família Trump, personificam o espírito político dos anos 2020: o superficial e o sinistro, a fusão de celebridade, redes sociais e a busca pelo poder”, descreve a publicação. 

 

O Financial Times também fala sobre prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e depois traça um perfil do seu filho candidato, Flávio Bolsonaro, assim como questiona: “Será que a primeira família do radicalismo de direita no Brasil está à beira de um retorno?” 

 

Em outro momento, a reportagem detalha um episódio do mês de junho, pouco antes de um jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo. Em um vídeo no Instagram, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acusou o enteado Flávio de humilhá-la em uma disputa interna do partido, e chamou a atitude dele de “uma facada nas costas”.

 

Para o FT, os detalhes da briga, sobre alianças e candidaturas regionais, importavam pouco. O que chamou atenção da publicação ingesa foi a hostilidade aberta, que expôs uma fissura no centro da principal família da direita brasileira justamente quando ela planejava voltar ao poder.

 

Segundo um assessor da campanha ouvido pelo jornal, naquele momento a equipe de Flávio chegou a achar que estava tudo acabado.

 

Madrasta e enteado só fizeram as pazes publicamente em meados de agosto, depois de semanas de mediação de aliados. O jornal registra que a reconciliação, com orações e abraços, não convenceu todo mundo.

 

O pastor Silas Malafaia, aliado próximo da família e que celebrou o casamento de Jair e Michelle, disse ao FT que a disputa é sobre herança política. “A briga é sobre quem vai carregar o nome”, afirmou o pastor.

 

Já Flávio Bolsonaro é apresentado como o "moderado autodeclarado" da família, alguém que se definiu como um "Bolsonaro vacinado". Pessoas próximas o descrevem ao jornal como o filho "mais normal", tranquilo e que não guarda rancor.

 

Em entrevista ao FT no início do ano, ele admitiu não chegar aos pés do pai: "Como comparar o filho do Pelé com o próprio Pelé?".

 

O jornal conta que, na convenção do PL em julho, Jair apareceu no telão na forma de um avatar criado por inteligência artificial para apresentar Flávio como seu sucessor, e que o filho enxugou uma lágrima no palco.

 

O semanário fala também de Carlos Bolsonaro, é descrito como o estrategista das redes sociais creditado pela vitória de 2018, chamado pelo próprio pai e pelo irmão de "pit bull da família". Já Eduardo, 42, é o que mais se parece com Jair no estilo, segundo o FT.

 

Morando no Texas desde 2025, ele teve o mandato de deputado cassado e foi condenado à revelia em junho por pressionar autoridades americanas a interferir no julgamento do pai.

 

O FT dedica ainda boa parte da reportagem à ascensão de Michelle, que o jornal aponta como possível "arma secreta" dos Bolsonaro nesta eleição. Evangélica, 27 anos mais jovem que o marido e um ano mais nova que Flávio, ela deixou de ser uma primeira-dama discreta para se tornar, segundo uma pesquisa citada pelo jornal, a mulher mais poderosa do país.

 

A reportagem lembra que pesquisas do ano passado chegaram a mostrar Michelle com mais chances de derrotar Lula do que Flávio ou Eduardo, o que alimentou a rivalidade com os enteados. Hoje ela é candidata ao Senado pelo Distrito Federal, a pedido do marido.



Fonte: Por Edu Mota, de Brasília/bn -27/09/2026

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